Monthly Archive: August 2017

Orçamento 2018 prevê devolução de mais de R$ 100 bi ao Tesouro

O projeto de lei Orçamentária (PLOA) de 2018, que será apresentado ao Congresso nesta quinta-feira, prevê que o BNDES antecipe a devolução de mais de R$ 100 bilhões ao Tesouro Nacional. A medida é necessária para evitar o descumprimento da chamada regra de ouro da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), pela qual o governo não pode emitir dívida acima dos gastos com investimentos. O desrespeito à regra poderia incorrer em crime de responsabilidade para os gestores, incluindo o presidente da República.

O dinheiro decorrente do pagamento do BNDES será usado para reduzir a dívida bruta, permitindo o enquadramento do governo nos critérios da lei. No ano final do passado, o banco devolveu R$ 100 bilhões ao Tesouro para melhorar os indicadores de endividamento. Na época, o dinheiro permitiu que a dívida bruta caísse de 69,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 67,9% do PIB. Esse estoque está hoje em 73,8% do PIB.

O dinheiro devolvido é decorrente dos aportes que o Tesouro fez na instituição durante os governos Lula e Dilma para aumentar a concessão de crédito e estimular a economia. Segundo integrantes da equipe econômica, a cúpula do BNDES resistiu em devolver os recursos antecipadamente ao Tesouro, mas diante do risco de descumprimento da regra de ouro já em 2018, não houve outra alternativa.

A negociação agora vai ser sobre como será feita a devolução dos recursos. Segundo os técnicos do BNDES, a instituição está confortável do ponto de vista de caixa e não precisa mais de aportes do Tesouro. No entanto, a forma de pagamento tem impacto sobre as contas. Isso porque o banco tem uma carteira de títulos com curva de juros equilibrada. Assim, a operação não pode afetar isso.

Para os técnicos do Tesouro, no entanto, o que importa é receber as receitas. Eles lembram que o Tribunal de Contas da União (TCU) já deu o sinal verde para a devolução de recursos do BNDES e só impôs como condição que o dinheiro fosse usado para reduzir a dívida pública. Esse foi o entendimento adotado no ano passado e deve se repetir agora. O BNDES tem um passivo de R$ 430 bilhões com o Tesouro.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Bolsa cai 0,6% com correção de preços e petróleo; dólar fecha estável, R$ 3,16

O dólar comercial fechou praticamente estável contra o real nesta quarta-feira, recuando apenas 0,06% e cotado a R$ 3,162 para venda. A divisa oscilou durante a sessão, com o cenário internacional puxando a moeda para cima após divulgação de dados sobre a economia dos EUA que vieram mais fortes que o esperado — globalmente, o dólar subiu 0,39% contra uma cesta de dez divisas. No câmbio local, porém, o dólar não sustentou o fôlego até o fim da sessão e caiu pela primeira vez em cinco dias. Na Bolsa, o índice de referência Ibovespa recuou 0,62%, aos 70.886 pontos, na contramão das Bolsas externas, que avançaram com a diminuição das tensões com relação à Coreia do Norte. Segundo especialistas, a Bolsa local recuou com os investidores embolsando lucros e a desvalorização do petróleo.

— O movimento de hoje é de realização de lucros. A Petrobras está puxando para baixo por causa do petróleo, e os bancos passam por correção de preços. Mas o cenário de médio prazo continua muito positivo para a Bolsa. A aprovação da TLP é um bom sinal, e a economia está em processo gradual de recuperação — disse Rogério Freitas, sócio na Florença Investimentos.

Na agenda doméstica, o destaque foi a MP 777/17, que cria a Taxa de Longo Prazo (TLP, nova taxa de referência para os empréstimos do BNDES). No fim da tarde, os deputados rejeitaram os três últimos destaques que alteravam a proposta. O texto agora precisa ser votado no plenário do Senado.

Lá fora. o destaque foi o noticiário econômico dos EUA. A economia do país cresceu, no segundo trimestre, em ritmo mais acelerado que o calculado inicialmente e o maior em mais de dois anos. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou, à taxa anualizada, 3% no período de abril a junho, informou o Departamento do Comércio nesta quarta-feira. Foi a segunda estimativa do órgão para o indicador. Na leitura anterior, calculava-se um crescimento de 2,6. Também foram divulgados hoje os números da geração de vagas no setor privado americano, calculado pela ADP. Foram geradas 237 mil vagas em agosto, enquanto os economistas consultados pela Bloomberg esperavam 185 mil.

Na Bolsa, a Petrobras caiu 2,93% (ON, a R$ 13,88) e 2,88% (PN, por R$ 13,45), acompanhando a desvalorização do petróleo no mercado internacional após divulgações de dados de estoques nos EUA mostrando estabilidade das reservas de gasolina mas aumento em outros derivados da commodity. O barril do tipo WTI caiu 1,03%, a US$ 45,96, enquanto o do tipo Brent recuou 2,44%, a US$ 50,73.

Entre os bancos, o Banco do Brasil teve baixa de 1,01%, o Bradesco caiu 1% e o Itaú Unibanco, 0,53%. A Vale perdeu 0,29% (ON, a R$ 34,34) e 0,25% (PNA, por R$ 31,49).

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Taxa de desemprego recua para 12,8% em julho, com 13,3 milhões sem emprego

Com aumento de informalidade e contratações nas prefeituras, o desemprego recuou no país. A taxa de desemprego caiu para 12,8% no trimestre encerrado em julho, segundo os dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE. Ao todo, o país tem 13,3 milhões de desempregados. No trimestre imediatamente anterior (que inclui os meses de fevereiro, março e abril), a taxa ficou em 13,6%, com um total de 14 milhões sem emprego. O número de julho, no entanto, ainda é maior do que o registrado em igual mês do ano passado, quando estava em 11,6%.

O contingente de 13,3 milhões de desempregados representa uma queda de 5,1% ou 721 mil pessoas frente ao trimestre anterior, mas é 12,5% maior que igual trimestre de 2016, com 1,5 milhão de pessoas a mais.

A expectativa de analistas era que o desemprego se mantivesse em 13%, de acordo com pesquisa da Bloomberg com 31 economistas. Nos últimos meses, especialistas têm indicado que a fase mais aguda da crise no mercado de trabalho começou a ficar para trás. A taxa chegou a 13,7% no trimestre encerrado em março. No segundo trimestre, a taxa de desemprego estava em 13%, com 13,5 milhões de desempregados.

AUMENTO DA INFORMALIDADE

Assim como observado em meses anteriores, a queda na taxa de desemprego foi impulsionada pelo aumento da informalidade. Em julho, enquanto o número de empregados com carteira assinada ficou estável em 33,3 milhões, o contingente de trabalhadores sem carteira cresceu 4,6%, em relação ao trimestre anterior (encerrado em abril), para 10,7 milhões de pessoas. Na comparação com o ano passado, o salto foi ainda maior, de 5,6%.

— É uma recuperação, mas sobre uma plataforma informal — resume Cimar Azeredo, coordenador de trabalho e rendimento do IBGE.

O aumento no número de trabalhadores sem carteira ajudou a impulsionar o número de pessoas ocupadas. Em julho, houve um aumento de 1,6%, em relação ao trimestre imediatamente anterior (fechado em abril). O país tinha em julho 90,7 milhões de pessoas ocupadas. Já o contingente de pessoas na força de trabalho, composta por ocupados e desempregados, cresceu 0,7% na comparação trimestral e 1,6%, frente ao ano passado, o que significa um acréscimo, no ano, de 1,7 milhões de pessoas nesse grupo, hoje estimado em 104 milhões de trabalhadores.

— Foi a primeira vez desde outubro de 2015 que a população ocupada não cai, na comparação anual. De lá para cá, todos os trimestres registraram redução da população ocupada. Isso significa que esse efeito que a gente está tendo de recuperação no início do ano está tendo impacto até mesmo na comparação anual — destaca Cimar Azeredo.

No trimestre encerrado em julho, os números de mercado de trabalho também foram beneficiados por uma recuperação do emprego no setor público. O setor representou um terço do aumento do número de ocupados, na comparação com o trimestre encerrado em abril, com alta de 3,8%, ou 423 mil trabalhadores a mais no funcionalismo público. Segundo o IBGE, esse movimento está relacionado às novas contratações nas prefeituras, após as eleições municipais do ano passado.

RENDIMENTO ESTÁVEL

O rendimento médio real ficou praticamente estável, em R$ 2.106. Já a massa de rendimento real cresceu para R$ 186,1 bilhões, uma alta de 1,3% frente ao trimestre encerrado em abril, variação não considerada estatisticamente relevante, de acordo com a metodologia da pesquisa.

Os dados do IBGE são divulgados semanas após o Ministério do Trabalho informar que o país criou 35,9 mil vagas em julho, o quarto mês consecutivo de geração de empregos com carteira assinada. De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), os setores que mais abriram postos de trabalho foram a indústria de transformação e o comércio.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Comissão de Orçamento aprova déficit de R$ 159 bi para 2017 e 2018

A Comissão Mista de Orçamento do Congresso aprovou, na noite desta terça-feira, a meta fiscal para 2017 e 2018, autorizando o governo federal a encerrar os dois anos com o deficit primário de R$ 159 bilhões.

O projeto precisa agora ser aprovado pelo plenário do Congresso Nacional. A votação da medida está marcada para as 13h desta quarta-feira.

O relator, deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), manteve a proposta original do governo e rejeitou 67 emendes que foram apresentadas. Outros 17 destaques, que foram votados após a matéria principal, também foram negados.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017 previa um deficit de R$ 129 bilhões, enquanto a LDO de 2018 projetava um deficit de R$ 129 bilhões. O projeto aumenta o deficit, portanto, em R$ 20 bilhões neste ano e R$ 30 bilhões no próximo.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

OMC deve condenar subsídios do Brasil

A Organização Mundial do Comércio (OMC) vai anunciar nesta quarta-feira decisão contrária a sete programas de subsídios industriais do Brasil. Entre eles estão pacotes de incentivos à indústria automotiva, aos setores de siderurgia, à produção de eletrônicos e celulose. Integrantes do governo já vinham discutindo como proceder para reduzir as políticas intervencionistas em indústrias há muito protegidas pelos grandes subsídios estatais e barreiras comerciais, informou à Reuters uma fonte do governo.

Os sete programas condenados pela OMC já concederam mais de R$ 25 bilhões em incentivos desde 2010.

A expectativa é que o país recorra ao mecanismo de apelação da OMC dentro dos próximos 60 dias. É pouco provável que o Brasil vá enfrentar medidas de retaliação por pelo menos dois anos, dado o ritmo da maioria dos casos de comércio internacional.

Ainda assim, a decisão dá espaço para ampliar a agenda de austeridade que o presidente Michel Temer quer implementar e que tem enfrentado forte resistência de sindicatos e grupos industriais.

— Já estamos considerando como realinhar esses incentivos fiscais a uma nova realidade que também seja consistente com nossa situação fiscal — afirmou a fonte.

Na esteira da decisão da OMC, as primeiras empresas a ver as mudanças devem ser as fabricantes de automóveis, já que o InovarAuto, de incentivos ao setor, expira no fim do ano.

A Anfavea, associação nacional das montadoras, argumenta que o Rota 2030, que substituirá o InovarAuto, vai remover as regras que dão preferência a peças produzidas localmente.

— A decisão provavelmente vai forçar o Brasil a reinventar sua política industrial em pelo menos duas áreas importantes: automóveis e tecnologia da informação — avaliou Renata Amaral, especialista de comércio da consultoria Barral M Jorge.

O Brasil também poderia revisar dois programas oferecendo benefícios fiscais para exportadores comprarem bens de capital e matérias-primas, contou à Reuters uma fonte da indústria com conhecimento da decisão. Grandes empresas podem fazer com que o Brasil abandone o litígio em nome de uma política previsível, disse essa fonte.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Menor aversão ao risco no exterior sustenta Ibovespa nos 71 mil pontos

Com a redução da aversão ao risco no exterior, a Bolsa brasileira conseguiu se manter no patamar acima dos 71 mil pontos, o maior em mais de seis anos. Depois de iniciar o pregão com perdas, o Ibovespa, principal índice de ações da B3 (ex-BM&FBovespa), fechou com alta de 0,44%, aos 71.329 pontos. Já o dólar comercial terminou o pregão estável, a R$ 3,164.

Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora, afirmou que o Ibovespa foi para o terreno positivo após a recuperação das Bolsas americanas, após os investidores atribuindo, por enquanto, menor risco de uma disseminação dos eventos associados à Coreia do Norte.

— O mercado americano se recuperou e a nossa Bolsa acompanhou. Foi um dia que os investidores acompanharam mais o cenário externo que o interno, que está fraco de notícias — disse.

O momento de maior volatilidade nos negócios foi pela manhã, em que os investidores repercutiram o fato da Coreia do Norte ter lançado sobre o Japão um míssil, ontem à noite, que caiu no Pacífico. O governo japonês afirmou que acompanhou o míssil, que caiu no Pacífico, desde o seu lançamento, que foi considerado uma afronta ao país. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “todas as opções estão na mesa” quanto a uma resposta do país esse lançamento. Sem saber as consequências desse ato, os investidores buscaram proteção. O “dollar index”, que mede o comportamento da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, subia 0,12% próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil.

Nos Estados Unidos, o Dow Jones fechou em alta de 0,26% e o S&P 500 ficou perto da estabilidade, com leve variação positiva de 0,08%. Já na Europa, não houve tempo para recuperação e o pregão foi de perdas. O DAX, de Frankfurt, registrou desvalorização de 1,46% e o CAC, da Bolsa de Paris, caiu 0,94%. O FTSE 100, de Londres, teve variação negativa de 0,87%.

Internamente, os investidores também repercutem o cenário de incerteza política, com os riscos de uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer e a votação de medidas importantes para o ajuste fiscal. No entanto, a avaliação de que será possível aprovar os destaques da medida provisória que cria a taxa de longo prazo (TLP), que será a nova taxa de referência das operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

— Perto do encerramento do pregão regular, o dólar comercial passou a perder valor, diante do sentimento de que o governo terá sucesso nestas votações — disse Guilherme França Esquelbek, analista da Correparti Corretora de Câmbio. Na máxima do pregão, a moeda chegou a ser negociada a R$ 3,177.

BOLSA ACIMA DOS 71 MIL

O desempenho dos bancos e da Embraer ajudou o Ibovespa a ficar acima dos 71 mil pontos. O índice fechou em seu maior patamar desde os 71.632 pontos registrados em 12 de janeiro de 2011.

Contribuíram para a alta o desempenho dos papéis do setor bancário, que possuem o maior peso na composição do índice, e a alta nos papéis da Embraer. No caso da fabricante de aeronaves, a valorização foi de 4,11%, a maior do pregão entre as ações do Ibovespa. Há uma expectativa de novos negócios em relação à visita de Temer à China. Além disso, a Nigéria já anunciou que tem interesse no modelo supertucano da fabricante brasileira.

No caso dos bancos, as preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco subiram respectivamente, 0,91% e 1,71%. Já as do Banco do Brasil caíram 0,66%. Também teve alta de 0,06% as preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Vale e de 0,23% nas ordinárias (ON, com direito a voto).

Entre as quedas, as PNs da Petrobras tiveram leve recuo de 0,14%, cotadas a R$ 13,85, e as ONs caíram 0,69%, a R$ 14,30. Os papéis da Eletrobras registraram queda relevante, depois dos fortes ganhos dos últimos pregões devido ao anúncio de venda das ações. As preferenciais recuaram 1,14% e as ordinárias, 2,67%. Os analistas da XP Investimentos lembraram que a empresa vai assinar no dia 1º de setembro um memorando de cooperação do setor nuclear com as autoridades chinesas. Apesar do acordo, a notícia tem na visão de analistas, impacto neutro sobre o potencial de valorização dos papéis.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Governo avalia inflar receitas na proposta orçamentária de 2018

Diante da dificuldade de aprovar a revisão das metas fiscais no Congresso ainda esta semana, a equipe econômica pode acabar apresentando o projeto de lei orçamentária (Ploa) de 2018 com receitas infladas. Por lei, a proposta tem de ser apresentada até dia 31 deste mês e ser compatível com o compromisso fiscal em vigor, hoje um déficit primário de R$ 129 bilhões.

Embora o governo já tenha proposto aumentar o rombo para R$ 159 bilhões, o Ploa só poderá ser ajustado a essa meta após receber sinal verde do Legislativo. Como a oposição promete dificultar a votação da mudança das metas de 2017 e 2018 (o governo também quer aumentar o rombo deste ano de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões), é provável que o Orçamento de 2018 tenha de vir com projeção de receitas mais otimista.

Segundo técnicos da área econômica, depois de aprovada a revisão das metas, o texto seria ajustado para estimativas mais realistas. Eles explicam que, como o governo tem pouca margem para rever projeções de arrecadação de impostos e contribuições federais (calculadas com base em parâmetros como crescimento do Produto Interno Bruto e inflação) e de despesas (a maior parte é composta por gastos obrigatórios), a saída normalmente é inflar as projeções com recursos extraordinários de concessões e vendas de ativos.

Nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o governo espera aprovar as novas metas “o mais rápido possível”. Segundo ele, se o Congresso não aprovar, o governo precisará fazer “restrições severas de despesas” ou adotar outras medidas para aumentar as receitas:

— O Orçamento será enviado na data prevista pela lei. A meta está sendo discutida. Nós esperamos que seja aprovada o mais rápido possível. Mas vamos supor que não seja aprovada a revisão da meta, vamos ter que trabalhar com restrições muito severas de despesas e talvez outras medidas na área das receitas.

PIB: ‘crescimento baixo’

Meirelles estimou, ainda, que o resultado do PIB, que será divulgado pelo IBGE na sexta-feira, deve mostrar um crescimento baixo da economia brasileira ou mesmo “próximo do equilíbrio”.

Já o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, negou que eventual nova denúncia contra o presidente Michel Temer possa atingir a reforma da Previdência e os demais índices econômicos. Numa fala otimista, o ministro disse que questões políticas estão “absolutamente desvinculadas” da economia. Padilha afirmou também que, junto com Meirelles, conversará com deputados para construir um texto consensual.

Já Temer pediu que os ministros concentrem esforços e conversem com deputados de seus partidos para aprovar o aumento das metas fiscais, a TLP e o novo Refis. E disse que não abandonará a mudança da Previdência:

— Não vamos abandonar a reforma da Previdência.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Balança comercial registra superávit de US$ 4,6 bi na parcial de agosto

A poucos dias do fechamento do mês, a balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 4,696 bilhões nas quatro primeiras semanas de agosto. As exportações somaram US$ 16,189 bilhões e as importações ficaram em US$ 11,493 bilhões. Os números foram divulgados, nesta segunda-feira, pelo Ministério de Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

No ano, o comércio exterior brasileiro registrou um saldo positivo acumulado de US$ 47,206 bilhões, com exportações de US$ 142,660 bilhões e importações de US$ 95,454 bilhões. No mesmo período de 2016, havia um superávit acumulado de US$ 31,848 bilhões.

Segundo o MDIC, a média diária exportada em agosto, de US$ 852,1 milhões, aumentou 15,4% ante o mesmo mês do ano passado, com expansão, principalmente, dos embarques de soja em grão, milho, petróleo, carnes bovina, suína e de frango, automóveis, suco de laranja e celulose. Já a média diária importada, de US$ 604.9 milhões, ficou 8,3% acima da registrada em agosto de 2016, com destaque para combustíveis e lubrificantes, siderúrgicos, automóveis e equipamentos eletroeletrônicos.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Dólar fecha em alta de 0,25%, a R$ 3,164; JBS é destaque na Bolsa

Em um pregão marcado por dúvidas no cenário político e um ambiente externo mais frágil, o dólar acabou ganhando força ante o real. A moeda americana encerrou o pregão cotada a R$ 3,164, alta de 0,25%. Já o Ibovespa, principal índice de ações da B3 (ex-BM&FBovespa e Cetip), ficou praticamente estável, com pequena variação negativa de 0,08%, aos 71.017 pontos, se mantendo no maior patamar em mais de seis anos.

Na avaliação de Ignacio Crespo, o aumento da aversão ao risco no exterior deixou os negócios no Brasil sem direcionamento e, por essa razão, o Ibovespa, principal índice de ações da B3, perdeu força.

— O cenário internacional não está ajudando muito hoje e aí fica difícil manter o bom desempenho. A percepção de risco está maior em relação a alguns emergentes — disse.

No exterior, as atenções estão ficaram voltadas para os Estados Unidos. Pontualmente, a tempestade tropical Harvey, a mais intensa a atingir os EUA desde 2004 e inundou o Texas, causando a interdição de 10% da capacidade de refino de petróleo do país (a Petrobras, por exemplo, fechou a refinaria de Pasadena, que fica na região). O preço da gasolina subiu ao maior valor em dois anos, enquanto o barril de petróleo do tipo WTI (padrão americano) cai ao menor nível em dois anos em comparação ao Brent (referência do mercado europeu). O WTI para entrega em outubro recua 2,32%, cotado a US$ 46,76, enquanto o Brent tem baixa de 0,76%, a US$ 52,01. Apesar da pressão externa, as ações preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras tiveram leve desvalorização de 0,07%, cotadas a R$ 13,87, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) caíram 0,55%, a R$ 14,40.

Outro fator que também está no radar dos investidores e com potencial de elevar a aversão ao risco é a negociação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a aprovação da elevação do teto de gastos, o que precisa ser feito até o final de setembro.

Na agenda doméstica, pesou a possibilidade de denúncia da Procuraria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer. Por outro lado, os investidores gostaram do que viram no Boletim Focus.

— De um lado a possibilidade do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentar a segunda denúncia contra o presidente, Michel Temer, e de outro a tendência de queda da divisa de curto prazo, contribuíram para que a moeda operasse sem uma direção definida e à espera de notícias mais contundentes — avaliou Ricardo Gomes da Silva Filho, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio.

No exterior, a moeda americana operou em queda. O “dollar index” recuava 0,56%.

Na Bolsa, são destaque as ações da JBS, que subiram a patamar próximo ao do dia 17 de maio, data em que O GLOBO revelou o conteúdo da delação dos executivos da empresa contra Temer. A companhia criticou a proposta da BNDESPar de ação de responsabilidade contra irmãos Batista, enquanto a maioria do conselho de administração opinou pela manutenção de Wesley Batista na presidência. Segundo a companhia, a ação de responsabilidade contra administradores e ex-administradores da empresa, como havia pedido o BNDESPar em Assembleia Geral, “não protege o interesse social”. O papel da empresa fechou em alta de 2,47%, aos R$ 9,10. No fechamento do dia 17 de maio, antes de o colunista Lauro Jardim publicar o teor das denúncias no site do GLOBO, a ação valia R$ 9,50.

O que impediu a queda do Ibovespa, no entanto, foi o desempenho da Vale. As preferenciais subiram 1,51% e as ordinárias, 1,56%. A mineradora anunciou nesta segunda-feira o resgate de todos os títulos em circulação com vencimento em 2019 e cupom de 5,625%, no total de US$ 1 bilhão. E a empresa irá recomprar os títulos com vencimento em 2020 e cupom de 4,625%, no total de até US$ 750 mi, segundo comunicado enviado ao mercado.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Eletrobras reacende o interesse por papéis de estatais na Bolsa

A euforia na Bolsa de Valores após o anúncio de que a Eletrobras será privatizada colocou em evidência as ações de estatais. O apetite dos investidores por esses papéis foi aguçado pelo salto de quase 50%, em um único dia, das ações ordinárias (ON, com direito a voto) da companhia. O valor de mercado de 13 estatais (incluindo a Eletrobras) avançou 5,02% em apenas três pregões, contra 2,16% de toda a Bolsa. Segundo especialistas, a valorização se sustenta na sinalização de um ambiente de negócios mais eficiente e menos vulnerável à influência política, não pela expectativa de privatizações em série. Eles alertam, porém, que os papéis ligados a empresas do governo embutem um risco maior para o investidor.

— Eu diria que as ações de estatais têm um risco entre três e cinco vezes maior do que papéis de companhias privadas, por conta da ingerência política do governo — diz o consultor de investimentos Paulo Bittencourt.

Adeodato Volpi Netto, da Eleven Financial Research, considera o movimento recente do mercado “uma demonstração de mudança estrutural”:

— Para os investidores, quanto menos governo nas companhias, melhor. É um movimento muito mais de Brasil como um todo do que de estatais especificamente. É Bolsa para cima e risco-país e CDI para baixo. Isso acaba criando um círculo virtuoso — afirma. — Até porque os formatos que eventuais privatizações podem tomar e os momentos em que elas podem ocorrer são bem diferentes.

Já Bittencourt alerta que o investidor deve ter em mente que, se o governo decidiu vender ou reduzir sua participação numa estatal, é porque algo não vai bem. Podem ser problemas operacionais ou de passivos elevados, por exemplo. A Eletrobras tem uma dívida de R$ 43,5 bilhões e vem acumulando prejuízos desde 2012, quando o governo Dilma Rousseff alterou as regras do setor para forçar uma queda nos preços de energia.

O consultor lembra ainda que mesmo uma privatização pode resultar em frustração para os investidores. Ele cita o caso da Cesp, a estatal de energia paulista, na década de 90:

— A Cesp foi fatiada e se transformou em três empresas na privatização. O papel da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, uma das que saiu dessa cisão, chegou a pagar dividendos de 10% ao ano, enquanto o da Cesp original derretia.

NO CASO DA PETROBRAS, ‘RANÇO IDEOLÓGICO’

Bittencourt ressalta, porém, que há bons papéis de estatais. Um exemplo é a Sabesp, companhia de saneamento de São Paulo. O governo estadual tem participação de 50,3%. Outros 30,3% são negociados na Bolsa brasileira, e 19,4%, em Nova York.

— Por isso, ela traz informações transparentes ao mercado, além de ter um fluxo de caixa interessante — explica o consultor.

Para Alexandre Wolwacz, do Grupo L&S, a privatização da Eletrobras surge em meio a uma mudança de mentalidade da sociedade, que “tem enxergado que as estatais não são tão benéficas para o país como se pensava”. Mas ele acredita que apenas algumas das estatais que estão na Bolsa poderiam ser realmente privatizadas:

— É muito pouco provável que isso aconteça com o Banco do Brasil, mas considero possível ocorrer com o Banrisul. A Copel também poderia se beneficiar muito de uma gestão eficiente, com amplo espaço para valorização, já que ela está longe do seu topo histórico. A Cemig é outra que está longe dos seus recordes e registrou esta semana forte pressão de compra.

No caso da Petrobras, a mais emblemática das estatais, os analistas consideram a privatização algo muito difícil. Wolwacz vê “ranço ideológico” em torno da empresa. Já Adeodato Volpi Netto, da Eleven Financial Research, ressalta que o distanciamento da União do negócio da Petrobras está ocorrendo sim, mas de outra forma.

— O mercado está errado ao achar que o modelo tem que ser igual — diz, citando a venda de ativos e a abertura de capital da BR Distribuidora como estratégia para melhorar a empresa.

Vicente Koki, analista-chefe do DMI Group, especializado em private equity, aponta ainda que as estatais são sempre mais “inchadas” em termos de funcionários do que suas concorrentes privadas:

— Isso dificulta que as estatais atinjam um nível de rentabilidade do mercado. Empresas como Eletropaulo ou Light, que foram privatizadas, têm maior margem de manobra do que a Eletrobras.

Koki observa que, se o governo optar por uma privatização via aumento de capital, o chamado tag along (mecanismo que protege acionistas minoritários em caso de troca de controle da companhia, garantindo-lhes os mesmos direitos dos controladores) não é aplicado. Para ele, este é um cenário ruim:

— Além disso, por ter papéis negociados no exterior, a Eletrobras pode ser alvo de ações lá fora.

Bittencourt ressalta ainda que quem não acompanha o mercado de ações deve ter cuidado ao aplicar em papéis de estatais. Ele recomenda se informar sobre as atividades da empresa e depois conversar com especialistas para saber se vale a pena comprar:

— O investidor vê o papel subir num dia e fica seduzido, mas não sabe o que está por trás. É preciso que ele saiba onde a Eletrobras ganha dinheiro, quem são seus concorrentes e como será a privatização — pondera.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior