Monthly Archive: July 2017

Cinco fatos que vão mexer com a economia nesta semana

O destaque da agenda econômica da semana é a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Os investidores esperam mais detalhes sobre as projeções de inflação do BC para este ano e para o próximo.

O documento também deve trazer informações sobre o cenário básico da economia considerado pelo Copom e os fatores que podem mudar suas decisões.

No cenário político, o fim do recesso parlamentar traz para a pauta dos investidores a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer, na quarta-feira. A acusação da Procuradoria Geral da República é de corrupção passiva.

Relatório Focus

Segunda, dia 31 de julho – O mercado está atento às projeções de inflação feitas pelo mercado. Na semana passada, os investidores subiram a estimativa de 3,29% para 3,33%, após o aumento da alíquota de PIS/Cofins sobre combustíveis

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Mercado reduz previsão de taxa de juros para abaixo de 8% em 2018

O mercado voltou a rever para baixo a previsão para os juros em 2018. O Boletim Focus, que reúne as estimativas das principais instituições financeiras do país, prevê agora que a taxa Selic encerre o próximo ano em 7,75%, abaixo dos 8% da semana anterior. Há quatro semanas, a expectativa era de que o juro ficasse em 8,25% no fim de 2018.

Ao mesmo tempo, no entanto, foi elevada a projeção para a inflação oficial em 2017, que passou de 3,33% para 3,40%. Para 2018, a taxa esperada se manteve inalterada em 4,20%.

As projeções para o crescimento da economia brasileira se mantiveram sem alterações tanto para 2017 quanto para 2018: 0,34% e 2%, respectivamente.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Com crise prolongada, empresas terão de reestruturar até R$ 150 bilhões em dívidas

A economia brasileira está demorando tanto para se recuperar que empresas que negociaram suas dívidas há um ou dois anos já precisam voltar à mesa com os credores. Como todas as expectativas sobre o fim da crise se frustraram, a melhora financeira esperada por essas companhias não se concretizou, e elas se veem diante da necessidade de pedir mais prazo e menos juros aos bancos. Segundo projeção da consultoria Alvarez & Marsal, dos R$ 310 bilhões em débitos corporativos que foram renegociados até o fim de 2016, entre R$ 125 bilhões e R$ 150 bilhões terão de ser novamente reestruturados, o equivalente a até 48,3% do volume de dívidas. Dados os valores envolvidos, o problema pode dificultar ainda mais a retomada econômica.

— Se não houver bom senso de credores, gestores e agentes públicos, empresas que poderiam ser viáveis e gerar emprego e tributos podem se tornar inviáveis. Isso pode ter impacto macroeconômico e regional. Uma empresa média no interior, por exemplo, muitas vezes sustenta uma cidade e uma cadeia regional — ponderou Ivo Waisberg, sócio do escritório Thomaz Bastos, Waisberg, Kurzweil Advogados e especialista em reestruturação.

Segundo Marcelo Gomes, sócio da Alvarez & Marsal, o cálculo foi feito com base em casos tratados pela consultoria e a partir de movimentações de mercado. A conta não considera os R$ 190 bilhões em dívidas que entraram em recuperação judicial nem os casos de Petrobras, Vale e Eletrobras, cujo tamanho das dívidas distorce a comparação.

— Lá atrás, muitas empresas renegociaram suas dívidas, sobretudo com os bancos, exigindo um período de carência que, na média, era de dois anos. Elas esperavam que o país sairia da crise em 2017. Os bancos também acreditavam nisso e, por isso, concederam esse prazo. O que ninguém esperava é que a crise econômica e política se arrastaria tanto — explicou Gomes.

A piora das expectativas foi intensa. Em meados de 2015, as projeções dos economistas chegaram a apontar crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, conjunto de bens e serviços produzidos no país) de 2,1% este ano. Hoje, a estimativa, de acordo com a pesquisa Focus, do Banco Central, é de apenas 0,34%.

— Todos tinham na cabeça um prazo quase cabalístico de dois anos para que chegássemos à outra margem da crise. Mas era como se estivéssemos em Calais olhando para Dover, no outro lado do Canal da Mancha, mas houvesse uma enorme neblina. Então, na dúvida, apostava-se que alguma coisa aconteceria em dois anos — disse Renato Carvalho Franco, sócio da Íntegra, especializada em reestruturação de empresas.

BANCOS MAIS ‘COMPREENSIVOS’

Para Waisberg, as reestruturações até foram feitas com premissas razoáveis, mas “o Brasil surpreendeu até os mais pessimistas e, no fundo do poço, tinha areia movediça.” Em 2016, o advogado participou de duas reestruturações que já haviam sido feitas, baseadas em projeções que se mostraram excessivamente otimistas. Agora, previu, os casos vão aparecer com mais frequência porque a maioria dos prazos de carência está se encerrando.

SALDOS DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO
Em R$ trilhões para pessoa jurídica
INADIMPLÊNCIA
Em % para pessoa jurídica
TAXA DE JUROS
Em % para pessoa jurídica
Hoje, as companhias voltam à mesa de negociação pedindo, na maioria dos casos, o alongamento do prazo de carência para 2019. Espera-se que, depois das eleições, o crescimento já tenha voltado, explicou Gomes. Uma novidade desse novo processo de renegociação é que muitas empresas estão sendo obrigadas a colocar ativos à venda.

Os especialistas não citam casos específicos devido ao sigilo profissional. Mas fontes do mercado apontam que algumas empresas já voltaram a renegociar débitos. Entre os setores mais vulneráveis estão os de açúcar e álcool, autopeças, cimento e óleo e gás.

Uma das empresas que está novamente em negociação é a Contax. No começo de 2016, a companhia de call centers reestruturou cerca de R$ 1,4 bilhão em dívidas e começou a focar no retorno ao lucro. Embora tenha conseguido obter lucro líquido de R$ 73,9 milhões no terceiro trimestre do ano passado, os dois trimestres posteriores somariam um prejuízo de cerca de R$ 100 milhões.

Em março, a Contax comunicou que estava avaliando “alternativas para fortalecer sua estrutura de capital, incluindo, mas não se limitando, a discussões com seus principais credores.” Entre os motivos citados estavam o cenário econômico, a redução de receitas após a venda de uma subsidiária, a falta de demanda em uma oferta de ações, em 2016, e a recuperação judicial da Oi, um dos seus principais clientes.

No fim de junho, a Contax anunciou que conseguiu que dois contratos de financiamento, originalmente fechados com o BNDES e somando R$ 150 milhões, fossem assumidos pelos bancos fiadores das operações. Agora, as instituições integram o grupo de credores diretos com os quais a Contax segue em negociação. Procurada, a empresa não quis comentar o caso.

Outra companhia que teria voltado a negociar com credores, segundo fontes, é a Log-In Logística. Em agosto do ano passado, a firma conseguira reestruturar R$ 426 milhões em dívidas com bancos. Procurada, a Log-In não quis comentar a situação.

A Cemig também voltou a negociar com credores. Desde 2015, a companhia tenta reduzir seu endividamento por meio de reperfilamento (juros menores na dívida existente) e venda de ativos, mas o plano não andou com a eficácia desejada. Agora, de acordo com fontes de mercado, a empresa está negociando com os bancos o alongamento dos débitos, além de tentar se desfazer de ativos importantes, como sua participação na carioca Light. Além disso, ainda trava disputa com a União para evitar o leilão de quatro usinas hidrelétricas. Procurada, a Cemig não comentou o assunto.

A nova rodada de reestruturação de dívidas não significa, necessariamente, que a situação das empresas piorou nos últimos dois anos. Na realidade, a capacidade média do caixa das companhias para fazer frente às dívidas de curto prazo tem se mantido praticamente estável desde 2015, segundo a Moody’s.

— Só que, quando se analisam esses números em detalhes, vemos uma diferença grande entre dois grupos de empresas. Aquelas com perfil de crédito mais fraco, mais dependentes da demanda doméstica e menores continuam apertadas. Não tem havido melhora na liquidez dessas companhias, e isso é um problema — afirmou Marianna Waltz, diretora-gerente para Ratings Corporativos na América Latina da Moody’s.

A necessidade de voltar à mesa de negociações será maior entre pequenas e médias empresas.

— As grandes empresas já fizeram sua lição de casa para alongar o perfil de sua dívida. A redução dos juros e a queda da inflação foram muitas vezes até mais importantes do que eventuais aumentos de receita em alguns casos — explicou Juliana Yokota, analista de Ratings da S&P Global Ratings.

A expectativa da agência de classificação de risco Fitch é que só haja uma retomada consistente da geração de caixa das empresas em 2018, e isso se o segundo semestre deste ano apresentar os dados positivos esperados. Mas há pelo menos um fator alentador para empresas em dificuldade: a quantidade de dinheiro disponível no mercado de capitais é muito maior do que há dois anos.

— O grau de liquidez no mercado está muito maior hoje do que lá atrás. Houve uma grande redução de juros combinada com uma inflação baixa. Dadas essas condições, os gestores de recursos estão buscando maior risco. Por isso, as captações e emissões de dívidas no mercado local estão crescendo e devem crescer ainda mais nos próximos meses — afirmou o diretor sênior de Ratings Corporativos da Fitch Ratings, Ricardo Carvalho.

Com a maior disponibilidade de recursos para captação, empresas e instituições brasileiras levantaram R$ 104,4 bilhões com emissões de ações e títulos de dívida no primeiro semestre do ano, 30% mais do que em igual período de 2016, mostra balanço da Anbima, associação que reúne instituições financeiras.

Paralelamente, observou Carvalho, os bancos estão mais dispostos a conceder prazo maior para rolagem:

— Embora os bancos estejam receosos em aumentar suas linhas de crédito, eles já conseguem ter maior visibilidade hoje sobre o momento em que o fluxo de caixa vai de fato voltar. E eles já estão entendendo que um prazo maior de rolagem se faz necessário, pois sabem que a probabilidade de as companhias pagarem lá na frente é grande — explicou, acrescentando: — A percepção agora é que é preciso dar as condições para que as empresas possam pagar, senão não funciona.

TERCEIRA RENEGOCIAÇÃO LÁ NA FRENTE

Por isso, Carvalho prevê que os termos dos acordos devem envolver prazos maiores e custos menores:

— Outra novidade é que, há dois anos, muitas empresas que fizeram reestruturação estavam olhando apenas para a dívida e optaram por não promover mudanças em suas operações. Agora, elas estão cientes de que isso é necessário.

Mas Renato Carvalho, da Íntegra, observou que muitas vezes os bancos já antecipam que uma outra negociação será necessária lá na frente:

— Os bancos estão dizendo “vamos fechar negócio porque está difícil para você cumprir; depois a gente discute”. Muitos já estão fazendo a renegociação pensando que, daqui a dois, três anos, possam ter que negociar pela terceira vez.

É comum que os bancos aceitem reestruturações do tipo “balão”, que deixam uma parcela grande do valor devido para o último ano do contrato, explicou Ivo Waisberg. O objetivo é dar mais tempo para que a empresa recobre o fôlego, mas muitas vezes o banco já sabe desde o princípio que a última parcela terá de ser renegociada.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Santander Brasil tem lucro de R$ 1,87 bilhão no segundo trimestre do ano

Maior banco estrangeiro em operação no país, o lucro líquido societário do Santander Brasil cresceu 39,5% no segundo trimestre do ano, em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo R$ 1,87 bilhão. O lucro líquido gerencial (que corresponde ao lucro líquido societário mais reversão da despesa de amortização de ágio) foi de R$ 2,3 bilhões no período, alta de 29,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

No semestre, o Santander Brasil divulgou um lucro líquido societário de R$ 3,7 bilhões, uma alta de 44,7% em relação ao mesmo período do ano passado. Já o lucro líquido gerencial foi de R$ 4,6 bilhões nos primeiros seis meses do ano, alta de 33,2% frente ao mesmo período de 2016.

Em Madri, a matriz espanhola divulgou nesta sexta-feira que a instituição teve lucro líquido de 1,75 bilhão de euros no segundo trimestre do ano, alta de 37% em relação ao mesmo período de 2016. De acordo com o Santander, a unidade brasileira puxou os ganhos do banco espanhol, superando o Reino Unido.

CARTEIRA DE CRÉDITO AVANÇA

A carteira de crédito do Santander Brasil avançou 5,1% no semestre em relação aos primeiros seis meses de 2016, totalizando R$ 256 bilhões. Os empréstimos a pessoas físicas cresceram 12,2% no semestre e atingiram R$ 97,4 bilhões. Já para grandes empresas, houve encolhimento de 3,5% dos empréstimos no primeiro semestre o ano, com a carteira caindo de R$ 93 bilhões, no primeiro semestre de 2016, para R$ 89,8 bilhões entre janeiro e junho deste ano. A carteira de crédito para pequenas e médias empresas ficou praticamente estável no semestre, com leve alta de 0,3%, chegando a R$ 32,5 bilhões.

A receita de prestação de serviços teve alta expressiva no semestre, com crescimento de 21% em relação ao primeiro semestre de 2016, subindo de R$ 6,2 bilhões para R$ 7,5 bilhões. Já as despesas gerais cresceram 61,% nos primeiros seis meses de 2017, passando de R$ 8,6 bilhões no primeiro semestre de 2016 para R$ 9,1 bilhões.

O retorno sobre o patrimônio líquido do banco (lucro gerado pela instituição com os recursos investidos pelos acionistas) subiu de 12,8% para 15,9%, uma alta de 3,1 pontos percentuais.

A inadimplência acima de 90 dias diminuiu tanto para pessoa física quanto para empresas no primeiro semestre do ano em relação ao mesmo período do ano passado. Na pessoa física, a queda foi de 0,5 ponto percentual, de 4,4% para 3,9%. Para empresas, a queda foi de 0,2ponto percentual, de 2,2% para 2%.

A inadimplência total caiu de 3,2% para 2,9% no semestre, queda de 0,3 ponto percentual

“Os indicadores seguem em patamares controlados, o que reflete solidez da cultura e gestão de riscos”, disse o banco em seu comunicado

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Ibovespa sobe 0,41% com balanços e corte de juros

A expectativa de manutenção do ritmo do corte dos juros levou os negócios com ações na B3 (ex-BM&FBovespa e Cetip) para o terreno positivo nesta quinta-feira. O Ibovespa, principal índice do mercado acionário, fechou em alta de 0,41% pontos, aos 65. 277 pontos. Já o dólar comercial fechou em alta de 0,38% ante o real, cotado a R$ 3,156, seguindo o movimento global da moeda.

Na avaliação de Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora, os investidores estão repercutindo não só o corte de um ponto da Selic, para 9,25% ao ano, anunciado ontem à noite pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), mas também à sinalização de que a magnitude do corte deve ser mantida na próxima reunião. Com juros mais baixos, as aplicações em renda fixa, embora mais seguras, ficam menos interessantes, e a renda variável começa a ganhar espaço como alternativa de investimento, apesar do risco maior.

— A Bolsa repercute a queda da Selic e também a possibilidade de mais um corte de um ponto percentual. Além disso, os investidores também estão de olho nos resultados dos balanços já divulgados — avaliou, lembrando que na próxima semana, com a volta dos trabalhos no Congresso Nacional, a política deverá voltar a concentrar a atenção dos agentes dos mercados financeiros.

Entre os balanços divulgados hoje, a Vale reportou um lucro líquido de R$ 60 milhões no segundo trimestre, uma queda de 98,3% em relação a igual período do ano passado. Com isso, as ações preferenciais (PNs, sem direito a voto) da companhia recuaram 0,46%, cotadas a R$ 27,81, e as ordinárias fecharam com leve alta de 0,13%, a R$ 29,70.

Na avaliação dos analistas do UBS, o Ebitda (lucro antes de juros impostos depreciação e amortização) foi afetado pelos menores preços do minério de ferro, estoques mais elevados e custos mais elevados. “Nas previsões atuais do preço do minério de ferro, esperamos uma redução dos ganhos no curto prazo”, disseram, em relatório. O banco suíço tem recomendação de venda para os papéis da empresa.

Já os papéis do Bradesco tiveram leve queda de 0,13%, a R$ 29,71 a preferencial. A instituição financeira divulgou que teve um lucro líquido de R$ 3,911 bilhões no segundo trimestre, um recuo de 5,4% na comparação com igual período de 2016. A instituição também mudou suas projeções de desempenho para o ano e agora espero um recuo na carteira de crédito. As ações do Itaú Unibanco subiram 0,10% e as do Banco do Brasil caíram 0,86%.

JUROS AJUDAM RESULTADOS DAS EMPRESAS

Ainda entre as grandes empresas que divulgaram balanço nesta quinta-feira, a Ambev, que possui o maior peso individual na composição do Ibovespa, encerrou com alta de 1,48%. No caso da Natura, a alta foi de 6,10%, a maior do índice. Nos dois casos, as empresas tiveram um resultado melhor devido à redução das despesas financeiras, uma das consequências da redução dos juros.

Ainda do lado positivo, a JBS viu suas ações subirem 5,75%. O frigorifico convocou assembleia de acionistas para avaliar a saída da família Batista do controle da companhia.

Já os papéis preferenciais da Petrobras fecharam em leve alta de 0,15%, cotados a R$ 13, e os ordinários tiveram valorização de 0,51%, a R$ 13,61. No exterior, o petróleo era negociado em alta de 1,24% próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil, com o barril a US$ 51,60.

A maior queda foi registrada pelas preferenciais da Eletrobras, com tombo de 2,14%.

DÓLAR EM ALTA

No exterior, o “dollar index”, que calcula o comportamento do dólar frente a uma cesta de dez moedas, operava em alta de 0,25%.

— O dólar começou a ganhar força com a divulção de dados americanos, principalmente as encomendas de bens duráveis. Após os dados, o dólar inverteu sinal e passou a subir frente aos seus pares e as divisas emergentes e ligadas às commodities — avaliou Jefferson Luiz Rugik, analista da Correparti Corretora de Câmbio, destacando fatores que são positivos para a avaliação da economia brasileira, já que contribuem para o esforço fiscal.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Juros do cartão de crédito rotativo crescem em junho e atingem 378,3% ao ano

No terceiro mês com as novas regras para o crédito rotativo do cartão, as taxas de juros da modalidade voltaram a crescer e atingiram o patamar 378,3% ao ano, informou nesta quinta-feira o Banco Central. Em maio, a taxa era de 377,3% ao ano.

Desde o dia 3 de abril deste ano ninguém pode ficar mais de 30 dias no crédito rotativo do cartão, por determinação do Banco Central. Pelas novas regras, se na data do vencimento o cliente não tiver feito o pagamento total do valor da fatura, o restante terá que ser parcelado ou quitado.

Apesar do aumento da taxa em junho, os juros do rotativo do cartão caíram ao longo dos últimos meses. No ano, o juro do rotativo recuou 119,4 pontos percentuais. Em janeiro, a taxa de juros dessa modalidade estava em 497,5% ao ano.

Por outro lado, os juros cobrados para o crédito parcelado caíram no mês passado para 157,8% ao ano.

Quando os números dos juros do rotativo cartão de crédito são detalhados, é possível notar que caiu pela metade a taxa cobrada para o rotativo regular. Nessa modalidade, o cliente pagou ao menos 15% da fatura do cartão. Nesse caso, a taxa de juros ao ano saiu de 431,6% em março para 230,4% em junho.

Até mesmo para o rotativo do tipo não regular (quando o cliente não paga a fatura do cartão, e o valor fica para o mês seguinte), houve queda na taxa de juros anual. O valor saiu de 528,7% em março para 460,7% em junho.

Outra modalidade de crédito cara, a taxa média de juros do cheque especial, em junho, foi de 322,6% ao ano. Esse valor representa uma queda de 2,5 pontos percentuais na comparação com maio e 6 pontos percentuais desde o início deste ano.

Pelas altas taxas de juros, o rotativo do cartão e o cheque especial são as modalidades de crédito menos indicadas para os consumidores. As taxas dessas duas modalidades são menores que o crédito pessoal, seja consignado (quando o valor das parcelas do empréstimo é descontado do salário) ou não consignado.

Na modalidade de crédito pessoal não consignado, a taxa média de juros em junho foi de 125% ao ano (redução de 14,8 pontos percentuais no ano). Para os empréstimos consignados, as taxas de juros ao ano são ainda menores e fecharam junho em 25,8% para servidores públicos; 41,8% para trabalhadores do setor privado; e 27,8% para aposentados e pensionistas do INSS.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Com decisão do Fed, dólar recua e fecha a R$ 3,144

O dólar comercial acelerou a queda após a manutenção dos juros nos Estados Unidos. A moeca americana encerrou os negócios cotada a R$ 3,144, uma desvalorização de 0,78% ante o real, seguindo o mercado externo. Já o Ibovespa, principal índice da B3 (ex-BM&FBovespa e Cetip), caiu 1%, aos 65.010 pontos, em um pregão de realização de lucros.

No meio da tarde, o Federal Reserve (Fed, o bc americano) anunciou a manutenção da taxa de juro na faixa de 1% a 1,25% ao ano e sinalizou ainda que em breve vai começar a reduzir o seu balanço de ativos, que está em torno de US$ 4,5 trilhões. Na avaliação de Raphael Figueredo, a depender da estratégia adotada na redução desse estoque, o dólar poderá ser pressionado para baixo.

– Ainda é um mistério como será feita essa redução, mas ela pode desvalorizar o dólar porque vai ser uma ampliação da liquidez por mais tempo. Tudo vai depender de como e quais os tipos de ativos irão sair do balanço – explicou.

Marco Caruso, econista do banco Pine, lembrou que até a reunião anterior, o Fed afirmava que em breve o balanço seria reduzido. No comunicado desta quarta-feira, colocou “relativamente breve”, o que abriu espaço para que esse proceso tenha início não em setembro, como o esperado anteriormente, mas um pouco mais para frente.

– Você jogou essa redução da liquidez para sempre. E se vai começar depois, há também a interpretação de que esse ajuste do balanço possa se dar de forma mais lenta – disse.

No mercado externo, o “dollar index”, que mede o comportamento da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, registrava desvalorizaçao de 0,55% próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil.

Para após o fechamento do pregão, o mercado espera ainda a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve aproveitar a inflação baixa para reduzir a Selic para 9,25% ao ano.

REALIZAÇÃO DE LUCROS

Segundo Julio Hegedus Neto, economista-chefe da consultoria Lopes & Filho, essa queda do Ibovespa está mais atrelada a um movimento de realização, com os investidores vendendo ações após as altas dos últimos pregões. No início do mês, o índice estava abaixo dos 63 mil pontos e agora segue acima dos 65 mil pontos.

– É um ajuste de posição. O mercado trabalha em torno da expectativa de um novo corte na Selic e isso é positivo para as empressas na Bolsa, mas a queda ocorre porque os investidores estão embolsando os ganhso dos últimos pregões – disse.

Ele afirmou ainda que a suspensão do aumento da PIS/Cofins dos combustíveis gerou uma maior incerteza sobre os investidores, que veem como mais difícil para o governo atingir a meta fiscal de um déficit primário(despesas acima das receitas, sem contas o pagamento de juros) de R$ 139 bilhões neste ano.

Contribuíram mais para essa queda o desempenho negativo das ações da Vale e da Petrobras. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) da mineradora caíram 2,51% (R$ 27,94) e as ordinárias (ONs, com direito a voto) tiveram uma redução 3,10% (R$ 29,66). Amanhã, a empresa divulga seu balanço referente ao segundo trimestre.

No caso da Petrobras, a queda foi de 1,81% nas PNs, cotadas a R$ 12,98, e de 1,67% nas ONs, a R$ 13,54.

As maiores quedas, no entanto, foram registradas pelos papéis da Gerdau, com desvalorizaçao de 5,29%, e da Gerdau Metalúrgica, com tombo de 5,09%.

Já entre as altas, a JBS registrou a maior valorização do Ibovespa. A empresa anunciou na noite de ontem um acordo que congela por 12 meses a amortização de R$ 20,5 bilhões em dívidas, com pagamento apenas dos juros, e condições também especiais para uma outra parcela de R$ 1,2 bilhão. A alta foi de 6,71%.

Nos Estados Unidos, recorde triplo. Os três principais índices fecharam no maior patamar da história. O S&P 500 renovou a máxima de ontem, chegando aos 2477 pontos, leve valorização de 0,03%. No caso do Dow Jones, a alta foi de 0,45%, com o índice chegando aos 21.711 pontos. Já o Nasdaq subiu 0,16%, a 6422 pontos.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Bradesco tem lucro líquido de R$3,91 bi no segundo trimestre

O Bradesco teve alta do lucro recorrente no segundo trimestre, ao conseguir compensar a queda nas operações de crédito com maior controle sobre as despesas administrativas e as provisões para perdas com calotes.

O maior banco privado do país anunciou nesta quinta-feira um lucro líquido de R$ 3,911 bilhões no segundo trimestre, queda de 3,9% sobre o trimestre anterior e de 5,4% ante a mesma etapa de 2016. Em termos ajustados, o lucro somou R$ 4,7 bilhões, avanço sequencial de 1,2% e de 13% na comparação ano a ano.

O Bradesco também revisou projeções, agora esperando queda na carteira de crédito e menores receitas com tarifas em 2017, mas também previu menos provisões para inadimplência.

O movimento reflete a lenta recuperação econômica do país, que fez o Bradesco registrar contração da carteira de crédito pelo terceiro trimestre seguido. No fim de junho, a carteira de empréstimos do banco totalizava R$ 493,6 bilhões, montante 1,8% menor do que em março.

Consequentemente, a margem financeira do banco se contraiu em 0,8% sobre o trimestre anterior, a R$ 15,5 bilhões, refletindo também a queda da Selic e o foco do banco em operações de menor risco, mas de menor rentabilidade.

“De maneira geral, os indicadores de atividade seguem sugerindo uma recuperação bastante gradual e não linear da economia”, comentou o Bradesco em seu relatório de resultados.

Em contrapartida, o índice de inadimplência acima de 90 dias caiu a 4,9%, de 5,6% no trimestre anterior, embora ainda acima dos 4,6% de um ano antes. E a despesa com provisão para inadimplência, de R$ 4,97 bilhões, foi 2,2% maior na comparação trimestral, mas teve recuo de 1,1% ano a ano.

O Bradesco auferiu alta sequencial de 0,9% nas receitas com tarifas e serviços, a R$ 7,5 bilhões. Em 12 meses, a alta foi de 13,2%.

Além do impacto sobre o volume e as margens no crédito, o cenário econômico adverso também atingiu o negócio de seguros, que responde por quase um terço do resultado do grupo, com o lucro da divisão caindo 7,6% na base sequencial, afetado em parte por maiores indenizações a segurados. O chamado índice de sinistralidade subiu 2,9 pontos do primeiro para o segundo trimestre, chegando a 76,6%.

Com essa combinação, o Bradesco conseguiu uma rentabilidade atualizada sobre o patrimônio líquido de 18,2% entre abril e junho, ante 18,3% do trimestre anterior e 17,4% da mesma etapa de 2016.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Queda da taxa de juros deve ajudar empresas brasileiras a melhorar resultados

Após dois anos de recessão, as empresas brasileiras começam a sair do seu pior ponto e a apresentar resultados melhores. O principal motivo para a recuperação dos resultados é a queda de juros, mas aos poucos elas começam também a ter melhoras do ponto de vista operacional. Levantamento do Santander mostra que mesmo com a crise política, que coloca uma nuvem de incerteza sobre a recuperação da economia brasileira, o crescimento do lucro por ação deve ficar em 10% nesse segundo trimestre, e com um número maior de empresas apresentando expansão das margens (57% das empresas acompanhadas, ante 53% no trimestre anterior).

— Estamos em um ponto de inflexão e a cada trimestre vamos ver uma melhora gradual. Não vamos ver um grande movimento de recuperação, mas a queda dos juros já começa a ter impacto e hoje o Brasil é o país emergente com o melhor ciclo de lucro — avaliou Daniel Gewehr, estrategista do Santander.

Esse ciclo de lucro está calcado na queda dos juros, que faz com que as despesas financeiras das empresas fiquem menor e assim elas comecem a gerar resultados melhores. No entanto, também já é possível ver uma melhora no crescimento das receitas.

Para Gewehr, as empresas vão começar a colher os frutos dos ajustes feitos nos últimos anos. Como exemplo, o estrategista citou a Weg, que teve um crescimento forte na margem bruta. Isso porque fez uma redução dos seus custos, inclusive com demissões, nos últimos anos.

— Os economistas ficam muito focados no crescimento do PIB, mas como estamos em um ciclo de desalavancagem, o lucro das empresas vai crescer mesmo assim — avaliou, lembrando que enquanto boa parte do ano passado a Selic estava em 14,25% ao ano, neste ano deve terminar em torno de 8%.

Um desses casos é o da Localiza, que registrou um lucro líquido de R$ 129 milhões no segundo trimestre, alta de 12,9% na comparação com igual período. Já a receita cresceu para R$ 1,3 bilhão, uma alta de 39,7%. No caso da Renner, o lucro também teve um crescimento de dois dígitos, com expansão das receitas. O lucro ficou em R$ 193,6 milhões, alta de 10,7%. Já a receita teve expansão de 8,4%, a R$ 260,6 milhões.

Laurence Gomes, diretor de Relações com Investidores da Renner, afirmou que apesar das incertezas da crise política, os consumidores continuaram comprando.

— As vendas ficaram dentro do esperado e não sentimos nenhum impacto em relação a essa crise política. O nosso problema foi a temperatura mais alta — disse Gomes, se referindo ao mês de maio, quando as temperaturas acima da média afetaram as vendas da coleção de inverno.

O analista de investimentos independente Pedro Galdi também vê uma melhora nos resultados.

— A dívida está diminuindo, o que melhora o resultado financeiro. Algumas empresas também estão com Ebitda (geração de caixa operacional) mais forte. Vamos começar a ver essa melhora nas indústrias e varejo — avaliou.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Dólar sobe a R$ 3,169 com realização de lucros e temor com meta fiscal

O avanço do preço das commodities levou o Ibovespa, principal índice de ações da B3 (ex-BM&FBovespa e Cetip) para o terreno positivo, minimizando o temor de que o governo federal tenha que rever a meta fiscal para 2017. O índice fechou em alta de 0,87%, aos 65.667 pontos. Já o dólar comercial subiu 0,66%, cotado a R$ 3,169, com realização de lucros e o temor de mudanças na área fiscal.

O dólar no Brasil subiu mais que a média no exterior. O “dollar index”, que mede o comportamento da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, operava em leve alta de 0,11% próximo ao encerramento dos negócios.

Na avaliação de Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H.Commcor, a alta do dólar comercial é justificada por um movimento de realização de lucros, após ter atingido, na semana passada, o menor patamar em dois meses. A incerteza em relação ao cumprimento da meta fiscal e os rumores sobre a saída do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, apenas contribuíram para o movimento.

— O rumor de uma saída de Meirelles e a preocupação com a meta apenas se soma ao movimento de realização. Elas têm o seu peso, mas não é o principal motivo — disse.

Alessie lembrou ainda que é natural uma busca de proteção no dólar às vésperas de eventos importantes. Amanhã o Comitê de Política Monetária (Copom) deve anunciar a redução da taxa Selic em um ponto percentual, para 9,25% ao ano. Também ocorre na quarta-feira a decisão do Federal Reserve (Fed, o bc americano) sobre as taxas de juros nos Estados Unidos.

COMMODITIES AJUDAM

Já no mercado de ações, a valorização das commodities no exterior garantiram ganhos no pregão. O minério de ferro na China subiu 2,16%, a US$ 77,15. Já o petróleo operava em alta de 3,37% próximo ao horário de encerramento de negócios no Brasil, a US$ 50,24 a tonelada.

— As commodities ajudaram hoje. A alta do minério de ferro fez a Vale subir e isso deu uma animada nos mercados. Há uma preocupação com a questão fiscal, mas que está sendo minimizada — disse Luis Gustavo Pereira, analista-chefe da Guide Investimentos.

Com esse cenário de alta dos preços no exterior, as preferenciais (PNs, sem direito a voto) da Petrobras subiram 2,63%, cotadas a R$ 13,22, e as ordinárias avançaram 2,53%, a R$ 13,77.

No caso da Vale, as preferenciais avançaram 4,67% e as ordinárias, 5,08%.

Essa alta, no entanto, não significa que os investidores não estão preocupados com a pressão que a ala política do governo de Michel Temer faz para elevar a meta de déficit fiscal (despesas acima das receitas, sem levar em conta os gastos com juros) de 2017, que está em R$ 139 bilhões. A meta, apesar de bilionária, está difícil de cumprir devido a um fraco crescimento da arrecadação. A equipe econômica resiste a essa alteração.

Em meio às preocupação com as contas públicas, os investidores ainda repercutiram o plano de demissão voluntária (PDV) para os servidores públicos, que está em elaboração para o governo. Na avaliação dos analistas da Yield Capital, é positiva essa proposta, que poderia gerar uma economia de R$ 1 bilhão ao ano, assim como o incentivo a licenças não remuneradas. Por outro lado, a revisão da meta para 2017 é vista como negativa.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior