Monthly Archive: May 2016

Ibovespa sobe mais de 200 pontos em 30 minutos após superávit primário de R$ 10,2 bi

O Ibovespa vira para alta nesta terça-feira (31), na volta do feriado que deixou as bolsas fechadas nos Estados Unidos e em Londres. Lá fora, os índices dos EUA operam perto da estabilidade. Enquanto isso, a Europa cai puxada por montadoras como a Volkswagen. No cenário doméstico, o presidente interino Michel Temer teve a sua segunda baixa em 19 dias com a saída do ministro da Transparência, Fabiano Silveira. No entanto, o efeito dessa nova derrota é amenizada pelo surpreendente resultado fiscal do governo em abril.

Às 10h59 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira tinha alta de 0,31%, a 49.114 pontos. A Bolsa subiu 257 pontos em 30 minutos da mínima do dia antes das 10h30. Já o dólar comercial apresenta alta de 0,34% a R$ 3,5902 na venda, enquanto o dólar futuro para junho tem alta de 0,38% a R$ 3,587. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2017 opera com valorização de 2 pontos-base a 13,66%, ao passo que o DI para janeiro de 2021 registra ganhos de 5 pontos-base a 12,80%.

Resultado fiscal
O governo fez um superávit primário de R$ 10,2 bilhões em abril, superando bastante a expectativa mediana dos economistas, que esperavam um superávit de R$ 1,9 bilhão. No acumulado de 12 meses, no entanto, o déficit primário fica em 2,33% do PIB (Produto Interno Bruto). A relação dívida PIB, apesar do superávit, cresceu de 67,2% em março para 67,5% em abril. Em termos nominais, abril foi um mês de déficit de R$ 13,163 bilhões, ante estimativas de R$ 23,6 bilhões de resultado negativo.

Fonte: Infomoney
Postado por: raul motta junior

Governo reconhece que teto de gastos não é suficiente e prepara novas medidas, diz Valor

O anúncio de um teto para as despesas da União vinculada ao crescimento da inflação do ano anterior não é o suficiente para trazer de volta o equilíbrio das contas públicas no curto prazo. A percepção de que a medida não representa ajuste fiscal expressivo imediato é evidenciada nos cálculos feitos pela equipe econômica do governo interino conforme aponta o jornal Valor Econômico, que só traria o tão desejado superávit em oito anos.

Mas uma autoridade garantiu em conversa ao jornal que não será esperado tanto tempo, o que indica que serão anunciadas novas medidas para contribuir com a convergência dos gastos para um equilíbrio em relação às receitas do governo. Especula-se que as novas medidas envolvam mudanças de regras em benefícios sociais, venda de ativos da União ou até, em último caso, elevação ou criação de impostos. A reforma da Previdência também é proposta em construção.

Ainda não estão claras as regras do teto de despesas anunciados pelo governo na semana passada. Caso seja levada a rigor, a medida impediria qualquer aumento real nos gastos do governo ainda que houvesse a retomada do crescimento, o que culminaria em uma redução prática da participação do Estado na economia, considerando-se um prazo mais largo. Assim, a relação despesas/PIB, hoje na casa dos 19%, em seu nível mais elevado da história, começará a caminhar para uma retração.

Outra questão que não está clara é se, com o estabelecimento do teto de despesas, haverá meta de superávit. Segundo técnico ouvido pelo Valor Econômico, a grande âncora do mercado passaria a ser o teto de despesas. Para isso, no entanto, seria preciso alterar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Com todas as alterações e a retomada da confiança do investidor na economia brasileira, a equipe econômica vê possibilidades de o país crescer até 3% já no ano que vem.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Limite de gastos permitirá queda do Risco País, diz Carlos Kawall

A medida anunciada pelo governo de estabelecer um teto para o gasto público é “poderosa”, uma vez que poderá viabilizar nos próximos anos sua queda como proporção do PIB brasileiro, avalia o economista-chefe do banco Safra e ex-secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall. Para ele, a criação do teto poderá propiciar queda estrutural dos juros e recuperação de um ciclo virtuoso da economia.

Qual é a sua avaliação sobre as medidas de ajuste fiscal anunciadas pelo governo?
Além da proposta da reforma da Previdência, que deve vir em um mês, entre as medidas anunciadas a mais importante foi a ideia de trazer o teto do gasto. A proposta que está sendo colocada tem uma eficácia maior, pois instituiria o teto na Constituição e isso envolveria escolhas, inclusive em relação a gastos obrigatórios, como Educação, Saúde e INSS. Sabemos que será um assunto que demandará uma ampla capacidade de negociação política, envolvendo o governo e a sociedade. O princípio que está por trás da estratégia é de que não devemos tentar agora, e não é viável, iniciarmos um debate desse tipo com propostas de aumento de carga tributária. Acho que tem havido manifestações muito claras da classe empresarial de que não há mais espaço para resolver a questão fiscal com contínuas altas de impostos.

O que a medida de teto de gasto permitirá no longo prazo?
Essa medida é poderosa. Se conseguir ir na direção do gasto caindo em 2 ou 3 anos entre 1,5% e 2% do PIB, se o gasto público for cadente enquanto proporção do PIB, lembrando que ele cresce à média de 0,3% do PIB ao ano nos últimos 15 anos, vai conquistar algo muito importante: uma queda estrutural da taxa de juros e do prêmio de risco país. A solução de um ajuste fiscal é formada pela redução dos prêmios de risco, queda de juros consistente e recuperação do crescimento. O importante é mostrar uma trajetória que em algum momento a relação da dívida pública bruta ante o PIB convirja para uma estabilidade e depois caia. Daí, virá a queda estrutural de juros e um circulo virtuoso de aumento do PIB, alta do investimento e redução do desemprego.

O que foi anunciado pelo governo vai nessa direção?
Claro. Porque é a ideia de conter o problema do gasto onde ele é mais complicado, nos 92% dos gastos do governo, que são obrigatórios. Quando impõe o teto conceitualmente, sinaliza que ataca pelas despesas e não pelas receitas.

Quando a dívida bruta começará a cair?
Não fiz as contas ainda. Até porque dentro dessa equação teremos de colocar medidas para o abatimento do estoque da dívida. Eu defendo há muito tempo a redução do balanço do BNDES, com o pagamento antecipado de sua dívida ao Tesouro. Isso tem efeito sobre o estoque, e não sobre o primário.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: infomoney
Postado por: Raul Motta Junior

Investidor hesita em acreditar no Fed

É difícil culpar os investidores por serem complacentes quando o Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) diz que está prestes a elevar novamente os juros. As autoridades monetárias têm repetido esse discurso desde o início do ano passado, mas recuaram, quando os dados mostraram terem superestimado o vigor da economia americana.

Esse cenário está se desenhando novamente nos mercados globais. Mesmo depois que a ata do Fed divulgada na quarta-feira representou forte sinalização de que o aumento pode vir já em junho, o mercado de títulos aponta uma probabilidade de 28% de que isso venha a se confirmar.

“O Fed e outros bancos centrais podem endurecer o discurso, tentando manipular o rumo dos juros, mas o mercado diz ‘nós não acreditamos em você'”, disse Steve Major, diretor de pesquisas em renda fixa na HSBC, com sede em Londres, um dos 23 dealers primários de títulos do governo americano que negociam com o Fed. “Ventos estruturais contrários ao crescimento e o cenário internacional são limitações até aonde os juros podem ir nos EUA.”

Embora a ata da reunião do Fed em abril tenha indicado que as autoridades monetárias consideraram um aumento dos juros provável para o próximo mês se a economia continuar a melhorar, os investidores veem muitos obstáculos. Um referendo no Reino Unido em 23 de junho decidirá se o país continuará membro da União Europeia. A dinâmica de crescimento na China está perdendo força após uma recuperação alimentada por crédito no início deste ano e o dólar está novamente em alta.

Alguns gestores dizem que já é hora de os traders começarem a voltar a precificar decisões do Fed. Jeffrey Gundlach, da DoubleLine Capital, disse na quinta-feira que o banco central está sinalizando que os dados econômicos estão suficientemente robustos para justificar um aumento dos juros. Rick Rieder, diretor de investimentos de renda fixa global na BlackRock , disse que as autoridades provavelmente vão esperar até julho para avaliar o resultado e as implicações do referendo britânico.

té agora, os mercados têm acertado, ao apostar que o Fed está blefando. Autoridades do Fed baixaram sua previsão média para os juros do mercado interbancário de longo prazo para 3,25%, de até 4,25% em 2012.

As autoridades monetárias vêm pressionando os investidores a se prepararem para aumentos há mais de um ano, mas só os elevaram uma única vez. A 0,88%, o rendimento dos Treasuries de dois anos estão mais baixos do que em dezembro, quando os custos de empréstimos de referência foram elevados de quase zero pela primeira vez desde 2006.

Para decepção das autoridades, a economia americana está sendo incapaz de manter um ritmo de crescimento como em ciclos anteriores de aperto do juro. A economia mal cresceu no primeiro trimestre, tendo expandido a uma taxa anualizada de 0,5%. Embora a taxa de desemprego tenha caído abaixo de 5%, a inflação permanece abaixo de 2%, que é a meta do Fed.

“A economia não exibe vitalidade suficiente para que o Fed aja de forma decisiva”, escreveu Christopher Low, economista-chefe da FTN Financial, em nota aos clientes quinta-feira.

Além disso, há o dólar. Com as expectativas de aumento dos juros, o dólar sobe, colocando as ações de companhias americanas sob pressão, ao corroer os lucros das multinacionais. Dólar mais forte e ações mais desvalorizadas deixam mais apertadas as condições financeiras, tirando algum vigor da economia.

O avanço de 18% do dólar contra as principais moedas ao longo dos últimos dois anos ajudou a minar as commodities, cujos preços são fixados em dólares. Uma renovada valorização reacenderá as preocupações em relação a calotes em massa no setor da energia, incentivará capitais a fugir de mercados emergentes e enfraquecerá suas moedas.

Em março, autoridades do Fed reduziram abruptamente suas expectativas para os juros, o chamado “gráfico de pontos”, depois que a depreciação do yuan e saídas de capital da China impactaram os mercados globais. Economistas do Goldman Sachs qualificou-a de uma das mais moderadas decisões do Fed no século 21. Na quinta-feira, estrategistas do banco disseram que embora a possibilidade de alta em junho tenha crescido, isso está longe de garantido.

“As atas ressaltam como têm sido voláteis as comunicações do Fed”, disseram Robin Brooks e Michael Cahill, do Goldman, em nota. “É difícil, para o Fed normalizar a política [monetária], pois o dólar poderia apreciar muito.”

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Banco médio lucra menos e busca manter liquidez alta

Assim como os grandes bancos de varejo, as instituições financeiras de médio porte sentiram os efeitos da crise econômica nos balanços do primeiro trimestre. Com o aumento das despesas contra calotes, o lucro recorrente combinado dos sete bancos de capital aberto foi de R$ 118 milhões, o que representa uma queda de 31% em relação ao mesmo período do ano passado. Duas instituições – Banco Pan e Indusval – fecharam o trimestre no vermelho.

Embora os problemas para todos os bancos sejam basicamente os mesmos, as instituições de médio porte são apontadas como mais vulneráveis ao atual cenário da economia, em razão da concentração maior da carteira de crédito e dos custos de captação mais altos. As dificuldades de algumas instituições, contudo, vêm de antes da crise.

O maior risco de calotes com a piora da economia levou os bancos a pisar no freio do crédito e preservar recursos em caixa. O saldo combinado da carteira de ABC Brasil, Daycoval, Indusval, Banco Pan, Paraná Banco, Pine e Sofisa encerrou março em R$ 66,4 bilhões, o que representa queda de 2,7% no trimestre e de 7,4% em 12 meses.

Apesar da redução do estoque de crédito, a alta nos “spreads” (diferença entre o custo de captação e as taxas cobradas dos clientes) provocada pela escassez de recursos disponíveis na praça favoreceu o resultado de algumas instituições. O ABC Brasil registrou lucro líquido de R$ 95,5 milhões no primeiro trimestre, com alta de 19% em relação aos três primeiros meses de 2015.

Especializado no crédito a empresas, o banco controlado pelo Arab Banking Corporation atribuiu o resultado à menor concorrência, que permitiu uma melhor seleção dos clientes. “Entramos em um bom número de companhias às quais não tínhamos acesso antes”, afirma o vice-presidente executivo da instituição, Sérgio Lulia Jacob.

O ABC foi o único dos bancos médios listados na bolsa a registrar alta no lucro no primeiro trimestre. Ainda assim, a margem financeira da instituição ficou mais apertada em razão do aumento nas provisões. Com a alta da inadimplência, os bancos médios reservaram um total de R$ 533,6 milhões para proteger os balanços contra calotes no primeiro trimestre, 22% acima do volume provisionado no mesmo período de 2015.

As perdas potenciais com a inadimplência e os impactos sobre a saúde financeira dos bancos de menor porte preocupam analistas. A qualidade dos ativos representa o maior risco para os bancos de médio porte no cenário atual, segundo Alexandre Albuquerque, analista da agência de classificação de risco Moody’s. “A inadimplência vem subindo e não se pode descartar elevações adicionais nos próximos trimestres”, afirma.

Na semana passada, outra agência de risco, a Standard & Poor’s (S&P), rebaixou a classificação do Banco Pine para “B+”, dois níveis abaixo da nota soberana do Brasil. Para a agência, a qualidade dos ativos do banco pode continuar a se deteriorar em razão da concentração de crédito da instituição em meio ao fraco desempenho da economia brasileira.

A maior concentração da carteira torna mais difícil a tarefa dos bancos médios de absorver potenciais perdas. No ano passado, o Indusval passou por um aumento de capital de R$ 80 milhões depois de fazer uma provisão de R$ 210 milhões para cobrir perdas com créditos a produtores rurais originados pela trading Ceagro.

Além de reduzir o crédito, os bancos têm procurado preservar a liquidez para o caso de um agravamento ainda maior do cenário. O Paraná Banco, por exemplo, encerrou o trimestre com R$ 1,7 bilhão em caixa, o equivalente a 35% da captação total.

O custo do carregamento dessa posição, porém, afeta a rentabilidade. A média do retorno sobre o patrimônio dos bancos listados no primeiro trimestre foi de 9,1%, contra 11,7% no mesmo período do ano anterior. O dado não considera os números do Pan e do Indusval, que tiveram prejuízo em ambos os trimestres.

A redução no crédito também contribuiu para que os bancos médios reforçassem a posição de capital. O índice de Basileia, que mede o quanto as instituições podem emprestar em relação a seu patrimônio, das instituições que possuem capital aberto subiu, na média, de 17,5% para 18,6% entre o primeiro trimestre de 2015 e março deste ano. O Pan possui o menor índice, de 14,5%, mas ainda assim bem acima do mínimo exigido pelo Banco Central, que neste ano é de 10,5%.

A expectativa dos executivos dos bancos é que os índices de capitalização em níveis elevados permitam uma retomada dos negócios quando a situação econômica melhorar. “Há sinais pífios de alguma recuperação à frente. São pífios, mas são sinais melhores”, afirmou Ricardo Gelbaum, diretor de relações com investidores do Daycoval. O tom de algum otimismo para a economia até o fim do ano foi compartilhado por executivos de outras instituições em teleconferências com analistas.

Embora a crise tenha afetado o resultado, os bancos médios, de uma maneira geral, já vinham entregando resultados fracos mesmo antes da piora da economia. “As instituições contam com uma estrutura de receita menos diversificada e uma estrutura de funding mais volátil”, afirma o analista da Moody’s.

Os investidores cobram a fatura desse desempenho. As sete instituições são negociadas hoje abaixo de seu valor patrimonial na bolsa. Os preços baixos e a falta de perspectiva de novas captações de recursos por meio de uma oferta de ações levaram alguns bancos, como Daycoval, Sofisa e Indusval, a lançar ofertas aos minoritários para fechar o capital.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

‘Por ora, Fed não ameaça cenário para Selic no Brasil’

O ajuste dos mercados globais à possibilidade de alta de juros nos Estados Unidos não representa uma mudança estrutural de cenário para a política monetária americana, o que implica poucas alterações no quadro para os ativos brasileiros, diz o diretor de renda fixa e multimercados da Franklin Templeton Investimentos, Rodrigo Borges.

Borges não descarta, contudo, novas altas do dólar e dos juros futuros, muito influenciados por correções a um cenário mais realista para o Brasil, depois do rali recente dos ativos.

Ele diz, por exemplo, que a curva de juros (as taxas projetadas no mercado futuro ao longo dos diversos vencimentos) está “um pouco sem prêmio”, o que limita o espaço para novas quedas das taxas. Por outro lado, minimiza o risco de postergação de corte da taxa básica Selic, pelo Banco Central, já que apenas se o dólar subir a R$ 3,75 poderia haver um repasse mais forte da desvalorização cambial aos preços.

Valor: As reações do mercado nos últimos dias refletem mudança de cenário para o Fed?

Rodrigo Borges: Não acredito que o que houve na quarta-feira [reação negativa dos mercados globais à ata do Fed] representa uma mudança de cenário para a política monetária americana. A maioria dos analistas já trabalha com duas altas de juros nos EUA neste ano. Quem se recusa a acreditar nisso é o mercado. Mesmo com o forte movimento de ontem, a curva de juros nos EUA ainda precifica apenas uma alta integral [de 0,25 ponto percentual] dos juros por lá. Para mim não é uma mudança de cenário, é apenas uma acomodação do mercado à probabilidade de as expectativas serem cumpridas e o Fed subir o juro em dois momentos neste ano.

Valor: Então é possível que haja mais ajustes de alta do dólar e dos juros conforme o mercado alinha suas expectativas às dos analistas?

Borges: Se os analistas de mercado estiverem certos, deveremos ter mais ajustes nessa direção. Mas duas altas de juros não seriam necessariamente uma novidade para o mercado. Duas altas já estão no radar. Mais de duas, talvez não, e então, nesse caso, poderíamos ter movimentos mais expressivos. O mercado às vezes extrapola em suas avaliações, observando apenas dados do dia a dia para ter uma leitura geral. Acho que o que estamos vivendo agora é uma volta a uma realidade que já era prevista.

Valor: De que forma o ajuste das expectativas do mercado para o Fed pode influenciar a política monetária brasileira?

Borges: Acho que a recente alta dos juros aqui [DIs] reflete uma velha máxima de “anda no boato, realiza no fato”. A curva precificava não só cortes, mas cortes começando em julho. Acho que o ajuste dessas posições está tendo um papel relevante na correção de preços dos últimos dias. Talvez o mercado tenha imaginado um cenário mais “esticado” [juros ainda mais baixos]. Agora, está se adaptando a um quadro mais consistente. A inflação projetada está caindo, mas segue longe da meta. É provável que o mercado espere também os efeitos das primeiras medidas para depois cortar juros, em nome da credibilidade. O mercado está agora se ajustando a essa realidade.

Valor: As contas externas têm garantido uma das poucas boas notícias à economia brasileira desde o ano passado. Como um cenário de política monetária americana mais apertada pode ameaçar a recuperação dessa variável?

Borges: O dólar médio ainda está acima da taxa praticada no mercado hoje, portanto, em termos de taxa de câmbio não vejo grandes preocupações. Ainda acho que o que houve sobre o Fed foi apenas um ajuste de expectativa dentro de um cenário esperado. Portanto, não acho que isso muda muito as coisas. O que teria potencial para afetar essa recuperação da conta corrente seria uma postura do Fed que não esteja dentro das expectativas, como mais de duas altas de juros.

Valor: A chance de alta do dólar poderia gerar preocupações com a inflação?

Borges: O dólar à vista teria de ir a R$ 3,75 para começarmos a ter algum risco à inflação.

Valor: O Fed mais “hawkish” representa neste momento de melhor expectativa para o Brasil um risco aos fluxos de capitais ao país?

Borges: As saídas de recursos do Brasil têm sido até modestas considerando tudo que o país já passou: rebaixamentos, crise política, recessão. Não acho que as novas notícias sobre o Fed mudam esse cenário. As saídas são pequenas em relação às reservas internacionais. Mas, de fato, o estrangeiro vai aguardar mais para ver as coisas se consolidando aqui. Tudo o que o estrangeiro quer é que a situação fique mais estável.

Valor: A gestora alterou a estratégia para a renda fixa brasileira?

Borges: Não mudamos. O juro está um pouco sem prêmio, o que de certa forma explica os movimentos de altas dos últimos dias. Já tínhamos uma posição leve nesse mercado, então não temos por que fazer um grande ajuste. Mas quem está com posição maior talvez tenha. O impeachment, na verdade, potencializou uma chance de queda de juros com a qual já trabalhávamos por causa do impacto da recessão sobre a inflação. Mas não acredito que o ajuste de alta das taxas invalida a ideia de que o mercado crê que medidas a serem anunciadas podem reduzir os juros na frente sob uma perspectiva mais estrutural.

Valor: E o que esperar para o dólar?

Borges: É difícil falar sobre o câmbio, mas o que temos de fato é que já houve uma depreciação do real forte no ano passado e a conta corrente segue melhorando. Isso é favorável para a moeda. Talvez se o Banco Central não estivesse intervindo teríamos um câmbio ainda mais valorizado. Se a economia crescer mais que o esperado no ano que vem e o Fed não causar surpresas, não acho trivial a chance de valorização cambial.

Valor: Como o BC vai equilibrar o desmonte de swaps cambiais com o dólar no mundo podendo subir mais?

Borges: O BC vai continuar aproveitando janelas de oportunidade para reduzir o estoque de swaps. Se essa janela não aparecer, ele não vai diminuir. De qualquer forma, o tamanho do estoque está OK agora, não é um problema em si.

Valor: Qual a chance de o novo Banco Central voltar a usar swaps tradicionais no caso de uma nova onda de alta do dólar?

Borges: Tenho minhas dúvidas sobre a disposição desse novo BC de segurar valorização do dólar. A política anterior para o câmbio parecia mais clara: atuar sempre que o movimento do câmbio descolasse muito do que se via no exterior. Agora isso para mim não está tão claro.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

BCE: É essencial não deixar espaço para dúvida sobre reanimar inflação

A ata da mais recente reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), realizada em abril, revela que o conselho da instituição não deseja deixar dúvida quanto ao compromisso de que conseguirá reavivar a inflação na zona do euro, bloco integrado por 19 países.

A ata da reunião também mostrou que há um entendimento abrangente, entre os integrantes do conselho, de que a política monetária do BCE está funcionando e de que há razão para um otimismo moderado quanto à perspectiva econômica.

Na reunião de abril, o BCE decidiu manter as linhas da política monetária, mas o presidente da instituição, Mario Draghi, deixou a porta aberta para novos cortes nas taxas de juros, após as iniciativas adotadas em março.

A ata do último encontro de política monetária revela que o BCE também se mostra inclinado a reafirmar, coletivamente, a sua independência frente a pressões políticas que têm sofrido – uma referência indireta a autoridades de finanças da Alemanha, que têm criticado o efeito da adoção de taxas de juros negativas sobre os que poupam.

“Houve amplo entendimento de que há necessidade de se contrapor à percepção de que a política monetária não pode contribuir por mais tempo para o retorno da inflação” à meta, diz a ata do BCE.

“Houve o entendimento de que é muito importante reiterar o compromisso do conselho do BCE em trazer a inflação de volta à meta, sem atraso indevido, mantendo a referência futura como algo essencial à ancoragem das expectativas e ao suporte de uma transmissão efetiva da política monetária”, informa a ata.

Segundo o documento, tal aspecto é “ainda mais importante” tendo em vista que a inflação permanece há três anos abaixo da meta. “Foi então salientado que é necessário não deixar espaço para dúvida quanto ao compromisso do conselho de assegurar o retorno da taxa de inflação para sua meta de médio prazo, sem atrasos indevidos”.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Educação financeira passa em teste do Banco Mundial, mas efeito é pequeno

Depois de ter seu primeiro contato com educação financeira ao longo de seis meses, 18 mil alunos do Ensino Fundamental brasileiro foram testados pelo Banco Mundial. Nas 112 escolas municipais de Joinville (SC) e Manaus (AM) onde foram submetidas ao programa piloto, a nota média foi 515, ante 508 de um grupo que não recebeu a instrução – pela metodologia, a mesma do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) que considera o desempenho global do grupo, a régua vai de 370 a 793. Os resultados, divulgados com exclusividade para o Valor, serão apresentados hoje na Semana Nacional de Educação Financeira. Os números vão servir de base à decisão de incluir ou não a educação financeira no currículo das escolas públicas de Ensino Fundamental.

Os números não brilham aos olhos. Além do diferencial de somente sete pontos de quem passou pelo programa, um olhar detalhado por pergunta também mostra avanços sutis. Sem ter a educação financeira incluída no cotidiano escolar, 16% dos alunos da nona série são totalmente contra gastar o troco de uma compra com algo que querem no lugar de guardar o dinheiro. Com a formação, o percentual sobe pouco, para 19%. O percentual no mesmo grupo dos que acham que fazer alguma poupança é importante para evitar problemas no futuro sobe de 37% para 38%. No quinto ano, os que dizem ter aprendido a mexer com dinheiro na escola é de 32% entre os que passaram pelo programa e de 27% entre os que não, somente para citar alguns exemplos.

“Na verdade, o efeito não é muito grande, mas é estatisticamente significativo, diferente de zero. Você pode dizer que funcionou”, diz Caio Piza, economista do Banco Mundial e um dos responsáveis pela avaliação do projeto. Na análise dividida por séries, em que foram testados os terceiro, quinto, sétimo e nono anos, os resultados foram significativos do ponto de vista estatístico para os dois últimos, mas não para os dois primeiros. “Precisamos compreender um pouco melhor como incrementar o conhecimento e as atitudes dos alunos muito mais novos”, diz Piza.

De forma geral, o efeito mostrado foi semelhante ao de outras intervenções na área de educação voltadas para a melhora de proficiência, como em Matemática ou Português, quando sob avaliação, segundo Piza. Ou seja, o diferencial pequeno das intervenções não é exclusividade da educação financeira. Além disso, defende, a pesquisa mostrou algum aumento de proficiência por conta da instrução, o que não apareceu em estudos similares, como o de um programa com estudantes entre 6 e 14 anos em Gana, na África, em que o incremento foi nulo. As pesquisas para essa faixa etária são escassas.

O Banco Mundial já tinha aprovado o programa brasileiro voltado para o Ensino Médio, ainda que também sem grandes margens. Os alunos que receberam as aulas tiveram nota média de 60,4, ante 56,1 do grupo de controle em um indicador de alfabetização financeira que ia de 0 a 100.

O resultado foi positivo principalmente quando se pondera que o programa durou apenas seis meses, defende Claudia Forte, superintendente da Associação de Educação Financeira do Brasil (AEF-Brasil). Os livros chegaram às escolas no meio de 2015, não no começo do ano escolar, e ainda houve um intervalo até vencer a resistência dos 427 professores a um novo material. O programa não cria uma disciplina específica, mas indica o uso em meio a diferentes matérias. “É uma grande lição que o programa deixa: precisamos sobretudo envolver o professor”, diz Claudia, que pensa em campanhas diretas e cursos de formação.

A partir do teste piloto, a ideia é disseminar o programa, segundo Claudia. Não será, entretanto, uma missão fácil. No Brasil, enquanto o Ensino Médio fica a cargo dos Estados, o Fundamental é tratado principalmente no âmbito das secretarias municipais. São cerca de 130 mil escolas, que devem ser alcançadas por meio de conversas com mais de 5 mil secretários de Educação dos municípios. “Há de se fazer uma articulação política extremamente importante”, diz.

O Banco Mundial quer avaliar agora o resultado no Brasil de uma exposição à educação financeira continuada, o que pode ser feito por meio do acompanhamento de alunos da terceira série que acabaram de entrar no programa.

A especialista em psicologia econômica Vera Rita de Mello Ferreira defende que a educação financeira comece pelas crianças na escola. “É a fase em que os comportamentos estão começando a se formar, então você tem mais chance de instalar novos hábitos. É muito mais fácil do que tentar mudar o comportamento de adulto”, diz a professora, que integra o comitê de pesquisa para educação financeira da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Para obter resultados nessa faixa etária, entretanto, o método importa muito. Vera Rita, que prestou consultoria sobre aspectos psicológicos na elaboração do material brasileiro, diz que está longe de ser o caso de falar sobre investimentos para uma criança, mas sim de ensinar a se organizar, planejar, lidar com recursos escassos. E ela defende que os professores sejam muito bem capacitados.

Já William Eid, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (GVcef), diz que as pesquisas apontam para resultados mais positivos da educação financeira “just in time”, ou seja, na véspera de ser colocada em prática. É por esse motivo que ele defende formatos de intervenção como listas acessíveis on-line que ofereçam o passo a passo para situações específicas, como trocar a casa dos pais pelo imóvel próprio ou planejar um mochilão, por exemplo. “Essa é a informação que importa, o restante ele não retém”, defende o professor.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Dólar e juros têm reações moderadas após anúncio de equipe econômica

Os mercados de câmbio e juros têm reações moderadas ao anúncio da equipe econômica pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. De forma geral, os nomes já eram esperados e, portanto, não surpreenderam.

Meirelles confirmou expectativas e anunciou Ilan Goldfajn como presidente do Banco Central (BC), que não terá mais status de ministro. O também ex-diretor do BC Carlos Hamilton será o secretário de Política Econômica da Fazenda e o economista Mansueto Almeida vai focar suas atividades na Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), especialmente na análise da qualidade e eficiência das despesas públicas.

Meirelles disse ainda não haver decisão sobre a CPMF e, muito menos, sobre a Cide. O ministro afirmou também que não existe, por ora, proposta pronta para a reforma da Previdência.

Às 9h21, o dólar comercial caía 0,46%, a R$ 3,4864, em linha com o movimento da moeda ante outras divisas. O dólar para junho cedia 0,38%, a R$ 3,5035.

Nos juros, o DI janeiro de 2021 recuava a 12,230% ao ano, ante 12,270% no ajuste da véspera. O DI janeiro de 2018 cedia a 12,650%, frente a 12,670% no último ajuste.

Na ponta mais curta, o DI janeiro de 2017 tinha taxa de 13,580%, contra 13,600% no ajuste anterior.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Mercado espera que BC mantenha desmonte de swap

O Banco Central tende a manter os esforços para limitar os ganhos do real, aproveitando janelas de apreciação da moeda americana para estender o desmonte do estoque de swaps cambiais tradicionais no mercado. E isso depende menos do novo presidente do Banco Central do que do sentimento dos mercados internacionais.

Essa avaliação tem sido referendada pela ênfase que o novo governo tem dado ao comércio exterior. Em seu discurso de posse como presidente interno, Michel Temer afirmou na quinta-feira que o comércio exterior será um dos três pilares sobre os quais o novo governo estará assentado. Os outros dois são estabilidade e um forte programa de concessões e privatizações.

Em uma evidência dessa postura, Temer assumiu o comando da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão antes na esfera do Ministério da Indústria e Comércio (Mdic), que foi esvaziado.

A valorização de quase 50% do dólar em relação ao real no ano passado promoveu um dos maiores ajustes em conta corrente já experimentados pelo Brasil. Em março e abril de 2015, o déficit em conta corrente em 12 meses sobre o PIB somava 4,51%, o maior desde 2001. Um ano depois, esse rombo já se reduziu a 2,39%, segundo as últimas estatísticas disponíveis do BC.

O ganho de quase 13% do real neste ano, contudo, já começou a despertar preocupações em torno dos riscos de perda da competitividade adquirida com a desvalorização da taxa de câmbio ao longo de 2015.

O receio é que um real mais forte esfrie o otimismo em relação à expectativa que os estrangeiros tragam recursos ao país para investimentos – aproveitando-se dos preços mais atraentes dos ativos domésticos com a taxa de câmbio mais fraca -, e atrase uma recuperação liderada pelo crescimento das exportações.

“Levando isso em conta, esperamos que, se as pressões de baixa sobre o dólar continuarem, o BC e o Ministério da Fazenda se coloquem fortemente contra uma apreciação do real”, afirma o estrategista para a América Latina do Scotiabank Eduardo Suarez.

O BC voltou a ofertar em março contratos de swap cambial reverso, instrumento cuja colocação equivale a uma compra de dólares no mercado futuro.

O mercado considera ainda que, ao reduzir o estoque de swaps tradicionais, o BC conseguirá fortalecer esse instrumento caso seja necessário utilizá-lo novamente. “Há um risco-China no radar no segundo semestre, e aparentemente o BC quer chegar a este momento com posição mais leve e com mais espaço para atuar se necessário”, diz o especialista em câmbio da Icap, Italo Abucater.

As atuações do BC têm se concentrado em dias de forte desvalorização do dólar ou quando a moeda cai muito abaixo de R$ 3,50. Tal dinâmica de intervenções levou analistas a apontar essa taxa como uma espécie de piso para a moeda americana. E a ameaça a esse suporte potencializa a redução dos estoques de swaps cambiais pelo BC.

Embora a postura do BC limite o espaço para apreciação real, a melhora das expectativas econômicas na esteira da troca de governo também enfraquece leituras de que a moeda brasileira está vulnerável a outra onda de liquidação como a observada no ano passado.

Dividido entre esses pontos, o Morgan Stanley mantém posição “neutra” para o real. Além da recompra de swaps tradicionais, o banco diz estar “ciente” de riscos relacionados à política, mas ressalva que esse não é o cenário-base com que trabalha.

O Morgan estima que o dólar fechará este ano em R$ 3,75. Na sexta-feira, a moeda fechou cotada a R$ 3,531.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior