Monthly Archive: February 2016

Em carta a acionistas, BM&FBovespa defende fusão com Cetip

A BM&FBovespa divulgou carta aberta aos seus acionistas com o objetivo de explicar quais são os principais benefícios que decorreriam da combinação com a Cetip. O documento é assinado pelo presidente do conselho de administração, Pedro Pullen Parente, e pelo presidente-executivo, Edemir Pinto.

De acordo com a bolsa brasileira, a integração das atividades reforçaria o modelo de negócio da companhia combinada, na medida que ampliaria o grau de diversificação de receitas.

Também haveria a oportunidade de desenvolvimento de novos negócios, como, por exemplo, a negociação dos títulos de renda fixa custodiados pela Cetip na plataforma eletrônica de negociação da BM&FBovespa, a união de esforços para o desenvolvimento de serviços de suporte ao crédito bancário, bem como a ampliação das oportunidades para oferta de serviços de administração de garantias e de ônus e gravames, a partir da combinação das centrais depositárias.

Adicionalmente, a bolsa afirma que a combinação das atividades geraria importantes sinergias de despesas e de investimentos, tendo em vista a possibilidade de consolidação de áreas redundantes, resultando em maior eficiência operacional.

Do ponto de vista de clientes, a integração das atividades de negociação eletrônica, central depositária de ativos e valores mobiliários e sistema de registro de ativos permitiria a consolidação de processos e sistemas de back-office de tesourarias, custodiantes, agentes escrituradores, assets e corretoras, com redução de custos e de riscos operacionais para todo o sistema financeiro. Além disso, a consolidação das atividades de autorregulação e supervisão de mercado tornaria esse processo mais eficiente.

Além das eficiências de custo, a combinação tenderia a gerar, para os participantes dos mercados financeiro e de capitais, ao longo do tempo, economia em termos de capitais alocados para a realização de operações. Essa eficiência, por sua vez, se traduziria em custos menores para a realização de operações e em um ambiente de mercado mais dinâmico e internacionalmente mais competitivo.
Contraparte central

A BM&FBovespa destaca ainda o direcionamento do G-20 após a crise financeira de 2008 e 2009 de tornar obrigatória a utilização de sistemas de contraparte central (CCP, na sigla em inglês) para a liquidação de contratos derivativos de balcão. A Cetip possui expressiva participação de mercado no segmento de registro de derivativos de balcão, mas não conta com a garantia de uma CCP, segundo a carta. A utilização da CCR da BM&FBovespa “é incrivelmente mais eficiente”, de acordo com a companhia, em termos de alocação de capitais e competitividade do sistema financeiro nacional.

A existência de apenas uma CCP não constituiria obstáculo para o surgimento de outras bolsas ou plataformas de negociação concorrentes no Brasil, de acordo com a carta aos acionistas da bolsa. A BM&FBovespa se diz preparada para oferecer serviços de CCP para outras plataformas de negociação de ações que vierem a se instalar no Brasil. A consolidação das centrais depositárias também não constituiria obstáculo ao surgimento de outras bolsas no Brasil.

“A concorrência entre os mercados financeiros e de capitais se dá, cada vez mais, em nível global. Acreditamos que o Brasil possua vocação para se consolidar como importante centro financeiro da América Latina”, afirma a instituição no documento. “Acreditamos, ainda, que a BM&FBovespa e a Cetip, unidas, contribuirão de forma inequívoca para a competitividade, o desenvolvimento e a solidez dos mercados financeiro e de capitais do nosso País”, completa.

No dia 19, o conselho da BM&FBovespa aprovou o envio de uma nova proposta vinculante para aquisição da Cetip. A bolsa está disposta a pagar R$ 41 por ação.

FOnte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Após 30 anos do Cruzado, inflação volta a assustar

Trinta anos depois do Cruzado, o primeiro de uma série de planos de estabilização para domar a inflação, a escalada dos preços continua atormentando os brasileiros. Não é a superinflação da década de 80, mas o IPCA de dois dígitos – 10,71% em 12 meses até janeiro – não autoriza comemoração.

Há consenso entre economistas de que sem uma política fiscal que gere superávit suficiente para reduzir a dívida bruta não haverá sucesso no combate à inflação nem juros civilizados. Essa foi uma lição duramente aprendida durante o Cruzado. O Valor publica hoje reportagem especial sobre o plano lançado em 28 de fevereiro de 1986 pelo ministro Dílson Funaro, que teve grande sucesso inicial: derrubou a inflação de 14,98% em janeiro para deflação de 0,58% em abril.

Os “fiscais do Sarney” se encarregaram de monitorar o cumprimento do congelamento de preços e passaram a ser protagonistas da estabilização. Entorpecidos pelo apoio que recebiam das ruas, governo e PMDB, partido de Sarney, levaram o congelamento longe demais. Em novembro, disputariam as eleições e optaram por não acabar com o congelamento nem enfrentar o déficit público.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Banco do Brasil tem lucro líquido de R$ 2,512 bilhões no trimestre

O Banco do Brasil (BB) registrou um lucro líquido contábil de R$ 2,512 bilhões no quarto trimestre, com queda de 15,1% na comparação com o mesmo período do 2014. O resultado ajustado foi de R$ 2,648 bilhões, um recuo de 12,3% na mesma comparação.

A diferença entre os dois resultados deveu-se basicamente ao efeito cambial sobre a participação do BB no Banco Patagonia e à reversão de parte das “provisões extraordinárias com demandas contingentes” do banco.

Em 2015 como um todo, o lucro líquido ajustado foi de R$ 11,594 bilhões, com alta de 2,2% sobre 2014.

O BB é o último dos grandes bancos a divulgar seus resultados para 2015.

Carteira de crédito

Puxada pelo crédito imobiliário e pelas operações com governo, a carteira de crédito ampliada, que inclui avais e fianças, encerrou o ano em R$ 814,78 bilhões, com avanço de 6,9% no acumulado de 12 meses e de 1% ante setembro.

Apenas considerando a carteira de crédito do banco no país, o crescimento no acumulado 12 meses encerrado em dezembro foi de 5,9%, abaixo da expectativa do banco, que era de avanço entre 7% a 11%.

As operações pessoa física somaram R$ 192,49 bilhões, com incremento de 7,4% no acumulado em 12 meses e de 1,9% ante setembro. Principal modalidade desse portfólio, o crédito consignado cresceu 3,1% em 12 meses, para R$ 66,25 bilhões. O financiamento imobiliário avançou 30,5% na mesma comparação e soma R$ 37,17 bilhões em saldo.

O saldo de crédito pessoa jurídica do banco cresceu 5,1% no acumulado em 12 meses, para R$ 305,82 bilhões. Ante setembro, o avanço dessa modalidade foi de 2,6%. Dentro desse portfólio, as operações de micro e pequenas empresas encolheram 8,4%, para R$ 93,61 bilhões. Já as operações com governo cresceram 44,6% no ano, somando R$ 42,1 bilhões.

Inadimplência

A piora da inadimplência de operações de pessoa jurídica e do agronegócio fez com que o percentual de empréstimos com atraso superior a 90 dias do Banco do Brasil encerrasse o ano em 2,38%, ante 2,03% um ano antes e 2,2% em setembro. Excluindo o Banco Votorantim, o índice também piorou, para 2,24% em dezembro, ante 1,86% um ano antes e 2,06% em setembro.

A piora foi concentrada nos créditos de empresas. Nesse segmento, as operações vencidas há mais de 90 dias encerraram 2015 em 3,42%, ante 3,1% em setembro e 2,59% em dezembro de 2014. No financiamento ao agronegócio também houve piora dos calotes, mas em menor magnitude, encerrando dezembro em 0,97%, ante 0,84% em setembro e 0,69% em dezembro do ano passado.

Já nas operações de crédito a pessoas físicas, o indicador de qualidade dos empréstimos ficou estável ante setembro. A inadimplência encerrou o ano em 2,17%, ante 2,17% em setembro e 2,30% em dezembro do ano passado.

No quarto trimestre, as despesas de provisão para devedores duvidosos do banco somaram R$ 7,33 bilhões, com alta de 40,9%.

Renegociação por atraso

O volume de operações renegociadas pelo Banco do Brasil voltou a crescer no quarto trimestre, em especial nas operações que foram renegociadas por motivo de atraso.

No quarto trimestre, o volume renegociado foi de R$ 13,96 bilhões, com avanço de 1,7% ante igual período do ano passado e de 25% sobre o terceiro trimestre. Olhando apenas as operações renegociadas por atraso, o salto é bem mais expressivo. No quarto trimestre, foram R$ 6,015 bilhões em créditos renegociados por esse motivo, ante apenas R$ 1,93 bilhão no mesmo período do ano anterior. Mesmo no terceiro trimestre, o volume foi bem menor (R$ 33,783 bilhões).

Houve também leve piora na inadimplência dessa carteira renegociada, que encerrou o ano em 16,1%, ante 15,9% em setembro e 15,8% no mesmo período do ano anterior.

Projeções

O BB espera que sua carteira de crédito ampliada cresça entre 3% e 6% em 2016, considerando apenas a carteira interna, sem o Banco Votorantim. Em 2015, o crescimento foi de 5,9%, para R$ 739,87 bilhões, abaixo do que esperava o banco (crescimento entre 7% a 11%).

A projeção é de que a carteira de operações pessoa física cresça entre 5% a 8% em 2016, ante 7,5% em 2015. Para pessoa jurídica, a expectativa é de avanço entre 1% a 4%, ante 5%. Finalmente, no agronegócio, o banco espera aumentar seu portfólio de operações de crédito entre 6% a 9%, ante 6,1% em 2015.

O banco público também deu uma ideia do que espera para os calotes neste ano. A instituição financeira projeta que as suas despesas de provisão com devedores duvidoso (PDD) vão representar entre 3,7% a 4,1% da carteira de crédito em 2016. Em 2015, esse percentual foi de 3,6% e ficou acima do intervalo previsto pelo banco, de 3,1% a 3,5%.

O banco também espera ter um retorno sobre patrimônio líquido ajustado entre 11% a 14% em 2016. Em 2015, esse indicador foi de 13%, no piso da meta estabelecida pelo banco, de 13% a 16%.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Moody’s rebaixa nota do Brasil e tira grau de investimento

A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota soberana do Brasil e completou o trio das grandes classificadoras a retirar o grau de investimento – uma espécie de selo de bom pagador – do país. Fitch e Standard & Poor’s já tinham efetuado essa ação.

Pela escala da Moody’s, a nota caiu dois degraus. Passou de ‘Baa3′, último nível dentro da escala de grau de investimento, para ‘Ba2′. A perspectiva é negativa – ou seja, com probabilidade de novo rebaixamento no futuro.

Segundo a agência, a decisão foi motivada por duas razões principais. Uma é a previsão de mais deterioração nas métricas da dívida pública em um cenário de baixo crescimento. A mais importante é a deterioração nos indicadores de dívida do Brasil, que resultará em um perfil de crédito “significativamente” mais fraco nos próximos anos. A expectativa é que a dívida do governo continuará aumentando entre 2016 e 2018, provavelmente superando 80% do PIB antes de se estabilizar. “Esperamos que o crescimento do PIB no período 2016-2018 seja equivalente a uma média negativa de 0,5%. Além disso, esperamos que as taxas de juros permaneçam elevadas em termos reais, o que contribuirá com a baixa comportabilidade da dívida – os pagamentos de juros vão consumir mais de 20% das receitas do governo”, informa o comunicado da agência.

A segunda razão é a “dinâmica política desafiadora”, que, para os analistas, vai continuar a complicar os esforços do governo quanto ao ajuste fiscal, além de atrasar reformas estruturais. “O governo está trabalhando para obter apoio do Congresso para algumas reformas-chave, incluindo o aumento da idade mínima para aposentadoria e a redução da indexação das receitas. Porém, embora a discussão sobre reformas estruturais seja um elemento positivo, a aprovação dessas reformas pelo Congresso será difícil devido ao limitado apoio do governo no parlamento e aos desafios políticos enfrentados pela presidente”, informa a Moody’s. “O fraco apoio político à presidente e à sua administração oferece pouca perspectiva de reformas de maior alcance durante o horizonte de rating”.

Perspectiva negativa

Os ratings do Brasil podem sofrer pressão adicional se a agência de classificação de risco Moody’s concluir que a deterioração nos indicadores fiscais e de dívida ultrapassarão o cenário base. Além disso, o país pode ter um novo corte caso as autoridades brasileiras não sejam capazes de resolver os desequilíbrios fiscais que impedem a reversão do aumento da dívida pública.

Segundo o relatório, um resultado negativo provavelmente seria associado a uma falha coletiva por parte do Congresso e do governo em constituir uma estabilização crível e uma agenda de reformas no próximo ano, levando a uma perda adicional de confiança do investidor, erosão dos colchões de liquidez externos e alto nível de incerteza política.

Na visão da Moody’s, o progresso na consolidação fiscal será lento e o crescimento econômico será “anêmico” nos próximos dois a três anos. A nota “Ba2” incorpora a premissa de que o perfil de crédito se deteriorará nesse período.

A perspectiva negativa reflete a incerteza relacionada à interação entre política, economia e dinâmica financeira no Brasil e, em consequência, o potencial para materialização de choques adicionais, o que exerceria mais pressão negativa sobre o perfil de crédito soberano.

“Choques adicionais podem ter relação com o impacto do sentimento do investidor na recuperação do crescimento, com eventos políticos que reduzem ainda mais a capacidade do governo de progredir nas reformas estruturais e com a cristalização de passivos contingentes no seu balanço patrimonial”, completa a Moody’s em relatório.

Para a Moody’s, uma melhora no rating do Brasil no curto prazo é “muito improvável” devido à perspectiva negativa da nota e à esperada deterioração nos indicadores de dívida. Pressões positivas sobre a nota, contudo, poderiam surgir se o governo for capaz de administrar os “desequilíbrios estruturais que levaram a uma persistente deterioração fiscal e ao aumento da dívida soberana”. Isso ocorreria se reformas estruturais fossem aprovadas, diminuindo a rigidez orçamentária, a indexação das receitas e o crescimento obrigatório das despesas em várias categorias.

Em entrevista concedida em dezembro, o analista-chefe para títulos soberanos da agência, Alastair Wilson, já sinalizava que a Moody’s provavelmente seguiria a Standard & Poor’s e a Fitch e colocaria a nota do Brasil em grau especulativo. “É brusca a velocidade com que as projeções de crescimento para o Brasil pioraram… e também os problemas políticos que não foram resolvidos. Há quase uma tempestade perfeita”, afirmou Wilson. Na ocasião, porém, ele disse que estava em avaliação o rebaixamento de um degrau apenas. A decisão de hoje cortou a classificação soberana em dois degraus pela escala da agência.

Outras notas

Além do rebaixamento da nota em moeda estrangeira, a Moody’s cortou o rating em moeda local do Brasil, de Baa3 para Ba2, também retirando o grau de investimento.

Além disso, o teto da dívida de longo prazo em moeda estrangeira foi reduzido de Baa2 para Ba1, enquanto o teto de dívida de curto prazo em moeda estrangeira foi alterado de P-2 para NP.

Houve ainda alteração no teto para depósitos de longo prazo em moeda estrangeira, de Baa3 para Ba3 e no teto para depósitos de curto prazo também em moeda estrangeira de P-3 para NP.

Os tetos para dívidas de longo prazo e depósitos em moeda local foram rebaixados para A3. A perspectiva para as notas do país é negativa.

Outras agências

A Standard & Poor’s tinha retirado o grau de investimento do Brasil em setembro de 2015 e, na semana passada, voltou a cortar o rating do país, mantendo a perspectiva negativa. Na visão dessa agência, a qualidade de crédito do Brasil piorou nesse período em função da elevada incerteza política, que afeta os planos de ajuste fiscal, essenciais para avaliar a capacidade de pagamento do governo. A diretora da S&P Lisa Schineller disse na semana passada, que esse segundo corte na avaliação de crédito do Brasil se deveu a questões domésticas que estão deteriorando o quadro fiscal do país.

Em dezembro, a Fitch Ratings tirou o status de grau de investimento do Brasil, apenas dois meses depois de ter realizado um primeiro corte, ainda dentro da escala de grau de investimento. Na época, a analista de ratings soberanos da agência, Shelly Shetty, citou a incerteza política elevada e as chances de piora na recessão econômica e no quadro fiscal como os principais fatores de risco. Além da pouca demora nas ações e das menções à incerteza política e ao agravamento da recessão, as três agências têm em comum a perspectiva negativa das notas, sinalizando a probabilidade de novos rebaixamentos.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

BC dá voto de confiança à política fiscal de Barbosa

Em discurso ontem a investidores em São Paulo, o diretor de política econômica do Banco Central, Altamir Lopes, deu um voto de confiança para as medidas fiscais anunciadas na semana passada pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que incluem a possibilidade de fazer um déficit primário de 0,97% do PIB neste ano e reforma fiscais de longo prazo.

“Destaco a importância de que sejam dissipadas incertezas acerca das trajetórias das variáveis fiscais para o ano corrente, contribuindo para uma percepção mais positiva sobre a evolução e a consolidação da política fiscal no país”, disse Lopes, em evento do J.P. Morgan. “Além de se ter clareza sobre os resultados de curto prazo, amplamente afetados pela contração das receitas tributárias, é importante perseverar na busca por soluções de médio e longo prazos.”

A mensagem está em linha com a visão do BC que, diante da incerteza sobre a evolução da arrecadação, é melhor o governo perseguir uma meta de superávit primário menor, mas confiável. Segundo esse entendimento, seria pior para a economia lançar mão de impostos inflacionários, como a Cide sobre combustíveis, ou fazer revisões contínuas da meta que apenas prejudicam as expectativas de mercado.

Outro ponto de destaque no discurso de Lopes é atribuir à inflação corrente muito alta uma boa dose de responsabilidade pela deterioração das expectativas de inflação desde 2015.

Entender como o BC vê a evolução das expectativas é chave para antecipar um eventual ciclo de distensão monetária, já que o ancoramento das projeções de inflação do mercado é um dos pré-requisitos anunciados pela autoridade monetária para pensar em baixar os juros.

Economistas de mercado têm atribuído a deterioração das expectativas de inflação a três fatores principais. Um deles é a piora das perspectivas fiscais, que levaram ao aumento do prêmio de risco país, à alta do dólar e à piora no cenário inflacionário. Um segundo fator é a inflação corrente mais alta. Um terceiro é a mudança, na última hora, de sinalização de alta de juros feita pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na sua reunião de janeiro.

“A piora nas expectativas fundamenta-se, em grande parte, na inflação corrente mais elevada que o esperado”, disse Lopes. “Assim, à medida que o processo desinflacionário materializar-se – esperamos desinflação de 2 p.p. já neste primeiro semestre -, as expectativas deverão estabilizar-se ou mesmo apresentar retração.”

A confiança em que a baixa da inflação corrente vá contribuir para conter as expectativas de inflação já havia sido comunicada pelo Banco Central, no box “Inércia Inflacionária e Determinantes das Expectativas de Inflação”, publicado no Relatório de Inflação de setembro passado.

Esse box indica que a inflação corrente tem grande influência sobre as expectativas de inflação para prazos mais curtos, entre 3 e 12 meses. Já a política monetária e o grau de ociosidade da economia afetam as expectativas mais longas, de 12 a 24 meses. Além das expectativas, o BC menciona como condicionante para baixar os juros a própria inflação e a inércia inflacionária.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Empréstimo em dólar volta a ser alternativa

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A pouca disposição das companhias brasileiras em captar recursos no mercado internacional por meio de bônus, diante do maior prêmio de risco exigido pelos investidores, reaqueceu outro segmento de crédito corporativo. Os bancos perceberam um aumento na demanda das empresas por empréstimos bilaterais em dólar.

Essa transação é realizada entre as instituições financeiras e as companhias por meio de uma linha de crédito internacional conhecida como “4131”, uma referência à lei que disciplina a aplicação de capital estrangeiro e remessa de valores para o exterior. A procura, entretanto, tem sido muito maior do que a disposição das instituições financeiras em emprestar recursos. A instabilidade econômica tornou esses agentes mais rigorosos na concessão de crédito.

Esse tipo de financiamento, que funciona como um capital de giro em dólar, está mais vantajoso agora por conta do cupom cambial – a diferença entre as taxas de juros externa, doméstica e a desvalorização do real em relação ao dólar. Essa diferença de taxas fez com que o custo da operação ficasse relativamente mais barato do que uma captação de recursos no mercado doméstico.

O indicador financeiro que serve de referência para o cupom cambial é o “forward rate agreement” (FRA), um derivativo negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). O contrato com vencimento em maio, o mais negociado, estava cotado em 2,43% ao ano. “As empresas estão recorrendo a essa linha de crédito porque precisam refinanciar sua dívida e o mercado de bônus está fechado”, diz Ernesto Meyer, diretor da área de empréstimos sindicalizados do BNP Paribas.

Por meio da “4131”, os bancos emprestam recursos em dólar para as empresas e fazem uma operação de troca de dívida (swap) para o certificado de depósito interfinanceiro (CDI, a referência de juros do interbancário local). Assim, no fim da transação é como se a empresa tivesse contratado uma dívida em reais.

O custo de captação costuma ser equivalente à taxa Libor, que está em 1,13% ao ano e é uma média dos juros dos empréstimos sem garantia realizados no mercado monetário londrino, mais um prêmio. “As fontes de captação de recursos por meio do mercado de capitais secaram e essa linha de capital de giro em dólar ficou mais eficiente para atender às necessidades das empresas”, diz Mauro Albuquerque, diretor de transações globais do Santander.

As empresas têm usado os recursos obtidos por meio dessa linha de crédito para reforçar o caixa e efetuar o pagamento de dívidas ou a recompra de bônus no mercado internacional. “Há também interesse das multinacionais para reforçar o capital de giro”, diz Maurício Tancredi, diretor da área corporativa do Bank of America Merrill Lynch (BofA).

Em média, o custo de financiamento para uma grande companhia com bom risco de crédito pode ficar equivalente a 98% do CDI, segundo cálculos de Samuel Canineu, diretor responsável por empréstimos sindicalizados do ING, que também percebeu um aumento na procura por essas operações. Como comparação de custos, no começo do mês, a Companhia de Participações em Concessões (CPC), subsidiária da empresa de infraestrutura CCR, concluiu emissão de R$ 1,25 bilhão em debêntures com prazo de três anos e os títulos vão pagar ao investidor a variação do CDI mais juros de 3,5% ao ano.

Os bancos estrangeiros que operam no país têm sido os mais atuantes nessa modalidade de empréstimo porque têm acesso a “funding” mais fácil no mercado internacional. Mesmo assim, o custo de financiamento para essas instituições aumentou nas últimas semanas devido à instabilidade global e à piora na nota de crédito do Brasil concedida pelas agências internacionais de avaliação de risco. “Mas como os bancos estão pouco dispostos a emprestar, eles têm evitado aumentar a base de funding com taxas mais altas”, diz Canineu, do banco ING.

Um dos indicadores da alta no custo de captação dos bancos é o contrato de credit default swap (CDS) das instituições financeiras. O CDS funciona como um seguro contra calote. Quanto mais alto, maior é a percepção de risco de inadimplência. O CDS do Santander Espanha subiu 19 pontos desde 1º de fevereiro e foi para 176 pontos, segundo dados da Markit. Nos últimos 12 meses, o indicador do banco espanhol avançou 92 pontos.

O CDS da matriz do BNP Paribas passou de 86 para 107 pontos nos últimos 19 dias. No ano, a alta é de 45 pontos. A mesma situação ocorreu com o BofA, cujo CDS estava em 127 pontos na sexta-feira, com alta de 32 pontos desde o começo do fevereiro e de 61 pontos nos últimos 12 meses.

O aumento recente do custo de funding das instituições financeiras pode encarecer ainda mais o crédito destinado às empresas. Mas, no segundo semestre do ano passado, o Banco de Tokyo -Mitsubishi UFJ concluiu uma operação de R$ 1 bilhão para a credenciadora de cartões de crédito e débito Cielo. A transação teve juros equivalentes à taxa Libor mais um spread de 0,73% ao ano, com prazo de 18 meses e proteção para a variação cambial (hedge). A remuneração mensal final, considerando todos os custos da operação, saiu equivalente a 99,4% do CDI.

“O custo é muito mais baixo do que uma captação local feita por meio de debêntures”, diz Rogério Monori, diretor do Banco de Tokyo Mitsubishi UFJ. Apesar de os bancos terem registrado aumento nas transações com a linha de financiamento em dólar, não existem números oficiais sobre a modalidade.

Fonte: Valor
Postado por: Raul Motta Junior

Rebaixamento eleva custos das empresas

Empresas que levantarem recursos no mercado de capitais local com emissão de dívida corporativa devem pagar mais caro por causa da redução na nota da dívida do Brasil feita pela Standard & Poor’s na quarta-feira. Essa classificação é uma referência nas emissões de títulos como debêntures, fundos de recebíveis e certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio. A classificação mais baixa indica risco maior de calote e, consequentemente, elevação de custos. O corte também pode ter impacto no financiamento do Tesouro. O custo do CDS (espécie de “seguro” contra o calote), que está em 481 pontos, deve subir.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

‘Prévia’ do PIB do Brasil fecha 2015 com queda de 4,08%, calcula BC

A economia brasileira teve o pior desempenho anual desde 2003 segundo cálculos feitos pelo Banco Central (BC). O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) fechou 2015 com baixa de 4,08%, após contração de 0,15% em 2014, considerando dados sem ajuste sazonal.

O resultado do ano ficou em linha com o estimado pelo mercado. A previsão média das 15 instituições ouvidas pelo Valor Data era de contração de 4,1%. As estimativas variavam de retração de 4% a 4,14%.

Em dezembro, o indicador teve queda de 0,52%, na série com ajuste sazonal, após retração de 0,64% em novembro (dado revisado de queda de 0,52%). A média das projeções captadas pelo Valor Data apontava para contração de 0,6%, com intervalo entre 0,2% a 0,83%. Em comparação com dezembro de 2014 a baixa é de 6,51% na série observada (queda de 6,53% com ajuste).

No quarto trimestre, considerando os dados com ajuste, a economia retraiu 1,87% sobre o terceiro trimestre. Sobre o quarto trimestre de 2014, a queda é de 6,34% (dados sem ajuste).

Os dados captam tanto a contração da indústria, que foi de 8,3% em 2015 (pior desde 2003), quanto a queda de 4,3% do varejo (pior desde 2001). O setor de serviços encolheu 3,6% em volume no ano passado, mas teve alta nominal de 1,5% em faturamento.

Na média móvel trimestral, indicador mais utilizado para se tentar capturar tendência, o IBC-Br aponta nova baixa, a décima seguida, ao cair 0,58% em dezembro após contração de 0,61% em novembro e de 0,70% em outubro, na série com ajuste. Sem ajuste, a média móvel aponta baixa de 1,81% em dezembro, após baixa de 1,60% em novembro.

Embora seja anunciado como “PIB do BC”, o IBC-Br tem metodologia de cálculo distinta das contas nacionais calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador do BC leva em conta a trajetória das variáveis consideradas como bons indicadores para o desempenho dos setores da economia (agropecuária, indústria e serviços). A estimativa do IBC-Br incorpora a produção estimada para os três setores acrescida dos impostos sobre produtos. Já o PIB calculado pelo IBGE representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país durante certo período. O IBGE divulgará o resultado do PIB de 2015 no início de março.

No Relatório de Inflação de dezembro, o BC projetou uma queda do PIB de 3,6% em 2015 e 1,9% em 2016. No entanto, conforme relatou o Valor na quarta-feira, essa projeção do BC para 2016 deve migrar para uma queda de 3%. Os analistas consultados para a confecção do boletim Focus estimam contração de 3,33% para este ano.

Fonte: Valor
Postado por: Raul Motta Junior

Banco Central já prevê recessão de 3% neste ano

O Banco Central piorou a sua previsão para a recessão deste ano, que deverá ficar em 3%, em vez de 1,9% antes estimados, segundo uma fonte da equipe econômica. O desempenho mais fraco do Produto Interno Bruto (PIB) já foi incorporado nas projeções de inflação apresentadas na reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom), que preveem uma variação do índice de preços ligeiramente acima da meta, de 4,5%, em 2017.

Mesmo com a revisão, o Banco Central segue mais otimista do que o mercado sobre o desempenho da economia neste ano. A mediana das projeções de analistas econômicos coletadas pelo Boletim Focus para a queda do PIB em 2016 está em 3,33%. Os analistas mais pessimistas apontam retração de 4,6%.

O fraco desempenho do PIB foi um dos fatores apontados pela ala mais moderada do Copom para se colocar contra a alta da taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano. Para eles, a desaceleração econômica vai seguir pressionando a taxa de desemprego, provocando maior moderação nos reajustes de salários e contribuindo para desacelerar a inflação de serviços.

Na ata do Copom de janeiro, o BC já havia indicado a revisão de sua projeção para a expansão da economia em 2016. Nesse documento, está escrito que, na avaliação do comitê, a “expansão da atividade doméstica será inferior ao previsto anteriormente”.

Mas o Copom não havia revelado, em detalhe, qual é sua projeção atual para a expansão da economia. O colegiado só costuma abrir os números no seu Relatório Trimestral de Inflação. Na mais recente edição do documento, de dezembro, a expansão do PIB era estimada em 1,9%. Em março, quando sai o novo relatório, a projeção para o PIB será atualizada – e, em tese, poderá ser uma recessão de 3%, igual à usada na reunião do Copom de janeiro, ou superior a isso.

Em dezembro, o Banco Central ainda previa um desempenho mais favorável da economia porque acreditava que o consumo das famílias, favorecido pelo reajuste do salário mínimo e pela queda da inflação, iria dar uma sustentação mínima ao PIB.

O colegiado também acreditava que a demanda externa poderia contribuir para formar uma espécie de piso para a queda do PIB neste ano, com a recuperação da economia americana.

Desde então, porém, a inflação se mostrou mais alta do que o esperado, contribuindo para corroer a renda real. A expansão das economias avançadas também tende a ser mais fraca.

Um dia antes da reunião do Copom de janeiro, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, deu indicações de que a projeção para o crescimento do PIB seria revista, ao divulgar nota comentando as estimativas sobre o desempenho global feitas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). O organismo multilateral reviu de 1% para 3,5% a projeção para a retração do PIB.

A ala mais moderada do Copom vem citando outros fatores para não subir os juros – entre eles, a perspectiva de reajustes mais suaves de energia elétrica, os efeitos defasados das altas de juros sobre a economia e, sobretudo, as chances de que uma onda deflacionária global. O lado negativo é que, mesmo admitindo um PIB mais fraco, as projeções de inflação do BC seguem desconfortáveis, próximas do teto de 6,5% em 2016 e acima do centro da meta em 2017.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

BC vê PIB mais fraco segurar a inflação

Em reunião com economistas no Rio de Janeiro, ontem, o diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Altamir Lopes, demonstrou um cenário relativamente otimista com o rumo da inflação, segundo relato de fontes que participaram do encontro. Enquanto os economistas presentes tinham um consenso de que dificilmente a inflação ficará abaixo de 7,5% este ano, podendo chegar a 8%, Lopes afirmou que o IPCA deve ficar dentro do intervalo da meta, de até 6,5%, em grande parte por causa da fraqueza da atividade. Pelas projeções do mercado constantes no boletim Focus, o IPCA deve fechar 2016 em 7,61%

O avanço do desemprego, segundo o diretor do BC, deve ter efeitos sobre a inflação de serviços. Outro elemento que contribuirá para colocar a inflação perto do intervalo da meta é o fato de o câmbio já ter passado por uma forte desvalorização, o que reduz a pressão sobre os preços de bens comercializáveis internacionalmente (“tradables”). “O diretor se mostrou mais otimista com o desempenho da inflação, o que significa que o BC não está otimista com a atividade”, relata uma fonte.

Trimestralmente, o BC reúne economistas do mercado financeiro para ouvir cenários e análises que ajudarão na elaboração do Relatório Trimestral de Inflação. Hoje, ele vai se encontrar com economistas em São Paulo.

Segundo uma fonte, uma diferença do encontro atual em relação ao anterior foi o aumento significativo do pessimismo com o cenário externo. Houve um consenso entre os participantes de que os bancos centrais do mundo perderam capacidade de afetar o nível de atividade. “O que parece claro é que os BCs conseguem mexer com os preços dos ativos, mas não afetam mais o nível de atividade, e que está havendo uma perda industrial importante pelo mundo”, afirma. O episódio da última reunião do Copom, em que o BC mudou sua comunicação e manteve a Selic, não foi mencionado.

Em seus comentários, Lopes disse que, após o ajuste das contas externas, promovido tanto pela desvalorização cambial quanto pela recessão do país, esse tema preocupa menos.

O mercado reconhece o ajuste na conta corrente ocorrido em 2015, mas vê riscos de que o cenário externo mais volátil comprometa fluxos para conta de capital brasileira. Com isso, os custos de financiamento ao país ficariam mais caros, o que poderia se refletir em uma taxa de câmbio mais depreciada, segundo a avaliação geral dos economistas.

Ao ouvir tal preocupação do mercado, o diretor do BC ponderou que, em 2015, o cenário na economia local era mais turvo e, mesmo assim, os investimentos estrangeiros diretos surpreenderam positivamente e as aplicações em ações e renda fixa se mantiveram firmes.

Fonte: Valor
Postado por: Raul Motta Junior