Monthly Archive: April 2015

BC segue o script e eleva Selic a 13,25%

O Banco Central (BC) aumentou ontem o juro básico da economia em 0,50 ponto percentual, para 13,25% ao ano, maior percentual desde dezembro de 2008, por considerar que os progressos feitos até agora no combate à inflação ainda não são suficientes.

O breve comunicado divulgado logo após a reunião não dá indicações claras se o Comitê de Política Monetária (Copom) pretende parar de subir os juros ou diminuir o ritmo de aperto, em linha com a comunicação reiterada por representantes do BC nas últimas semanas de que a política monetária “foi, está e continuará vigilante” para cumprir o centro da meta de inflação, de 4,5%, em dezembro de 2016. A próxima reunião do Copom ocorre nos dias 2 e 3 de junho.

A nota à imprensa divulgada pelo Banco Central é praticamente cópia das divulgadas em reuniões anteriores: “Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 13,25% ao ano, sem viés.”

Nos encontros anteriores, o Copom sinalizou, ao poucos, qual seria sua decisão seguinte. A ata de cada um dos encontros deixou portas abertas para altas tanto de 0,25 ponto como de 0,5 ponto, e pronunciamentos de autoridades do BC indicaram mais claramente a opção por um aperto mais forte.

A repetição do comunicado do Copom surpreendeu e é uma indicação de que uma nova alta de 0,5 ponto da Selic na reunião de junho segue no páreo, segundo a economista da Tendências Consultoria Alessandra Ribeiro.

“Esperávamos alguma mudança no comunicado para indicar redução de ritmo para junho”, afirma Alessandra, lembrando que a leitura da ata na semana que vem ficou ainda mais importante agora, de onde pode vir algum sinal que possa balizar as apostas daqui para frente.

Para a economista, o Copom parece tentar passar um recado ao mercado de que pode ir com a Selic para além dos 13,5% ao ano – algo já precificado pelo mercado. E, com isso, tentar levar as expectativas para a inflação para a meta. “Acho que o BC está tentando inverter a cabeça do mercado para ancorar expectativas para 2016″, afirma.

O comunicado conciso e idêntico ao anterior dá ao BC “o benefício do tempo” para avaliar o desempenho da atividade, da inflação e a evolução do câmbio para conduzir as expectativas do mercado até o próximo encontro, segundo o do diretor de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos. “A ata, que será publicada na semana que vem, pode fornecer informações úteis sobre como o Banco Central vê o balanço de riscos para a inflação e o crescimento, pistas sobre o quão perto da inflação projetada para o fim de 2016 está perto da meta, de 4,5% e, portanto, se o Copom pode encerrar o ciclo na reunião de junho”, afirma Ramos.

Para o economista, se o câmbio se estabilizar perto de R$ 3,25, o BC deve encerrar o ciclo com mais uma alta de 0,25 ponto percentual em junho. Mas não está completamente descartada a possibilidade de estabilidade da taxa na próxima reunião, caso a inflação surpreenda para baixo e o dólar ceda.

Entretanto, se o dólar subir para um nível mais alto, entre R$ 3,30 e R$ 3,35, então, o risco de outra alta de 0,5 ponto em junho vai crescer significativamente.

“Em nossa opinião, reancorar as expectativas e conduzir a inflação de volta à meta é um objetivo chave para que se reequilibre a economia”, acrescenta Ramos.

Já o chefe de Pesquisas Econômicas para América Latina do Barclays, Bruno Rovai, considera mais provável que o ciclo de aperto monetário tenha sido encerrado ontem “Com a política fiscal mostrando melhora em junho, a inflação anual estabilizada, uma coleção de dados de atividade fracos, confirmando recessão, principalmente do lado do mercado de trabalho, o Copom deve manter o juro inalterado na próxima reunião”, afirma.

Essa foi a primeira reunião com a participação dos novos diretores, Octavio Damaso (regulação) e Tony Volpon (assuntos internacionais), que votaram em linha com o presidente, Alexandre Tombini, e os demais diretores.

Projeções apresentadas pelo Banco Central no seu mais recente relatório de inflação indicam uma variação do IPCA de 4,9% em 2016, no chamado cenário de referência, que tomava como pressuposto a manutenção da Selic em 12,75% ao ano. Com a alta dos juros de ontem é possível que essa projeção tenha cedido um pouco mais. Para 2015, a projeção do BC era uma variação de 7,9% no IPCA.

Na última medição, o índice oficial apontava 8,22% no acumulado em 12 meses (IPCA-15 de abril). O Focus estima IPCA de 8,25% no fim deste ano e 5,6% no fim de 2016, ainda cima da meta de inflação e da própria projeção da autoridade monetária.

A mensagem dada até aqui por Tombini e outros membros do colegiado é de que política monetária seguirá vigilante para assegurar que os efeitos dos ajustes de preços relativos “fiquem circunscritos ao curto prazo e para que o IPCA convirja para o centro da meta de 4,5% no fim de 2016″.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Liquidez incentiva captações em euros

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Emissores de fora da Europa estão aproveitando os juros baixos da região para captar recursos em euros. Ontem, a BlackRock se juntou ao grupo e iniciou uma oferta de bônus denominados na moeda única, os primeiros da gestora nesse mercado.

Do início do ano até o fim da semana passada, companhias e governos de fora da Europa haviam captado US$ 95,4 bilhões por meio da emissão de bônus denominados em euros, valor 58% maior que o registrado no mesmo período de 2014.

A liquidez farta e as taxas baixas na região estão sendo proporcionadas, principalmente, pelo programa de compras de ativos do Banco Central Europeu (BCE). A instituição está adquirindo, desde março, ¤ 60 bilhões em papéis de dívida ao mês, sendo a maior parte bônus soberanos da zona do euro. O programa está programado para se estender até setembro de 2016, ampliando as perspectivas de um mercado favorável às novas emissões.

Essas condições têm pressionado as taxas de rendimento dos títulos dos governos europeus e agora boa parte dos papéis é negociada com juros abaixo de zero.

Atualmente, todos bônus com vencimento de até sete anos da Alemanha operam com taxas de juros negativa. Há um ano nenhum bônus do país operava nesse território. Ontem, o papel com vencimento em sete anos tinha rendimento de -0,1%. O título de referência de dez anos estava com juros de 0,166% e alguns analistas dizem que é apenas uma questão de tempo até essa taxa também entrar no vermelho.

Ontem, o governo da Polônia se tornou o primeiro país emergente a emitir bônus soberanos com taxa negativa. O país captou 580 milhões de francos suíços por meio da emissão de bônus que vencem em três anos e oferecem taxa de -0,213%.

O setor privado tem tirado vantagem da queda nos juros dos papéis soberanos, que balizam as taxas do mercado. A BlackRock está realizando uma série de encontros com investidores para uma possível oferta de bônus em euros, os primeiros da gestora nesse mercado. O objetivo da instituição, que tem quase US$ 5 trilhões em ativos sob gestão, é vender ¤ 700 milhões em bônus de 10 anos com rendimento abaixo de 1,3%.

Grandes companhias americanas já emitiram bônus denominados em euros este ano. De acordo com dados da Dealogic, emissores dos Estados Unidos venderam cerca de ¤ 29 bilhões em bônus no mercado da zona do euro em 2015, o maior volume já registrado para esse período. Estrategistas do banco Société Générale esperam que as emissões globais de bônus em euros registrem recorde neste ano.

Os emissores europeus, entretanto, não estão tão ativos quanto os estrangeiros. Segundo a Dealogic, as emissões de bônus em euros por companhias e governos da Europa somam US$ 468,8 bilhões desde o início do ano, volume 25% menor que o observado no mesmo período de 2014. Esse é também o menor montante para esse intervalo desde 2004. (com agências internacionais)

Fonte: Valor Econômico
Foto: Shutterstock
Postado por: Raul Motta Junior

Santander Brasil vê lucro subir 15% no trimestre, para R$ 1,6 bilhão

O Santander Brasil fechou o primeiro trimestre com lucro líquido consolidado de R$ 1,6 bilhão, o qu e representa alta de 15,5% sobre o mesmo período do ano passado, excluindo o impacto da despesa com amortização de ágio. Com esse efeito, o lucro líquido foi de R$ 683,8 milhões, com crescimento de 31,9%.

A projeção média de seis analistas consultados pelo Valor era de lucro de R$ 1,4 bilhão.

A carteira de crédito cresceu 5,2% em relação a dezembro de 2014 e 15,3% em 12 meses, alcançando R$ 258,236 bilhões. Excluindo as provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD), no total de R$ 14,08 bilhões, a carteira de crédito líquida teve expansão anual de 16,9%.

Os empréstimos a grandes clientes foram os protagonistas na área de crédito do Santander Brasil no primeiro trimestre. Essa carteira cresceu 39,5% em 12 meses, alcançando R$ 110,5 bilhões, ajudada pelo efeito cambial. Mesmo sem esse impacto, a expansão teria sido de 25,3%.

Por outro lado, as operações com pequenas e médias empresas caíram 0,7% na mesma comparação, para R$ 31,6 bilhões, e o financiamento ao consumo encolheu 3,3%, para R$ 36,2 bilhões.

O índice de inadimplência acima de 90 dias foi de 3,3% da carteira total, com redução de 0,4 ponto percentual em 12 meses.

O Santander Brasil deu início à temporada de divulgação de resultados do primeiro trimestre entre a s instituições financeiras no país. O resultado global do Banco Santander, divulgado mais cedo, foi de 1,72 bilhão de euros – sendo que o Brasil teve a maior contribuição individual, de 21%.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Juros de longo prazo revelam ceticismo

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Em fevereiro, pouco mais de um mês após ter assumido o cargo de ministro da Fazenda, Joaquim Levy afirmou que, se os ajustes propostos pelo governo fossem entregues, as taxas de juros de longo prazo, aquelas que importam ao investidor, cairiam. Naquele momento, o juro real de longo prazo, medido pela NTN-B 2050, estava em 6,12%. Passados dois meses, esse papel continua sendo negociado praticamente à mesma taxa, a 6,11%. Isso a despeito da melhora da perspectiva para o ajuste fiscal e das condições de liquidez global, que afetam diretamente o câmbio.

“Essa taxa é custo na veia [para o governo] e reduzi-la é importante em um processo de restabelecimento da credibilidade e estabilidade financeira”, afirma o ex-diretor de Política Monetária do Banco Central e atual sócio da Mauá Sekular Luiz Fernando Figueiredo.

A NTN-B paga ao investidor uma taxa prefixada mais a variação do IPCA. Por isso, representa o juro real esperado pelo mercado. A taxa do papel com vencimento em 2050 já caiu para baixo de 4%, no fim de 2012, e testou os 7%, quando houve um movimento internacional de desalavancagem em função da aposta em elevação de juros nos Estados Unidos. Mas, desde a eleição da presidente Dilma Rousseff, esse rendimento não consegue recuar para menos de 6%.

O que chama a atenção dos especialistas é que, desde o fim de março, o mercado passou por um ajuste de preços, seguindo uma melhora do apetite por risco global. A volatilidade do dólar diminuiu, abrindo espaço para investidores estrangeiros voltarem a aplicar nos atrativos rendimentos oferecidos por aqui. Na cena local, o auge da instabilidade política ficou para trás e a sensação de paralisia do Congresso arrefeceu, encerrando a discussão sobre a saída de Levy do posto de escudeiro do ajuste fiscal. Com tudo isso, o juro longo resiste.

“O mercado está mostrando que não tem certeza de que o governo alcançará a meta de 1,2% do PIB de superávit”, diz Figueiredo. “Esse é um governo que não cumpriu nenhum compromisso ao longo do primeiro mandato e, agora, precisa entregar alguma coisa para que os prêmios caiam de forma mais consistente.”

Figueiredo explica que o juro de longo prazo embute vários elementos: expectativa de política monetária, risco-país e perspectiva para inflação. “E quando se fala de risco, há um componente fiscal muito forte”, diz. A fraqueza da atividade econômica, que afeta a geração de receita do governo, e um ambiente ainda instável politicamente impõem uma dose de ceticismo sobre o tema. “Acho que houve avanços em muitas áreas, mas é fundamental que o governo insista na meta de 1,2%, aprove as medidas propostas e mostre resultados efetivos para reverter esse quadro”, afirma. “Por isso, as próximas duas ou três semanas serão muito importantes”.

Quando a meta fiscal foi estabelecida, o mercado a considerou ousada. Assim, assumiu o discurso de que, mesmo que o resultado ficasse abaixo de 1,2%, a reversão da tendência já seria boa notícia. Porém, a dificuldade de negociar com o Congresso e mesmo o nível de desajustes mostraram-se maiores. “O mercado entendeu que o esforço deste governo terá de ser muito maior e o resultado pode não vir tão cedo”, afirma o gestor de um grande fundo.

Talvez por isso o Banco Central (BC) tenha mostrado recentemente uma postura muito mais firme na condução da política monetária. Desfez a expectativa do mercado de que o ciclo de alta de juros poderia terminar em abril ao dizer que o BC “foi, é e será” vigilante e reforçou o compromisso em alcançar o centro da meta de inflação em 2016. O que analistas veem é que a ajuda do aperto fiscal pode vir mais tarde do que se imaginava e que a contribuição da política monetária na conquista da credibilidade pode ser mais necessária.

A visão de que o BC pode subir mais a Selic e mantê-la alta por tempo prolongado também ajuda a explicar a pressão sobre o juro longo, diz o diretor do UBS Wealth Management, Francisco Levy. Essa aposta justifica a inclinação negativa ao longo dos vencimentos dos contratos de juros: as taxas mais curtas estão mais altas que as longas. A questão é que esse movimento, que sugere confiança no rumo da política monetária, ocorre com uma alta forte dos vencimentos mais imediatos e não por meio da queda dos contratos de prazo mais distentidos.

Levy diz que houve algum recuo dos juros longos – em meados de março, período em que as tensões políticas se agravaram e o dólar superou os R$ 3, a taxa da NTN-B atingiu 6,54%. Porém, boa parte do alívio teve a ver com a redução da volatilidade do câmbio, no exterior e no Brasil, e com uma retomada do apetite global por risco. “Mas como há dúvidas sobre se o mundo continuará líquido diante da perspectiva de alta de juros americanos, o fluxo é mais contido para os contratos mais longos.”

Até mesmo se for comparado ao Credit Swap Default (CDS), espécie de proteção contra calote, a melhora das NTN-Bs foi bem mais modesta. O diretor operacional da Tullett Prebon, Christiano Clemente, lembra que, quando o papel do Tesouro pagava 6,54%, o CDS de cinco anos tinha um custo de 310 pontos base. Hoje, reduzida a ameaça de um rebaixamento da nota soberana – por causa de sinais emitidos pelas agências de rating e devido à publicação do balanço da Petrobras -, esse contrato é negociado a 220 pontos-base. “Está acima da média do ano, de 185 pontos, mas teve uma melhora muito mais expressiva que o título do Tesouro”, afirma. “Isso mostra que, talvez, o juro real de equilíbrio esteja mais perto de 5,5% do que de 4,5%.”

Para Figueiredo, da Mauá, embora haja tantas incertezas, “o juro longo é uma oportunidade”. “O Brasil está em um processo de correção das políticas fiscal e parafiscal, ajuste das tarifas públicas, política monetária apertada e câmbio mais adequado”, diz. Se essas mudanças avançarem, prevê, o juro do papel de longo prazo pode cair para um nível entre 4% e 5%. “Mas isso só deve ocorrer ao longo dos próximos dois anos, se o governo entregar a meta fiscal”.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Companhias já preparam emissões externas

Com a publicação do balanço da Petrobras, companhias brasileiras já se movimentam para fazer emissões de bônus no exterior. O Valor apurou que pelo menos uma grande empresa deve anunciar uma operação até o fim da próxima semana.

Segundo fonte a par do assunto, esse emissor pretende recomprar papéis antigos que estão em circulação no mercado e ofertar novos títulos para alongar sua dívida.

Não deve ser um caso isolado. Embora não se seja esperada uma enxurrada de emissões, há várias companhias estudando a possibilidade de acessar investidores internacionais. Em geral, são grupos exportadores e com grau de investimento.

Os bancos contam com uma captação do Tesouro Nacional, que teria principalmente a função de reabrir o mercado externo para operações brasileiras, interrompidas em novembro.

Segundo gestores e executivos de bancos ouvidos pelo Valor, uma captação soberana seria importante para testar o apetite por Brasil e chancelar uma referência de preços. Dois banqueiros acreditam que o Tesouro poderá agir rapidamente, já na próxima semana, puxando a fila de operações brasileiras. Outra fonte considera mais provável uma emissão soberana daqui a duas ou três semanas, esperando que os spreads brasileiros melhorem um pouco mais.

Os spreads dos bônus soberanos brasileiros estão cerca de 30 pontos-base acima do prêmio cobrado pelos papéis do México, emissor com perfil semelhante. “Tem espaço para uma melhora paulatina, vai haver uma acomodação”, diz um banqueiro.

A própria Petrobras pode captar no exterior, mas a expectativa nos bancos é que ela aguarde um pouco mais. O termômetro para a empresa é o desempenho dos bônus no mercado secundário.

Ontem, os spreads dos bônus da estatal recuaram cerca de 70 pontos-base nos papéis de vencimentos mais curtos e em torno de 25 pontos nos bônus de dez anos. Os papéis com vencimento em 2024 voltaram a ser negociados acima dos 100% do valor de face, depois de chegarem a cair para menos de 90% em meados do mês passado.

Apesar da recuperação, os preços seguem abaixo dos patamares em que eram negociados antes do atraso na divulgação no balanço. “O movimento de hoje [ontem] mostra que ainda havia investidores céticos com a empresa. Não estava tudo no preço”, diz fonte de um banco estrangeiro.

“O problema neste momento não é de demanda, mas de preço”, afirma outra fonte. Um sinal da farta liquidez e do apetite a risco dos investidores foi a captação da petroleira argentina YPF, que fechou ontem uma emissão de bônus de dez anos de US$ 1,5 bilhão.

De qualquer forma, a retomada das emissões brasileiras deve começar por empresas com grau de investimento. Uma volta de operações de companhias de perfil mais arriscado (“high yield”, no jargão do setor) levará mais alguns meses, afirmam fontes de bancos de investimento.

Dados da Moody’s mostram queda de 9,5% no primeiro trimestre, para US$ 3,4 bilhões, no volume de títulos “high yield” emitidos por empresas da América Latina em relação a igual período de 2014. Essa é a categoria na qual os bônus da Petrobras se encaixam na metodologia da agência de classificação de risco.

Para a Moody’s, as emissões com esse perfil devem ter crescimento modesto neste ano na região.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Crédito bancário fica mais caro para grandes empresas

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O custo do crédito local para as grandes companhias brasileiras subiu de forma rápida e significativa neste início de ano, em meio à percepção dos bancos de que o risco de calote subiu.

Segundo relatos ao Valor de executivos das principais instituições financeiras do país, o começo de 2015 trouxe uma oportunidade de reajuste das taxas de juros cobradas das companhias de grande porte como não se via desde a crise de 2008, apesar de o preço ainda ser bastante inferior àquele do auge da crise financeira mundial.

O resultado foi um aumento no spread bancário, a diferença entre o custo de captação e empréstimo, desde o começo deste ano. Dados do Banco Central (BC) de fevereiro, os mais recentes disponíveis, dão uma ideia da magnitude desse ajuste. De dezembro a fevereiro, as taxas médias de juros cobradas da pessoa jurídica subiram 1,53 ponto percentual – um aumento superior ao acumulado em 2014 inteiro (0,86 ponto percentual). O reajuste feito nos empréstimos livres respondeu por boa parte desse aumento, mas o avanço nas taxas do crédito direcionado, em proporção bem maior que a do ano passado, também ajudou (ver tabela). Não custa lembrar, os números do BC incluem os diversos portes de empresas e tipos de modalidade de crédito.

Além de as empresas virem suas margens pressionadas por aumento de custos e queda de vendas, fontes tradicionais de dinheiro barato, como BNDES e outros bancos públicos, tornaram-se mais seletivas e caras. Também ficou mais difícil para alguns setores acessar a farta liquidez externa. Diante desse ambiente mais arriscado e restrito, os bancos partiram para a remarcação de suas taxas.

“O risco aumentou um pouco em algumas companhias porque o mercado ficou mais difícil, mais incerto. Os investimentos estão mais custosos, o dólar impactou balanços e algumas empresas têm dívidas em dólar. Isso aumenta o risco e, quando aumenta o risco, aumenta o spread”, afirma Alberto Fernandes, vice-presidente do Itaú BBA.

A cobrança de spreads mais altos em todas as linhas de crédito, para pessoas e empresas, terá um papel importante na determinação do resultado dos bancos ao longo deste ano. “São taxas ainda baixas [para grandes empresas], que foram de 2% ao ano para 2,5% ao ano. Mas, como são operações grandes, já há uma diferença importante para a margem financeira do banco”, diz o diretor de um dos principais bancos brasileiros.

Alguns fatores têm ajudado na escalada dos juros. Um deles é que algumas empresas estão rolando suas dívidas por incapacidade de honrá-las neste momento. “O que temos hoje são operações de curtíssimo prazo, às vezes renegociações com empresas que estão muito mal, que são operações mais caras”, afirma Fernandes.

O fechamento do mercado internacional para a emissão de bônus de empresas brasileiras também criou uma oportunidade extra para os bancos. Sem ter muitas opções de crédito, as companhias aceitam pagar mais caro. “Até esperávamos um volume menor de operações de crédito neste ano, mas, talvez por não ter mercado de capitais, o volume se mantém igual ao do ano passado”, diz João Consiglio, vice-presidente do Santander.

Fernandes, do Itaú BBA, relativiza o aumento dos spreads. “Já passamos por crises anteriores em que o aumento dos spreads foi muito maior. Eram momentos em que uma desvalorização do real pegava as empresas com dívidas de curto prazo e era um Deus nos acuda. Não é o que acontece hoje, nem de longe”, afirma Fernandes.

Em outra ponta, os custos de captação dos bancos estão mais estáveis, o que explica a melhora dos spreads. De dezembro a fevereiro, o custo de captação do funding do crédito para empresas subiu 0,4 ponto percentual. Embora o juro doméstico esteja em alta, as instituições têm captado via linhas externas, mais fartas e baratas, o que, na média, tem mantido o custo de captação sob controle. É o cenário que tem vivido o ABC Brasil, afirma Alexandre Sinzato, diretor de relações com investidores do banco.

O aumento nas taxas cobradas também varia de acordo com o quanto a companhia se ajustou para um período de mais dificuldade, reduzindo, por exemplo, os vencimentos de curto prazo. “A formação do preço está ligada também ao trabalho de preparo que a empresa fez nos últimos anos para um momento como o atual. Dependendo do tipo de empresa, cabe aplicar uma taxa mais alta”, afirma Sinzato. “O que temos feito é pôr o cenário de maior incerteza na economia no preço das operações.”

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Até onde as taxas europeias podem cair

As taxas de juros dos títulos públicos europeus caíram fortemente ao longo da semana passada, com exceção óbvia dos gregos, em trajetória inversa para níveis que alcançaram quando da última reestruturação de sua dívida, em 2012.

Nos dois casos, é difícil prever onde estará o limite, já que para os países da zona do euro, em recuperação mais clara e diante de expectativas de que a queda da inflação encontrou um piso, o comportamento dos retornos dos títulos deveria, em tese, ser o contrário, de elevação.

Para a Grécia, os desdobramentos cada vez mais intrincados da negociação com os credores pode redundar em duas saídas: uma solução que libere a última parcela de ¤ 7,2 bilhões pendente com a troica (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) ou um novo calote, um risco crescente e já tratado como uma possibilidade real pelo mercado.

Depois da negativa do Fundo Monetário Internacional (FMI) em adiar os prazos para o pagamento dos próximos vencimentos, a reunião do Eurogrupo e dos ministros das Finanças da zona do euro na sexta, 24, passa a ser a próxima possibilidade de solução, mas há quem duvide que o governo grego apresente propostas convincentes em termos de reformas aos credores, ponto que impediu um avanço nas conservações durante a reunião do FMI e do G-20.

Claramente a dinâmica dos títulos negociados na união monetária já mudou e deve mudar ainda mais com as compras de ativos pelo Banco Central Europeu (BCE).

São ¤ 60 bilhões mensais, divididos entre ativos soberanos e privados, sendo que a maior parte dos soberanos pertence a Alemanha e França, que têm a maior participação na composição de capital do BCE.

Mais por esta razão, e não pelo cenário econômico, a tendência é de queda para as taxas dos papéis (yields) nos próximos meses.

Na Alemanha, referência do mercado europeu, os juros estão negativos em títulos de curtíssimo prazo (de um mês) e até nos que têm maturidade de oito anos. Os títulos com vencimentos em até três anos já estão com retornos mais negativos do que a taxa de depósito do BCE (- 0,20%), o que os impedem, pela regra definida, de ser adquiridos no âmbito do programa de compras do banco central.

Na conferência de imprensa de Mario Draghi, após a última reunião de política monetária, esse tema foi levantando. Quando perguntado se havia a hipótese de nova redução na taxa de depósitos para “acolher” títulos com retornos mais negativos do que 0,20%, a resposta do presidente foi “não”. Mas a realidade pode impelir a autoridade monetária a mudar de opinião.

Outra questão é que o yield do papel alemão de 10 anos vem rompendo, reiteradamente, suas mínimas históricas, e encerrou a semana em 0,07%, ante 0,15% na segunda, dia 13. Analistas e estrategistas já levantam a hipótese de que o juro caia ainda mais para próximo de zero no curto prazo. A maioria ainda não vê o juro de 10 anos abaixo de zero, à parte um ou outro caso, mas no cenário pouco usual de política monetária não se pode descartar esse quadro – o que seria um problema para o BCE.

Uma dessas exceções é a opinião de Steven Barrow, do Standard Bank, para quem “não vai demorar muito até que o retorno de 10 anos esteja abaixo de zero; ainda pensamos que ele estará em torno de zero no fim do ano. Isso é bem abaixo do consenso”. De fato, pesquisa recente feita por um veículo estrangeiro indicou que a previsão média do mercado para o quarto trimestre é de retorno de 0,55% para os títulos alemães de 10 anos.

Segundo análise de Barrow, “se estivermos certos – e o consenso errado – o euro vai cair muito mais”, a menos que os juros longos dos EUA caiam também, mantendo o prêmio entre os títulos de 10 anos americano e alemão perto dos níveis atuais, de cerca de 178 pontos base, em vez dos 250 pontos que o Standard espera.

Considerando que a tendência nos EUA é de alta dos juros, não é difícil desenhar esse quadro.

O imbróglio Grécia também está afetando fortemente as expectativas dos agentes. Os retornos dos papéis gregos de dois a dez anos subiram fortemente ao longo da semana.

A taxa de dois anos, que expressa mais a possibilidade de default da dívida, fechou a semana em 26,9%, ante 21,4% no início; o de cinco anos subiu para 18,7%, ante 15,9%; e o de dez anos encerrou a semana em 12,85%, ante 11,6% na segunda-feira.

Embora autoridades europeias refutem a possibilidade de contágio para os demais ativos europeus, principalmente os demais países periféricos, o mercado vai ficando mais cauteloso à medida que as datas críticas para o governo grego se aproximam.

Na semana passada, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, disse à “Reuters” estar “firmemente otimista” que seu governo vai chegar a um acordo com os credores estrangeiros até o fim deste mês, apesar da falta de concordância em temas como pensões e reforma trabalhista.

Além de vários vencimentos de dívida curta grega (T-bill) nas próximas semanas, nos dias 1 e 12 de maio o país tem de pagar ¤ 960 milhões ao FMI (¤ 200 milhões no primeiro vencimento e ¤ 760 milhões no segundo). Em junho, mais ¤ 1,6 bilhão tem de ser pago para a instituição. Resta saber se o país aguentará até lá.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Banco dos Brics deve começar a operar no início do próximo ano

O Banco dos Brics deve começar a funcionar no início de 2016, informaram fontes que negociam a estrutura da instituição, nesta semana, durante a reunião de primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, em Washington.

Nos encontros entre autoridades do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul houve um avanço na montagem do novo banco e foram definidas as regras de funcionamento e a estrutura do fundo de US$ 100 bilhões que será utilizado para ajuda financeira dos integrantes do bloco.

Ficou acertado que os países terão que indicar os seus representantes no banco até o fim de abril. A sede será em Xangai, na China, a presidência do banco será da Índia e o Brasil ficou com a presidência do conselho de administração. Os nomes dos executivos serão definidos na próximas duas semanas.

Em Washington, os representantes dos países decidiram criar uma entidade jurídica provisória – uma sociedade de propósito específica – para facilitar o trabalho preparatório para a criação do banco, nos próximos meses.

O Banco dos Brics terá US$ 50 bilhões de capital dividido igualmente entre os países. Já o fundo, chamado de Arranjo Contingente de Reservas (CRA, da sigla em inglês) terá US$ 100 bilhões na seguinte forma: US$ 41 bilhões em aportes da China, US$ 18 bilhões em cotas iguais de três países (Brasil, Índia e Rússia) e US$ 5 bilhões da África do Sul.

Nessa semana, ficou definido que o CRA terá um comitê diretor, um conselho de governadores e foi aprovado um acordo entre os bancos centrais dos países com 46 artigos com regras de funcionamento do fundo.

A aprovação do sistema de funcionamento do CRA foi considerada um passo importantíssimo para o funcionamento do fundo. O conselho de governadores será composto pelos ministros da Fazenda dos países. Quanto aos artigos, falta apenas a definição da redação final de três itens.

Pelas regras do CRA, os países que enfrentarem dificuldades de liquidez vão poder sacar até um terço do valor sem o aval do FMI. Quantias maiores terão que ser aprovadas de acordo com as regras do Fundo Monetário.

Tanto o Banco dos Brics quanto o CRA ainda precisam da aprovação dos legislativos dos países membros para que comecem a funcionar. O Congresso da Rússia já deu o aval, e a China e a Índia estão perto de fazê-lo. No Brasil, o tratado ainda está em tramitação.

Os debates em Washington foram coordenados pelo Banco Central do Brasil e pelo seu equivalente na África do Sul, o Reserve Bank. Os encontros na capital americana adiantaram as discussões sobre o CRA que serão feitas na Rússia, em julho, no próximo encontro de autoridades do bloco.

A ideia de criação do CRA surgiu na reunião do G20, em Los Cabos, no México, em 2012. Em julho passado, em Fortaleza, foi aprovada formalmente a criação do fundo e do Banco dos Brics. Ainda não foi definida uma sede física para o CRA.

O PIB dos Brics é de US$ 16,2 trilhões. São três bilhões de pessoas em cinco países, o equivalente a 40% da população mundial.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Renascimento europeu

uniao europeia

A Europa é a bola da vez dos mercados de ações globais. Mesmo com a já representativa alta das bolsas locais neste ano em meio à visão mais otimista sobre a economia da região, gestores de recursos indicam que esse é apenas o começo de um ciclo favorável aos investidores. Para aproveitar os ganhos potenciais, as instituições vêm alterando as estratégias de alocação, privilegiando principalmente os ativos do “velho continente”, onde o banco central iniciou em março um processo de expansão quantitativa (QE, na sigla em inglês) para estimular a economia.

A perspectiva de recuperação mais sustentável da região, com o início de um ciclo de crescimento que tende a refletir-se sobre os resultados corporativos e consequentemente sobre o mercado de capitais, anima especialistas, que também veem o movimento recente e acentuado de valorização do dólar sobre o euro, dentre outras moedas, como uma vantagem às exportadoras.

A maior relevância da Europa nos portfólios de investimento, contudo, não significa uma visão negativa sobre as bolsas americanas. Pelo contrário. Os fundamentos para essa economia continuam sólidos, mas os quase seis anos de retornos positivos das bolsas e a esperada alta de juros no país neste ano ou no início de 2016 levam as instituições a colocar o pé no freio no que tange às expectativas de retornos adicionais.

O movimento visto nos EUA com a implementação de seu QE é tido como uma referência do que está por vir na Europa. O bom desempenho das bolsas americanas, em meio à recuperação de sua economia desde a crise financeira, iniciada em 2007, é um prenúncio do que pode vir pela frente.

Apenas neste ano até terça-feira, a bolsa da Alemanha acumula valorização de nada menos que 24,7%, enquanto a da França tem ganhos de 22% e a da Itália, de 25%. O mercado holandês acompanha a toada positiva e registra alta de 19,2%, assim como o espanhol apresenta ganho de 14%. Uma das exceções da região, a bolsa grega perde 8,2% em 2015.

“A Europa passou muito tempo na UTI, foram sete anos desde o fim da crise financeira se restabelecendo para que voltasse a crescer de alguma maneira”, observa Ruy Alves, gestor do fundo de ações globais da JGP.

Dentre os pontos-chave que reforçam a confiança na Europa, Alves menciona a desvalorização do euro em relação ao dólar; a recapitalização dos bancos da região; o início dos sinais de crescimento da demanda por crédito na economia; as taxas de juros reais negativas, o que aumenta a atratividade do mercado de ações em relação ao de títulos; e a garantia do sistema financeiro pelo Banco Central Europeu (BCE) até o fim de 2016. “Quando há todos esses fatores, é natural que a Europa comece a se recuperar. E o ponto de partida é muito baixo”, ressalta Alves.

Ontem mesmo, o presidente do BCE, Mario Draghi, disse haver “evidências claras” de que as políticas da instituição para estimular a economia da zona do euro e fortalecer a inflação estão sendo “eficazes”.

A própria recuperação da economia americana é tida como positiva para o ciclo de retomada na Europa, mas o gestor faz um alerta à paciência do investidor: o processo não será imediato.

“A tendência é termos um pouco mais de Europa e Japão, e um pouco menos de Estados Unidos em nossa exposição a ações”, pontua Alves. “Estamos gradualmente alocando mais dinheiro e achamos que esse processo vai ser longo.”

Em julho do ano passado, o fundo global de ações da JGP concentrava 90% dos recursos nos EUA e 10% fora do país. Agora, 60% estão em papéis americanos e 40%, nos europeus e japoneses.

O foco da gestora está principalmente na Alemanha, já que Alves considera não ser necessário tomar risco no que chama de “periferia” europeia, que abrange Espanha, Itália e Portugal, todas economias muito penalizadas pela crise.

Além da Alemanha, a exposição europeia dos fundos do HSBC está acima da média de seu referencial em França e Holanda, assinala Adilson Ferrarezi, diretor de fundos multigestor do HSBC Global Asset Management. Em termos setoriais, a preferência recai sobre empresas de consumo discricionário, financeiro e industrial.

Ao chamar atenção para o caminho consistente do mercado europeu nos últimos 12 meses, Ferrarezi destaca que o início do programa de compra de ativos em março, injetando mais dinheiro na economia, e a desvalorização do euro, beneficiando as exportadoras da região, poderá ser ainda mais benéfico para as ações.

E mesmo o âmbito geopolítico, em meio às incertezas com relação à situação da economia grega, não preocupa tanto Ferrarezi, diante da pequena dimensão do país em relação ao tamanho de outros que compõem a região. Enquanto defende posicão “overweight” (acima da média do mercado, utilizando como referência o MSCI World) em Europa, o HSBC tem recomendação neutra para EUA e Japão.

Apesar da mencionada posição, os Estados Unidos seguem no radar do HSBC, ainda que não na mesma magnitude que um ano atrás. Assim como outras casas, o banco prevê uma volatilidade dos mercados com o início do ciclo de alta de juros pelo Fed, o banco central americano. “O fundamento ainda é positivo, tem muito espaço de apreciação, mas, no curto prazo, a alta de juros pode deixar o investidor um pouco propenso a realizar lucros”, assinala Ferrarezi.

Também com posicionamento neutro em relação ao mercado americano, o Citi tem visão semelhante à do HSBC. Paulo Furlan, superintendente de investimentos do banco americano, destaca ainda existir uma janela favorável no horizonte de médio e longo prazo para o país.

Assim como outras instituições, o Citi passou a ter uma alocação acima do referencial em Europa desde o fim de 2014. Furlan ressalta que a Europa conseguiu “ser muito feliz” com o aspecto temporal do afrouxamento monetário, concomitante ao momento em que os EUA se preparam para um ciclo de alta dos juros. Aliada à desvalorização do euro em relação ao dólar, a questão amplia o efeito sobre o mercado europeu em termos de lucratividade corporativa, assinala o superintendente de investimentos.

“Entendemos que há problemas geopolíticos, sociais, um arranjo institucional mais complexo de curto prazo, mas ainda vemos a situação como favorável”, indica.

A Rio Bravo Investimentos também aumentou a fatia dedicada à Europa. Se no início de 2014 a alocação era praticamente toda concentrada nos EUA, hoje 40% são destinados às bolsas do “velho continente”, diz Eduardo Levy, gestor dos fundos de diversificação e de mercados emergentes. Empresas dos segmentos farmacêutico, financeiro, de consumo pessoal e tecnologia estão no foco da gestora.

E o câmbio é um dos pontos-chave. “Em 2015, com a melhora significativa do dólar, começamos a ver sentido em alocar mais em Europa”, observa Levy. “Existe a percepção de que essa desvalorização rápida do euro vai afetar positivamente a competitividade das empresas europeias e esses resultados vão começar a aparecer ao longo dos próximos meses”, explica.

De olho no potencial das bolsas europeias, o Santander está preparando dois fundos de capital protegido com prazos de 18 meses atrelados a esse mercado para clientes do private banking e do varejo em maio e agosto, respectivamente. Aquiles Mosca, estrategista de investimentos pessoais e superintendente executivo comercial do Santander Asset Management, avalia que o cenário segue muito favorável para o “velho continente”.

“A Europa foi a única região do mundo que viveu duas grandes recessões desde crise a 2008. 2014 foi o primeiro ano em que teve um leve crescimento, mas sequer recuperou o que perdeu na primeira recessão”, afirma.

Mosca diz considerar as ações europeias baratas, ao olhar para o múltiplo preço/lucro (P/L), e ressalta que a região está bem colocada para aproveitar a própria retomada da economia americana pelo lado das exportações.

Fonte: Valor Econômico
Foto: Divulgação
Postado por: Raul Motta Junior

FMI vê riscos maiores à estabilidade financeira dos países emergentes

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Os riscos para o sistema financeiro global aumentaram desde outubro e são maiores nos países emergentes, afirmou o diretor do Departamento Monetário e de Mercado de Capitais do Fundo Monetário Internacional (FMI), José Viñals. “Para suportar as correntes globais de preços mais baixos de petróleo, aumento nas taxas de juros dos Estados Unidos e o fortalecimento do dólar, os mercados emergentes precisam aumentar a resistência de seus sistemas financeiros, solucionando as suas vulnerabilidades domésticas”, disse, de acordo com o texto do discurso preparado para a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira Global, na manhã desta quarta-feira, antecipado à imprensa.

Segundo o documento, a queda nos preços das commodities e baixas pressões inflacionárias beneficiam muitos países emergentes, proporcionando um espaço para políticas monetárias que combatem a desaceleração no crescimento. Contudo, os exportadores de petróleo e de commodities e setores que tomaram empréstimos enfrentam riscos bastante substanciais.

“A valorização do dólar trouxe riscos adicionais para companhias e países com grandes dívidas em moeda estrangeira”, apontou o FMI.

O estudo citou especificamente o setor de energia, advertindo que as tensões para o pagamento de dívidas podem se tornar mais evidentes na Argentina, no Brasil, na Nigéria e na África do Sul.

O FMI sugere a adoção de medidas macro e microprudenciais para aumentar a resistência financeira nos emergentes. “Os reguladores precisam conduzir testes de estresse nos bancos relacionados aos riscos com moedas estrangeiras e preços das commodities”, disse o Fundo, advertindo ainda para a necessidade de monitorar a alavancagem empresarial e a exposição a moedas estrangeiras, incluindo as posições em derivativos.

Viñals concluiu a apresentação do relatório dizendo que são necessárias medidas adicionais, além daq uelas utilizadas na política monetária, para consolidar uma “durável saída da crise financeira global” e garantir estabilidade fi nanceira. “Os legados da crise precisam ser enfrentados. A força das políticas monetárias precisa ser ampliada com reformas complementares e os excessos financeiros devem ser contidos. A liquidez do mercado precisa ser fortalecida e as reformas regulatórias têm que ser completadas”, afirmou o diretor do FMI.

Fonte: Valor Econômico
Foto: PCO.org.br
Postado por: Raul Motta Junior