Monthly Archive: December 2016

Conta inativa com FGTS-Vale e Petrobras poderá ter resgate Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/conta-inativa-com-fgts-vale-petrobras-podera-ter-resgate-20696748#ixzz4U2ZJZq9l © 1996 – 2016. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Os trabalhadores que usaram recursos da conta vinculada do FGTS para comprar ações da Vale e da Petrobras poderão resgatar as aplicações e usar esse dinheiro quando a Caixa Econômica Federal autorizar o saque dos saldos das contas inativas. Isso, no entanto, não valerá para todos. Só conseguirão liberar o valor aqueles que fizeram o investimento com uma conta do Fundo que hoje esteja inativa. Isso se aplica, por exemplo, a quem mudou de emprego, pediu demissão ou foi demitido por justa causa.

Os trabalhadores que fizeram a aplicação e permaneceram, desde então, com o mesmo vínculo empregatício não se enquadram. Ou seja, receberão apenas os recursos da conta inativa, se tiverem saldos.

A Caixa informou que o resgate das ações não é obrigatório e que os cotistas poderão optar por deixar o dinheiro rendendo, pois ele fica apartado, numa conta investimento. Com a crise na economia, as ações das companhias caíram muito nos últimos três anos e ainda não se recuperaram totalmente. Portanto, quem resgatar agora poderá ficar com prejuízo.

INVESTIDOR DEVE PROCURAR BANCO

Para estimular a economia, o governo abriu uma exceção e vai permitir que todos os trabalhadores saquem o saldo total das contas inativas do FGTS. A legislação atual permite a retirada desses recursos somente nas situações em que os cotistas ficam fora do mercado de trabalho.

De acordo com dados da Caixa Econômica Federal, existem 18,6 milhões de contas inativas (muitos trabalhadores têm mais de uma), com saldo total de R$ 41,4 bilhões. Deste total, 16 milhões são de até um salário mínimo (R$ 880,00). A expectativa é que 10,2 milhões de pessoas recebam os recursos dessas contas e injetem R$ 30 bilhões na economia ao longo de 2017.

No início de fevereiro, a Caixa vai divulgar o cronograma do pagamento — que deve seguir a data de aniversário dos trabalhadores. Quem mudou de endereço deve procurar a instituição para atualizar os dados referentes ao FGTS. Os cotistas que investiram na Vale e na Petrobras devem procurar o banco no qual a aplicação foi feita.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Bitcoin passa de inimigo a tecnologia cobiçada

O bitcoin nasceu como uma moeda virtual libertária, com a promessa de subverter o sistema financeiro global. Sete anos depois, a invenção segue sendo uma curiosidade obscura, enquanto instituições financeiras, empresas de pagamento e bancos centrais — isto é, os “inimigos” originais do bitcoin — fazem uma corrida para capturar a tecnologia por trás da criptomoeda. Eles estão de olho no blockchain, um modelo de rede virtual que permite que as transações financeiras aconteçam sem a necessidade de intermediários para validá-las.

Os bancos veem na tecnologia uma oportunidade para reduzir custo, cortar intermediários e oferecer novos serviços. Para bancos centrais como o da Inglaterra e o da China, a tecnologia é um mecanismo importante para redução de fraudes e rastreamento de transações.

O bitcoin é muito diferente do padrão dos bancos. Quando uma pessoa transfere dinheiro para outra hoje, são os bancos que aprovam a transação, checando se o remetente tem aquele montante e se o destinatário possui uma conta para recebê-lo. No caso do bitcoin, não é nenhum banco que aprova a transação, mas os próprios “correntistas”. Por se tratar de uma moeda virtual, os usuários estão conectados por meio de computadores.

Quando alguém envia bitcoins para outro usuário, um código digital é gerado. Nessa hora, os computadores de todos os usuários de bitcoin no mundo começam uma corrida para decifrar aquele código e dizer se ele é válido. Depois disso, o código é acrescentado a um arquivo com o registro de todas as transações já feitas em bitcoin. Os computadores de todos os usuários têm uma cópia desse arquivo, e ele é usado como referência para validar as transações futuras.

80% DOS BANCOS DEVEM INICIAR PROJETOS EM 2017

Por trás de toda essa engenharia está o blockchain, e é graças a ele que o bitcoin consegue viabilizar transações confiáveis, sem a necessidade de instituições verificadoras, mesmo estando fora do alcance de órgãos reguladores. Ao eliminar intermediários, ele permite o corte de custos; por usar toda a rede para confirmar as transações e um arquivo com o registro de todas elas, ele dificulta fraudes.

Paschoal Baptista, sócio da DeLoitte, resume em quatro pontos o interesse do sistema financeiro no blockchain: reduzir custo, diminuir a intermediação, oferecer novos serviços e melhorar a capacidade dos serviços atuais. No caso dos bancos centrais, ele afirma que o objetivo principal é facilitar o processo de auditoria.

— No blockchain, não se pode mexer no registro das transações. Isso permite uma auditoria muito mais rápida e completa. Logo, ele é menos suscetível a fraude e erros — disse. — Até um processo como a apuração do Imposto de Renda pela Receita ficaria muito mais simples, por exemplo.

O Fórum Econômico Mundial está convencido de que será uma peça-chave do sistema financeiro global. Segundo o fórum, mais de US$ 1,4 bilhão já foi investido na tecnologia nos últimos três anos, e 80% dos bancos do planeta devem iniciar projetos com ela em 2017. Já são também mais de 90 bancos centrais discutindo a tecnologia.

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A consultoria McKinsey, por sua vez, calcula que o investimento de venture capital em blockchain foi de US$ 600 milhões entre o fim de 2014 e o terceiro trimestre de 2015. Só os bancos devem investir US$ 400 milhões no ano de 2019 contra US$ 39 milhões em 2014. Os executivos esperam impacto significativo dentro de cinco anos. Nos segmentos de pagamentos e mercados de capitais, o impacto previsto é de até US$ 85 bilhões.

BRADESCO, ITAÚ E BM&F BOVESPA

Três instituições brasileiras entraram este ano para o R3, um consórcio privado com mais de 45 instituições financeiras (incluindo gigantes como JPMorgan Chase, Barclays e Wells Fargo) que trabalha no desenvolvimento de aplicações práticas do blockchain. As brasileiras são Bradesco, Itaú Unibanco e BM&FBovespa. Em fevereiro, o grupo informou ter obtido sucesso em um teste de negociação de ativos digitais em uma rede privada que passava por quatro continentes.

A BM&FBovespa criou um grupo com 16 profissionais de várias diretorias para entender os diversos padrões de blockchain que estão surgindo. Um deles é o Etherium, que possui uma moeda virtual pública que se apresenta como uma alternativa ao blockchain. Por trás dela está a firma de venture capital DAO, e o sistema acabou sendo abalado após recente ataque hacker. Outro modelo emergente é o Corda, desenvolvido pelo R3.

— No modelo do bitcoin, todos os integrantes da rede têm uma cópia completa do registro, embora todas elas sejam criptografadas e não dê para saber a identidade por trás da transação. No mercado de capitais, porém, tem havido uma resistência à possibilidade de todos os participantes terem uma cópia completa desse arquivo — explicou Jochen Mielke de Lima, diretor de Sistemas de negociação da BM&FBovespa.

Essa é a grande questão sobre o uso do blockchain no sistema financeiro. Em Wall Street, proteger informações da concorrência é o segredo do negócio. Assim, o que as instituições financeiras buscam é um sistema em que apenas os dados estritamente necessários sejam compartilhados. Como definiu Lima, um blockchain em que os registros contenham apenas as informações públicas de cada transação (como a assinatura criptográfica que a garante), mas sem detalhes como quem pagou o quê a quem.

MENOR COMPARTILHAMENTO DE DADOS

Esse é um dos objetivos do Corda. Seu site se gaba do fato de a tecnologia “não ter o desnecessário compartilhamento de dados”, afirmando que apenas as partes interessadas terão acesso às informações. Nele, a validação das transações também é feita por um número restrito de participantes — ou seja, o sistema de consenso é diferente do do bitcoin.

Além de utilizar modelos diferentes do bitcoin, o blockchain dos bancos também deve se desdobrar em várias redes, cada uma dedicada a um tipo de serviço, segundo Rony Sakuragui, gerente de Pesquisa e Inovação do Bradesco. Como as regras de cada serviço são muito diversas, pode haver um blockchain apenas para tratar de remessas internacionais, outro para o sistema de pagamentos, e assim por diante.

O Bradesco vem pesquisando o uso do blockchain para prevenção a fraudes. Segundo Sakuragui, a tecnologia permite um compartilhamento mais eficiente de informações sobre irregularidades entre os bancos. A transferência de recursos internacionais é outro ponto de interesse.

— Por meio do sistema Swift (Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais, na sigla em inglês) que se usa hoje, para você fazer uma remessa internacional para um país da Ásia que não tem relacionamento com esse banco, o sistema recorre a bancos intermediários para chegar até ele. Mas você paga um pedágio, e pode ser que a transação não se complete porque o destinatário está, por exemplo, em uma lista negra. Com o blockchain, você chega diretamente àquele banco e tem a confiança de que a transação vai terminar — afirmou Sakuragui. — As contas não estão fechadas. Não dá para responder se sai mesmo mais barato. Mas existe a expectativa de que sim.

O Santander lançou no primeiro semestre do ano passado no Reino Unido um aplicativo em parceria com a fintech Ripple para fazer remessas internacionais por meio de blockchain. Os usuários são funcionários do banco que podem fazer remessas de euro para dólar ou de libra para euro por meio do celular, usando as plataformas da Ripple, Apple Pay e Elavon.

— Aqui no Brasil, temos alguns trabalhos de pilotagem e vamos promover um hackathon (maratona de programação) cujo tema será pagamento e criptomoedas, em São Paulo — disse Richard Flávio da Silva, superintendente executivo de Tecnologia do Santander Brasil.

O Banco Central brasileiro formou em junho um grupo de trabalho para discutir a tecnologia.

— O que vemos é uma tecnologia que pode representar simplificação de processos, redução de custo e até “desintermediação”. Mas, em termos concretos, ainda não avançamos muito. O que a área de tecnologia do BC tem feito são alguns trabalhos para entender a tecnologia, como provas de conceito testadas em ambiente controlado — disse Paula Ester Leitão, chefe adjunta do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do BC. — É incipiente, mas existe muita expectativa de que se trata de uma tecnologia com potencial grande.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Empresas pouco endividadas e conservadoras foram às compras

Empresas que se prepararam para a crise aproveitaram para ir às compras em 2016. Em junho, o Grupo Ultra, dono da rede de postos de combustíveis Ipiranga, adquiriu a concorrente Ale por R$ 2,1 bilhões. Em novembro, foi a vez de a Ultragaz incorporar a Liquigás por R$ 2,8 bilhões.

André Pires, diretor financeiro e de Relações com Investidores da companhia, explica que a estratégia foi investir em mercados já conhecidos. Além de distribuir gás de cozinha (GLP) e combustíveis, o grupo atua nos segmentos de armazenagem para granéis líquidos (Ultracargo), indústria química (Oxiteno) e varejo farmacêutico (Extrafarma).

“Conhecemos bem os mercados de distribuição de combustíveis e GLP, e acreditamos que eles oferecem oportunidades para diferenciação por meio de oferta de serviços. Do ponto de vista financeiro, é importante lembrar que as aquisições serão feitas sem que o Ultra se afaste da solidez financeira que caracteriza historicamente a companhia. Temos uma confortável posição de caixa e acesso aos mercados de capitais”, explicou o executivo, por e-mail.

Outro caso emblemático foi o da gestora de ativos Brookfield. Como o Ultra, a companhia também se beneficiou de outro ativo da Petrobras: em setembro, arrematou 90% da divisão de gasodutos do Sudeste da petroleira por US$ 5,2 bilhões (ou R$ 16,6 bilhões, na cotação da época). Um mês depois, comprou 70% da Odebrecht Ambiental, do segmento de saneamento, por cerca de R$ 2,5 bilhões. Em anos anteriores, a empresa já havia feito outras aquisições importantes, como a compra de ativos de energia da Energisa por R$ 1,4 bilhão, em 2014.

Com as aquisições, a canadense fortalece sua posição no setor de infraestrutura. Antes das aquisições deste ano, a companhia já tinha R$ 7,6 bilhões em ativos no setor. Ao todo, são R$ 40 bilhões investidos no país. Procurada, a Brookfield não comentou.

MENOS FUSÕES EM 2016

Marco Saravalle, analista da XP Investimentos, destaca que ter dinheiro em caixa fez a diferença neste ano.

— Tem uma frase que a gente costuma dizer para resumir isso: cash is king (dinheiro é rei, em português). As empresas que se prepararam para um movimento de mais conservadorismo, uma estrutura de menor alavancagem, viram na crise uma oportunidade de fazer aquisições. No caso do Ultra, por exemplo, a Liquigás, apesar de ter um preço caro, é um negócio que faz sentido para a Ultragaz. Esse conservadorismo abriu oportunidades — explica Saravalle.

Para Rogério Gollo, sócio da área de fusões e aquisições da PwC, o momento também foi favorável para quem tinha dinheiro em caixa para expandir.

— Normalmente, as empresas têm dificuldade em se preparar para a crise. As que tinham estrutura financeira mais saudável têm grandes oportunidades que não teriam em situação normal. É uma chance de comprar excelentes ativos, que talvez se repita a cada oito, dez anos. Tivemos esse cenário em 2008, antes em 2002. Os grupos que têm estrutura financeira para isso conseguem fazer transações muito relevantes — analisa.

Levantamento da PwC mostra como foi mais raro ampliar os negócios em 2016. Até outubro, 490 transações de fusões e aquisições haviam sido fechadas, volume 21% inferior ao registrado no mesmo período. A expectativa para o ano que vem é de melhora, afirma Gollo.

— Nossa expectativa é que haja um aumento de 15% do número de transações, com a economia indo para um patamar normal.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Focus: analistas preveem avanço do PIB de apenas 0,5% em 2017

Os analistas do mercado financeiro consultados semanalmente pelo Banco Central (BC) reduziram pela 10ª vez seguida a previsão para o desempenho da economia no ano que vem. No último relatório divulgado este ano, a expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) avance apenas 0,50% em 2017. Por outro lado, a projeção para a inflação deste ano recuou a 6,40%, dentro do limite estabelecido pelo governo, que é de no máximo 6,50%.

A previsão para o PIB do ano que vem desacelerando com força. E, agora, os analistas preveem que a economia deve avançar apenas 0,50% — e frente a um recuo profundo em 2016, de 3,49%. Na semana anterior, a expectativa era que a economia cresceria 0,58%. Há duas semanas, a previsão era de 0,70% e, há um mês, de 0,98%. Para o PIB de 2016, a projeção da semana passada era de queda de 3,48%, ou seja, houve uma leva piora no número divulgado hoje, de -0,01 ponto percentual.

Já a expectativa para a inflação deste ano melhorou mais uma vez. Depois de, na semana passada, ficar dentro da meta do governo pela primeira vez desde 13 de novembro de 2015, os analistas ajustaram para baixo a previsão. É a sétima semana seguida em que a expectativa para a taxa de inflação deste ano recua. O levantamento anterior previa que o IPCA deste ano ficaria em 6,49%. Já a projeção de hoje ficou em 6,40%.

O ajuste para baixo ocorre após a divulgação da prévia oficial da inflação, o IPCA-15, que desacelerou e ficou em 0,19% em dezembro, após registrar 0,26% em novembro. A taxa, que subiu menos que o esperado por analistas, é a menor para o mês desde 1998, quando ficou em 0,13%. Com isso, o índice fechou o ano em 6,58% — bem abaixo dos 10,71% de 2015.

Em 2015, a inflação oficial estourou em muito a marca tolerada pelo BC, ficando em 10,67%. A meta do governo para este ano é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Para 2017, os analistas preveem no Focus divulgado hoje que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará em 4,85%, um pouco abaixo dos 4,90% registrados na semana passada. O resultado previsto para o ano que vem se aproximando do centro da meta, também de 4,5%. A variação que será tolerada pelo BC em 2017, no entanto, é um pouco menor do que a deste ano, de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

O Focus, de certa forma, acompanha o relatório de inflação divulgado na semana passada pelo BC, que piorou a previsão para o desempenho da economia neste ano de -3,3% para -3,4%. Em relação ao ano que vem, a previsão passou de 1,3% para 0,8% — ainda mais positiva do que a do mercado financeiro. A expectativa de inflação da autarquia passou de 7,3% para 6,5% este ano e foi mantida em 4,4% para 2017.

A projeção da Selic para 2017 mais uma vez foi mantida inalterada, em 10,50%. Há três semanas os analistas mantêm a taxa básica de juros no mesmo patamar. A taxa encerrou este ano em 13,25% ao ano.

A cotação prevista para o dólar ao fim deste ano recuou, passando de R$ 3,38 para R$ 3,37 pela segunda semana consecutiva. Já para o ano que vem, a expectativa é que a moeda americana suba ante o real e seja vendida a R$ 3,50. Na semana passada, a expectativa era de um câmbio de R$ 3,49 em dezembro de 2017.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Só cinco de 50 segmentos ficam no azul em 2016

O ano que muitos querem esquecer foi de sucesso para quem soube ver, na crise, oportunidade para crescer. O grupo dos que se despedem de 2016 no azul é heterogêneo. Inclui desde os que viram o volume de trabalho aumentar por causa dos sintomas da recessão, como escritórios de recuperação judicial, até grandes companhias que se prepararam para o momento difícil, pouparam e aproveitaram oportunidades para expandir os negócios.

Segundo economistas, setores e empresas que tiveram bom desempenho não têm, necessariamente, características em comum. Segmentos exportadores, como o de celulose, aproveitaram o dólar alto para crescer. Outros foram poupados por serem, naturalmente, mais resistentes à crise. Em outros casos, o diferencial foi o perfil mais conservador e o baixo endividamento, que varia de empresa para empresa. De acordo com as três principais pesquisas mensais do IBGE, só cinco atividades — de um total de 50 segmentos dos setores de serviços, comércio e indústria — apresentaram números positivos em produção ou vendas no acumulado do ano até outubro (último dado disponível).

O destaque foi a fabricação de celulose, que avançava, até aquele mês, 2,3%. Houve altas também na indústria de alimentos (1,1%), na fabricação de produtos de madeira (0,3%), nos serviços de tecnologia da informação (0,8%) e no transporte aéreo (0,8%).

— Os setores que já vinham bem, por serem mais resilientes, conseguiram passar imunes pela crise. Além disso, beneficiou-se quem soube navegar, quem se preparou para o pior e não deixou para fazer os ajustes na última hora — avalia Marco Saravalle, analista da XP.

Para analistas, o dólar alto está por trás do desempenho positivo do segmento de celulose. O setor pode fechar o ano com o melhor resultado desde 2010, quando cresceu 4,5%, embalado pelo bom momento da economia à época — naquele ano, o PIB avançou 7,5%.

A economista Tereza Fernandes, diretora da MB Associados, acompanha o setor e avalia que o desempenho deve se repetir em 2017. Ela lembra que há demanda, principalmente, na China:

— O consumo chinês está fazendo com que se consiga colocar no mercado uma quantidade maior de produtos. Nossa fibra curta (usada em papel higiênico, guardanapos, papéis para imprimir) está ganhando espaço no exterior.

Apesar das exceções, Felipe Beraldi, analista da Tendências Consultoria, lembra que os avanços são pequenos diante das perdas da indústria:

— De modo geral, alguns segmentos industriais foram positivamente impactados pela desvalorização do câmbio, mas essa crise bateu muito forte em setores importantes, como construção civil e bens de capital, que sofreram muito.

QUEM SE PREPAROU SAIU NA FRENTE

As histórias de quem viu os lucros aumentarem poderiam, à primeira vista, parecer questão de sorte. Mas, por trás de resultados sólidos durante a crise, pequenos empresários e profissionais liberais relatam uma combinação de fatores que inclui, essencialmente, gestão conservadora, preparativos para uma eventual piora no cenário e busca de oportunidades para lucrar em um ambiente econômico menos favorável.

Foi o caso do Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral (ITC), uma franquia de clínicas de fisioterapia, que fechará o ano com alta de 10% no faturamento, auxiliada pelo alto índice de clientes estressados com a crise.

O fundador da rede, Helder Montenegro, explica que cerca de 25% dos pacientes procuram a clínica por causa de dores nas costas, sintoma relacionado à tensão. O empresário, que é fisioterapeuta, observa que o momento complicado reforça a tendência de maior procura por esse tipo de serviço, embora a alta na demanda ainda não tenha aparecido nas pesquisas.

— Tem relação (com o aumento do estresse). Nesse período, há um estresse maior. Nas cidades grandes, sempre existiu. São pacientes com dores nas costas que somatizam com a crise, perdas e traumas — afirma.

Além de ter atraído mais pacientes, o ITC ampliou o número de franqueados. Só em 2016, sete novas unidades foram abertas. Hoje, são 80, espalhadas por 24 estados. Montenegro atribui o sucesso ao trabalho de prospecção em redes sociais. O esforço foi convencer profissionais da área a desembolsarem R$ 80 mil para abrir uma franquia da marca.

— Fizemos muitos vídeos falando sobre gestão. Trabalhei mais minha imagem como gestor do que como fisioterapeuta. Para o ano que vem, já fechamos a abertura de quatro unidades — conta.

FRANQUIAS TÊM ALTA DE 8,8% NO FATURAMENTO

O negócio surfou na onda de crescimento do setor de franquias. Segundo dados mais recentes da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o faturamento do segmento avançou 8,8% no terceiro trimestre, frente ao mesmo período do ano passado. A receita movimentada chegou a R$ 38,8 bilhões. A expectativa é de alta no balanço fechado.

Segundo o vice-presidente da ABF, Altino Cristofoletti Junior, as franquias oferecem mais segurança e podem ser uma opção para quem perdeu o emprego e resolveu investir no próprio negócio.

— O risco de começar um negócio novo sozinho é muito maior — afirma o executivo, que elenca os setores de bem-estar, saúde e alimentos entre os mais bem-sucedidos.

Foco no essencial: Bridge Consulting oferece consultoria em tecnologia da informação – Guilherme Leporace / Agência O Globo
Em tempos de crise, muitas empresas adotam a busca de eficiência como mantra. É nesse nicho que a Bridge Consulting, consultoria de governança e tecnologia da informação, atua. Criada em 2010 por um grupo de recém-formados da Coppe/UFRJ, a empresa prevê alta de 30% no faturamento. Sócia-diretora da companhia, Carolina Abrantes explica que o segredo para o sucesso foi o foco em áreas consideradas essenciais para os clientes, que podem servir para diferenciá-los dos concorrentes.

— As empresas, em momento de crise, têm restrições de contratação. Elas podem não investir em equipe, mas têm algum recurso para consultoria. Tentamos atuar em processos críticos e entregar resultados que sejam altamente perceptíveis a curto prazo, para que o cliente veja nosso trabalho como essencial para sobreviver — resume.

O advogado Julio Mandel é especializado em recuperação judicial e viu o trabalho aumentar com a crise – Marcos Alves / O Globo
Foi outro sintoma da crise, a inadimplência, que ampliou o mercado para empresas como o Grupo Cercred, especializado em recuperação de crédito. A companhia, que cobra dívidas em nome de grandes bancos e financeiras, ampliou equipe, investiu em tecnologia e criou incentivos para quem bater metas: premia com motocicletas, tablets e smartphones os funcionários que fecham mais acordos. Como resultado, viu o volume de dívidas recuperadas com pessoas físicas crescer 9%.

— Os clientes estão exigindo muito em política de segurança da informação, tecnologia e assertividade. Então, ganhamos mercado com boas políticas implantadas — conta Leonardo Coimbra, sócio-diretor da Cercred.

Em uma recessão como a que o país atravessa, que pode ser a maior em cem anos, muitas empresas sucumbem. O advogado Julio Mandel, sócio da Mandel Advocacia, vive de ajudar quem está lutando para não fechar. Seu escritório, especializado em direito falimentar, multiplicou o volume de trabalho em 2016, quando houve recorde de pedidos de recuperação judicial. Segundo dados da Serasa Experian, 1.718 negócios requereram proteção contra credores, alta de 51,1% frente ao ano passado. Mandel não revela números, mas conta que precisou investir em mais pessoal para dar conta do trabalho. Embora ganhe com o cenário, o advogado destaca que o setor não torce por mais falências.

— O trabalho aumentou, mas o faturamento não cresceu na mesma proporção. Para o escritório, o ideal era que a economia voltasse a melhorar. Quando a crise é forte demais, não é bom para ninguém.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Inflação prevista pelos consumidores fica estável em dezembro

Pelo segundo mês consecutivo, a expectativa mediana dos consumidores brasileiros para a inflação nos próximos 12 meses ficou relativamente estável ao passar de 9,2%, em novembro, para 9,1%, em dezembro. Em dezembro houve um aumento da proporção de consumidores prevendo inflação dentro da banda do regime de metas de inflação (4,5% e 6,5%) nos 12 meses seguintes, de 11,1% para 11,9%.

“Em 2016, a expectativa de inflação dos consumidores para os próximos 12 meses cedeu 1,9 ponto percentual, com uma acomodação nos últimos três meses, acompanhando a desaceleração do IPCA. Este é um resultado esperado, uma vez que a inflação acumulada nos últimos 12 meses é uma das variáveis mais importantes na formação das expectativas dos consumidores. Desta forma, espera-se ainda novas quedas na expectativa de inflação dos consumidores ”, afirmou o economistaPedro Costa Ferreira, da FGV/IBRE.

Entre as diferentes faixas de renda familiar, houve alta das expectativas de inflação somente nas famílias que ganham entre R$ 2.100,01 e R$ 4.800 cujas expectativas passaram de 9,3% para 9,8%. Nas demais faixas, a expectativa de inflação dos consumidores recuou. Para as famílias que ganham até R$ 2.100, a expectativa de inflação baixou de 10% para 9,8%, enquanto que para quem tem renda familiar entre R$ 4.800,01 e R$ 9.600, baixou de 9,3% para 9%. Já para as fam[ilias que recebem acima de R$ 9.600, a expectativa de inflação reduziu de 8,1% para 8%.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Deutsche Bank pagará US$ 7,2 bi para superar crise de hipoteca

O Deutsche Bank pagará sozinho US$ 7,2 bilhões nos Estados Unidos por seu papel durante a crise dos créditos subprime, depois que a ameaça de uma multa recorde provocou grande preocupação nos setores bancário e financeiro mundiais.

O maior banco alemão anunciou na quinta-feira à noite o acordo com o Departamento de Justiça (DoJ) americano para o pagamento de uma multa de US$ 3,1 bilhões, aos quais serão adicionados US$ 4,1 bilhões de compensações aos clientes.

O valor é bem inferior ao inicialmente exigido pelo DoJ, que reclamava US$ 14 bilhões ao Deutsche Bank, acusado de ter vendido com pleno conhecimento de causa entre 2006 e 2008 créditos imobiliários tóxicos convertidos em produtos financeiros (MRBS).

Uma multa deste valor teria criado uma forte inquietação no mundo das finanças. O Deutsche Bank está presente em todas as atividades financeiras ao redor do mundo. Uma crise no banco teria consequências de magnitude inimagináveis em todo o mundo.

O FMI havia considerado há alguns meses que o banco alemão era “uma grande fonte de risco”.

A ameaça de multa voltou a provocar temores sobre a solidez do setor bancário europeu e o medo de uma nova crise financeira como a provocada em 2008 pelo Lehman Brothers.

O banco, que tem sede em Frankfurt, afirmou em setembro que não tinha a intenção de pagar esta quantia, nem um valor aproximado.

Se o Deutsche Bank fosse obrigado a pagar US$ 14 bilhões, a situação teria provocado o retorno do fantasma de uma ampliação de capital ou de um resgate público do banco, que já é obrigado a lidar com uma rentabilidade em queda e uma longa lista de litígios judiciais.

O Deutsche Bank havia reservado US$ 5,5 bilhões para enfrentar os problemas com a Justiça.

O acordo com o DoJ evitará uma ampliação do capital, afirmou George Boubouras, diretor do Contango Asset Management, para quem “trata-se de um alívio para os investidores’.

Mas o banco, envolvido em quase 8 mil processos em todo o mundo, está longe de ver o fim de seus problemas judiciais.

A instituição afirmou que a multa vai será refletida no quarto trimestre em US$ 1,7 bilhão antes dos impostos, ao mesmo tempo que destacou que a resolução do litígio não terá uma influência substancial em seu resultado no conjunto de 2016.

Ao mesmo tempo, o banco suíço Credit Suisse anunciou que vai pagar US$ 5,28 bilhões como parte de um acordo com a Justiça americana, também para encerrar processos relacionados à crise das hipotecas subprime.

Para cobrir as compensações, o segundo maior banco suíço constituirá uma provisão adicional de US$ 2 bilhões, que devem ser acrescentados às reservas já previstas. O valor será contabilizado no quarto trimestre de 2016.

O banco britânico Barclays tem um processo judicial aberto por seu papel na crise dos empréstimos imobiliários tóxicos, anunciou o DoJ. O fato é incomum, já que a maioria dos concorrentes aceitou negociar acordos amistosos para evitar justamente ações na Justiça.

Quatro grandes bancos americanos, JPMorgan Chase, Citigroup, Morgan Stanley e Bank of America, já aceitaram pagar um total de US$ 40 bilhões para encerrar a possibilidade de ações legais relacionadas à crise das subprime.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Com inflação menor, governo busca reduzir crédito subsidiado

Apesar de já terem anunciado uma série de medidas estruturais que mexem no mercado de financiamentos no Brasil, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, orquestram uma mudança que pode ser uma das principais alterações estruturais no crédito no país. Segundo interlocutores da equipe econômica ouvidos pelo GLOBO, eles decidiram aproveitar o momento de queda da inflação para corrigir uma distorção: a grande diferença entre a taxa básica de juros (Selic) e a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). Apesar do recuo na Selic, a TJLP, usada em empréstimos do BNDES, mantém o mesmo nível de janeiro. O objetivo do governo com isso é reduzir o crédito subsidiado. A medida também deve dar mais poder ao BC na hora de controlar a inflação.

Atualmente, o Banco Central tem domínio sobre menos da metade do crédito no Brasil. Isso porque os recursos direcionados — que são subsidiados e servem para financiar a produção — já superaram o crédito livre no país. Dos R$ 3,1 trilhões de financiamentos ativos, R$ 1,6 trilhão é de crédito direcionado. Sobre ele, as altas e baixas da Selic não têm efeito direto, porque esses empréstimos são corrigidos pela TJLP.

Desde janeiro, a TJLP está em 7,5% ao ano. Oficialmente, ela teria de ter reagido à queda da inflação no período e ao risco-país. No entanto, permaneceu no mesmo patamar. Já a Selic passou de 14,25% ao ano para 13,75% ao ano e tende a cair numa velocidade ainda maior porque, enfim, a alta de preços cedeu.

— A gente está numa fase de diminuir o subsídio. E esse é um subsídio importante — comenta um técnico da equipe econômica.

A diferença entre as duas taxas é considerada um “subsídio implícito”, ou seja, enquanto a sociedade tem de lidar com as maiores taxas de juros do mundo, empresários pegam empréstimos com um custo bem menor. Quando vai aumentar os juros, o BC tem de usar doses maiores do remédio para fazer efeito, já que só alcança metade da economia.

ECONOMISTA ESPERA CORTE NO 1º TRI

O problema é antigo. Há anos, o BC alerta para o tema em seus documentos oficiais. Não apenas para a diferença do nível da TJLP, que é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelos ministros da Fazenda, Planejamento e pelo presidente do BC; como também pelo volume de recursos subsidiados na economia.

No entanto, os governos anteriores inflaram os empréstimos do BNDES com repasses do Tesouro Nacional. Em 2007, havia apenas R$ 272 bilhões de crédito direcionado. Naquela época, os financiamentos com recursos livres somavam R$ 490 bilhões. Agora, o direcionado é levemente maior que o livre.

— A ideia de tornar mais próximas as duas taxas para não ter um diferencial tão grande faz todo o sentido — avalia o economista-chefe da corretora Gradual, André Perfeito, que, entretanto, espera um corte na TJLP no próximo trimestre porque a inflação terá caído mais e não haveria justificativa para manter a taxa intacta:

— Na próxima reunião do CMN, pode ser que tenha corte na TJLP. Realmente, poderia cortar porque tem espaço.

O tema é tão importante que está na agenda de prioridades do BC, apresentada nesta semana. Procurado, o Banco Central não quis se manifestar. Já o Ministério da Fazenda informou que os conselheiros tomam a decisão de fixar a TJLP com base em parâmetros de mercado.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Empresas vão apoiar empreendedorismo

A icônica Times Square, em Nova York, servirá de pano de fundo para um ambicioso projeto, que reunirá empresas preocupadas em apoiar o empreendedorismo em países menos favorecidos. Batizada de TimesSquareSpace, a iniciativa vai exibir, numa das imensas telas digitais na esquina da Broadway com a 7ª Avenida, em Manhattan, uma composição de vídeo na qual aparecerão as marcas de cerca de 150 companhias internacionais que apoiam o projeto. A exibição deve ocorrer em março e a verba arrecadada com o anúncio será aplicada no auxílio a empreendedores iniciantes em nações em desenvolvimento.

Leonardo Lima, do Estúdio Rumpus e Leo Lanzetta trabalham no Nex CoworkingEspaços de coworking favorecem parcerias entre seus integrantes
Entre as empresas participantes estão multinacionais de diferentes áreas, como Microsoft, Bayern, Nestlé e Emirates Airlines. No campo da comunicação, estão confirmadas as adesões de veículos como a agência de notícias Thomson Reuters, o site britânico “Independent” e o jornal O GLOBO.

— Queremos quebrar o estereótipo de corporações gananciosas para mostrar o lado positivo dos negócios, de que as companhias se preocupam não apenas com seus lucros, mas também com o futuro e o melhor para o mundo — explica Andrew Fields, cofundador do Square Group, em São Francisco, Califórnia, e idealizador do projeto.

DIFICULDADE DE OBTER CAPITAL

Há muitos empreendedores ao redor do mundo que só precisam de um “empurrão”. Os beneficiados pela iniciativa ainda serão selecionados, mas, de acordo com Fields, uma das histórias que serviram de motivação para o TimesSquareSpace foi a do inventor malauita William Kamkwamba. Ele desenvolveu, ainda aos 14 anos de idade, um moinho de vento para gerar energia para a sua família, baseando-se em instruções encontradas numa biblioteca. Usando peças que iriam para o lixo, Kamkwamba montou um sistema capaz de abastecer quatro lâmpadas e dois rádios. Depois, usou a mesma técnica para alimentar uma rede de irrigação movida pela energia limpa.

— Nós acreditamos que é extremamente importante para todo negócio ser envolvido socialmente e investir num mundo melhor — diz Zura Kochyashvili, cofundador do Square Group. — Em países em desenvolvimento, empreendedores inovadores estão criando empregos e alimentando o desenvolvimento econômico, enquanto estendem produtos e serviços essenciais para aqueles que mais precisam.

Os dois idealizadores tiveram a oportunidade de conhecer a realidade de diversos países. Kochyashvili é funcionário de um fundo de Venture Capital, e Fields, um militar americano baseado no exterior. Comparando as possibilidades de empreendedores nos EUA, na Europa e em nações pobres e em desenvolvimento, eles perceberam a dificuldade que jovens talentosos enfrentam para levantar capital.

— Ao redor de todo o mundo, pessoas têm grandes ideias. E elas não são menos talentosas que os empreendedores de países ricos, apesar de terem pouca ou nenhuma oportunidade por causa do seu desenvolvimento econômico — afirma Fields.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Operadoras de cartão de crédito têm um mês para reduzir juros

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deu um mês de prazo para que as empresas de cartão de crédito baixem os juros. Se as taxas para os consumidores não caírem, o Conselho Monetário Nacional (CMN) passará a exigir que as operadoras repassem os recursos para os lojistas num prazo menor que os atuais 30 dias. Assim, o preço para o consumidor pode baixar.

— Se os bancos não começarem a baixar os juros, o CMN toma essa decisão em janeiro. A linha é diminuição do prazo de pagamento ou a queda de juros voluntária no sistema. O Conselho Monetário tem um instrumento muito forte aqui, que é o prazo — falou o ministro, que completou:

— Vamos observar essa queda de juros. Se não houver a queda, vamos mexer no prazo.

Durante a tradicional entrevista coletiva de fim de ano, o ministro da Fazenda foi questionado sobre uma possibilidade de retaliação das operadoras de cartão de crédito, que teriam ameaçado a aumentar os juros se o governo partisse para a ofensiva. Ele disse que não espera isso.

— Acho pouco provável que o Sistema Financeiro Nacional vai usar qualquer retaliação conta o Conselho Monetário Nacional, a Fazenda ou o Banco Central.

De acordo com os dados do Banco Central, a média das taxas cobradas pelos bancos aos clientes que caem no rotativo do cartão de crédito está em nada menos que 475,8% ao ano. Nos últimos 12 meses, houve uma alta de 70 pontos percentuais.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior