Monthly Archive: June 2017

Dólar sobe 0,7%, a R$ 3,30, com exterior; Bolsa avança 0,35%

O dólar comercial subiu frente ao real nesta quinta-feira, acompanhando o movimento da divisa americana contra outras moedas emergentes após a divulgação do PIB dos EUA. A divisa fechou com valorização de 0,73%, a R$ 3,308 para venda. Já a Bolsa conseguiu fechar em alta de 0,35%, aos 62.238 pontos, na contramão dos mercados acionários externos com notícias consideradas positivas na visão dos investidores, como a aprovação da reforma trabalhista em comissão do Senado e a redução da meta de inflação, além da alta das commodities.

No câmbio, a divulgação da PIB americano do primeiro trimestre pesou. A atividade econômica no país avançou 1,4% comparada à dos três meses anteriores, superando as expectativas dos economistas e sugerindo aperto monetário mais intenso no país, o que é negativo para países emergentes.

No noticiário doméstico, o principal destaque do dia foi a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), que, em reunião extraordinária esta manhã, determinou que o objetivo do Banco Central (BC) para a inflação cairá em 2019 de 4,5% para 4,25%. Isso já era esperado, mas o CMN surpreendeu ao estabelecer a meta para 2020 em 4%. O intervalo de tolerância para os próximos anos será de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, como já se faz atualmente. É a primeira vez desde 2003 que a meta é reduzida. Desde 2005 a meta oficial de inflação do governo é de 4,5% ao ano.

A notícia chegou a levar a uma queda dos juros futuros longos, mas a valorização do dólar acabou fazendo com que as taxas acabassem subindo. O contrato DI com vencimento em janeiro de 2021 subiu de 10,13% para 10,17%; o com prazo em 2020 registrou elevação de 9,58% para 9,64%. O contrato curto, que vence em 2018, avançou de 8,95% para 8,97% ao ano.

— Os juros praticamente “realizaram lucro” hoje. Os curtos, por exemplo, já vinham de um fechamento monstruoso no último mês, mesmo com tudo o que aconteceu no campo político. Então, o mercado se ajustou. Já um impacto da decisão do CMN não é algo imediato. É mais de longo prazo – afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

Segundo Solange Srour, economista da ARX Investimentos, a decisão de reduzir a meta para 4,25% é, além de bem vinda, necessária.

— A expectativa de inflação para 2019 já está em 4,25%, segundo o boletim Focus. Se o CMN mantivesse a meta em 4,5%, a expectativa subiria até convergir para esse nível. Isso desancoraria a inflação e atrapalharia o ciclo atual de queda de juros. Aconteceu algo parecido em 2007, quando o CMN definiu a meta para 2009 em 4,5% no momento em que a expectativa pelo Focus já estava em 4% para aquele ano — disse Solange.

Para 2020, a meta foi considerada uma surpresa positiva, segundo Solange.

— Ampliar o prazo de convergência é muito saudável. É o que os países que já tem a inflação controlada fazem. Diminui a incerteza para os agentes econômicos mas não quer dizer que não vai haver incerteza, dada toda o cenário por que passamos. se mantido o quadro fiscal controlado, é claro — afirmou.

De acordo com a economista, a decisão do CMN terá impacto nos juros longos dentro do médio prazo.

Também foi destaque a aprovação da reforma trabalhista, por 16 votos a nove, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado em sessão na noite de ontem.

Entre as ações, a Fibria registrou a maior valorização, de 3,84%. Segundo o jornal “Estado de S. Paulo”, a companhia estaria interessada em se unir à Arauco para comprar a Eldorado, que hoje pertence ao grupo J&F.

A Kroton subiu 2,4%. O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) rejeitou, na noite de ontem, a compra da Estácio pela Kroton Educacional. Segundo uma fonte do setor, o resultado era esperado pelas empresas, que já começaram a traçar estratégias para o futuro. A tendência é que a Kroton retome negociações de fusão e aquisição com foco em instituições de pequeno e médio portes que atuem em cidades onde a companhia não está presente. Já a Estácio deve ser alvo de outras instituições de ensino superior, como a Ser Educacional, que disputou o ativo com a Kroton no ano passado.

Em dia de alta do petróleo e do minério de ferro, a Petrobras subiu 1,01% (ON) e 0,83% (PN), enquanto a Vale avançou 0,38% (ON) e 0,49% (PNA).

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Redução da meta de inflação é positiva, mas dificulta ajuste fiscal, apontam economistas

Economistas apontam que a redução da meta da inflação para os anos de 2019 e 2020, anunciada nesta quinta-feira pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é uma medida positiva e ajuda a dar mais mais confiança em um momento de incerteza. A decisão, no entanto, gera um efeito colateral: dificulta o ajuste fiscal. Com uma inflação menor, o governo fica com menos espaço para expandir gastos, já que o limite de expansão é exatamente a inflação. A lei do teto de gastos públicos, aprovada no fim de 2016, prevê que as despesas de um ano devem ser iguais às do ano anterior, corrigidas apenas pela inflação acumulada em doze meses do período anterior.

— É muito positiva a sinalização de que se quer uma meta menor em 2020, estamos há muito tempo com a mesma meta. Considerando que a inflação deve ficar em torno de 3% em 2017, é interessante aproveitar para deixar claro que se quer trazer a inflação para 3% ao ano em bases permanentes. (…) Só que isso cria um problema de administração fiscal. Por causa do teto dos gastos públicos, os gastos primários não podem crescer mais que a inflação — afirma o professor de Economia da FEA/USP Heron do Carmo.

Ele explica que a inflação mais baixa dificulta o cumprimento do ajuste fiscal e que isso ocorrerá principalmente em 2018, já que é a inflação corrente que está em nível mais baixo e será usada como referência para a expansão dos gastos no próximo ano. A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 3,6% nos doze meses encerrados em maio — a menor taxa nessa comparação em dez anos. Para Heron, no entanto, isso pode até ser considerado bom, já que o ajuste fiscal tem que ser feito de qualquer maneira.

— É verdade que um ambiente de inflação mais baixa torna o ajuste fiscal mais difícil. Mas ninguém deve recomendar que se faca ajuste fiscal via inflação. Inflação é tributar sem legislar. Inflação sempre foi um imposto regressivo sobre os mais pobres. Assim, o a juste fiscal é necessário e critico mas não deve ser feito com inflação, porque ajuste fiscal via inflação é ajuste de péssima qualidade — diz o chefe de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos.

A avaliação de Ramos também é positiva em relação à redução da meta. Segundo ele, a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) vai na direção de uma inflação baixa e estável, o que ele considera como “a melhor contribuição para criar as condições para crescimento sólido e sustentável”. Ramos acredita que as novas metas são “críveis e alcançáveis”, diante do atual cenário de credibilidade da autoridade monetária e o ambiente benigno da inflação.

— Numa fase tão dramática e tão incerta, a demonstração de confiança na economia é importante e a decisão de reduzir a meta é mais uma demonstração de confiança. A princípio, não vai mudar a ação do Banco Central a curto prazo, já que porque a inflação está baixa por causa da recessão e de um nível muito baixo dos preços de alimentos — afirma o professor de Economia da PUC-Rio Luiz Roberto Cunha.

Ele minimiza uma possível preocupação que poderia surgir com uma meta de inflação mais baixa: a possibilidade de dificultar a saída da recessão. Isso porque o país já terá que enfrentar o desafio de não avançar nas reformas.

— Teoricamente, uma meta de inflação de 4% em 2020 poderia dificultar a saída da recessão. Mas para isso teríamos que ter avançado nas reformas, um cenário que não existe.

Segundo Solange Srour, economista da ARX Investimentos, a decisão de reduzir a meta para 4,25% é, além de bem vinda, necessária.

— A expectativa de inflação para 2019 já está em 4,25%, segundo o boletim Focus. Se o CMN mantivesse a meta em 4,5%, a expectativa subiria até convergir para esse nível. Isso desancoraria a inflação e atrapalharia o ciclo atual de queda de juros. Aconteceu algo parecido em 2007, quando o CMN definiu a meta para 2009 em 4,5% no momento em que a expectativa pelo Focus já estava em 4% para aquele ano — disse Solange.

A redução da meta também para 2020 foi um destaque ainda mais positivo segundo os economistas. Para Heron do Carmo, este foi o principal ganho da notícia, já que a redução para 4,25% em 2019 já era esperada:

— Até acho que poderia ter reduzido a meta já para 2018. Mas essa história de reduzir a meta da inflação dois anos em sequência foi o grande ganho.

— Ampliar o prazo de convergência é muito saudável. É o que os países que já tem a inflação controlada fazem. Diminui a incerteza para os agentes econômicos mas não quer dizer que não vai haver incerteza, dada toda o cenário por que passamos. se mantido o quadro fiscal controlado, é claro — afirmou Solange Srour.

De acordo com a economista, a decisão do CMN terá impacto nos juros longos dentro do médio prazo.

Elisa Machado, economista da Aria Capital, lembra que a expectativa de inflação para 2020 ainda está em 4,25%. Segundo ela, há possibilidade de esse número convergir para a nova meta, de 4%, mas a especialista pondera que em, um prazo tão longo, essa dinâmica dependerá da aprovação de reformas estruturais.

— Esse processo só será crível se a gente perceber que as condições existem, sobretudo do lado fiscal. E são as reformas que vão demonstrar que o Brasil terá um quadro fiscal compatível — esclareceu. — Se a reforma trabalhista for aprovada, começaremos a ver a tramitação, de fato, da reforma da Previdência. É importante que ela resulte em uma mudança de padrão que tenha impacto fiscal relevante.

Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, enxergou na medida do CMN um “recado indireto” para o campo político.

— O cumprimento dessas metas vão exigir uma saúde fiscal adequada. O que a autoridade monetária fez foi jogar o ônus de fazer isso para os governos, tanto o atual quanto os próximos. O recado é: ou ajusta o fiscal ou vai ter inflação, e isso terá impacto significativo nos juros. Logo, a necessidade de controle de gastos pelo governo ficou mais premente do que nunca, principalmente diante do quadro político — afirmou.

Mas Italo Lombardi, economista e estrategista para América Latina do Crédit Agricole CIB, considerou inadequado o momento para a redução da meta.

— Não acho que tenhamos um ambiente acertado para promover esse tipo de redução. O BC continua tendo muita credibilidade, mas o país está em um impasse de político. Eu entendo que o CMN fez o que deveria ser feito e queira separar a politica da economia, isso faz sentido. Mas a decisão chega em um momento de grande incerteza, e é pouco provável que a reforma da Previdência passe no médio prazo — disse Lombardi. — Logo, são emoções mistas. É ótimo que se queira reduzir a inflação para níveis internacionais, mas temos um presidente acusado de corrupção.

Diante da dificuldade política, Lombardi enxerga as metas como difíceis de se cumprir e que podem pressionar a política monetária:

— A meta é até factível, mas sob qual nível de juros ela poderá ser cumprida? Para se ter uma inflação de 4% em 2020, talvez não se consiga com juros abaixo de 9%. Logo, a medida me parece talvez um pouco precipitada. Trata-se de um horizonte de muito longo prazo para uma conjuntura de tanta incerteza já no curtíssimo prazo.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Contas públicas encerram maio com maior déficit para o mês em 21 anos

Após ter registrado resultado positivo em abril, as contas públicas voltaram ao vermelho. O governo central (composto por Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) apresentou um déficit de R$ 29,37 bilhões em maio, o maior para o mês desde o início da série histórica, em 1997. Nos primeiros cinco meses do ano, o resultado acumulado é de um déficit de R$ 34,98 bilhões, também o pior resultado para o período em 21 anos.

Relatório divulgado pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira mostra que as receitas líquidas do governo central somaram R$ 77,7 bilhões em maio, uma queda real (descontada a inflação) de 1,6% frente ao resultado do mesmo mês em 2016. Por outro lado, as despesas dispararam 12,7% no mês, na comparação anual.

No acumulado do ano, no entanto, as despesas apresentaram uma retração, de 1,1%. O problema é que as receitas do governo estão caindo com maior intensidade: 3,3% até o mês passado.

Todas as rubricas que compõem o governo central encerraram maio no vermelho. O déficit da Previdência cresceu 42,2% em maio e fechou o mês em R$ 18 bilhões. No ano, o rombo já chega aos R$ 70 bilhões. O número representa uma alta real de 34,9% frente ao mesmo período de 2016, quando a Previdência acumulava um resultado negativo de R$ 49,7 bilhões.

O déficit do Tesouro Nacional também saltou no mês e teve uma alta de 247% frente a 2016. As contas fecharam maio com um rombo de R$ 11,23 bilhões. No ano, no entanto, o resultado é superavitário em R$ 35,4 bilhões. Já o Banco Central teve um déficit de R$ 117 milhões, praticamente estável em relação a 2016. No ano, o resultado ficou negativo em R$ 361 milhões.

ANTECIPAÇÃO COM DESPESAS DE SENTENÇAS

A secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, explicou que o déficit em maio foi superior ao esperado pelo mercado porque o governo decidiu antecipar o pagamento de despesas com sentenças judiciais e precatórios. Essas parcelas, que costumam ser pagas em novembro e dezembro, serão quitadas em maio e junho. No mês passado, foram R$ 10 bilhões e em junho serão cerca de R$ 9 bilhões direcionados para essa despesa.

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Segundo a secretária a antecipação trará uma economia de R$ 600 milhões a R$ 700 milhões para o governo. Isso porque essa dívida com precatórios é atualizada monetariamente mês a mês. Ela ressaltou que não há nenhuma implicação para o cumprimento da meta fiscal para o ano, de um déficit de R$ 139 bilhões.

Questionada, a secretária enfatizou que o governo tem cumprido a programação financeira para o ano e que a equipe econômica fará ajustes, se for necessário, para que a meta seja cumprida:

– Nós estávamos, até a antecipação de despesas de precatórios, realizando resultados melhores do que as expectativas de mercado. Nós estamos sempre trazendo dados fidedignos para que a gente dê uma base confiável para tomadas de decisão. Os ajustes serão feitos, se necessário, para o cumprimento do ano.

NO ANO, DENTRO DO LIMITE DO TETO

O documento divulgado pelo Tesouro mostra que, no acumulado do ano, o governo tem conseguido manter as despesas dentro do crescimento permitido pela lei que estipulou um teto para os gastos públicos. Pela norma, as despesas não poderiam crescer mais do que 7,2% em 2017, na comparação com 2016. Segundo o relatório, os gastos tiveram uma alta, no acumulado do ano até maio, de 5,4%.

Na segmentação por poder, o Legislativo e a Defensoria Pública tiveram crescimento dos gastos acima do permitido, 8,6% e 19,6%, respectivamente. No caso do Legislativo, a alta foi puxada principalmente por um aumento nas despesas do Tribunal de Contas da União (TCU), de 12,4%, e da Câmara dos Deputados, de 9,9%. Pela regra do teto, o Executivo poderá compensar, no fim do ano, eventuais limites excedidos por outros órgãos.

MAIS R$ 15 BILHÕES EM RECEITAS

Ela ressaltou que a estimativa de receitas para o ano deve ser maior do que o atualmente previsto. Isso porque há uma série de medidas no Congresso Nacional e em discussão que só serão computadas na previsão de receitas para o ano quando forem aprovadas. A secretária estima que cerca de R$ 15 bilhões ainda devem ser contabilizados nas receitas, por medidas como a negociação dos pagamentos do Funrural, a nova fase da repatriação e a lei que irá modificar o pagamento de precatórios.

Ela ainda deu uma alfinetada na Polícia Federal, que esta semana chegou a anunciar a suspensão da emissão de passaportes por falta de orçamento. Ana Paula lembrou que todos os órgãos do governo estão passando por um contingenciamento e que devem se organizar de acordo com o limite que possuem:

– Estamos trabalhando para suavizar esse processo de contingenciamento em alguma medida. Sobre o caso específico dos passaportes é importante dizer que todos os órgãos do governo estão sentindo esse processo de contingenciamento, estão buscando se organizar em função desse processo. Óbvio que é difícil, mas cada ministério tem condições de fazer sua organização interna.

Questionada ainda sobre a decisão do ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal (STF), de conceder uma liminar para o estado do Rio de Janeiro que obriga o Tesouro a pagar valores de correção monetária sobre royalties do petróleo, ela se limitou a dizer que o órgão irá cumprir a decisão judicial. Ela ponderou que os técnicos ainda não fizeram as contas de quanto será pago efetivamente ao estado.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Brasil registra segundo maior índice de confiança na mídia

As pessoas continuam a confiar nos meios de comunicação para se informarem — e o Brasil é um dos países em que essa confiança é mais forte. Segundo pesquisa feita pelo Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, 60% dos entrevistados no Brasil confiam nas notícias veiculadas pelas empresas de comunicação — atrás apenas da Finlândia, com 62%. Foram entrevistadas mais de 70 mil pessoas em 36 países. A confiança também é alta em Portugal, Polônia e Holanda, mas, na Coreia do Sul, fica em 23%. A média dos países pesquisados é de 43%.

O “Relatório de Jornalismo Digital 2017” aponta ainda que as redes sociais vêm sentindo os reflexos negativos da proliferação das chamadas fake news, ou notícias falsas. Com isso, o Facebook, por exemplo, vem perdendo espaço em diversos países, inclusive no Brasil. Segundo o estudo britânico, aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, têm ganho espaço. O estudo cita o fato de estes permitirem uma comunicação mais privada e não filtrarem o seu conteúdo através de algoritmos, como faz o Facebook.

No Brasil, 46% dos entrevistados disseram usar o WhatsApp para acessar e compartilhar notícias, um aumento de 7 pontos percentuais frente ao ano anterior. O Facebook é a escolha de 57% dos entrevistados — uma queda de 12 pontos percentuais em relação a 2016. Em 2014, o WhatsApp foi comprado pelo Facebook. Já o YouTube, da Google, é fonte de informação para 36% dos entrevistados, contra 35% um ano antes.

Acesso à informação
CONFIANÇA NOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO
Em %
62
60
58
51
50
43
38
23
43
Finlândia
Brasil
Portugal
Espanha
Alemanha
Reino Unido
Estados Unidos
Coreia do Sul
Média dos 36
países pesquisados
47%
DADOS GERAIS
22%
Uso de redes sociais
e aplicativos
de mensagens
para ler notícias
10%
6%
3%
Facebook
YouTube
Twitter
Instagram
LinkedIn
USO DE APLICATIVOS
DE MENSAGENS
PARA LER NOTÍCIAS
15%
8%
2%
2%
1%
WhatsApp
Facebook
Messenger
Snapchat
Viber
WeChat
ONDE VOCÊ LÊ AS NOTÍCIAS?
62%
65%
COMPUTADOR
CELULAR
TOTAL DOS ENTREVISTADOS QUE
USAM WHATSAPP (POR PAÍS)
PARA CONSUMIR NOTÍCIAS
Em %
Malásia
Brasil
Chile
Cingapura
Hong Kong
Espanha
51
46
39
38
36
32
+7 pontos
+7 pontos
NO BRASIL
Em que redes sociais as pessoas buscam informação? Em %
-12 pontos
57
46
36
12
12
Facebook
WhatsApp
YouTube
Instagram
Twitter
+7 pontos
-1 ponto
+1 ponto
-1 ponto
Fonte: Reuters Institute
Os brasileiros não são os únicos. Malásia e Espanha seguem a mesma tendência, com o WhatsApp sendo fonte de notícias para 51% e 32%, respectivamente, dos entrevistados.

ESFORÇO NO COMBATE ÀS ‘FAKE NEWS’

Segundo a pesquisa, 40% dos entrevistados consideram que as empresas de mídia fazem um bom trabalho em separar fatos de boatos, número que cai para 24% quando a mesma pergunta é feita sobre os esforços das redes sociais em distinguir as notícias falsas das verdadeiras. “Nossos dados qualitativos sugerem que os usuários sentem que a falta de regras e o uso de algoritmos estão encorajando a baixa qualidade e o avanço das fake news.”

O relatório aponta ainda o esforço das empresas de comunicação em combater as notícias falsas. O estudo cita O GLOBO e o portal G1 como companhias que criaram times para investigar a veracidade das notícias publicadas na internet e dos boatos que ganham força nas redes sociais. No caso do GLOBO, foi criado o blog de checagem de fatos “É isso mesmo?”. Entre os veículos de comunicação listados no estudo pelos entrevistados, o jornal O GLOBO é o jornal impresso mais bem avaliado, sendo apontado por 27% dos entrevistados.

CELULAR ULTRAPASSA COMPUTADOR

A categoria que inclui TV e rádio traz a GloboNews (60%), o “Jornal do SBT” (36%) e a BandNews (35%) nas três primeiras colocações. Na categoria on-line, o mais citado como fonte de informação pelos entrevistados foi o portal UOL (47%), seguido do GloboNews, que inclui o G1 (43%) e o site do GLOBO (35%).

O estudo aponta também mudanças na forma de consumir notícias pela internet. Os celulares ultrapassaram os computadores como o principal dispositivo usado para acessar notícias no Brasil pela primeira vez. Segundo a pesquisa, o uso de smartphones para ler notícias nas regiões urbanas no Brasil chegou a 65%, contra 62% dos computadores. Na média dos países pesquisados, 56% disseram ter usado o celular na semana anterior para ler notícias, contra 58% para os computadores.

O Chile é um dos países de destaque no uso do celular para a leitura de notícias: foi mencionado por 74% dos pesquisados, enquanto a taxa do computador ficou em 51%. No México, essa proporção foi de 70% e 45%, respectivamente.

O Brasil também é um dos países onde mais se compartilham notícias: 64%, empatado com o Chile. Argentina e México vêm logo atrás, com 63%. Alemães e japoneses são os que menos promovem compartilhamentos, ficando com, respectivamente, 18% e 13%.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Mercado já previa crescimento menor da economia há algumas semanas

A afirmação do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de que a equipe econômica vai revisar para baixo a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) de 2017 é um movimento que realinha as perspectivas do governo com as do mercado financeiro, que há algumas semanas já vinha recalibrando para baixo suas expectativas de crescimento da economia. A influência da crise política deflagrada com a delação premiada dos executivos da JBS, na economia, já estava na conta de analistas, que trabalham com números sempre menos otimistas que os oficiais.

— Em geral, todo governo é otimista. É natural que se queira defender uma situação melhor que a real e o mercado, por outro lado, é mais realista e faz os ajustes de expectativa mais rápido. Já o governo demora mais para tomar essa decisão, mas ao longo do tempo elas tendem a convergir — avaliou Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.

A projeção do PIB do governo é de 0,5%. Meirelles afirmou que o número será revisado para baixo, mas ainda no terreno positivo. Já a média das expectativas de mercado, que constam do relatório semanal Focus do Banco Central, aponta para uma expansão de 0,39%, após três semanas de cortes consecutivos. Antes da divulgação, em 17 de maio, da delação dos executivos da JBS, que envolveu o presente Michel Temer, a projeção era de 0,50%.

Segundo compilação da Bloomberg, essa média de projeções está em 0,5%, com a melhor expectativa esperando um crescimento de 1% do PIB neste ano e a pior, uma leve queda de 0,1%. No entanto, em maio, a média era de 0,7%.

Maurício Molan, economista chefe do Santander, avalia que a mudança da projeção oficial não irá alterar as contas do banco para a expectativa do PIB para 2017, que está em 0,7%, ante 1% no início do ano.

O governo em geral já é mais lento nas revisões de suas projeções, mas para Silvio Paixão, professor de macroeconomia da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), a demora é ainda maior devido ao cenário de crise política.

— Por dever do ofício um ministro da Fazenda precisa vender otimismo. Devido aos dados da economia, de desemprego em alta, alta carga tributária, crédito caro e baixo nível de investimento, já vai ser uma vitória se o PIB ficar no zero a zero. A crise política faz com que as revisões sejam mais sensível — avaliou.

Outra decisão que vem sendo retardada pela equipe econômica é a de anunciar que vai elevar algum tipo de tributo para garantir a meta de déficit primário (quando as despesas ficam acima das receitas) de R$ 139 bilhões neste ano. Como a arrecadação de impostos não se recupera no ritmo planejado e há um limite para cortes de despesas, ainda mais em meio a um cenário de crise política e baixa popularidade do governo Temer, a saída que resta é a de aumentar os impostos. O primeiro deve ser a Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide), no entanto, a arrecadação extra não será suficiente e outras medidas devem ser tomadas – o que pode ajudar a equipe econômica é a entrada no caixa de R$ 8 bilhões em precatórios.

— A conta não vai fechar e é uma necessidade para essa equipe econômica elevar a arrecadação. Se contava com as privatizações, mas elas entraram em espera com a turbulência política. É melhor elevar imposto a revisar a meta de déficit para cima. O governo não tem muita saída — disse Agostini, da Austin.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Governo fixa meta menor de inflação para 2019, de 4,25%

Sob críticas de que poderia perder a oportunidade de manter a inflação baixa no país, o Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu fixar não apenas meta para 2019 como esperado, mas também a de 2020. Numa reunião extraordinária nesta manhã, os ministros determinaram que o objetivo para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2019 em 4,25%, como previam os analistas do mercado financeiro. E ainda estabeleceram em 4% a meta para 2020. O intervalo de tolerância para os próximos anos será de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Essa é a mesma banda usada atualmente.

É a primeira vez desde 2003 que a meta é reduzida. Desde 2005 a meta oficial de inflação do governo está em 4,5% ao ano. Os únicos anos em que o Banco Central cumpriu essa meta foram 2006, 2007 e 2009. A meta é estabelecida pelo CMN e deve ser cumprida pelo Banco Central.

Os três ministros — Fazenda, Planejamento e presidente do Banco Central — frisaram a importância do estabelecimento de um horizonte de longo prazo de queda da inflação.

— A fixação de uma meta menor vai levar a índices mais baixos desde que sejam críveis — falou o presidente do BC, Ilan Goldfajn.

De acordo com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, isso mostra que o governo está comprometido com a convergência gradual das metas para índices internacionalmente consagrados de inflação.

MANUTENÇÃO DE ILAN E DA POLÍTICA MONETÁRIA

Ilan foi questionado se, à luz do acirramento da crise política, ele permanecerá no comando do Banco Central independentemente de um eventual afastamento do presidente Michel Temer e se a política monetária também seria mantida.

— Acho que a pergunta é para mim e vou ter de responder. Acho que a resposta é: sim, sim — resumiu o presidente.

Quando foi-lhe solicitado detalhes, ele disse que o Banco Central é uma instituição que preza autonomia e, portanto, é uma instituição que se mantém. Ele ressaltou que o BC olha o longo prazo.

— E o presidente do Banco Central está dentro desse contexto institucionalizado onde nós estamos trabalhando para a economia brasileira e para o país — afirmou antes de questionar os repórteres:

— Vocês não gostaram do “sim, sim”?

Quando questionado sobre qual era a garantia de que permaneceria no cargo mesmo com uma mudança de governo, Ilan começou a responder, mas antes de completar a primeira palavra, foi interrompido por Meirelles. O ministro da Fazenda disse que o governo não trabalha por hipóteses. Afirmou que a equipe econômica trabalha com foco e continuará assim. E tentou consertar o que foi dito anteriormente pelo presidente do BC.

— Agora, evidentemente, que compete ao presidente da República a nomeação dos seus ministros. Não só os aqui presentes, mas quaisquer ministros.

O comunicado do Banco Central aponta que um decreto desta quarta-feira ampliou para dois anos e meio o horizonte de fixação da meta para a inflação e seu intervalo de tolerância. Segundo o texto, isso permite o aperfeiçoamento do sistema de metas de inflação e também permite aumenta a capacidade de a política monetária balizar as expectativas de inflação para um prazo mais longo, o que ajuda a reduzir as incertezas:

“Eesse novo horizonte será válido a partir deste ano em diante e permite uma maior separação entre a definição da meta para a inflação e a condução da política monetária. Com isso, amplia-se a capacidade de a política monetária balizar as expectativas de inflação para prazos mais longos, o que reduz incertezas e melhora a capacidade de planejamento das famílias, empresas e governo”, diz o texto.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Denúncia contra Temer pesa e dólar fecha em alta, a R$ 3,319

A denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer pressionou os negócios nesta terça-feira. O dólar comercial foi na contramão do mercado externo e teve alta de 0,51% ante o real, cotado a R$ 3,319. O Ibovespa, principal índice de ações da B3 (ex-BM&FBovespa e Cetip), fechou em queda de 0,82%, aos 61.675 pontos, apesar da recuperação do preço das commodities, que fazem as ações da Vale subirem forte.

Na avaliação de Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora, a incerteza política impediu o avanço dos ativos brasileiros. Para piorar, o desempenho negativo dos mercados americanos também teve sua cota de influência, uma vez que os negócios no Brasil têm sido conduzidos pelo fluxo estrangeiros no momento em que os investidores locais estão mais cautelosas com o desenrolar da crise.

— Há um fator de risco que é o governo Temer perder a base aliada e, com isso, nenhuma reforma avançar. Além disso, estamos seguindo o mercado americano, que fechou em queda, porque nas últimas semanas estamos sendo conduzidos pelo fluxo de recursos estrangeiros. O investidor local está mais conservador — avaliou. dólar ganha um pouco mais de folego.

Durante toda a tarde, o mercado ficou atento aos desdobramentos da denúncia da PGR, realizada ontem à noite. No entanto, o pronunciamento de Temer, pouco antes das 16h, não chegou a influenciar os negócios.

No Ibovespa, a queda só não foi maior devido ao desempenho da Vale. As ações operaram em alta seguindo o minério de ferro, que teve alta de 5,20% na China, a US$ 59,20 a tonelada. Essa valorização faz as ações preferenciais (PNs, sem direito a voto) da mineradora fecharem em alta de 1,82% e as (ONs, com direito a voto) avançaram 1,63%.

O preço do petróleo também melhorou (o barril do tipo Brent subia 1,68%, a US$ 46,60), mas isso não foi suficiente para a Petrobras encerrar o pregão com ganhos. As PNs recuaram 0,48%, cotadas a R$ 12,21, e as ONs caíram 0,76%, a R$ 12,99.

As maiores quedas foram registradas pelos papéis da Estácio Participações e pela Embraer, com tombos de, respectivamente, 3,89% e 3,54%.

No exterior, o dólar perdeu força, em um ambiente que as moedas de emergentes se valorizam com a alta do preço das commodities. O “dollar index”, calculado pela Bloomberg e que mede a variação da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, tem queda de 1,05%.

— O elemento surpresa e de maior preocupação foi a decisão da PGR pelo fatiamento da denúncia, porque pode arrastar a crise pelo segundo semestre, com impacto direto no ritmo da agenda de reformas. Na cesta de moedas, o dólar recua enquanto o petróleo opera com valorização — explicou Ricardo Gomes da Silva, analista da Correparti Corretora de Câmbio.

A denúncia contra o presidente Temer já era esperada, mas os investidores se preocupam com o avanço das investigações e novas atuações da PGR. “Como era esperado, o procurador-geral, Rodrigo Janot, apresentou uma denúncia de corrupção passiva contra Temer no STF. A acusação cita o recebimento de 500 mil reais dados a Rocha Loures, além da promessa de outros R$ 38 mi. A PGR deve apresentar uma segunda denúncia, por obstrução de justiça, até a próxima segunda-feira, e uma terceira denúncia também é esperada, essa por formação de organização criminosa”, lembraram os analistas da Yield Capital.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Gastos de brasileiros no exterior aumentaram 35% em maio

Mesmo com a alta do dólar, os brasileiros aumentaram os gastos com viagens internacionais em 35% em maio. Segundo o Banco Central, a despesa dos turistas passou de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,5 bilhão, na comparação com igual mês de 2016.

Mesmo em crescimento, os dados estão longe do cenário de 2014, quando o brasileiro mais gastou lá fora. Naquele ano – em que a recessão começava a mostrar seus primeiros efeitos – o turista daqui deixou US$ 2,3 bilhões em viagens ao exterior.

A crise não apenas diminuiu o apetite do brasileiro para viajar, mas teve uma grande influência nas contas externas do país. Com o dólar num patamar bem maior que nos últimos anos – por causa da turbulência política e do enfraquecimento das contas públicas -, os exportadores lucraram mais. As empresas passaram a vender para fora o que antes deixavam para abastecer o mercado interno.

Com isso, as contas externas ficaram no azul em maio em US$ 2,9 bilhões. Foram influenciadas novamente por saldo comercial recorde. Esse é o melhor resultado das contas externas para maio desde o incio da série histórica começada em 1947. Foi o terceiro mês seguido que as contas ficaram no azul. E a expectativa do BC é de outro superavit em junho.

Nos últimos 12 meses, as chamadas transações correntes (resultado de todas as trocas de serviços e bens com o exterior) registraram deficit de US$18,1 bilhões, equivalente a 0,96% do PIB, nos doze meses encerrados em maio.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Governo estuda aumentar a Cide para melhorar a arrecadação

Com a arrecadação em queda, o governo já estuda um plano B para cumprir a meta de manter o rombo das contas públicas em, no máximo, R$ 139 bilhões neste ano. Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, entre as possibilidades em estudo está o aumento da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide). No entanto, a possibilidade encontra resistência.

— Tem muita resistência ainda dentro do governo — afirmou um interlocutor do presidente Michel Temer, sob a condição de anonimato, que resumiu: — É impopular.

O argumento de quem é contra é que a medida é bastante impopular no momento em que o governo está no momento mais enfraquecido politicamente, por causa das denúncias de corrupção contra o presidente da República. O que pode ser arrecadado também é considerado baixo, já que a medida teria efeito apenas nos três meses finais de 2017. A projeção de arrecadação é de apenas R$ 3 bilhões.

Esse dinheiro poderia ser conseguido por outros meios. Um deles seria fazer com que a venda da Lotex, a empresa de raspadinhas da Caixa Econômica Federal, seja feita por concessão direta. Assim, o dinheiro entraria diretamente nos cofres do Tesouro Nacional. O banco quer que a essa operação seja feita via Caixa como uma privatização por dentro da instituição. Com isso, os recursos iriam para o balanço e a União receberia o pagamento de imposto sobre a operação.

Se a transação for feita como defende o Ministério da Fazenda, ela pode render até R$ 3 bilhões para o governo. Se for via Caixa, os ganhos cairiam pela metade. Ela estava prevista para ocorrer em novembro, mas o cronograma foi antecipado, de acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO.

— Corremos com o cronograma por eficiência dos técnicos – afirmou um outro técnico, sob condição de anonimato.

De acordo com uma fonte a par das negociações, os quatro maiores grupos de exploração de loteria instantânea estão interessados no leilão. A demanda não teria caído nem mesmo com o cenário político do país.

Há ainda várias outras frentes para tentar arrecadar mais. Com o Refis, aprovado e ampliado no Congresso, o governo pretende levantar R$ 14 bilhões. A projeção inicial era de R$ 8 bilhões.

Nos próximos dias, o governo deve editar uma Medida Provisória do Funrural. Com menos equalização, a União deve economizar R$ 1,5 bilhão. E a equipe econômica ainda conta com 8,7 bilhões dos precatórios. Outra possibilidade de receitas é a abertura de capital do IRB RE, o antigo Instituto de Resseguros do Brasil. Isso pode render ainda R$ 3 bilhões neste ano.

MINISTRO ADMITE CIDE PARA FAZER CAIXA

O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, não descartou a possibilidade de a Cide ser elevada, para fazer caixa. Segundo ele, o governo vai reavaliar, em junho, o comportamento das receitas e despesas, para verificar se será necessário adotar medidas.

— As medidas serão anunciadas no momento certo — disse o ministro, após participar de audiência pública na Comissão Mista de Orçamento.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Tesouro deixou de leiloar R$ 20 bi em títulos públicos após delação da JBS

A dívida pública federal, que inclui tudo o que o país deve interna e externamente, chegou a R$ 3,25 trilhões em maio. O resultado representa uma alta de 0,26% em relação ao registrado em abril, quando o estoque foi de R$ 3,24 trilhões. Em razão das recentes turbulências políticas, o Tesouro Nacional estima que tenha deixado de captar R$ 20 bilhões em títulos públicos no mês passado. Isso porque o órgão suspendeu dois leilões nos dias que sucederam a divulgação da delação premiada e da gravação feita por Joesley Batista e que envolvia o presidente Michel Temer.

Segundo o coordenador-geral de operações da dívida pública, Leandro Secunho, isso ocorreu nos dias 18 e 25 de maio, em razão da alta volatilidade do mercado. Mas os preços já se estabilizaram e as emissões voltaram à normalidade em junho. Segundo ele, o fato de o Tesouro ter deixado de captar R$ 20 bilhões “é perfeitamente gerenciável”, uma vez que o órgão realizou emissões, em meses anteriores, acima do esperado.

— Cancelamos leilões previstos para 18 e 25 de maio em função da elevada volatilidade do mercado. Fizemos outros tipos de leilões para dar referência de preços para os títulos públicos nesse momento. Mas os preços já se estabilizaram, já retornamos as nossas emissões no mês de junho. O mercado já voltou para a estabilidade num ritmo até acelerado. Em junho essa normalidade já vem sendo observada nos nossos leilões.

Tanto a dívida interna quanto a externa cresceram em maio. O estoque da dívida interna cresceu 0,22% em relação a abril e chegou a R$ 3,13 bilhões. Já a dívida externa, atrelada ao câmbio, subiu 1,31%, para R$ 122,87 bilhões. Essa variação ocorreu sobretudo por conta da desvalorização do real frente às principais moedas que compõem o estoque da dívida externa, sobretudo o dólar.

A maioria dos títulos públicos está nas mãos de fundos de previdência (26,21%) e de investimento (23,17%). Em seguida estão instituições financeiras (22,16%) e estrangeiros (13,42%). A participação de não residentes caiu em relação a abril, quando era de 13,63%. Secunho explicou que em maio e junho houve um movimento de saída de investidores estrangeiros de títulos de curto prazo parcialmente compensada por um aumento da carteira de longo prazo. Ele afirmou ainda que a redução percentual da participação de não residentes foi considerada uma “saída organizada” pelo Tesouro. Isso porque grande parte dos recursos que foram efetivamente retirados foram revendidos no mercado secundário.

A maior parte da dívida, 34,97%, é composta por títulos prefixados. Esse tipo de papel tem o retorno predeterminado no momento da compra, o que dá mais previsibilidade para o governo. Em seguida estão os títulos vinculados a índices de preços (30,66%), à taxa flutuante (30,47%) e ao câmbio (3,91%).

O percentual de vencimento da dívida pública federal para os próximos 12 meses teve uma redução e passou de 16,45% para 15,16%, atingindo o menor percentual da série histórica. Nesses casos, menor número de papéis com vencimento em curto prazo tende a ser um indicador positivo para o governo. O prazo médio, por sua vez, teve uma redução de 4,56 anos para 4,54 anos. Já o custo médio da dívida apresentou uma redução de 11,57 ao ano em abril para 11,23% a.a em maio.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior