Monthly Archive: April 2016

Perfil conservador deve evitar o crédito privado

A mediana de retorno dos fundos de crédito privado neste ano é de 99% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), antes do desconto do imposto de renda. E não foi muito maior nos últimos três anos – entre 102% e 103% -, segundo um levantamento feito pelo consultor financeiro Marcelo d’Agosto com base na provedora de informações financeiras independente Morningstar a pedido do Valor.

Não vale a pena correr o atual risco de crédito para ficar com um diferencial tão pequeno em relação ao CDI, diz Marcelo Urbano, que seleciona papéis e fundos de crédito para clientes de alto patrimônio na GPS. “É preferível ficar em uma LFT [título público que segue a variação da Selic] até passar a incerteza e só depois começar a pensar em crédito privado. Isso é um jogo para ‘big guys’ [gente grande]”, afirma.

Gestores que compram papéis com prêmio apertado e ainda têm elevadas taxas de administração devem ser evitados, defende Urbano. Quem quer correr risco deve procurar um gestor especializado em crédito. Ele exemplifica com as casas dedicadas a ‘high yield’, que até compram papéis com alto risco de calote ou remarcações, mas exigem do emissor um retorno elevado. “Esses fundos têm orçamento para perder dinheiro”, diz.

Urbano também desaconselha a opção por casas com patrimônio sob gestão muito pequeno. Isso porque, nesses casos, se um pequeno número de investidores resolver resgatar, o gestor pode ser obrigado a vender papéis no mercado às pressas, trazendo prejuízo para o restante da carteira. Ou, pior, em um mercado pouco líquido, que ainda tem problemas para refletir o risco nos papéis, o gestor pode entregar o caixa aos cotistas que saem e deixar o prejuízo futuro para os que ficam, o que o mercado chama de transferência de riqueza entre cotistas. “Quem sobra por último fica com o pior”, diz o alocador.

Para um olhar especializado, podem surgir oportunidades. Arturo Profili, sócio-gestor da Capitânia, que aloca R$ 2 bilhões em ativos de crédito, diz que aproveitou a elevação dos prêmios de risco para equilibrar sua carteira nesse ambiente de deterioração, comprando apenas papéis com notas mais altas de crédito, que no passado não interessavam por conta dos baixos ‘spreads’, os prêmios em relação aos títulos públicos. Dos 40 casos de investimento em carteira hoje, 15 são resultado desse tipo de investimento feito de um ano e meio para cá.

O gestor tem dado preferência a papéis líquidos de emissores frequentes negociados no mercado secundário, por considerar que eles já foram testados. Um exemplo, cita Profili, é uma debênture da Sabesp, que foi emitida com retorno de 4,5% mais a variação da inflação e chegou a ser comprada a 10% mais IPCA.

Para Jean-Pierre Cote Gil, chefe de investimentos para crédito na Western Asset, a piora do risco de crédito criou boas oportunidades de investimentos tanto no mercado secundário quanto no primário. Ele diz, no entanto, que enquanto boa parte dos gestores tem reduzido o prazo médio do portfólio no momento, a Western está “cautelosamente otimista” e até já indicou aos emissores que tem interesse em comprar debêntures com vencimentos de até cinco anos. “Achamos que é um bom momento para travar spreads mais gordos por mais tempo” afirma o gestor, que já foi diretor da área de finanças estruturadas da S&P na América Latina.

De maneira geral, Profilli afirma que a maior parte das gestoras partiu para um movimento de neutralização do risco em suas carteiras nos últimos 18 meses, buscando ativos mais líquidos, a fim de poder arcar com eventuais pedidos de saque. Esse processo de limpeza das carteiras deve durar, na opinião dele, até o primeiro trimestre de 2017.

A fatia investida por fundos brasileiros em títulos de crédito privado tem encolhido aos poucos – caiu de 22% do patrimônio total em dezembro de 2014 a 20% ao fim de março, dado mais recente da Anbima, associação que representa o mercado. O valor aplicado em debêntures caiu de R$ 92,24 bilhões em dezembro de 2014 para R$ 85,28 bilhões no mês passado.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Com Ilan no BC, mercado vê chance de Selic cair mais cedo

A possibilidade de o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, vir a assumir o Banco Central é vista pelo mercado financeiro como sinal de que os juros podem cair mais cedo. Ilan foi um dos primeiros analistas do mercado a prever corte de juros este ano. E segue até agora com um dos cenários mais ousados para a política monetária: corte da Selic a partir de julho, com a taxa caindo para 12,25% no fim de 2016 e para 10% no ano que vem.

Diante desses elementos, o mercado financeiro especula que a confirmação de Ilan pode significar um viés mais “dovish” – favorável ao alívio monetário – ao Banco Central do que num cenário em que outro ex-BC, o sócio do Banco Brasil Plural, Mário Mesquita, venha a ser escolhido. Mas no caso dos ex-diretores do BC, Goldfajn está mais para “dovish” dentro do seu oposto “hawkish”.

Ilan é um dos nomes que têm sido levados por assessores do vice-presidente Michel Temer a gestores de recursos em conversas que têm por objetivo “testar” possibilidades para a equipe econômica. A definição dessa equipe – não só o ministro da Fazenda e o presidente do BC, mas também o comando dos bancos públicos – é vista no mercado como o primeiro sinal para uma reação otimista ou pessimista dos ativos financeiros. E o nome de Ilan agrada. “É o melhor BC em tempos!”, comemora um profundo conhecedor de política monetária e do papel dos bancos centrais que dobrou a partir da crise financeira de 2008/2009.

O nome de Mesquita também tem sido ventilado como uma possibilidade para o BC. E, a julgar pelo conteúdo de seus relatórios recentes, sua gestão seria marcada ainda por muita cautela na condução da política monetária.

Analistas que têm contato mais próximo a Ilan advertem que o mercado pode estar exagerando na avaliação sobre o que seria um BC conduzido por ele. Isso porque, ao definir seus cenários de corte de juros, o economista do Itaú coloca na conta o “efeito Tombini”, ou seja, está levando em consideração a história do atual BC de sempre fazer as escolhas de política monetária mais flexível. O próprio Ilan teria em mente que, com outro BC, a resposta dos juros ao atual quadro de inflação poderia ser mais lenta.

O cenário do Itaú também chama a atenção pelo pessimismo em relação à atividade e seu efeito sobre os preços. A projeção para o PIB em 2016 é de retração de 4% – a mediana do mercado, de -3,88%. E, para a inflação, de 6,9% neste ano e de 5% em 2017. O Brasil Plural também conta com uma queda do PIB da mesma ordem, mas espera um IPCA mais alto, de 7,3% este ano e de 5,5% no próximo.

A atenção ao quadro recessivo vem marcando os relatórios do Itaú desde o fim do ano passado. Os documentos alertavam para os “potenciais efeitos desinflacionários em setores mais intensivos em mão de obra, como o de serviços” – exatamente aquele onde os preços mostraram maior resistência.

Em dezembro de 2015, quando a ata do Copom começou a preparar o mercado para um aperto monetário no curto prazo por causa da inflação alta, o Itaú dizia que o cenário levaria o comitê a manter a Selic em 14,25% pelos próximos meses. E foi exatamente isso que aconteceu. O Copom não subiu os juros em janeiro, contrariando sua própria sinalização. Tentou, com sua comunicação, evitar apostas em um alívio monetário no curto prazo, baseadas na piora dos indicadores de atividade. Ainda assim, os relatórios assinados por Ilan mantinham no radar a ideia de redução de juros ainda este ano. No último relatório do Itaú, a projeção era de corte já a partir de julho.

Em 20 de abril, relatório do Itaú afirmava que “os dados de atividade seguiram fracos, o que levou o Copom a revisar para baixo a projeção de crescimento do PIB este ano. Esses movimentos nas variáveis exógenas devem levar a uma queda nas projeções de inflação estimadas pelo modelo do BC.”

Para o Brasil Plural, o problema é que a recessão atual, com uma fortíssima contração do investimento, pode estar ocasionando uma importante destruição de capacidade produtiva. “Estimamos no Brasil Plural que ao final da recessão o PIB terá contraído 9% em termos cumulativos e o investimento, 34%. Nessas circunstâncias, o crescimento potencial, que muitos julgam estar na casa de 2% a 3%, pode ser ainda menor, o que implica o risco de a reaceleração inflacionária começar em patamares de crescimento relativamente baixos – no momento, o consenso do mercado é que, após contrair 3,5% em 2016, o PIB registre expansão de parcos 0,5% em 2017 e 1,5% em 2018″, diz o texto.

Em outro relatório, divulgado no dia 20, Mesquita disse que a Selic ficaria estável no encontro do Copom encerrado ontem, mas que o rumo nos próximos meses dependerá justamente da definição de quem estará à frente do BC. Ele reconhece, entretanto, que o viés da política monetária é de estabilidade ou, eventualmente, de queda. O tom mais “hawkish” – inclinado ao aumento de juros – foi identificado também em declarações que teriam sido feitas pelo economista em evento em São Paulo, de que apesar da queda da inflação ainda é preciso trabalhar duramente para “atingir o centro da meta” de 4,5%.

Ilan Goldfajn é um renomado acadêmico. PhD pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), ingressou, em 1999, no Departamento da PUC-Rio, onde atuou até o fim de 2008. Integrou a partir de 2000, a diretoria da instituição sob o comando de Arminio Fraga. Na função de diretor de Política Econômica, ele substituiu o economista Sérgio Werlang e permaneceu no posto até julho de 2003. Naquele ano, compôs a equipe de Henrique Meirelles que presidiu a instituição durante os dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010). O economista Afonso Bevilaqua – também cotado para a presidência do BC neste momento – substituiu.

Mário Mesquita assumiu a diretoria de Política Econômica do BC entre 2007 e 2010, na gestão de Henrique Meirelles, também é um nome forte e bem visto pelo mercado. Doutor em economia pela Universidade de Oxford, ele é visto como um firme defensor do regime de metas de inflação, com baixa tolerância a desvios desse objetivo. No BC, ele também foi diretor de estudos especiais, entre 2006 e 2007. No mercado, foi economista-chefe do Banco ABN Amro, entre 2000 e 2006.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

O gestor brasileiro é mesmo eficiente?

Warren Buffett, o mítico investidor americano, já recomendou aos investidores aplicarem em produtos com gestão passiva, ou seja, aqueles cujas carteiras apenas repliquem índices de mercado. Exemplo típico desses produtos são os ETFs (Exchanged Traded Funds). Esses fundos possuem composição idêntica à dos índices de mercado. Por exemplo, o PIBB11 espelha o IBrX-50 e o BOVA11 segue o Ibovespa. No caso do primeiro, por intermédio de um único ativo se adquire automaticamente 50 ações. Mas a recomendação de Buffett vale para o mercado brasileiro?

Leia texto na íntegra no blog do André Rocha: www.estrategista.net.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Lucro dos bancos deve ter primeira queda desde 2013

FILE - HSBC Agree 1.9 USD Laundering Payment Settlement

Na quarta-feira, o Santander Brasil inaugura uma temporada de resultados mais fracos para os quatro grandes bancos brasileiros listados em bolsa. Com gastos cada vez maiores para fazer frente ao aumento da inadimplência, o lucro do quarteto deve cair 8% em comparação com o primeiro trimestre do ano passado, somando R$ 13,459 bilhões. É um desempenho ainda expressivo em tempos de retração econômica, mas que marca o fim de um ciclo de crescimento que começou no segundo trimestre de 2013, de acordo com o Goldman Sachs.

A cifra corresponde à média das projeções de seis analistas consultados pelo Valor. O diagnóstico feito pela maioria desses profissionais é que tal quadro deve se repetir nos próximos trimestres, sem dar trégua até a metade do ano que vem.

A queda na atividade e o aumento das despesas de provisão contra calotes tendem a pesar mais sobre o Banco do Brasil. A estimativa média dos analistas do Deutsche Bank, HSBC, Itaú BBA, J.Safra, UBS e Goldman Sachs, para o lucro do banco público no primeiro trimestre é de R$ 2,437 bilhões, o que representaria uma queda de 19% em relação ao resultado ajustado do mesmo período do ano passado. Se fosse considerada a receita extraordinária que o banco teve em 2015 com a criação da Cateno, joint venture na área de cartões com a Cielo, a redução no lucro seria ainda maior, de 58%.

Os bancos privados, porém, estão longe de conseguir passar ao largo desse cenário. Itaú e Bradesco podem registrar rentabilidade sobre patrimônio abaixo de 20% pela primeira vez em pelo menos dois anos, de acordo com relatório do Deutsche Bank, assinado por Tito Labarta.

O analista projeta um retorno sobre o patrimônio líquido de 18,8% para o Itaú no primeiro trimestre deste ano, pouco abaixo estimado para o Bradesco, que deve ficar em 19,2%. Já o retorno apresentado por Santander e BB deve ficar entre 10% e 13%.

O avanço da inadimplência estará novamente no centro dos debates sobre os resultados. Analistas continuam a chamar a atenção sobre as renegociações em massa que vêm sendo promovidas pelos bancos, o que ajudou a evitar um crescimento ainda maior na inadimplência. A leitura de analistas do Goldman Sachs é que, sem uma expectativa de melhora significativa no cenário econômico, renegociar esses créditos equivale a “chutar a lata” a uma curta distância estrada abaixo.

“A lenta recuperação na confiança e o aumento do desemprego devem limitar a efetividade das renegociações, simplesmente represando o aumento dos índices de inadimplência por alguns meses”, escrevem os analistas da instituição, em relatório a clientes. A tese é similar à de um relatório recente da agência de classificação de risco Moody’s que afirmou que o aumento das renegociações mascara a qualidade dos ativos dos bancos.

A projeção média dos analistas para o lucro do Itaú no primeiro trimestre é de R$ 5,274 bilhões. Se confirmado, o resultado será 8% inferior ao registrado pelo maior banco privado do país nos três primeiros meses de 2015. Já o Bradesco deve ser o único entre as grandes instituições que deve apresentar um pequeno aumento no lucro. A projeção média dos analistas é de um resultado de R$ 4,365 bilhões, 3% maior que o observado entre janeiro e março de 2015.

Além da alta na inadimplência, o fraco crescimento do crédito, que diminui as receitas obtidas com esse tipo de intermediação, também pressiona os resultados. Com a apreciação do real em relação ao dólar nos três primeiros meses do ano, os empréstimos em moeda estrangeira dos bancos não terão a ajuda do efeito cambial que tiveram no ano passado para avançar. Graças a esse efeito, analistas do Itaú BBA esperam, por exemplo, “quase nenhum” crescimento no portfólio de crédito do Banco do Brasil no trimestre.

O Goldman Sachs já questiona se não está na hora de os bancos reverem algumas das projeções apresentadas em janeiro para 2016. Na visão dos analistas da instituição, o Bradesco foi menos conservador que o Itaú nesse sentido e pode ser obrigado a refazer algumas estimativas. Para os analistas, dado o comportamento histórico dos bancos, é mais provável que essa revisão ocorra só após o segundo trimestre.

Entre os destaques positivos do primeiro trimestre, a expectativa é que os bancos ainda colham alguma expansão nas margens de juros, fruto do elevado patamar em que se encontra a taxa Selic. “Para os bancos, os fracos volumes e a deterioração gradual na qualidade de ativos devem ser parcialmente compensados pelo benefício da expansão das margens num ambiente de altas taxas de juros”, escrevem analistas do HSBC em nota enviada a clientes.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Mercado vê inflação e juros menores em 2016, mas PIB deve recuar mais

Os economistas consultados pelo Banco Central (BC) no Boletim Focus preveem inflação menor e corte de um ponto percentual na taxa básica de juro neste ano.

A mediana das projeções para o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou pela sétima semana consecutiva, de 7,08% para 6,98% de aumento, ficando abaixo da marca de 7% pela primeira vez desde 8 de janeiro. A projeção, contudo, segue acima do teto do intervalo de meta para a inflação estipulado para o ano, de 6,5%.

A expectativa para 2017 também caiu, pela terceira vez, de 5,93% para 5,80%, afastando-se um pouco mais do teto definido para o calendário, de 6%.

Com menor pressão inflacionária, os economistas veem espaço para uma queda maior nos juros, atualmente em 14,25% ao ano. A mediana das estimativas para a Selic saiu de 13,38% para 13,25% no fim de 2016 e de 12,25% para 12% no fim de 2017.

Entre os analistas Top 5, que mais acertam as projeções, a mediana das estimativas para a alta do IPCA em 2016 teve pequena alteração, de 7,06% para 7,05%. Para 2017, passou de 6,20% para 6%. As projeções para a Selic seguiram em 13,38% e 12,25% em 2016 e 2017, respectivamente.

Atividade

Enquanto melhor a perspectiva de inflação e juros, a previsão para a atividade segue em queda. Os analistas veem um recuo maior do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, de 3,88%, em vez de 3,80%. No caso de 2017, houve leve melhora, com expansão projetada para a economia brasileira de 0,30%, em vez de 0,20%.

Divulgado na sexta-feira passada, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) mostrou que a atividade caiu 0,29% em fevereiro, uma melhora relativa ante a queda de 0,68% na abertura de 2016, feitos os ajustes sazonais. Em 12 meses, porém, a retração ainda é forte, de 4,63%.

Outros dados divulgados nos últimos dias mostram o impacto da recessão sobre o mercado de trabalho e a arrecadação. O desemprego aumentou para 10,2% no país e a renda caiu 3,9% no trimestre encerrado em fevereiro, ante 2015, segundo a Pnad Contínua, do IBGE. Contando apenas o emprego formal, houve uma perda líquida de 118,8 mil postos de trabalho em março, o pior resultado para o mês desde 1992, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No trimestre, quase 320 mil empregos foram eliminados. Com salários e trabalho em queda, a intenção de consumo do brasileiro caiu 5,5% em abril para o menor nível desde 2010, segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Respondendo à queda da produção e do consumo, a arrecadação federal de impostos e contribuições levou um tombo de 7% em março e de 8,2% no primeiro trimestre, segundo a Receita, os piores resultados desde 2010.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

BC se ausenta do mercado e dólar tem queda de quase 2%

Depois de uma rodada de intervenção agressiva no câmbio, em que comprou apenas neste mês US$ 32,293 bilhões via contratos de swap cambial reverso (que equivalem a aquisições no mercado futuro), o Banco Central alterou a sua forma de atuação. Após ter ficado fora do mercado ontem, a autoridade monetária anunciou a venda de 20 mil contratos de swap cambial reverso para hoje, que equivalem a uma compra futura de US$ 1 bilhão.

Sem a atuação do BC no mercado, o dólar caiu 1,96% ontem, para R$ 3,5269, acompanhando o movimento no exterior, sustentado pelo alívio da aversão a ativos de risco e recuperação d das commodities. Essa foi a primeira vez, desde o dia 1º, que a autoridade monetária deixou de ofertar contratos de swap cambial reverso.

O BC já reduziu em US$ 27,803 bilhões o estoque de swaps cambiais tradicionais a vencer no curto prazo, por meio das vendas de swaps reversos desde 21 de março. Na prática, os contratos de swap reverso representam a operação inversa dos contratos tradicionais e têm um efeito de anular o estoque desses papéis.

Com isso, a autoridade monetária renovará apenas 17,81% do lote de US$ 10,385 bilhões em contratos de swap cambial tradicional que vence em maio. Além disso, ele zerou os lotes de US$ 10,152 bilhões e US$ 11,057 bilhões que vencem em junho e julho e não precisará fazer os leilões de rolagem nos próximos dois meses, considerando a liquidação dos contratos de swap reverso que foram vendidos até 18 de abril.

A autoridade monetária tem aproveitado a disposição dos investidores em reduzir as posições compradas na moeda americana para acelerar a redução do estoque em contratos de swap cambial tradicional. Incluindo na conta os papéis cujos vencimentos já foram liquidados, o BC já reduziu o estoque nesses instrumentos cambiais de US$ 108,113 bilhões em 1º de março para US$ 76,095 bilhões no dia 18 de abril.

Segundo analistas, o fato de o real não ter descolado de seus pares no exterior teria levado o BC a ficar fora do mercado ontem. Além disso, o especialista em câmbio da corretora Icap, Italo Abucater, chama a atenção para a questão da moeda americana não ter rompido o piso dos R$ 3,50. Embora ressalte que não há piso para o dólar, o BC tem intensificado a atuação no mercado quando a moeda americana cai abaixo desse nível.

Para alguns agentes do mercado, o fato de o BC não ter vendido o lote integral de 80 mil contratos no leilão de segunda-feira e o dólar não ter cedido mostra que o apetite para venda de dólares para prazos maiores pode ter diminuído. Investidores anteciparam a redução das posições compradas em dólar antes da aprovação do impeachment da presidente, Dilma Rousseff, na Câmara no domingo.

O BC deve regular o tamanho do estoque de acordo com a demanda do mercado e, por isso, reduziu a venda inicial de contratos de swap cambial reverso hoje de 80 mil para 20 mil contratos.

O avanço no processo de impeachment da presidente e a expectativa de que uma mudança de governo abriria espaço para a implementação de reformas econômicas e fiscais têm sustentado o desmonte de posições compradas em dólar e sustentado a queda dos juros.

Ontem os investidores ajustaram as posições no mercado de juros após a forte queda verificada na segunda-feira. Com a curva de juros refletindo a probabilidade de corte da taxa Selic de 1,5 ponto neste ano, quedas adicionais das taxas dos contratos futuros de juros de curto prazo dependem de uma definição em relação ao cenário político e sobre qual será a equipe econômica nos próximos meses. O DI para janeiro de 2017 subiu de 13,48% para 13,52%, enquanto o DI para janeiro de 2021 subiu de 12,86% para 12,9%.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Bancos tentam reduzir uso de cheque especial e rotativo de cartão

Se é normal os especialistas em finanças pessoais aconselharem distância do cheque especial e do rotativo do cartão de crédito, não deixa de ser surpreendente que os próprios bancos passaram a engrossar o coro dessa recomendação. “Minha meta para os próximos anos é reduzir a carteira de cheque especial e de crédito rotativo no banco”, afirma Raul Moreira, vice-presidente executivo de varejo do Banco do Brasil (BB). “Em 2015, o cheque especial já caiu, mas o rotativo andou de lado. Neste ano, os dois vão cair”, afirma.

Não é apenas o banco público que passou à condição de desestimulador do produto. Campanhas publicitárias e declarações de representantes de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander mostram que existe um movimento para repensar a relação de seus clientes com as mais caras linhas de crédito bancário para pessoa física – o rotativo do cartão, por exemplo, tem taxas de juros que ultrapassam os 400% ao ano.

Longe de ser uma bondade, incentivar a redução do uso do rotativo e do cheque especial, linhas em que a margem dos bancos é alta, tem uma justificativa econômica. Com o bolso das famílias cada vez mais apertado e o desemprego em alta, a conclusão dos bancos é que, se quiserem manter os índices de inadimplência na pessoa física sob controle, terão também que controlar o endividamento de seus clientes nas linhas emergenciais.

No acumulado de 12 meses encerrados em fevereiro, o estoque de cheque especial cresceu 2,5%, para R$ 27,4 bilhões. O rotativo do cartão, por outro lado, avançou 16,7% no mesmo período, para R$ 36,87 bilhões. No cheque especial, a taxa média de juros estava em 294% ao ano em fevereiro. No rotativo, em impressionantes 447,5% ao ano. Criticados pelo custo elevado dessas linhas, os bancos argumentam que a taxa de juros cobrada é reflexo dos altos níveis de inadimplência e da falta de garantias nesse tipo de operação.

“Nossos modelos estatísticos mostram que o cliente que fica muito tempo no rotativo não costuma ser rentável”, afirma Adriano Pedroti, diretor de crédito e cobrança no Itaú Unibanco, o maior emissor de cartões do país. Segundo ele, não só é alta a chance de o cliente “recorrente” do rotativo deixar de pagar essa fatura, como também os demais produtos que contratou com o banco, ampliando o prejuízo. No fim das contas, o banco também acaba perdendo um cliente, e com ele se vai um potencial futuro de receitas.

A avaliação de Moreira, do BB, é que o incentivo à redução das linhas de maior risco foi um dos fatores que explicam a queda da inadimplência pessoa física do banco em 2015. O indicador de empréstimos em atraso do banco recuou de 2,3% para 2,17% ao longo de 2015.

O BB mudou até a remuneração dos gerentes para fazer o plano funcionar. Desde o ano passado, o rotativo e o cheque especial deixaram de entrar na conta dos volumes das agências para fins de remuneração. O banco só recompensa seu funcionário por cheque especial se for um limite novo, concedido para abertura de conta.

Em 2015, o saldo de cheque especial do banco encolheu 1,2% no acumulado em 12 meses encerrados em dezembro, para R$ 2,3 bilhões. Já a carteira de operações no cartão de crédito cresceu 6% no período, a R$ 22,15 bilhões. O banco não divulga no balanço quanto dessa carteira são operações de rotativo.

O presidente do Santander, Sérgio Rial, também abordou o produto. Na divulgação de resultados anuais do banco, o executivo afirmou que “deixar o cliente no cheque especial hoje é inviável”. “Ninguém tem interesse em ter cliente inadimplente no cheque especial”, disse. O banco espanhol não divulga o tamanho de seu portfólio dessa linha.

O Itaú decidiu encampar uma campanha publicitária em que prega o uso do cartão de crédito como uma “solução, não como um problema”. A série de esquetes inclui também um programa sobre o que é o cheque especial – “indicado para imprevistos e períodos curtos”. O estoque de financiamento no cartão de crédito do banco caiu 1,3% no acumulado em 12 meses encerrados em dezembro, para R$ 58,5 bilhões.

Segundo Marcos Magalhães, diretor de cartões do Itaú, o banco já vinha fazendo um movimento nos últimos anos para evitar o uso recorrente do rotativo, mas resolveu reforçar a mensagem agora, em um momento em que os clientes têm demandado mais a linha. “No longo prazo, temos a preocupação de evoluir outras linhas para diminuir o rotativo. É um produto que, em uma economia estável, teria que ser repensado completamente.”

Marcelo Noronha, presidente da Associação das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) e responsável pela área no banco Bradesco, afirmou recentemente que o rotativo “tem manchado a imagem do setor e estamos trabalhando para mudar essa linha”.

O discurso dos bancos também tem correlação com as elevadíssimas taxas de inadimplência nessas modalidades. O percentual de operações do rotativo do cartão de crédito que estão inadimplentes há mais de 90 dias encerrou fevereiro em 35,8%, depois de bater 40,5% em dezembro do ano passado. No cheque especial, a taxa de calotes saiu de 18,1% em dezembro para 16,2% em fevereiro – ante 13,7% um ano antes.

Não custa lembrar também que os bancos brasileiros, até 2019, terão que ter um capital cada vez maior para fazer frente a operações de créditos mais arriscadas. Esse é outro fator que explica a impopularidade recente do produto entre seus criadores. (Colaboraram Aline Oyamada e Vinícius Pinheiro)

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Mercados devem ter entusiasmo de curto prazo

A abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff pela Câmara, evento que vem dominando as atenções dos investidores há semanas, deve ser recebida com entusiasmo pelos mercados. Para analistas ouvidos pelo Valor, mesmo com a queda do dólar de 10,9% ao longo deste ano e da valorização de 22,8% do Ibovespa, ainda há espaço para uma melhora adicional dos preços no curto prazo.

Marcelo Allain, professor da Fipe-USP, diz que a forte valorização dos ativos, iniciada em março, conferia ao impeachment uma probabilidade de cerca de 70%. A votação de ontem portanto, fará os mercados ampliarem ainda mais as fichas depositadas nessa ideia, o que pode levar o Ibovespa para algo entre 56 mil e 57 mil pontos no início dos negócios. Na sexta-feira, o índice terminou a sessão em 53.227 pontos. “A bolsa tem um pouco mais para andar, especialmente considerando-se o placar mais favorável ao impeachment do que se previa”, afirma.

Previsão semelhante tem Adeodato Netto, da Eleven Financial Research, para quem o Ibovespa pode subir, logo no início da sessão, para 55 mil pontos. “Esse placar é uma demonstração de que deve ser dada celeridade ao afastamento da presidente”, afirma. Ele reconhece que a etapa do processo no Senado ainda é uma questão incerta, que pode trazer cautela nos próximos dias. “O Senado não deve reverter a decisão da Câmara, mas pode arrastar o processo, o que seria uma má notícia”, alerta. “Mas, no curto prazo, o mercado vai querer mandar o seu recado, mostrar uma pressão compradora em resposta à aprovação do processo”, diz.

Analistas alertam, entretanto, que o ambiente internacional pode acabar embaralhando as reações. O acordo sobre congelamento do petróleo na reunião de Doha, esperado para ontem, não foi fechado, o que empurraria os preços do petróleo para baixo e pesaria sobre as ações da Petrobras, com grande peso sobre o Ibovespa.

Para o dólar, analistas também veem espaço para queda adicional. Mas, nesse mercado, além do comportamento da moeda americana no exterior, a atuação do Banco Central no mercado pode limitar o movimento. Na semana passada, a autoridade monetária reforçou a oferta de contratos de swap cambial reverso – que funcionam como compra de dólares no mercado futuro – para fazer frente à onda de zeragem de posições compradas, que apostam na alta da moeda americana. Não foi anunciado nenhum leilão para hoje. Mas a expectativa é de que novas ofertas sejam realizadas ao longo do dia para impedir que haja volatilidade excessiva da moeda.

No mês de abril, o BC vendeu US$ 24,825 bilhões de swap reverso, que funcionam como compra de dólares no mercado futuro. Com isso, reduziu para US$ 76 bilhões o estoque de swaps tradicionais – formado a partir de 2013, com o objetivo de oferecer hedge (proteção) a investidores e empresas em um momento em que o dólar passou a se valorizar aqui e no mundo. Enquanto esse estoque for reduzido, a pressão de queda do dólar permanece.

Analistas são unânimes em afirmar que o efeito positivo sobre os mercados será mais duradouro quão mais rápido o processo for enviado ao Senado. O risco de a presidente Dilma permanecer no governo e fazer medidas populistas, já pensando nas eleições de 2018, é um dos pontos de preocupação levantados por gestores. O economista-chefe da Opus Gestão de Recursos e professor da PUC-Rio, José Márcio Camargo, acredita que, no médio prazo, os mercados podem devolver uma parte dos ganhos porque “há um certo exagero na alta porque ela se baseia na ideia de que qualquer coisa é melhor do que o governo Dilma, e isso é um equívoco.”

Para Allain, da Fipe, após o rali, os mercados passarão por um novo ajuste por causa dos fundamentos da economia. “A balança de pagamentos pode levar o dólar de volta para os R$ 3,90, e o resultado das empresas pode sugerir que a bolsa começou a ficar cara”, alerta.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Juro é posição favorita para ganhar com impeachment

Se os movimentos do câmbio e da bolsa, caso aprovado o impeachment da presidente Dilma Rousseff, são um mistério para os gestores de fundos, a convicção cresce sobremaneira quando o assunto é juro. A expectativa de que a credibilidade de um novo governo, somada a uma inflação em queda, vai criar uma janela para o corte na taxa Selic ainda não refletida nos preços é hoje a tese mais forte nos multimercados, próxima da unanimidade.

A tese do juro em queda toma aos poucos o lugar da convicção soberana até então: de valorização do dólar ante o real. Os principais gestores de multimercados reduziram a posição na moeda americana desde o começo do ano. Há um entendimento de que a troca de governo deveria favorecer a valorização do real, mas raros se sentiram confortáveis para montar a estratégia, que aparece muito pequena em poucas carteiras, dadas as intervenções do Banco Central no mercado de câmbio e o entendimento de que a economia americana segue forte.

Enquanto a história do dólar perdia espaço, gestoras como Verde Asset, SPX, Ibiuna, Kapitalo, Bozano, Flag e Opportunity aumentavam as posições em juros prefixados e indexados à inflação, segundo o Valor apurou. E assim essa virou a principal posição de vários desses fundos.

“Achamos que o melhor ajuste para se estar alocado no Brasil hoje é em juro”, diz Bruno Bak, gestor responsável pelos fundos multimercados da gestora do Opportunity, que somam R$ 5,3 bilhões. “O fundamento aponta para um ciclo de corte que pode ser significativamente mais profundo do que o mercado precifica”, afirma Virgilio Castro Cunha, um dos sócios responsáveis pelos fundos macro da Bozano Investimentos. “O ganho de credibilidade deve ser quase instantâneo e o câmbio em patamar mais baixo aponta para a queda da Selic”, diz Sérgio Goldenstein, ex-chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto do Banco Central, atual gestor da Flag Asset Management.

As duas mais renomadas gestoras de multimercados, Verde e SPX, com R$ 35,8 bilhões sob gestão, estão na mesma toada. Em conversas com alocadores, segundo fontes, a equipe da SPX, com R$ 8,5 bilhões em multimercados, tem repetido que o juro agora é o ativo mais óbvio. O entendimento é que a inflação tem dado sinais inequívocos de desaceleração, com um alívio vindo do câmbio e preços administrados já ajustados – com exceção da gasolina, que joga a favor da tese de menor nível de preços. A casa zerou neste ano a posição em dólar em relação ao real, mantendo 15% do fundo na moeda americana contra uma cesta de outras divisas.

E a Verde Asset trocou parte das posições em dólar neste começo do ano por NTN-Bs, títulos que pagam uma taxa prefixada mais a variação da inflação e ganham valor quando as expectativas para os juros se ajustam para baixo. A tese é que, com a ajuda do real mais fraco, o Banco Central teria um cenário mais favorável para cortar juro.

A questão em que não há consenso entre os gestores, por outro lado, é como se posicionar para ganhar com a queda dos juros. Luis Stuhlberger, gestor do fundo Verde, tem defendido há meses uma alocação em NTN-Bs. Já a SPX, pelo entendimento de que a inflação vai ceder, montou uma posição prefixada, em que se posiciona em uma taxa nominal.

Para se ter uma ideia, a decisão dos gestores seria equivalente à da pessoa física que poderia escolher ontem no Tesouro Direto, sistema de venda on-line de títulos, entre comprar uma LTN com vencimento em 2019 e travar a taxa prefixada de 13,1% ao ano ou escolher uma NTN-B de mesmo prazo, que paga 6,26% mais a variação da inflação no período. De forma simplificada, se a inflação for menor do que diferença entre os dois prêmios, 6,84%, o maior retorno é de quem se posicionou no prefixado. Do contrário, melhor seria ter optado pelo papel indexado.

Historicamente, quando se passa por um cenário de descompressão rápida de prêmios de risco com a atividade muito fraca, a inflação cede rapidamente, defende Cunha, da Bozano, que, por isso, prefere ficar prefixado. Ele tem alternado a posição entre os vencimentos de 2019 e 2021.

Bak, do Opportunity, tem as duas posições, mas a maior é na NTN-B para 2050, que, para ele, pode ganhar bastante valor no caso de um impeachment. “A questão fiscal é muito ruim e nós não somos muito otimistas, mas, se o governo for na direção certa de endereçar essa questão, o prêmio de risco pode fechar muito”, afirma.

Enquanto têm as principais apostas no mercado de juros, muitos multimercados com estratégia macro têm optado por montar estruturas com opções em câmbio e principalmente em bolsa, segundo David Kim, que seleciona fundos para compor o portfólio de investidores na gestora de patrimônio More Invest. Nesses casos a perda é limitada, diz, mas o ganho pode ser significativo para o caso de os ativos engatarem um novo rali. E nenhum gestor quer correr grandes riscos neste momento.

Os gestores têm sido cautelosos mesmo para montar grandes posições em juros, que podem ser reforçadas à medida que crescer a possibilidade de troca do governo. Para Cunha, da Bozano, caso haja o impeachment, o investidor internacional vai engrossar o coro dos gestores locais, em um forte fluxo para a renda fixa brasileira.

Para Guilherme Ferraioli, que monta portfólios para clientes de alto patrimônio na Consenso Investimentos, o investidor deve ficar atento à oportunidade. “Uma das grande fontes de retorno historicamente dos fundos multimercados macro brasileiros é a posição aplicada em juros”, afirma. O caso mais recente foi em 2012, quando o BC promoveu cortes sucessivos na Selic, até levá-la a um dígito. Naquele ano, os multimercados macro renderam em média 18,14%, bem acima dos 8,40% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), referencial para aplicações conservadoras.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Empresas reforçam venda de dólares

Após fundos de investimento iniciarem em março o desmonte de posições compradas em dólar no mercado doméstico (apostando na queda), diante da perspectiva de mudança de governo, agora já se começa a ver empresas reduzindo as suas alocações na moeda americana. Só na terça-feira, as companhias não financeiras venderam o equivalente a US$ 2,61 bilhões em derivativos cambiais negociados na BM&F, o que foi determinante para que o dólar fechasse em baixa mesmo depois da intervenção recorde do Banco Central, que vendeu US$ 8 bilhões em contratos de swap cambial reverso, que equivalem a uma compra da moeda americana no mercado futuro, em um único dia.

Segundo profissionais, esse movimento prosseguiu ontem, o que contribuiu para o dólar encerrar em queda de 0,40% a R$ 3,4757 e renovar a mínima do ano, apesar do aumento das intervenções do Banco Central no mercado de câmbio.

A autoridade monetária voltou a atuar de forma agressiva no mercado, vendendo 105 mil contratos de swap cambial reverso, o equivalente a uma compra futura de dólar, de US$ 5,250 bilhões, de um total de 180 papéis ofertados por meio da realização de cinco leilões.

Com isso, o BC reduziu em US$ 15,650 bilhões o estoque em contratos de swap cambial tradicional, que foram ofertados para dar proteção aos agentes do mercado – o saldo caiu para US$ 86,4 bilhões. A autoridade monetária tem aproveitado a menor demanda pela moeda americana para acelerar o desmonte do estoque desses derivativos cambiais.

As empresas têm diminuído a demanda por hedge diante da forte queda do dólar em relação ao real, sustentada pelo aumento das chances de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A percepção é que isso abriria espaço para a adoção de políticas econômicas mais austeras, e também pela melhora da aversão a risco no exterior. Além disso, algumas companhias têm optado por pagar parte das dívidas externas que estão vencendo. Em janeiro, a taxa de rolagem das dívidas externas de empresas brasileiras foi de 17%, e ficou em 55% em fevereiro.

Em abril até dia 12, o dólar acumulava baixa de 3,02%. Nesse mesmo período, as empresas não financeiras, reduziram o equivalente a US$ 5,14 bilhões em posições compradas em dólar na BM&F, considerando as aplicações em contratos futuros e cupom cambial (que representa os juros em dólar). Desde o começo do ano, as vendas somam US$ 5,80 bilhões. Ou seja, praticamente todo o desmonte começou agora em abril. Trata-se de uma queda de 81% das posições compradas em dólar neste mês, que passaram de US$ 6,361 bilhões em 30 de março para US$ 1, 225 bilhão em 12 de abril.

Em abril, as empresas venderam mais dólares do que investidores institucionais (fundos de investimento, por exemplo), que no período se desfizeram de US$ 4,52 bilhões e mantinham, no dia 12, uma posição líquida comprada em dólar de US$ 19,370 bilhões na BM&F.

No ano, contudo, os fundos ainda lideram a ponta vendedora de dólar, reduzindo sua posição comprada na moeda americana em US$ 11,63 bilhões. Isso mostra que essa categoria de investidores começou esse movimento mais cedo.

Vale lembrar que a maior parte das posições de hedge cambial das empresas é realizada via contratos a termo de moedas na Cetip.

Segundo um gestor, o ajuste “tardio” das empresas é justificável, já que decisões sobre alterações estruturais de posições de “hedge” por parte das companhias costumam demandar mais tempo, envolvendo diversas esferas.

De acordo com o profissional de tesouraria de um banco estrangeiro, “faz muito sentido” rumores que circulam no mercado sobre empresas específicas que operam nos mercados de derivativos, tanto de câmbio quanto de juros. “É difícil acreditar que o mercado queira vender US$ 8 bilhões para o BC em um dia sem pensar que isso é uma demanda específica, de um ou mais ‘players'”, diz esse profissional.

Segundo Sérgio Machado, chefe de vendas da mesa de renda fixa do BNP Paribas no Brasil, algumas empresas nacionais podem estar deixando de renovar algumas posições de hedge cambial que estão vencendo, diante da incerteza no cenário político local. “As empresas podem estar esperando um momento melhor para rolar essas posições de hedge.”

Já em relação às multinacionais, Machado lembra que as companhias têm uma política de hedge definida pela matriz e não têm reduzido suas posições por conta da mudança no cenário político.

Outro fator que reflete na menor demanda por proteção é o fato dos importadores terem reduzido o hedge cambial, depois de aproveitar a queda de 10% do dólar em março para travar os custos. “Em março, chegamos a ver um movimento de compra de dólar por parte de importadores quando a moeda caiu abaixo de R$ 4 e nesta semana esse movimentou diminuiu”, diz Fernando Pierri, superintendente executivo de tesouraria do Santander.

Em março, as operações de compra de dólar via contratos a termo por parte de empresas registradas na Cetip somaram US$ 17, 8 bilhões, acima dos US$ 16,196 bilhões de fevereiro, mas mostram queda de 20,22% em relação ao mesmo período do ano passado.

Segundo o sócio-diretor da Capitânia, que presta serviços de consultoria financeira para empresas, Rodrigo Zuniga, algumas companhias que não tinham hedge têm optado por fazê-lo por meio de opções de compra de dólar, em que a empresa paga um “prêmio” para comprar a moeda americana em determinada data de exercício e, se o dólar, cai, não precisa exercer a posição. “As empresas pagam uma taxa por esse seguro para proteger os passivos em dólar e ao mesmo tempo limitar as perdas”, diz.

O dólar abaixo de R$ 3,50 já começa a incomodar os exportadores, sobretudo os de papel e celulose. Segundo o executivo de uma grande empresa do setor de agronegócios, os embarques de carnes ainda estão com margens positivas, mas a preocupação no segmento é crescente, principalmente em virtude do risco de o dólar cair mais se o impeachment de Dilma for aprovado pelo Congresso. (Colaborou Luiz Henrique Mendes)

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior