Monthly Archive: November 2015

Crédito público desacelera mais

A carteira de crédito dos bancos públicos fechou outubro com o menor ritmo de crescimento desde o começo de 2002, última vez que essas carteiras encolheram. A taxa de expansão, medida em 12 meses, foi de 12,5% no mês passado, totalizando R$ 1,760 trilhão, ou 56% do mercado, que soma R$ 3,156 trilhões.

Mesmo crescendo acima da média do mercado, que é de 8,1% também em 12 meses, tal comportamento deixa claro o desmanche ou esgotamento da política de usar os bancos públicos como motor do crédito e alavanca para o crescimento econômico.

Segundo dados do Banco Central, no fim de 2008, quando essas instituições foram chamadas a fazer política anticíclica, a taxa de crescimento da carteira, sempre na medição em 12 meses, beirava os 40%. Durante todo o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, o ritmo médio de crescimento foi de 24%.

O menor ímpeto dos bancos públicos se verifica em qualquer métrica, considerando ou não a fatia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que atualmente é de cerca de 35%. De fato, o BNDES puxa a média para baixo.

Essa perda de força capta não só a piora do quadro econômico, que começa em 2014 e se agrava de forma aguda em 2015, mas toda a deterioração fiscal que eliminou o espaço para a realização de novos aportes de capital nas instituições seja por emissão de títulos ou instrumentos híbridos de capital e dívida. Entre 2008 e 2014, mais de R$ 500 bilhões foram injetados no BNDES, Caixa Econômica Federal e outras instituições.

Medida em 12 meses até outubro, a carteira do BNDES tem crescimento de 10,1%, somando R$ 623,303 bilhões. Esse é o menor crescimento desde o começo da série disponibilizada pelo BC apenas sobre o BNDES, que começa em março de 2007. Em meados de 2009, o banco de fomento mostrava taxas de expansão de quase 50% na sua carteira, nas medições em 12 meses.

Considerando os bancos públicos, mas tirando o BNDES da conta, a carteira cresce 13,9% nos 12 meses até outubro, também o menor ritmo da série histórica disponibilizada pelo BC. A média do primeiro mandato de Dilma foi de 19%, com picos de expansão de 40% em 12 meses no fim de 2012.

Olhando os bancos privados, o quadro é mais desanimador. O crescimento em 12 meses é de 3,1%, menor desde setembro de 2003, quando as carteiras encolheram. Abrindo por controle de capital, a carteira de crédito dos bancos privados nacionais tem expansão de 1,5% nos 12 meses encerrados em outubro, somando R$ 940,529 bilhões, menor ritmo desde o começo dos anos 2000. Entre os estrangeiros, o crescimento, na mesma base de comparação é de 6,5%, concentrando R$ 455,819 bilhões.

Com tal desempenho de bancos privados e públicos, é natural que o movimento seja de desaceleração geral do crédito, que encolheu 0,1% em outubro. Os dados do mês têm influência da greve dos bancários, que dificultou a tomada de crédito em linhas, como consignado e imobiliário, e também pode ter impedido o pagamento de compromissos em dia.

Mas independentemente disso, esse quadro de retração da economia, do emprego e da renda deve levar o BC a rever para baixo a projeção de crescimento para o estoque de crédito, que está em 9% para 2015, quando atualizar suas projeções em dezembro.

Esses mesmos vetores fazem a autoridade monetária acreditar em continuidade do movimento de alta na inadimplência. “É esperado algum aumento da inadimplência em função do ciclo econômico que temos hoje”, disse o chefe-adjunto do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Fernando Rocha, ao apresentar os dados de outubro na sexta-feira.

“Mas ela está moderada em comparação com períodos anteriores”, disse, lembrando que um dos pontos que explica essa moderação é a postura dos bancos, que estão mais rigorosos na concessão de crédito em comparação com anos anteriores.

“Esse moderado crescimento da inadimplência encontra um sistema financeiro capitalizado e provisionado, sem que traga impactos em termos de solidez e estabilidade do sistema financeiro”, disse.

A inadimplência média do sistema subiu de 3,1% para 3,2% no mês passado, maior taxa desde julho de 2013. Em dezembro, o percentual era de 2,7%. Considerando os recursos livres, a taxa de calotes da pessoa física subiu a 5,8% no mês passado, maior desde novembro de 2013. No encerramento de 2014, o percentual era de 5,3%. Mas entre maio e outubro de 2012, essa taxa esteve acima de 7%.

No segmento pessoa jurídica, a inadimplência total subiu de 2,4% para 2,5%, maior da série. Com recursos livres, o percentual subiu de 4,1% para 4,3%, também maior da série.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Para economistas, vem aí a ‘hora da verdade’

O primeiro trimestre de 2016 é aguardado com ansiedade por analistas econômicos e políticos. Será uma espécie de “hora da verdade”. Nesse período, o mercado de trabalho mostrará plenamente os efeitos da recessão, os preços estarão ainda altos e a “dominância política” deverá persistir, impedindo que a agenda fiscal avance no Congresso.

Com esse cenário, a “sensação térmica” da população sobre a economia pode piorar sensivelmente no início do ano, avaliam economistas do Comitê de Acompanhamento Macroeconômico da Anbima, que se reuniram ontem no Valor: Luiz Fernando Figueiredo, Fernando Honorato Barbosa, Carlos Kawall, Marcelo Carvalho e Denise Pavarina.

Eles consideram que esse cenário será importante tanto para o Banco Central quanto para o quadro político. Quando a sensação de bem-estar da população efetivamente se deteriorar, restará ver de que forma isso afetará os preços e os ânimos. Entre os que acompanham a política, existe a sensação de que, se o governo superar o primeiro trimestre, a hipótese de impeachment da presidente Dilma Rousseff perderia força.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Endividamento tem que cair, diz S&P

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Com um alerta sobre a contínua deterioração de uma “série de indicadores”, a representante da Standard & Poor’s Regina Nunes defendeu que o Brasil avance em reformas estruturais, além de promover o ajuste fiscal. Presente no seminário “Reavaliação do Risco Brasil”, promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com apoio do Valor, ela disse que para que a perspectiva do rating volte à classificação “estável” é preciso fazer com que o endividamento recue e, assim, o investidor consiga fazer seus investimentos no país.

Falando como representante da S&P no Cone Sul e não como analista de riscos, como frisou, ela disse que a perspectiva negativa do rating significa haver uma série de indicadores que vêm se deteriorando sem sinais de melhoras. Se a tendência for corrigida, trará estabilidade do lado fiscal, mas para o Brasil conquistar uma situação mais estável ainda seriam necessárias reformas estruturais. “Esse é o ponto principal. Não é só fazer o ajuste”, disse. “É preciso alongamento do endividamento com taxas de juros muito menores para que não haja prejuízo fiscal e, junto com isso, se discuta uma série de reformas. Fazer em paralelo.”

Ao perder o “grau de investimento” o Brasil passou a ser visto pela agência como “vulnerável”, o que significa que está sujeito a maior volatilidade por conta de fatores externos. Um país não vulnerável, disse Regina, tem instrumentos para lidar com essas questões. “O que é ser vulnerável? É ser vulnerável a problemas de terceiros”, disse.

Em linhas gerais, seu discurso foi alinhado não apenas ao dos economistas e empresários presentes, mas também com o do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para quem a única forma de atrair investidores é aumentar a poupança interna.

“Se não aumentarmos um pouco a poupança, vai ser difícil atrair investidor e fazer investimento em infraestrutura apenas alavancado. Diminuir riscos na execução do projeto é particularmente importante se quisermos atrair capital privado”, afirmou Levy, para quem o desafio do ajuste fiscal, em termos de formulação, já se concluiu e agora resta sua efetivação no Congresso.

Regina explicou que entre os pontos fracos que levaram a agência a rebaixar o Brasil em setembro, de “BBB-” para “BB+”, já no grau especulativo pela escala da S&P, está o alto endividamento do governo em comparação aos seus pares e os elevados encargos da dívida. Outras fraquezas são a grande demanda por investimentos para melhorar a infraestrutura e impedimentos estruturais que contribuem para a baixa participação de investimentos no PIB e restringem o crescimento potencial da economia.

Levy acrescentou que há poucas dúvidas de que o Brasil tem que evoluir do ponto de vista regulatório. E se não resolver a questão dos gastos, continuará tendo problema com juros no longo prazo. “Só vamos conseguir chegar a esse financiamento mais normal se resolvermos a questão fiscal. O desafio atual é a solidez fiscal que permita a gente ter um mercado de mais longo prazo, que vai permitir financiar a economia brasileira.”

Para o diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-presidente do Banco Central (BC) Carlos Langoni, a crise brasileira tem raízes internas e dimensões econômica, política e ética. Por isso, é mais complexa e exige que se ganhe a “batalha das expectativas”. “Elas (as três dimensões) geram uma onda de incertezas de proporção ainda não vista após o Plano Real. Sem ganhar a batalha das expectativas, a economia não vira.”

Sempre crítico ao aumento de impostos, o presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, amenizou o posicionamento em relação ao ministro da Fazenda e disse que Levy tem o apoio do empresariado. A prioridade, disse, é evitar que o humor dos investidores piore ainda mais. “Somos solidários com seu esforço para colocar em ordem a economia, apesar da conta pesada que mais uma vez vamos ter que pagar”, afirmou. “É preciso um pacto pragmático”.

O tema das reformas estruturais esteve presente em todas os painéis. O ex-presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) e diretor-presidente da Barra Energia, João Carlos de Luca, calcula que o governo pode arrecadar mais de R$ 20 bilhões em bônus de assinatura caso realize um leilão de áreas exploratórias de petróleo na camada pré-sal. “A resposta da indústria pode ser muito rápida”.

Para o presidente do conselho de administração da Brookfield no Brasil, Luis Ildefonso Simões Lopes, o Brasil não enfrenta problema de demanda que possa desestimular o investimento, mas o ordenamento jurídico e a garantia de celeridade das decisões são pontos fundamentais para o empresariado. Segundo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, o novo Código de Processo Civil, aprovado este ano pelo Congresso, pode ter o papel de garantir o resgate mais célere do direito e a estabilidade do entendimento jurídico no país.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Mercado vê inflação acima da meta em 2016 e taxa de juro a 13,75%

As estimativas dos analistas de mercado para a inflação continuam a se deteriorar de forma expressiva e agora não esperam mais que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fique dentro do intervalo da meta definida para o ano que vem.

De acordo com o boletim Focus, do Banco Central (BC), a mediana das previsões dos analistas para o aumento do IPCA em 2016 passou de 6,50% para 6,64%. Foi o 16º ajuste consecutivo para cima. Para 2015, a projeção saiu de uma alta de 10,04% para 10,33%. Assim, a inflação deste ano deve deixar uma “herança” maior para 2016. Os analistas também elevaram suas apostas para a alta dos preços administrados, de 17% para 17,43% em 2015, mas mantiveram a previsão para 2016 em 7% de elevação.

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15 de novembro, prévia da inflação do mês, subiu 0,85%, pressionado pelos preços administrados, e acumulou 10,28% em 12 meses.

O BC deve responder a essa deterioração reduzindo menos os juros no ano que vem. Segundo o Focus, a Selic deve sair dos atuais 14,25% para 13,75% até o fim de 2016, em vez de 13,25% como estimado anteriormente. Há um mês, esperava-se que a Selic terminasse o próximo ano em 13%. Naquele momento, a expectativa para a inflação de 2016 era de 6,22%, abaixo do teto da meta.

Os analistas Top 5 – que mais acertam as previsões – elevaram a estimativa para o aumento do IPCA em 2015 de 10,28% para 10,53%, mas mantiveram a previsão para 2016 em 6,98% de alta, ainda acima da mediana do mercado em geral. Ainda não alteraram o prognóstico para a Selic, que segue em 13% ao fim de 2016. As previsões são medianas de médio prazo.

Atividade econômica

Os analistas de mercado reduziram a estimativa para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano e agora esperam queda de 3,15%, ante recuo de 3,10% previsto anteriormente. A mediana das estimativas para o resultado do PIB de 2016 saiu de recuo de 2% para queda de 2,01%.

Na semana passada, foram divulgados os dados que faltavam para fechar as contas da atividade econômica no terceiro trimestre, e eles confirmaram que o período foi muito ruim para empresas e cidadãos, corroborando expectativas mais baixas para o desempenho do PIB do ano. Em 1º de dezembro, o IBGE informa o resultado do PIB do período e o que analistas estimam é uma queda maior que 1%, após a contração de 1,9% no segundo trimestre.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Medidas começam a dar algum alento à economia

Embora timidamente, o governo começou a desenhar medidas para dar algum alento à atividade econômica, rompendo uma sequência de iniciativas unicamente voltadas ao ajuste fiscal. Ontem, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que discute a possibilidade de que os Estados tomem recursos emprestados para criar fundos de garantia para parcerias público-privadas (PPPs). Isso poderia estimular investimentos em infraestrutura, o que, segundo Levy, “é o caminho para assegurar o crescimento do país nos próximos anos”.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, confirmou que o governo, por recomendação da presidente Dilma, estuda o aumento das alíquotas de importação de aço. Segundo ele, a medida seria uma resposta a um “surto” de práticas de defesa comercial que surgiram no mundo recentemente, com vários países elevando alíquotas de importação. A indústria brasileira do aço vive um momento difícil, com queda de demanda, o que obrigou a setor a demitir 11 mil trabalhadores neste ano. Enquanto isso, 15% a 18% do aço laminado consumido no país vêm do exterior.

A possível elevação das alíquotas fez disparar as ações da CSN (17%) e da Usiminas (14,6%). Os papéis PN da Gerdau subiram 1,52%.

O discurso pró-crescimento e uma sucessão de vitórias do governo no Congresso, com a manutenção de vetos importantes da presidente Dilma, trouxeram algum alívio aos preços dos ativos. No mês, o dólar caiu 1,75% e ontem fechou a R$ 3,7936, a bolsa subiu 3,42% no mês e o risco país caiu 6,15% – também sob influência de eventos externos. O comportamento dos juros é um termômetro mais claro das mudanças internas. Nas últimas sessões, o DI com vencimento em janeiro de 2021, que melhor capta a percepção de risco do investidor no longo prazo, cedeu de 15,98% para 15,51%. O rendimento das NTN-B, papéis atrelados à inflação, caiu abaixo dos 7% praticamente em todos os vencimentos, após várias semanas com juros superiores a 7,5%.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

O Brasil se encontra em dominância fiscal?

Uma das principais discussões e motivo de controvérsia entre os economistas nas últimas semanas é se o Brasil está ou não em dominância fiscal. Antes de responder a esta pergunta, é fundamental definir o que os economistas têm chamado de dominância fiscal, pois divergências quanto à definição têm gerado confusão no debate econômico.

A definição original aplicada ao Brasil sobre dominância fiscal remete ao artigo de Olivier Blanchard de 2004, “Fiscal Dominance and Inflation Targeting: Lessons from Brazil”. Em uma situação normal, um aperto de política monetária reduz a inflação e um dos canais é a apreciação real do câmbio, dado que o diferencial de juros estimula a entrada de capital. Sob dominância fiscal, por outro lado, uma elevação dos juros acaba causando uma depreciação cambial. Isto ocorre em resposta ao aumento do risco decorrente da elevação da dívida pública. Na sequência, o efeito inflacionário via câmbio é maior que do que a desinflação via contração da atividade econômica. O resultado final é que uma elevação dos juros causa aumento da inflação.

De fato, observamos ao longo de 2015 um aperto monetário razoável, elevação do risco país, elevação da dívida pública, forte depreciação cambial e elevação da inflação. Todas estas características remetem a um quadro de dominância fiscal em sua versão original. Entretanto, para que a dominância fiscal se verifique desta forma, a causalidade dos fatos é muito relevante. E há algumas evidências que nos mostram que não foi o aperto monetário que causou esta dinâmica.

Não podemos atribuir ao aperto monetário a piora do risco país e a consequente depreciação cambial

Primeiro, a dinâmica de aumento do risco país e de depreciação do câmbio tem relação direta com a política fiscal. Foi depois das revisões da meta de superávit primário em 22 de julho e 31 de agosto, com suas consequências sobre a dinâmica da dívida, que o risco país subiu, trazendo consigo a depreciação do real. Ou seja, não podemos atribuir ao aperto monetário a piora do risco e a consequente depreciação cambial.

Segundo, a elevação atual da inflação é um fenômeno de ajuste de tarifas públicas e não de repasse cambial. Os preços administrados em doze meses passaram de uma alta 1,5% ao final de 2013, ano em que houve contenção de tarifas, para 5,3% em dezembro de 2014, e para 16% no último dado disponível, de setembro de 2015. A inflação dos preços livres, que é onde a política monetária atua, está andando de lado. Foi de 7,3% em 2013, 6,7% em 2014 e está em 7,6% no último dado. Estimativas com o Simulador 4CAST indicam que os preços livres estariam em 6,5% não fosse o atual choque de preços administrados.

Adicionalmente, um ponto relevante colocado por Blanchard é que países com alta parcela de suas dívidas atreladas à moeda estrangeira têm maior probabilidade de estar em dominância fiscal. Apesar dos mais de US$ 100 bilhões em swap cambial e dos US$ 70 bilhões em dívida pública em moeda estrangeira, temos US$ 370 bilhões em reservas, o que faz do Brasil um credor líquido em moeda estrangeira. Neste caso, uma depreciação do real melhora a solvência do setor público, apesar da elevação do déficit nominal pelo pagamento dos swaps.

A maior parte dos economistas concorda que não há dominância fiscal em sua versão original. Ao menos não por enquanto.

A outra definição de dominância fiscal é que a dinâmica da dívida entra no conjunto de variáveis relevantes observadas pelo Banco Central. Com isso, como um aumento dos juros causa aumento da dívida pública, o Banco Central aumenta os juros numa magnitude menor do que ele deveria aumentar. Sob este conceito, é mais difícil afirmar se o país vive ou não sob dominância fiscal, o que explica a divergência de diagnóstico entre alguns economistas.

Algumas evidências nos sugerem que, mesmo sob este conceito, parece que o Brasil não está em dominância fiscal.
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O aperto monetário conduzido pelo Banco Central de outubro de 2014 a julho de 2015 foi maior e mais intenso do que os economistas previam no seu início. Em outubro do ano passado, o mercado esperava uma elevação dos juros para 12% ao longo de 2015, mas a taxa Selic subiu para 14,25%. Em termos de atividade, o mercado previa expansão do PIB de 1% em 2015 e de 2% em 2016, e agora as projeções são de retração de 3,1% e 2% respectivamente, uma mudança em nível de mais de 8 pontos percentuais. Quanto a inflação, o mercado previa 6,33% para 2015 e 5,5% para 2016, e agora projeta 10,04% e 6,5% respectivamente.

É fato que nas últimas duas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) o Banco Central manteve a taxa de juros estável, mesmo com elevação das expectativas de inflação para 2016, que agora ameaçam o cumprimento da banda. Este comportamento poderia fazer supor que estamos sob dominância fiscal neste segundo conceito. Entretanto, o comportamento da atividade econômica justifica plenamente esta ação por parte do Banco Central. O mercado projeta atualmente que o PIB vai se contrair por dois anos consecutivos, sendo a pior recessão desde a década de 1930, quando o PIB se retraiu 2,1% em 1930 e 3,3% em 1931.

Nestas condições, é razoável que o Banco Central não imponha ainda mais custos para a atividade econômica, e que, portanto, a convergência da inflação à meta seja feita de uma forma mais lenta. É verdade que o Banco Central poderia ser mais explícito em seus comunicados, mas isso é em parte o que ele quer dizer quando diz que a atual taxa de juros, e não uma taxa de juros maior, “é necessária para a convergência da inflação à meta no horizonte relevante da política monetária”.

O sistema de metas de inflação é suficientemente flexível para reagir a situações conjunturais como a atual. A adoção de metas de inflação ajustadas, como feito em 2003 e 2004, poderia ajudar neste processo de convergência da inflação e de ancoragem das expectativas em horizontes mais longos, como 2017, para a qual as expectativas já começaram a se descolar do centro da meta.

Juan Jensen é sócio da 4E Consultoria e professor do Insper (jensen@4econsultoria.com.br).

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Flexibilização de regras pelo CMN para a previdência privada agrada mercado

Um antigo pleito da previdência privada aberta foi atendido com a divulgação, na sexta-feira, da resolução nº 4.444, editada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que trouxe maior flexibilidade de alocação para o segmento.

O mercado aprovou a regulamentação. “No contexto geral é muito positivo”, afirma Marcelo Mello, vice-presidente da SulAmérica Investimentos.

Entre as principais novidades, a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) e as seguradoras apontam: a criação do perfil de investidor qualificado, para o qual as regras podem ser ainda mais flexíveis; o aumento dos limites de aporte das carteiras em renda variável; e a possibilidade de o gestor investir em ativos em dólar.

A flexibilização engloba ainda entidades de capitalização, seguradoras e resseguradoras. Permitirá maior destinação de recursos para imóveis, mas apenas via fundos imobiliários ou de participações, e a aplicação em um rol maior de ativos como Exchange Traded Funds (ETF) e Certificados de Operações Estruturadas (COE). Outro ponto foi trazer um incentivo para investimentos em infraestrutura, com um limite extra de 5% para esse tipo de alocação.

No conjunto, as mudanças vão afetar segmentos que reúnem R$ 631 bilhões em ativos, sendo R$ 467 bilhões relativos à previdência complementar. As novas regras entram em vigor em 180 dias.

Para Osvaldo Nascimento, presidente da Fenaprevi, a resolução traz mais isonomia ao segmento de previdência aberta em relação à fechada, que já se beneficiava de regras mais flexíveis desde 2009. “Essa resolução nos leva a ficar mais parecidos com os fundos de pensão”.

Um dos principais pleitos, a ampliação dos limites para a alocação em renda variável, prevê o aumento dos atuais 49% para 70%. Carteiras voltadas aos qualificados, porém, não terão restrições e poderão aplicar 100% em ações. “Essa mudança pode criar produtos de longo prazo para um perfil mais sofisticado e com isso surgir uma demanda por gestores especializados em ações”, diz Felipe Bottino, gerente de produtos de previdência da Icatu Seguros.

Humberto Vignatti, gestor de fundos de previdência da Porto Seguro, cita a inclusão de uma nova categoria entre os ativos nas quais os fundos podem aportar recursos: os investimentos sujeitos à variação cambial. Na prática, segundo o gestor, significa permitir a diversificação no exterior. “A modalidade reúne uma série de tipos de investimento, como fundos cambias, mas engloba também investimento em ativos fora que também têm o risco cambial”, afirma.

Os fundos, no entanto, não podem aplicar em papéis diretamente fora do país, com exceção de bônus emitidos no exterior por empresas brasileiras e títulos emitidos ou garantidos por instituições financeiras no Brasil. As novas normas permitem a alocação de até 10% da carteira nessa categoria de ativos, independentemente de o produto ser ofertado a qualificados ou para o varejo.

Nascimento, da Fenaprevi, aponta a instituição do perfil de investidor qualificado como um dos pontos mais importantes da resolução. Segundo o executivo, a Fenaprevi já trabalha com a Superintendência de Seguros Privados (Susep) para o detalhamento desse perfil para o segmento. “Embora deva ser muito parecido com a definição da Anbima, é óbvio que terá de ser adaptado à previdência, porque estamos falando em pessoas e aplicações com foco no longo prazo”. A CVM define o investidor qualificado como aquele com pelo menos R$ 1 milhão em patrimônio financeiro.

Conforme Nascimento, a definição de qualificado no âmbito dos investidores de PGBL e VGBL terá de considerar o momento de vida na qual o aplicador se encontra, avaliando também o perfil de aceitação de risco. “Um jovem pode assumir mais riscos por exemplo.”

Outro impacto da resolução, diz Mello, da SulAmérica, será a criação de produtos mais sofisticados mesmo para o varejo. “Os fundos poderão alocar em ativos, como ETFs, fundos imobiliários ou ter uma estratégia de diversificação internacional”.

O CMN criou ainda um limite adicional, de 5%, quando o investimento se destinar a projetos de infraestrutura: se, por exemplo, o limite máximo de aplicação em debêntures for de 25% e os títulos servirem para financiar projetos de infraestrutura, a instituição poderá aplicar em debêntures até 30%. Com o limite extra, o governo deseja incentivar o direcionamento de recursos para infraestrutura.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Dólar tem mínima em um mês ante real

O dólar comercial começou os negócios desta quarta-feira em queda livre, batendo mínima em um mês frente ao real, de R$ 3,7275. Os negócios no segmento à vista de ajustam à forte queda ocorrida no dólar futuro ontem, após notícia do Valor PRO, serviço em tempo real do Valor, sobre uma aproximação do ex-presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles de líderes governistas, o que poderia abrir caminho para que Meirelles substituísse Joaquim Levy na chefia do Ministério da Fazenda.

Segundo a matéria, Meirelles está conversando com líderes políticos governistas sobre cenários econômicos para o Brasil. A aproximação de Meirelles ocorre com o apoio do ex-presidente Lula, e as conversas têm sido interpretadas por interlocutores como sondagens sobre um eventual ingresso de Meirelles no governo, substituindo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Meirelles é bem visto pelo mercado e seria uma garantia de que a condução da política econômica não voltaria a ser heterodoxa como no período imediatamente anterior à liderança de Levy na pasta. Além disso, Meirelles é tido como mais habilidoso politicamente do que Levy, o que facilitaria a aprovação no Congresso Nacional de medidas de ajuste fiscal vistas por investidores como essenciais para a retomada da confiança e do crescimento econômico.

Esse cenário se desenha em um momento em que investidores estrangeiros voltam a olhar para ativos brasileiros, na esteira de uma trégua na crise política, de busca por pechinchas e de um ambiente menos arisco para mercados emergentes de forma geral. Mais recentemente operadores têm citado fluxos pontuais que têm ajudado a amparar o real, mesmo dias de maior estresse no exterior. Por ora, esse movimento não é visto como ligado a melhora de fundamentos, mas sim de caráter tático, visando ganhos com o juro alto oferecido pelo Brasil, praticamente certos pela queda da volatilidade .

Às 9h33, o dólar comercial recuava 1,58%, a R$ 3,7325. O dólar para dezembro tinha alta de apenas 0,03%, a R$ 3,7695.

O real é a moeda de melhor desempenho ante o dólar nesta sessão, considerando as principais divisas globais. Mas outras moedas emergentes também mostram ganhos. A lira turca subia 0,7% em relação ao dólar, o peso mexicano avançava 0,19%, e o rand sul-africano tinha valorização de 0,16%.

O “efeito Meirelles” influencia ainda o mercado de juros futuros, que vê firme redução nos prêmios de risco.

O DI janeiro de 2017 caía a 15,440% ao ano, ante 15,520% no último ajuste. O DI janeiro de 2018 recuava a 15,660%, frente a 15,770% no ajuste de ontem.

Na ponta mais longa, o DI janeiro de 2021 cedia a 15,550%, em relação a 15,720% no ajuste da véspera. O DI janeiro de 2025 marcava também 15,550%, ante 15,740% no ajuste anterior.

(José de Castro | Valor)

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Mercado já espera recessão de quase 2% em 2016

Pela quinta semana consecutiva, os analistas do mercado financeiro ampliaram a estimativa de queda para a atividade econômica no país no ano que vem. Eles também reduziram a previsão, pela 17ª semana, para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central. Na pesquisa, são coletadas semanalmente as projeções de cem analistas financeiros para indicadores chave da economia nacional.

A mediana das projeções para o PIB em 2016 teve queda acentuada, de retração de 1,51% para recuo de 1,90%. Para 2015, a queda saiu de 3,05% para 3,10%.

Na semana passada, a recessão deu sinais de piora. O IBGE informou que a produção industrial caiu 1,3% em setembro, fechando o terceiro trimestre com queda mais acentuada (-9,5%) que o segundo (-6,5%) na comparação com o mesmo período do ano passado. A estimativa do mercado para a produção industrial em 2015 também piorou, indo de retração de 7% para 7,40% de uma semana à outra. Para 2016, a projeção seguiu em diminuição de 2%.

Inflação

Segundo o Focus, os analistas elevaram as estimativas para o IPCA em 2015, de 9,91% para 9,99% e,em 2016, de 6,29% para 6,47%. Ou seja, já esperam inflação no teto da meta (6,5%) no próximo ano.

Entre os analistas Top 5 – os que mais acertam as previsões -, a expectativa do IPCA deste ano subiu de 10,03% para 10,16%, mas a de 2016 caiu de 7,33% para 6,98%.

Os analistas também elevaram a estimativa para o IPCA em 2018 de 4,91% para 5% e continuam a ver a convergência da inflação para a meta de 4,5% apenas em 2019. Para 2017, a mediana das estimativas de inflação permaneceu em 5%.

Juros

Diante da inflação cada vez mais alta e de um discurso mais duro do Banco Central, a expectativa dos analistas do mercado financeiro é de que o juro básico da economia não vai recuar tanto em 2016 quanto o esperado há algumas semanas.

De acordo com o boletim, a mediana das estimativas para a taxa Selic no fim do ano que vem subiu novamente, desta vez de 13% para 13,25%. Há um mês, a expectativa era de que o juro terminasse o ano em torno de 12,50%. A média das estimativas para a Selic, que subiu de 13,95% para 14,06%, mostra como aumentou a expectativa do mercado em geral para o juro no próximo ano. Os analistas Top 5 também elevaram sua aposta, de 12,75% para 13% (mediana de médio prazo).

Para 2015, ambos os grupos – geral e Top 5 – mantiveram a avaliação de que a autoridade monetária vai manter a Selic em 14,25% na última reunião do ano, a ser realizada no fim deste mês.

Na semana passada, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Altamir Lopes, deixou claro que o BC fará o necessário para levar a inflação à meta de 4,5% em 2017, não importa o cenário econômico. Na ata da última reunião do Copom, o colegiado não havia citado data para a convergência da inflação. O BC disse que não vê o IPCA estourando teto da meta, de 6,5% em 2016, embora muitas estimativas do mercado já estejam acima disso.

O BC decidiu reforçar o recado sobre o juro diante dos chamados “eventos não econômicos”. Entre eles, as medidas de ajuste, que seguem emperradas no Congresso, e a falta de clareza quanto à meta fiscal de 2015 e 2016.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Poucas e boas

Elas estão em minoria, representam apenas 14 ações de um grupo de 63 que compõem o Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira. Mas fazem a diferença. Em um ano de juros básicos no patamar de 14,25%, o maior em nove anos, não tem sido nada fácil atrair o interesse de investidores para a renda variável.

Esses 14 papéis têm se destacado, contudo, ao apresentar um desempenho superior à variação de 10,77% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), referencial das aplicações conservadoras, neste ano. O risco, nesses casos, foi compensado pelo retorno. E quatro das 14 ações foram recomendadas para a Carteira Valor de novembro. São elas: Raia Drogasil ON, novidade deste mês, com valorização anual de 59,5%; Klabin Unit (53,4%); Suzano Papel e Celulose PNA (48,5%); e Ambev ON (20,1%).

“O investidor procura quem tem geração de caixa futuro previsível, principalmente empresas de serviços financeiros e de alimentos e bebidas, ou receita dolarizada com custo em real”, diz Leonardo Milane, estrategista da Santander Corretora.

Roberto Indech, analista da área de estratégia da Rico Corretora, endossa. “Quais são os setores que se beneficiam neste ano na bolsa? São os das exportadoras.” Nessa lista, além das companhias de papel e celulose, destacam-se em 2015 nomes como Braskem e JBS, com alta da ordem de 30%, e Embraer, com avanço de 16,3%.

Apesar da perda de 0,16% no mês passado, a Carteira Valor segue com ganho de 1,79% em 2015, portanto acima do Ibovespa, que cai 8,28% no ano, embora tenha subido 1,8% em outubro.

Além de Raia Drogasil, entraram no portfólio deste mês as ações ordinárias da Cetip e da Hypermarcas. Com quatro votos cada, lideram as recomendações de novembro, ao lado de Cetip, Itaú Unibanco PN, Ambev ON, BB Seguridade ON e Valid ON. Cielo ON e Suzano Papel e Celulose PNA foram as apostas de três corretoras cada, enquanto as units da Klabin receberam dois votos, mesmo número de Raia Drogasil e Hypermarcas.

Ainda que defenda uma das melhores opções de investimento em 2015, as ações da Suzano pesaram em outubro, com queda de nada menos que 14,2%. Ao fim de outubro, a empresa, segunda maior produtora mundial de celulose de eucalipto, informou que a escassez de chuvas no sul da Bahia a levou a antecipar em uma semana a parada programada para manutenção da linha 1 da fábrica de Mucuri.

Apesar da baixa no mês passado, a Guide Investimentos incluiu os papéis em seu portfólio. O analista Rafael Ohmachi diz enxergar uma forte demanda por papel e celulose vinda do mercado externo, com destaque para Europa, e vê no processo de desalavancagem um fator positivo para a Suzano. Para ele, a queda das ações foi exagerada e o cenário segue favorável.

Já a equipe da Citi Corretora preferiu continuar com as units da Klabin na carteira. Dentre os aspectos positivos, a casa menciona a aceleração no crescimento da receita nos últimos três trimestres e a expectativa de forte crescimento para o Ebitda nos próximos três anos, por conta do início das operações de sua nova planta de celulose em 2016.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior