Monthly Archive: February 2017

Dólar cai a R$ 3,058, menor valor desde junho de 2015; Vale puxa Bolsa para baixo

A queda das ações da Vale em dia de divulgação de resultados e minério em baixa puxou para baixo a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta quinta-feira. Depois de operar em alta durante a manhã e superar os 69 mil pontos, o índice de referência Ibovespa caiu 1,64%, aos 67.461 pontos. No câmbio, o dólar comercial caiu 0,42%, valendo R$ 3,058 para venda. É o menor valor desde 17 de junho de 2015. O câmbio caiu 0,34% em escala global hoje, depois de o secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, afirmar que os efeitos dos estímulos fiscais do governo Trump na economia serão ainda limitados em 2017.

Na noite de quarta-feira, o Banco Central decidiu manter o ritmo acelerado de redução da taxa básica de juros da economia e cortou a Selic de 13% para 12,25% ao ano. A queda de 0,75 ponto percentual já era esperada pelo mercado e ocorre pela segunda vez consecutiva. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou os juros básicos de 13,75% para 13%. A decisão ocorreu por unanimidade. No comunicado divulgado, o BC afirma que o cenário atual indica uma “hipótese de trajetória de juros que alcança 9,5%” no fim de 2017 e 9% em 2018.

Para quem tem viagem marcada e se prepara para comprar dólares, é benéfico tomar algumas atitudes. Por exemplo: ter uma reserva disponível para quando for necessário. Isso porque, como nunca se sabe quando o preço das divisas vai cair, é melhor já estar preparado.

Na Bolsa, as ações da Vale começaram a cair logo após a abertura, depois da divulgação do seu balanço trimestral. Pouco depois, porém, durante a teleconferência com analistas para discutir os números, os papéis retomaram a trajetória de alta. No início da tarde, entretanto, passaram a cair, com a desvalorização de 3,14% do minério de ferro na China, a US$ 91,34. No fim do pregão, a ação ordinária (ON, com voto) recuou 4,38%, enquanto que a preferencial (PNA, sem voto) teve baixa de 4,15%.

— No momento em que terminou a conferência da Vale, saíram algumas informações lá fora dando conta de que Trump poderia postergar em um ano o programa de incentivo à infraestrutura. Isso trouxe aversão a risco, e pegou commodities com força, sobretudo o minério de ferro — disse Adeodato Volpi Netto, da Eleven Financial Research.

A mineradora voltou ao azul e teve lucro líquido de R$ 13,3 bilhões em 2016 . No ano anterior, registrara o maior prejuízo de sua história: R$ 44 bilhões, devido a baixas contábeis. Contribuíram para o resultado de 2016 o aumento do preço do minério de ferro e de outras commodities metálicas, bem como o maior volume de vendas. No quarto trimestre, a Vale teve lucro líquido de R$ 1,573 bilhão, frente a prejuízo de R$ 33,154 bilhões no quarto trimestre de 2015. A expectativa de analistas de bancos era que o resultado ficasse em torno de R$ 5,4 bilhões.

Os bancos também tiveram desempenho negativo. O Itaú Unibanco caiu 1,52%, enquanto que o Bradesco teve baixa de 1,52%. O Banco do Brasil caiu 2,17%.

A Petrobras ON teve baixa de 0,72%, enquanto que a PN recuou 0,89%.

As ações da PDG Realty, que ajuizou ontem pedido de recuperação judicial que abarca uma dívida de R$ 7,8 bilhões, despencaram 30,56%, para R$ 2,00. Ontem, o papel já havia tombado 10,84%.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior

CNI pede que governo não olhe só a inflação ao avaliar o câmbio

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou estar preocupada com a taxa de câmbio e pediu ao governo para que adote mecanismos que evitem a volatilidade excessiva e a valorização permanente do Real. Segundo a entidade, esse cenário prejudica a indústria nacional e se torna um obstáculo ao crescimento da economia brasileira.

No documento, a CNI pede providências ao governo. A entidade reconhece que é difícil alterar a tendência dos movimentos cambiais globais. Porém, avalia ser possível atuar para evitar flutuações excessivas na taxa de câmbio que têm origem no mercado doméstico e mundial.

“No curto prazo, é indispensável adotar mecanismos que evitem a valorização permanente da moeda brasileira”, destaca a CNI no comunicado. É fundamental que os formuladores de política tenham em mente os efeitos da valorização cambial não só na inflação como no restante da economia, em especial na indústria”.

Segundo a entidade, nos dois primeiros meses de 2017 houve uma queda adicional de 7,2% no preço do dólar, acumulando uma redução de 23% desde janeiro do ano passado. Para a entidade, é possível atuar para evitar flutuações excessivas na taxa de câmbio originadas do mercado doméstico e mundial e, principalmente, coordenar as políticas domésticas para minimizar os efeitos indesejados sobre a taxa de câmbio.

“A vigência de uma política monetária muito restritiva, em função da permanência de déficits fiscais elevados, provoca a ocorrência de taxas de juros brasileiras muito acima das taxas internacionais. O diferencial de juros atrai recursos externos que fomentam uma valorização da moeda brasileira não fundamentada nos fatores reais de custo e competitividade. A convergência da inflação para a meta permite, e justifica, a redução desse diferencial, com queda mais pronunciada dos juros domésticos”. diz um trecho do documento.

No comunicado, a CNI adverte que, ao tornar os bens importados mais baratos, sobrevalorizações cambiais excessivas e prolongadas reduzem a lucratividade da produção e do investimento em setores de bens comercializáveis (que são transacionados internacionalmente). Ao mesmo tempo, o preço de não-comercializáveis fica artificialmente mais elevado.

“Como setores de bens comercializáveis são, tradicionalmente, setores que tendem a ter maior capacidade inovadora, maior agregação de valor e maior nível de produtividade, a valorização provoca a transferência de mão-de-obra de setores de baixa produtividade para os de alta produtividade, com impacto negativo no nível de produtividade geral da economia”, diz o documento.

A explicação dos técnicos para esse temor é a seguinte: como as operações de comércio exterior têm prazos longos, negócios de exportação realizados há seis meses, com uma determinada taxa de câmbio, têm seu fechamento financeiro afetado quando a taxa de câmbio sofre valorização brusca e excessiva. De forma geral, a consequência é o prejuízo.

“O nível da taxa de câmbio é uma variável fundamental no processo de desenvolvimento econômico, pois alterações na taxa de câmbio podem provocar importantes efeitos sobre a estrutura produtiva e de emprego do País. Seu comportamento reflete diretamente na competitividade da indústria, pois sua valorização torna os produtos estrangeiros mais competitivos frente aos nacionais, seja no mercado doméstico, seja no exterior”.

De acordo com a entidade empresarial, além da valorização cambial em si, a volatilidade do câmbio também é bastante negativa. Sondagem realizada pela CNI coloca a instabilidade da taxa de câmbio entre os principais problemas enfrentados pela indústria em 2016.

“A instabilidade dificulta a formação de preços, as decisões de investimento e de produção das empresas industriais”.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior

BC altera regra para cobrança de juros sobre atrasos por bancos

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou uma nova resolução que muda a forma como os bancos poderão cobrar multas e juros dos clientes que atrasarem pagamentos. As instituições financeiras não poderão mais cobrar a “comissão de permanência”, uma taxa que pode ser calculada pelo banco utilizando as taxas estabelecidas no contrato ou a taxa de mercado do dia do pagamento, a critério da instituição. A mudança valerá a partir de setembro.

Segundo a nota publicada pelo Banco Central, a partir de 1º de setembro, o banco poderá cobrar juros remuneratórios por dia de atraso, que serão obrigatoriamente calculados pela taxa pactuada em contrato; multa e juros de mora.

De acordo com a chefe-adjunta do departamento de regulação do sistema financeiro, Paula Esther Leitão, a mudança aprimora a regra para deixá-la mais clara para os clientes. Além disso, evita que alguns bancos realizem dupla cobrança dos consumidores:

— O objetivo é tornar regras mais claras. Algumas instituições tinham uma acumulação da cobrança da taxa do contrato mais a comissão de permanência. Deixamos agora de forma mais direta.

Para Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor do departamento de pesquisas econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), a decisão do CMN é bastante positiva para o consumidor. Em sua avaliação, essa decisão até demorou para ser tomada, dados os abusos que ocorrem.

— É positiva a decisão do CMN e até demorou. Os bancos cobram os chamados juros de mora, além de multa, cada um a seu critério. Em alguns casos, os juros eram de até 18%, 20% ao mês. Se a dívida em atraso era repassada a um escritório de cobrança, por exemplo, até estes honorários iam parar na conta do cliente, que, se não pagasse, ficava com o nome sujo — diz Ribeiro de Oliveira, completando: — Agora, ao estabelecer critérios, o CMN determina que os bancos só poderão cobrar os juros definidos em contrato. E, se o cliente se sentir lesado e for reclamar no Procon de cobrança abusiva, o órgão tem parâmetros para punir as instituições que desrespeitarem as regras.

O consumidor deve observar se há desconto na sua conta corrente de valor correspondente ao da parcela do crédito consignado.Se o banco tiver feito o desconto do valor em conta, o cliente tem direito de pedir que o valor em dobro seja depositado, com base no Código de Defesa do Consumidor. Outra opção, diz o promotor Pedro Rubim, é comunicar a fonte

Segundo o diretor da Anefac, muito provavelmente a decisão do Banco Central de regulamentar essas práticas tenha sido motivada pelo aumento das reclamações de correntistas contra cobranças abusivas dos bancos. Ele afirma ainda que o prazo de início das novas regras, no próximo mês de setembro, é razoável para que as instituições se adaptem. E também para que o cliente tome ciência dos juros e da multa, definida em contrato, que terá que pagar se ficar em atraso.

QUEDA DO DÓLAR PUXA RESULTADO DO BC PRA BAIXO

O Banco Central também divulgou o balanço da autarquia no ano passado. Em 2016, o BC apurou um resultado negativo de R$ 9,5 bilhões, ante um resultado positivo de R$ 76,7 bilhões em 2015. Isso aconteceu sobretudo por conta da forte apreciação do real frente ao dólar. No ano passado, a moeda brasileira teve uma valorização de 16,5%. Isso fez com que as reservas brasileiras, em moeda estrangeira, se desvalorizassem em R$ 324 bilhões.

— Com o câmbio em diferentes direções, no de 2015 trouxe resultado operacional pra cima e no de 2016 ele trouxe o resultado pra baixo — afirmou o técnico do Banco Central, Arthur Andrade.

Por outro lado, esse cenário favoreceu os ganhos com swaps cambiais, que foram de R$ 83 bilhões no ano passado.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior

Em dia de decisão sobre juros, dólar cai a R$ 3,07 e Bolsa recua 0,7%

Em dia de decisão sobre a nova taxa de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), o dólar comercial caiu 0,67% nesta quarta-feira, cotado a R$ 3,071 para venda. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) também teve baixa de 0,67%, perdendo o patamar de 69 mil pontos conquistado na véspera. Fechou aos 68.589 pontos.

Os investidores reagiram ao longo do dia com cautela, à espera do anúncio sobre a taxa Selic, à noite. Na manhã, a principal novidade foi a prévia oficial da inflação, indicador importante para a política de juros.

O IPCA-15, teve alta de 0,54% em fevereiro, pressionado pelos reajustes das mensalidades escolares aplicados no início do ano. O resultado foi divulgado pelo IBGE na manhã desta quarta-feira. Veio acima do previsto por analistas, que projetavam alta de 0,42% para o índice. O IPCA-15 de fevereiro também superou o de janeiro (0,31%) em 0,23 ponto percentual. Mas foi a menor para o mês desde 2012, quando ficou em 0,53%. Em fevereiro de 2016, a taxa foi 1,42%.

— O mercado está realizando um pouco, porque existe uma resistência para o Ibovespa quando ele chega na casa dos 69 mil pontos. A baixa é puxada sobretudo pelos segmentos de commodities. Quanto aos juros, o mercado está precificando mesmo um corte de 0,75 ponto percentual. O IPCA de manhã não veio tão bom quanto os mais otimistas imaginavam, tornando mais difícil o corte de 1 ponto percentual — disse Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença.

O dólar começou a cair em escala global depois que a ata do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), divulgada à tarde, mostrou que os membros da autoridade monetária estão confiantes de que podem elevar as taxas gradualmente, uma vez que a inflação não representa uma ameaça no curto prazo. Contra uma cesta de dez moedas, o dólar cai agora 0,2%.

A Petrobras ON (com voto) caiu 3,26%, enquanto a PN (sem voto), teve baixa de 2,42%, com a queda do petróleo. A Vale teve seu segundo pregão de baixa, caindo 2,39% (ON) e 2,10% (PNA). Entre os bancos, o Itaú Unibanco teve alta de 0,29%, o Bradesco, de 0,65% e o Banco do Brasil, de 0,26%.

As ações da Gerdau caíram 4,10%, depois de o grupo siderúrgico anunciar ter tido prejuízo líquido consolidado ajustado de R$ 205 milhões no quarto trimestre, marcado por redução tanto na produção quanto nas vendas de aço. No mesmo período de 2015, a empresa obtivera perdas de de R$ 41 milhões.

A negociação dos papéis da PDG Realty foi interrompida pela BM&FBovespa ainda pela manhã, depois de a empresa informar que entraria com pedido de recuperação judicial. A Bolsa estava aguardando a divulgação de mais detalhes sobre o processo. Depois de voltar a operar, o papel fechou com queda de 10,84%.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

BC reduz taxa Selic para 12,25% e indica juros de 1 digito no fim do ano

O Banco Central decidiu manter o ritmo acelerado de redução da taxa básica de juros da economia e cortou a Selic de 13% para 12,25% ao ano. A queda de 0,75 ponto percentual já era esperada pelo mercado e ocorre pela segunda vez consecutiva. Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou os juros básicos de 13,75% para 13%.

A decisão ocorreu por unanimidade. No comunicado divulgado, o BC afirma que o cenário atual indica uma “hipótese de trajetória de juros que alcança 9,5%” no fim de 2017 e 9% em 2018. Segundo o Copom, os indicadores considerados mostram “alguns sinais mistos, mas compatíveis com a estabilização da economia no curto prazo”.

“O Copom ressalta que uma possível intensificação do ritmo de flexibilização monetária dependerá da estimativa da extensão do ciclo, mas, também, da evolução da atividade econômica, dos demais fatores de risco e das projeções e expectativas de inflação”, diz o comunicado.

O Banco Central analisa que haverá um retomada gradual da atividade econômica esse ano. Na avaliação do Copom, o ambiente externo é incerto, mas a atividade econômica é mais forte e há um impacto positivo nos preços das commodities, com consequência na economia brasileira. O BC também analisa que o comportamento da inflação “permanece favorável” e mais difundido, indicando arrefecimento dos preços em componentes mais sensíveis ao ciclo econômico.

O comunicado cita a desinflação dos preços de alimentos como um fator que pode ter efeitos secundários e contribuir para a queda do IPCA. As projeções do BC para inflação recuaram para 4,2% em 2017 e 4,5% em 2018.

MENOR PATAMAR EM DOIS ANOS

Com o novo corte, a Selic tem o menor patamar em dois anos: a última vez em que os juros básicos estiveram em 12,25% foi em janeiro de 2015. O ciclo de quedas vem ocorrendo desde agosto do ano passado, quando o Copom decidiu cortar a taxa de 14,25% para 14%. Isso porque a inflação tem arrefecido e o Banco Central está convicto de que consegue entregar, neste ano, um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,5%, o centro da meta estipulada. Contribui para esse cenário uma atividade econômica fraca, que impacta a inflação. No cenário de referência utilizado pelo BC, o IPCA já chega a 4% este ano.

Na ata de sua última reunião, em janeiro, o Copom já havia sinalizado que há um cenário econômico favorável para “uma antecipação do ciclo de queda dos juros”. Durante o fórum econômico de Davos, na Suíça, o próprio presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse que as quedas de 0,75 ponte são “o novo ritmo” de queda da Selic.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

ANÁLISE: Aumento de arrecadação ainda não é prova de recuperação da economia

Um dia depois de o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, declarar que a recessão acabou e que a economia voltou a crescer, a Receita Federal informou nesta quarta-feira que a arrecadação federal começou 2017 em alta. O total recolhido com impostos e contribuições em janeiro somou R$ 137,4 bilhões — um crescimento real de 0,79% sobre 2016. Isso, no entanto, não é prova concreta de que as receitas já estejam mostrando uma recuperação do Produto Interno Bruto (PIB).

Um dos motivos para isso é que a arrecadação de janeiro é impactada por fatores sazonais. Os impostos pagos no primeiro mês do ano são relativos a fatos geradores ocorridos em dezembro, quando a população recebe o décimo terceiro salário e as vendas do comércio se aquecem. Assim, tradicionalmente, as receitas costumam ser mais altas, o que não necessariamente se sustenta nos meses seguintes.

No relatório da arrecadação de janeiro, a Receita destaca que, no último mês do ano passado, a produção industrial caiu 0,1% em relação ao mesmo período em 2016. Já as vendas de bens tiveram retração de 6,75%, enquanto as de serviços baixaram 5,72%. A massa salarial, por sua vez, subiu apenas 1,95% no mesmo período.

Até mesmo os técnicos da Receita são cautelosos na hora de avaliar o comportamento da arrecadação de janeiro. Segundo eles, só será possível fazer uma análise mais segura dos dados a partir de abril de 2017. O principal motivo é que as empresas fazem o acerto de contas com o Leão sobre seus lucros nos três primeiros meses do ano. Esse sim seria um indicador real de que a economia voltou a crescer de forma sustentada.

Outro fator que precisa ser observado por quem usa a arrecadação como um indicador do PIB é a chamada elasticidade, ou seja, a correlação entre a atividade econômica e as receitas arrecadadas. Cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI) – órgão criado pelo Senado para monitorar as contas públicas – apontam que essa elasticidade diminuiu nos últimos anos. Ou seja, a capacidade do PIB de puxar a arrecadação para cima ficou menor.

Enquanto a elasticidade da receita-PIB ficou em 1,6 no período de 1997 a 2016, o período de 2012 a 2016 aponta uma elasticidade abaixo de 1. Isso significa que mesmo quando a economia estiver crescendo num ritmo mais forte, as receitas podem não reagir na mesma intensidade.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

‘A mensagem é que essa recessão já terminou’, afirma Meirelles

A melhora das perspectivas em relação à economia brasileira — expectativa de inflação e juros em queda, além de sinais de recuperação da produção industrial — levou ontem o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, a afirmar que a recessão acabou e o Brasil entrou na rota do crescimento econômico. Meirelles observou, no entanto, que o país ainda sofre as consequências da crise.

— O Brasil hoje já está crescendo. Isso é muito importante, porque todos nós passamos por um momento muito difícil, quando o Brasil enfrentou a maior recessão de sua História. Mas a mensagem importante é que essa recessão já terminou. Vivemos ainda as consequências dela em muitos aspectos. Ela foi longa, difícil, dura, gerou esse número de desempregados, mas o Brasil já começou a crescer — disse Meirelles, em reunião no Palácio do Planalto com deputados da Comissão Especial da Previdência.

Em dezembro, a produção industrial registrou crescimento de 2,3% frente ao mês anterior. Foi a segunda alta consecutiva. Com relação à inflação, as projeções do mercado financeiro, apuradas pelo boletim Focus, do Banco Central, já apontam o IPCA em 4,43% no fim deste ano, abaixo da meta oficial do governo, de 4,5%. Isso permitirá um corte maior na taxa básica de juros, hoje em 13% ao ano, e a redução da meta de inflação.

Meirelles ressaltou que as medidas de ajuste fiscal, como a fixação de um teto para os gastos públicos, melhoraram a percepção dos investidores nacionais e estrangeiros em relação ao Brasil. Segundo o ministro, a economia entrou em rota de crescimento sustentável. Ele disse ainda que a confiança na retomada econômica do Brasil é “impressionante”:

— A confiança no Brasil, posso descrever como impressionante. Uma série impressionante de medidas tomadas por esse governo, e também pelo Congresso, já colocou o Brasil em outro clima. O Brasil hoje já é visto de forma diferente no mundo inteiro. Muitas vezes até mais positiva do que aqui.

Meirelles e o presidente Michel Temer ressaltaram a importância de reformar o sistema de aposentadorias.

Reforçando o clima positivo, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) atingiu ontem seu maior patamar em quase seis anos. Graças à recuperação dos preços das commodities, o Ibovespa subiu 0,76%, aos 69.052 pontos, a maior pontuação desde 6 de abril de 2011. Já o dólar comercial avançou 0,06%, a R$ 3,092.

As ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Petrobras tiveram valorização de 1,06%, cotadas a R$ 16,09, e as ordinárias (ON, com voto) subiram 0,46%, a R$ 17,16. A alta foi puxada pelo petróleo: o barril do tipo Brent subiu 0,85%, a US$ 56,66.

MEDIDAS DESBUROCRATIZANTES

Para dar seguimento à agenda positiva, o governo prepara um conjunto de medidas desburocratizantes, para melhorar o ambiente de negócios e facilitar o acesso ao crédito para pequenas e médias empresas. A ideia é que o prazo para o fechamento de empresas, por exemplo, caia dos atuais 90 para cinco dias. Isso deve ocorrer com a unificação das obrigações de quatro órgãos: Receita Federal, INSS, Caixa Econômica Federal e Ministério do Trabalho.

Ainda deve sair do papel o portal único de comércio exterior, substituindo o Siscomex. E seria criada a duplicata eletrônica, um tipo de recebível que poderá ser utilizado como garantia de empréstimos por pequenas e médias empresas. Outra medida é a implementação da nota fiscal eletrônica, a exemplo do e-Social. Ela deve entrar em fase de testes em julho.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Prévia oficial da inflação tem alta de 0,54% em fevereiro

A prévia oficial da inflação, o IPCA-15, teve alta de 0,54% em fevereiro, pressionado pelos reajustes das mensalidades escolares aplicados no início do ano. O resultado foi divulgado pelo IBGE na manhã desta quarta-feira. Veio acima do previsto por analistas, que projetavam alta de 0,42% para o índice. O IPCA-15 de fevereiro também superou o de janeiro (0,31%) em 0,23 ponto percentual. Mas foi a menor para o mês desde 2012, quando ficou em 0,53%. Em fevereiro de 2016, a taxa foi 1,42%.

No acumulado dos últimos doze meses, o índice desceu para 5,02% e ficou abaixo dos 5,94% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores, convergindo com as previsões de uma taxa abaixo do centro da meta estabelecida pelo Banco Central (BC), que é de 4,5%.

O grupo educação, com alta de 5,17% e impacto de 0,24 ponto percentual, foi o principal responsável por elevar a taxa do IPCA-15 de 0,31% para 0,54% em fevereiro. Em especial os aumentos nas mensalidades dos cursos regulares, cujos valores subiram 6,94%. Esta alta gerou o maior impacto individual sobre o índice do mês (0,21 ponto percentual). Regionalmente, os cursos regulares tiveram aumentos entre 4,94% (São Paulo) e 10,13% (Salvador). A exceção foi Fortaleza, onde não foi apropriado nenhum aumento, devido à diferença no período de reajuste.

Os alimentos, que haviam registrado alta de 0,28% em janeiro, tiveram deflação de 0,07%, contribuindo para conter o índice do mês. Ainda que os preços do óleo de soja (4,42%), das hortaliças (4%) e de outros produtos tenham se mostrado mais caros de um mês para o outro, vários deles ficaram mais baratos. Alguns se destacaram pelas quedas expressivas, como o feijão-carioca (-14,68%), a batata-inglesa (-7,63%) e o tomate (-6,62%).

Os artigos de vestuário mostraram a menor variação (-0,31%), em razão das liquidações pós festas de fim de ano.

Além do grupo educação, o IPCA-15 foi pressionado pelas tarifas dos ônibus urbanos e intermunicipais, que subiram 3,24% e 3,84%, respectivamente.

A alta de 3,24% nos ônibus urbanos foi consequência de altas em Fortaleza (17,05%), Recife (13,46%), Belém (11,85%), Brasília (7,09%), Belo Horizonte (6,02%), Salvador (5,36%) e Curitiba (5,10%).

Nos ônibus intermunicipais (3,84%), as variações mais elevadas ficaram com o Rio de Janeiro (12,3%), devido ao reajuste médio de 12% em vigor desde 14 de janeiro, Curitiba (6,77%), Belo Horizonte (4,57%) e Salvador (2,47%).

Com o aumento das tarifas dos ônibus, o grupo transportes ficou com variação de 0,66%, apesar da queda de 12,45% nas passagens aéreas.

Esta semana, pela sétima seguida, o mercado reviu para baixo a previsão para a inflação em 2017. Agora, o Boletim Focus — documento do Banco Central que reúne as principais instituições financeiras — espera que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre o ano em 4,43%. Na semana passada, a expectativa era de 4,47%. Para 2018, a expectativa era de 4,47%.

Depois de um 2015 com inflação de dois dígitos, de 10,67%, o IPCA já arrefeceu em 2016, fechando o ano em 6,29%, voltando a ficar abaixo do teto da meta do BC, que é 6,5%. O movimento foi puxado por elevações menores dos preços administrados e dos alimentos.

Para o cálculo do IPCA-15 de fevereiro, os preços foram coletados pelo IBGE entre 13 de janeiro e 13 de fevereiro de 2017 e comparados aos vigentes de 14 de dezembro de 2016 e 12 de janeiro de 2017. Esse indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, diferindo apenas no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Entra em vigor acordo global que deve gerar US$ 1 tri em comércio por ano

O primeiro acordo global negociado desde a criação da Organização Mundial do Comércio (OMC), há 22 anos, entrou em vigor nesta quarta-feira. O Acordo de Facilitação de Comércio (AFC) tem por objetivo agilizar o processamento de mercadorias nas fronteiras, o que permite uma redução dos custos de comércio em 14,3%, em média, na estimativa do diretor-geral do organismo, Roberto Azevêdo. Isso liberaria um fluxo comercial em torno de US$ 1 trilhão no mundo.

— O acordo tem um efeito maior do que a eliminação de todas as barreiras tarifárias no mundo hoje — disse.

O Brasil aderiu ao tratado em março de 2016. Estudos recentes mostram que a implementação de apenas uma das medidas previstas pelo AFC, a Janela Única de Comércio Exterior, reduzirá o prazo médio de exportação de 13 para oito dias, resultando em uma redução de 38,5% nos custos de comércio.

A avaliação da OMC é que os setores que mais deverão se beneficiar são aqueles que dependem de agilidade adicional nas fronteiras. É o caso de produtos perecíveis (alimentos em geral, medicamentos) e produtos sensíveis à mudança de estações (setor de calçados, segmentos da moda).

Empresas que dependem de insumos importados também ganham com a maior agilidade e previsibilidade nas transações comerciais, além da redução de custos nas aduanas. Também ganham empresas integradas em cadeias globais de valor, ou com potencial para participar mais intensamente de fluxos globais de comércio.

Segundo Azevêdo, o AFC abre uma nova fase de reformas que simplificam e desburocratizam o comércio em todo o mundo. Ele relatou ter recebido hoje em Genebra, na Suíça, onde fica a sede do organismo, o aceite de mais de quatro países. Com essas recentes ratificações, são agora 112 os membros da OMC vinculados ao Acordo.

— Esse número supera dois terços dos 164 membros da Organização, o que era necessário para que o AFC entrasse em vigor. Ruanda, Omã, Chade e Jordânia formalizaram seu aceite ao Acordo nesta manhã em Genebra — afirmou.

O Acordo de Facilitação de Comércio, negociado na Conferência Ministerial da OMC em Bali em 2013. Para Azevêdo, ele representa a maior reforma comercial global em décadas.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Bolsa sobe 1,1% com salto da Vale ao maior nível em quase seis anos

O dólar operou com leve baixa nesta segunda-feira, recuando 0,09% e cotado a R$ 3,090 para venda. Nas duas últimas sessões, a moeda se valorizou. A sessão desta segunda é de baixo volume por causa do feriado do Dia do Presidente nos EUA, que fecha os mercados em Wall Street. O dólar chegou a se aproximar da barreira dos R$ 3 nos últimos dias e especialistas não descartem que ele possa ficar abaixo desse nível, mesmo que não se considere uma trajetória sustentável.

No mercado acionário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) avançou 1,16%, aos 68.532 pontos — maior pontuação em quase seis anos. Puxou o pregão o desempenho dos papéis da Vale e de sua acionista Bradespar, que disparam depois de a mineradora ter divulgado novo acordo de acionistas. A Vale ON (ordinária, com voto) subiu 6,93% (R$ 36,43) e a PNA (preferencial, sem voto) avançou 6,17% (R$ 34,24). A Bradespar saltou 16,62%, a R$ 26,59.

O novo acordo de acionistas visa a tornar a Vale uma empresa sem controle definido. Está prevista a conversão voluntária das ações preferenciais classe A (PNA) da Vale em ações ordinárias, na relação de 0,9342 ON por cada PNA da empresa.

— O novo acordo tira um desconto entre as ações da Bradespar e da Vale que vinha se formando ao longo dos últimos anos justamente pelas dúvidas acerca de sua renovação. E o acordo tem coisas muito positivas. O controle pulverizado é interessante porque permite que cada grupo votar de acordo com seu interesse, não como um blocão. Além disso, a governança aumenta, com todas as ações sendo ON e negociadas no Novo Mercado — afirmou Luis Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos.

Segundo ele, no entanto, a valorização desta segunda não é justificada apenas pelo novo acordo de acionistas:

— Isso já estava sendo ventilado há algum tempo. O importante é que estamos tendo uma continuidade da alta do minério que vem impulsionando mineradoras mundo afora.

A Petrobras ON subiu 2,15% (R$ 17,08), e a PN, 1,99% (R$ 15,92), ajudadas pela valorização de 0,54% do barril de petróleo do tipo Brent no mercado internacional (US$ 56,11). Entre os bancos, o Itaú Unibanco subiu 0,47%, o Bradesco avançou 0,4%, o Banco do Brasil avançou 1,61% e o Santander recuou 0,72%.

Na Europa, os pregões operaram com baixo volume, prejudicados pelo feriado americano. Movimentaram os papéis as notícias corporativas. A Unilever caiu 5,15%, por enquanto sua maior queda desde 2008, depois de a Kraft Heinz ter retirado sua proposta de compra de US$ 143 bilhões pela anglo-holandesa. O índice de referência Euro Stoxx 50 subiu apenas 0,11%, enquanto as Bolsas de Londres e Paris ficaram quase estáveis. Em Frankfurt, o pregão avançou 0,6%.

— O preço do minério de ferro não pára de subir. Hoje mesmo, subiu mais de 2% na China. O acordo também deve melhorar a governança da companhia. Com relação ao mercado como um todo, os economistas estão otimistas com o ciclo de afrouxamento dos juros — disse Pablo Spyer, da Mirae Asset, que estão entre a minoria de economistas que aposta em um corte de 1 ponto percentual nos juros (de 13% para 12% ao ano) na reunião desta semana: — Os juros reais estão muito altos, por isso há espaço reduzir a Selic com mais velocidade.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta junior