Monthly Archive: January 2018

Preço do bitcoin tem a maior queda desde setembro

O bitcoin, a moeda digital mais famosa, caiu 12% nesta terça-feira, para US$ 12.255, o menor nível desde o dia 5 de dezembro, de acordo com o índice da Bloomberg. A criptomoeda era negociada mais de 40% abaixo do nível recorde atingido em meados de dezembro. Outras moedas digitais também recuavam, como o ripple, que perdia quase 28%.

Em uma entrevista para a TV Bloomberg em Hong Kong, o presidente da Autoridade Europeia de Mercados, Steven Maijoor, disse que os investidores “deviam estar preparados para perder todo o seu dinheiro” em bitcoin:

“Tem um valor de extrema volatilidade, o que afeta seu uso como moeda. E também não é amplamente aceito”.

O órgão alertou investidores sobre as ofertas da moeda e vem monitorando o desenvolvimento das criptomoedas.

A China, que começou a regular a indústria no ano passado, está avançando em seu acompanhamento, especialmente nas plataformas on-line e nos aplicativos para celular que oferecem serviços de troca, segundo fontes próximas ao governo.

O bitcoin é uma moeda digital que não está sujeita a regulações de nenhum governo ou banco central. As transações são feitas digitalmente, sem nenhum banco intermediar. Como o dinheiro em espécie, o bitcoin permite que os usuários gastem ou recebam os recursos de forma anônima, ou em grande parte anônima, através da internet. Milhares de computadores no mundo validam transações e adicionam novos bitcoins ao sistema. Existem outras moedas digitais, mas o bitcoin é a mais popular.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Responsável por relatório do Banco Mundial nega manipulação para prejudicar Chile

O ex-diretor do departamento encarregado de produzir o ranking “Doing Business”, ou “Fazendo negócios”, uma das principais publicações do Banco Mundial (BM), Augusto López-Claros, negou que as mudanças de metodologia do estudo, ocorridas nos últimos anos, tenham prejudicado o Chile.

No sábado, o economista-chefe do banco, Paul Romer, afirmou a um jornal americano que o organismo teria alterado dados sobre a competitividade chilena por “motivações políticas”, prejudicando o desempenho do país no ranking durante o governo de Michelle Bachelet, iniciado em 2014 e que se encerra no próximo 11 de março. A lista aponta os países onde é mais fácil fazer negócios, usando critérios como tempo para se abrir uma empresa e dificuldade para se pagar impostos, por exemplo.

Por e-mail, López-Claros garantiu ao O GLOBO que as acusações de manipulação política são “totalmente sem mérito”. O economista-chefe do BM afirmou que a metodologia usada na elaboração do ranking foi alterada em diversas ocasiões, fazendo com que, nos últimos quatro anos, a competitividade do Chile tivesse resultados negativos.

De acordo com uma publicação feita por Romer nesta segunda-feira em seu blog, sem as alterações feitas na metodologia do “Doing Business”, o Chile estaria quatro posições acima de sua colocação atual — ou seja, o país ficaria no 51º lugar do ranking, e não no 55º.

López-Claros confirma que houve mudanças na metodologia, que o desempenho pior do Chile reflete algumas delas, mas que ocorreram para melhorar a qualidade do ranking e não para prejudicar ou beneficiar determinado país. “Essas melhorias foram feitas após consultas detalhadas e generalizadas no Banco.

O relatório Doing Business está sujeito a uma extensa avaliação interna. As rodadas preliminares dos novos dados coletados foram compartilhadas para comentários e, em geral, todo o processo foi realizado em um contexto de abertura e transparência”, argumentou.

Segundo o ex-diretor do Banco Mundial, o Chile caiu vários lugares, por exemplo, devido à introdução, em alguns indicadores, de uma dimensão de gênero. “A legislação chilena tem uma série de características que incorporam várias restrições contra as mulheres e isso afetou negativamente seus resultados. Outros países também foram afetados. Mas o Banco geralmente optou por fazer melhorias metodológicas que capturam mais precisamente uma dimensão importante do ambiente de negócios, sem se concentrar no impacto que essas mudanças teriam em países específicos”, afirmou. Ele disse, ainda que o desempenho do Chile piorou nos anos observados porque outros países, nesse mesmo período, implantaram reformas que ajudaram a intensificar a atração de investimentos.

“O Chile apresentou um total de 2 reformas durante este período quatro anos, enquanto o México introduziu oito e a Colômbia seis. Não surpreendentemente o México ultrapassou o Chile como país com o melhor ambiente de negócios na América Latina, conforme capturado pelos indicadores Doing Business”, explicou o ex-diretor do BM. “Você pode estar ciente de que, durante os últimos anos, o Banco Mundial negociou com a administração Bachelet a abertura de um centro de pesquisa em Santiago, o primeiro desses centros da América Latina, e que acaba de ser inaugurado há alguns dias, destacando o forte relacionamento colaborativo entre o governo chileno e o banco nas últimas décadas”, complementou.

A administração da presidente Michelle Bachelet está tentando pesar os custos políticos e econômicos da alegada manipulação no Banco Mundial. bAinda no sábado, dia em que a polêmica veio à tona, a presidente chilena exigiu uma investigação do Banco Mundial sobre o assunto, “dada a gravidade do ocorrido”. A coalizão governista perdeu as eleições presidenciais de dezembro passado para o bilionário Sebastian Piñera, que fez campanha em uma agenda pró-negócios e promete duplicar o crescimento econômico. Ele assumirá o cargo no próximo dia 11 de março. Embora ninguém diga que o relatório do Banco Mundial influenciou os eleitores, isso provocou queixas da oposição.

Felipe Larrain, ex-ministro das Finanças de Piñera (durante o mandato presidencial de 2010 a 2014), é membro do conselho consultivo no relatório “Doing Business”. Larrain disse que qualquer “anormalidade” nos números seria muito grave e convocou o banco para esclarecer a situação.

Em nota emitida no sábado, único dia em que se pronunciou sobre o ocorrido, o Banco Mundial ressaltou que trata “todos os países de maneira igualitária em suas pesquisas” e que os indicadores e a metodologia do Doing Business são desenvolvidas “sem ter nenhum país específico em mente”. Em resposta à presidente chilena, disse que, devido ao compromisso do banco com “a integridade e a transparência”, fará uma revisão dos indicadores correspondentes ao Chile no ranking.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Bolsa de Tóquio fecha no nível mais alto em quase 30 anos

A Bolsa de Tóquio encerrou em clara alta nesta terça-feira, com ganho de 1%, atingindo seu nível mais alto desde novembro de 1991.

Ao fim do pregão, o índice Nikkei dos 225 principais valores subiu 1%, situando-se nos 23.951,81 pontos no fechamento.

Nessa mesma hora, o dólar era cotado a 110,90 ienes, contra os 110,70 ienes da véspera. Já o euro subia para 135,99 ienes, contra os 135,31 ienes no fechamento da véspera.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Mercado agora espera crescimento da economia um pouco maior em 2018

O crescimento da economia brasileira deve ser de 2,70% em 2018, segundo estimativas do mercado reunidas no Boletim Focus, do Banco Central. O número é um pouco maior que os 2,69% previstos na semana anterior.

Houve poucas alterações nas projeções dos economistas para o cenário econômico. A estimativa para o dólar no fim do ano subiu de R$ 3,34 para R$ 3,35, mas se manteve em R$ 3,40 para o fim de 2019.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Brasil cresceu 0,49% em novembro, aponta prévia do PIB do BC

A economia brasileira cresceu 0,49% em novembro nos cálculos do Banco Central. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pela autoridade monetária. O dado veio levemente melhor que a estimativa de 0,44% para o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br). O desempenho consolida a retomada da atividade. Os dados anualizados demonstram mais claramente a recuperação econômica do Brasil.

No acumulado nos últimos 12 meses, a expansão da atividade foi de 0,73%. O número representa um grande ganho de tração da economia. Isso porque o dado até o mês anterior (o IBC-Br dos 12 meses encerrados em outubro) mostrava um crescimento de apenas 0,26%.

Pelas contas do BC, o país já cresceu 1,06% de janeiro a novembro. Na expectativa do governo, o Brasil deve ter crescido algo em torno de 1,1% no ano passado.

Segundo o Bradesco, o avanço corrobora “nossa expectativa de retomada gradual da atividade econômica, com crescimento do PIB no quarto trimestre”. Para 2018, o banco espera aceleração ao longo do ano, com expansão de 2,8% do PIB.

Tanto o IBC-Br quanto o PIB são indicadores que medem a atividade econômica, mas têm diferenças na metodologia. O IBC-Br foi criado pelo Banco Central para ser uma referência do comportamento da atividade econômica que sirva para orientar a política de controle da inflação pelo Comitê de Política Monetária (Copom), uma vez que o dado oficial do PIB é divulgado pelo IBGE com defasagem em torno de três meses.

O indicador do BC leva em conta trajetória de variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (indústria, agropecuária e serviços).

Já o PIB é calculado pelo IBGE a partir da soma dos bens e serviços produzidos na economia. Pelo lado da produção, considera-se a agropecuária, a indústria, os serviços, além dos impostos. Já pelo lado da demanda, são computados dados do consumo das famílias, consumo do governo e investimentos, além de exportações e importações.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Ausência de regras traz insegurança para investir em bitcoin

O forte sobe e desce das chamadas criptomoedas no último mês, em especial o movimento registrado pelo bitcoin, sobrecarregou as empresas que fazem a intermediação desse negócio, gerando queixas sobre a dificuldade em concluir as compras e efetuar os resgates relacionados a essas moedas. Por exemplo, vários investidores tiveram problemas com a corretora MercadoBitcoin, conforme reportagem publicada no último dia 6.

Por se tratar de uma operação não reconhecida como investimento ou produto financeiro, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central (BC) não regulam ou supervisionam esse mercado. Qual a saída, então, para quem enfrenta algum tipo de problema? Especialistas concordam que uma ação legal pode ser um caminho, mas ressaltam que a própria Justiça enfrenta a ausência de regulamentação desse mercado.

O comportamento do Bitcoin

Criptomoeda mais famosa atingiu cotação recorde em dezembro

(VALOR EM US$)

Além da Bitcoin

AS CINCO MAIORES

CRIPTOMOEDAS

19.497

COTAÇÃO

RECORDE

VARIAÇÃO

QUEDA DE

14,7%

EM UM MÊS

VALOR DE MERCADO

(EM US$ BILHÕES)

17.527

Bitcoin

Ethereum

Ripple

Bitcoin Cash

Cardano

16.099

234

16.408

15.599

123

14.001

13.831

78

12.952

44

13/12

2017

16/12

22/DEZ

26/12

30/12

4/1

2018

6/1

12/1

24

Fonte: Coin Market Cap

Assim como os órgãos fiscalizadores tentam entender as criptomoedas para chegar a um consenso sobre considerá-las ou não um ativo financeiro, na esfera legal ainda há dúvidas sobre como proceder quando alguém se sentir lesado na compra e venda de bitcoins. Mas uma coisa é clara: caso ocorra algum problema e seja preciso recorrer à Justiça, esse caminho será mais fácil se a empresa que fez as operações estiver estabelecida no Brasil.

— Eu preciso saber quem está transacionando essas moedas e se essa empresa está localizada no Brasil. Caso positivo, essa instituição estará sujeita às leis brasileiras, e eu tenho muito mais garantias — explica Fabio Korenblum, sócio da área cível do Siqueira Castro Advogados, acrescentando que acionar judicialmente uma empresa fora do país é mais burocrático.

As criptomoedas não estão sujeitas à regulação de qualquer governo ou banco central. As transações são feitas digitalmente, sem passar pelo sistema financeiro. As operações são validadas por milhares de computadores espalhados pelo mundo.

Mas, mesmo que a compra de bitcoin seja feita por meio de uma empresa localizada no Brasil, Korenblum afirma que ainda não está claro qual caminho adotar para processar o intermediário que, por exemplo, não devolva o dinheiro aplicado. O tema é tão novo que não há um entendimento jurídico que afirme se essa operação caracteriza uma relação de consumo, e, neste caso, poderia ser aplicado o Código de Defesa do Consumidor (CDC), ou se seria necessário recorrer a uma ação civil.

— Não me parece uma relação de consumo, porque nem toda a prestação de serviço entra nessa categoria. Mas quem foi lesado pode recorrer à lei civil, que proíbe o enriquecimento indevido. Se eu tenho um valor que me pertence, no caso os bitcoins, e quero resgatá-lo, e a empresa intermediária não cumpre com isso, ela está tendo um enriquecimento indevido — diz Korenblum.

CONFIRA: Bitcoin foi parar no palco: banda é criada no Japão em homenagem a moedas digitais

Seja optando pelo CDC ou por uma ação civil, a pessoa lesada irá pedir uma restituição de valores — considerando que não conseguiu resgatar o dinheiro equivalente ao seu investimento em criptomoedas. A vantagem do CDC é que o ônus da prova fica com o fornecedor do serviço ou produto. Já em uma ação civil cabe ao autor provar que foi lesado.

Mas, devido ao fato de as moedas virtuais serem algo novo, a própria Justiça brasileira esbarra na falta de regulamentação. Em um caso de penhora recente, a 36ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) reconheceu que as criptomoedas poderiam ser penhoradas para a execução de uma dívida. No entanto, caberia ao credor provar a existência delas. Como elas não ficam registradas em um cartório ou no sistema financeiro, é difícil obter essa prova.

MOEDAS TÊM DE SER DECLARADAS NO IR

Thiago Luís Sombra, sócio do escritório Mattos Filho, reforça que esse é um setor não regulado, uma vez que BC e CVM ainda estudam se as criptomoedas são ativos financeiros — ainda assim, na última sexta-feira, a CVM emitiu comunicado proibindo que fundos de investimento tenham moedas virtuais entre seus ativos. O órgão ainda alertou sobre os riscos associados às transações.

— Há muitos riscos envolvidos, por se tratar de algo não regulado. Acaba sendo uma relação exclusiva entre corretora e investidor. Se houver problemas nessa relação, a pessoa lesada sempre terá o direito de recorrer à Justiça — diz Sombra.

Por saber das dúvidas em relação ao tratamento a ser adotado, o diretor jurídico do Bitcoin Banco, Ismair Júnior Couto, explica que a empresa — que, apesar do nome, não é um banco — segue as resoluções que tratam de lavagem de dinheiro e atendimento ao cliente.

— Seguimos o que determina o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, da Fazenda). Por isso, nas movimentações acima de R$ 10 mil, o cadastro do cliente é mais completo. E só pode comprar criptomoedas conosco quem tiver uma conta em banco no Brasil — ressalta Couto.

Em relação ao atendimento aos clientes, ele explica que, além dos canais digitais, há um telefone para reclamações. Couto diz ainda que a equipe que valida as operações foi reforçada quando a demanda começou a subir, no ano passado. Segundo ele, a meta é fazer operações em até uma hora.

Embora BC e CVM não considerem as criptomoedas um ativo financeiro, a Receita Federal dá a elas esse caráter. Por isso, devem ser informadas no Imposto de Renda como “Outros bens”, na declaração de bens e direitos. Pela orientação da Receita, devem ser declarados os valores a partir R$ 1 mil, considerando-se o valor pago na aquisição. Operações acima de R$ 35 mil pagam imposto sobre ganho de capital, à alíquota de 15%.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

No dia seguinte do rebaixamento do Brasil, dólar abre perto da estabilidade

Na manhã seguinte ao rebaixamento da nota de risco soberano do Brasil, de “BB” para “BB-” pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), o dólar abriu nesta sexta-feira perto da estabilidade. A moeda americana recuava 0,03%, a R$ 3,219 por volta de 9h30.

A demora na implementação do ajuste fiscal e a incerteza política sobre as eleições presidenciais foram os principais fatores que levaram ao rebaixamento, segundo a S&P.

A perspectiva ficou estável, ou seja, não deve haver mudanças a curto prazo — a agência, porém, não descarta um corte no ano que vem, se o quadro fiscal não apresentar melhora significativa. A nota representa grau especulativo, ou seja, aponta risco para os investidores, e coloca o Brasil no mesmo patamar de Bangladesh e República Dominicana, segundo a agência de notícias Bloomberg.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Standard & Poor’s rebaixa rating soberano do Brasil para BB-

A demora na implementação do ajuste fiscal e a incerteza política sobre as eleições presidenciais foram os principais fatores que levaram a agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) a rebaixar nesta quinta-feira a nota de risco soberano do Brasil, de “BB” para “BB-”. A perspectiva ficou estável, ou seja, não deve haver mudanças a curto prazo — a agência, porém, não descarta um corte no ano que vem, se o quadro fiscal não apresentar melhora significativa.

A nota representa grau especulativo, ou seja, aponta risco para os investidores, e coloca o Brasil no mesmo patamar de Bangladesh e República Dominicana, segundo a agência de notícias Bloomberg. A decisão ocorreu mesmo depois de o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ter feito um périplo junto às agências de classificação de risco — além da S&P, Fitch e Moody’s — em busca de um voto de confiança quanto à capacidade do governo de aprovar a reforma da Previdência em fevereiro e melhorar a situação fiscal do país.

Ao longo dos últimos meses, o governo sofreu uma série de derrotas na área fiscal. Não conseguiu aprovar a reforma da Previdência no ano passado, nem medidas como o aumento do Imposto de Renda para fundos exclusivos e o adiamento do reajuste do funcionalismo federal. Além disso, uma liminar do Supremo Tribunal Federal suspendeu o aumento da contribuição previdenciária dos servidores públicos de 11% para 14%. E nesta quinta, um juiz de primeira instância travou o processo de privatização da Eletrobras. Segundo analistas, a decisão da S&P expõe a fragilidade fiscal do país e coloca sua credibilidade em xeque.

A S&P foi a primeira agência a retirar o grau de investimento do Brasil, em setembro de 2016, e a primeira a tomar uma decisão após o adiamento da reforma da Previdência.

O Ministério da Fazenda usou o rebaixamento para cobrar do Congresso a aprovação da reforma da Previdência e das medidas fiscais propostas para equilibrar o Orçamento de 2018. Em nota, a Fazenda destacou que o próprio comunicado da S&P aponta a necessidade dessas ações.

“A S&P ressalta a necessidade e urgência da aprovação de propostas de consolidação das contas públicas pelo Congresso Nacional, como a reforma da Previdência, além do adiamento do reajuste e o aumento da contribuição previdenciária dos servidores públicos, corroborando as propostas da equipe econômica”, diz o texto do ministério.

A equipe de Meirelles lembra ainda que a S&P sinalizou que pode rever a nota do país caso a agenda econômica apresente avanços e a economia brasileira continue sua trajetória de recuperação. “Uma elevação da nota, portanto, seria decorrente da aprovação das medidas fiscais propostas.”

No relatório, a agência sinaliza a intenção de não mexer na nota do país até 2019, probabilidade “inferior a um terço”. Mas diz que a classificação pode ser reduzida no ano que vem “caso haja um inesperado enfraquecimento na balança de pagamentos do Brasil, que prejudique o acesso ao mercado ou gere aumento acentuado da dívida externa.”

Na nota, a equipe econômica também afirma que está comprometida com o reequilíbrio das contas do país, com a agenda de reformas e com a retomada do crescimento. E ressalta ainda que a S&P reconhece os avanços obtidos na economia no último ano. O relatório da agência cita a aprovação do teto de gastos, a reforma trabalhista e a reabertura do setor de óleo e gás, entre outros.

Mas, segundo a S&P, “o Brasil fez progressos mais lentos do que o esperado na implementação de medidas para corrigir de forma significativa a deterioração fiscal estrutural e o aumento dos níveis de endividamento.”

A agência diz ainda que “os atrasos no avanço das medidas fiscais corretivas, críticas para enfrentar uma das principais fraquezas da classificação do Brasil, juntamente com perspectivas de política incertas após as eleições presidenciais de 2018, refletem pouca eficiência na formulação de políticas pela classe política do Brasil.”

A S&P ressalta os riscos das próximas eleições presidenciais: “As investigações sobre corrupção desacreditaram muitos políticos, aumentando a possibilidade de surgirem candidatos outsiders com menos experiência em 2018, com riscos acentuados para a construção de uma coalizão e a aprovação de leis complexas.”

De acordo com fontes, manter a nota do país era uma missão difícil após o adiamento da votação da reforma da Previdência no Congresso. A expectativa é que outras agências façam o mesmo se não houver uma sinalização forte de que a reforma pode ser aprovada pelo Legislativo.

A preocupação agora é com impacto na cotação do dólar no mercado financeiro nesta sexta-feira.

PRESSÃO SOBRE CONGRESSO E GOVERNO

Para Luis Otávio Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil, que o fluxo de notícias recentes sobre os problemas fiscais brasileiros, que começou exatamente com o adiamento da reforma da Previdência, explica a decisão da S&P:

— Houve adiamento da reforma da Previdência, discussão sobre mudanças na regra de ouro, várias medidas para cumprir o teto de gastos não foram aprovadas, foi suspenso pelo STF o adiamento do reajuste do funcionalismo, usaram uma medida um tanto heterodoxa para capitalizar a Caixa, e as chances de privatizar a Eletrobras diminuíram. Não foi surpresa.

Leal vê um efeito positivo nesse rebaixamento: talvez ajude a aprovar a reforma.

— Talvez seja o incentivo que faltava para os políticos votarem a reforma. A inércia tem um custo — disse o economista, que espera alta do dólar hoje, mas sem passar de R$ 3,30, com queda da Bolsa.

Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings, porém, não tem acredita que isso vá ajudar o governo a aprovar a mudança nas regras da aposentadoria:

— Até os melhores resultados fiscais foram conseguidos com receitas não recorrentes. Isso passa uma grande fragilidade.

Já André Perfeito, estrategista-chefe da Guide Investimentos, também acha improvável que o rebaixamento contribua para a aprovação da reforma da Previdência. Opinião compartilhada por Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados:

— Estava claro que o governo não tinha condições de aprovar mais a reforma este ano e a agência apenas tomou uma decisão mais do que esperada. O timing é positivo para mostrar ao Congresso o que pode acontecer lá na frente, em 2019, se de fato não aprovarem a reforma.

Para Adeodato Netto, à frente da Eleven Financial Research, o rebaixamento antes mesmo da discussão da reforma da Previdência é uma forma de fazer pressão — neste governo e no futuro — para que o Brasil busque o equilíbrio fiscal:

— É um recado claro, alertando para o risco de ruptura com as políticas responsáveis de condução da situação econômica do país, o risco da inversão da tendência de redução de endividamento, de enxugar os gastos do Estado e outras medidas nessa direção.

Quando à incerteza política citada pela agência, o economista-chefe da Inter.B Consultoria, Claudio Frischtak, considerou uma surpresa. Para ele, a decisão teve a ver com a questão fiscal, especialmente os recuos na discussão da regra de ouro. As eleições, diz, ainda não estão desenhadas:

— Ainda não sabemos quem serão de fato os candidatos nem quais serão os seus programas de governo. Se mais adiante, vier um candidato centrista com bom projeto econômico, o que a agência vai dizer? “Pensando bem, vamos voltar atrás?”

Como efeito do corte na nota soberana, hoje ocorrerão diversos rebaixamentos, desde bancos estatais até empresas como a Petrobras.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

BCE: reforma fiscal de Trump vai ajudar economia da zona do euro

A economia da zona do euro pode receber um empurrãozinho de um aliado pouco provável: Donald Trump. A expansão do bloco é a mais forte em uma década e pode ser impulsionada ainda mais pela reforma fiscal dos EUA, de acordo com atas da reunião de dezembro do BCE.

As reduções de impostos “podem ter um impacto maior do que o esperado no crescimento econômico”, diz o documento. “O impacto deles tinha apenas parcialmente sido levado em conta nas projeções da equipe em dezembro”.

Na ocasião, o BCE esperava expansão de 2,4% em 2017 e de 2,3% em 2018. O banco central revisou para cima suas projeções de crescimento para os últimos cinco trimestres.

A avaliação da economia global feita pelo BCE foi cautelosa, embora tenha observado um conjunto de sinais positivos:

“O balanço de riscos da recuperação econômica global deve continuar com tendêndia de queda. Contudo, também foi destacado que alguns riscos identificados nas discussões passadas parecem ter diminuído. Por exemplo, o cenário de uma guerra comercial pareceu menos provável, as negociações do Brexit — enquanto ainda sujeitas a riscos — ultrapassaram uma importante primeira barreira, e o risco de um impacto negativo significativo da passada apreciação do euro na demanda externa da zona do euro não se materializou até agora”.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Banco Central nao se compromete com um novo corte de juros

A aceleração da inflação em dezembro — provocada pela alta dos alimentos — fez o Banco Central repensar a estratégia de cortar mais uma vez os juros no mês que vem. A ideia do Comitê de Política Monetária (Copom) era baixar a taxa Selic dos atuais 7% ao ano para 6,75% ao ano em fevereiro. Questionado se após a divulgação dos dados pelo IBGE a mensagem do BC continuava a mesma, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, preferiu deixar a porta aberta para a manutenção dos juros onde estão.

– Vamos avaliar. Não estou dizendo nem que sim e nem que não. Vamos avaliar — afirmou Ilan.

Normalmente, o presidente do Banco Central mantém a mensagem do último documento oficial da autarquia, no caso o Relatório Trimestral de Inflação, publicado em dezembro. No entanto, ele resolveu deixar o futuro totalmente aberto.

— Não estamos no momento de reavaliar para eu comunicar aqui.

Na entrevista concedida para comentar o desempenho de inflação de 2017, Ilan repetiu a justificativa que mandou para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles: a inflação só ficou baixa demais por causa da queda dos alimentos. Argumentou que a maior parte deles está fora do controle do Banco Central. E disse que a queda tem de ser classificada como uma boa notícia para a população.

— Alimento representa uma parte relevante da cesta dos mais pobres. Essa boa notícia fez com que a inflação ficasse abaixo da meta. O desvio ocorreu porque houve a maior deflação de alimentos da História do Brasil.

Questionado se o Banco Central não poderia ter cortado os juros numa intensidade maior, ele foi taxativo: o BC tem de deixar o preço dos alimentos cair. Respondeu ainda sobre a possibilidade de deixar isso claro no sistema de metas para a inflação e fazer com que o país adote um objetivo para a inflação controlada pelo BC, o que os economistas chamam de núcleo. Disse que a meta tem de ser para a inflação cheia.

— A população tem de saber que a inflação cheia que bate no bolso dela.

Ilan falou ainda as metas para os próximos anos estão em queda e que isso é uma convergência para uma inflação mais baixa. Dentro da equipe econômica, há consenso de que um patamar de 3% seria ideal para o país.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior