Programa de repatriação na Argentina alcança US$ 90 bi

Em sua última coletiva como ministro da Fazenda da Argentina, Alfonso Prat-Gay fez questão de anunciar que, por meio do programa de repatriação de capitais implementado este ano pelo governo Mauricio Macri, os argentinos já legalizaram mais de US$ 90 bilhões, o melhor resultado da História do país, representando cerca de 17% do PIB. Além de depósitos que não estavam declarados, os argentinos já legalizaram cerca de 20 mil imóveis no exterior.

Depois de destacar que o plano argentino — ainda não finalizado — superou, amplamente, a repatriação alcançada pelos vizinhos Brasil e Chile, o agora ex-ministro assegurou que deixa o governo “com a sensação de missão cumprida” e mostrou-se confiante de que seu país retomará o crescimento no ano que vem.

— Estamos deixando o carro preparado e a estrada asfaltada, para que a coisa comece a funcionar — declarou Prat-Gay, que negou conflitos com o presidente Macri e outros membros do gabinete.

A última repatriação, que foi feita em 2013, no governo de Cristina Kirchner, não chegou aos US$ 3 bilhões.

Segundo o ex-ministro, sua renúncia, solicitada na última segunda-feira pelo chefe de Estado, esteve relacionada a “diferenças sobre o funcionamento da equipe econômica”.

— Estou comprometido com este projeto do Mudemos (aliança de governo da Argentina). Temos de nos acostumar ao fato de que as mudanças podem acontecer de forma pacífica — assegurou Prat-Gay, que, em pouco mais de um ano de gestão, normalizou o mercado cambial, chegou a um acordo com os chamados fundos abutres para terminar com o calote argentino e comandou o programa de repatriação de capitais.

O que o ex-ministro não conseguiu foi reativar a economia argentina, que deverá fechar o ano com recessão de até 2% e inflação beirando 40%.

— A queda da atividade econômica foi mais profunda do que imaginávamos. Foi um ano muito duro de transição, muito duro para uma parcela importante da população — admitiu Prat-Gay, em clara referência a políticas como o “tarifaço”, que representaram um duro golpe ao bolso dos argentinos.

Para o ex-ministro, que será substituído pelos secretários da Fazenda, Nicolás Dujovne, e de Finanças, Luis Caputo, “no ano que vem aparecerão os primeiros sinais claros de crescimento”.

Segundo versões que circularam nos últimos dias em Buenos Aires, a saída de Prat-Gay teve a ver com profundas diferenças de estilo entre o ex-ministro e parte do gabinete. A partir de agora, a política econômica será comandada por Macri e uma equipe de sete funcionários, que dividirão o trabalho.

— A saída de Prat-Gay era o melhor para o funcionamento da equipe — admitiu o secretário de coordenação interministerial da Chefatura de Gabinete, Mario Quintana.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior