Monthly Archive: October 2016

Governo estuda projeto para fechar brechas que driblam lei fiscal

A equipe econômica trabalha em um projeto para aperfeiçoar a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A ideia é fechar brechas que foram usadas pela maioria dos estados nos últimos anos para manobrar suas finanças e que acabaram contribuindo para o atual quadro de penúria fiscal dos governos regionais.

Integrantes do Ministério da Fazenda afirmam que a proposta vai tratar de quatro problemas. O principal deles é a forma como os estados contabilizam despesas de pessoal. Vários governadores retiram desse cálculo o que gastam com terceirizados, aposentados e até com o Imposto de Renda (IR) que incide sobre os salários dos servidores. Isso mascara o valor real dessa conta.

O projeto também vai abordar o uso das receitas de royalties para honrar despesas correntes, a transferência de despesas de um mandato para o seguinte e a dificuldade dos estados em fazer com que os poderes autônomos (Legislativo e Judiciário) contingenciem despesas em caso de dificuldades do governo para o cumprimento das metas fiscais.

— O que defendemos é que haja uma reforma da LRF. O quadro de dificuldade nos estados deixa claro que isso precisa ocorrer. Queremos fazer um debate com os estados, tribunais de contas e outros poderes para que todos deem sua contribuição para construir o projeto — afirmou ao GLOBO um integrante da equipe econômica envolvido nas discussões.

A LRF define parâmetros para que os estados sejam considerados saudáveis financeiramente. Um deles é que os gastos com pessoal não podem ultrapassar 60% da Receita Corrente Líquida (RCL). No entanto, a lei tem sido distorcida. Com as bênçãos de tribunais de contas, muitos estados acabaram abrindo exceções no que deveria ser computado como despesa de pessoal. Assim, na hora de prestar contas, os governadores parecem enquadrados na LRF, mas isso está longe da realidade.

DISCREPÂNCIA NOS DADOS

Esse quadro fica claro quando se observa o último boletim das finanças públicas dos entes subnacionais publicado pelo Tesouro Nacional. O documento compara as estatísticas estaduais com cálculos feitos pelo Ministério da Fazenda. Na contabilização dos estados, apenas dois deles estão acima do limite de 60% de gastos com pessoal previsto pela Lei de Responsabilidade Fiscal. No entanto, na conta da equipe econômica, o total sobe para oito, sendo que vários já atingiram a casa de 70%. Minas Gerais, por exemplo, aparece com 57,33% da receita gasta com pessoal numa conta e com 78% na outra.

— A LRF é totalmente desrespeitada no que diz respeito a despesas de pessoal. Nesse campo, ela virou letra morta. Em vários lugares, os poderes autônomos fizeram pressão para retirar despesas com inativos da conta e isso distorceu completamente os números — disse o especialista em contas públicas Raul Velloso.

Um segundo problema está no uso de royalties para pagar despesas correntes, como folha de pessoal. Segundo os técnicos do governo, essa arrecadação faz parte da receita corrente líquida dos estados, mas é muito volátil. Com a queda dos preços do petróleo nos últimos anos, as receitas de royalties despencaram e afetaram o equilíbrio das contas de alguns estados. Esse é o caso do Rio de Janeiro.

Entre 2012 e 2015, a receita bruta do Rio cresceu 25%, passando de R$ 48,118 bilhões para R$ 60,292 bilhões. No entanto, considerando a conta onde estão os royalties, o que houve foi uma queda de 18,8% no período. Já a conta de pessoal (a mais pesada) saltou 52%, de R$ 20,813 bilhões para R$ 31,681 bilhões. Somente a conta com inativos e pensionistas subiu 106,5%, de R$ 5,251 bilhões para R$ 10,841 bilhões.

— A receita de royalties precisa ter um uso adequado. Ela hoje compõe a receita corrente líquida, mas é muito volátil — afirmou a fonte do governo, explicando que o governo ainda vai avaliar como evitar desequilíbrios como o que ocorre no Rio.

Outra preocupação é garantir que um governador não possa se comprometer com a criação de despesas que terão impactos sobre as contas de seu sucessor. Neste caso, Raul Velloso avalia que a LRF está adequada.

O artigo 42 da lei determina que “é vedado ao titular de Poder, nos últimos dois quadrimestres de seu mandato, contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele, ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito”.

— A vedação de jogar despesas para o sucessor já está na lei. A questão é que tem que executar essa regra. Hoje, a LRF não é respeitada nisso — afirmou o especialista.

Outro objetivo da equipe econômica é reforçar a orientação para que os poderes autônomos tenham que conter gastos em caso de risco de cumprimento de metas fiscais dos estados.

O técnico do governo explica que, na União, quando é preciso contingenciar despesas, Judiciário e Legislativo são orientados a seguir o mesmo caminho de forma proporcional. Mas isso não se reproduz nos estados:

— Quando é preciso limitar o empenho, a União orienta os líderes dos demais poderes a fazerem o mesmo e isso se concretiza. Nos estados, isso não acontece. É preciso deixar claro na lei que essa orientação precisa ser seguida.

Outra ideia da equipe econômica é implementar alguns instrumentos que hoje são previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal e que nunca foram regulamentados. Um exemplo é o Conselho de Gestão Fiscal, composto por integrantes de todos os poderes, do Ministério Público e de representantes da sociedade, com o objetivo de monitorar as finanças públicas e propor normas de padronização das prestações de contas.

PRESSÃO DO FUNCIONALISMO

Uma reforma da LRF estava prevista no projeto de lei que define a renegociação das dívidas de estados com a União. Originalmente, o texto enviado ao Congresso pelo ex-ministro da Fazenda Nelson Barbosa, no início do ano, obrigava os estados a mudarem a contabilização de despesas de pessoal, dando um prazo de adaptação de dez anos. Além disso, o projeto excluía os royalties do conceito de receita.

No entanto, pressionado por categorias do funcionalismo, a equipe do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, recuou, deixando as mudanças na LRF para um segundo momento. O funcionalismo via na nova regra um risco para a concessão de novos reajustes de salários e para a realização de concursos públicos.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior

Ibovespa Futuro opera em compasso de espera em dia com PIB dos EUA e reunião dos Três Poderes

Em meio a uma sessão de cautela nos mercados mundiais, com os investidores no aguardo da divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos, o Ibovespa Futuro começou a sexta-feira (28) operando próximo à estabilidade. Às 9h14 (horário de Brasília), o índice acumulava leves ganhos de 0,05%, a 65.185 pontos. No radar doméstico, destaque para a reunião dos Três Poderes, a decisão do Supremo Tribunal Federal na véspera sobre greve de servidores públicos e a temporada de resultados do terceiro trimestre. O dia também marca a estreia da ação da Alliar Médicos na Bovespa. No mesmo horário, os contratos de dólar futuro com vencimento em dezembro operavam em queda de 0,38%, a R$ 3,164.

Confira os destaques desta sessão:

Bolsas mundiais
As bolsas mundiais registram mais um dia de cautela, com todos os olhos voltados para o PIB dos EUA que será divulgado nesta manhã, e que pode dar mais pistas sobre a atuação do Federal Reserve na política de juros no país. Enquanto os dados da economia americana não saem, os mercados mundiais digerem as notícias do mundo corporativo e têm baixa, em meio aos resultados decepcionantes de empresas como Amazon e Anheuser-Busch InBev.

A exceção ficou com índice japonês Nikkei, que subiu 0,63% apesar dos dados econômicos fracos: a inflação ao consumidor teve queda de 0,5% em setembro na comparação anual, o sétimo mês de queda seguido. Já na Europa, chama a atenção o PIB da França, que cresceu menos que o esperado no terceiro trimestre. Dados preliminares do instituto de estatísticas francês Insee mostram que o PIB da segunda maior economia da zona do euro teve expansão de 0,2% no terceiro trimestre ante o segundo, quando mostrou contração de 0,1%. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal previam ganho de 0,3% na comparação trimestral.

Este era o desempenho dos principais índices:

* FTSE (Reino Unido) +0,08%

* CAC (França) +0,33%

*DAX (Alemanha) -0,20%

* Xangai (China) -0,23% (fechado)

*Hang Seng (Hong Kong) -0,77% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,63% (fechado)

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,18%

*Petróleo brent -0,16%, a US$ 50,39 o barril

PIB dos EUA
Às 10h30, o mercado ficará atento à divulgação do resultado da primeira prévia do PIB norte-americano do terceiro trimestre, para o qual o mercado espera aceleração do ritmo de crescimento ante os três meses anteriores. A expectativa é de um crescimento de 2,6% na atividade na comparação trimestral. “Juntamente com os sinais adicionais de aperto do mercado de trabalho e aceleração da inflação, os dados deverão reforçar nossa expectativa de alta da taxa de juros dos EUA em dezembro”, afirma o Bradesco. Já às 12h, serão revelados os dados de confiança do consumidor de Michigan referente a outubro.

Agenda doméstica
O Planalto realizará nesta sexta-feira às 10h (horário de Brasília) reunião dos 3 poderes. O encontro com os presidentes do Senado, Renan Calheiros, da Câmara, Rodrigo Maia, e do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, tem como objetivo pensar soluções para segurança pública, segundo nota da Presidência. Além dos 4 líderes dos 3 Poderes,, foram convidados a participar da reunião o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, e o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen.

Ainda no noticiário doméstico, destaque para a fala do presidente do Banco Central ao jornal Valor Econômico. Ele afirmou que o câmbio é flutuante e a tendência será respeitada. Ilan disse não ter qualquer preconceito em relação aos instrumentos de intervenção no mercado de câmbio e que o BC pode avaliar e entender que situação recomenda compra de reservas cambiais, retorno de leilões tradicionais de swaps ou reverso ou compra no mercado à vista, mas também pode decidir não intervir. O presidente do BC ainda apontou que a “repatriação é fato pontual com data para terminar” e destacou que, quando economia entrar em fase de recuperação e situação de crise estiver superada, será momento de discutir no governo sobre acumulação de reserva.

Também merece atenção a decisão do Supremo Tribunal Federal na véspera, considerando legítima a possibilidade de órgãos públicos cortarem o salário de servidores em greve desde o início da paralisação. Somente não haverá corte nos casos de a causa da greve for conduta ilegal do órgão público.

Noticiário corporativo
Em destaque no noticiário corporativo, as ações da rede de medicina diagnóstica Alliar Médicos à Frente estreiam hoje na BM&FBovespa sob o ticker “AALR3″. Essa é a primeira abertura de capital no mercado acionário brasileiro em cerca de um ano e meio. Ontem, o IPO (Initial Public Offering) da companhia movimentou R$ 766 milhões na Bolsa, com preço de emissão a R$ 20,00.

Dando continuidade à temporada de balanços, a BRF registrou lucro líquido de R$ 18,1 milhões no 3° trimestre, queda de 97,4% na comparação anual, bem abaixo das estimativas de R$ 118,2 milhões dos analistas consultados pela Bloomberg. A Cia Hering viu seu lucro líquido cair 41,2% no 3° trimestre, para R$ 57,5 milhões. Analistas consultados pela Bloomberg estimavam lucro de R$ 44 milhões. A Raia Drogasil teve lucro líquido ajustado de R$ 127,6 milhões no período, alta de 33,1%, acima das projeções do mercado. A Lojas Marisa registrou prejuízo de R$ 46,4 milhões no 3° trimestre, aumento de 72% em relação ao mesmo período de 2015. Além dos balanços, o CEO da Petrobras disse, em evento ontem, que está “virando o jogo” da estatal. Por outro lado, o Ministério Público de Minas Gerais ajuizou Ação Civil Pública contra Samarco, Vale e BHP Billiton pelos impactos causados pela lama da barragem de Fundão a cinco cavidades naturais subterrâneas em área de proteção especial no município de Mariana (MG).

Fonte: Infomoney
Postado por: Raul Motta Junior

Entre agenda de indicadores e temporada de resultados, Ibovespa Futuro abre em queda

Depois de o principal benchmark acionário brasileiro encerrar mais um dia praticamente estável, o Ibovespa Futuro iniciou a quinta-feira (27) novamente no campo negativo. Às 9h03 (horário de Brasília), o índice acumulava perdas de 0,12%, a 64.900 pontos. No radar dos investidores, chamam atenção indicadores econômicos no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, além da continuidade da temporada de balanços corporativos, que nesta manhã contou com o demonstrativo da mineradora Vale (VALE3; VALE5). No mesmo horário, os contratos de dólar futuro subiam 0,27%, a R$ 3,15. Confira os destaques desta sessão:

Bolsas mundiais
As bolsas mundiais têm sessão de leve queda, com o mercado de olho na temporada de balanços e nos dados econômicos dos EUA. Em destaque na agenda de resultados ficam os números do Alphabet (Google), a serem revelados antes do pregão. Na véspera, o balanço da gigante de tecnologia Apple decepcionou o mercado. Além disso, o cenário de cautela continua após a apresentação de indicadores econômicos americanos, que apontaram alta nas vendas de moradia e na atividade de serviços. Com isso, o dólar avança contra maioria dos pares com apostas de que o Federal Reserve aumentará os juros ainda este ano; a probabilidade de alta em dezembro subiu para 72,5% ontem, ante 67,6% uma semana atrás, informa a Bloomberg.

Já entre os dados econômicos da Europa, o destaque fica para a economia britânica, que teve ligeira desaceleração no ritmo de crescimento no terceiro trimestre apesar da decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia, reduzindo ainda mais as chances de um novo corte de juros pelo banco central na próxima semana. O Produto Interno Bruto (PIB) expandiu 0,5% no período entre julho e setembro, abaixo do crescimento de 0,7% visto no segundo trimestre, mas confortavelmente acima da expectativa de 0,3% em pesquisa da Reuters. Na Ásia, por sua vez, os mercados chineses recuaram com os investidores mantendo a cautela diante da desaceleração do crescimento do lucro industrial, da persistente fraqueza do iuan e de crescentes preocupações com a liquidez mais apertada. A confiança do investidor na recuperação econômica chinesa foi afetada por dados que mostraram que os lucros nas indústrias chinesas cresceu 7,7 por cento em setembro, contra 19,5 por cento no mês anterior, com muitos setores afetados pela atividade fraca.

Do lado das commodities, o dia é positivo para os preços do petróleo no mercado internacional, com a surpresa com os estoques americanos compensando as dúvidas sobre a capacidade de os membros da OPEP firmarem um acordo de congelamento de produção. Os barris WTI e brent acumulavam respectivas altas de 0,45% e 0,78%, a US$ 49,40 e US$ 50,37.

Agenda econômica
Em destaque na agenda doméstica de hoje, o IBGE divulga às 9h a Pnad Contínua referente a setembro, que traz números sobre desemprego e rendimento no país. A expectativa é de uma taxa de 11,9%. Às 10h, serão revelados os dados de arrecadação, com estimativa de uma cifra de R$ 95 bilhões. Às 14h30, será revelado o dado do resultado primário do governo central, com estimativa de déficit de R$ 23,6 bilhões. Nos Estados Unidos, às 10h30 serão revelados os dados sobre pedidos de seguro-desemprego e os pedidos de bens duráveis.

Planalto confirma reunião dos 3 poderes
O Planalto confirmou ontem à noite reunião dos 3 poderes na próxima sexta-feira às 10h (horário de Brasília), disse o porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, a jornalistas em Brasília. O encontro com os presidentes do Senado, Renan Calheiros, da Câmara, Rodrigo Maia, e do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, para discutir segurança pública, poderia não ocorrer após o clima de mal-estar entre Renan e Cármen Lúcia criado depois que ambos fizeram críticas públicas e discordaram sobre a atuação da Justiça ao determinar a prisão de policiais legislativos durante operação da Polícia Federal no Senado. De acordo com o porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, Temer informou que o diálogo entre ele e os presidentes dos outros dois Poderes é “permanente, fluido e desimpedido”.

Já na agenda desta quinta-feira, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles participa da reunião do CMN às 15h, o presidente do Banco Central Ilan Goldfajn se reúne com Cármen Lúcia e à tarde participa do CMN. Às 10h, o presidente Michel Temer se reúne com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Resultado da Vale
A mineradora Vale relatou nesta quinta-feira lucro líquido de R$ 1,842 bilhão no terceiro trimestre, ante prejuízo de R$ 6,663 bilhões o mesmo período do ano passado, quando a variação cambial havia afetado os resultados da companhia. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da companhia brasileira somou R$ 9,829 bilhões no terceiro trimestre, ante R$ 6,816 bilhões no mesmo período do ano passado.

Segundo o Bradesco BBI, a Vale registrou cifras sólidas e Ebitda em linha com a estimativa. De acordo com os analistas, os resultados foram fortes em todos os negócios com custos de minério de ferro como destaque. Já o lucro ficou abaixo da estimativa do Bradesco BBI, principalmente, em consequência das despesas financeiras acima das expectativas e da variação monetária. Veja mais sobre o balanço da Vale clicando aqui.

Noticiário corporativo
Além do resultado da Vale, mais notícias agitam o mercado. A Petrobras informou ontem à noite que divulgará seu balanço dia 10 de novembro, após o fechamento do mercado. A Natura viu seu resultado do 3° trimestre decepcionar analistas, após revelar lucro líquido de R$ 73,1 milhões, queda de 44,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. A Cia Hering vai pagar dividendos de R$ 39,9 milhões, correspondentes a R$ 0,2485 por ação, no dia 29 de novembro, com base na posição acionária do dia 4 de novembro. As ações da companhia passarão a ser negociadas ex-dividendos a partir do dia 7 de novembro. O BNDES disse que vetou a reorganização societária da JBS porque não a considerou como a alternativa que melhor atende aos interesses da companhia e de seus acionistas. A Magazine Luiza decidiu antecipar seu balanço para o dia 31 de outubro, após ver suas ações caírem 30% “sem motivo” na Bolsa.

Fonte: Infomoney
Postado por: Raul Motta Junior

Vale reverte prejuízo e lucra R$ 1,842 bi no terceiro trimestre

A mineradora Vale, maior produtora global de minério de ferro, relatou nesta quinta-feira lucro líquido de R$ 1,842 bilhão no terceiro trimestre, com maiores volumes vendidos e preços mais altos do seu principal produto. A companhia reverteu prejuízo de R$ 6,663 bilhões registrado no mesmo período do ano passado, quando a variação cambial havia afetado os resultados.

“Foi um resultado limpo, excelente desempenho operacional e boa geração de caixa (…). Nenhum impacto de variação cambial, nenhum reconhecimento de provisões ou efeitos extraordinários”, disse o diretor executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani, em vídeo.

O resultado líquido, no entanto, caiu 48,6% na comparação com o segundo trimestre, com a mineradora atribuindo essa queda principalmente a variações cambiais, de acordo com relatório da empresa.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da companhia brasileira somou R$ 9,829 bilhões no terceiro trimestre, ante R$ 6,816 bilhões no mesmo período do ano passado.

Segundo Siani, o crescimento do Ebitda ocorreu não somente por preços ligeiramente melhores, mas também “pela redução de custos muito expressiva”.

“Para vocês terem uma ideia, apesar de o dólar cotado em reais ter evoluído na média de 3,51 (reais) para 3,25 (reais), o custo da Vale de produção de minério de ferro colocado no porto em dólares caiu de 13,2 dólares para 13 dólares”, disse ele.

“Ou seja, se esperaria uma alta, em função da apreciação do real, mas o que ocorreu foi o contrário, uma queda, porque em reais o custo diminuiu ainda mais, compensando a apreciação do real, foi o resultado muito expressivo.”

Ele ressaltou ainda recordes de produção da mina de minério de ferro de Carajás, de carvão na mina de Moatize e na produção de ouro.

A receita líquida totalizou R$ 23,772 bilhões no terceiro trimestre, alta de 2% ante o mesmo período do ano passado.

O volume de vendas de minério de ferro (finos) somou 74,231 milhões de toneladas no terceiro trimestre, ante 70,53 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado.

A companhia ainda registrou aumento no preço realizado de finos de minério de ferro (CFR/FOB) para 50,95 dólares por tonelada, ante 46,48 dólares no mesmo período do ano passado.

Com a redução de custos e melhora no resultado operacional, a Vale afirmou que conseguiu reduzir o endividamento.

A dívida líquida caiu US$ 1,543 bilhão na comparação com o segundo trimestre, para US$ 25,965 bilhões, mas ainda está acima dos US$ 24,213 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. A alavancagem ficou em 3,6 vezes, o mesmo nível registrado no terceiro trimestre do ano passado.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior

Repatriação já rendeu R$ 40,1 bi ao governo

A Receita Federal informou, nesta quinta-feira, que o programa de repatriação já assegurou arrecadação de R$ 40,1 bilhões em Imposto de Renda (IR) e multas aos cofres públicos. Até o início da manhã de hoje, já haviam sido entregues 18.651 declarações de pessoas físicas e 605 declarações de pessoas jurídicas que decidiram regularizar ativos mantidos ilegalmente no exterior. No total, esses bens somam R$ 133,6 bilhões.

O prazo final para fazer o acerto de contas com a Receita é 31 de outubro. Até lá, o Fisco espera conseguir arrecadar, pelo menos, R$ 50 bilhões. Esses recursos são considerados essenciais para o fechamento das contas públicas de 2016. Estados e municípios, que ficarão com uma parte do valor recolhido com o Imposto de Renda, também contam com esses valores para pagar despesas até o final do ano.

Segundo a Receita, o aplicativo para preenchimento da declaração de regularização de ativos (Dercat) está em funcionamento 24 horas. O serviço de recepção será interrompido às 23h59min59s do dia 31. O programa de repatriação aplica-se aos residentes ou domiciliados no Brasil em 31 de dezembro de 2014 que tenham sido ou ainda sejam proprietários ou titulares de ativos, bens ou direitos em períodos anteriores a essa data.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior

Ibovespa Futuro acompanha exterior e abre em queda de olho em commodities e balanços corporativos

Após uma sessão de volatilidade para o principal índice acionário brasileiro na véspera, o Ibovespa Futuro iniciou a quarta-feira (26) dando continuidade ao movimento de cautela dos investidores. Às 9h13 (horário de Brasília), o benchmark da Bolsa brasileira acumulava perdas de 0,61%, a 64.435 pontos. No radar doméstico, destaque para a aprovação em segundo turno da PEC 241 no plenário da Câmara dos Deputados, em uma nova vitória do ajuste fiscal do governo Michel Temer, além de os desdobramentos da temporada de balanços. No exterior, o dia é de aversão a riscos, com os investidores também atentos ao resultados das empresas e dados do petróleo nos Estados Unidos, aguardados para o final da manhã. No mesmo horário, os contratos de dólar futuro subiam 0,19%, cotados a R$ 3,126.

Confira os destaques desta sessão:

Bolsas mundiais
O dia é de queda para a maior parte das bolsas mundiais, com os mercados de olho nos balanços corporativos nos EUA e na Europa. As bolsas europeias têm 3ª baixa e o S&P futuro recua; destaque para a projeção da Apple para vendas em feriado é menor que o previsto. Além disso, a companhia anunciou 1ª queda anual de vendas desde 2001. Entre os dados econômicos europeus, destaque para o índice de confiança do consumidor da Alemanha, que caiu para 9,7 na pesquisa de novembro do instituto GfK, de 10,0 na leitura de outubro. O resultado frustrou analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam estabilidade do indicador, a 10,0.

Já na Ásia, os mercados chineses tiveram a maior queda em uma semana nesta quarta-feira, parcialmente devido às preocupações com a liquidez mais apertada que elevaram os rendimentos dos títulos, com uma correção nas ações do setor de recursos básicos compensando a força nos setores de saúde e consumo. Embora a preocupação com a depreciação do iuan tenha diminuído nesta quarta-feira, há temores sobre a liquidez mais apertada, uma vez que os rendimentos dos títulos chineses de 10 anos se elevaram pelo terceiro dia. O restante da região também apresentou perdas, seguindo os passos dos mercados norte-americanos, que recuaram com resultados empresariais decepcionantes. Já a Bolsa de Tóquio fechou em leve alta, sustentada por balanços positivos no Japão.

Já o petróleo cai após API apontar alta dos estoques americanos, que serão revelados hoje à tarde; o cobre e o níquel recuam em Londres.

PEC 241
A Câmara dos Deputados concluiu na madrugada de hoje (26) a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que limita os gastos públicos pelos próximos 20 anos à inflação do ano anterior, ao rejeitar os seis destaques da oposição que pretendiam alterar o texto-base. Agora a proposta será encaminhada ao Senado, também em dois turnos de votação. O texto-base foi aprovado em segundo turno por 359 votos a favor, 116 contrários e duas abstenções.

No Senado, para a PEC ser aprovada, são necessários um mínimo de 49 votos em cada votação. Se aprovada sem modificações em relação ao texto da Câmara, a PEC será promulgada pelas mesas-diretoras do Senado e da Câmara e passará a integrar a Constituição Federal. A intenção da base-aliada do governo no Senado é acelerar a tramitação da proposta para que ela seja aprovada em segundo turno ainda no mês de novembro.

Agenda nacional
Além da PEC do teto, destaque para os dados nacionais. Às 10h30 (horário de Brasília), o Banco Central divulga dados sobre operações de crédito do último mês e nota sobre a política monetária. Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, almoça com chairman e CEO da BlackRock, Laurence Fink, às 13h, e se reúne com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, às 15h, e com embaixador da Itália no Brasil, Antonio Bernardini, às 17h.

Já o presidente do Banco Central Ilan Goldfajn se reúne com Paulo Skaf, presidente da Fiesp, depois se reúne com Murilo Portugal, presidente da Febraban, e com Renan Calheiros Filho, governador de Alagoas. À tarde, participa da abertura da Missão Anual da Agência de rating Standard & Poor’s, e se reúne com investidores da Blackrock.

Vale destacar que o presidente do Banco Central afirmou nesta terça-feira que a política monetária só deve ser flexibilizada quando a inflação permitir. “O BC vai flexibilizar a política monetária na medida que a inflação permitir, nem mais nem menos”, afirmou em entrevista concedida para a GloboNews.

Agenda internacional
A agenda econômica internacional é movimentada. Nos EUA, serão divulgados os dados de estoque do atacado de setembro às 10h30 e de vendas de casas novas do mesmo mês às 12h. Já às 12h30, serão revelados os números semanais dos estoques de petróleo nos EUA; é esperada uma alta de 1,17 milhão de barris. Já às 23h30, destaque para a China, com a divulgação dos lucros industriais.

Noticiário corporativo
O noticiário corporativo é movimentado nesta terça, com destaque para o resultado do Santander, que lucro R$ 1,884 bilhão no terceiro trimestre. Já a Telefônica Brasil teve lucro líquido de R$ 952,7 milhões, ante estimativa de R$ 979,5 milhões. Além disso, João Paulo Brotto Gonçalves Ferreira é eleito novo CEO da Natura.

Fonte:Infomoney
Postado por: Raul Motta Junior

Lucro do Santander Brasil cresce 10,3% no 3º tri, a R$ 1,884 bi

Primeiro grande banco a divulgar os resultados relativos ao terceiro trimestre, o Santander anunciou lucro líquido de R$ 1,884 bilhão no período. O resultado equivale a um avanço trimestral de 4,3%, e de 10,3% em 12 meses. Analistas, em média, esperavam lucro de R$ 1,462 bilhão para os três meses encerrados em setembro, segundo pesquisa da Reuters.

Apesar do número positivo, a carteira de crédito ampliada do banco espanhol caiu 6,3% na comparação anual. No terceiro trimestre contra o segundo houve ligeira, de 0,8%.

“Construímos a base de um grande resultado para 2016. Somos uma organização com foco comercial permeado por clientes mais satisfeitos e uma boa visão de riscos e custos”, disse Sérgio Rial, presidente do Santander Brasil, em nota divulgada na manhã desta quarta-feira.

A carteira de crédito para pessoa física teve aumento de 1,9% ante os três meses anteriores e 6,8% na comparação anual. O principal impulso vem do consignado, que cresceu 6,1% em três meses, e 27,2% em bases anuais; imobiliário (7,6% em 12 meses e 0,4% em três), e cartão de crédito (7,7% e 1,7%). O crédito rural, somadas as carteiras de pessoa física e jurídica, sobe 41%, para um montante de R$ 8,5 bilhões.

Financiamento ao consumo mostrou um recuo de 0,6% em 12 meses e crescimento de 6,0% no trimestre.

Já o índice de inadimplência subiu. O nível de operações de crédito vencidas há mais de 90 dias foi de 3,5% ante 3,2% no mesmo período de 2015 e no segundo trimestre deste ano. Como resultado, as provisões para perdas com crédito subiram 13% sobre o segundo trimestre, para R$ 2,837 bilhões, nível mais alto em mais de três anos. O índice de cobertura, um indicador de reservas disponíveis, caiu 0,1 ponto percentual, para 198,1%, o menor nível deste ano.

O Santander Brasil encerrou o trimestre passado com carteira de crédito ampliada de R$ 310,965 bilhões, uma queda de cerca de 6% sobre o mesmo período do ano passado. Já os ativos somaram R$ 661,186 bilhões ao final de setembro, queda de cerca de 6% sobre um ano antes.

RESULTADO GLOBAL

Já o resultado global do banco, um dos maiores bancos da zona do euro em capitalização, registrou estagnação no terceiro trimestre (+0,9% em ritmo anual), a € 1,69 bilhão, em consequência dos termores ligados ao Brexit.

“Excluindo o impacto da desvalorização das divisas ante o euro, o lucro líquido teria avançado 7% na comparação com o terceiro trimestre de 2015″, afirma o banco em um comunicado.

No Reino Unido — habitualmente a principal fonte de lucro do banco espanhol —, o resultado registrou queda e quase 25% em relação ao mesmo período do ano anterior, de € 480 milhões a € 360 milhões.

Com os resultados, no terceiro trimestre o Reino Unido se tornou o segundo mercado para o banco, atrás do Brasil.

No fim de setembro, o Banco Santander já havia reduzido a meta de rentabilidade por conta da queda nas perspectivas uma vez consumada a saída do Reino Unido da UE.

Nos nove primeiros meses de 2016, o lucro líquido caiu 22,5%, a € 4,6 bilhões, devido aos custos do plano reestruturação lançado na Espanha e à comparação com 2015, quando o banco foi beneficiado por condições excepcionais.

Fonte:O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Após compra da Time Warner, AT&T terá de vender Sky no Brasil

A compra da Time Warner pela AT&T, se aprovada pelo governo americano, terá implicações no Brasil. Isso porque a companhia de telecomunicações será forçada a se desfazer da SKY, segunda maior empresa de TV por assinatura, com 5,3 milhões de assinantes. Fica atrás apenas da Net, do grupo América Móvil, com 9,8 milhões de clientes.

A AT&T anunciou, no último sábado, o acordo de compra da Time Warner por cerca de US$ 85 bilhões. Se confirmada, essa será a maior operação de fusão no mundo este ano, criando uma gigante das comunicações.

OPÇÃO SERIA DEIXAR O CONTROLE

De acordo com um especialista, a lei hoje não permite que uma empresa que é dona de conteúdo seja a controladora de uma empresa dona da infraestrutura de telecomunicações. Esse especialista cita o artigo 5 da Lei 12.485, que diz que “o controle ou a titularidade de participação superior a 50% do capital total e votante de empresas prestadoras de serviços de telecomunicações de interesse coletivo não poderá ser detido, direta, indiretamente ou por meio de empresa sob controle comum, por concessionárias e permissionárias de radiodifusão sonora e de sons e imagens e por produtoras e programadoras com sede no Brasil, ficando vedado a estas explorar diretamente aqueles serviços”.

— Pela regra, não pode ter controle cruzado. Ou vende ou deixa de ser controlador. Pode até ser acionista, mas sem o controle. Qualquer empresa pode comprar. Talvez o Cade (órgão que regula a concorrência) não autorizasse a compra pela Net. Mas os demais concorrentes é mais fácil. Pode ser a Vivo ou qualquer outra. É possível, ainda, até ser feita uma abertura de capital — disse um especialista do setor.

Porém, a AT&T ainda não protocolou nenhum tipo de anuência nos órgãos reguladores. Procurada, a SKY não quis se pronunciar.

O presidente Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Juarez Quadros, disse nesta terça-feira que o órgão está preparado para analisar a fusão, se necessário:

— Já tivemos casos passados aqui com outros grupos que tiveram que se ajustar em função da questão da propriedade cruzada — afirmou.

Quadros disse, porém, que não quer “sofrer antecipadamente”:

— Nós estamos esperando o desenrolar lá nos Estados Unidos, uma vez que foi anunciada, pela própria Casa Branca, a necessidade de eles verem a relação, com os seus órgãos reguladores, da condição de aceitar ou não essa fusão.

Fonte:O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Após abrir em queda, Ibovespa Futuro zera perdas entre disparada do minério e ata do Copom

Em sessão de disparada para as commodities metálicas e alta para as energéticas e com os investidores de olho na ata do Copom (Comitê de Política Monetária) e agenda política, o Ibovespa Futuro zerou as perdas da abertura. Às 9h15 (horário de Brasília), o índice acumulava leves ganhos de 0,03%, a 65.190 pontos, após uma sessão de leves perdas para o principal benchmark acionário brasileiro. No mesmo horário, os contratos de dólar futuro apresentaram variação negativa de 0,46%, a R$ 3,115 em meio à aproximação do deadline para adesão ao programa de regularização de ativos mantidos no exterior e após mais uma cartada frustrada para ampliar o prazo. Para amenizar os efeitos de uma possível enxurrada de dólares na economia nacional e sua consequente desvalorização ante o real, o Banco Central comunicou que não rolará os contratos de swap que vencem em 1º de novembro, o que não tem evitado um mergulho na cotação da moeda americana.

Confira os destaques desta sessão:

Ata do Copom
O Banco Central destacou que há sinais recentes de pausa no processo de desinflação de serviços em ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgada nesta terça-feira, acrescentando que nesse contexto “uma maior persistência inflacionária requer persistência maior da política monetária”, após decidir na semana passada iniciar um ciclo de afrouxamento na taxa básica de juros em meio à intensa recessão na economia.

“A pausa se dá em níveis cuja manutenção produziria trajetória de desinflação em velocidade aquém da contemplada no cenário básico do Copom. Esse cenário pressupõe uma trajetória de queda gradual à frente. Dessa forma, os membros do Comitê ressaltaram que é necessário monitorar a retomada dessa trajetória”, trouxe o documento.

Na última quarta-feira, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,00 por cento ao ano, primeiro corte em quatro anos, avaliando que uma flexibilização moderada e gradual é compatível com a convergência da inflação para a meta de 4,5 por cento nos próximos dois anos.

Em resposta ao documento, os contratos de juros futuros operam em alta, com destaque para os papéis curtos. Os DIs com vencimento em janeiro de 2018 subiam 0,05 ponto percentual, para 12,21%, ao passo que os contratos com vencimento em janeiro de 2021 subiam 0,01 ponto percentual, para 11,08%.

Bolsas mundiais
A terça-feira é de baixa aversão ao risco para os mercados, com destaque para a valorização das commodities. Na bolsa de commodities de Dalian, na China, o contrato futuro de minério de ferro para janeiro de 2017, o mais negociado, atingiu o limite de alta ao subir 6%, o que impulsiona as ações do setor. Na agenda dos EUA, destaque para os dados de agosto sobre os preços das residências e para a confiança do consumidor, referente a outubro.

Na agenda europeia, chama a atenção o índice de sentimento das empresas da Alemanha, que subiu para 110,5 em outubro, de 109,5 em setembro, atingindo o maior nível desde abril de 2014, segundo o instituto alemão Ifo. O resultado surpreendeu analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam leve queda do indicador, a 109,3. Na Ásia, as bolsas de valores da China tiveram leves variações nesta terça-feira, consolidando ganhos recentes graças à demanda por ações do setor de matérias-primas, enquanto empresas de infraestrutura e transporte tiveram perdas. Já no Japão, a bolsa de Tóquio atingiu a máxima em 6 meses, com o dólar se fortalecendo ante o iene. A confiança subiu após dados de setores industriais nos Estados Unidos e na Europa mostrarem as melhores leituras até agora neste ano.

Disparada do minério
O dia foi de disparada para os contratos futuros de commodities negociados na Bolsa de Dalian, na China, com destaque para o minério de ferro e para o carvão. O contrato de minério de ferro mais negociado, com vencimento em janeiro de 2017, atingiu o limite de alta de 6%, a 471,5 yuan, chegando ao maior nível desde agosto. Os contratos futuros de carvão também atingiram seu patamar máximo de alta de 7%, cotado a 1.680 yuan.

Conforme destaca o Business Insider, por trás das altas, havia muitas hipóteses, mas não respostas definitivas. A escassez de oferta é citada como uma das razões, mas também foi destacado que o forte movimento se deu na sequência dos enormes lucros relatados pela gigante siderúrgica chinesa Baosteel na segunda-feira.

Segundo a Reuters, o lucro líquido da companhia, um termômetro da indústria de aço da China, aumentou 148,3% para 5,6 bilhões de yuans de janeiro a setembro na comparação com o mesmo período do ano anterior, apontando que medidas do governo chinês estão ajudando a recuperar a rentabilidade do setor.

Vale destacar ainda que o minério de ferro spot negociado em Qingdao, na China, teve alta de 4,52%, a US$ 61,96 a tonelada métrica.

PEC 241 e pré-sal
A poucos dias do segundo turno das eleições municipais, marcado para 30 de outubro, a Câmara dos Deputados pode ter pautada para esta terça a votação em segundo turno da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 241, que estabelece um teto para os gastos públicos pelos próximos 20 anos e tem suscitado reações inflamadas por parte de quem é contra e a favor.

O governo espera manter a mesma margem de votos que teve na aprovação em primeiro turno da proposta de emenda à Constituição que limita os gastos públicos, ou até ampliá-la. Ao participar de um coquetel na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o presidente Michel Temer passou cumprimentando individualmente os deputados presentes, em busca de manter apoio à medida. Diferentemente do jantar que Temer organizou há três semanas, antes de conseguir ver a matéria aprovada por 366 deputados, o encontro de hoje foi menos protocolar e não houve um discurso formal feito pelo presidente.

Ainda na Câmara, ontem, mesmo sem concluir a votação dos destaques e emendas que visam modificar o projeto de lei que retira da Petrobras a obrigatoriedade de ser operadora exclusiva da exploração do petróleo da camada do pré-sal com participação de 30%, o presidente da Câmara, encerrou a sessão e transferiu para hoje a conclusão da votação dos destaques. Segundo Maia, ficou para ser votado um destaque que visa modificar o projeto do pré-sal. Rodrigo Maia informou que a votação do último destaque que visa modificar o projeto do pré-sal será feita após a votação, em segundo turno, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que limita o teto de gastos públicos à inflação do ano anterior pelos próximos 20 anos. Segundo ele, como o tempo da sessão de hoje (24) tinha se encerrado, para votar o último destaque teria que ser aberta uma nova sessão da Câmara para a retomada da discussão e votação do destaque ao projeto do pré-sal.

No noticiário político, destaque para a notícia do jornal O Globo de que Marcelo Odebrecht e mais 50 executivos fecharam acordo de delação premiada. Confira clicando aqui.

Agenda internacional
Na agenda internacional, Mario Draghi, presidente do BCE (Banco Central Europeu), fala hoje às 15h30. Nos EUA, o presidente regional do Federal Reserve de Atlanta, fala em conferência às 15h (horário de Brasília). Ainda no país, às 12h, será revelado o dado do consumidor em relação ao outubro.

Noticiário corporativo
O noticiário corporativo é movimentado. Em destaque, a Lojas Renner fechou o terceiro trimestre com queda de 3,9% nas vendas no conceito mesmas lojas em relação ao mesmo período de 2015, primeiro recuo anual desde 2009, afetada pelo ambiente econômico ainda desafiador no país, mas também baixas temperaturas e atualização de sistema. Já a Hypermarcasinformou que a família Gonçalves deixou o bloco de controle da companhia.

Fonte: Infomoney
Postado por: Raul Motta Junior

Temporada de balanços não deve refletir melhora da confiança

A confiança do consumidor já está maior, mas esse ambiente mais favorável ainda não vai se refletir nos balanços do terceiro trimestre das companhias brasileiras de capital aberto. De forma geral, a recuperação nos resultados só deve vir em 2017. O máximo que deve ser observado na atual temporada de balanços, que começou esta semana, será um freio na piora dos números.

Levantamento feito pela corretora do Santander projeta queda de 1,5% nos lucros por ação no terceiro trimestre ante igual período de 2015. Essa variação leva em conta o ganho por ação de cada uma das 91 empresas acompanhadas pela instituição financeira. O recuo é menos acentuado do que os 7,7% observados no segundo trimestre, mas ainda mostra dificuldades para as empresas. Por outro lado, a expectativa de crescimento da geração de caixa operacional, o Ebitda, é de 11,2%.

Corte na Selic: efeito lento

Os estrategistas do Santander Daniel Gewehr e João Noronha explicam que essa queda no resultado, apesar da maior geração de caixa, decorre do endividamento das empresas — com os juros ainda altos, a despesa financeira acaba corroendo parte do lucro. “Se o lucro por ação consolidado continuar a seguir a tendência do PIB, acreditamos que os resultados podem começar a melhorar no segundo semestre, uma vez que nossa equipe estima que a economia brasileira já atingiu seu nível mais baixo”, afirmaram em relatório.

Apesar dos resultados ainda fracos, os desempenhos não serão uniformes entre os setores. Enquanto no segmento de alimentos e bebidas a queda do lucro pode chegar a 18,2%, principalmente devido ao desempenho negativo esperado para a BRF, o setor de concessionárias de serviços públicos deve ter um resultado, em média, 36,2% maior, puxado por Alupar, Equatorial Energia e Transmissão Paulista.

Na avaliação de Roberto Indech, analista-chefe da Rico Corretora, ainda é cedo para contar com a volta aos bons resultados. Um dos maiores problemas das empresas — além da queda da demanda, que implica menor volume de vendas — é o alto endividamento. O corte na taxa básica de juros (Selic), esta semana, ainda vai demorar a fazer efeito.

— Vamos ter no máximo uma estabilização. Os indicadores econômicos ainda estão ruins. Os resultados devem ficar fracos, apesar de a confiança ter melhorado nos últimos meses — afirma Indech.

A Selic foi reduzida de 14,25% para 14% ao ano, e espera-se outro corte em novembro. As empresas do setor de varejo e as concessionárias de serviços públicos, por exemplo, têm endividamento atrelado à Taxa Selic. Havendo alívio nessa despesa, o resultado tende a melhorar, mas é preciso um recuo significativo dos juros para observar um efeito relevante nos resultados.

Recuperação só em 2017

Por outro lado, setores que vinham registrando receitas e lucros ascendentes devem sofrer com o recuo na cotação do dólar comercial, que ano acumula desvalorização de 18,6%. Ricardo Carvalho, diretor-sênior de ratings corporativos da Fitch Ratings, lembra que, se a queda do dólar ajuda no endividamento de algumas empresas, ela também reduz a competitividade de quem vende para o exterior.

— A valorização do real tira a competitividade das companhias exportadoras. Em um ambiente de crescimento global ainda tímido, isso faz diferença. Entre os setores que se destacaram este ano estão os de papel e celulose, processadoras de carne (JBS) e petroquímico (Braskem).

Para Carvalho, os balanços do terceiros trimestre serão “mais do mesmo”: pressão no caixa, gastos com juros e demanda fraca. Ele afirma que, depois de retração no PIB em 2015 e 2016, as empresas sabem que não é mais possível melhorar os resultados este ano.

— Além de os números dos balanços do terceiro trimestre não mostrarem recuperação, acredito que não se verá isso nos números do quarto trimestre. Só para 2017 é que temos uma expectativa de melhora. E o fato de termos chegado ao fundo do poço não significa que haverá uma reversão forte da economia. Isso se dará de forma gradual — explica Carvalho.

Mesmo empresas que apresentam uma recuperação forte no preço das ações nos últimos meses, como a Petrobras, podem não surpreender. Embora a perspectiva da companhia seja positiva, principalmente após a mudança de direção, analistas lembram que, a médio prazo, seu desempenho depende do plano de venda de ativos e da disciplina financeira, já que não há margem para erros.

Empresas de um mesmo setor também devem ter resultados diferentes. De acordo com o banco de investimentos Goldman Sachs, a BRF será impactada de forma negativa pela desvalorização do dólar, que afeta sua operação externa, bem como pelo consumo fraco no Brasil. A JBS, por outro lado, pode se sair um pouco melhor. Embora também sofra com a queda no consumo interno, há expectativa de um resultado positivo nos Estados Unidos, onde os concorrentes já anunciaram ganhos de margem. Luca Cipiccia e João Barrieu, analistas do banco, disseram acreditar que “as expectativas de recuperação no terceiro trimestre estavam otimistas”.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior