Monthly Archive: December 2015

Bancos desaceleram captação em meio a cenário de crédito fraco

Sem perspectiva de uma retomada do crédito nos próximos anos, os bancos brasileiros pisaram no freio na captação de recursos no mercado local. Houve também uma mudança na composição do funding, com um ganho de velocidade da emissão de letras financeiras, instrumento voltado para investidores institucionais, que conta com um prazo mínimo de dois anos. Diante da fraca demanda por crédito e do aperto no orçamento das famílias, a aposta das instituições financeiras é que a tendência se repita no ano que vem.

Ao todo, considerando os diversos tipos de instrumentos, o saldo dos recursos captados pelos bancos no país cresceu apenas R$ 25 bilhões nos primeiros nove meses de 2015, com base nos balanços mais recentes das instituições e dados do Banco Central, BM&FBovespa e Cetip. É uma fração do que foi captado em todo o ano passado, quando o funding local aumentou em R$ 275 bilhões. Como grande parte desse estoque é valorizado a uma taxa equivalente à Selic, na prática os bancos mais devolveram do que levantaram dinheiro novo com os clientes.

A conta inclui desde recursos obtidos com certificados de depósitos bancários (CDB) e poupança até as operações compromissadas, depósitos judiciais e letras de crédito e financeira. Todo esse universo de instrumentos totaliza um estoque próximo de R$ 2,2 trilhões em recursos captados de clientes no país, já descontada a parcela que fica retida no BC – o recolhimento compulsório. O funding total, incluindo emissões externas, é da ordem de R$ 4 trilhões.

A redução das captações é reflexo direto do menor apetite dos bancos para emprestar. “Como o crédito não cresce, parte dos recursos dos clientes é direcionada para fundos de investimento”, afirma o executivo de um grande banco de varejo. A demanda de investidores institucionais, incluindo as gestoras de fundos que pertencem aos próprios bancos, pelas letras financeiras, tem colaborado para o crescimento mais rápido desses papéis mesmo em um cenário de desaceleração das captações.

Em novembro, o saldo de letras financeiras era de R$ 421 bilhões, um aumento de 20,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados da Anbima, associação que representa as instituições que atuam no mercado de capitais.

Ao mesmo tempo, fontes mais tradicionais de dinheiro para os bancos têm perdido recursos, uma vez que o aperto crescente no orçamento das famílias diminui a capacidade de poupar. A subida da taxa básica de juros (Selic) também torna menos atraente o rendimento dessas aplicações, contribuindo para aumentar os resgates.

É o caso da caderneta de poupança, cujo saldo apresenta redução de 3% até novembro, depois de acumular resgates de R$ 58 bilhões durante o ano. A mesma tendência ocorre com os certificados de depósito bancário (CDB), cujo estoque também cai 3% até novembro. Mas o maior impacto da estratégia dos bancos de diminuir a captação no varejo ocorreu nos depósitos à vista (o dinheiro que fica na conta corrente), que tiveram uma redução de 22% no saldo desde o fim do ano passado.

“O crescimento do crédito no ano que vem vai ser bem reduzido, então não há necessidade de funding. Ao mesmo tempo, os bancos têm se mantido bastante líquidos”, diz Alexandre Albuquerque, analista da agência de classificação de risco Moody’s. Para ele, o crescimento da letra financeira é uma forma de os bancos alongarem o prazo médio de suas captações, além de acabar reduzindo a participação de fontes de varejo na captação em prol de investidores institucionais. Nas contas da Moody’s, a participação de instrumentos de captação de varejo no funding dos bancos recuou de 68% em 2011 para 61% em 2015.

“Há uma relação entre o alongamento de prazo da captação e a migração de recursos para fundos de investimento”, afirma. Segundo a Anbima, o patrimônio dos fundos de investimento do país aumentou em R$ 283 bilhões até novembro – bem acima da captação bancária.

Na visão de Edmar Casalatina, diretor de empréstimos e financiamentos do Banco do Brasil, tanto a captação via CDB como pela poupança devem apresentar um desempenho um pouco melhor em 2016. “Houve alguma recuperação na demanda pelo CDB, em especial por quem está buscando uma aplicação com liquidez imediata, em caso de imprevistos”, afirma. Neste ano, o Banco Central (BC) ampliou os prazos mínimos de resgate das letras de crédito, o que acabou direcionando para o CDB quem queria investir sem abrir mão de liquidez, diz.

Mesmo na poupança o executivo vê a possibilidade de uma modesta recuperação. “É possível que no ano que vem até a captação líquida da caderneta cresça um pouco”, diz. “Desde maio deste ano temos tentado aumentar a captação via poupança, com algum sucesso.”

Fonte; Valor
Postado por: Raul MOtta Junior

CVM terá mais rigor contra informação privilegiada

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passará, nas investigações sobre possíveis negociações de investidores de posse de informação privilegiada, a instaurar inquéritos em vez de formular apenas termos de acusação. Na prática, a diferença é que o inquérito permite avaliações mais minuciosas, com tomada de depoimentos e produção de provas, que deverão também levar mais tempo de análise.

Segundo a CVM, esta é uma das medidas que estão sendo adotadas pela autarquia a partir de sugestões de um grupo interno que se dedica a pensar formas de aprimorar as investigações e reações da instituição à prática do chamado “insider trading” (negociação com informação privilegiada) no mercado brasileiro. Medidas estão em preparação e devem ser anunciadas em 2016. O que está por trás do trabalho é fazer com que a autarquia tenha “filtros adequados” para esses casos, para que não se perca tempo com acontecimentos que não merecem tanta atenção. O combate ao “insider trading” é um dos principais pontos do plano estratégico da CVM lançado em 2013 e que tem objetivos a serem perseguidos no prazo de dez anos.

Nos casos de “insider” levados a julgamento pelo colegiado da CVM, os advogados de defesa sempre questionam a qualidade dos termos de acusação. Queixam-se por vezes da falta da observação do padrão de negociação de acusados, e muitas vezes de pequenos valores negociados – sobre este aspecto, a CVM tem sido muito clara de que, independentemente de ganhos ou perdas, a autarquia está atenta à intenção de quem negociou as ações.

A questão é que a prova num caso de negociação com informação privilegiada é muito difícil de ser obtida. Dessa forma, as acusações são feitas com base em indícios, mas que precisam ser suficientemente fortes para apontar para a atuação irregular e configurar uma acusação. Além disso, o chamado “insider primário”, cometido por pessoa que tem dever de sigilo perante a informação, gera um processo penal.

“Para acusar com base em indícios, você precisa demonstrar que eles são consistentes e fazem sentido. Sem inquérito, é possível que se comece a fazer suposições, a achar sem demonstrar nexo”, avalia Luiz Leonardo Cantidiano, ex-presidente da CVM. Cantidiano esteve presente no último julgamento da autarquia de 2015, em que cinco acusados foram absolvidos da acusação de negociar com ações da Sanepar de posse de informação privilegiada.

A base da acusação era a tese de que as pessoas e gestoras envolvidas se conheciam e que a suposta informação privilegiada teria circulado entre todas. Ao final, o colegiado da CVM avaliou que a acusação não conseguiu comprovar nem o acesso à informação não divulgada ao mercado, nem o fato de ela ter circulado entre os acusados.

Cantidiano atuou na defesa de um dos acusados e, ao se manifestar no julgamento, se disse preocupado com acusações da CVM “com base em suposições”.

“Me preocupa acusação com base em suposições, tais como fulano conheceu sicrano em tal lugar e provavelmente tinha conhecimento da informação sem avaliar se a informação era relevante e impactaria volume e preço, transferindo para os acusados o ônus difícil de tentar demonstrar que não houve insider, quando na verdade caberia à autarquia apresentar prova concreta do ilícito. Acusação de insider deveria ser objeto de processo com inquérito e análise de prova, para que possa se basear em termos concretos e não em ilações e coincidências”, afirmou.

Também atuando na defesa de um acusado no caso Sanepar, Luiz Antonio de Sampaio Campos, sócio do escritório Barbosa Müssnich Aragão (BMA), “acompanhou integralmente” a manifestação de Cantidiano. “O processo de insider tem consequências muito graves, uma vez que a prática pode ser considerada crime. O acusador deveria tomar redobrado cuidado na instrução probatória. No processo de insider, é permitida a prova indiciária, mas ela não pode ser muleta”, afirmou Campos.

Na ocasião, o advogado avaliou que a acusação da CVM havia se utilizado “do que pensou ser indícios” para acusar sem realizar investigação adequada. O advogado queixou-se ainda que, se tivesse praticado a negociação com informação privilegiada, seu cliente seria um insider secundário, aquele que não tem dever de sigilo perante a informação e que não pode ser punido por lei. Mas, mesmo assim, a CVM fez uma comunicação sobre o caso ao Ministério Público.

Fonte: Valor
Postado por: Raul Motta Junior

Balança deve ter superávit de US$ 33 bi em 2016

Considerado um dos poucos indicadores positivos no atual cenário econômico, o superávit da balança comercial brasileira deve praticamente dobrar em 2016 na comparação com este ano. Segundo estimativa média de 23 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor, o saldo positivo das trocas de bens com o exterior será de US$ 33,4 bilhões no próximo ano, bem acima dos US$ 16,6 bilhões registrados de janeiro até a terceira semana de dezembro deste ano. Se confirmado, esse será o melhor resultado para o indicador desde 2007.

Segundo o presidente da Associações de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, a substituição de importações, por conta do real desvalorizado, pesará na diminuição das compras externas, que deve ocorrer em todas as categorias de uso. O que vai fazer a maior diferença, porém, será a retração da economia. Em suas estimativas, os desembarques de matérias-primas e bens intermediários vão cair 7,9% sobre este ano. Bens de capital terão queda de 11,8% e bens de consumo, 7,8%.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Dólar abre com ajuste e volta à casa dos R$ 3,97

O dólar e os juros futuros devolvem nesta terça-feira boa parte das altas de ontem, em um claro ajuste técnico. As quedas são intensificadas, contudo, não por uma correção firme, mas sim pelo baixo volume de negócios, na penúltima sessão de mercados futuros em operação no Brasil.

Os agentes seguem atentos ao novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, um dia depois de declarações dele terem feito pouco para mudar a leitura do mercado de que, sob seu comando, o ajuste fiscal pode sofrer reveses. Nesta manhã, ao participar da cerimônia de transferência de cargo de ministro do Planejamento a Valdir Simão, Barbosa destacou o processo de reforma administrativa ao qual deu início na pasta. Segundo Barbosa, esta iniciativa contribuiu para a racionalização de ministérios e redução de cargos comissionados.

Às 10h41, o dólar comercial caía 1,17%, a R$ 3,9761. Ontem, a moeda americana subiu 1,99%, para R$ 4,0233, máxima de fechamento desde 29 de setembro.

“Os lotes que têm saído são pequenos. O mercado está vazio, seco”, diz o profissional da área de câmbio de uma asset, acrescentando que no exterior os volumes também têm caído.

O dólar para janeiro tinha queda de 0,92%, a R$ 3,9865. O vencimento para janeiro movimentou até o momento pouco mais de 37 mil ativos, volume considerado baixo para o horário.

No mercado de juros, o DI janeiro de 2017 caía a 15,920% ao ano, ante 16,000% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2018 recuava a 16,620%, frente a 16,720% no ajuste de ontem. O DI janeiro de 2021 cedia a 16,480%, ante 16,570% no ajuste da véspera.

Os mercados domésticos podem reagir ainda ao noticiário internacional, em um dia de agenda farta nos EUA. O destaque da agenda americana é a divulgação do PIB do terceiro trimestre. A expectativa de analistas é de uma desaceleração no crescimento para 1,9%, ante 2,1% da segunda prévia.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul MOtta Junior

Assessoria identifica aumento do interesse de europeus pelo Brasil

As dificuldades enfrentadas por empresários locais de menor porte, diante da turbulência econômica, e a depreciação do real em relação ao dólar e ao euro têm favorecido estrangeiros que querem entrar no país por meio de compras de outras companhias, de fusões ou parcerias. A assessoria financeira Athos Finance, braço do private banking francês Hottinguer, registrou um aumento de 25% nas consultas de empresas internacionais interessadas em negócios locais neste semestre.

Fundada há quatro anos, a Athos atende pequenas e médias empresas europeias, com faturamento entre R$ 30 milhões a R$ 100 milhões por ano. “Apesar de a depreciação cambial ter tornado os negócios mais interessantes para os estrangeiros, o desaquecimento econômico deixou a estimativa de retorno imprevisível”, pondera Virgínia Resende, sócia da consultoria.

Há dois meses, a Athos passou a fazer parte da Terra Corporate Finance Alliance, uma associação de 14 assessorias financeiras independentes presentes em 30 países. É um atalho para achar sócios estratégicos para empresas que querem ampliar os negócios por meio da aquisições.

A Athos fechou recentemente dois negócios. O primeiro foi uma joint-venture entre uma empresa europeia, com faturamento de € 100 milhões, e uma companhia nacional para a construção de uma nova planta que vai produzir material cirúrgico como bolsas de sangue e cateter. Outra transação, de R$ 50 milhões, envolveu a compra de uma fábrica de embalagens por uma empresa europeia. “Os europeus, que tinham desistido de fazer negócios há dois anos, estão voltando depois que os empresários locais aceitaram vender as empresas por valores mais razoáveis”, diz Virgínia.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Vendas de títulos soberanos é limitada

O rebaixamento do rating do Brasil para grau especulativo pela Fitch Ratings, a segunda agência de classificação de risco a retirar o grau de investimento do país, deve provocar uma venda de bônus soberanos em dólar em fundos passivos. O impacto, contudo, deve ser limitado no caso das posições detidas pelos estrangeiros na dívida pública local.

O BofA Merrill Lynch calcula que fundos passivos de índices podem realizar vendas forçadas entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão em ativos soberanos brasileiros, após o rebaixamento feito pela Fitch.

Já o Barclays prevê que cerca de US$ 1,6 bilhão em bônus soberanos brasileiros pode sofrer “vendas forçadas” por fundos passivos do exterior após o corte.

O BNP Paribas calcula que a exclusão do Brasil dos fundos de índices como o Agregado Global e Agregado Global Estados Unidos do Barclays poderia significar um fluxo, pela venda forçada dos ativos, entre US$ 4,5 bilhões a US$ 5,5 bilhões em papéis de dívida soberana denominados em moeda forte, como o dólar.

O Barclays diz que, se esses investidores tivessem uma posição mais forte no mercado de dívida brasileira, a exclusão do Brasil de índices de fundos dedicados a ativos com grau de investimentos poderia significar a venda de cerca de US$ 5,2 bilhões em bônus soberanos em moeda forte.

O contraponto disso, segundo o Barclays, é que fundos “high yield”, que investem em ativos com grau especulativo, teriam de fazer compras forçadas de cerca de US$ 1,4 bilhão em ativos soberanos brasileiros. Nas contas do banco, a posição líquida de venda seria de US$ 3,9 bilhões. “Contudo, acreditamos que investidores ‘high yield’ estão com ampla posição ‘underweight’ [abaixo da média do mercado] em Brasil”, diz o Barclays. “Considerando uma posição 43% menor do que o peso do ‘benchmark’, estimamos que a venda forçada fique em US$ 1,6 bilhão.”

Já o BNP Paribas calcula que os investidores globais de papéis “high yield” podem ser obrigados a comprar, dependendo do peso do Brasil no mercado, cerca de US$ 1,5 bilhão e US$ 2 bilhões, o que resultaria numa venda líquida de US$ 3 bilhões a US$ 3,5 bilhões.

O BNP lembra que os fundos que investem recursos de fundos de pensão, fundos soberanos e seguradoras tendem a não adicionar mais dívida brasileira em seus portfólios, mas também não têm, necessariamente, que vender as posições atuais.

Segundo o BofA Merrill Lynch, a “vasta maioria” dos fundos é ativa e muitas dessas carteiras já estão com posição “underweight” [abaixo da média do mercado] para a dívida soberana brasileira. Isso ocorre tanto porque esses fundos preferem dívida corporativa com o mesmo status, mas pagando juros maiores, quanto porque já haviam reduzido as alocações, ficando com uma posição menor ou vendendo tudo em antecipação ao rebaixamento do rating soberano.

Os principais detentores de dívida brasileira são fundos dedicados a emergentes, que podem aplicar em papéis com rating abaixo do grau de investimento.

No caso dos investimentos em títulos soberanos locais, o BNP Paribas estima que a exclusão do Brasil implicaria em uma saída potencial de US$ 1,425 bilhão nesses papéis, o que é pouco se comparado ao total de US$ 128 bilhões detidos por investidores estrangeiros na dívida pública brasileira em moeda local.

O banco aponta que uma parte substancial dos eventos recentes está embutida nos preços. O real, e os títulos públicos como a Nota do Tesouro Nacional – série F (NTN-F) e série B (NTN-B) já negociam como instrumentos de crédito abaixo do grau de investimento.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Alta de juro preocupa emergentes

O aumento do juro anunciado ontem pelo banco central americano (Fed) – de 0/0,25% para 0,25%/0,50% – alimenta temores de uma nova onda de turbulência em mercados emergentes, já abalados por crises financeiras, altos níveis de endividamento e demanda anêmica.

Os investidores já sacaram US$ 500 bilhões desses mercados em 2015, o que marca a primeira saída anual de capital desses países em décadas. A questão agora é se a decisão do Fed provocará uma debandada do capital estrangeiro.

O fortalecimento do dólar induzido pelas políticas do Fed poderia agravar os problemas de países como Brasil, Turquia e Rússia, onde empresas acumulam um enorme nível de dívidas na moeda americana. Com as moedas locais enfraquecidas, fica muito mais difícil pagar as dívidas em dólar. Muitas companhias já estão sob pressão com o temor dos investidores a respeito da situação dessas economias.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta junior

Fed põe fim à era do juro baixíssimo

A provável decisão do banco central americano (Fed) de elevar hoje os juros nos empréstimos de curto prazo vai encerrar uma era de taxas baixíssimas. Foi um período de extraordinária experimentação de políticas monetárias que geraram resultados conflitantes.

Apesar dos seus esforços agressivos para impulsionar a economia desde a crise de 2008, o Fed não entregou nem a expansão vigorosa desejada nem o desastre previsto pelos críticos. No processo, o banco central emergiu menos como uma força suprema e mais como tantas outras instituições que, nos últimos anos, têm penado para acompanhar eventos além de seu controle.

O Fed manteve sua taxa básica próxima a zero por sete anos. Ao incentivar os investimentos e gastos, os juros baixos ajudaram a sustentar uma expansão econômica que já dura 78 meses. Mas o crescimento da produção e da renda ainda decepciona. Em um setor sensível aos juros, o de automóveis, as vendas estão crescendo. Em outro, dos imóveis residenciais, a recuperação é lenta.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior

Falta demanda até para crédito com juro baixo

A criação de linhas especiais com juros mais baixos e a liberação de compulsórios foram insuficientes para alavancar o crédito imobiliário e a venda de automóveis. O ambiente econômico desfavorável limitou o interesse dos clientes e contrariou a ideia de que o estímulo ao crédito, neste momento, poderia restituir o ânimo à atividade econômica.

Quase quatro meses depois de seu lançamento, feito em tom de urgência pela Caixa Econômica Federal, uma linha de crédito de R$ 5 bilhões para beneficiar a cadeia automotiva e preservar empregos chega ao fim do ano com menos de um quinto dos recursos desembolsados.
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Com demanda fraca, estímulos têm impacto limitado no crédito

O remanejamento de depósitos compulsórios dos bancos, aprovado em maio, também teve efeito limitado para estimular o crédito imobiliário e rural. A medida permitiria a injeção de R$ 25 bilhões nas duas modalidades e atenderia principalmente a Caixa, que poderia ampliar seus empréstimos em R$ 10,2 bilhões. Na prática, o banco público liberou apenas a metade desse valor. Até o momento, segundo apurou o Valor, os bancos utilizaram cerca de R$ 12 bilhões no setor imobiliário, de um total possível de R$ 22 bilhões. “A Caixa optou por fazer utilização gradativa, de forma a evitar uma redução do volume de aplicações”, informou o banco, por meio de nota.

Além disso, foram liberados R$ 5 bilhões para a linha pró-cotista (FGTS), valor que, segundo a Caixa, já está quase integralmente aplicado. Outra ação de estímulo ao crédito foi a liberação de R$ 1,2 bilhão para financiar a produção de imóveis com valor de até R$ 300 mil – neste caso, os recursos não foram integralmente aplicados, pois dependem de ajustes nos projetos por parte das construtoras.

A falta de apetite por empréstimos é vista também no BNDES, em que há crédito com juros subsidiados pelo Tesouro Nacional. De janeiro a outubro, as empresas fizeram consultas ao banco que geraram R$ 108,5 bilhões em pedidos, valor 46% menor que em igual período de 2014.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

BC está menos pessimista do que mercado sobre atividade

O Banco Central está menos pessimista do que os analistas econômicos não apenas sobre a inflação em 2016, mas também quanto ao crescimento da economia. Provavelmente não será possível evitar uma retração, que pode chegar a 2%, porque há uma contaminação estatística da recessão deste ano para o próximo. Mas o desempenho não seria tão ruim como as projeções de queda de até 3,5% que circulam no mercado financeiro.

Os economistas do Departamento de Pesquisas Econômicas (Depep) do BC defenderam, em encontros com os diretores da casa, que o consumo das famílias não será tão fraco como neste ano. As exportações líquidas também teriam papel mais importante para sustentar a demanda agregada do que supõem os analistas do setor privado.

O diagnóstico nos escalões mais altos do BC é que, hoje, a economia já teria pago o preço em termos de recessão necessário para corrigir desajustes dos últimos anos, incluídos aí o setor externo, a política fiscal, o realinhamento de preços administrados e inflação de forma geral. Mas há uma queda adicional da economia ligada apenas a fatores políticos e não econômicos.

Dada a herança estatística deste ano para o próximo, uma eventual queda de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 poderá significar, na verdade, uma certa estabilidade da economia. O cenário de retração de 3,5% com que trabalham alguns economistas privados significaria retrações adicionais do PIB.

Mesmo em meio a tanta incerteza, avaliam os economistas do Depep, o consumo das famílias deverá garantir um nível de sustentação mínimo ao PIB. Isso porque, apesar do esperado aumento da taxa de desemprego, a massa salarial deverá se mostrar relativamente robusta em 2016.

Dois fatores devem contribuir. Um deles é o reajuste de dois dígitos do salário mínimo, que tende a puxar benefícios previdenciários e outros programas sociais e também os salários pagos por prefeituras. O mínimo tem ainda impacto forte sobretudo na renda do Nordeste.

Outro fator que deverá segurar a massa de rendimentos reais é a esperada queda da inflação. Mesmo na conta dos economistas do mercado, que são mais pessimistas sobre a inflação do ano que vem, haveria queda de 3,75 pontos percentuais no IPCA entre 2015 e 2016. O BC vai divulgar nas próximas semanas a projeção oficial para a inflação de 2016, que é mais otimista do que os 6,7% estimados pelos conjunto dos analistas econômicos no boletim Focus.

Do lado da demanda externa, o Banco Central tem chamado a atenção para a queda de quase 40% no custo unitário do trabalho na indústria, em dólares, desde o pico, observado em junho de 2014. Esse indicador mede a evolução do custo da mão de obra, expressa em dólares, de cada unidade produzida no país.

Num discurso na semana passada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, disse que a queda do custo unitário do trabalho deverá incentivar a substituição de importações “com reflexos favoráveis não para a balança comercial, mas também para a atividade econômica”.

A leitura no BC é que, depois da queda muito forte em investimentos da Petrobras e de empresas ligadas à cadeia do petróleo em 2015, por causa da Operação Lava-Jato, não haveria muito espaço para retrações tão fortes também em 2016.

Ainda assim, o BC acha que ainda não é possível imaginar uma recuperação do item de demanda que tem mais caído – os investimentos – até que a questão politica se resolva. Um ponto fundamental é o que acontece depois do impeachment, quando se espera uma redução do nível de incerteza, independentemente do seu desfecho.

Economistas do BC dizem que um certo grau de desaceleração da atividade econômica seria inevitável para corrigir desequilíbrios acumulados nos dez anos anteriores. Haveria um lado “austríaco” positivo em qualquer recessão – uma referência à escola austríaca de pensamento econômico, que diz que períodos de juros muito baixo levam à euforia, maus investimentos e desequilíbrios, que devem ser corrigidos por períodos de recessão.

Para o BC, a dose de recessão paga pela economia, porém, já superaria a necessária para curar os males do Brasil. Se não fosse a crise política, provavelmente o país já estaria colhendo os benefícios do ajuste no setor externo e da correção relação entre os preços livres e os administrados – inclusive com a baixa dos juros básicos, em vez de novos aumentos que vem sendo contemplados pelo Banco Central.
Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior