Monthly Archive: July 2015

Para ex-economista do FMI, raízes da crise estão na rigidez do gasto público

A economista Teresa Ter-Minassian vê com preocupação com a situação fiscal do Brasil, mostrando também pessimismo quanto às perspectivas de recuperação da economia. Ex-diretora do Departamento de Assuntos Fiscais do Fundo Monetário Internacional (FMI), Teresa diz que as raízes dos problemas atuais das contas públicas são de longa data, especialmente devido à rigidez de boa parte dos gastos, não se limitando ao “descalabro” dos últimos anos. Para ela, a eventual perda do grau de investimento pode ter consequências bastante ruins, com impacto significativo para o país, inclusive sobre o crescimento.

Com a queda nas receitas, ficou mais evidente o impacto da rigidez das despesas sobre o resultado primário do setor público, diz Teresa. Por muito tempo, isso foi mascarado por aumentos expressivos da arrecadação. O problema é que, para promover uma correção estrutural das finanças públicas, são necessárias medidas difíceis, como reduzir as vinculações de receitas a despesas, mudar o sistema de Previdência e enfrentar a falta de flexibilidade nos gastos com saúde, observa ela, ex-chefe de missões do FMI ao Brasil. Implementar essa agenda, diz Teresa, exigiria um governo com uma base muito mais ampla de apoio “político e possivelmente social”.

Teresa faz elogios ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmando que as medidas propostas por ele vão na direção correta. A questão é que elas não são suficientes para mudar o quadro das contas públicas do ponto de vista estrutural. “Mas não é que ele não queira fazer isso”, diz a economista, apontando para as dificuldades no front político para avançar uma agenda de reformas mais ambiciosa. O fundamental, para ela seriam reformas no lado dos gastos, várias das quais exigem mudanças na Constituição, como no caso das vinculações. “Eu não vejo isso como uma opção no futuro previsível.”

Teresa observa que a economia está “quase em queda livre”, tornando o ajuste mais doloroso. Fica mais difícil apertar as contas públicas por causa das condições cíclicas desfavoráveis, resultado em grande medida da falta de investimento e dos “medos” dos consumidores, avalia ela.

A economista lembra que, dadas as dívidas acumuladas pelas famílias nos últimos anos, há a necessidade de ajustar o consumo. As empresas, por sua vez, relutam em investir num cenário de incerteza, marcado entre outros fatores pelo “impacto da Lava-Jato e todos esses casos de corrupção.” As investigações são um sinal da robustez das instituições do país, mas no curto prazo há um efeito sobre o investimento, diz Teresa.

Com isso, Teresa afirma que “infelizmente” não vê uma reversão rápida desses fatores, nem do lado do consumo e nem do investimento. “Eu estou bastante pessimista sobre as perspectivas de uma recuperação sustentável do crescimento.” Para ela, é algo que certamente não ocorrerá neste ano e provavelmente nem no ano que vem.

As exportações podem fornecer alguma uma fonte de alívio, com impacto favorável sobre o investimento, num quadro em que o câmbio se desvalorizou bastante. “Mas a experiência do passado mostra que isso leva tempo para ter efeito”, diz Teresa. “Na minha visão, a chave é a restauração de uma situação política razoavelmente estável. Sem isso, é muito difícil vislumbrar uma recuperação sustentada.”

Para Teresa, como o Brasil corre um risco de perder o grau de investimento, os ratings são muito importantes na atual situação. Segundo ela, a decisão da Standard & Poor’s (S&P) de rebaixar a perspectiva da nota de crédito de neutra para negativa é um sinal de que, se Levy não conseguir “o apoio do resto dos atores relevantes no cenário fiscal”, a agência vai retirar do Brasil o selo conferido a bons pagadores.

E isso vai ocorrer? “Eu espero que não, mas é muito difícil dizer. A dinâmica política é muito subjetiva e imprevisível.” Embora veja sinais para o pessimismo sobre essa questão, Teresa diz que, no passado, “o Brasil, incluindo os políticos, já mostrou uma sensatez quando as coisas realmente pioram”.

A eventual perda do grau de investimento causaria um aumento adicional no custo de tomar empréstimos no exterior, especialmente para o setor privado, afirma ela, acrescentando que é difícil prever se isso precipitaria alguma fuga de capitais do país. “Certamente vai tornar mais difícil conseguir investimento estrangeiro direto”, afirma Teresa, para quem as consequências podem ser bastante ruins. Ao longo do tempo, o impacto tende a ser bastante significativo, “inclusive em termos de crescimento”.

Hoje consultora internacional, focada principalmente em aspectos fiscais da América Latina, Teresa ressalta que a política fiscal não é apenas o resultado das ações do ministro da Fazenda. Ela depende do resto do ministério, do Congresso e também do Judiciário, além da situação da economia. “Acho que Levy está tentando manejar num contexto muito difícil. O Brasil tem sorte de ter alguém com o vigor dele neste momento, mas é uma tarefa complicada.”

Ao falar da redução das metas de superávit primário anunciada na semana passada, Teresa diz acreditar que teria sido melhor que a Fazenda não tivesse anunciado números específicos num momento em que não era claro qual seria o legado fiscal de 2014, com a questão das “pedaladas”, havendo ainda incertezas sobre a economia e a arrecadação.

“Eu teria colocado ênfase nas medidas que seriam adotadas para mudar a dinâmica das finanças públicas e fazer uma ruptura com a política dos dois ou três anos anteriores”, diz Teresa. “Naquela momento havia boa vontade com a indicação de Levy. Ele poderia ter feito isso, mas acho que ele sentiu que precisaria mostrar um compromisso com um número específico, que depois ficou claro que simplesmente não seria factível.”

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Fed deixa opções abertas para esperada alta de juros

As autoridades do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, enfrentam um dilema enquanto se preparam para começar a elevar as taxas de juros este ano: elas veem vários progressos na sua meta de crescimento do nível de emprego nos EUA, mas poucos no objetivo de elevar os preços.

Ontem, o Fed manteve seus juros de referência de curto prazo perto de zero, mas deu várias pistas depois da reunião de política monetária de dois dias de que está perto de ver uma melhora suficiente no mercado de trabalho para incitar as autoridades a elevar os juros já em setembro.

Ao mesmo tempo, o banco central demonstrou em sua ata divulgada após a reunião preocupações com a permanência da inflação em um nível muito baixo, o que tem deixado as autoridades hesitantes quanto ao momento certo de subir os juros e inclinadas a elevar as taxas muito gradualmente depois do primeiro aumento.

A presidente do Fed, Janet Yellen, tem dito que as autoridades esperam elevar os juros este ano. O banco central tem mais três reuniões de política monetária – em setembro, outubro e dezembro – e, segundo Yellen, o aumento pode ocorrer em qualquer uma delas.

A ata do Fed não deu um sinal claro sobre o momento certo em que ocorrerá a alta dos juros. Isso dá ao Fed a opção para agir na reunião marcada para os dias 16 e 17 de setembro sem se comprometer com a elevação da taxa.

“Eles com certeza estão prontos para agir em setembro se o mercado de trabalho continuar melhorando”, diz Kim Schoenholtz, professor de economia da Faculdade de Administração Stern, da Universidade de Nova York. Segundo ele, mais importante do que o momento da alta é a garantia que as autoridades do Fed têm dado aos investidores de que vão elevar os juros gradualmente depois do primeiro aumento.

A taxa de referência dos fundos federais está perto de zero desde dezembro de 2008. Sua elevação deverá marcar o fim de uma era, na qual o banco central tomou medidas sem precedentes e potencialmente arriscadas para estimular a economia depois da crise financeira.

A definição da nova etapa do Fed vai depender muito de como o emprego e a inflação se comportarão nos próximos dois meses.

É essencial no modo do Fed pensar as taxas de juros a forma como ele percebe seu progresso em obter seu “mandato duplo” de emprego máximo e inflação perto de 2%. O Fed tem afirmado que elevará os juros quando visualizar melhorias no mercado de trabalho e se sentir “razoavelmente confiante” que a inflação está caminhando para voltar aos 2%.

A taxa de desemprego caiu para 5,3% em junho, ante 10% em 2009, mas o índice de inflação preferido do Fed tem permanecido abaixo de 2% por mais de três anos. O índice de preços para gastos com consumo pessoal, do Departamento de Comércio, subiu apenas 0,2% nos 12 meses encerrados em maio. Excluindo a volatilidade dos preços de alimentos e de energia, a alta foi de apenas 1,2% ao longo do ano.

Muitas autoridades estão trabalhando longe da teoria de que o aumento das contratações e a queda do nível de emprego devem no fim gerar uma pressão de alta nos preços e salários, exigindo, por sua vez, taxas de juros mais altas para manter a inflação sobre controle. Em vez disso, a inflação tem se mantido teimosamente lenta por anos e mostra poucos de sinais de que agora vai acelerar.

Embora tenha havido recentemente alguns sinais de aumento no crescimento salarial, outros fatores estão mantendo a inflação baixa, incluindo a fraqueza de economias em outros países que tem pressionado o preço das commodities para baixo.

“Eu penso que precisamos ver um fortalecimento adicional no mercado de trabalho e a economia se mover para mais perto de sua capacidade […] para se ter confiança de que a inflação voltará para 2%”, disse Yellen a jornalistas em junho. “Mas temos feito algum progresso.”

As autoridades terão acesso a informações adicionais nos próximos dias que podem ajudá-las a chegar a conclusões mais sólidas do cenário econômico.

A primeira prévia do governo sobre o crescimento do produto interno bruto no segundo trimestre deve ser divulgada esta manhã. O Departamento do Trabalho divulga amanhã os dados de custo de mão de obra referentes ao segundo trimestre e o Departamento de Comércio divulga na segunda-feira a inflação de junho. O Departamento de Trabalho também divulgará na próxima semana os dados de salários e outras informações do mercado de trabalho em julho.

Sem estar pronto para agir ou enviar sinais definitivos agora, o Fed salpicou ontem na sua ata, minuciosamente analisada, sinais sutis que apontam para esse dilema.

As autoridades citaram “ganhos sólidos de empregos”, um avanço com relação à ata do Fed de junho, que dizia que os ganhos de empregos “tinham acelerado”. As autoridades também alteraram ligeiramente uma afirmação sobre a existência de ociosidade no mercado de trabalho, afirmando que a subutilização dos recursos do mercado de trabalho diminuiu no lugar de uma frase anterior que dizia que a ociosidade tinha diminuído “um pouco”.

A nova ata inclui outro pequeno indicativo de que as autoridades acham que estão perto da meta de um mercado de trabalho saudável. Por meses eles disseram que querem ver “melhora adicional no mercado de trabalho” antes de estarem convencidos que é hora de elevar os juros. Na ata de ontem, elas afirmaram que querem ver “alguma” melhora adicional, sugerindo que estão se vendo perto da meta relativa a emprego.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

FMI vê contas externas do Brasil ainda fracas, mas espera fortalecimento em 2015

A posição externa da economia brasileira em 2014 estava “mais fraca” do que o nível consistente com os fundamentos, mas deve se fortalecer um pouco neste ano, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Para a instituição, a conta corrente vai melhorar em 2015, refletindo a desvalorização do câmbio e a o enfraquecimento adicional da demanda doméstica.

Em relatório divulgado ontem, o FMI estima que na média do ano passado o real estava sobrevalorizado de 15% a 25% em relação ao valor indicado pelos “fundamentos de médio prazo e ao conjunto de políticas desejáveis”. De julho de 2014 a maio deste ano, porém, a taxa real de câmbio efetiva se desvalorizou em 13%, em parte devido à piora nos termos de troca (relação entre preços de exportação e importação) e a “fatores domésticos”. Essa medida do câmbio leva em conta a inflação, ponderada pelo peso dos principais parceiros comerciais do país.

Para o FMI, a posição externa do Brasil deve se “fortalecer um pouco em 2015″, num cenário em que o déficit em conta corrente deve “melhorar apenas moderadamente, se os preços das principais commodities exportadas pelo Brasil evoluírem conforme as projeções atuais”. Nas estimativas do FMI, o déficit em conta corrente, que ficou em 4,5% do PIB em 2014, o equivalente a 4,1% em termos ciclicamente ajustados, é superior ao que seria condizente com os fundamentos e as políticas desejáveis. O nível adequado seria um rombo de 0,5% a 2% do PIB no critério ajustado ciclicamente, que considera a folga de recursos na economia e o ciclo de commodities.

Segundo o FMI, o déficit em conta corrente brasileiro cresceu em 2014 devido a choques adversos, como “forte piora dos termos de troca, importações relacionadas à seca e a crise na Argentina”. O rombo externo aumentou mesmo com a demanda doméstica contida e a depreciação real da moeda. Entre o fim de 2010 e maio de 2015, a taxa real de câmbio efetiva se desvalorizou em 24%.

Segundo o FMI, o Brasil continua a atrair volume considerável de capitais externos, com investimentos estrangeiros diretos atingindo cerca de 4% do PIB por ano. “O fluxo líquido do investimento estrangeiro direto financiou cerca de 70% do déficit em conta corrente em 2014″, diz o relatório, que aponta o nível de reservas do país como superior a vários critérios que avaliam o volume adequado.

Questionado se via com preocupação a posição externa do Brasil, o número 2 do FMI, David Lipton, disse que não comentaria o assunto, pois o relatório falaria “por si mesmo”. Em teleconferência, Lipton fez breve avaliação sobre como o Fundo vê a economia brasileira. Afirmou que o FMI se preocupa com a situação da economia do Brasil e o dilema que o país enfrenta, devido à combinação de crescimento em desaceleração e a necessidade de apertar a política fiscal e a monetária, num cenário de déficit público elevado e inflação muito alta. “[Mas] Estamos esperançosos de que ações nesses dois fronts darão um apoio adequado ao crescimento e à confiança no país e que possam ser úteis”, disse Lipton.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Capital fechado valoriza-se em tempos de turbulência

Enquanto as companhias de capital aberto brasileiras perdiam 25% do seu valor de mercado de 2013 a 2015, um movimento inverso acontecia entre as empresas sem ação em bolsa, que valorizaram-se 33%, em igual base de comparação.

O valor das fechadas, calculado a partir de uma metodologia de múltiplos, chegou a US$ 1,012 trilhão, em maio de 2015, superando os US$ 799 bilhões das listadas.

O impacto das companhias de capital fechado sobre a economia brasileira cresceu significativamente nos últimos dois anos, tanto em bases absolutas, quanto na comparação com as de capital aberto, constata estudo inédito da S&P Capital IQ.

Nesse universo, empresas ligadas ao consumo cíclico se destacam, representando uma oportunidade de investimento, mesmo num contexto de retração da economia, acredita a consultoria.

Segundo o vice-presidente de desenvolvimento do mercado de crédito da S&P Capital IQ, Thomas Yagel, a realização do estudo foi possível pois apenas recentemente a consultoria passou a compilar dados sobre empresas fechadas.

Para calcular o valor de mercado das companhias, foi usada metodologia que combina a análise de transações de fusão e aquisição na América Latina com dados financeiros divulgados pelas empresas, como receita e lucro operacional.

De um banco de dados de mais de 5,6 mil empresas fechadas, 81% divulgaram receita e 61% disponibilizaram seu lucro operacional.

Comparando companhias fechadas e abertas, há algumas diferenças significativas entre os dois grupos em relação à margem de lucro operacional. Embora o indicador esteja em linha para companhias listadas e aquelas sem ações em bolsa na maioria dos setores, em áreas como energia, materiais básicos, setor financeiro e serviços públicos, as companhias fechadas chegam a ter o dobro de margem do que seus pares de capital aberto.

Segundo a S&P Capital IQ, isso revela possíveis ineficiências causadas pela maior regulação e forte influência governamental nesses ramos da atividade econômica.

Utilizando a metodologia de múltiplos adotada e excluindo unidades locais de multinacionais e construtoras envolvidas no escândalo de corrupção da Petrobras, as cinco maiores companhias brasileiras em valor de mercado são, pela ordem: a Organizações Globo, avaliada em US$ 13,8 bilhões, seguida por Pernambucanas, Nova Pontocom (operação de varejo eletrônico do Grupo Pão de Açúcar, fundida em 2014 com a francesa Cdiscout, criando a Cnova), GVT Participações (controladora da operadora adquirida em setembro de 2014 pela Vivo, da espanhola Telefónica) e Lojas Cem.

Embora o valor de mercado das companhias fechadas não faria a maior delas chegar nem ao pé das cinco maiores abertas, o grande volume de companhias médias e pequenas soma um todo de maior valor do que o total de abertas.

Do universo de US$ 1 trilhão em oportunidades de investimento das empresas fechadas, os setores de bens de consumo cíclicos e de saúde sobressaem-se, com companhias registrando crescimento de receitas acima de 40% e 25%, respectivamente, de 2012 para 2013.

“Até pouco tempo atrás, o consumo ainda proporcionava força e oportunidades, isso não deve acabar, embora haja ciclos na economia”, acredita o analista.

Segundo a Standard & Poor’s Ratings Services, o PIB brasileiro deve recuar 1% em 2015, antes de se recuperar e crescer 2% em 2016.

“As companhias de capital fechado tiveram um desempenho muito melhor do que as abertas, mesmo num cenário desafiador. Com a retomada do crescimento em 2016, essa tendência deve se fortalecer ainda mais”, diz Yagel.

Entre as listadas, a queda é ainda mais abrupta se consideradas as maiores por valor de mercado. Petrobras e Vale (terceira e quinta colocadas do ranking) tiveram quedas de mais de 50% de 2013 a 2015. A petroleira estatal, afetada pela Lava-Jato e pela queda no preço do petróleo, responde sozinha por 17% do valor total de mercado das companhias abertas. A queda de valor é amplificada ainda pela desvalorização do real no período.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Volpon sinaliza nova estratégia do BC

Ao antecipar em evento público na semana passada como vê os próximos passos da política monetária, o diretor de assuntos internacionais do Banco Central (BC), Tony Volpon, sinalizou uma mudança na estratégia da autoridade monetária. Essa mudança se baseia num modelo teórico, o “inflation-forecast targeting” (mirar a projeção de inflação na meta, em tradução livre).

Conforme definiu o economista Michael Woodford, do departamento de Economia da Universidade de Columbia, em estudo, esse modelo prevê o seguinte: “Um banco central que pratica um regime de metas para as expectativas de inflação está comprometido a ajustar seu instrumento, ou instrumentos de política, de todas as formas que achar necessário, a fim de assegurar que as projeções quantitativas para o comportamento futuro da economia satisfaçam um critério-alvo específico”. O estudo completo chama-se “The Case for Forecast Targeting as a Monetary Policy Strategy”.

Durante apresentação pública a investidores na segunda-feira da semana passada, Volpon declarou: “Pessoalmente, vou votar para o aumento de juros até que a nossa projeção esteja de maneira satisfatória apontando para o centro da meta”.

A frase não teria sido bem compreendida por alguns setores do mercado financeiro e também gerou ruídos no campo político. Em e-mail enviado ao Valor, por meio da assessoria de imprensa do Banco Central, Volpon esclarece que em nenhum momento houve abertura prévia do seu voto como membro do Comitê de Política Monetária (Copom).

“O que houve foi uma defesa do princípio operacional conhecido como ‘mirar a projeção na meta’ [inflation-forecast targeting]. Tal estratégia de política monetária, que tem amplo respaldo na literatura acadêmica, defende que um banco central, seguindo o sistema de metas, fixe seu instrumento de política monetária – a taxa Selic, no caso do Banco Central do Brasil – de forma que a projeção da inflação esteja na meta no prazo de convergência escolhido”, disse Volpon.

O diretor apresentou esse esclarecimento depois de tomar conhecimento que o senador José Serra (PSDB-SP) pedirá que o Senado se manifeste sobre a sua declaração. Ao Valor, Serra disse que o diretor “cometeu um grave equívoco ao antecipar publicamente seu voto na próxima reunião do Copom”.

“Esse vazamento deve ser reprovado. Como o Senado é órgão que aprova a nomeação dos diretores do Banco Central e a quem o presidente do BC deve explicações periódicas, depois do recesso pedirei à Comissão de Assuntos Econômicos e ao plenário que se manifestem a esse respeito”, acrescentou Serra.

Para Serra, como os diretores entram na reunião sem qualquer decisão, isso garantiria, pelo menos em tese, que o voto do colegiado fosse técnico. Volpon ponderou que a estratégia do “inflation-forecast targeting” torna a decisão de política monetária não somente técnica, “bem como a impede de ser tomada antes da apresentação das projeções pela área técnica do Banco Central do Brasil, algo que somente ocorre durante a reunião do Copom”.

O senador também disse acreditar que a antecipação de voto por um diretor do BC afeta as cotações do mercado para os contratos futuros de juros. “Ou seja, há um grande potencial de ganho ou perda como consequência. Para os grandes bancos, pode significar valores elevados. Quem pode garantir que um diretor não combinou antes com um amigo?”, questionou o parlamentar.

Volpon lembrou que sua fala foi feita perante um grupo de investidores e na presença da imprensa. “Isso impede qualquer possível assimetria de informação, que poderia beneficiar algum agente de mercado.”

O Banco Central tem dito e repetido que atua para levar a inflação à meta de 4,5% no fim de 2016, mas não apenas isso, ele busca, também, a ancoragem das expectativas em prazos mais longos, como 2017, 2018 e 2019.

Não por acaso foi comemorada e mencionada por membros da autoridade monetária a queda das expectativas de IPCA para 4,5% em 2017. Em 2018 e 2019, as projeções feitas pelos agentes do mercado já estão na meta.

De volta ao artigo de Woodfrod, ao fazer um gerenciamento mais explícito das expectativas de inflação e não apenas o trabalho necessário para levar a inflação à meta no fim do ano calendário, a autoridade monetária também busca uma “curva de Phillips” menos inclinada. A curva de Phillips relaciona inflação e desemprego. O ponto é que quando o Banco Central convence os agentes de mercado, a sociedade e os demais formadores de preços que a inflação sempre retornará rapidamente à tendência estável de longo prazo, menor será o custo – expresso aqui por aumento do desemprego – para trazer a inflação de volta à meta.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Corte de meta fiscal derruba confiança

O mercado reagiu mal à redução do esforço fiscal. A diminuição maior que a esperada da meta de superávit primário para 2015 e os próximos dois anos abalou a confiança dos investidores, provocando forte desvalorização do real e queda acentuada da BM&FBovespa.

Para analistas, o corte da meta de superávit em 2015, de 1,1 para 0,15% do PIB, além de aumentar as dúvidas quanto à manutenção do grau de investimento da economia brasileira, reduz o espaço para o Comitê de Política Monetária (Copom) desacelerar o ritmo de alta dos juros.
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“Tem efeito deletério no curto prazo, mas, além disso, diminui a credibilidade da política econômica e tem impacto na confiança dos investidores e no investimento”, disse Gustavo Rangel, economista-chefe para América Latina do ING.

Ontem, o Ibovespa caiu 2,18%, para 49.807 pontos, a quinta queda consecutiva, acumulando recuo de 4,84% na semana e zerando os ganhos do ano. “O mercado está embutindo um cenário de ‘downgrade’ [rebaixamento] do rating soberano”, informou Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

Já a cotação do dólar subiu ontem 2,15%, para R$ 3,2939, o maior valor neste ano. Os juros negociados no mercado futuro também subiram tanto nos contratos de prazos curtos quanto longos.

Segundo cálculos da gestora Quantitas, caiu de 89% para 72% a chance de o Copom elevar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na quarta-feira. Enquete feita pelo Valor com analistas de 30 bancos e consultorias mostra que dois terços esperam alta de 0,5 ponto. Isso reflete a percepção de que, com a redução da meta de superávit primário, será menor a contribuição do esforço fiscal para controlar a inflação.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Novidade na paisagem: Torre do Estádio de Remo, na Lagoa, está pronta

Tem novidade na paisagem da Lagoa. Ficou pronta dias atrás a nova torre do Estádio de Remo, erguida próximo ao Lagoon. Ela tem quatro andares, dois deles fixos, e outros temporários, que serão montados apenas para grandes competições. A próxima etapa é a instalação da tecnologia de dados e cronometragem para as provas. A estrutura montada pelo governo do estado já será usada no evento-teste dos Jogos, em agosto.

Fonte: Globo
Foto: Salvador Scofano/ Divulgação
Postado por: Raul Motta Junior

A retomada dos fundos imobiliários

Se no setor imobiliário ninguém arrisca dizer que o pior já passou, na bolsa, as carteiras que investem nesse mercado já esboçam reação. Depois de amargar perdas por dois anos, as cotas dos fundos imobiliários voltaram ao campo positivo. No primeiro semestre, o retorno médio foi de 7%, segundo dados da Quantum. Só com a distribuição de dividendos, principal atrativo para o investidor pessoa física diante da isenção tributária, a rentabilidade chegou a 5,5% no período, superando a variação do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) líquido de Imposto de Renda.

Para o diretor de fundos imobiliários da Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG), André Freitas, a percepção de que o valor de mercado dos fundos listados estava muito baixo contribuiu para a retomada, assim como o dividendo alto e a proximidade do fim do ciclo de aperto monetário. Gestores, contudo, ainda veem o movimento com cautela, porque o ajuste no setor continua.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Inflação alta vira problema para fundo de pensão bater meta

A aceleração da inflação neste ano tende a dificultar o cumprimento das metas atuariais pelas entidades de previdência complementar. Com uma projeção de 9,15% para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo relatório de mercado do Banco Central, e os juros médios de 5,5% relativos ao passivo dos planos, o objetivo anual de rentabilidade dos fundos de pensão chega próximo de 15% – nível bastante alto para ser atingido, principalmente no ambiente apático em que se encontra a economia brasileira.

“Acho difícil a indústria bater a meta neste ano”, diz José Ribeiro Neto, presidente da Abrapp, associação que representa as fundações. O executivo avalia que as melhores expectativas em relação ao ajuste fiscal e à retomada da economia no segundo semestre não devem se concretizar. Em razão do cenário negativo, o desempenho de outras aplicações que não aquelas atreladas aos títulos do Tesouro Nacional, como ativos de renda variável ou operações estruturadas perderão em desempenho.

Por outro lado, lembra, as aplicações no exterior tendem a trazer bons resultados. As operações de empréstimos a participantes também devem contribuir positivamente, uma vez que o retorno está atrelado à meta atuarial de cada plano. No entanto, esses dois investimentos representam menos de 4% da carteira média do setor.

A perspectiva sobre o cumprimento da meta atuarial muda de acordo com as carteiras e o passivo de cada plano. Para o vice-presidente de Investimentos da SulAmérica, Marcelo Mello, quem estiver mais posicionado em títulos do governo, principalmente atrelados à variação do IPCA, aproveitará os retornos mais gordos pagos pelo Tesouro Nacional por causa do arrocho da política monetária e garantindo a rentabilidade para seu passivo.

Essa estratégia pode servir, inclusive, para planos com obrigações indexadas a outros índices de inflação, como o IGP-M e o IGP-DI. As projeções de analistas de mercado captadas pelo BC indicam alta de 7,46% e 7,64%, respectivamente, para esses dois indicadores em 2015. “Tudo vai depender muito de como está a composição das carteiras, mas a rentabilidade total pode ser um pouco prejudicada”, enfatiza Mello.

De acordo com os dados mais recentes da Abrapp, associação que reúne as entidades de previdência complementar, o sistema tinha, em março, 65% de seu patrimônio alocado em renda fixa. Do total, apenas 12,7% de seu patrimônio estava aplicado em títulos públicos e 48,4% em fundos de investimento em renda fixa. Ações e fundos de investimento em renda variável correspondiam, juntos, a 24% dos recursos geridos pelas entidades.

“Os que estiverem mais expostos terão perdas maiores em todos os ativos que não acompanham a inflação, como nos mercados de ações e de imóveis”, diz o professor de finanças José Roberto Savoia, da FEA-USP, ex-secretário de Previdência Complementar. “É uma situação de um jogo perverso. Na melhor das condições, os fundos conseguem se proteger”. Ele lembra que, na busca pelo rendimento, a isenção do Imposto de Renda concedida às aplicações financeiras feitas pelas fundações é um diferencial vantajoso para o resultado, mas ainda há os custos.

O Valia, fundo dos funcionários da Vale, é um exemplo de que existe a dificuldade para se atingir a meta, mesmo tendo recorrido à segurança dos títulos públicos atrelados à inflação.

Segundo Maurício Wanderley, diretor de investimentos e finanças da fundação, no consolidado dos três planos que somam R$ 19 bilhões de patrimônio, 76% estão aplicados em renda fixa, dos quais 90% em papéis com rentabilidade atrelada ao IPCA. Ainda assim, nos primeiros seis meses deste ano, o retorno nominal global obtido por todas as classes de ativos ficou em 7,07% ante uma meta atuarial para o mesmo período, de 9,3%. “Os títulos do governo atrelados à inflação são uma proteção natural. Eles amenizam o impacto, mas não eliminam o risco”, disse o executivo.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Início de aperto monetário nos EUA ainda divide Fed e mercado

Com Grécia e China dando um tempo para o mercado, os olhos se voltam novamente para o Federal Reserve (Fed, banco central americano), no sentido do momento da alta de juros e de sua velocidade. O dólar forte segue como uma consequência clara das expectativas de que o aperto está próximo, embora a própria curva futura de juros nos Estados Unidos não reproduza as expectativas do próprio BC americano, expressas no “gráfico de pontos”.

Dos 17 participantes do Fomc (comitê de mercado aberto do Fed), apenas dois esperam a primeira alta de juros em 2016. Dos 15 restantes, que esperam aumento das taxas neste ano, cinco projetam apenas uma elevação (possivelmente dezembro); outros cinco esperam duas elevações (setembro e dezembro); e os cinco restantes, três altas, o que não parece mais viável, já que a presidente do Fed, Janet Yellen, disse que a ação acontecerá em reuniões seguidas de conferência de imprensa, o que ocorrerá apenas em setembro e dezembro.

Em outras palavras, há um consenso de que a partida para o processo de normalização da política monetária se dará ainda neste ano, mas os agentes expressam nos juros embutidos nos títulos curtos uma visão bem mais “dovish” (menos inclinado ao aperto monetário) que os membros do Fed.

Se o mês de setembro, depois da fala de Yellen, parece uma aposta bastante viável, a despeito da dependência dos dados, não há como colocar lá todas as fichas. As visões estão divididas, com o mercado ainda projetando taxas menores do que o próprio BC americano.

O Standard Bank, em nota, pontua que o juro futuro projeta para dezembro de 2016 algo em torno de 1%, mas, para a instituição, a taxa estaria entre 1,5% e 1,75% no período. “Isso porque sentimos que o Fed terá de alterar as taxas mais de acordo com as suas próprias previsões do que [de acordo com] os preços no mercado, a fim de obter uma inversão para baixo da curva.” O banco reitera que, “com o tempo, será importante que os retornos de longo prazo subam, como parte do processo de aperto. Se não acontecer, o Fed pode ter de pressionar a política monetária um pouco mais fortemente do que o mercado está assumindo.”

Já o BNP Paribas diz que “até agora, em 2015, as decisões políticas têm sido unânimes e aparentemente seguiram a condução da presidente”. Desta forma, é “improvável que a primeira alta seja um momento para divisão” do comitê. Em levantamento próprio, o BNP acha possível que os cinco pontos (do gráfico) que projetam duas altas neste ano pertencem a Yellen, Fischer (vice-presidente do Fed), Dudley (Nova York), Powell (diretor) e Lockhart (Atlanta).

Yellen, diz o estudo, poderia estar em qualquer campo. “No entanto, estamos inclinados a pensar que tanto Fischer como Dudley estão votando com a presidente, e não contra ela. Assim, para Yellen estar no grupo que espera uma alta, teríamos que assumir que o núcleo do Fomc (Yellen, Fischer e Dudley) fraturou. O nosso melhor palpite é que o trio continua unificado em favor de duas altas até o fim do ano, enquanto Lockhart e Powell foram os que se deslocaram para o grupo que espera uma alta.” O BNP projeta elevações de juros em setembro e dezembro.

O Nomura, por outro lado, considera que os indicadores econômicos ainda estão muito ambíguos para uma ação do Fed em setembro. “Levando em conta esses fatores, bem como a retórica do Fomc, há uma sugestão de que o comitê provavelmente teria que ver os dados econômicos notavelmente melhores para dar o primeiro passo para aumentar as taxas de juro de curto prazo”, dizem os economistas da casa.

A instituição financeira acha mais provável a primeira alta em dezembro, mesmo esperando que a economia americana cresça acima da tendência – a um ritmo entre 2,5% e 3,0% – no segundo semestre deste ano.

Fonte: Valor Econômico
postado por: Raul Motta Junior