Dúvida sobre Previdência faz Ibovespa perder força e cair 0,74%

A dúvida sobre a aprovação da reforma da Previdência ainda neste ano pressionou a Bolsa na última hora de negociação e o Ibovespa, que chegou a subir 1,5% pela manhã, caiu 0,74%, aos 72.546 pontos. Já o dólar comercial, que teve os negócios encerrados às 17h, caiu 0,50% ante o real, a R$ 3,235, o terceiro recuo consecutivo.

O otimismo dominou os negócios pela manhã com os investidores vendo possibilidade do governo reunir os votos necessários para a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados antes do recesso de final de ano. No, ao final do dia, começaram a circular rumores de que o Planalto ainda não está perto dos 308 votos necessários.

Rogério Freitas, sócio-diretor da Florença Investimentos, explicou que o Ibovespa vem se movendo à medida que aumenta ou reduz a percepção em relação à possibilidade de aprovação da reforma da Previdência. As recentes declarações do presidente Michel Temer e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, foram interpretadas como aumento dessa probabilidade.

— O mercado mantem um certo otimismo. O governo está empenhado no assunto e não desistiu até agora, o que é positivo. Mas se sai um número de votos muito baixo, isso passa a impactar de forma negativo. É algo que está mudando muito no curto prazo — avaliou.

Todas as ações mais negociadas fecharam em queda. No caso dos bancos, que possuem o maior peso na composição do índice, as preferenciais (PNs, sem direito a voto) do Itaú Unibanco e do Bradesco recuaram, respectivamente, 0,59% e 1,02%. No caso do Banco do Brasil, a desvalorização foi de 1,45%.

No caso da Petrobras, as preferenciais tiveram queda de 1,09%, cotadas a R$ 15,31, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) registraram variação negativa de 1,05%, a R$ 15,92. Já os papéis da Vale tiveram um tombo de 2,19%, mesmo com a companhia tendo divulgado que quer reduzir o seu para menos de US$ 10 bilhões até o final de 2018.

BC AJUDA DÓLAR

O dólar já iniciou o dia em queda. Na segunda-feira à noite, o BC anunciou que faria leilões de “swap cambial” de 14 mil contratos — que equivale à venda de aproximadamente US$ 700 milhões no mercado futuro — nesta terça-feira. Além disso, a autoridade monetária se comprometeu a fazer um leilão de linha no valor de R$ 2 bilhões com compromisso de recompra no futuro.

— A medida do Banco Central vem como uma resposta a essa expectativa do mercado: é uma precaução ao possível adiamento da reforma da Previdência. Se isso acontecer, o dólar vai disparar, por isso o BC tenta equilibrar a cotação da moeda — explica Pedro Galdi, analista da Magliano.

No Congresso, para tentar fazer o assunto avançar, governo afia a estratégia e busca votos com oferta de verbas e de potencial apoio a candidaturas na eleição de 2018. Ainda que siga admitindo não ter os votos suficientes, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, diz que espera ter condição de votar o projeto este ano.

— O mercado continua na expectativa de votação da reforma, mas está dando um voto de confiança, vendo o empenho do governo. Mas, amanhã ou quinta, o governo já deve saber se tem ou não os 308 votos necessários, e isso pode alegrar ou não. Por enquanto, o mercado sobre na confiança — avalia Galdi.

No cenário internacional, a divisa americana cai ante a maioria das principais moedas, com dólares australiano e neozelandês liderando a performance. Galdi lembra ainda que a aprovação da reforma fiscal pelo Senado americano também traz boas expectativas ao mercado. O “dollar index” tinha alta de 0,15% próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil.

— Nem mesmo o impacto inflacionário do pacote de Trump preocupa nesse momento, já que inicialmente a inflação não deve subir — disse Galdi, da Magliano.

Fonte: O Globo
Postado por: raul motta junior