Monthly Archive: March 2016

BC projeta inflação de 6,6% em 2016 e de 4,9% em 2017

A inflação anual medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar 2016 em 6,6%, recuar para 4,9% em 2017 e chegar a 4,5% no primeiro trimestre de 2018. Essa é a trajetória da inflação no cenário de referência do Banco Central (BC), que considera a taxa básica de juros em 14,25% ao ano e câmbio de R$ 3,70 ao longo do período analisado.

As projeções constam do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), que tem data de corte em 18 de março. A taxa de 6,6% é 0,4 ponto percentual acima daquela prevista para o mesmo período observada no documento anterior, de dezembro de 2015.

Para 2017, a projeção de 4,9% está levemente acima dos 4,8% apontados no relatório de dezembro. A queda é gradual, com inflação marcando 5,6% no primeiro trimestre do ano que vem, 5,2% no segundo e 5,2% no terceiro. Em dezembro, as projeções eram de 5,5%, 5,4% e 5,3%, respectivamente.

Para o primeiro trimestre de 2018, é a primeira vez que o BC apresenta projeção, que está em 4,5%.

A trajetória de recuo da inflação projetada pelo BC para 2016 é de 9,5% no primeiro trimestre, 8,7% no segundo, 8% no terceiro e, finalmente, 6,6% no encerramento de 2016.

No cenário de mercado, a previsão é de uma alta de 6,9% no IPCA no fim de 2016, recuando para 5,4% no encerramento de 2017. Para o primeiro trimestre de 2018, a inflação estimada é de 5%.

Este cenário contempla câmbio de R$ 4,15 para o último trimestre de 2016 e de R$ 4,20 para o último trimestre de 2017 e juros de 14,25% no último trimestre de 2016, de 12,5% no último trimestre de 2017 e de 11,5% para o fim de 2018.

Em dezembro de 2015, as projeções eram de IPCA de 6,3% no fim de 2016, recuando para 4,9% no fim de 2017. O BC considerou, na ocasião, que as projeções dos agentes econômicos indicavam uma taxa de câmbio média de R$ 4,2 no fim de 2016 e 2017, com juro de médio de 15,08% em 2016 e de 12,25% para 2017.

Estouro da meta

Considerando o cenário de referência do BC, a probabilidade de a inflação estourar o teto da meta de 6,5% neste ano é de 55% e de 22% no próximo calendário. Já no cenário de mercado, a probabilidade de o IPCA estourar o teto da meta em 2016 é de 65% e de 33% um ano depois.

Pelo regime de metas para a inflação, o BC tem de perseguir uma inflação de 4,5%, mas conta um uma banda de tolerância. Em 2016, ela é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Em 2017, a banda é menor, de 1,5 ponto percentual. Quando há estouro da meta, o presidente do BC é obrigado a escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda, explicando os motivos que levaram ao não cumprimento da meta.

Impactos nas expectativas de inflação

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC voltou a apontar que um dos principais riscos para as expectativas de inflação reside nas “incertezas quanto ao processo de recuperação dos resultados fiscais e à sua composição”.

Outros fatores com impacto nas expectativas foram a dispersão dos aumentos de preços e efeitos residuais do processo de ajuste de preços relativos observado em 2015.

No texto do RTI, a autoridade monetária afirmou que as projeções para 2017 e 2018 também foram afetadas, ainda que em menor grau, por esses mesmos fatores.

“Esses fatos constituem claro e importante sinal sobre a deterioração recente do balanço de riscos da economia, e demandam monitoramento para definição dos próximos passos na estratégia de política monetária”, afirmou o Copom.

Fonte: Valor
Postado por: Raul Motta Junior

BC prevê piora da inadimplência das empresas e revisa projeções

O Banco Central (BC) prevê novos aumentos na inadimplência bancária para empresas, em um ambiente de contínua deterioração no mercado de crédito, com alta nos juros e menor apetite de bancos para emprestar e dos clientes para se endividar.

Esse quadro, num período de recessão, levou a autoridade monetária a rebaixar a sua projeção de crescimento do mercado de crédito em 2016, de 7% para 5%. Confirmado o prognóstico, será o pior ano para o crédito desde 2007, início da série histórica.

A inadimplência total nos empréstimos para as empresas fechou fevereiro em 2,8%, a maior taxa registrada nas estatísticas atuais. O número tende a piorar, segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel.

Um indicador antecedente, afirmou, é o aumento da inadimplência entre 15 e 90 dias, no pagamento de empréstimos das pessoas jurídicas. O índice passou de 3,5% para 4% entre janeiro e fevereiro nas operações com recursos livres, maior percentual da série estatística que começa em 2011. As modalidades com maior atraso são aquelas mais vinculadas à atividade econômica, como o capital de giro e a aquisição de bens.

No caso das pessoas físicas, a inadimplência mostra estabilidade em 4,3%, o que resulta numa taxa média de atraso de 3,5% para o mercado como um todo. O índice entre 15 e 90 dias manteve-se em 6,2%.

No crédito direcionado, onde o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) domina, a inadimplência das empresas subiu a 1%, maior da série. Já os atrasos entre 15 e 90 dias, mostram recuo de 0,7 ponto percentual, para 1,2% da carteira.

No BNDES a inadimplência está em 0,9%, com alta de 0,4 ponto nos últimos 12 meses. A taxa no banco de fomento é historicamente baixa em função das punições severas, como a proibição de novas contratações, para os inadimplentes.

Os juros cobrados das empresas, considerando-se recursos livres, subiram no mês passado para 31,9%, patamar recorde, de 31,7% na abertura do ano. Em 12 meses, a alta chegou a 5,8 pontos percentuais. Com recursos direcionados, houve queda de 0,5 ponto no mês passado, para 11,8% ao ano. A carteira do BNDES, que responde por 40% do crédito direcionado, seguiu encolhendo. Em fevereiro, a redução foi de 1%, a R$ 626,748 bilhões, enquanto as concessões caíram 21,7%, para R$ 4,614 bilhões.

Em fevereiro, o estoque de crédito no sistema financeiro caiu 0,5%, a R$ 3,184 trilhões, vindo de uma retração de 1,1% em janeiro. De acordo com Maciel, os dados de fevereiro mostram a interrupção da expansão do mercado crédito. A queda mensal em janeiro é comum, mas em fevereiro não é. A última retração foi vista em fevereiro de 2009 (-0,03%) e, antes disso, apenas em 2000.

De acordo com Maciel, três fatores explicam esse comportamento. Primeiro a sazonalidade do ciclo econômico que é mais fraco no começo do ano. Segundo, a própria dinâmica da atividade e, também, um impacto modesto da apreciação cambial que atinge modalidades referenciadas em moeda estrangeira, como a carteira do BNDES.

Os juros das operações seguiram em alta, atingindo recorde de 31,8%, puxados pelo crédito livre. As pessoas físicas pagaram, em média, 68% ao ano. Essa taxa é distorcida por modalidades como cheque especial, com juros de 293,9% ao ano, maior da série que começa em julho de 1994, e cartão de crédito rotativo (447,5%).

No segmento de pessoas físicas, a modalidade que cresce é o crédito consignado, com alta de 0,8% no mês, e avanço de 8% em 12 meses. O financiamento à compra de veículos continua fora dos planos. O estoque cai por 14 meses seguidos e tem baixa de 13,5% em 12 meses, somando R$ 157,4 bilhões.

A tomada de crédito para a compra da casa própria continua, mas em ritmo duas vezes menor que o observado em anos anteriores. Essa modalidade, considerando-se recursos direcionados, avançou 0,5% no mês e teve alta de 13,5% em 12 meses. Os juros cobrados estavam em 10% ao ano, ante 8,9% no fim de 2014. Em 2013, essa taxa era de 7,6%.

Em fevereiro, nem bancos públicos, nem privados ampliaram a carteira de crédito, quadro raro de ser observado. As instituições públicas viram o estoque cair 0,3%, para R$ 1,796 trilhão, primeira baixa desde outubro do ano passado. Já os privados nacionais reduziram a carteira em 0,7% e os estrangeiros diminuíram em 0,5%.

Para o ano, o BC estima que os bancos públicos aumentem a carteira em 8%, ante estimativa anterior de 9%. No ano passado, a carteira dessas instituições cresceu 10,9%. Em 12 meses até fevereiro houve alta de 9,3%.

Os bancos privados nacionais devem ter novo ano de redução de carteira, agora estimada em 1%, depois de retração de 0,8% em 2015. A projeção anterior indicava alta de 2% em 2016. Em 12 meses, já há um recuo de 1,6%. Os privados estrangeiros tiveram a previsão de crescimento reduzida de 8% para 4%, após alta de 6,9% em 2015. Em 12 meses, houve alta de 5%.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Gestores reduzem fatia aplicada em dólar no portfólio

Os dois mais renomados gestores de multimercados brasileiros, Verde e SPX, reduziram de forma significativa a posição em dólar em relação ao real nas últimas semanas. O Verde, que tinha 25% do patrimônio na moeda americana no começo do ano e chegou a ter mais de 50% em 2015, acaba de levar essa fatia a 20%. O Valor apurou que também a SPX, que chegou a dedicar 40% do risco do fundo às posições que ganhavam com a alta do dólar, reduziu a cerca de 15%, e não opera mais contra o real, somente nos negócios de dólar versus outras moedas.

As duas gestoras – Verde Asset com R$ 23,5 bilhões e SPX com R$ 8,5 bilhões em multimercados – carregavam desde 2013 posições expressivas na moeda americana, fundamentadas em um pessimismo profundo sobre a economia brasileira. A convicção rendeu altos ganhos. Foi a valorização do dólar a principal fonte do retorno de 28,67% do Verde e de 31,5% do Nimitz, da SPX, em 2015, ante 13,23% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), referência para aplicações conservadoras.

“Nossa postura de reduzir alocações foi no sentido de refletir e reconhecer a mudança de cenário político”, afirma Luiz Parreiras, estrategista do fundo Verde. “Obviamente, a probabilidade de ter uma mudança política aumentou consideravelmente. Até algumas semanas atrás, trabalhávamos em um cenário-base de manutenção do governo, embora reconhecêssemos a probabilidade de mudança. Agora, a probabilidade cresceu a ponto de passar a ser o cenário-base”, diz Parreiras, que é braço direito do gestor Luis Stuhlberger. Era preciso reduzir as posições, afirma, ainda que se saiba que o processo político vai ser bastante complexo daqui em diante.

Também a SPX, segundo fontes, tomou a decisão de reduzir a posição em dólar com base em uma perspectiva mais concreta de impeachment, que, juntamente com os juros altos tornaram o custo de carregamento muito alto. A taxa de juro é o custo de oportunidade do gestor. É preciso acreditar que o dólar vai subir mais de 14,25% em um ano para fazer sentido montar uma posição em dólar em vez de repousar em títulos públicos.

Restam motivos, entretanto, para manter dólar no portfólio, na opinião da equipe do Verde. Entre eles, está a expectativa de que o Banco Central faça uma redução importante no estoque de swaps cambiais, instrumento por meio do qual modera a desvalorização da moeda. “É uma das principais razões pelas quais ainda temos conforto de manter a posição comprada [apostando na alta]”, diz Parreiras. “E, no médio prazo, olhando os fundamentos, o real não é uma moeda barata, mesmo a R$ 3,60″. Ele destaca que a inflação tem corroído o valor do real e considera que, em caso de uma recuperação da economia, o déficit em conta corrente voltará a crescer.

No cenário internacional, Parreiras aponta que, além da postura mais cautelosa do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), a acomodação dos preços das commodities em níveis mais altos pesa contra um real mais fraco. Para ele, entretanto, os vetores globais tendem a se reverter ao longo do tempo, com os preços das commodities voltando a desaquecer e os Estados Unidos prevalecendo como a economia mais pujante.

Assim como na Verde Asset e na SPX, o dólar deixou de dar o tom em grande parte dos multimercados macro, fundos que buscam ganhar com uma tendência para os ativos e reúnem R$ 55,9 bilhões. George Wachsmann, que seleciona gestores para clientes de alto patrimônio na GPS, conta que muitas das casas que conseguiram surfar o cenário de deterioração brasileira têm abandonado neste ano a posição de dólar contra o real.

Há, segundo Wachsmann, os gestores que simplesmente deixaram de operar as duas moedas, mas também os que preferiram escolher entre uma das duas. Os que acham que o jogo político vai culminar na troca de governo posicionam-se em uma valorização do real contra a moeda de outros emergentes. Os que acreditam na força da economia americana preferem fugir das questões locais e se posicionar em dólar contra uma cesta de moedas de emergentes que não inclua o real.

A Ibiuna Investimentos, que gere R$ 2,7 bilhões em multimercados, está no grupo dos que reduziram a posição em dólar contra o real na virada de fevereiro para março, segundo fontes, e zerou totalmente nas últimas semanas, também com base na evolução dos eventos políticos.

Os multimercados macro da Mauá Capital, do ex-diretor de Política Monetária do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo, também não têm posições relevantes em dólar contra real há algum tempo. O retorno de dois dígitos de janeiro a março foi obtido com posições em juros, segundo o Valor apurou.

Na gestora carioca Flag Asset Management, outro ex-BC, Sérgio Goldenstein, cujo fundo acumula ganhos de 9,4% de janeiro a março com juros, moedas e bolsa, chegou a montar uma posição pequena contra o dólar, ou seja, para ganhar com a desvalorização da moeda americana. Já no ano passado, o ex-chefe de Operações de Mercado Aberto do BC conta ter começado a avaliar como um ajuste no balanço de pagamentos mudaria o cenário para o real. “O câmbio estava muito apreciado nos anos anteriores, mas chegou a um ponto em que começamos a avaliar que as pressões seriam mitigadas”, afirma.

Os desdobramentos da Lava-Jato e o crescimento da possibilidade de impeachment foi a deixa, segundo o sócio-diretor da Flag, para se posicionar contra o dólar. O fluxo cambial mais positivo para o real de fato ocorreu e, em seguida, a gestora zerou a posição na moeda americana. Caso o processo político siga no sentido da troca de governo, até há espaço para uma maior apreciação do real, diz Goldenstein, ressalvando que o BC dispõe de instrumentos para conter a velocidade do movimento, o que aponta para posições em outros mercados, como em juros e na bolsa brasileira.

Aumentar a posição em juros foi o caminho escolhido pela Verde Asset em paralelo à redução do câmbio no portfólio. A gestora ampliou a exposição em NTN-Bs, títulos públicos indexados à inflação. O entendimento é que se desenha um cenário favorável a um novo movimento do BC, com ajuda do real menos depreciado. “Achamos que a janela de corte de juros se abre mais ainda”, diz Parreiras.

Com a escolha de vencimentos entre cinco e seis anos, a Verde Asset alongou um pouco o prazo de sua posição em renda fixa. Se o câmbio ficar estável por volta de R$ 3,65, estima o estrategista da casa, o juro real deve cair bastante, de 6,5% para algo mais perto de 5,5%, principalmente em um contexto de mudança política.

Também os clientes de alto patrimônio da GPS têm visto a posição em dólar cair, por meio dos multimercados em que aplicam, enquanto a renda fixa atrelada à inflação cresce. “Achamos que é uma boa forma de aproveitar os movimentos que têm acontecido de forma um pouco mais protegida”, diz Wachsmann.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul MOtta Junior

Mercado vê inflação menor e contração mais marcada da economia em 2016

A estimativa dos economistas para a inflação deste ano recuou pela terceira semana consecutiva, segundo o boletim Focus, do Banco Central (BC). Essa queda ocorre após a prévia de março ter ficado bem abaixo do esperado e acompanha uma piora na projeção para a atividade econômica do país em 2016.

A mediana das estimativas para o avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saiu de 7,43% para 7,31%. Há um mês, estava em 7,57%. A projeção em 12 meses também cedeu, de 6,60% para 6,48%. A projeção para 2017 seguiu em 6% de aumento.

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15 de março subiu 0,43%, após ter marcado 1,42% de alta um mês antes. Também na semana passada, o IBGE informou que o desemprego das seis maiores regiões metropolitanas do país subiu para 8,2% em fevereiro, com um tombo de 7,5% na renda real dessas regiões ante o mesmo período do ano passado. A Pnad Contínua, que abrange todo o país, mostrou desemprego de 9,5% em janeiro, ante 6,8% no mesmo período em 2015. Já o Caged, do Ministério do Trabalho, informou que foram fechados 104,5 mil postos formais de trabalho no mês passado. Em 12 meses, 1,7 milhão de empregos com carteira assinada foram perdidos.

Outro fator que deve injetar menos pressão sobre os preços é o dólar, que foi revisto para baixo pela sexta semana consecutiva, de R$ 4,20 para R$ 4,15 ao fim de 2016. Para o fim de 2017, a previsão passou de R$ 4,30 para R$ 4,20.

Com as expectativas de inflação caindo a cada semana, os economistas não têm mexido nas projeções para a Selic, que seguem em 14,25% em 2016 e 12,50% em 2017.

Entre os analistas Top 5, que mais acertam as projeções no médio prazo, a previsão para o incremento do IPCA de 2016 caiu de 7,46% para 7,18%. Para 2017, seguiu em 6,20%. Quanto à Selic, eles elevaram a expectativa para 2016 de 14% para 14,25% e reduziram a de 2017, de 12,50% para 12%.

Atividade

Enquanto isso, a recessão deve continuar se aprofundando, na visão dos economistas que contribuem para o Focus. A mediana das estimativas para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) de 2016 passou de recuo de 3,60% para retração de 3,66%, enquanto a expansão da atividade prevista para 2017 foi de 0,44% para 0,35%.

Foram revisadas as projeções para a produção industrial deste ano e a do próximo – a de 2016 saiu de queda de 4,50% para recuo de 4,40% e a de 2017 foi de 0,57% para 0,85% de crescimento.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

BCs e mercado vivem momento de tensão

Os bancos centrais estão voltando a uma era de racionamento de dinheiro? A pergunta pode soar estúpida numa época em que autoridades monetárias estão injetando rios de dinheiro em várias das principais economias do mundo. Mas, em seu desespero para impulsionar a inflação e o crescimento, os bancos centrais estão começando a romper com um dos dogmas modernos do seu campo de atuação, canalizando esse dinheiro diretamente para o que consideram usos “bons”.

Nas duas últimas semanas, o Banco do Japão e o Banco Central Europeu (BCE) fizeram intervenções que seriam impensáveis há apenas alguns anos.

As condições que o Banco do Japão impôs para que empresas se qualifiquem a integrar uma nova classe de fundos com ações negociados em bolsa (os chamados fundos de índice ou ETFs) parecem ter vindo de um ministro bem-intencionado, não de uma autoridade monetária preocupada com crescimento e inflação. As empresas podem se qualificar proporcionando um “ambiente de trabalho melhor, creches para os filhos dos funcionários ou expandindo seus programas de treinamento”.

O banco central japonês quer que os bancos criem um novo modelo de fundos de índice em que ele gostaria de investir. Esses fundos teriam apenas ações de empresas que estão ampliando os gastos de capital, investimentos em pesquisa e desenvolvimento e melhorando o que o BC chama de “capital humano” – o que significa aumentar salários, contratar mais pessoas e aprimorar os recursos humanos. Tudo isso são exigências razoáveis para empresas, principalmente japonesas. E provavelmente seria bom para a economia também.

As exigências, entretanto, não têm nada a ver com política monetária. Afinal, o objetivo principal dos bancos centrais é gerenciar a economia geral e deixar o mercado e o governo decidirem o melhor uso do capital, escolhas políticas por natureza.

O problema, diz Neal Soss, vice-presidente de pesquisa do Credit Suisse Group AG, é que “estes são tempos muito, muito desafiadores para a ortodoxia econômica”. E, se os governos não põem em prática uma política fiscal expansionista, os bancos centrais não têm opção a não ser preencher esse espaço.

É verdade que o presidente do Banco do Japão, Haruhiko Kuroda, não está nem de longe criando um plano quinquenal ao estilo soviético. Apenas 300 bilhões de ienes (US$ 2,7 bilhões) por ano serão gastos “com a meta de apoiar empresas que estão investindo proativamente em capital físico e humano”. O receio é que o Banco do Japão esteja apenas começando.

“É uma enorme politização do crédito: aqui estão as coisas legítimas para [justificar] os empréstimos, e aqui estão as coisas ilegítimas”, diz Russell Napier, estrategista independente e autor de “Anatomia do Mercado Baixista” (em tradução livre), um estudo de 70 mil artigos publicados pelo “The Wall Street Journal” durante períodos em que o mercado teve fortes quedas. “É capitalismo com características chinesas.”

O BCE, por sua vez, pretende pagar os bancos para que tomem dinheiro emprestado da instituição por até quatro anos, com a condição de que usem esse dinheiro para ajudar a economia “real”. Isso significa que eles não devem apenas dar força ao mercado imobiliário com uma maior oferta de financiamento de imóveis.

O BCE já realizou outras operações de refinanciamento de longo prazo direcionadas a alvos específicos antes, mas cobrando dos bancos a mesma taxa padrão dos juros para empréstimos semanais. Desta vez, o BCE cortou os juros para até -0,4% ao ano – o que significa virtualmente pagar os bancos para captar -, se os bancos emprestarem para a economia real um volume maior que uma referência baseada em empréstimos recentes.

A tensão entre os bancos centrais e o mercado é real. As autoridades monetárias têm tentado de tudo para incentivar as famílias e as empresas a consumir mais e assumir mais riscos. Para isso, eles reduziram juros, tornaram a poupança menos atraente e empurraram os investidores para ativos mais arriscados. Mesmo assim, os bancos centrais tentaram deixar os detalhes da alocação de capital para o mercado, intervindo principalmente no mercado mais “seguro” de dívida soberana.

Mas a atitude global é de cautela. Investidores alijados dos bônus de governos compraram títulos corporativos e ações consideradas de menor risco e com os dividendos mais confiáveis, ou seja, aquelas que se parecem mais com títulos de dívida. Acionistas, por sua vez, vêm pressionando as empresas para que evitem investimentos em novos ativos e devolvam mais dinheiro a eles através de recompras de ações.

“O mercado preferiria que as empresas pegassem o dinheiro barato do BCE e o usassem para comprar umas às outras”, diz Robert Buckland, estrategista de ações do banco Citigroup Inc.

Nos últimos sete anos, a aposta correta foi a de que os bancos centrais não iam conseguir estimular a economia. Ações de empresas com dividendos sólidos e finanças saudáveis superaram o mercado como um todo, juntamente com aquelas que restringiram investimentos e aumentaram as recompras.

Não há sinal, porém, de que os bancos centrais estejam desistindo. Na semana passada, tanto Kuroda como o economista-chefe do BCE, Peter Praet, reiteraram que os juros podem ficar ainda mais negativos. Uma empresa, pelo menos, já está se preparando. A resseguradora alemã Muniche Re informou que planeja guardar fisicamente mais de € 10 milhões em cofres para testar a possibilidade de escapar dos juros negativos, que acabam corroendo o saldo dos depósitos bancários.

Quanto mais especuladores, consumidores e executivos de empresas tentarem atenuar o impacto das políticas dos bancos centrais, mais estes vão direcionar o dinheiro especificamente para os usos que quiserem. Não estamos nos transformando na antiga União Soviética, mas os bancos centrais estão menos comprometidos do que antes com o capitalismo de livre mercado que prevaleceu desde a década de 80. Os investidores que estão apostando no fracasso dos bancos centrais devem tomar cuidado.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Alívio de compulsório deve integrar novo pacote de crédito

O governo estuda mudanças nas regras prudenciais e dos depósitos compulsórios como forma de estimular a concessão de crédito e avançar na agenda econômica definida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como forma de tentar uma reação da atividade antes do avanço do impeachment. A expectativa é que as medidas possam ser anunciadas já nas próximas semanas.

De acordo com fontes do governo, não há a intenção de simplesmente liberar parcelas dos depósitos compulsórios que os bancos são obrigados a manter no Banco Central (BC). O que o governo faz é um pente fino nas regras prudenciais de concessão de crédito e dos compulsórios para que sejam identificados gargalos que possam ser alterados.

Entre os exemplos citados estão medidas como a permissão para que os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) sejam aceitos como instrumentos para cumprir as exigências de recolhimento compulsório. Além disso, cogita-se também aliviar o percentual de capital que os bancos precisam para fazer frente ao risco de determinadas operações de crédito.

“Não adianta só liberar compulsório porque não vai adiantar. Tem que ser uma coisa mais direcionada”, explica um integrante do governo que participa das conversas.

Na semana passada, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, teve uma primeira reunião com a Febraban para levantar outros pontos da legislação que podem ser alterados para facilitar o crédito. O BC também participa dos estudos. A ideia é que o governo possa trabalhar também a partir de sugestões que venham do setor privado.

De acordo com integrantes do governo, as medidas devem estar prontas em cerca de duas semanas para ser submetidas à presidente Dilma Rousseff. Os planos atuais não preveem a liberação de um volume elevado de recursos, mas um melhor funcionamento do mercado de crédito.

Embora não haja ainda um desenho acabado, o assunto tem urgência no governo por se tratar também de uma reação ao impeachment. O ex-presidente Lula tem insistido que o governo não conseguirá derrotar o processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff se não produzir também uma melhora econômica visível.

Na reunião que teve com a presidente e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, antes de aceitar a nomeação para a Casa Civil, Lula cobrou mudanças. A resposta foi que a política econômica já havia mudado desde a saída de Joaquim Levy do governo. Como indicativos, citou a liberação de R$ 83 bilhões em crédito no início do ano para setores como habitação, capital de giro e agricultura, além do alongamento das dívidas estaduais. A conclusão, naquele momento, foi de que o governo não sabe “vender” as medidas econômicas.

Na semana passada, o ministro Nelson Barbosa, em palestra em São Paulo, já havia falado sobre a necessidade de novas medidas. Ele informou que o governo estava discutindo alternativas com o BC e alertou que em outros momentos o governo liberou compulsórios que não foram usados para o crédito e obrigaram a autoridade monetária a retirar liquidez do mercado por meio de operações compromissadas, que aumentam a dívida pública.

“Hoje a questão é muito mais de regulação do que de liquidez. Talvez seja possível melhorar a regulação de como são registrados e administrados esses créditos, essas rolagens de dívida e isso pode dar um auxílio temporário enquanto as empresas estão reestruturando seus negócios”, indicou Barbosa na palestra feita na semana passada.

A adoção de novos estímulos à economia é criticada por economistas e analistas do mercado financeiro. Eles argumentam que o país vive um problema fiscal e não de falta de crédito. Na estratégia já anunciada pelo governo, essas medidas teriam a função de “estabilizar” a economia no curto prazo e evitar uma queda ainda maior do PIB. As estimativas são de que a economia encolha algo próximo a 3% novamente neste ano.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

BC mais atuante no câmbio traz dúvidas sobre sua estratégia

O dólar subiu em relação ao real ontem diante da ação inédita do Banco Central de ofertar contratos de swap cambial reverso, que equivalem a uma compra futura da moeda americana, ao mesmo tempo em que ainda são feitas rolagens parciais dos contratos tradicionais, normalmente usados como instrumentos de proteção contra as variações do dólar.

Os agentes enxergam que essa stratégia é uma forma de o BC oferecer saída para quem carrega amplas posições compradas (apostando na alta) em dólar, sem provocar pressão extra de queda para a moeda. Ao mesmo tempo, o BC aproveita a chance para reduzir o estoque de swap, que representa um custo fiscal relevante.

O que não está claro para o mercado, porém, é se essa atuação configura uma nova política ou trata-se de uma ação pontual, com objetivo de atender a uma necessidade específica de agentes posicionados na moeda americana e que tiveram perdas com a recente valorização do real. Há dúvidas também se a oferta de swaps reversos representa um reforço à estratégia de aproveitar o cenário externo para reduzir posições em derivativos cambiais ou se o BC pretende atuar para limitar uma apreciação rápida do câmbio – preocupado com os efeitos do dólar fraco sobre o ajuste da conta corrente.

Ao anunciar que ofertará hoje os 14.500 contratos de swap cambial reverso que não foram colocados no leilão de ontem, a autoridade monetária reforça a disposição em retirar US$ 1 bilhão do mercado. A ação, no entanto, ainda deixa dúvidas se o BC manterá essas ofertas paralelas à rolagem parcial dos contratos a vencer e acelerará a redução desse estoque que soma US$ 108,113 bilhões.

O BC reduziu o volume de rolagem dos swaps cambiais tradicionais. Se mantiver o mesmo ritmo, vai substituir 75,31% do lote de US$ 10,092 bilhões que vence em abril.

Ontem, o dólar subiu 0,87% e fechou a R$ 3,61, após negociar a R$ 3,6479 na máxima do dia.

A moeda americana chegou a reduzir a alta após o BC ter vendido apenas 5.500 contratos de um volume de 20 mil contratos de swap cambial reverso ofertados no leilão. Segundo o especialista em câmbio da Icap, Italo Abucater, o BC provavelmente não colocou todo o lote porque não ofereceu um prêmio interessante. “Fica difícil decifrar se o BC quer recomprar estoque ou se está querendo conter uma alta exagerada do real.”

Para Rogério Braga, sócio e gestor da Quantitas, o que surpreendeu foi o fato de o BC anunciar a operação de swap cambial reverso sem interromper as rolagens dos contratos de swap tradicionais que estão vencendo, o que reforçaria a leitura de que a ação poderia ser provisória. “Talvez o BC tenha percebido que há algum ‘player’ que estava posicionado em contratos de swap cambial [tradicional] que não iriam vencer neste mês e quis atender a essa demanda.”

Segundo Abucater, o fato de o início dos contratos ofertados ontem ser para 1º de abril (operação a termo) pode ter dificultado a colocação do lote, uma vez que há muita incerteza e volatilidade no câmbio em função do cenário político.

Na operação que será realizada hoje, o BC alterou a data do início dos contratos de swap cambial reverso para 23 de março e vencimento em 1º de julho de 2016, o que poderá ter um efeito maior no câmbio à vista, lembra um gestor.

O BC não fazia um leilão de swap cambial reverso desde março de 2013. Naquela época, o dólar valia menos de R$ 2, e o Fed ainda não havia indicado o fim dos estímulos monetários à economia americana.

Nas mesas de operações, comenta-se que investidores institucionais locais têm se desfeito posições compradas em dólar via derivativos. Na semana passada, esses agentes venderam, em termos líquidos, US$ 2,3 bilhões em contratos futuros de dólar e cupom cambial. No ano, a venda de dólar alcança US$ 5,6 bilhões.

Para o economista-chefe da Icatu Vanguarda, Rodrigo Alves Melo, o uso dos swaps cambiais reversos indica que o BC está disposto a aproveitar o atual momento de alívio do dólar para acelerar a redução de suas posições cambiais e suavizar o impacto dessas operações nas contas públicas.

A venda de swap reverso provoca um efeito contábil de redução do estoque de swaps cambiais tradicionais. Em 2015, o ajuste dos swaps cambiais vendidos pelo BC gerou prejuízo de R$ 89,66 bilhões, impactando diretamente a conta de juros nominais, que saltou de R$ 311,38 bilhões em 2014 para R$ 501,79 bilhões. Os juros nominais apropriados entram na conta do resultado nominal, indicador monitorado pelas agências de classificação de risco.

Segundo Melo, o BC está aproveitando para desmontar o estoque de swaps em um momento em que o viés do dólar tem sido de queda tanto pelo cenário externo quanto pelas notícias políticas domésticas. Mas ele também considera possível que o BC esteja monitorando o nível do câmbio. De acordo com ele, a R$ 3,60 “pode ser” que o dólar já não “ajude tanto” no ajuste das transações correntes, o que ficou notório no ano passado.

Na visão do operador de câmbio da Hencorp Commcor Cleber Alessie, o foco do BC ao usar o swap reverso é controlar a volatilidade cambial. “O dólar caiu muito em pouco tempo, e isso também é reflexo de mais volatilidade.”

A volatilidade histórica de 14 dias do dólar comercial subiu ontem para 25,5% ao ano, maior nível desde outubro do ano passado.

De acordo com Alessie, o mais provável é que o BC mantenha reduzida a oferta de swaps para rolagem e, de acordo com as condições de mercado, acelere o desmonte do estoque desses contratos via swaps reversos. “Acho que o fato de o BC não ter zerado a rolagem mostra que ele [BC] ainda está tateando o mercado e basicamente aproveitando janelas de oportunidade para diminuir o estoque.”

A leitura de que o BC pretende limitar uma valorização rápida do câmbio sustentou a alta dos juros futuros de curto prazo. A percepção é que isso reduz o espaço para uma antecipação do corte da Selic neste ano.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2017 subiu de 13,76% para 13,78%. “Se o BC não aumentasse a atuação no câmbio, o real poderia se apreciar mais rápido, o que seria um incentivo a mais para o BC cortar juros “, afirma Rogério Braga, da Quantitas.

Por enquanto, a mediana das projeções para a Selic neste ano na pesquisa Focus continua apontando para estabilidade da taxa básica de juros em 14,25%.

Já os juros futuros embutem a probabilidade de uma queda de 0,74 ponto até o fim de 2016.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Dólar sobe 1% e supera patamar de R$ 3,64

O dólar começa a semana em alta de mais de 1% ante o real, com o mercado se ajustando ao anúncio de leilão de swap cambial reverso, interpretado como uma evidência de que o Banco Central (BC) vai suavizar ou mesmo impedir uma queda adicional da cotação. O real é a moeda que mais cai nesta segunda-feira, considerando as principais divisas.

A operação de swap reverso funciona como uma compra de dólares no mercado futuro. Por meio dela, o BC recebe a variação cambial do período de vigência do contrato e, em troca, paga ao mercado a oscilação da taxa Selic.

O BC chegou a sondar no fim da tarde de sexta-feira passada as mesas de operação para medir a demanda por swaps cambiais reversos. Por volta de 18h30, confirmou a oferta de 20 mil contratos, no equivalente a US$ 1 bilhão. É o primeiro leilão do tipo desde 2013.

Às 9h39, o dólar comercial subia 1,81%, a R$ 3,6439. Na máxima, a cotação foi a R$ 3,6464. Na mínima de sexta-feira, o dólar foi negociado a R$ 3,5721.

No mercado futuro, o dólar para abril marcava R$ 3,6355, avanço de 0,01%.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Ações do BB são novo termômetro do mercado

Em meio à forte volatilidade do mercado financeiro nos últimos dias, as ações do Banco do Brasil têm se destacado como o principal termômetro das expectativas do mercado financeiro em relação à evolução do cenário político. Quando crescem as apostas de que pode haver uma ruptura do governo da presidente Dilma Rousseff, o preço das ações do banco estatal lideram os ganhos na bolsa de valores. E foi exatamente o que aconteceu ontem. As ações do Banco do Brasil fecharam em alta de 14,34%, cotadas a R$ 20,69.

A valorização dos papéis foi reflexo do bom humor dos investidores com a divulgação das gravações de conversas telefônicas entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Também deu ânimo aos investidores a suspensão da posse de Lula como novo ministro da Casa Civil. Desde o começo de março, quando aumentaram os rumores de que a presidente Dilma poderia perder o mandato por meio de um processo de impeachment, as ações do Banco do Brasil subiram 34,80%. Com isso, acumulam valorização de 23,90% no ano, mas em 12 meses exibem queda de 6,85%.

A interpretação dos analistas econômicos é de que uma mudança de governo poderia dar fôlego à economia e reduzir o nível de ingerência política em empresas estatais. “O BB e a Caixa já foram usados como instrumento de política econômica, oferecendo mais crédito, com juros mais baixos, por isso o investidor fica temoroso”, disse Raymundo Magliano Neto, presidente da Magliano Corretora.

Ao negociar com mais intensidade as ações do Banco do Brasil, no pregão de ontem, os investidores consideraram que se nomeado ministro, o ex-presidente Lula poderia ter maior influência na condução da economia, adotando uma política econômica mais expansionista. Um dos objetivos dele seria reforçar estímulos de crédito com juros mais baixos, o que poderia sacrificar o resultado financeiro do BB. “Nesse cenário poderia haver uma piora na qualidade do crédito, contribuindo para um resultado financeiro pior ao investidor”, disse Filipe Villegas, analista da Geração Futuro.

Por outro lado, nos últimos dias, quando aumentavam as chances de que o atual governo da presidente Dilma Roussef pudesse se fortalecer ou afastar o risco de impeachment, as ações do Banco do Brasil mudam de direção e operavam em baixa.

Ontem, quando o giro financeiro da Bovespa ficou em R$ 11,2 bilhões, a negociação com ações do BB somaram R$ 634 milhões, um dos três maiores volumes do dia.

O mesmo movimento de sobe e desce é seguido pelas demais estatais. Ontem, as ações da BB Seguridade subiram 10,29%, os papéis da Cemig 9,69% e a Copel teve alta de 8,36%. As ações da Petrobras também avançaram no pregão. Os papéis ON ganharam 7,81% e as ações PN subiram 11,75%. O volume de negócios ficou em R$ 1,3 bilhão.

Apesar de ter maior volume de negociação do que o BB, a Petrobras tem fundamentos considerados mais frágeis do que o banco, está envolvida em escândalos de corrupção e, consequentemente, mais correlacionada ao governo. Na segunda-feira, a Petrobras divulga o balanço do quarto trimestre. As estimativas dos analistas são díspares, variam entre prejuízo de R$ 9,7 bilhões e lucro de R$ 5,2 bilhões.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Ibovespa sobe mais de 5%; investidor segue cena política

Depois da divulgação de gravações envolvendo a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assume o ministério da Casa Civil, a bolsa de valores começou os negócios com forte alta.

O Ibovespa subia 5,72% perto das 10h30, aos 50.494 pontos. A perspectiva do mercado financeiro é de que as gravações possam acelerar o processo de impeachment da presidente, trazendo uma possível melhora para a economia. “O mercado está operando com um otimismo exagerado”, disse Pablo Spyer, diretor de operações da Mirae Asset Wealth Management.

As ações das companhias estatais registram as maiores altas do pregão. Os papéis do Banco do Brasil ON subiam 14,98%, BB Seguridade tinha alta de 11,77%, Petrobras PN ganhava 11,20%, Petrobras ON tinha alta de 8,95%.

Os papéis dos bancos privados também operavam em alta, recuperando parte das perdas registradas no último pregão. As ações do Bradesco ON subiam 10,50%, Bradesco PN ganhava 10,34%, Itau Unibanco PN ganhava 9,11%, BM&FBovespa subia 8,13%.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior