Monthly Archive: August 2015

Uma despedida com gosto de quero mais

As pitadas de fermento surtiram efeito na receita de sucesso do Rio Gastronomia. Nos sete dias de evento no Jockey, 70 mil pessoas passaram pela área de convivência, um crescimento de 75% em relação ao último ano. O maior evento do gênero no país mostrou que valeu a pena dobrar o espaço para receber o público, ocupando desta vez as Tribunas B e C. Os números são de gente grande: mais de 80 chefs estrelados, seis mil pessoas em aulas gratuitas, mais de dez mil provinhas e sete shows, incluindo a atração internacional Andy Summers (ex-The Police), além de quiosques e food trucks.

— O Rio Gastronomia ofereceu um mix ainda mais saboroso este ano. Conseguimos reunir num único espaço restaurantes premiados, food trucks que agora fazem parte da cultura carioca e produtores do interior de estado. E com o tempero de música boa e gente bacana. Acreditamos que, para 2016, teremos que ampliar ainda mais o evento para atender mais pessoas e estabelecimentos — avaliou Cláudia Lobo, coordenadora de ações de marketing do GLOBO.

Com o domingo ensolarado, os cariocas aproveitaram o último dia da festa para se dedicar a um tour saboroso. De pão de queijo de tapioca, passando por croquetas, arroz de pato, bolinhos de feijoada, sangrias, vinhos e cerveja Moa, não teve falta de apetite. E de brindes.

— Os eventos de comida estão na moda, mas só esse reúne tantos chefs renomados num só lugar, uma oportunidade única — elogiou o veterinário Marcelo Alves, que foi com a família curtir a tarde no JockeY.

A garotada foi protagonista em dois momentos do domingo: no show “Farra dos brinquedos” e na oficina de crepes do chef Olivier Cozan.

— Quero mostrar que cada um pode fazer sua comida. Não é preciso ser chef — ressaltou Cozan.

Também em aulas disputadas, participaram do evento o ator Rafael Cardoso, que interpretou um chef na novela “Império”, e Danio Braga, da Locanda Della Mimosa, em Petrópolis, no Espaço Senac.

Fora dos auditórios, uma turma se concentrava para ver os cavalos na pista de corridas. O sucesso foi tamanho que o número de novos apostadores chegou a dois mil em cada dia de competição.

— O Jockey é lindo, e o evento oferece a oportunidade de fazer várias coisas — elogiou a médica Maira Peron, com o filho Mateus, de dois anos.

Mesmo com balcão lotado e muita correria, os chefs eram só sorrisos, animados com o resultado final.

— Muita gente passou por aqui, nos conheceu, comeu e se divertiu. É muito bom ter esse contato — avaliou o chef Jan Santos, do Entretapas.

Pedro de Artagão, pela primeira vez com quiosque no evento, do Irajá, disse que a festa superou todas as expectativas. Ele contou que sua equipe fez uma previsão otimista, alcançada já na sexta-feira.

— Fizemos metas não só de vendas, mas de feedback do público. Não vi ninguém reclamando de nada, foi tudo excelente — elogiou Artagão.

Nas feiras dos Sabores e da Cachaça, todo mundo queria aproveitar a última oportunidade de comprar direto da fonte. Felipe Falcão, do Sítio da Goiaba, em Cachoeiras de Macacu, passou a madrugada cozinhando geleias e goiabadas para trazer a última leva. No Clube Sou + Rio, mais de duas mil pessoas passaram pela área exclusiva e ganharam cafezinho e ecobag de brinde. Em grande estilo, Rodrigo Lampreia fez o show de encerramento do evento, que já deixou saudade.

O Rio Gastronomia, uma realização O GLOBO, é apresentado pela prefeitura do Rio através da RioTur, com patrocínio master de CEG, Sebrae, Santander e Friboi, patrocínio de Fashion Mall, Azeite Gallo e Nextel. O evento tem ainda o apoio de Senac, Knorr, Air France, Deli Delícia, cervejaria Moa e Volkswagen Caminhões e Ônibus e parceria com Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes (SindRio).

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Postado por: Raul Motta Junior

‘É hora de começar a alocar em ações no Brasil’

O pior já passou para o mercado de ações brasileiro. Os próximos meses serão difíceis, com altos e baixos, mas os grandes investidores, que precisam acumular posições aos poucos, podem aproveitar o momento para começar a comprar. A visão é do diretor de análise de renda variável para América Latina do Citi, Stephen Graham. Recentemente, ele divulgou um relatório fazendo a sugestão e afirmando que, no múltiplo que mede a relação entre preço e lucro (P/L, que indica quanto tempo o investidor levaria para ter o retorno do capital investido), o Ibovespa negocia com desconto.

Graham diz que sua recomendação não está apenas baseada no preço atrativo da bolsa brasileira. Na visão dele, os mercados estão tão preocupados com a política econômica que se esqueceram de observar que alguns ajustes já estão em curso.

Entre os emergentes, ele comenta que o Brasil ainda está abaixo da média das recomendações, mas saiu do fim da lista de preferências da instituição.

Confira trechos da entrevista:

Valor: No relatório, o Citi menciona que este pode ser o momento para recompor carteiras de ações no Brasil. O Ibovespa chegou ao fundo do poço?

Stephen Graham: A ideia é essa. A bolsa caiu, estava abaixo de 44 mil pontos na semana passada. Apesar da inflação estar sempre elevando o valor dos ativos e das receitas das empresas, a bolsa voltou para níveis de anos atrás. Quando medimos a relação preço e lucro, com alguns ajustes, já que o índice tem composição diferente de anos atrás, a composição de hoje parece 20% mais barata do que a média de dez anos, com lucros projetados para 2016. Não diria que a situação está no fundo do poço, mas o valuation talvez esteja.

Valor: O mercado está pessimista demais com o Brasil?

Graham: Na semana passada sim. Às vezes, as correções são rápidas. Num espaço de duas sessões a bolsa corrigiu um pouco do excesso. Dito isso, preciso dizer que a visão é arriscada. Não estou dizendo que necessariamente a bolsa está barata, mas é uma questão de probabilidade e alocação. Não diria para alguém “tire o dinheiro da poupança e coloque em bolsa”. Seria arriscado demais. Mas nossos cliente são grandes instituições, investidores institucionais, e não conseguem mudar de posição em um dia. Leva tempo, e a visão do Brasil tem sido redondamente negativa. Estou dizendo que talvez esteja na hora de pensar em acumular posições em empresas de qualidade no Brasil enquanto se mantém esse clima negativo. É mais um começo de um processo de acumulação até por razões alheias ao Brasil, como a situação da China na semana. Dá oportunidade de comprar empresas boas por preços baixos, porque nem sempre se pode escolher o melhor timing. Às vezes tem que escolher o melhor valuation.

Valor: Quais são os principais riscos para o mercado brasileiro?

Graham: A China certamente é um deles por razões óbvias. É o maior comprador de produtos brasileiros. Ao menos era, quando os preços das commodities estavam em alta. Também afeta o Brasil de outras formas. A China vem investindo no Brasil e prometendo investir mais. É o maior país numa categoria de investimento de ativos mais ou menos formal que é em emergentes. Portanto, se o mundo afora perde o encanto com emergentes por causa da China, o Brasil também pode sofrer, com pessoas tirando dinheiro dos fundos de emergentes. A China ainda tem mais países dependentes e o Brasil tem ligação com esses países. Exporta para a Colômbia, o Chile e o Peru, mais expostos à China do que o Brasil. O segundo maior risco é a própria política no Brasil. Há incerteza sobre a liderança da República, sobre a política econômica, qual vai ser e quanto vai durar. Há necessidades urgentes de ajuste, mas ao mesmo tempo uma recessão em curso que esse ajuste pode piorar. Em terceiro lugar vem o ambiente mundo afora, de dinheiro muito barato, que não vai durar. Por enquanto, Europa e Japão têm compensado a retirada de liquidez do banco central dos Estados Unidos mas, resumindo, o dinheiro segue barato em nível mundial, mas todo mundo sabe que isso não vai continuar para sempre e parece que estamos chegando num ponto de virada. E aí o dinheiro que estava procurando rendimento em outros cantos do mundo, como o Brasil, vai voltar para casa e afetar o preços dos ativos no Brasil também.

Valor: Há gatilhos positivos?

Graham: Acreditamos muito na força do ciclo de negócios, uma dinâmica muito poderosa em economia e que muitas vezes traz surpresas, porque do melhor momento sai o pior e do pior momento sai o melhor. E tem tanto barulho no Brasil sobre a política econômica que perdeu-se um pouco de vista o fato de que a economia está se ajustando, de algumas formas cíclicas, às vezes nem ligadas à política econômica. Um exemplo claro seria o mercado de energia elétrica, que há um ano e meio era uma das maiores questões de risco para o Brasil, a falta de energia. Em 2014 as tarifas começaram a subir fortemente. Isso naturalmente tem incentivado nova oferta, com usinas e linhas de transmissão que começam a entrar no sistema em 2016. É um fator cíclico e o resultado disso tudo é que nas últimas oito semanas o preço de energia no mercado spot caiu de R$ 388 o megawatt/hora para R$ 142. Vamos ver a energia na ponta cair 3% num ambiente de inflação de 9%, ou seja, uma queda forte em termos reais. Uma hora ou outra vai acabar sendo um fator desinflacionário. E quando a inflação cai, os juros podem cair. O mercado está esperando duas coisas: algum sinal de crescimento de novo, que não vai vir logo, só em 2016, e um sinal de que os juros podem cair. É a mesma coisa no mercado de aluguéis, uma queda de 10% em nível nacional, estimada em termos reais. Vemos ainda o custo do trabalho, uma queda de 5% no salário médio nacional nos últimos meses, após uma década de altas acima da inflação. Isso dói para o consumidor, mas acaba reduzindo custos e inflação. Há ainda avanços no balanço de pagamentos.

Valor: Como está o Brasil na comparação com seus pares?

Graham: Em gestão da política econômica o nível de risco está pior do que a média. Só que em valuation está melhor. Na América Latina, a comparação mais direta é o México, visto como muito bem gerenciado na política monetária e fiscal. Há bastante confiança. Mas o preço lucro médio do mercado é 16 vezes para 2016 e no Brasil tem menos confiança, mas o preço lucro é 9,9 vezes.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

No dia 6 de setembro, uma nova Praça Mauá ressurgirá dos tapumes

Antes degradada, agora revitalizada. À medida que os tapumes são retirados, uma nova Praça Mauá surge aos olhos de quem passa na região. Na calçada, o piso de granito substitui as antigas pedras portuguesas. Ao centro da praça, a estátua de Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá, se destaca. Perto dali, junto ao mar, já se eleva, imponente, o Museu do Amanhã.

A reinauguração da Praça Mauá está marcada para o dia 6 de setembro, um domingo, como informou nesta quinta-feira Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. Será o primeiro trecho a ficar pronto da chamada Orla Prefeito Luiz Paulo Conde, que terá 3,5 quilômetros de extensão, junto à Baía de Guanabara, ligando o Armazém 8 à Praça Quinze. Conde, arquiteto e ex-prefeito do Rio, morto no mês passado, ganhou a homenagem por ter defendido a derrubada do Elevado da Perimetral, que sumiu da paisagem da região dentro do processo de revitalização da Zona Portuária.

No mesmo dia da reinauguração, a Avenida Rio Branco, que começa na Praça Mauá e completará 110 anos em 15 de novembro, passará a ficar totalmente fechada para veículos todos os domingos, como também informou Ancelmo Gois em sua coluna. Segundo o prefeito Eduardo Paes, a ideia é transformar a via num grande corredor cultural, por onde os pedestres poderão circular e conhecer melhor o patrimônio histórico da cidade.

РO fechamento da Rio Branco vai permitir que o Centro seja ocupado com intensidade nos fins de semana. O legal ̩ justamente fazer essa conex̣o entre o Parque do Flamengo e a Orla Prefeito Luiz Paulo Conde, onde ficava a Perimetral Рdisse Paes.

Presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, o arquiteto e urbanista Washington Fajardo destacou que o fechamento da avenida poderá levar os cariocas de volta para o Centro:

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– Quando o Pereira Passos abriu a Avenida Central (antigo nome da Rio Branco), era para ir do Centro até a Zona Sul. Agora, é muito interessante ver esse movimento contrário. É quase uma chamada para os cariocas conhecerem o Centro do Rio e todo o patrimônio não só da cidade, mas do Brasil.

Alberto Gomes Silva, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp), diz que muitas pessoas sequer reconhecem a Praça Mauá após a revitalização:

– A Praça Mauá é o centro de uma nova área de convivência que o Rio ganha, num padrão que valoriza pedestres, ciclistas e conecta equipamentos culturais antigos e novos pela Orla Prefeito Luiz Paulo Conde.

Fonte: O GLobo
Foto: Agência O Globo / Márcia Foletto/22-7-2015
Postado por: Raul Motta Junior

A independência dos bancos centrais

Em 1993, os economistas Alberto Alesina e Larry Summers publicaram um artigo seminal argumentando que a independência de um banco central mantém a inflação sob controle, sem consequências negativas para o desempenho econômico. A partir de então, inúmeros países em todo o mundo tornaram seus bancos centrais independentes. Nenhum deles reverteu seu curso, e qualquer indício de que governos poderiam retomar o controle político sobre as taxas de juro, como aconteceu recentemente na Índia, é recebido com alarme pelos mercados financeiros e indignação por economistas.

Na realidade, porém, existem diversos graus de independência e nem todos os bancos centrais nominalmente independentes funcionam da mesma maneira. Algumas autoridades monetárias, como o Banco Central Europeu (BCE), definem sua própria meta. Outros, como o Banco da Inglaterra (BoE, em inglês), desfrutam plena independência instrumental – o controle sobre as taxas de juro de curto prazo -, mas são obrigados a cumprir uma meta de inflação definida pelo governo.

Há também diferenças em como os bancos centrais são organizados para cumprir seus objetivos. Na Nova Zelândia, o presidente do BC é o único decisor. No Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), as decisões são tomadas pela Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, esta e demais siglas em inglês), cujos membros – sete governadores e cinco presidentes dos Fed regionais – desfrutam variados graus de independência.

Pensamento grupal pode ser perigoso se o banco central for também o supervisor do setor bancário. Em 2006, cada banco central que publicou um relatório de estabilidade financeira (a maioria deles) concluiu que o sistema bancário de seu país estava em boa forma

O BCE não publica registros de votações e busca consenso nas reuniões do seu Conselho Geral. Por outro lado, o Comitê de Política Monetária do BoE (MPC) tem nove membros, dos quais quatro nomeados são pessoas externas ao banco, e todos os votos são registrados individualmente; ninguém pode ocultar-se por trás de uma visão institucional. O Fed não mantém um registro de votos, mas posições “discordantes” e suas principais decisões são anotadas (esses votos eram praticamente desconhecidos quando Alan Greenspan era presidente, mas depois dele tornaram-se mais comuns).

Existem também diferenças na relação entre os responsáveis pelas políticas monetárias e suas equipes técnicas que também influenciam a independência de um banco central. No Fed, as equipes apresentam suas próprias previsões econômicas ao Fomc, sem contribuições aportadas pelos formuladores de políticas que definem a taxa de juros. No BoE, o MPC é responsável por previsões oficiais, por ele publicadas em seus Relatórios sobre a Inflação. Isso é útil no sentido de influenciar expectativas, pois uma gama de diferentes pontos de vista do banco central poderia confundir o setor privado; mas embute o risco de “pensamento em grupo” institucional.

Pensamento grupal pode ser perigoso se o banco central for também o supervisor do setor bancário, como exemplificado na crise financeira mundial de 2008. Em 2006, cada banco central que publicou um relatório de estabilidade financeira (a maioria deles) concluiu que o sistema bancário de seu país estava em boa forma: bem capitalizado e dotado de governança robusta e vigorosa gestão de riscos.

Parece improvável que, à época, nenhum analista de banco central estivesse preocupado com o enorme crescimento do crédito e alavancagem. Os economistas do Banco de Compensações Internacionais estavam expondo os riscos muito explicitamente. Mas, apesar disso, nem uma voz discordante foi ouvida no pequeno exército mundial de economistas de bancos centrais. Eles podem ter sido independentes vis-à-vis os governos de seus respectivos países, mas, internamente, foi muito difícil discordar da “linha do partido”.

Há, naturalmente, um equilíbrio desejável entre rígida disciplina institucional e deixar cem flores desabrochar. Um banco central não é um departamento de economia universitário, onde diversidade é salutar. Observadores externos tendem a tentar ler mensagens políticas nas entrelinhas de quaisquer comunicados, o que nem sempre pode ajudar o banco a atingir seus objetivos.

Existe espaço para admitir pensamentos mais heterodoxos. Por isso é animador que o BoE esteja fazendo experiências com uma plataforma de acesso a uma ampla variedade de pontos de vista: um blog chamado “Bank Underground” (uma referência ao nome da estação de metrô sob a sede do Banco) que publica postagens de funcionários contestando – ou apoiando – a política monetária dominante.

Em poucas semanas, o “Bank Underground” já se firmou como uma fértil fonte de ideias provocantes. Uma postagem em meados de agosto (quando os peixões do banco certamente estavam ausentes, o que deu liberdade de ação à arraia miúda) apontou para algumas das vulnerabilidades nos modelos de capital internos dos bancos, situados no coração do regime de requisitos de capital de Basileia 3. O autor, o funcionário Tobias Neumann, argumentou que a incorporação de mais dados aos modelos poderiam levá-los a detectar ruídos e tomá-los por sinais importantes. Por essa razão, concluiu ele, modelos extremamente complexos podem produzir sistematicamente informações enganosas.

Outra postagem, publicada em julho, contesta explicitamente o ponto de vista “oficial” do BoE segundo o qual à medida que a economia se recupera, podemos esperar que as empresas não financeiras comecem a reduzir seu dinheiro em caixa para financiar investimentos. As autoras, Katie Farrant e Magda Rutkowska, sugerem que o comportamento das empresas pode ter mudado como resultado da crise financeira, pois as dificuldades de acesso a financiamento bancário as levaram a ampliar seus colchões de segurança de forma permanente. Se a afirmação for verdadeira, isso tem implicações importantes para o sistema financeiro e, especialmente, para os bancos.

Em sua curta vida, o “Bank Underground” já provou seu valor. O presidente do BoE, Mark Carney, merece grande crédito por nos permitir vislumbrar através de uma fresta na fachada da “Velha Senhora da Rua Threadneedle” (assumindo, claro, que o blog não seja uma iniciativa totalmente desautorizada!).

Talvez acabemos por ver o surgimento de um blog rival, um “Fed Subway”, embora eu não seja otimista quanto às perspectivas de um blog “BCE U-Bahn” no curto prazo. Entrementes, pretendo passar mais tempo no underground. A iluminação parece melhor, lá. (Tradução de Sergio Blum).

Howard Davies, que assumirá a presidência do Royal Bank of Scotland, foi o primeiro presidente da Autoridade de Serviços Financeiros do Reino Unido (1997-2003). Ele foi diretor da London School of Economics (2003-11) e vice-presidente do Banco de Inglaterra e diretor-geral da Confederação da Indústria Britânica.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Bonecas terapêuticas ajudam crianças em tratamento de câncer ou doenças cardíacas

“Eu tenho um buraquinho aqui, no coração, que está bombeando água e sangue para o pulmão. Mas eu vou operar e vou ficar boa. Eu gostei de ganhar a bonequinha e o que eu mais gostei foi o coraçãozinho, que sai de dentro dela. O nome da boneca vai ser igual ao meu, Lívia.” Com apenas cinco anos de idade, Lívia é uma das crianças atendidas pelo Hospital Pró Criança Cardíaca. Enquanto ela espera por uma cirurgia no coração, ela recebeu a doação de uma “Boneca de Propósito”.

A iniciativa, idealizada e realizada pela carioca Fernanda Candeias, surgiu depois dela assistir a uma reportagem sobre uma moça com câncer que, apesar de bem resolvida em relação à doença, ainda tinha questões quando o assunto era a queda do cabelo. A partir daí, Fernanda criou bonecas terapêuticas de pano para doar para crianças com câncer ou com doenças cardíacas e no rim.

— Pensei em bonecas, primeiro, porque a criança resolve tudo brincando. Além disso, acredito que a boneca é uma representação do eu. Essas Bonecas de Propósito têm características especiais para a criança se identificar. Por exemplo, a bonequinha para a criança que está passando por uma quimioterapia não tem cabelo. Então, primeiro surgiram as bonequinhas carecas, depois as do coração e depois as do rim – explica Fernanda.

Com doações de amigos, que dão retalhos, botões, fitas e linhas, Fernanda junta o material necessário para costurar as bonecas. Depois de prontas, ela as leva para três lugares: O Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Hospital Pró Criança Cardíaca e a Fundação do Rim, todos no Rio.

— Isso dá uma alegria para eles e para a gente. Essas bonecas são maravilhosas, porque falam do coração, é lindo. A gente nem percebe, mas qualquer coisa que a gente faça que dê alegria para a criança, é muito bom. Tem que dar os parabéns para as pessoas que usam o seu dom para ajudar o outro – ressalta a fundadora do Pró Criança Cardíaca, a Doutora Rosa Célia Barbosa. Mas as doações não ajudam apenas as crianças.

— Eu doo as bonecas porque eu quero que as bonecas vão para as crianças que estão passando por aqueles problemas, mas o retorno é maravilhoso. Cada vez que eu tenho um retorno de uma história eu fico muito emocionada. É muito gratificante ver a reação das crianças – conta Fernanda, que cita Raul Seixas para tentar explicar o resultado da iniciativa dela:

— Eu nunca imaginei que pudesse atingir tantas crianças assim, com tanto carinho. Me surpreendeu, porque eu faço um trabalho muito caseiro, eu trabalho em casa, e, de repente, está ficando uma coisa bem bacana. Como na frase do Raul Seixas: “Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade”. E as Bonecas de Propósito estão se tonando uma realidade.

Fonte: O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Câmbio e o ajuste externo

Em entrevista recente, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que serão as exportações líquidas que farão o país sair da recessão. Faz sentido. Com a demanda doméstica comprometida temporariamente pelo aumento da inflação e pela piora no mercado de trabalho, a saída de curto prazo é a demanda externa. A depreciação cambial recente atua nessa direção. Mas é suficiente?

O Brasil entrou em 2015 precisando de ajustes em diversas frentes, entre elas, nas contas externas. Entre 2012 e 2014, o déficit em conta corrente (que agrega balança comercial e balança de serviços) dobrou de 2,2% para 4,4% do PIB, um nível elevado para padrões brasileiros. Financiar um déficit desta magnitude é difícil, especialmente considerando a perspectiva de alta de taxa de juros nos EUA e a provável redução dos investimentos estrangeiros diretos no Brasil, consequência da desaceleração da atividade econômica. Desta forma, era importante interromper a tendência de rápida deterioração da conta corrente e trazê-la de volta para perto de 2,5% do PIB.

O aumento do déficit externo foi consequência de uma combinação de excessos domésticos e mudança do cenário global. O acelerado crescimento do consumo interno até 2014, em meio a restrições do lado da oferta e câmbio valorizado, impulsionou as importações. Ao mesmo tempo, a queda expressiva nos preços das commodities reduziu o valor financeiro das exportações brasileiras.

É crucial melhorar a produtividade e é preciso fazê-lo mais rápido do que nossos concorrentes

Como não devemos voltar a ver os preços das commodities subindo como na década passada – especialmente com os novos sinais de desaceleração na China essa semana -, o ajuste das contas externas exigiu uma importante depreciação do real. Nos últimos 12 meses, a taxa de câmbio depreciou cerca de 60%, um movimento expressivo sob qualquer parâmetro. Mas que não coloca a taxa de câmbio em patamar excessivamente desvalorizado: mesmo expressivo, o movimento apenas trouxe a taxa de câmbio real para um pouco acima de sua média histórica (ver gráfico). Ou seja, a depreciação cambial foi necessária e tende a ser permanente.

É necessário uma desvalorização adicional? Já há sinais de que o câmbio está se aproximando de seu equilíbrio. O déficit em contra corrente entre janeiro e julho de 2015 recuou para US$ 44 bilhões, frente a US$ 58 bilhões no mesmo período de 2014. Ainda é um número elevado, mas a queda foi palpável e deve continuar à frente. Supondo uma trajetória em que a taxa de câmbio encerre este ano em R$ 3,55 por dólar, e alcance R$ 3,90 no fim de 2016, as projeções da equipe econômica do banco Itaú indicam que o déficit em conta corrente recuará para 3,2% do PIB em 2016, e 2,5% em 2017.

Mas para sabermos se o câmbio já está de fato perto do equilíbrio é importante distinguir quanto da melhora recente das contas externas se deve à moeda mais depreciada ou é resultado da queda da atividade econômica. As contas da economista do Itaú, Julia Gottlieb, indicam que o câmbio é responsável por aproximadamente metade da queda das importações1.

De fato, a substituição de importações, em diversos segmentos da economia, é uma realidade. Em meus contatos diários com clientes, empresas de bens de consumo duráveis e semi-duráveis vêm reportando alguma aceleração de vendas em segmentos premium, demanda que era suprida com compras no exterior (o “efeito Miami”). Na mesma linha, empresas ligadas ao setor de turismo revelam uma clara desaceleração da demanda por viagens internacionais.

Do lado das exportações, no entanto, os efeitos ainda são modestos. Durante o longo período de câmbio apreciado e recessão nos países desenvolvidos, muitas empresas encerraram ou reduziram seus esforços de vendas externas. A depreciação cambial e a retomada do crescimento nos EUA e Europa melhoram as condições, mas a retomada dos negócios é lenta.

Além disso, muitos países emergentes, que também passam por um período de desaceleração econômica, depreciaram suas taxas de câmbio e vêm promovendo ajustes para ganhar produtividade. Ou seja, a aceleração das exportações brasileiras depende não apenas de se tornar mais competitivo em termos absolutos, mas também em relação aos seus concorrentes. Neste sentido, o câmbio favorável não é suficiente. É preciso avançar em medidas que impulsionem a produtividade e a eficiência da produção nacional, como aquelas contidas na “Agenda de Cooperação Legislativa para o Crescimento” apresentada pelo Ministério da Fazenda. Acelerar o programa de concessões em infraestrutura também é fundamental.

No início do ano, o país tinha o desafio de ajustar as contas externas. Estamos progredindo mas, por ora, o ajuste tem sido feito mais pela queda das importações do que pelo aumento das exportações. E o aumento do risco de desaceleração na China dificulta o cenário. Com a expressiva depreciação cambial recente, é provável que gradualmente as exportações melhorem. Mas para que as vendas externas de fato impulsionem o PIB, é crucial, além do câmbio favorável, melhorar a eficiência e a produtividade da produção local. E é preciso fazê-lo mais rápido do que nossos concorrentes.

1 – Quanto da melhora da balança comercial é consequência da depreciação cambial?” em itau.com.br/ analiseseconomicas

Caio Megale, mestre em economia pela PUC-RJ, é economista do Itau-Unibanco

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

BRT Rio lança projeto para passageiros ajudarem a localizar crianças desaparecidas

O consórcio BRT Rio lançou na segunda-feira uma campanha que prevê que passageiros ajudem na localização de crianças desaparecidas. A ação, uma parceria com a Fundação da Infância e Adolescência (FIA), marca a semana mundial da Infância.

Em nota, o consórcio afirma que pretende divulgar todas as semanas, para os 180 mil seguidores de suas redes sociais, fotos de crianças desaparecidas, acompanhada do telefone (21) 2286-8337 e dos endereços nos quais é possível prestar informações que ajudem a localizá-la. As postagem vão usar a hashtag ‪#‎BRTCidadão.

O post que inicia a ação, sobre Leandro Zacarias Otávio, desaparecido em abril deste ano, teve 85 compartilhamentos em 24h, volume considerado positivo. Recentemente, o post sobre uma criança encontrada no terminal Alvorada, publicado em 13 de agosto, foi compartilhado por mais de 800 seguidores apenas na primeira hora. Ao todo, foram mais de 2.775 compartilhamentos nos últimos 12 dias, tendo sido visualizado por 147 mil pessoas.

Fonte: O GLobo
Postado por: Raul Motta Junior

Economia nunca mais vai crescer 7%

A China deixará de crescer a uma taxa de 7% ao ano para um ritmo entre 3,5% ou 4,5%. Para o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, a mudança é parte da transição do modelo econômico, iniciada há cerca de quatro anos, em que o foco nos investimentos públicos em infraestrutura dá lugar aos estímulos ao consumo privado. “Quem não percebeu isso, e a nossa presidente [Dilma Rousseff] é uma delas, errou”.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

‘Crise vai ter efeito negativo no Brasil mais no curto prazo’

A queda das bolsas de valores, com o carimbo “made in China”, pode ser o começo de uma nova crise financeira global, como acontece a cada sete anos, avalia o professor Arturo Bris, diretor do Centro de Competitividade Mundial da escola de administração IMD, de Lausanne (Suíça).

Para ele, a correção atual é necessária, após o excesso de exuberância em relação ao potencial chinês. Bris, que ensinou também na Universidade de Yale (EUA) e figura no ranking dos cem acadêmicos de finanças mais lidos no mundo, é em todo caso prudente quando ouve certos economistas apontarem semelhanças com o “crash” de 1998, quando a Rússia mergulhou em “default” da dívida e forte desvalorização do rublo (que perdeu 60% de seu valor em 11 dias), o preço do petróleo caiu e as moedas de economias emergentes entraram em queda livre – mas um mês depois, o mercado se recuperava. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Valor: O sr. previa o começo de nova crise financeira global para abril. Chegou com ligeiro atraso?

Arturo Bris: Como eu sempre falei, não era uma predição exata, mas estatística. Todas as crises financeiras dos últimos anos sempre ocorreram no verão [europeu] e a cada sete anos. E agora é causada pela China, que não consegue controlar a bolha no mercado de ações. O governo da China tem tentado manter os preços das ações, mas não conseguiu e daí o pânico atual e a venda maciça. Veja que a bolsa de Londres fechou [ontem] com queda de 4,67%. É a 20ª maior queda desde 1950. E todas as maiores quedas tiveram a ver com crise financeira, nunca foi algo isolado. A maior queda foi de 11% em 1987, a segunda, também em 1987, foi de 10% e em 2008 tivemos queda de 8%. Nunca o mercado caiu tanto sem estar relacionado com crise financeira. Por isso, a preocupação agora.

Valor: Qual a dimensão dessa nova turbulência?

Bris: Alguns economistas falam de correção similar à de 1998 [crise financeira da Rússia], quando os mercados se recuperaram em um mês. Eu acho que temos de esperar um pouco para avaliar melhor. Há problemas fundamentais na China que não foram resolvidos. Primeiro, o sistema bancário é opaco e protegido e os mercados financeiros estão controlados. Segundo, há que se crer ou não nos mercados. Se acredita, deixe o mercado operar livremente. E, por último, a China tem problema de competitividade. A economia da China é forte, mas reformas estruturais, regulação, concorrência, não foram realmente implementadas. E a China continua a ser um país que sequer está entre os 20 mais competitivos de nosso ranking do IMD.

“Esse pânico no mercado é, de certa maneira, irracional porque a correção na China era esperada”

Valor: A crise da China agora se transforma em crise global?

Bris: Eu espero ver o que vai acontecer nos EUA, onde os mercados seguem caindo. Certo mesmo é que a China é o principal investidor nos EUA, e é o país que mais possui títulos da dívida americana. Qualquer problema na China contagia os Estados Unidos e daí o resto do mundo. O problema fundamental continua a ser o mercado de ações chinês, que realmente necessita de um choque importante, como está ocorrendo. Não é um mercado eficiente, os preços não refletem a realidade das empresas e não eram credíveis. Uma grande correção ainda pode vir.

Valor: Pode-se esperar “hard landing” (aterrissagem forçada) da economia chinesa?

Bris: É difícil dizer. Esse pânico no mercado é, de certa maneira, irracional porque a correção na China era esperada. No curto prazo, vai continuar a volatilidade e isso é ruim, sobretudo agora em agosto quando há menos atividade no mercado.

Valor: Qual o tamanho do impacto sobre o Brasil?

Bris: Essa crise vai ter efeito mais negativo no Brasil no curto prazo, mas no longo prazo vai ser benéfico, porque continuo pensando que a crise na China é necessária para que tenhamos a perspectiva adequada sobre ela. Tem havido uma certa exuberância em relação à China. Nos últimos dez anos, fomos muito otimistas sobre a China, todas as empresas queriam investir na China, todo mundo tinha que estar na China. Mas, se o país cresceu, a competitividade não melhorou, a infraestrutura não é boa, a qualidade de vida não é boa, falta regulação e há pouca transparência. Ou seja, falta o que um país necessita para ser uma economia realmente potente. Essa situação deixa uma mensagem também para o Brasil, sobre a importância de crescer a economia e ser mais competitivo.

Valor: Os emergentes podem escapar dessa tempestade perfeita de menor preço de commodities, menor crescimento e dólar mais forte?

Bris: As economias que crescem mais no longo prazo são as mais competitivas, ou seja, as que focam nos verdadeiros pilares de criação de valor e prosperidade, como educação, transparência e regulação, empreendedorismo e eficiência do governo. Isso é um longo caminho que requer liderança política e corporativa. Não há receita mágica.

Valor: O que devem fazer agora companhias que esperavam aumentar os negócios com a China?

Bris: Acreditamos que as melhores companhias são aquelas baseadas em países com instituições sólidas, mas dispostas a investir e vender em mercados emergentes. No entanto, diversificação ainda é a chave. O crescimento econômico deve ser alcançado nos próximos anos nas economias tradicionais, como os EUA e a Europa. A China ainda está muito longe de construir uma demanda doméstica suficientemente sólida e estável.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Prefeitura divulga prazos para retirar de circulação 28 linhas de ônibus da Zona Sul

A Secretaria municipal de Transportes publicou nesta segunda-feira, no Diário Oficial, os prazos para a implementação do projeto que pretende reduzir em 35% o número de ônibus que circulam pela Zona Sul do Rio. Até o fim do ano, serão eliminadas 28 linhas, que serão substituídas por cinco novas. Outras 21 linhas terão o trajeto reduzido. Com o encurtamento, os passageiros precisarão fazer baldeações, o que provocou polêmica entre os usuários, conforme O GLOBO noticiou na semana passada. As transformações só terminarão no primeiro semestre de 2016. O projeto prevê a extinção de 78 linhas (ou 63% do total).

O objetivo da prefeitura é resolver o problema de sobreposição de linhas e diminuir o número de ônibus ociosos para que o trânsito flua melhor na região. As mudanças serão feitas progressivamente. No dia 3 de outubro, serão eliminadas 22 linhas. No mesmo dia, começarão a operar as linhas integradas 1 (Alvorada-Rio Sul, via Lagoa-Barra), 2 (Alvorada-Rio Sul, via Avenida Niemeyer) e 8 (Recreio-Rio Sul, via Lagoa-Barra).

A linha Troncal 1, que ligará a General Osório à Central, passando pela Nossa Senhora de Copacabana e pelo Aterro do Flamengo, será implementada no dia 24 de outubro. Já o encurtamento no trajeto de 11 linhas será realizado a partir do dia 7 de novembro.

Os passageiros que utilizam as linhas que vão da Barra da Tijuca até o Centro terão que fazer integração na Zona Sul, caso o destino final seja a região central da cidade.

A estimativa da prefeitura é que a racionalização de linhas retire 700 coletivos dos cerca de dois mil que trafegam hoje pela Zona Sul. Com o corte, a velocidade média dos ônibus deverá aumentar em 30% nos corredores com BRS.

Segundo a Secretaria municipal de Transportes, os ônibus que prioritariamente serão retirados do sistema serão os que não possuem ar-condicionado, já que a frota da cidade vem passando por modernização com a entrada progressiva de coletivos novos e climatizados.

A segunda fase da operação começará no dia 5 de dezembro, com a extinção de 6 linhas e a implementação da Linha Troncal 3, que ligará a Gávea à Central, passando pela Nossa Senhora de Copacabana e pelo Aterro do Flamengo. O encurtamento de outras 10 linhas será feito no dia 12 de dezembro.

Fonte: o Globo
Foto:Barbara Lopes / Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior