Monthly Archive: October 2017

Dólar em queda é negociado a R$ 3,26; Bolsa cai

O dólar comercial opera em queda frente ao real e está sendo negociado a R$ 3,272, desvalorização de 0,33%. Os investidores continuam na expectativa da nomeação do novo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), e no exterior a moeda americana permanece estável frente às principais divisas globais. Na B3, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, abriu em alta nesta manhã, mas cai 0,07% aos 74.747 pontos, acompanhando os mercados no exterior.

“As bolsas da Europa operam em alta, puxadas, especialmente, pelo mercado espanhol. Afinal, a expectativa pela independência da Catalunha diminui. Nos EUA, Powell pode ser o indicado para a presidência do Fed — algo que daria ‘continuidade’ à gestão de Janet Yellen. No Brasil, o BC deixou a porta aberta para novas quedas de juor em 2018″, escrevem os analistas da Guide Investimentos.

Segundo o jornal “The New York Times”, o presidente americano Donald Trump deve mesmo nomear Jerome Powell para o comando do Fed no lugar de Janet Yellen. O nome de Powell agrada ao mercado, já que ele se mostra favorável à política de estímulo á economia e a uma subida gradual de juros.

No mercado interno, hoje também é dia da briga da Ptax, a taxa média do dólar para o fechamento do mês. Ontem, os investidores ‘comprados’ em moeda americana mostraram sua força e elevaram o dólar para o patamar dos R$ 3,28. Conforme informações das mesas de câmbio, “a briga deste mês está equilibrada, com uma leve vantagem para os vendidos”, diz em nota o diretor de câmbio da Correparti, Jefferson Luiz Rugik.

BRASKEM EM QUEDA

Após saltar quase 12% na segunda-feira, as ações da Braskem operam em queda nesta terça, caindo mais de 4%. O movimento acontece após a empresa afirmar nesta manhã que não foi abordada pela holandesa Lyondellbasel com qualquer proposta de aquisição. Com isso, os papéis da petroquímica estão sendo negociados a R$ 51,11.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Máquina de Vendas fecha acordo de R$ 1,5 bilhão com bancos

A Máquina de Vendas, dona da rede Ricardo Eletro, fechou um acordo para a renegociação de suas dívidas, que somam R$ 1,5 bilhão, com os bancos Itaú Unibanco, Bradesco e Santander. Na operação, os empresários Ricardo Nunes e Luiz Carlos Batista, controladores da rede, farão uma emissão de debêntures, por meio da MV Participações, nesse mesmo valor de R$ 1,5 bilhão, que serão dadas aos bancos.

Com isso, a dívida sai do balanço da Ricardo Eletro e passa a ser dos seus acionistas, que terão até 2024 para quitá-la.

— Com essa desalavancagem, a rede fica com o balanço limpo e elimina as despesas financeiras. Ao mesmo tempo, está refinanciando seus débitos com juros bem menores, por causa da queda da Selic — diz uma fonte a par da operação.

Em 2016, a Máquina de Vendas faturou R$ 6,5 bilhões, mas teve de desembolsar R$ 470 milhões em despesas financeiras, o que resultou num prejuízo de R$ 653 milhões no ano.

As debêntures que a holding MV está emitindo para os bancos credores só vencem em 2024, e nesse período renderão às instituições juros de 100% do CDI, mais 1% ao ano.

O acordo com os bancos, contudo, só foi possível graças a um forte ajuste realizado nos últimos 18 meses pela Máquina de Vendas em sua operação — que, além da Ricardo Eletro, reúne as lojas das redes Insinuante, City Lar, Eletro Shopping e Salfer. Os CNPJs dessas empresas foram unificados, 350 pontos de venda foram fechados e as 650 lojas da rede hoje usam a marca Ricardo Eletro.

AVANÇO NO E-COMMERCE

A empresa unificou ainda seus processos de gestão e reduziu de 25 para apenas sete seus centros de distribuição no país. Nesse processo, o total de empregados caiu de 25 mil para 13 mil, o que reduziu significativamente os custos.

Com a reestruturação, a empresa conseguiu implementar a operação de e-commerce. Em 2015, por exemplo, 81% das receitas da Ricardo Eletro vinham das lojas físicas, participação que recuou a 61% em setembro. Ou seja, 39% das vendas da rede já são feitas pela internet.

— Sem esse esforço, não haveria acordo com os bancos credores — diz a fonte.

Pelo acordo, todo recurso recebido pela MV, como o recebimento de dividendos decorrentes dos resultados da operação da rede — que pelas estimativas devem voltar a ser positivos com a recuperação da economia — serão repassados automaticamente para o abatimento da dívida com os três bancos.

Da mesma forma, caso os acionistas vendam parte do capital da empresa a fundos de private equity, o dinheiro será destinado ao resgate antecipado de parte das debêntures. O mesmo acontecerá se a empresa for vendida integralmente. Primeiro, os bancos levam a sua parte, e o que sobrar fica com os controladores.

— Não há restrição a negociações de participação. Mas qualquer transação desse tipo que eventualmente ocorra, além dos controladores, os bancos estarão na mesa de negociação — diz a fonte.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

BC quer ‘liberdade de ação’ sobre política monetária, mostra ata do Copom

O Banco Central optou por não dar pistas sobre suas decisões futuras em relação aos juros no ano que vem, mantendo o cenário aberto para agir conforme o panorama do momento, mostrou a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira.

Na semana passada, o BC desacelerou o ritmo de queda da Selic, com corte de 0,75 ponto percentual, a 7,5% ao ano, e indicou que deverá colocar novamente o pé no freio em dezembro, na última reunião do Copom no ano, mensagem que foi repetida na ata.

“Os membros do Copom também avaliaram a extensão do ciclo e a conveniência de uma sinalização sobre os passos seguintes à próxima reunião”, trouxe o documento. “Houve consenso em manter liberdade de ação e adiar qualquer sinalização sobre as decisões futuras de política monetária de forma a incorporar novas informações sobre a evolução do cenário básico e do balanço de riscos.”

A ata da reunião do Copom aponta que as projeções de inflação se mantêm em torno de 3,3% para 2017 e caíram para cerca de 4,3% para 2018. O documento aponta, no entanto, que há riscos nesse cenário, tanto de uma taxa maior quanto de uma menor.

Por um lado, vê chance de uma inflação ainda menor caso haja efeitos de um choque favorável nos preços de alimentos e da inflação de bens industriais. Por outro lado, no entanto, acredita que “uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária”. Tal risco, ressalta, se intensifica no caso de reversão do cenário externo atualmente favorável para economias emergentes.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Descasamento do Orçamento de 2018 para garantir regra de ouro chega a R$ 184 bi

A secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, informou que existe um descasamento de R$ 184 bilhões no Orçamento de 2018 para se chegar ao cumprimento da chamada regra de ouro. Essa norma determina que as emissões da dívida pública não podem ser superiores às despesas com investimentos.

Para resolver essa questão, a secretária afirmou que o governo conta com a devolução de recursos do BNDES ao Tesouro. O montante solicitado ao banco de fomento é de R$ 130 bilhões, sendo esse valor ainda está em negociação com a instituição.

Ana Paula explicou que a equipe econômica também estuda outras alternativas para fazer com que as despesas de capital superem as receitas decorrentes de emissões no ano que vem. Uma possibilidade, segundo ela, seria aproveitar “sobras” de receitas financeiras de 2017.

Este ano, o BNDES devolverá o equivalente a R$ 50 bilhões ao Tesouro para assegurar o cumprimento da regra de outro. Além disso, os técnicos estão fazendo uma reclassificação de cerca de R$ 30 bilhões em receitas que também poderiam ser contabilizadas para cumprir a regra. Assim, se houver uma folga este ano, o que sobrar seria transferido para 2018, para ajudar a compensar parte da diferença de R$ 54 bilhões que ficará faltando entre os R$ 130 bilhões pagos pelo BNDES e o total de R$ 184 bilhões de desenquadramento.

Outra fonte possível, disse a secretária, seria o processo de privatização da Eletrobras, que prevê a venda de ações da União na estatal. Isso também daria receitas que poderiam ser contabilizadas para reduzir as despesas de capital.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Transações correntes no Brasil têm melhor resultado em dez anos para setembro, diz Banco Central

O Brasil registrou superávit em transações correntes de US$ 434 milhões em setembro, melhor dado para o mês em uma década, reflexo da contínua força das exportações na balança comercial. Esta foi a primeira vez que o resultado do mês ficou no azul desde 2007, quando o saldo foi positivo em US$ 481,5 milhões.

O dado, divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira, superou expectativa de déficit de US$ 250 milhões, segundo pesquisa Reuters com analistas. Os Investimentos Diretos no País de (IDP) no mês alcançaram US$ 6,339 bilhões, também acima da estimativa de mercado de US$ 5,8 bilhões. De janeiro a setembro, ainda segundo o BC, o déficit em transações correntes ficou em US$ 2,706 bilhões, contra rombo de US$ 13,590 bilhões em igual período do ano passado.

Para 2017, o BC prevê déficit de US$ 16 bilhões de dólares, fortemente ajudado pela venda de produtos brasileiros no exterior. Se confirmado, este será o melhor dado desde 2007, quando houve superávit de US$ 408 milhões nas transações correntes. Em setembro, a balança comercial teve superávit de US$ 4,918 bilhões, avanço de 36,3% sobre o mesmo mês de 2016. A alta foi mais do que suficiente para compensar, por exemplo, o aumento de 53,8% dos gastos líquidos de brasileiros no exterior, a US$ 1,309 bilhão de igual período. A remessa de lucros e dividendos também sofreu elevação de 39,5% em setembro sobre um ano antes, a US$ 1,257 bilhão.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Dólar sobe a R$ 3,29 com exterior; Bolsa cai com Vale apesar de salto no lucro

O dólar comercial sobe 1,04% nesta quinta-feira, cotado a R$ 3,281, acompanhando o movimento externo da divisa americana com a expectativa sobre a mudança de comando no Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) e o plano tributário de Donald Trump. Segundo informou o site americano “Politico”, a atual presidente do órgão, Janet Yellen, estaria sendo descartada da corrida pelo próximo mandato, o que aumentaria as chances de alguém favorável a um aumento mais intenso de elevação de juros assumir. na máxima, a moeda chegou a valer R$ 2,29, maior valor desde meados de julho.

Globalmente, o dólar sobe 0,65% contra uma cesta das dez principais divisas do mundo, segundo o índice Dollar Spot. A escalada do dólar prejudicou o desempenho da Bolsa, que cai com a Vale. Apesar de a mineradora ter divulgado salto em seu lucro, ela perde com a desvalorização do minério de ferro. O índice de referência da Bolsa, o Ibovespa, cai 0,55%, a 76.248 pontos.

Pelo manhã, o cenário era o oposto, com o dólar caindo e a Bolsa subindo após a confirmação da expectativa dos investidores com relação aos juros e à denúncia contra o presidente Michel Temer.

— O dólar rompe a barreira dos R$ 3,28 ainda por causa do processo de troca da chefia do Federal Reserve e a perspectiva positiva com relação à reforma fiscal do Trump. A notícia de que a Yellen estaria fora da disputa acrescentou muito fôlego ao dólar — disse Pablo Spyer, da Mirae Asset. — Internamente, fica agora a dúvida sobre qual tipo de reforma vai sair agora que o Temer foi absolvido. Minha percepção é que será uma reforma desidratada, o que vai fazer com que BC tenha que encerrar o ciclo de corte de juros em dezembro.

As ações da Vale caem 1,78%, mesmo depois de a mineradora divulgar nesta quinta-feira que seu lucro líquido no terceiro trimestre totalizou R$ 7,14 bilhões, frente a R$ 1,84 bilhão em igual período de 2016, devido a melhorias na realização de preços e dos primeiros resultados da política de gerenciamento de custos.

— A desvalorização do minério na China acabou ofuscado o bom balanço da Vale — explicou Spyer.

O minério de ferro caiu 1,24% na China, sua segunda perda seguida, a US$ 61,47 a tonelada.

Ontem, como já era esperado pelos economistas, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, ficando em 7,5% ao ano, menor patamar desde abril de 2013. Esse foi a nona queda consecutiva. O Banco Central tem reduzido a taxa desde outubro do ano passado, após um longo período em que os juros ficaram estabilizados em 14,25% ao ano. A retirada da expressão “encerramento gradual” do comunicado pós-decisão, porém, divide os analistas sobre se o fim do ciclo de cortes ocorrerá em dezembro, como se imaginava, ou em 2018.

No campo político, a Câmara sepultou na noite desta quarta-feira a segunda denúncia apresentada pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot contra o presidente Michel Temer. O Legislativo ficou cinco meses ocupado com a discussão de duas denúncias contra Temer, ambas rejeitadas pelos deputados. O pedido de investigação de Temer e dos ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral da Presidência), por organização criminosa e obstrução à Justiça, foi rejeitado por 251 a 233 votos, além de duas abstenções e 25 ausências. Apesar da abertura de um verdadeiro balcão de negócios, Temer obteve 12 votos a menos do que na primeira denúncia e a oposição, seis a mais.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Arrecadação com novo Refis está estimada em R$ 7 bilhões para 2017 e zero para 2018

O novo Refis vai dar aos cofres públicos uma receita menor que esperada originalmente pela equipe econômica. Depois de ser amplamente modificada pelo Congresso, a medida provisória (MP) que cria o parcelamento foi sancionado na terça-feira pelo presidente Michel Temer com quatro vetos. Mesmo assim, resultará em perdas. Segundo os técnicos da equipe econômica, a arrecadação esperada com o Refis original em 2017 era de R$ 13 bilhões, mas devido às modificações do Congresso, o número ficará em torno de R$ 7 bilhões.

Embora a Receita Federal já tenha registrado o ingresso de R$ 10,9 bilhões em receitas com o Refis até setembro, o número deve cair até o final do ano por causa das alterações do Legislativo. Os contribuintes que aderiram ao regime nas condições originais poderão migrar para o novo formato, que dá mais abatimentos de multas e juros.

— Agora, há a possibilidade do valor que já foi pago ser compensado com outros débitos. Por exemplo, entrada era de 7,5% em 5 parcelas (de agosto a dezembro). Agora, ela passou a ser de 5% em 5 parcelas. Além disso, tem outra modalidade: 24% de entrada em 24 parcelas, portanto, 3% para 2017 — explicou um técnico da área econômica.

Ele afirmou ainda que, para 2018, a arrecadação estimada caiu de R$ 800 milhões para zero. Temer sancionou o novo Refis com quatro vetos ao texto que saiu do Congresso Nacional, embora a Receita Federal tenha feito mais de seis recomendações de rejeição.

Dois dos vetos se referem à inclusão de micro e pequenas empresas do Simples no Refis. Segundo a equipe econômica, essas empresas tinham que ser vetadas porque a arrecadação do Simples é partilhada com estados e municípios e, portanto, precisa ser objeto de lei complementar. A regra que criou o Refis, no entanto, é uma lei ordinária.

Também foi vetada pelo Planalto a proibição de que a Receita excluísse do programa contribuintes cujas parcelas mensais não fossem suficientes para amortizar a dívida renegociada, salvo em casos de má fé. Segundo os técnicos, se isso ficasse no texto, acabaria beneficiando débitos que não seriam quitados ao final do prazo estabelecido no parcelamento.

Além disso, foi vetado o artigo 12, que dava isenção a descontos obtidos pelos contribuintes dentro do Refis. Segundo os técnicos, em programas de parcelamento, quando o contribuinte tem um ganho decorrente de descontos em multas e juros, esse valor é tributado com Imposto de Renda. Os parlamentares havia suspendido essa isenção.

​Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Copom reduz a taxa de juros para 7,5% ao ano; saiba como ficam seus investimentos com a nova Selic

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu nesta quarta-feira a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, ficando em 7,5% ao ano, menor patamar desde abril de 2013. Esse é a nona queda consecutiva. O Banco Central tem reduzido a taxa desde outubro do ano passado, após um longo período em que os juros ficaram estabilizados em 14,25% ao ano.

A redução é inferior ao observado nas últimas quatro reuniões do comitê, de 1 ponto percentual, mas o movimento está em linha com o esperado pelo mercado e com o que foi sinalizado pelo Banco Central (BC) na última ata do Copom. A expectativa é que a autoridade monetária ainda realize mais uma redução este ano, dessa vez de 0,5 ponto. Assim, a taxa terminaria 2017 em 7% ao ano.

A decisão foi unânime entre a diretoria do BC. Em comunicado, o comitê avalia que o conjunto de indicadores da atividade mostram “sinais compatíveis com a recuperação gradual da economia brasileira” e que o cenário de inflação tem evoluído conforme o esperado. O texto diz ainda que o cenário considerado pelo Copom (com base na pesquisa Focus) supõe trajetória de juros que encerra 2017 e 2018 em 7% e eleva-se para 8% ao longo de 2019.

O comitê entendeu que a conjuntura econômica indica uma política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural. E sinalizou que, para a próxima reunião, haverá uma “redução moderada na magnitude da flexibilização monetária”, com uma queda mais branda da taxa.

“O Copom ressalta que o processo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação”, diz a nota do BC.

Entre os fatores positivos e que contribuem para a redução da Selic, o Banco Central cita possíveis efeitos secundários da queda nos preços de alimentos e de bens industriais. Por outro lado, ressalta que há uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira, o que pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária.

IMPACTO EM FINANCIAMENTO

Esse patamar de juros traz, de forma direta, impacto sobre os custos de financiamento das empresas e das famílias e também obriga os investidores a buscarem aplicações mais rentáveis, o que muitas vezes significa maior risco. Além dos fatores diretos sobre capacidade de financiamento e aplicações, uma Selic mais baixa também ajuda na retomada do crescimento econômico.

Com a redução, a caderneta de poupança, embora rendendo menos, ganhará competitividade na comparação com fundos de investimento de renda fixa. A tradicional aplicação vai bater todos os fundos com taxa de administração igual ou superior a 2% ao ano em qualquer prazo, segundo cálculo da Anefac, associação que reúne executivos de finanças. De acordo com a Anefac, com a Selic em 7,5% ao ano, a poupança terá rendimento mensal de 0,43% ao mês.

Com a decisão desta quarta-feira, além de mexer nos juros, o Copom ativou um gatilho que altera a correção da aplicação financeira mais popular do país. Quando a taxa Selic fica abaixo de 8,5% ao ano, a caderneta de poupança deixa de render 6% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR). Assim, o novo corte reduzirá sua rentabilidade. Mas ela ganha competitividade com relação a fundos de investimentos que acompanham de perto a Selic, como os fundos DI, que, além de perderem com cortes, cobram taxas de administração e imposto de renda com alíquota de até 22,5% para resgates de até seis meses.

Nos fundos que cobram 1%, o investimento vale à pena para período acima de 1 ano. Só os fundos que cobram 0,5% ao ano de taxa – que são difíceis de encontrar no varejo – batem a poupança em qualquer prazo de resgate.

Mas, para investidores de perfil mais conservador, que não estão acostumados a aplicações mais arriscadas em busca de melhor retorno, como a Bolsa, e preferem o universo da renda fixa, os títulos do Tesouro Direto ainda são uma opção interessante, mesmo no atual cenário de juros mais baixos, afirmam os especialistas em finanças pessoais.

A queda de juros também afeta os papéis do Tesouro Direto. Aqueles que acompanham a Selic chegaram a pagar até 14% ao ano, em 2016, quando ela ainda estava em patamar elevado. Com o movimento de queda da taxa, o rendimento desses títulos diminuiu, chegando aos atuais 8,25% ao ano.

Mas outros papéis do Tesouro Direto que pagam juros mais inflação e os chamados prefixados, em que o investidor sabe antecipadamente quanto vai ganhar, continuam oferecendo retornos até mais atraentes que a poupança, e sem risco de perda de patrimônio.

​Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Para empresários, corte na Selic foi tímido

A redução do ritmo de queda da Selic foi criticada por algumas entidades empresariais e centrais sindicais. Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o Copom poderia ter mantido os cortes de um ponto percentual.

— O BC e o Ministério da Fazenda precisam agir. Têm que trazer mudanças nos impostos sobre crédito, na regulação e na concorrência bancária, atrair novos operadores no mercado de crédito e estimular as empresas que fazem finanças na internet, as chamadas fintech. Somente com uma forte redução nos juros para o consumidor e para o empreendedor o atual momento de Selic baixa estimulará o crescimento econômico e a geração de empregos — disse.

Para a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), a redução do ritmo de queda da taxa Selic já era esperada, tendo em vista a sinalização antecipada do próprio Copom, bem como os sinais mais consistentes de recuperação da atividade econômica. “O foco passa a ser qual o novo nível da taxa básica de juros. O grande desafio da economia brasileira é voltar a crescer, com inflação e juros baixos. Nesse sentido, o Sistema FIRJAN entende que a aprovação da agenda de reformas é o fator determinante. A reforma da previdência é a prioridade, sendo imprescindível sua votação ainda este ano pelo Congresso Nacional”, informou em comunicado.

Fernando Valente Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a redução da Selic pelo Copom, como vem ocorrendo este ano, é um caminho acertado e necessário.

— Somente terá efeitos significativos na recuperação da economia se houver mais acesso ao crédito e os juros mais baixos chegarem às empresas e aos consumidores, uma vez que a diferença entre Selic e os juros realmente praticados na ponta são totalmente discrepantes.

Associação Paulista de Supermercados (APAS) avaliou que a decisão do COPOM sinaliza ao mercado a busca por uma retomada do crescimento econômico no curto e médio prazo, mas com compromisso da estabilidade dos preços.

— A redução dos juros para 7,5% ao ano não foi surpresa para a APAS, isso porque a taxa de juros em queda reflete o quadro recessivo da economia ao longo dos últimos anos e visa a retomada da confiança dos empresários e consumidores, o que já se traduz nos primeiros sinais de recuperação em diversos setores — disse Rodrigo Mariano, gerente de Economia e Pesquisa da APAS.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), também avalia que o BC foi sensato e acertou ao reduzir a Taxa Selic em 0,75 p.p. “Tudo indica que o cenário é de recuperação, mas gradativa e lenta, de forma que seja possível manter o ritmo de queda de juros, porém, sem colocar em risco as metas de Inflação deste ano e do próximo”, informou em nota.

Para a Força Sindical, ao manter a política de conta-gotas, o governo acerta no remédio ao reduzir a taxa Selic, mas erra na dose ao cortar muito pouco. “Mais uma vez o Copom frustra os trabalhadores, que precisam desesperadamente de mais ousadia. Afinal, treze milhões de pessoas estão desempregadas. A taxa Selic continua extremamente proibitiva, e o Brasil perde outra chance de apostar no setor produtivo devido ao excesso de gradualismo e conservadorismo de quem dirige a economia no País. É sempre importante lembrar que menos juros representam mais empregos”.

​Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Com novo corte de juros pelo BC, poupança vai ganhar de fundos

O corte de 0,75 ponto percentual que o Banco Central deve anunciar nesta quarta-feira na Taxa Selic, que deve cair para 7,5% ao ano, fará a caderneta de poupança ganhar competitividade na comparação com fundos de investimento de renda fixa. A tradicional aplicação vai bater todos os fundos com taxa de administração igual ou superior a 2% ao ano em qualquer prazo, segundo cálculo da Anefac, associação que reúne executivos de finanças.

Segundo regra estabelecida em 2012, quando a Selic está em 8,5% ou menos, a poupança rende o equivalente a 70% dos juros básicos mais Taxa Referencial (que é quase zero). Assim, um novo corte reduzirá sua rentabilidade. Mas ela ganha competitividade com relação a fundos de investimentos que acompanham de perto a Selic, como os fundos DI, que, além de perderem com cortes, cobram taxas de administração e imposto de renda com alíquota de até 22,5% para resgates de até seis meses.

De acordo com a Anefac, com a Selic em 7,5% ao ano, a poupança terá rendimento mensal de 0,43% ao mês. Esse retorno é maior que o de fundos que cobram taxa de 2% ao ano ou mais em qualquer prazo de resgate. Os fundos que cobram 1,5% ao ano só batem a inflação para aplicações de mais de dois anos e, mesmo assim, a diferença é mínima (rentabilidade líquida de 0,44% ao mês).

Nos fundos que cobram 1%, o investimento vale à pena para período acima de 1 ano. Só os fundos que cobram 0,5% ao ano de taxa – que são difíceis de encontrar no varejo – batem a poupança em qualquer prazo de resgate.

“Quanto à rentabilidade das cadernetas de poupanças mesmo com a redução da Taxa Básica de Juros (Selic) elas vão continuar se destacando frente aos fundos de renda fixa pelo fato que não pagam imposto de renda nem taxas de administração. Este fato deverá provocar em reduções nos custos das taxas de administração dos bancos para não perderem clientes”, escreveu Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor da Anefac, em relatório.

— O resultado dessa dinâmica é que muita gente com boa educação financeira acaba indo para a poupança porque, além da rentabilidade parecida, ela oferece liquidez (disponibilidade do dinheiro a qualquer momento) — observou André Perfeito, da Gradual Investimentos.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior