Com Selic na mínima histórica, BC deve adotar tom conservador sobre próximos passos

A terceira elevação consecutiva na projeção do mercado para o crescimento da economia em 2018, revelada pelo Boletim Focus, abre espaço para o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) adotar um tom conservador após o final da reunião de quarta-feira. A expectativa é que a Selic seja reduzida em 0,5 ponto percentual, indo para 7% ao ano, a menor desde o início do Copom. Mas o comunicado da autoridade monetária sobre a decisão deve ser neutro, ou seja, nem vai indicar a possibilidade de mais cortes e nem cravar que o ciclo de reduções dos juros básicos, iniciado em outubro de 2016, chegou ao fim.

Na visão de economistas ouvidos pelo GLOBO, os dados do boletim Focus, que mostram a inflação sob controle e a reação da atividade econômica, dão ao BC esse conforto. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2018 subiu de 2,58% para 2,60%, a terceira alta seguida. Para a inflação, é esperado que o IPCA chegue em dezembro do ano que vem a 4,02%, abaixo do centro da meta, que é 4,5%. Como a economia mostra reação, o BC pode esperar algum avanço mais consistente da reforma da Previdência para decidir os próximos passos.

— Esse BC já mostrou que é mais conservador. Ele tem o risco de manter o corte de juros no ano que vem, mas depois, com pressões inflacionárias e sem a reforma, ter que subir os juros com mais força — avaliou Luis Otavio de Souza Leal, economista do banco ABC Brasil.

A reunião do Copom começa nesta terça-feira e vai até quarta-feira quando, após o fechamento dos mercados, será anunciada a nova taxa. Um comunicado é divulgado logo na sequência e, na terça-feira da próxima semana, dia 12, é publicada a ata. Os dois documentos, portanto, saem antes da possível data de votação em primeiro turno da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados. Uma maior clareza sobre o fim do ciclo de cortes ou a possibilidade de reduções adicionais, caso a reforma da Previdência seja aprovada e a inflação continue em queda, devem ocorrer na reunião de fevereiro do Copom (dias 6 e 7).

Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos, lembrou que o BC já reconheceu os efeitos expansionistas da redução dos juros. Além disso, há uma defasagem para que as decisões de política monetária façam efeito na economia real. Ou seja, mesmo que o ciclo de cortes chegue ao fim, as reduções já realizadas ainda surtirão efeito na redução dos custos de financiamento e no estímulo à atividade econômica.

— Todo mundo sabe que em algum momento vai ter uma normalização, uma alta dos juros no momento que a inflação der sinais de alta. Quando, a velocidade e o patamar dessa alta são incógnitas. Mas quanto maior for o corte nesse atual ciclo, mais o BC terá que antecipar esse processo de ajuste. Por essa razão, deve por ser mais conservador — disse, lembrando que quando o processo de corte teve início, a Selic estava em 14,25% ao ano.

No entanto, um corte na reunião de fevereiro, a depender da redução das incertezas em torno da Previdência, não está descartado. Ao menos essa é a visão do Itaú Unibanco, que aposta em um corte de 0,5 ponto na primeiro reunião de 2018.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior