Monthly Archive: April 2017

Lucro ajustado do Bradesco sobe 13% no 1º trimestre, a R$ 4,6 bi

O Bradesco registrou no primeiro trimestre do ano um lucro líquido contábil de R$ 4,071 bilhões, um leve recuo de 1,2% em relação a igual período do ano passado. Ao considerar o resultado ajustado, que exclui fatores extraordinários, como os efeitos da aquisição do HSBC, o lucro foi de R$ 4,648 bilhões, uma alta de 13%. Contribuíram para esse resultado os maiores ganhos da margem financeira, ou seja, os juros nas operações bancárias, e as receitas com prestação de serviços.

A instituição financeira registrou um leve aumento de sua taxa de inadimplência, que chegou ao final de março em 5,6%. A carteira de crédito chegou a R$ 502,7 bilhões, um crescimento de 8,5%, mas justificado pela incorporação da operação do HSBC Brasil, que ocorreu em julho de 2016.

A expectativa da instituição financeira é que essa inadimplência comece a melhorar ao longo do ano, com os sinais de recuperação da economia e estabilidade e até queda na taxa de desemprego. O mesmo deve ocorrer com a demanda por crédito.

— A gente acredita que a recuperação do crédito vem a partir do segundo semestre. A economia já está se estabilizando, com sinais de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre. Em várias linhas já vemos algumas melhoras, em especial na pessoa física, e para 2018 temos uma visão favorável — disse Carlos Firetti, diretor de relações com investidores, em teleconferência a jornalistas.

Mas com a recuperação ocorrendo só no segundo semestre, o banco espera que a carteira de crédito, ao longo do ano, apresente um crescimento entre 1% e 5%.

O mesmo comportamento deve registra a inadimplência, e que isso poderá ter efeito nos spreads (diferença entre a taxa de captação dos bancos e o custo do crédito pago pelo cliente final.

— A inadimplência tem seu pedaço de responsabilidade nos spreads. À medida que há sinais de queda na inadimplência, vamos ver mudanças mais significativas nos spreads. A redução da Selic nós já repassamos para as taxas — afirmou Alexandre Glüher, vice-presidente do Bradesco.

O Bradesco conseguiu melhorar a sua rentabilidade no primeiro trimestre. O retorno sobre o patrimônio líquido médio no primeiro trimestre foi de 18,3%, acima dos 17,6% do trimestre imediatamente anterior e dos 17,5% registrados em janeiro e março do ano passado.

O banco que abriu a temporada de balanços do primeiro trimestre foi o Santander, que anunciou, na quarta-feira, um lucro de R$ 1,824 bilhão, um crescimento de 50,4%.

MENORES GASTOS COM DEVEDORES

Apesar da alta na inadimplência, o Bradesco reduziu os gastos com as provisões para devedores duvidosos (PDD), que serve para cobrir eventuais calotes. Essas despesas totalizaram no primeiro trimestre R$ 4,862 bilhões, uma queda de 10,8% em relação a igual período do ano passado. Esse recuo, segundo a instituição, é explicado pela melhoria dos processos de concessão, pelos trabalhos na área de recuperação de crédito e pela consolidação dos resultados com o HSBC.

O Bradesco explica ainda que o aumento da taxa de inadimplência, que inclui as operações de crédito em atraso há mais de 90 dias, ocorreu devido ao efeito de uma grande empresa, cujo calote já estava provisionado desde outubro, e à redução do volume da carteira de crédito.

Ao final de março, as operações em atrasos equivaliam a 5,6% do total da carteira de empréstimos ao final de março. Sem o efeito desse grande cliente, cujo nome não é citado, a inadimplência teria sido de 5,2% – em dezembro, esse índice era de 5,5% e, em igual mês de 2016, em 4,2%.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Contas públicas registram rombo de R$ 11,06 bi em março

As contas públicas voltaram a ficar no vermelho em março. O Tesouro Nacional informou, nesta quinta-feira, que o governo central (composto por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrou déficit primário de R$ 11,061 bilhões. Esse foi o pior resultado da série histórica, iniciada em 1997. O rombo cresceu 40,1% sobre 2016.

Apesar do rombo recorde, a secretária do Tesouro Nacional, Ana Paula Vescovi, assegurou que o governo vai cumprir a meta fiscal do ano, de déficit primário de R$ 139 bilhões.

Ela lembrou que a despesa executada entre janeiro e março deste ano ficou abaixo do que estava previsto na programação orçamentária. O total executado ficou R$ 17,5 bilhões menor do que estava estimado. Ana Paula também destacou que a economia está dando sinais mais fortes de recuperação, o que vai ajudar a aumentar as receitas.

No primeiro trimestre, o governo central acumulou déficit primário de R$ 18,3 bilhões, o que representa um aumento de 1,3% em relação ao ano passado. O número também é recorde para o período. Em 12 meses, o rombo das contas chega a R$ 156,5 bilhões, ou 2,44% do Produto Interno Bruto (PIB). Ele está acima da meta fixada pela equipe econômica para 2017, de déficit primário de R$ 139 bilhões.

Segundo relatório divulgado pelo Tesouro, houve diminuição tanto nas receitas quanto nas despesas no primeiro trimestre. No entanto, a arrecadação caiu mais. A receita líquida entre janeiro e março somou R$ 275,470 bilhões, com queda nominal de 0,3% sobre o ano passado. Em termos reais (já descontada a inflação), a redução foi de 5%. Já as despesas atingiram R$ 293,767 bilhões, o que equivale a uma queda nominal de 0,2% e real de 4,9%.

A Previdência Social apresentou um déficit de R$ 40,1 bilhões nos primeiros três meses do ano, o que representa um aumento de 31,5% em relação a 2016. Até o final de 2017, o rombo deve chegar a R$ 188,8 bilhões. Já o Tesouro Nacional e o Banco Central tiveram superávit de R$ 21,9 bilhões no trimestre. Para o ano, o valor espera é um saldo positivo de R$ 49,8 bilhões.

De acordo com o relatório do Tesouro, entre janeiro e março, houve aumento real de 5,2% nas despesas com benefícios previdenciários, que somaram R$ 124,6 bilhões. Os gastos com folha de pagamento também subiram (7,1%), ficando em R$ 67,6 bilhões. No entanto, a equipe econômica conseguiu reduzir desembolsos com abono e seguro-desemprego (-8,6%) e subsídios e subvenções (-31,1%). Os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento despencaram 68,7%.

TETO PARA OS GASTOS

O Tesouro também detalhou como está o comportamento das despesas em relação à regra do teto para os gastos, que entrou em vigor este ano. Ela prevê que os desembolsos do governo não podem crescer acima da inflação do ano anterior. O limite para este ano é de um aumento de 7,2.

De acordo com o relatório, o teto estabelecido para 2017 é de R$ 1,301 trilhão. Deste total, já foram gastos R$ 285,920 bilhões, o que representa 21,96% do total permitido. Esse número é diferente do total desembolsado no primeiro trimestre porque a regra do teto exclui alguns itens, como transferências constitucionais e créditos extraordinários.

Os gastos do Executivo sujeitos ao teto cresceram 1,7% em relação a 2016. No entanto, nem todos os poderes estão dentro dos limites do teto. Os gastos com Legislativo, por exemplo, tiveram alta de 10% até março. Somente o Tribunal de Contas da União (TCU) teve aumento de 12,6%. Já os gastos do Judiciário cresceram 3,3%.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Adiamento da votação da Reforma da Previdência faz dólar subir

O adiamento da votação do texto final da Reforma da Previdência pressionou os negócios nesta quinta-feira nos mercados financeiros no Brasil. O dólar comercial, que operava em queda, fechou a R$ 3,183, valorização de 0,31% ante o real. Já o Ibovespa, principal índice do mercado acionário local, recuou 0,29%, aos 64.676 pontos.

Na avaliação de Fernando Oliveira, diretor de de câmbio da Abrão Filho Câmbio e Capitais Internacionais, os investidores estão em compasso de espera. A expectativa é saber se o governo conseguirá os votos necessários para aprovar a Reforma da Previdência sem fazer ainda mais concessões.

— É necessário aprovar a Reforma da Previdência pela questão fiscal. Obviamente os deputados sobem pressão popular e as manifestações podem ter algum tipo de consequência, mas os aliados do governo vão fazer uma pressão muito forte para aprovar essas reformas — avaliou.

Para aprovar reforma trabalhista, o governo conseguiu 296 votos. A da Previdência, mais complexa, precisa de dois terços de aprovação, o equivalente a 3078 votos.

— O governo está em uma crescente na conquista de votos. Claro que as manifestações atrapalham, mas aprovar a Reforma da Previdência é a bala de prata desse governo. Se conseguir aprovar ao menos 70% da proposta original, isso já está na conta dos agentes financeiros e não deve ter grande repercussões — disse.

Segundo Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos, considera que o placar da votação da reforça trabalhista foi neutro. Por um lado, teve o efeito de reduzir a percepção de risco, ao menos na primeira parte dos negócios, mas por outro mostra que o governo precisa de um pouco mais de votos.

— Os quase 300 votos (obtidos pelo governo para aprovar a reforma trabalhista) mantém a mesma expectativa do mercado, que é a de existir uma possibilidade de aprovação da reforma da Previdência, que tem necessidade dois terços de aprovação na Câmara, ou 308 votos. Existe a capacidade de aprovar a reforma da Previdência, mas terá que passar por um momento de negociação — explicou.

Na Bolsa, a estabilidade é marcada pela divulgação de balanços trimestrais, que levam o setor bancário a um terreno positivo em contraponto a Vale e Petrobras em queda, duas das empresas que concentram o maior volume de negócios.

A Petrobras segue a trajetória de queda registrada no pregão de ontem, puxada pela queda na cotação do petróleo. As ações da estatal tiveram queda de 1,92% nas preferenciais (PNs, sem direito a voto) e de 1,52% nas ordinárias (ONs, com direito a voto), cotadas, respectivamente, a R$ 13,73 e R$ 14,20.

O barril do Brent — referência no mercado internacional — recuava 0,33% próximo ao horário de encerramento dos negócios no Brasil, a US$ 51,65 o barril.

A Vale também registrou recuo, apesar de ter registrado lucro de R$ 7,891 bilhões no primeiro trimestre de 2017, uma alta de 25%. As PNs caíram 4,33% e as ONs tiveram desvalorização de 3,24%.

— A expectativa do mercado era de alta. Houve aumento de estoques, o que sazonalmente acontece no primeiro trimestre, mas os preços praticados nesse período ficaram um pouco abaixo do que o mercado esperava. Apesar do avanço do minério de ferro na China (no ano), o preço praticado pela Vale frustrou um pouco alguns investidores — disse Pereira.

O minério de ferro, que também influenciou a cotação da Vale, teve queda de 0,30% na tonelada de minério de ferro no porto de Qingdao, na China, a US$ 66,42.

O setor bancário, que tem importante peso na Bolsa, teve desempenho positivo, puxado principal pelas ações do Bradesco. O banco divulgou alta de 13% no lucro do primeiro trimestre, a R$ 4,648 bilhões. As preferenciais subiram 2,91%, um dos melhores desempenhos da Bolsa hoje. No caso do Itaú, a alta foi de 0,56% e do Banco do Brasil, de 1,40%.

CENÁRIO EXTERNO

No exterior, as Bolsas nos Estados Unidos operam estáveis na esteira da apresentação de um plano de reforma fiscal de Donald Trump, apresentado na quarta-feira, com um a série de redução de impostos para empresas e pessoas físicas. O índice Dow Jones ficou praticamente estável, com pequena variação positiva de 0,03%. No caso do S&P 500, a alta foi de 0,06%. Já a Nasdaq subiu 0,39%.

As principais Bolsas da Europa, por sua vez, fecharam em queda. O índice FTSE-100 da Bolsa de Londres perdeu 0,71% e o Dax, de Frankfurt, 0,23%. Em Paris, o CAC 40 cedeu 0,31%.

O Banco Central Europeu (BCE) manteve o seu viés de mais afrouxamento, deixando a porta aberta para mais cortes de juros ou para um aumento da compra de ativos.

— Os dados recebidos desde a nossa reunião de março confirmam que a recuperação cíclica da zona do euro está se tornando cada vez mais sólida e que os riscos diminuíram — disse o presidente do BCE, Mario Draghi, em entrevista. — Ao mesmo tempo, as pressões inflacionárias continuam fracas e ainda têm que mostrar uma tendência convincente de alta — acrescentou, justificando a continuação das medidas de estímulo.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Fazenda informa que economia com reforma da Previdência caiu R$ 189 bi

As mudanças feitas pelo Congresso no projeto de reforma da Previdência vão reduzir a economia que o governo esperava obter com a medida em R$ 189 bilhões. Segundo nota divulgada nesta quarta-feira pelo Ministério da Fazenda, o projeto original permitiria uma redução de gastos de R$ 793 bilhões em 10 anos. No entanto, com as alterações incorporadas pelo relator da reforma, deputado Arthur Maia (PPS-BA), o montante cairá para R$ 604 bilhões. De acordo com a equipe econômica, essa diminuição não afeta substancialmente o ajuste das contas públicas.

A nota da Fazenda, no entanto, não inclui o impacto de todas as alterações feitas na reforma original. De acordo com o documento, os números tratam apenas das mudanças no Regime Geral de Previdência Social (RGPS) e assistência social. O Regime Próprio dos Servidores Federais (RPPS) não entrou na conta.

Ao longo da elaboração do relatório, Arthur Maia foi pressionado por servidores públicos a fazer suavizar as mudanças propostas pelo governo para a categoria. Pelo regime atual, aqueles que ingressaram no serviço público até 2003 têm o direito de se aposentar com o benefício integral e com paridade (ou seja, recebendo os mesmos reajustes de quem está na ativa). A equipe econômica, no entanto, propôs que isso só passasse a ocorrer para quem cumprir a regra da idade mínima de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres.

Os servidores tentaram mudar isso. Maia optou por um meio termo. Será preciso cumprir idade mínima para ter integralidade. Para ter integralidade e paridade, quem está perto de se aposentar, na faixa dos 55 anos, terá um mecanismo de estímulo para aguardar mais 10 anos. Caso contrário, os proventos serão calculados pela média das remunerações ao longo da carreira e não terão mais os reajustes reais dados a quem está na ativa.

“É importante enfatizar que o ajuste fiscal estrutural está mantido e os ganhos sociais estão preservados”, conclui a nota da Fazenda.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Taxa de juros do cartão de crédito volta a subir em março

A taxa de juros no rotativo do cartão de crédito voltou a subir em março, mesmo com a expectativa pela entrada em vigor no mês de abril das novas regras dos cartões de crédito, que proíbem que alguém fique mais que 30 dias no rotativo. A média das taxas cobradas pelas instituições financeiras no crédito rotativo subiu de 487,8% ao ano para 490,3% ao ano em março, segundo os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central.

Já o crédito parcelado — apresentado pelo governo como opção para fugir dos juros altos do rotativo — caiu de 163,5% para 158,5%.

Os dados do Banco Central mostraram que os juros para o crédito pessoal de pessoas físicas recuaram, enquanto no cheque especial registrou-se alta das taxas. Em março, o juro de crédito pessoal ficou em 52,4% ao ano, abaixo dos 54,1% de fevereiro. Já no cheque especial a taxa avançou de 327% ao ano em fevereiro para 328% ao ano em março.

QUEDA MAIS LENTA DO CRÉDITO

Após dois meses de alta, o saldo das operações de crédito voltou a subir na comparação ao mês anterior. Na passagem de fevereiro para março, a variação foi de 0,2%, para R$ 3,076 trilhões. Ao mesmo tempo, o recuo frente ao ano anterior tem sido em ritmo mais lento. Em março, o resultado foi 2,7% menor que em igual mês de 2016. Em fevereiro, essa queda tinha sido de 3,5%.

Em relatório, o chefe de pesquisa econômica do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos, destacou o desempenho ainda negativo do crédito, mas ressaltou a desaceleração das taxas.

“Esperamos que as condições de crédito se mantenham de alguma forma exigentes, mas vão começar gradualmente a acalmar na margem, com o apoio dos sinais de estabilização econômica e o ciclo de redução de juros em curso pelo Banco Central. No entanto, a dinâmica de um mercado de trabalho fraco e os ainda elevados níveis de dívida das famílias vai provavelmente limitar tanto a oferta quanto a demanda por crédito”, diz Ramos no texto.

No mês, a inadimplência de pessoas físicas — no segmento de recursos livres — se manteve em 5,9% na passagem entre fevereiro e março.

ROTATIVO DO CARTÃO DE CRÉDITO

Em janeiro, o governo anunciou uma medida para combater o alto custo do crédito rotativo. O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu restringir o uso dessa modalidade de financiamento para apenas 30 dias. Desde 3 de abril o brasileiro não pode mais ficar indefinidamente pendurado no rotativo. Pela nova regra, o cliente que não pagar toda a fatura no seu vencimento, tem de liquidar a dívida na fatura seguinte.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Após encostar em R$ 3,21, dólar perde força e fecha em R$ 3,17

O dólar comercial subiu pelo segundo dia consecutivo nesta quarta-feira, avançando 0,66% frente ao real, cotado a R$ 3,173 para venda. Assim como na véspera, o câmbio local seguiu o comportamento da divisa americana em escala global, que avançou com a expectativa sobre o plano que o governo dos Estados Unidos apresentou hoje para reduzir o imposto corporativo de 35% para 15%. Espera-se que o plano estimule a economia do país, sugerindo que uma elevação de juros mais intensa será necessária — o que tende a puxar o dólar para cima. Mas a valorização perdeu fôlego ao longo do dia — chegou a saltar 1,81%, batendo R$ 3,209, maior valor durante uma sessão desde 9 de março — porque os investidores constataram que poucos detalhes ficaram claros quando o plano de Trump foi finalmente revelado, à tarde. Na Bolsa, o índice de referência Ibovespa teve dia volátil e acabou recuando 0,43%, aos 64.861 pontos, primeira queda e três pregões.

— A redução dos impostos pelo governo Trump está, de fato, favorecendo a moeda dos EUA em escala global. Aqui, tem questões domésticas influenciando. O mercado está bastante receoso com relação à greve geral que está prevista para sexta-feira, que parece estar ganhando corpo. Outra coisa é a expectativa com relação ao placar da votação da reforma trabalhista. Os investidores acreditam que ela passará, mas será importante saber a quantidade de votos —disse Paulo Petrassi, da Leme Investimentos.

Há também uma influência que se explica pela estratégia dos investidores, observou ele:

— Está havendo um movimento de procura por dólar como forma de hedge (proteção) de outros ativos, sobretudo os juros. Isso porque entende-se que, se o cenário externo ficar tranquilo, o BC terá espaço para cortar mais a taxa Selic, o que traria valorização para muitos ativos. Caso o cenário fique estressado, isso pode não ocorrer, mas aí o dólar subirá e compensará os investidores que apostaram nele.

Fernando Oliveira, diretor de câmbio da Abrão Filho Câmbio e Capitais Internacionais, lembrou também que a instabilidade política em Brasília teve forte influência na sessão desta quarta:

“O mercado se mostra um pouco mais “nervoso”, principalmente devido à incerteza sobre aprovação da reforma da Previdência, ou com a qualidade desta aprovação, ainda mais com a derrota do Governo no Congresso hoje, referente ao socorro aos estados endividados. Esta incerteza na parte política, ou seja, se o governo terá capacidade de aprovar uma reforma da previdência que realmente mude a trajetória do rombo fiscal e por consequência da trajetória da dívida brasileira”, explicou em nota.

Na agenda doméstica, o principal evento no radar era a votação, no plenário da Câmara, do projeto de lei que modifica as relações de trabalho. O substitutivo do relator Rogério Marinho (PSDB-RN) foi aprovado, ontem, na comissão especial que analisou o tema na Casa, por 27 votos favoráveis e dez contrários. A expectativa é que a tramitação da matéria pelos deputados seja concluída ainda esta semana, seguindo para o Senado.

— Além da questão externa, sobre a tributação nos EUA, que foi muito importante no pregão, a Bolsa “corrige” (cai, após sequência de altas) em um contexto de verdadeira confusão política. O governo Temer está pendurado nessas reformas, nas quais já cedeu muito. A verdade é que ninguém sabe o que vai acontecer nos próximos dias, meses nem em 2018, o que gera muita incerteza afirmou Alexandre Espírito Santo, da Órama.

No Ibovespa, as principais influências negativas foram os papéis de Vale, que registrou queda de 2,19% (ON) E 1,98% (PNA), e a Petrobras, que recuou 1,77% (ON) e 2,37% (PNA).

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Contas externas registram superávit de US$ 1,4 bi em março, o melhor resultado em 12 anos

As contas externas do país fecharam março no azul pela primeira vez em quase um ano. As chamadas transações correntes – resultado de todas as trocas de serviços do comércio do Brasil com o resto do mundo – apresentaram superávit de US$ 1,4 bilhão por causa do efeito da alta de preços de commodities. Foi o melhor desempenho para meses de março desde 2005.

De acordo com os dados divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central, nos 12 meses encerrados em março, as transações correntes registraram um resultado negativo de US$ 20,6 bilhões. Isso representa 1,10% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país).

A balança comercial mais forte por causa da alta das commodities suprimiu os efeitos de alta de despesas como, por exemplo, as viagens internacionais. Os gastos de turistas brasileiros no exterior subiram 19%. Somente no mês passado, eles deixaram US$ 1,5 bilhão.

Outra conta que ficou no vermelho foi a de aluguel de equipamentos. O déficit foi de US$1,6 bilhão em março: redução de 8,5% comparativamente ao mesmo mês do ano anterior. Isso é considerado pelos economistas um mau sinal, já que isso representa menos atividade no país.

Os investimentos estrangeiros no Brasil, por sua vez, aumentaram 28% em março. Entraram no país US$7,1 bilhões. O destaque foi o ingresso de US$4,2 bilhões na modalidade participação no capital. Ou seja, os estrangeiros estão comprando ações de empresas brasileiras que estão baratas.

Nos últimos 12 meses, entraram no Brasil US$ 85,9 bilhões. Isso equivale a 4,62% do PIB.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior

Concessões do governo na Previdência levam a aumento de juros de longo prazo

Embora a inflação tenha feito sua parte, caindo a ponto de permitir ao Banco Central acelerar o corte de juros, os investidores estão preocupados com as concessões do governo na reforma da Previdência e já esperam taxas mais altas no longo prazo. Os contratos DI, de juros futuros, com vencimentos mais longos, como 2021 e 2023, registraram aumento em suas taxas nas últimas semanas. Esses papéis refletem a estimativa do mercado financeiro para a média do CDI (que acompanha de perto os juros básicos da Selic) de hoje até o vencimento e são um referencial importante para uma série de investimentos. Taxas maiores significam custo maior para crédito e financiamento de projetos de longo prazo e, logo, tendem a dificultar o desempenho do PIB. De acordo com especialistas, a volatilidade recente desses contratos representam um alerta para quão sensível, aos olhos do mercado, a reforma da Previdência será para a trajetória econômica do país daqui para frente.

O DI com vencimento em janeiro de 2021 chegou a 9,81% ao ano em 4 de abril mas acabou saltando para 10% poucos dias depois e ficando em 9,91% no fechando de segunda-feira. O DI para janeiro de 2023 ficou em 10,01% no início do mês e agora está em 10,19%. O comportamento dessas taxas longas contrastam com o dos mais curtos. O DI que vence em janeiro do ano que vem caiu de 9,87% para 9,49% este mês, enquanto o 2019 recuou de 9,5% para 9.34% Atualmente, a taxa básica de juros Selic está em 11,25% ao ano.

— Os vencimentos mais curtos estão fechando (caindo) por causa da expectativa de um corte mais forte da Selic no futuro iminente. Existe a possibilidade de o BC começar a diminuir os juros em 1,25 ponto percentual a partir da próxima reunião. A última ata do Copom incluiu um parágrafo para falar justamente disso — explicou Patricia Pereira, gestora de renda fixa da Mongeral Aegon, ponderando: — Já nos vencimentos mais longos, o que vemos é a consequência de uma reforma da Previdência que está cada vez mais desidratada.

‘SURPRESINHAS’ DESAGRADÁVEIS PARA O MERCADO

Segundo Patrícia, embora os investidores sempre souberam que o texto da reforma não seria aprovado sem alterações, o governo está aceitando mudanças naquilo que chamava de “espinha dorsal” do projeto, como a idade mínima, a igualdade entre homens e mulheres e as regras de transição. Ela citou também mudanças apresentadas como “surpresinhas” pelo relator Arthur Maia (PPS-BA), como a redução da idade mínima para mulheres que são trabalhadoras rurais para 57 anos e a flexibilização no caso dos servidores federais.

— Uma reforma mais desidratada significa que teremos juros estruturais maiores no futuro. O mercado acha que o texto que vai passar vai representar uma economia fiscal entre 60% e 65% da proposta original. Só que os investidores achavam que o resultado seria melhor que esse e de aprovação mais fácil, talvez convencidos pelo bom desempenho da PEC do teto de gastos no ano passado. Por isso os juros longos estão dando esse sinal — afirmou. — O governo já está admitindo que uma outra reforma será necessária no futuro, enquanto, lá atrás, o ministro Meirelles falava que era melhor não ter reforma alguma do que uma reforma frouxa. Parece que o governo já está jogando a toalha nesse ponto.

Comportamento dos juros com vencimento em 2023 nas últimas semanas – Bloomberg
Paulo Gomes, economista da Azimut Brasil Wealth Management, observa que a elevação dos juros no longo prazo prejudica sobretudo as empresas que precisam de crédito mas não têm acesso a taxas subsidiadas, como as do BNDES, nem têm perfil para emitirem debêntures incentivadas que, oferecendo isenção de imposto ao investidor, acabam tendo juros menores para o emissor.

— A reforma da Previdência impacta muito pouco ou quase nada o curto prazo mas é crucial nos anos pela frente. Aos olhos do mercado, a Previdência continua uma bomba relógio. Estamos tirando um pouco de pólvora dessa bomba, mas ela continua armada — criticou.

IMPACTO NOS TÍTULOS DO TESOURO

Patricia Pereira, da Mongeral Aegon, pondera que, apesar da alta recente dos juros longos, essas taxas despencaram nos últimos 12 meses. O DI 2021, por exemplo, estava em 12,75% e agora está abaixo de 10%. De acordo com ela, o motivo foi, sobretudo, a mudança de governo após o impeachment, uma nova equipe econômica que conta com maior credibilidade junto ao mercado financeiro. Mas a expectativa de reformas também foi fator crucial nesse movimento.

— Para a economia, não adianta nada o juro curto fechar (cair). O que importa é o longo, porque é ele que precifica os investimentos de longo prazo e a tomada de crédito — disse Paulo Petrassi, gestor de renda fixa da Leme Investimentos.

Para o investidor, os juros futuros mais estressados no longo prazo mexem diretamente com o preço dos títulos do Tesouro. Quando eles sobem, os papéis pré-fixados e indexados à inflação tendem a perder valor. Patricia Pereira lembra que, como a queda no último ano foi muito intensa, a maioria dos investidores já estava posicionado e não deve ser impactado pela turbulência recente. Mas quem chegou atrasado pode ser prejudicado pela volatilidade. O IMA-B 5+, índice da Anbima que mede o desempenho dos títulos indexados à inflação com prazo acima de cinco anos, registrou perda de 0,36% no mês.

— Os pré-fixados e os indexados mais longos são prejudicados. Por isso recomendamos a quem aplica nesses prazos não contar com o dinheiro antes do vencimento, porque eles estão sujeitos a muita volatilidade. Quem não tolera esse risco deve aplicar em títulos que seguem a Selic, que não têm qualquer risco de perda — disse Paulo Petrassi, da Leme.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior

Bolsa passa a seguir exterior e fecha em alta de 1,2%; dólar sobe a R$ 3,15

O dólar comercial subiu 0,79% contra o real nesta terça-feira, a R$ 3,152, acompanhando o desempenho da moeda americana no exterior. Na máxima, ela atingiu R$ 3,170. Os investidores operaram com cautela, à espera do anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira, sobre seu plano de reduzir a carga tributária para famílias e empresas (nesse caso, reduzindo o nível para 15%). Na Bolsa, o índice de referência Ibovespa caía pela manhã mas passou a registrar alta após Wall Street abrir com mais um pregão de forte valorização e a tensão política no cenário doméstico se reduzir. O índice fechou subindo 1,17%, aos 65.148 pontos, terceira alta consecutiva.

Na segunda-feira, após o candidato centrista à presidência francesa, Emmanuel Macron, ter encerrado o primeiro turno na liderança, o otimismo já havia sido generalizado. No Brasil, o índice Ibovespa fechara em alta de 0,98%, aos 64.389 pontos, e o dólar comercial registrou desvalorização de 1,01% ante o real, cotado a R$ 3,127.

Hoje, na agenda doméstica estava a votação em comissão especial do projeto de reforma trabalhista, que tramita em regime de urgência. Amanhã, o texto será apreciado no plenário da Câmara. As incertezas sobre sua aprovação cresceram depois de ontem, quando, por 20 votos a 7, a Executiva Nacional do PSB ratificou posição do partido contra a reforma. A legenda também pode fechar questão contra as reformas da previdência e política. Ainda não há um posicionamento sobre um possível rompimento do PSB com o governo.

— O dia começou tenso, depois da decisão do PSB. Existia o temor de que outros partidos fariam o mesmo. Mas essa questão foi se dissipando ao longo da tarde. Com o alívio da tensão política, o Brasil embarcou no otimismo global com a dianteira do Macro e com o plano de corte de impostos que o Trump vai anunciar — explicou Pablo Spyer, da Mirae Asset.

Para Ricardo Zeno, sócio-diretor da AZ Investimentos, o imbróglio das negociações das reforma atrapalham, o que garante que a volatilidade continuará grande na Bolsa.

WALL STREET OPERANDO NAS MÁXIMAS

Na Europa, as Bolsas seguiram em alta após a euforia da véspera com o resultado do primeiro turno francês. O índice de referência em Paris, o CAC 40, subiu 0,17%, após disparar 4,14% na véspera, seu maior salto desde agosto de 2015. O índice do continente, Euro Stoxx 50, avançou 0,16%, enquanto a Bolsa de Londres subiu 0,15%, e Frankfurt, 0,10%.

Em Wall Street, o índice Dow Jones fechou próximo ao seu recorde histórico, subindo 1,12% impulsionado pelos bons resultados trimestrais divulgados pela firma de máquinas e equipamentos Caterpillar e pela rede de restaurantes fast-food McDonald’s. O S&P 500 avançou 0,61%, e a Nasdaq, 0,7%.

Na B3 (antiga Bovespa), a Vale subiu 3,28% (ON) e 3,8% (PNA), a despeito da queda de 0,69% do minério de ferro no mercado chinês, a US$ 66,07. A companhia divulga resultado na quinta-feira. A Petrobras avançou 2,02% nas ações ON, e 2,21% nas preferenciais.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior

Balança comercial fecha 3º semana de abril com superávit de US$ 5,18 bi

A balança comercial brasileira fechou a terceira semana de abril com superávit de de R$ 5,18 bilhões, resultado de US$ 13,07 bilhões em exportações e de US$ 7,88 bilhões em importações. No ano, as exportações totalizam US$ 63,540 bilhões e as importações, US$ 43,93 bilhões, com saldo positivo de US$ 19,6 bilhões.

Comparadas as médias de exportações até a terceira semana de abril com o mesmo período de abril do ano passado, houve crescimento de 30,9%, em virtude do aumento nas vendas de três categorias de produtos: semimanufaturados (32,7%), básicos ( 30,7%) e manufaturado (30,3%).

Nas importações, a média diária até a terceira semana de abril, de US$ 606,8 milhões, ficou 15,5% acima da média do mesmo periodo de 2016. Cresceram principalmente os gastos com combustíveis e lubrificantes (51,2%), equipamentos elétricos e eletrônicos (46,6%) e plásticos e obras (29%).

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior