Monthly Archive: January 2016

BC do Japão introduz política de juros negativos pela primeira vez

O banco central do Japão expandiu suas agressivas medidas de estímulo monetário nesta sexta-feira ao introduzir inesperadamente, pela primeira vez, uma política de taxa de juros negativa para turbinar a economia, atingida por uma inflação teimosamente baixa e mercados financeiros globais turbulentos, que ameaçam minar seriamente o plano de renascimento econômico do primeiro-ministro, Shinzo Abe.

A partir de agora, a taxa de depósito que o banco central pagará para custodiar o dinheiro dos bancos comerciais será negativa em 0,1%. Isso valerá para o que exceder as reservas legalmente exigidas. A taxa que vinha sendo aplicada pelo banco central anteriormente era positiva em 0,1%.

O objetivo é forçar os bancos a emprestar e, assim, baixar os custos do crédito na ponta, para estimular a economia e assim buscar a meta de inflação estável em 2% desejada pelo governo Abe.

O banco central avisou ainda, em comunicado, que pode aprofundar a taxa para baixo. “Vamos cortar os juros ainda mais em território negativo, se isso for considerado como necessário.”

O placar que aprovou a experiência do juro negativo no BC japonês foi apertado: cinco votos a quatro.

Segundo analistas, o modelo adotado nesta sexta-feira pelo Japão se assemelha ao que é usado pela autoridade monetária da Suíça.

Outra decisão tomada pelo BC japonês foi manter inalterado o seu programa de compra de ativos ao ritmo de 80 trilhões de ienes (US$ 673 bilhões) por ano. O conselho de política monetária da instituição votou a favor dessa decisão por oito votos a um.

A medida demonstra a determinação do banco central para lutar contra os ventos contrários da economia externa e contempla os três anos de esforços de Abe para superar a crônica deflação que afetou o Japão por mais de uma década num passado recente. Mas sem atingir a meta de inflação de 2%, a política de Abe corre risco.

Outra decisão desta sexta-feira foi antecipar o alcance dessa meta em seis meses, para o primeiro semestre do ano fiscal de 2017, a terceira mudança de prazo em um ano. A justificativa é que a queda dos preços do petróleo está dificultando o alcance da meta.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

BC destaca aumento das incertezas externas e reforça vigilância

A política monetária deve se manter vigilante, observou o Comitê de Política Monetária (Copom) na ata divulgada nesta quinta-feira referente à última reunião do grupo, ocorrida na semana passada. O colegiado chamou a atenção para o fato de que “as incertezas em relação ao cenário externo se ampliaram, com destaque para a crescente preocupação com o desempenho da economia chinesa e seus desdobramentos e com a evolução de preços no mercado de petróleo”.

A maioria dos participantes do Copom considerou que “a elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas, sobretudo mais recentemente, justifica continuar monitorando a evolução do cenário macroeconômico para, então, definir os próximos passos na estratégia de política monetária”. Até a reunião de novembro de 2015, esses integrantes não citavam elevação das incertezas domésticas e diziam que era necessário acompanhar a evolução do cenário econômico até a próxima reunião. Na ata divulgada hoje, essa referência temporal foi eliminada.

A minoria voltou a defender a elevação imediata dos juros para reduzir o risco de não cumprimento dos objetivos do regime de meta e acrescentou ser necessário “reforçar o processo de ancoragem das expectativas inflacionárias”.

Grande parte do Comitê também disse que se faz necessário “acompanhar os impactos das recentes mudanças nos ambientes doméstico e externo no balanço de riscos para a inflação, o que, combinado com os ajustes já implementados na política monetária, pode fortalecer o cenário de convergência da inflação para a meta de 4,5%, em 2017″.

O Copom reafirmou sua intenção de adotar as medidas necessárias para assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas, ou seja, circunscrever a inflação aos limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), em 2016, e fazer convergir a inflação para meta de 4,5% em 2017. Retirou do texto, contudo, a menção de que faria isso “independentemente do contorno das demais políticas” e diz que será necessário “circunscrever”, e não mais “trazer”, a inflação aos limites estipulados.

Conforme a ata, Banco Central (BC) elevou tanto a projeção de inflação de 2016 quanto a de 2017, ambas ficando acima do centro da meta, de 4,5% – a previsão deste ano está “acima da meta” de 4,5% e a de 2017, “ligeiramente acima” da meta, considerando o cenário de referência, que leva em conta hipótese de manutenção da taxa de câmbio em R$ 4 por dólar e da taxa Selic em 14,25% ao ano “em todo o horizonte relevante”.

O texto trouxe ainda a previsão de aumento maior para os preços administrados neste ano, de 6,3%, em vez de 5,9%. “Entre outros fatores, essa projeção considera reajuste médio nas tarifas de ônibus urbano de 8,9% e variação de 3,7% nos preços da energia elétrica, mantida a bandeira tarifária em vigor”, diz. O colegiado do BC espera ainda alta de 5% dos preços administrados em 2017.

Na semana passada, o encontro do Copom teve seis votos pela manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 14,25% e dois votos por uma alta de 0,5 percentual.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Bancos mudam cara de agências em busca de eficiência

Uma ideia do que o futuro reserva para as mais de 20 mil agências bancárias espalhadas pelo Brasil pode ser vista em uma discreta filial do Bradesco no térreo do número 2026 da Avenida Paulista, em São Paulo. Não que o cliente vá esbarrar por lá em telas “touchscreen” ou atendentes robôs. A mudança é mais arquitetônica que tecnológica.

Desde setembro do ano passado, a agência encolheu e ocupa apenas metade de seu espaço original. O restante, o banco alugou para uma unidade da rede de cafeterias Starbucks. Como o fluxo de clientes havia diminuído, a “meia agência” dá conta da demanda ao mesmo tempo em que se tornou mais rentável para o banco. O plano deu certo e deve ser replicado em outra unidade na mesma avenida.

Está em curso um processo de transformação da rede total de 22.865 agências bancárias do país. Entre as mudanças, estão a redução do espaço físico, o rearranjo de tarefas dos funcionários, passando pela inauguração de postos onde não há o guichê de caixa tradicional. Há unidades que funcionam em horários diferenciados ou mesmo nos andares intermediários de edifícios comerciais,

O movimento é uma resposta dos grandes bancos brasileiros à mudança de hábitos de seus clientes que, cada vez mais digitais, tiraram do guichê do caixa uma série de operações bancárias. Ao mesmo tempo, reflete o esforço das instituições financeiras em dar mais eficiência às suas estruturas físicas – canal com elevados custos de manutenção.

Uma das consequências desse movimento é que, pela primeira vez desde 2010, os bancos encerraram um ano com menos agências do que começaram. Em dezembro de 2014, havia 23,1 mil agências em todo país, de acordo com dados do Banco Central (BC). Até novembro de 2015, dado mais recente disponível, os bancos fecharam 262 pontos.

“Se menos pessoas estão indo às agências, é natural que no futuro ocorra uma redução na quantidade dos nossos pontos físicos”, afirma Marco Bonomi, responsável pela diretoria geral de varejo do Itaú Unibanco. Exemplo dessa mudança é que, atualmente, apenas 10% das transações feitas por clientes do banco ocorrem nos guichês de caixas. O executivo, porém, deixa claro que o banco não vai abandonar o canal de concreto e tijolos. “Enquanto existir a necessidade do cliente de ir até uma agência, vamos continuar investindo neste tipo de atendimento”, diz.

O que está em curso é um redesenho da rede de agências físicas da instituição – que, ao mesmo tempo, tem ampliado investimentos em suas iniciativas digitais. Nos últimos quatro anos, o banco desembolsou R$ 1 bilhão em obras e reformas nos espaços físicos. A estratégia incluiu ainda a extensão do horário de funcionamento, com algumas agências abrindo mais cedo e outras fechando mais tarde, criando o que Bonomi chama de “corredor de atendimento”. Hoje, 28% das agências do Itaú no país funcionam no horário ampliado, segundo ele.

Entre os grandes bancos prevalece um consenso de que, apesar dos avanços do atendimento digital, há ainda pouca margem para um movimento agressivo de fechamento dos postos de atendimento físico. A leitura é que, mesmo os clientes mais antenados com a tecnologia, ainda veem os espaços físicos como referência na hora de executar transações mais complexas ou resolver problemas.

A rede de agências foi apontada pelo presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, como um dos atrativos para o banco empenhar US$ 5,2 bilhões na compra da unidade brasileira do HSBC, que concentra seus 815 pontos de atendimento no Sul e no Sudeste. A aquisição, que ainda depende de aprovação dos reguladores, fez o banco da Cidade de Deus reavaliar a abertura de agências neste ano, segundo Josué Augusto Pancini, vice-presidente executivo do Bradesco.

O plano original era abrir 185 novas agências no ano passado, mas o banco acabou inaugurando só 16. No total, porém, o número de agências em funcionamento encolheu em 66 unidades até setembro de 2015 (dado mais recente do banco). O banco ampliou a instalação de postos de atendimento bancário, estruturas à primeira vista indistinguíveis de uma agência tradicional, mas que não possuem caixas, deixando restritas às máquinas de autoatendimento a movimentação de dinheiro vivo.

“Não se trata de um movimento de redução simplesmente de agências. Estamos ampliando a rede de atendimento aos clientes, mas com outros modelos”, afirma Pancini. Além da diminuição do espaço físico e da mudança no “layout” das instalações, o banco tem convertido algumas agências tradicionais em postos de atendimento.

Os números do Banco do Brasil mostram tendência similar, com redução de 100 agências até setembro e abertura de 108 postos, fruto também da mudança de classificação de algumas agências para postos. “Estamos transformando, não fechando agências”, afirma Raul Moreira, vice-presidente de negócios de varejo do BB. “Não vamos enxugar o quadro de funcionários no atendimento. Vamos mudar as funções deles”, afirma, lembrando que a expansão do horário de atendimento nos canais digitais do banco, por exemplo, exige mais pessoal na área.

O banco fez do município de Joinville (SC) uma espécie de laboratório para os diversos modelos de agência, incluindo as digitais, “Exclusive” (outra segmentação por renda do banco) e os “escritórios de negócios”, que prestam consultoria aos clientes em operações específicas. Nesse laboratório, o BB testa um novo modelo de remuneração para os funcionários, menos baseado no número absoluto de determinados tipos de produtos vendidos e mais no número de produtos vendidos por cliente.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

BC da China realiza maior injeção diária de dinheiro em três anos

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O banco central da China injetou nesta terça-feira a maior quantidade de recursos em um único dia no sistema financeiro desde fevereiro de 2013 para aliviar a redução de liquidez antes do feriado do Ano Novo Lunar.

A autoridade monetária chinesa realizou acordos de recompra reversa de 28 dias no valor de 360 bilhões de yuans (US$ 55 bilhões) e acordos de recompra reversa de sete dias somando 80 bilhões de yuans. Nessas operações, o banco central compra títulos dos bancos com o compromisso de revender esses papéis a eles no futuro.

A agência de notícias Xinhua recordo que as condições de liquidez geralmente diminuem antes da semana do Ano Novo Lunar, que começa na véspera do feriado em 7 de fevereiro, e o BC chinÇes geralmente coloca grandes quantidades de dinheiro no sistem abancário para manter as taxas de juros.

Na semana passada, a autoridade monetária chinesa avisou que vai garantir que a liquidez no sistema bancário seja “adequada” até o Ano Novo Lunar e que deve injetar ao menos 600 bilhões de yuans.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Mercado revê Selic após decisão do BC e projeta mais inflação

Analistas do mercado financeiro revisaram suas projeções para a taxa de juros neste ano e no próximo dias depois de o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), ter decidido manter a taxa Selic em 14,25% ao ano. Ao mesmo tempo, as projeções para a inflação foram elevadas forma expressiva, de acordo com o Boletim Focus.

Ao contrário do que vinha sinalizando até então, de que elevaria a Selic para controlar a inflação, o BC manteve o juro alegando “elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas”. Com isso, no Focus divulgado nesta segunda-feira, a mediana das estimativas para a Selic ao fim deste ano saiu de 15,25% para 14,64% e, para 2017, de 12,88% para 12,75%.

Quanto à inflação, a mediana das projeções para o aumento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 6,83% para 6,91% em 12 meses. Para 2016 completo, a projeção saltou de 7% para 7,23% e, para 2017, de 5,40% para 5,65%.

Entre os analistas Top 5, que mais acertam as previsões, as revisões para o resultado do IPCA foram ainda mais dramáticas. A mediana das estimativas de médio prazo para a inflação em 2016 subiu de 7,54% para 7,92% e, para 2017, de 5,50% para 7,19%. Esse grupo de analistas espera agora que a Selic termine este ano em 13,75%, em vez em 15,38%. Em 2017, a taxa básica de juros deve ficar em 12,63%, ante 13% esperados anteriormente.

A previsão para o avanço do IPCA em janeiro também foi elevada, de 0,92% para 1,05%. Na sexta-feira pasada, o IBGE informou que o IPCA-15, prévia do mês, subiu 0,92%.

Atividade econômica

A mediana das projeções dos analistas de mercado para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano teve ligeira piora. A expectativa agora é de retração de 3%, em vez de queda de 2,99%, conforme o Focus. A projeção para 2017 saiu de expansão de 1% para crescimento de 0,80%.

Na terça-feira passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou a previsão para a economia brasileira, de queda de 1% para contração de 3,5% em 2016 e de crescimento de 2,35% para estagnação em 2017.

Essas novas projeções levaram o presidente do BC, Alexandre Tombini, a emitir uma nota no primeiro dia da reunião do Copom, algo incomum. A nota dizia que as revisões eram “significativas”, uma sinalização de que, ao contrário do que o BC tinha defendido até ali, uma alta de juro poderia não vir em janeiro, o que de fato aconteceu. Na nota que se seguiu à decisão sobre a Selic, na quarta-feira, o BC citou a “elevação das incertezas domésticas e, principalmente, externas”.

Ainda no Focus, as projeções para a produção industrial também pioraram – a deste ano saiu de queda de 3,47% para recuo de 3,57%, enquanto a do próximo foi de expansão de 1,80% para 1,50%.

Fonte: Valor Econõmico
Postado por: Raul MOtta jUnior

Um dia após bater nível recorde, dólar recua e é negociado a R$ 4,12

Um dia depois de o dólar atingir o maior valor desde o Plano Real, fechando a R$ 4,1631, a moeda americana apresenta queda nesta sexta-feira. Perto das 10 horas, a divisa era negociada a R$ 4,1235, recuo de 0,95%.

Os investidores continuam atentos ao cenário internacional, em um dia em que as bolsas asiáticas terminaram em alta e as bolsas europeias operam com ganhos, e avaliam o resuldado do IPCA-15 de janeiro, que registrou a maior alta para um primeiro mês de ano desde 2003. A prévia da inflação oficial, de 0,92%, ficou, no entanto, abaixo do resultado do fim de 2015, de 1,18% de aumento.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Risco de crise financeira mundial faz BC adiar decisão

O Copom manteve os juros estáveis em 14,25% ao ano, mas o comunicado ainda não descarta totalmente os riscos de um aperto monetário logo adiante. Tudo vai depender da evolução do que o comitê chama de incertezas domésticas e externas. Entrou no radar do Copom o risco de uma crise financeira externa de maiores proporções, desencadeada pelas incertezas na China e pela evolução do mercado de petróleo.

A nota divulgada na terça-feira pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, foi bastante influenciada pelo que ele ouviu nas reuniões do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), da qual participam banqueiros centrais de todo o mundo.

Por enquanto, não há uma crise financeira global, mas sim um risco mais pronunciado. A expectativa é que, nas próximas semanas, até a reunião do Copom de março, haja novas informações que possam traçar um diagnóstico mais claro da situação.

Não foi apenas o risco externo, porém, que levou a maioria do Copom a votar pela manutenção dos juros nesta reunião. Há também o que o comunicado chama de perspectivas para a inflação e, sobretudo, o atual balanço de riscos.

As perspectivas para a inflação conhecidas são as divulgadas no Relatório de Inflação, que no cenário de referência previa uma variação de 6,2% do IPCA em 2016, com 40% de chances de estourar o teto, e de 4,8% em 2017.

Desde dezembro, pelo menos dois fatores contribuíram para piorar essa projeção. O dólar passou de R$ 3,90 para cerca de R$ 4,10 desde a data de corte do relatório, em 18 de dezembro. Os reajustes de transportes públicos foram mais fortes do que o antecipados pelo BC. Do lado positivo, o que pode ter influído para atenuar a alta nas projeções de inflação é a adoção, nos modelos do BC, de uma recessão maior do que a de 1,9% usada no relatório para 2016. É algo a se conferir na ata que sai na semana que vem.

A queda da cotação do petróleo é outro fator positivo. O Banco Central sempre lembra que, mesmo quando o preço da gasolina e do diesel não baixa nos postos de gasolina, há um efeito positivo em outros preços da economia que são vinculados ao petróleo.

Com o regime de chuvas favorável, também cresceram, desde dezembro, as chances da adoção da bandeira verde para as contas de luz. O Banco Central assumiu como premissa a bandeira amarela.

É possível que a combinação desses fatores tenha mantido estável, ou pelo menos alterado pouco, a inflação projetada nos modelos do Banco Central.

O que aparentemente pesou mais na decisão foi o chamado balanço de riscos, que é mencionado explicitamente na nota do Copom. Esses são fatores que podem fazer a inflação ficar acima ou abaixo do valor central projetado nos modelos do Banco Central.

Desde novembro, o Copom já identificava grandes incertezas sobre a evolução da inflação, que poderiam fazer a variação dos índices de preços ficar bem acima ou bem abaixo do valor central projetado nos modelos.

Do lado positivo, o BC vinha chamando a atenção para as chances de a alta do desemprego baixar fortemente a inflação de serviços e de outros bens não comercializáveis.

Do lado negativo, havia o tamanho e composição do ajuste fiscal. Um risco relevante era a adoção da Cide sobre combustíveis, que, hoje, parece menor, com o governo insistindo na aprovação da CPMF.

Na nota divulgada ontem, o Banco Central diz que aumentaram as incertezas domésticas, sem explicar exatamente o que é isso. Uma possibilidade é que se refira à atividade econômica, ou seja, um crescimento mais fraco. Nessa hipótese, é possível que o Copom não tenha ainda agregado a desaceleração mais forte da economia aos seus modelos – ou que tenha incorporado apenas parte dela.

O Copom também cita o aumento de incertezas internacionais, que é um risco de uma nova crise financeira global.

Em suma, o comunicado do Copom divide com o mercado financeiro as incertezas que estão pelo caminho e, a rigor, não elimina de forma nenhuma as chances de elevação de juros mais adiante. Os membros do Copom ficaram divididos sobre subir a taxa de juros agora, mas há uma confluência na determinação de fazer o que for necessário para fazer a inflação não ultrapassar 6,5% em 2016 e para ficar no centro da meta em 2017. Isso vai depender fundamentalmente da evolução dos fatores de risco até lá.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Crescimento da economia mundial deve ficar em 3,4% em 2016, vê FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia mundial deverá crescer 3,4% neste ano. Para 2017, o crescimento será de 3,6%, segundo as estimativas do relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, da sigla em inglês), divulgado nessa terça-feira. Ambas previsões foram revistas em 0,2 ponto percentual para baixo.

No caso do Brasil, a projeção do Fundo é de contração de 3,5% em 2016, queda essa mais aguda do que aquela prevista anteriormente para o mesmo período, de 1%. Para 2017, a economia brasileira deve ficar estagnada, uma redução de 2,3 pontos na previsão anterior.

A retomada da atividade econômica mundial será mais gradual do que o previsto no relatório anterior da instituição, de outubro de 2015, especialmente para as economias emergentes e para os países em desenvolvimento. A previsão é a de que as economias avançadas continuam se recuperando de forma moderada e desigual.

Já o panorama para as economias emergentes e em desenvolvimento é diverso, mas, em muitos casos, enfrenta desafios, como a desaceleração do crescimento e o reequilíbrio da economia chinesa, a queda dos preços das matérias-primas e as tensões em que se encontram submetidas algumas das principais economias de mercado emergentes, como o Brasil. Segundo o Fundo, essas tensões vão afetar as perspectivas de crescimento em 2016 e em 2017.

O crescimento das economias emergentes e em desenvolvimento deverá aumentar em 4,3%, em 2016, e 4,7%, em 2017, segundo as projeções do Fundo. É uma pequena elevação quanto ao prognóstico de 4%, em 2015, que foi o nível mais baixo desde a crise financeira global de 2008 e 2009.

O FMI espera uma diminuição no crescimento chinês, que deve ser de 6,3%, em 2016, e 6%, em 2017.

“A retomada do crescimento projetado para os próximos dois anos, apesar da desaceleração que a China está sofrendo, reflete principalmente um prognóstico de melhora gradual das taxas de crescimento dos países que estão enfrentando tensões econômicas, especialmente o Brasil, a Rússia e alguns países do Oriente Médio”, diz o relatório. O FMI ressaltou ainda que essa projeção de recuperação parcial de alguns países emergentes pode ser “frustrada por novos choques econômicos ou políticos”.

Segundo a instituição, as perspectivas mundiais estão sendo afetadas por três transições críticas. São: a desaceleração da atividade econômica na China, que está se distanciando dos investimentos e da manufatura para orientar-se para o consumo e serviços; a queda dos preços de energia e de outras matérias-primas; o endurecimento paulatino da política monetária nos Estados Unidos, com o início do processo de elevação das taxas de juros naquele país no contexto de recuperação econômica e no momento de distensão das políticas monetárias em outras importantes economias avançadas.

“De maneira geral, o crescimento global da China está evoluindo dentro do previsto”, informou o Fundo. Mas a contração do investimento e as inquietações do mercado em torno do desempenho futuro da economia chinesa “está criando efeitos de contágio a outras economias”.

Como a retomada do crescimento está mais baixa do que o esperado, o FMI recomendou algumas prioridades em matéria de políticas.

Nas economias avançadas, onde as taxas de inflação ainda estão muito abaixo das metas dos bancos centrais, segue sendo essencial uma política monetária acomodatícia. O Fundo avaliou que, quando as condições permitirem, a política fiscal a curto prazo deveria respaldar a recuperação, especialmente por meio de investimentos que aumentem o capital produtivo futuro. Já se houver desequilíbrios fiscais, a consolidação fiscal deveria ser equitativa e promover o crescimento. “Os esforços para elevar a produção potencial através de reformas estruturais seguem sendo críticos”, diz o relatório.

Nas economias emergentes, o Fundo ressaltou que as prioridades em termos de políticas são variadas, dada a diversidades dos países, mas advertiu que as autoridades devem gerenciar as vulnerabilidades e recuperar a força e a resistência frente a choques potenciais incrementando o crescimento e assegurando novos ingressos de recursos.

De maneira geral, a flexibilização do câmbio será uma ferramenta importante para amortecer o impacto de choques externos adversos nas economias emergentes, especialmente para aquelas que são exportadoras de matérias primas. “As autoridades das economias emergentes devem insistir em reformas estruturais para aliviar os estrangulamentos de infraestrutura e facilitar um clima empresarial dinâmico e inovador”, recomendou o Fundo.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Capital limita estímulo ao crédito

O plano do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, de estimular a economia via concessão de crédito pelos bancos públicos esbarra em um obstáculo que não existia da última vez em que essa estratégia foi usada: a falta de capital. As três maiores instituições financeiras controladas pelo governo estão com os índices de capitalização em queda, o que limita a capacidade de gerar novos empréstimos.

A situação de capital dos bancos do governo está na ordem do dia em Brasília. A presidente da Caixa Econômica Federal, Miriam Belchior, tratou do assunto em reunião com o ministro da Fazenda na quarta-feira. Ela afirmou que a questão do crédito não foi discutida especificamente. “Nós discutimos necessidades da Caixa de capital. Essa discussão [sobre crédito] é permanente”, disse a jornalistas, após o encontro com Barbosa.

O Banco do Brasil (BB) tem o menor índice de capital principal (o de melhor qualidade) entre os grandes bancos brasileiros. Em setembro, o indicador estava em 8,07%, ante 9,28% no mesmo período do ano anterior. A Caixa encontra-se em situação um pouco mais confortável, mas sofreu uma queda ainda maior no índice, de 12,91% para 10,09% no mesmo período. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) registrou queda de 0,6 ponto percentual no indicador e encerrou o terceiro trimestre com 9,80% de capital principal. Para fins de comparação, no Itaú Unibanco o mesmo índice estava em 12,3% e o do Bradesco, em 11,4%.

Os números mostram que os bancos públicos atendem hoje com certa folga os requisitos mínimos de capital estabelecidos pelo Banco Central (BC). Mas essa margem cairá sensivelmente com a entrada em vigor das novas normas internacionais de Basileia 3, que são mais rígidas. O regulador vem implementando as regras de forma gradual, em um cronograma que se estende até 2019.

Após a plena adoção das normas, os bancos precisarão contar com um índice mínimo de capital principal entre 7% e 9,5%. Hoje, esse percentual é de pouco menos de 5%. Quanto menor o percentual, menor a capacidade de um banco conceder novos empréstimos. As instituições que ficarem abaixo do exigido precisarão receber um aporte de recursos dos acionistas – no caso dos bancos públicos, a União.

Analistas e agências de classificação de risco já vinham questionando como os bancos públicos lidariam com a questão do capital nos próximos anos, mesmo antes de o novo ministro da Fazenda sinalizar estímulos via crédito. “A situação pode piorar se o crédito voltar a acelerar”, diz o analista de um banco estrangeiro.

Contribui para agravar essa conta a perspectiva de que os resultados dos bancos piorem neste ano, em razão do aumento da inadimplência em meio à estagnação da economia. Como os bancos públicos possuem rentabilidade historicamente menor que a dos pares privados, a capacidade das instituições de reforçar o capital valendo-se apenas dos próprios resultados deve ficar ainda mais comprometida.

Os índices atuais estão abaixo dos níveis de 2012, quando o governo fez com que as instituições financeiras de controle estatal reduzissem os juros dos empréstimos e acelerassem a concessão de operações. Entre 2009 e 2014, período em que se valeu dos bancos públicos como instrumento de política econômica anticíclica, o governo injetou pouco mais de R$ 35 bilhões na Caixa e no BB por meio de instrumentos que podem ser contabilizados como capital principal. O BNDES recebeu outros R$ 35,5 bilhões em 2013 e 2014. Diante da atual situação fiscal, porém, um novo aporte é apontado como improvável.

Uma alternativa para os bancos se capitalizarem é a redução no pagamento de dividendos. A Caixa negocia com o governo a diminuição do percentual de lucro distribuído para 50%. Nos nove primeiros meses do ano passado, o banco pagou 61,3% do resultado em dividendos para a União, de acordo com cálculos da agência de classificação de risco Moody’s.

A quitação antecipada das chamadas “pedaladas fiscais” pelo governo não alivia a situação de capital dos bancos. Como os recursos a receber do Tesouro Nacional são considerados de risco zero pelo regulador, essa dívida não impactava os índices de capitalização. De qualquer forma, os recursos pagos aumentam a liquidez para os bancos concederem novos empréstimos.

Para a analista responsável por bancos públicos na Fitch Ratings, Esin Celasun, se apenas o dinheiro vindo das pedaladas for usado para estimular crédito, o volume não vai fazer diferença relevante no capital ou na carteira de crédito dos bancos. Ela cita o caso da Caixa, que deve receber perto de R$ 5 bilhões do Tesouro e tem uma carteira de crédito na casa de R$ 650 bilhões. “Os bancos públicos estão mais conservadores, adotaram uma postura mais cautelosa que não deve mudar”, diz. “Não acreditamos que esses recursos serão usados de uma só vez.”

Além do problema de capital, uma eventual reedição da política de estímulo ao crédito com o uso dos bancos públicos esbarra no atual cenário de custos de captação maiores e aumento da inadimplência, segundo Ceres Lisboa, vice-presidente e analista sênior da Moody’s. “Mesmo com o apetite contracíclico, os bancos terão de atuar de forma mais comedida”, afirma a analista.

Há também uma menor demanda por crédito, de uma maneira geral, em relação aos anos anteriores, o que reduz a eficácia dos estímulos. Como o governo tem reforçado que não deve subsidiar as taxas de juros dos empréstimos, a única via para se aumentar a concessão de crédito seria reduzindo o nível de exigências dos tomadores – algo temerário no atual momento da economia, segundo um analista.

Outra forma encontrada pelos bancos públicos para reforçar capital nos últimos anos foi a venda de ativos, embora o atual cenário não seja favorável à retomada desse movimento – caso da abertura de capital da Caixa Seguridade.

A Caixa também tem recorrido à venda de operações de crédito ativas, que ainda não haviam sido baixadas para prejuízo, o que alivia o consumo de capital dessas operações. No ano passado, o banco vendeu R$ 1,46 bilhão em operações ativas e, em 2014, R$ 3,2 bilhões.

Procurada, a Caixa afirmou que “possui estrutura de capital adequada ao ritmo de crescimento da carteira de crédito programado para 2016, com margem de segurança confortável em relação às exigências mínimas do BC”. O BB e o BNDES não comentaram.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Aumenta percepção de risco de investir em bônus do país

A percepção de risco da economia brasileira, refletida no retorno pago a investidores estrangeiros que detêm títulos da dívida do país, é hoje a pior entre as principais economias emergentes. Os bônus soberanos emitidos pelo Brasil no mercado internacional, com prazo de dez anos, tiveram a maior elevação de “yield” (rendimento) nos últimos 12 meses.

Os juros do Global 2025, um papel negociado no mercado secundário, saltaram, em 2015, de 12,30% para 16,11% ao ano, alta de 3,81 pontos percentuais. Em igual período, o papel de mesma característica lançado pelo México subiu apenas 0,39 ponto percentual, para 6,18% ao ano. O do Peru, por exemplo, aumentou 0,40 ponto, para 7% ao ano.

De maneira geral, os papéis emitidos por países emergentes tiveram alta devido a uma combinação de fatores. Nos últimos meses, houve piora generalizada no desempenho econômico dessas economias, agravada pela forte queda nos preços das commodities metálicas e minerais. Além disso, o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos tem levado o investidor a evitar ativos de risco e a aplicar em títulos da dívida americana.

No caso do Brasil, a elevação dos “yields” a patamares muito superiores aos de economias comparáveis reflete a preocupação dos investidores com o acirramento das crises política e econômica. A percepção piorou após a perda do grau de investimento decidida por duas agências de classificação de risco e pelas incertezas em relação ao desempenho das contas públicas.

A Rússia, país que sofre com sanções econômicas impostas pelas nações ricas, paga hoje o segundo maior “yield” – 10,44% no título de dez anos -, um valor muito inferior ao cobrado no caso do Brasil. Há um ano, o papel russo tinha desempenho pior que o brasileiro. A acentuada piora de percepção atinge também as empresas brasileiras, que sofrem os efeitos da deterioração dos títulos soberanos.
Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior