Monthly Archive: February 2015

Retorno alto atrai estrangeiro para papel local

A combinação de juros altos e câmbio desvalorizado já reforça o apetite do investidor estrangeiro para a renda fixa local. Isso ficou claro no relatório mensal da dívida pública, que mostrou que os estrangeiros já detêm 20,21% do estoque da dívida, novo recorde. No entanto, o fato desse fluxo ser considerado volátil e a postura ainda conservadora dos investidores locais explicam a resistência da queda dos prêmios de risco pagos por esses títulos.

 

A despeito das preocupações com a capacidade do governo de fazer o ajuste fiscal e com a piora de perspectiva para a atividade, o grande diferencial de juros no Brasil em relação a seus pares torna os títulos públicos ofertados no mercado local atrativos para o capital externo.

 

O Brasil é o único país entre as grandes economias que está em processo de alta da taxa básica de juros, enquanto o mundo experimenta desde o começo do ano uma onda de afrouxamento monetário. Isso indica, segundo analistas, que a participação do estrangeiro deve continuar em alta, especialmente se as medidas fiscais começarem a ser efetivamente implementadas. “Conversando com investidores internacionais fica claro que o local está bem mais pessimista que o estrangeiro. Ninguém lá fora acredita que o Brasil vai entrar em ‘default’. Além disso, o diferencial de juros é cavalar. Não dá para ser ignorado”, diz o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

 

Prova disso é a entrada líquida de US$ 2,423 bilhões em fevereiro, até o dia 20, para títulos de renda fixa negociados no país.

 

Na avaliação do economista da Rosenberg Associados Rafael Bistafa o aumento da parcela dos estrangeiros na dívida interna também pode estar relacionado ao fato de a República até o momento não ter feito emissão no exterior.

 

Bistafa lembra que a participação dos não residentes na dívida interna ainda é moderada quando comparada a outros emergentes. Isso, por ora, diminui tensões sobre uma saída maciça desses investidores no caso de uma onda global de aversão a risco. “E mesmo que suba mais nos próximos meses não vejo uma preocupação mais séria nesse sentido.”

 

No entanto, o economista ressalva que o Tesouro tem vendido lotes consideráveis de prefixados com prazos mais curtos, o que evidencia a demanda dos investidores por papéis de curto prazo.

 

Ontem, o Tesouro Nacional realizou uma megaoferta no leilão de Letras do Tesouro Nacional (LTN), com dois terços do volume se concentrando no vencimento mais curto. O Tesouro vendeu o lote integral de 15 milhões em LTNs, sendo 10 milhões de papéis para 2016, pelos quais teve de pagar mais caro. Os prêmios pagos sobre as taxas dos contratos de Depósito Financeiro (DI) equivalentes dobraram ante o leilão de duas semanas atrás em meio ao ceticismo em relação à implementação das metas fiscais.

 

As LTNs para abril de 2016 foram vendidas com taxa máxima de 13,2199%. Esse nível representa um prêmio sobre o DI de mesmo prazo de 0,080 ponto percentual, o dobro da diferença de 0,040 ponto paga no último leilão desse vencimento, em 12 de fevereiro.

 

 

Em coletiva de imprensa, o coordenador de operações da Dívida Pública, José Franco, afirmou que o que está ocorrendo é uma demanda adicional por títulos curtos, por isso o Tesouro emitiu na semana passada e pode vir a fazer novas ofertas, mas respeitando as condições de mercado. “É uma demanda adicional. Não tem migração da demanda. Como tem vencimento de títulos curtos, é natural que o detentor venha a reinvestir.”

 

Ontem, as taxas dos contratos de DI com prazos mais longos recuaram na BM&F. Os investidores aproveitaram para embolsar lucros com a alta recente dos prêmios embutidos.

 

Já os vencimentos mais curtos, que refletem as apostas para o rumo da Selic fecharam em alta. A taxa do DI para janeiro de 2016, que embute a taxa esperada para a virada do ano, subiu para 13,12% ante 13,11% do ajuste do pregão anterior. Já a taxa do DI para janeiro de 2021 recuou para 12,55% ante 12,58% do fechamento anterior.

 

O dólar subiu 0,50% para R$ 2,8841, maior nível desde 16 de setembro de 2004, acompanhando o movimento no exterior, após dados melhores que o esperado nos Estados Unidos.

 

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Os fundos do século

O retorno tem recompensado o risco no século XXI, ao menos para um grupo de fundos. Em tempos de apego a produtos conservadores, um estudo do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas (GVcef) mostra que os seis fundos mais rentáveis do século investem em ações. A lista dos 20 que mais entregaram retorno desde 2000, incluídas apenas as carteiras abertas para receber novos cotistas, tem ao todo nove fundos de ações, oito multimercados, dois de renda fixa e um DI.

 

Participaram do levantamento somente as carteiras ativas desde o último dia de 1999 até 2014. Foram excluídos fundos imobiliários, de direitos creditórios e de capital protegido. O mérito começa em fazer parte do rol. Da lista de mil fundos abertos que a FGV acompanha, 129 existem desde o começo do século e fizeram parte do ranking. Três gestoras ligadas a banco dominam a lista, cada uma com três fundos: Bradesco, Itaú e HSBC.

 

Que o retorno passado não é garantia de ganho futuro não é novidade, diz William Eid, coordenador do GVcef. Mas é um bom guia, defende. “Que outra informação você tem?”, questiona. E o período mais longo alivia os vieses, já que os resultados de curto prazo tendem a ser muito dominados por sorte e azar, ao invés de mérito, diz Pedro Cezar de Andrade, sócio da IP Capital Partners.

 

Chama a atenção na lista o número de fundos classificados como de dividendos. A estratégia caracteriza três dos dez fundos mais rentáveis do século, inclusive o dono da medalha de ouro, gerido pela ARX Investimentos. A carteira da gestora carioca rendeu 1.713% no período, contra 605% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), referencial para aplicações conservadoras, e 193% do Ibovespa.

 

A filosofia de investimento do fundo da ARX é preservação de capital, segundo José Alberto Tovar, no comando da gestora carioca. “Os investidores ficam tentando mudar o tempo inteiro, enquanto eles deveriam ter um horizonte mais longo, um pouco mais de paciência”, diz, acrescentando que, em curtos períodos, gestoras boas podem ter desempenho medíocre, o que torna avaliações de curto prazo enganosas.

 

No século XXI, o giro médio anual do fundo de ações da ARX foi de somente 30% da carteira. A busca é por companhias com forte geração de caixa, sem grande competição no segmento e que se beneficiam do ciclo econômico. Dentre os grandes acertos da gestão no século está a aposta no IPO (oferta pública inicial) da Natura, com base na expectativa de crescimento no consumo das classes B, C e D. No momento, a ARX tem buscado empresas que se beneficiam da apreciação do dólar contra o real.

 

O destaque da estratégia de dividendos tem a ver com o contexto econômico do século, diz Rodrigo Noel, especialista de portfólio da gestora do Itaú. Pela própria natureza, as boas pagadoras de proventos são empresas mais maduras, que já passaram pela parte do ciclo de maior alavancagem e investimento. “Elas tendem a sofrer menos em períodos de maior turbulência e também tendem a se beneficiar menos em períodos de grande euforia”, afirma. Como a turbulência caracterizou a maior parte do século, a estratégia foi vencedora. A euforia, lembra Noel, concentrou-se em curtos períodos, como o iniciado em 2004 e interrompido pela crise em 2008, e a recuperação em 2009.

 

O século continua e a estratégia de dividendos ainda tende a contribuir com o portfólio, na opinião do especialista do Itaú. O juro alto, a expectativa de crescimento baixo e o aperto fiscal que se desenham no cenário hoje não formam um céu de brigadeiro para ações. “A estratégia de dividendos é uma maneira de manter o investimento em renda variável, porém com perfil mais conservador”, diz Noel.

 

Do ponto de vista de processos, um objetivo que a gestora do Itaú perseguiu ao longo dos últimos anos e que diferencia os produtos da casa, na opinião de Noel, é garantir que cada gestor fique concentrado em um tipo de ativo e estratégia e que faça somente gestão, sem gastar tempo com execução de operações, por exemplo.

 

A medalha de prata do século XXI fica também com um fundo de ações, mas concentrado em ações de pouca liquidez, as “small caps”. “Compramos hoje a ‘blue chip’ de amanhã”, resume Milton Cabral Filho, gestor da carteira da Bradesco Asset Managment (Bram). Um exemplo foi Kroton, hoje a maior companhia de educação do mundo, que entrou no fundo quando ainda engatinhava.

 

Os movimentos de consolidação, comuns em economias emergentes como a brasileira, têm sido uma importante fonte de ganho para esse tipo de carteira, diz Cabral Filho, que também captou retorno quando a Vale comprou a Fosfertil.

 

O Bradesco tem ainda dois fundos na lista – um que busca superar o IBrX, dentre os mais antigos da casa, e um multimercado juros e moedas, que carrega posições estruturais. Em suma, os fundos vencedores do Bradesco têm algo em comum: o horizonte de longo prazo. “As decisões são tomadas olhando um pouco mais para frente. O fundo até aguenta um período de perda maior, mas no longo prazo consegue agregar valor”, diz Daniel Marcondes Campanini, gestor do multimercado. São fundos que conseguem esperar as posições maturarem, amparados em investidores com uma postura mais longeva, sem a ansiedade de curto prazo.

 

“Não temos preocupação em acompanhar índices no curto prazo. Não é por causa de uma notícia que vamos realocar o portfólio”, afirma, na mesma toada dos outros gestores da lista, Frederico Sampaio, diretor de renda variável da Franklin Templeton. O fundo da casa, o terceiro mais rentável do século, nasceu em 99 como uma carteira fechada, focada em buscar empresas com potencial de melhora na governança, mas tornou-se um fundo fundamentalista aberto em 2006, com cerca de 20 empresas selecionadas a dedo.

 

Sampaio rememora os mitos da virada do século. “Alguns acadêmicos diziam que nossa bolsa ia acabar, que o mundo teria apenas três bolsas, uma em cada continente”, lembra. Não aconteceu. E algumas empresas fizeram a alegria dos cotistas do fundo da Franklin Templeton, como Weg, Marcopolo e Randon. Mais recentemente, garantiram ganhos Amil, BB Seguridade e Estácio – posição importante com a qual o fundo surfou o período de graça do segmento de educação. No setor, as mudanças nos incentivos governamentais não esgotam o poder de sedução das empresas, na opinião de Sampaio. “Há um certo exagero nas projeções. As ações chegaram a precificar que não teria mais Fies”, diz, em referência ao Fundo de Financiamento Estudantil.

 

Na IP Capital Partners, um grupo seleto, de 40 empresas brasileiras pinçadas dentre as 300 listadas, faz revezamento no portfólio, que costuma ficar concentrado em 15 a 20 nomes. A gestora busca bons negócios, comandados por pessoas excepcionais, o que inclui não só a busca pelo retorno, mas também o fator ético, a certeza de que os sócios não estão interessados em expropriar valor apenas para eles.

 

Dentre os casos que geraram mais retorno para o IP Participações no século estão Itaúsa, Odontoprev, Totvs, Ambev, Lojas Renner e Panvel. Em 2012, a casa transformou a antiga carteira em um fundo de BDRs, para poder incluir os recibos de ações de companhias estrangeiras negociados no Brasil. Hoje 40% do patrimônio investido no fundo está alocado no exterior. As ações de companhias estrangeiras, como Google, Apple e Microsoft, também agregaram retorno.

 

A decisão de aplicar fora, hoje tão em voga, foi uma decisão nada convencional em 2012 e que garantiu a preservação de capital. Um dos mantras da IP é “para chegar primeiro, primeiro é preciso chegar”, conta Andrade, sócio da casa. E dentre os processos que garantem a perenidade está a regra de que todos os sócios tenham pelo menos 60% do próprio capital aplicado em fundos da gestora. E, quem decide sair, leva ao menos 2,5 anos para conseguir tirar todo o dinheiro das carteiras, enquanto um cliente saca tudo em menos de 90 dias.

 

No mundo da renda fixa, o destaque do século fica com o HSBC. E a fonte principal do retorno extra foi ir além dos títulos do governo, incluindo crédito privado nos portfólios, conta Alcindo Canto, presidente da gestora do banco no Brasil. E há oportunidade à vista no segmento, segundo ele. “Em cenários como o que passamos agora, com risco de crescimento negativo, as empresas vão ter que pagar um pouco mais de prêmio”, afirma Canto.

 

É claro que o risco também cresce e é preciso ter mais critério na seleção. A equipe de renda variável, estratégia menos demandada pelos investidores brasileiros, entra de forma ativa no trabalho de avaliar a dívida das companhias, conta Canto. O HSBC tem tradição no segmento. Dos R$ 90 bilhões sob gestão hoje no Brasil, R$ 25 bilhões estão em crédito privado. O time de quatro analistas de crédito trabalha junto há mais de 15 anos.

 

Por curiosidade, se fossem considerados também os fundos fechados para novos cotistas, a lista da FGV ganharia um novo primeiro colocado. O Tempo Capital, gerido pelo discreto Paulo Bodin desde meados da década de 90 em um pequeno escritório no Rio, entregou nada menos do que 3.021% no período. E também exigiu paciência dos cotistas. O desempenho no século variou de ganho de 67% em 2003 a prejuízo de 13% em 2011.

 

A grande lição do estudo, para Eid, do GVcef, é que os modelos matemáticos e as fórmulas mágicas não têm vez na gestão, o valor está nas pessoas. Mesmo fora da lista, o desempenho do Tempo e também do Verde, que entregou 2.291% no século sob os olhos de Luis Stuhlberger, reforçam a tese.

 

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Júnior

Yellen prepara terreno para alta de juros

Key Speakers At Seminars At The IMF & World Bank Annual Meetings

A presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, parecendo otimista com relação à economia, começou a abrir caminho para um aumento nos juros mais tarde este ano.

 

“A situação do emprego nos Estados Unidos tem melhorado em muitas dimensões”, disse Yellen ao Comitê Bancário do Senado americano ontem, no seu primeiro dos dois dias de discursos semestrais aos legisladores. Os investimentos e a produção têm aumentado a uma “taxa sólida”, disse ela, e devem permanecer fortes o suficiente para manter o desemprego baixo.

 

Se a economia continuar se fortalecendo como o Fed prevê e as autoridades se tornarem mais confiantes que a inflação vai crescer em direção à meta do 2%, disse ela, o banco central “irá em algum momento começar a considerar um aumento na meta dos juros dos fundos federais”.

 

Com essa afirmação, Yellen deu um passo significativo afastando o banco central das promessas de que as taxas de juros permaneceriam baixas, encaminhando-se para discutir quando e com que velocidade vão subir.

 

Seus comentários sinalizaram que o Fed ainda não espera elevar seus juros de curto prazo de referência, que estão próximos a zero, nas reuniões de março ou abril. Entretanto, muitas autoridades do Fed têm dito nas últimas semanas que um aumento no meio do ano deve ocorrer, embora não esteja confirmado. Yellen procurou colocar os pronunciamentos de mudança do Fed em perspectiva.

 

Em dezembro, o Fed afirmou que seria “paciente” antes de elevar os juros, sua primeira referência em anos de que os juros poderiam subir. Yellen disse então que o aumento não viria nas duas próximas reuniões de política do Fed, uma garantia que a alteração não estava ainda próxima. Ela repetiu a promessa de paciência ontem, mas desta vez ela também abordou a ideia de ir além.

 

Yellen, no cargo há um ano, está escolhendo suas palavras com cuidado porque ela quer evitar agitar os mercados financeiros antes de estar certa de uma alta. Em 2013, quando seu predecessor, Ben Bernanke, começou a discutir o fim do programa de recompra de títulos do Fed, conhecido como afrouxamento quantitativo, os preços das ações caíram fortemente e a rentabilidade dos títulos de longo prazo subiu, afetando a recuperação do mercado imobiliário.

 

Desta vez, os investidores estão indo no outro sentido.

 

As ações subiram depois que os comentários preparados por Yellen foram divulgados e continuaram subindo durante todo seu discurso. A Média Industrial Dow Jones encerrou com alta de 0,5%, em 18.209,19 pontos, nível recorde. A rentabilidade dos títulos do Tesouro de dez anos caiu ligeiramente.

 

O custo de crédito ganha tanta atenção porque influencia um leque amplo de atividade econômica, como empréstimos imobiliários e automotivos, títulos por trás da expansão de empresas e dívida do governo. Além disso, os juros alimentam diretamente as valorizações das ações, tornando o Fed vital para Wall Street.

 

O banco central manteve sua taxa de juros de referência perto de zero por mais de seis anos em uma tentativa de impulsionar o crescimento econômico e o emprego. O debate do Fed sobre quando começar a subir os juros se intensificou nos últimos meses com o fortalecimento da recuperação americana.

 

As deliberações do Fed sobre os juros estão complicadas agora porque os EUA estão considerando elevar os juros enquanto as autoridades dos bancos centrais em várias partes do mundo – incluindo na zona do euro, China e Japão – estão barateando o crédito. A divergência, por sua vez, fortaleceu o dólar, pressionando as exportações americanas.

 

A reunião de política do Fed de 17 e 18 de março marca o próximo ponto de decisão de Yellen. Se o Fed quiser ter a opção de elevar os juros em junho, ele precisará retirar a promessa de ser paciente na ata resultante da reunião de março.

 

Yellen ressaltou que retirar a palavra “paciente” da declaração não significará que o Fed está seguro em elevar os juros depois de mais duas reuniões.

 

“É importante enfatizar que uma modificação da orientação futura não deve ser lida como uma indicação de que [o Fed] necessariamente aumentará o juro em um par de reuniões”, acrescentou Yellen.

 

Entretanto, ela disse que uma mudança na linguagem colocaria na mesa a discussão da possibilidade de aumento nos juros depois de duas reuniões.

 

“A modificação deve ser entendida como uma reflexão do julgamento [do Fed] que as condições melhoraram ao ponto de que daqui a algum tempo uma mudança nos juros pode ser autorizada em qualquer reunião”, afirmou ela.

 

O Fed está tendo que lidar com um cenário econômico indefinido. Vários indicadores do mercado de trabalho estão melhorando. A taxa de desemprego, atualmente em 5,7%, está atingindo um patamar na qual muitas autoridades do Fed acreditam que ela possa permanecer no longo prazo. O crescimento médio do emprego foi de 280 mil vagas por mês no segundo semestre de 2014. O desemprego de longo prazo caiu e menos trabalhadores estão relatando que encontram apenas ocupações de meio período.

 

Ao mesmo tempo, porém, a inflação está há três anos abaixo da meta do Fed, de 2% ao ano, e deve ficar ainda menor com a queda recente dos preços do petróleo.

 

Embora um mercado de trabalho mais forte sugira que a economia esteja ganhando força e que os juros deveriam estar subindo, a inflação baixa cria uma pausa para as autoridades e mostra que a economia ainda pode estar longe da sua capacidade plena. Yellen disse que o Fed iria agir apenas se o mercado de trabalho continuasse melhorando e se o banco estivesse “razoavelmente confiante” que a inflação se moveria em direção à meta.

 

Yellen também ressaltou os riscos no exterior.

 

“O crescimento econômico da China pode desacelerar mais que o previsto […]”, disse ela. “Na zona do euro, a recuperação permanece lenta e a inflação caiu para níveis mínimos.”

 

Mas, mesmo nesses pontos, Yellen pareceu otimista.

 

“Podemos ver a atividade econômica respondendo a estímulos dos bancos centrais […] e a queda do petróleo pode impulsionar o crescimento global mais do que esperávamos.”

Fonte: Valor Econômico
Foto: Kiyoshi Ota/Bloomberg
Postado por: Raul Motta Junior

Citi e HSBC dão prejuízo no Brasil

File photo of the logo of HSBC bank at its office in the Canary Wharf business district of London

O ano de 2014 foi ruim para duas subsidiárias de bancos estrangeiros no Brasil: HSBC e Citi. Até o terceiro trimestre, as duas acumulavam prejuízo no país. Ontem, com dados ainda parciais, o HSBC anunciou que sua operação brasileira teve prejuízo de US$ 247 milhões antes dos impostos. São resultados que contrastam fortemente com os lucros dos grandes bancos nacionais.

O foco das perdas nos dois bancos está principalmente nas operações de varejo. Os problemas de grandes empresas, como as controladas pelo empresário Eike Batista, também arranharam os balanços dessas instituições.

Fonte: Valor Econômico
Foto: Reuters
Postado por: Raul Motta Junior

Toque feminino na gestão de recursos

Peça a um conhecedor do mercado de fundos de investimento para citar mulheres no papel de gestoras de recursos e ele vai puxar da memória com dificuldade uma lista incapaz de encher as duas mãos. Elas até são mais comuns nas funções de análise, nas áreas administrativa e comercial, ainda que também minoria, mas o fato é que mãos femininas na seleção de ativos são realmente raras.

Sandra Petrovsky, diretora da Votorantim Asset Management, Luciane Ribeiro, diretora executiva da Santander Asset Management, e Tatiana Grecco, superintendente de fundos indexados da gestora do Itaú, estão entre as mais lembradas dentre as mulheres que fazem gestão de recursos. E com frequência respondem por carteiras que se destacam em rankings de rentabilidade. Lika Takahashi, responsável pela renda variável na Porto Seguro, e Natalia Kerkis, que gere os fundos globais do HSBC, também figuram nessa pequena lista.

“São nomes que já estão há muitos anos no mercado. Não é comum vê-las nesse ambiente e não tenho tido contato com um número crescente de mulheres atuando nesse ramo”, afirma Luiz Mario de Farias, chefe da área de investimentos da consultoria Towers Watson no Brasil. “A ascensão de mulheres já vem acontecendo em ritmo muito maior em outras áreas”, completa.

Na tentativa de identificar os fatores que mantêm as mulheres afastadas do mercado de gestão, Farias e as próprias gestoras levantam questões como o ambiente tradicionalmente pouco cordial nas mesas de operação, o que tem mudado recentemente, e a demanda por estar 24 horas conectadas no mercado, dificultando o equilíbrio com outras atividades, como a maternidade.

Luciane, à frente da gestora do Santander, conta que voltou a trabalhar dois meses depois do nascimento do filho, sem completar o período de licença-maternidade, por escolha própria. “Será que as pessoas precisam seguir esse modelo? Claro que não”, diz a executiva. “O que eu acho é que a mulher tem muita dificuldade de acreditar no seu potencial, porque olha ao redor e vê um mundo másculo, com brigas políticas que exigem confrontos mais acirrados”, completa, considerando que a autoconfiança foi muito importante para que ela assumisse um cargo de liderança na gestora.

 

A dificuldade das mulheres em chegar a uma função de comando, a despeito de sua presença crescente no mercado de trabalho, está ligada, na opinião de Luciane, à ausência de modelos. “São muito poucos os exemplos de liderança feminina, no Brasil e no mundo; precisamos de um pouco mais de história”, diz. Nesse sentido, o debate cai no dilema do que vem primeiro: o ovo ou a galinha. Se não há mulheres que servem de modelo, como elas vão ganhar mais espaço no mercado, para servir de exemplos a outras? Nesse sentido, Luciane defende que se discuta um modelo de cotas de participação mínima de mulheres em organismos de decisão, como em conselhos de empresas.

E o conflito não acaba na necessidade de abrir mão de alguns aspectos da vida para se dedicar a um cargo de liderança, diz Luciane. “Quando as mulheres chegam lá, é comum que elas ainda tenham que conviver com a diferença salarial que costuma haver entre os gêneros”, afirma.

O olhar feminino agrega na seleção de ativos, na opinião de Luciane, que trabalha com gestão de recursos há 12 anos. A mulher, avalia, tem habilidade de lidar com várias situações ao mesmo tempo, enquanto o homem é mais focado. Pela experiência própria, Luciane também diz que as mulheres são mais intuitivas. Tanto que já surgiu entre os colegas uma brincadeira de que, quando Luciane fala, é bom tomar cuidado, porque é bem provável que a previsão vire realidade. E a executiva aderiu. “Anote aí. Eu estou avisando”, brinca nas reuniões de trabalho.

As pesquisas de finanças comportamentais indicam que há de fato diferenças entre mulheres e homens na seleção de ativos. Elas costumam ter uma visão mais de longo prazo, carregando posições em vez de trocar de ativos rapidamente e questionam mais. “O homem é tão objetivo que muitas vezes joga o bebê fora junto com a água do banho, deixa de ver coisas essenciais”, brinca Vera Rita de Mello Ferreira, consultora independente de psicologia econômica e integrante do Núcleo de Estudos Comportamentais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Elas também são menos seguras, o que pode ser uma vantagem no mercado em que o excesso de otimismo com frequência joga contra. “Os homens confiam muito no próprio taco. As mulheres vão atrás de mais informação”, diz Vera Rita. A diversidade de visões poderia, na opinião dela, agregar à gestão de recursos.

As explicações para comportamentos tão diferentes não são unânimes. Há estudos que associam a testosterona, hormônio mais presente no organismo masculino, ao apetite maior por risco. A mulher seria, assim, mais avessa à volatilidade. Estudos mais recentes, aponta Vera, indicam que o comportamento diferenciado de homens e mulheres na atividade financeira não é necessariamente biológico. Mulheres mais jovens, que provavelmente passaram por uma formação menos diferenciada em relação a dos homens, têm tido atitudes mais parecidas às deles ao lidar com dinheiro. Ou seja, pode ser que as diferenças desapareçam ou ao menos diminuam com o avançar do tempo.

Confrontos acirrados, ambiente pesado em mesas de operação e dedicação integral são suspeitos de afastar mulheres da gestão

Há explicações históricas. A psicóloga econômica lembra que as mulheres entraram no universo do dinheiro muito depois dos homens. Enquanto nos primórdios da humanidade os homens iam transacionar, as mulheres cuidavam da casa, dos filhos e do preparo dos alimentos. Ainda em famílias modernas, diz Vera Rita, é comum que assuntos de dinheiro sejam tratados pelos homens. “Não tem nem um século que a mulher realmente passou a ter um papel no mercado de trabalho, ganhar o próprio dinheiro e ter que gerenciar tudo disso”, diz.

Já para Sandra, da gestora do Votorantim, o mundo do dinheiro sempre foi muito natural. E até divertido. “Sempre gostei muito de números e desde criança adorava um banco”, conta. A família era de engenheiros e arquitetos, mas Sandra escolheu economia. O primeiro estágio foi no Banco do Brasil. “Me senti em casa”, diz.

Foi em um programa de trainee no Sudameris que Sandra identificou-se com a área de gestão de fundos. Em 2007, ela foi convidada a criar a área de renda variável da gestora do Votorantim e, já no ano seguinte, tornou-se superintendente de toda a área de investimentos.

Tudo aconteceu de forma tão natural que Sandra não sabe explicar por que outras mulheres não fazem parte do mercado de gestão de recursos. Ela diz, aliás, que poucas vezes se dá conta de que faz parte de um pequeno grupo. “Normalmente as outras pessoas é que me chamam a atenção para isso em uma mesa de reunião: nossa, você é a única mulher aqui”, conta Sandra.

A executiva do Votorantim diz que a função de gestão de recursos realmente vai além das paredes do escritório. Não dá para simplesmente fechar a “caixinha do trabalho” e ir para casa, afirma. Sandra diz passear no shopping atenta às sacolas dos passantes para avaliar que empresas vendem mais e andar na rua de olho nos lançamentos das diferentes construtoras. “Tem que gostar muito”, diz.

O mundo dos números também nunca intimidou Tatiana, no Itaú desde 94. Ela começou a carreira no back-office e hoje é responsável por um mercado complexo e ainda em desenvolvimento no Brasil – o de ETFs (Exchange Traded Funds, ou fundos que replicam índices e cujas cotas são negociadas em bolsa). Desde a formação, na área de exatas, a gestora diz nunca ter sentido preconceito por ser mulher. A missão de conciliar vida profissional e pessoal foi facilitada pela divisão de tarefas com filho e casa, cada vez mais natural em famílias modernas.

 

Não é somente no Brasil que histórias como a de Sandra, Luciane e Tatiana são raras. Também fora do país os homens predominam na gestão de recursos, aponta Farias, da Towers Watson, que vê um crescimento da diversidade com bons olhos. “Hoje o mundo é tão complexo que ter visões complementares é fundamental para buscar superar os concorrentes”, diz.

E o debate sobre os entraves para que as mulheres façam parte desse mercado é crescente, em meio a declarações no mínimo polêmicas como a do renomado gestor Paul Tudor Jones, que afirmou em uma conferência na Universidade de Virgínia que nunca vai haver tantas mulheres que se destacam nos investimentos quanto homens. E associou tal conclusão à distração causada pela maternidade. A palestra foi registrada em vídeo pelo “Washington Post”.

Um estudo realizado pela consultoria americana Rothstein Kass em junho de 2013, publicado pelo “Financial Times” no começo deste mês, traz indícios de destaque das gestoras mulheres. De acordo com o levantamento, “hedge funds” geridos predominantemente por mulheres superam o desempenho médio da indústria a que pertencem. No período avaliado, de 6,5 anos, as carteiras sob mãos femininas entregaram 6% de retorno, contra um prejuízo médio de 1,1% de todo o segmento.

Chama a atenção no levantamento o fato de as gestoras de recursos terem se destacado mais nos anos próximos à última crise financeira, reforçando os estudos de finanças comportamentais segundo os quais as mulheres são mais avessas ao risco e, ao mesmo tempo, tendem a carregar as posições por mais tempo, sem se deixar levar pela ansiedade de comprar e vender em períodos de turbulência.

A amostra ainda é pequena para chegar a conclusões definitivas sobre o desempenho delas no mercado de gestão de recursos. Existem somente 125 fundos geridos por mulheres que reportam resultados para as bases de dados globais, de acordo com o “Financial Times”. Ou seja, mais uma vez, faltam exemplos femininos.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Tesouro amplia venda de papéis de curto prazo

tesouro nacional

A venda de um grande lote ontem de Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimento para outubro de 2015 mostra a demanda do mercado por papéis de curto prazo e o desafio do Tesouro na gestão da dívida pública. Segundo a corretora Tullett Prebon, o lote de 10 milhões de LTNs vendido foi o maior em papéis curtos desde pelo menos 2000.

Nos próximos três meses, há uma grande concentração de títulos públicos que irão vencer, representando cerca de 45% do volume total de R$ 536,11 bilhões que vence neste ano.

Além de ter que lidar com o baixo apetite a risco por parte dos investidores, que aumentaram a busca por papéis de curto prazo, o Tesouro está tendo que lidar com prêmios mais altos diante da subida das taxas de juros, em meio a um ambiente de maior incerteza no mercado externo e de piora da perspectiva em relação à economia doméstica.

O lote de LTNs ofertado ontem movimentou R$ 9,2736 bilhões. Os papéis saíram com taxas máxima e média de 13,1440% e 13,1332%, respectivamente. Apesar de não terem saído com prêmio em relação ao mercado secundário, o Tesouro acabou pagando uma taxa maior em relação aos últimos leilões, devido ao avanço das taxas de juros futuros nos últimos dias.

Segundo analistas, a alta das taxas reflete o ambiente externo de aversão a ativos de maior risco, com preocupação com o futuro da Grécia na zona do euro e o processo de normalização da política monetária nos EUA, que tem pressionado as taxas dos títulos do Tesouro americano. No ambiente doméstico, dúvidas sobre a aprovação das medidas fiscais e a capacidade do governo em cumprir a meta de superávit primário têm contribuído para a piora do cenário.

“Os investidores não estão confortáveis em aumentar as posições em papéis mais longos diante desse ambiente de maior incerteza, aumentando a demanda por papéis de curto prazo”, diz o gestor de um banco privado.

Segundo o Valor apurou, a demanda adicional pelas LTNs de curto prazo pode estar relacionada também ao vencimento de um lote de R$ 68,5 bilhões em Letras Financeiras do Tesouro (LFT) que vencem em março.

Para Christiano Clemente, diretor operacional da Tullet Prebon, o Tesouro está recompondo caixa para fazer frente à grande concentração de títulos públicos que vencem nos próximos três meses. “O que causou surpresa foi esse volume grande de 10 milhões de LTNs para o curto prazo. Por que emitir um volume tão grande a esse preço?”

Para os próximos três meses, além das LFTs, está previsto o vencimento de um montante de R$ 108,510 bilhões em LTNs. Há ainda um lote de R$ 65,16 bilhões de Notas do Tesouro Nacional – série B (NTN-B), que vence em maio.

Para a Tullett Prebon, a oferta volumosa pode estar relacionada à tentativa do Tesouro Nacional de reduzir o comprometimento de seu “colchão” de liquidez, prejudicado desde 2013 pela não rolagem de volumes elevados. “Acreditamos que o leilão de 10 milhões de LTN para outubro de 2015 tem a ver com a tentativa de reduzir esse ‘gap'”, diz a corretora, acrescentando que o caixa do Tesouro para esse fim está “realmente apertado”.

Além das LTNs para outubro de 2015, o Tesouro ainda vendeu todo o lote de 1,5 milhão desses papéis para 1º de julho de 2017, com giro financeiro de R$ 1,123 bilhão, e também 2.416.000 de papéis para 1º de janeiro de 2019, de uma oferta de 2,5 milhões. A movimentação financeira foi de R$ 1,5127 bilhão.

O Tesouro ainda vendeu R$ 3,0968 bilhões em Notas do Tesouro Nacional-Série F (NTN-F) para 1º de janeiro de 2021 e 1º de janeiro de 2025.

Na avaliação do estrategista da Coinvalores Corretora, Paulo Celso Nepomuceno, a megaoferta de LTN de curto prazo é mais um sinal da piora no perfil da dívida pública e reflete a aversão de investidores locais à tomada de risco em prazos mais longos, devido à falta de previsibilidade com a economia brasileira. “Diferentemente de outros anos, o Tesouro parece não poder mais evitar a oferta desses lotes grandes para prazos mais curtos. Ele precisa se financiar, só que agora com um perfil de dívida pior.”

Para o profissional, a despeito das medidas de ajuste fiscal anunciadas pela nova equipe econômica, o mercado ainda se mostra reticente em dar mais um voto de confiança ao governo. Por isso, ele não vê por ora uma diminuição da procura por títulos com vértices mais curtos.

“A inflação de curto prazo ainda está alta e não há nada no horizonte que sugira que ela vai diminuir. Além disso, o BC ainda não conseguiu ancorar as expectativas [de inflação] nem para 2016. Isso tende a manter a demanda por papéis mais curtos”, afirma.

Ontem, as taxas dos contratos de juros futuros encerram em alta, acompanhando a valorização dólar e dos Treasuries. A taxa do DI na BM&F com vencimento em janeiro de 2016 subiu para 13,21% (ante 13,18% do ajuste do pregão anterior). Já a taxa do DI para janeiro de 2021 avançou para 12,75%, de 12,67% do fechamento do pregão anterior. Já o dólar subiu 1,20%, cotado a R$ 2,8656, acompanhando o movimento no exterior.

Fonte:Valor Econômico
Foto: Portal Vox
Postado por: Raul Motta Junior

Regulador quer que instituições sejam mais conservadoras

O Comitê de Basileia quer que os bancos internacionalmente ativos sejam conservadores quando forem adotar a nova norma contábil do padrão internacional IFRS, que prevê o reconhecimento de “perdas esperadas” por inadimplência – o IFRS 9.

O alerta da entidade, que reúne os reguladores bancários globais, foi publicado no apêndice de um guia de princípios que bancos e BCs devem seguir ao aplicar esse novo tipo de política contábil, que em breve estará em vigor tanto na Europa como nos Estados Unidos, embora com critérios diferentes.

Segundo propõe o Comitê de Basileia, caso os bancos centrais considerem que as instituições supervisionadas possuem uma política pouco eficiente para constituir provisões com base na perda esperada, as autoridades supervisoras poderão também exigir que elas tenham capital próprio acima do mínimo exigido para o restante do mercado.

A parte do IFRS 9 que trata de registro de perda por inadimplência passa a ter uso obrigatório a partir de 2018 em mais de 100 países que adotam ou permitem o uso do padrão contábil global. Em muitas jurisdições, contudo, ainda precisa ser formalmente referendado por reguladores contábeis locais.

A mudança global para um modelo de contabilização de perda esperada, em substituição ao sistema vigente de perda incorrida, foi motivada por críticas do G-20 após a crise financeira de 2008 em relação à demora para que as provisões relativas ao crédito das hipotecas de alto risco (“subprime”) fossem registradas nos balanços dos bancos.

No Brasil, as instituições financeiras seguem a tabela de ratings do Banco Central para registrar provisões, que já abarca o conceito de perda esperada, embora com regras diferentes das internacionais.

De acordo com Alexsandro Broedel, diretor de controle financeiro do Itaú e representante brasileiro no Asaf, fórum internacional que assessora o Conselho de Normas Internacionais de Contabilidade (Iasb), o impacto desse documento sobre o Brasil dependerá de como o BC vai abordar a questão, já que o país não tem nenhuma instituição considerada com risco sistêmico de alcance global – que possui um acompanhamento mais rigoroso no arcabouço regulatório de Basileia.

Ele destaca, contudo, que o BC brasileiro costuma corrigir insuficiência de provisão exigindo provisões maiores, e não mais capital.

Conforme o novo pronunciamento do IFRS, no momento da concessão do crédito a instituição financeira deve registrar uma provisão calculada em função da perda esperada, ponderada pela probabilidade que um evento de inadimplência ocorra no prazo de 12 meses a partir da data do balanço. Feita essa primeira reserva, uma nova parcela de provisão será registrada – esta segunda equivalente à toda a perda prevista para a vida da operação, sem ponderação -, caso haja sinais de deterioração significativa da qualidade de crédito do cliente durante a vigência do empréstimo.

Esse gatilho pode partir de uma avaliação própria do banco, decorrer de uma mudança de rating ou mesmo do atraso de alguma parcela. No comunicado apresentado ao mercado sobre o tema, o Comitê de Basileia informou que entende que devem ser “raros” os casos em que nenhuma provisão será constituída no momento da concessão do empréstimo.

O órgão que regula quanto os bancos devem ter de capital próprio mínimo também sugeriu que os bancos internacionalmente ativos ignorem a recomendação do texto original do IFRS, que diz que as entidades devem avaliar os riscos de inadimplência com base na melhor informação disponível, sem incorrer em “custos e esforços indevidos” na busca de dados adicionais.

O regulador prudencial reconhece que a aplicação do novo modelo de contabilidade vai exigir investimento inicial no desenvolvimento de sistemas e processos, mas avalia que esses gastos não devem ser considerados “indevidos” já que o “benefício de longo prazo mais do que compensará os custos associados”.

A norma original do IFRS também permite que as entidades usem, como medida prática, o atraso de 30 dias de uma parcela como indicativo de uma piora na qualidade de crédito do devedor, que levaria ao provável ajuste no tamanho da provisão para a perda esperada ao longo de toda a vida do contrato.

Já o Comitê de Basileia avisou que os bancos que se basearem de forma substancial em atraso de pagamentos para constituir as provisões estarão implementando um modelo de perda esperada de “muito baixa qualidade”, já que essa é uma informação que reflete o passado, e não o futuro.

Segundo Broedel, era inevitável que o regulador prudencial quisesse dar um pouco mais de objetividade para a norma contábil, baseada em princípios e que vale para empresas não financeiras. “Mas a boa notícia é que os comentários foram feitos em cima da norma. Isso é positivo”, afirmou.

Procurado para comentar o estreitamento das opções do IFRS 9 por parte do Comitê de Basileia, o Iasb informou que seus técnicos observaram as propostas e concluíram que as orientações “não vão impedir as companhias de cumprir com o IFRS 9, o que é importante”. O órgão ressaltou que a consistência de aplicação entre diferentes jurisdições é relevante e, nesse sentido, considerou positivo que o Comitê tenha emitido esse guia de alcance global.

Os EUA terão norma própria para o tema, com a contabilização de toda a perda esperada no momento da concessão do crédito.
Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Cenário externo favorece alta da Bovespa

A sensível melhora do cenário externo, especialmente para os mercados emergentes, colaborou para a forte recuperação da Bovespa no pregão de ontem.

As ações do setor de educação lideraram os ganhos, na expectativa de anúncio do governo sobre as mudanças nas regras do Financiamento Estudantil (Fies). Petrobras, Vale e bancos também marcaram altas expressivas. Siderúrgicas e Natura registraram presença entre as poucas baixas do dia.

“Houve um clima de alívio geopolítico, o que ajudou os emergentes”, comentou o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer. A melhora foi provocada pela decisão da Rússia, que concordou em assinar um acordo de cessar-fogo com a Ucrânia e os separatistas do leste ucraniano, com acompanhamento de líderes da França e Alemanha. O presidente russo, Vladimir Putin, disse que o acordo será implementado a partir de sábado.

O Ibovespa fechou em alta de 2,68%, aos 49.532 pontos, com volume de R$ 6,493 bilhões. Entre as principais ações do Ibovespa, Petrobras PN ganhou 5,20%, seguida por Vale PNA (1,91%), Itaú PN (2,62%), Bradesco PN (3,96%) e Ambev ON (1,45%).

Além da alta de mais de 4% do petróleo no mercado internacional, as ações da Petrobras reagiram à entrevista do novo presidente da estatal, Aldemir Bendine, ao Valor.

Para o estrategista da Fator, Paulo Gala, a questão principal sobre a Petrobras a ser discutida é a taxa de desconto usada para calcular o balanço e sua possíveis perdas. “As discussões caminham no sentido correto”, disse Gala, ao se referir sobre a abordagem de Bendine sobre o assunto, que culmina no cálculo de quanto a empresa será afetada por denúncias de corrupção.

Segundo o sócio da gestora de recursos Canepa, Eduardo Roche, Bendine trouxe um discurso forte e tentou levantar bandeiras que são importantes para o mercado. Entre elas, o executivo destacou a sinalização de que a empresa cumprirá o prazo de entrega do balanço, de que não fará uma capitalização na Petrobras e de que vai reduzir os investimentos.

No topo do Ibovespa ficaram Kroton ON (14,47%), Light ON (10,67%), Estácio ON (10,62%) e ALL ON (9,01%). As ações da ALL ainda refletiram a decisão de quarta-feira do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que aprovou com restrições a fusão com a Rumo, do grupo Cosan.

As ações do setor de educação tiveram forte alta, na expectativa de que o Ministério da Educação (MEC) anunciasse ajustes nas portarias que alteram as regras do Fies. No entanto, no fim da tarde, o MEC informou apenas que novos contratos de financiamento poderão ser feitos a partir do dia 23.

O sistema do Fies para pedidos de novos contratos estava fechado desde 1º de janeiro. Em 28 de janeiro, o governo reabriu o sistema para renovação de contratos, mas o MEC só está aceitando contratos com reajuste de até 4,5%.

Entre as poucas baixas do dia ficaram Usiminas PNA (-7,57%), Natura ON (-6,89%) e CSN ON (-5,13%). O Goldman Sachs afirmou em relatório que as siderúrgicas estão com dificuldades para implementar os reajustes propostos em janeiro. Já Natura decepcionou os analistas ao apresentar lucro líquido de R$ 225,2 milhões no quarto trimestre, queda de 23,4% sobre igual período de 2013.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

‘BC não deve tolerar aceleração inflacionária’

Gustavo-Loyola-size-598

A alta de 6,8% do dólar ante o real neste mês gera riscos para agentes que têm compromissos em moeda americana e à inflação. Mas, ainda assim, não deve ser razão para o Banco Central ampliar as intervenções no mercado. Essa é a avaliação do ex-presidente do BC e atual sócio da Tendências Consultoria Integrada Gustavo Loyola. O risco que o BC deve mitigar neste momento é o da inflação. E, por isso, ele defende que o ciclo de aperto monetário seja prolongado.

A alta do dólar, em sua visão, tem um ingrediente externo, com o aumento da aposta na elevação dos juros americanos. Mas há um componente local muito mais relevante, em sua opinião. Veja os principais pontos da entrevista.

Valor: O dólar já tem valorização de 6,8% no mês de fevereiro. São fatores domésticos ou externos os que mais pesam nesse movimento?

Gustavo Loyola: Embora os dois fatores estejam presentes, o doméstico está pesando mais. Isso se vê claramente na comparação da performance do real com outras moedas de países que têm características parecidas com as nossas. De fato, o rali do dólar começou com a fala do [ministro da Fazenda, Joaquim] Levy, mas aquela manifestação não seria condição suficiente para levar o dólar a esse patamar. Depois, houve uma série de fatores. Piora da percepção de crescimento da economia, com indicadores muito ruins, escolha do novo presidente da Petrobras [Aldemir Bendine], que desagradou, dados negativos sobre a avaliação da presidente e do governo, o que piorou a percepção sobre a situação política. No exterior, houve dados da economia dos EUA, que aumentaram chances de uma mais imediata alta de juros. Isso também contribuiu. Mas as questões locais estão pesando mais.

Valor: Como se deve ler essa alta do dólar? Trata-se de um movimento de proteção ou é uma aversão ao risco com realocação de portfólio?

Loyola: Existe uma questão mais técnica, mais de longo prazo, que é a percepção da insustentabilidade do déficit de transações correntes no nível de 4% do PIB. Há a percepção de que isso tem que levar a uma correção do dólar para que esse déficit possa ser reduzido. No curto prazo, não deixa de ter algum movimento de proteção, tendo em vista as incertezas mencionadas. Então, há um forte componente de aversão ao risco no curto prazo, que tem a ver com esses episódios que aconteceram no campo político. Essa ideia de que o Brasil vai crescer menos, conjugada com a divulgação dos indicadores fiscais de 2014, colocaram em xeque a viabilidade de se atingir a meta fixada pelo ministro Levy. Mesmo ele anunciando novas medidas, isso acabou ficando em xeque. A eleição do Eduardo Cunha [para a presidência da Câmara], com uma posição mais beligerante em relação ao governo, a dificuldade da base de aceitar as medidas propostas… Tem muita notícia ruim. São muitas coisas convergindo de maneira negativa. O mercado, nesse momento, tende a extrapolar. Talvez esteja havendo um “overshooting”.

Valor: Mas a desvalorização não vem ao encontro da expectativa de que o câmbio passe por um ajuste?

Loyola: Ajustes muito abruptos, principalmente com alta volatilidade, trazem altos riscos. Há agentes econômicos que têm posições de dívidas, compradas ou vendidas. Tem a questão das incertezas que gera do ponto de vista contratual do comércio exterior. É difícil se proteger do ajuste cambial. É difícil e caro. Evidentemente que os ajustes mais lentos, com menor volatilidade, trazem menores riscos. Mas também são coisas que acontecem. O franco suíço passou por um processo desse. Isso causa alguma turbulência. O banco central tem procurado, de alguma forma, mitigar isso com a ração diária de derivativos. Quando há um processo bastante forte de ajuste, o banco central não tem muito o que fazer. Se ele resistir demais, ele desperdiça munição.

Valor: Então não é hora do BC reforçar o programa de swaps…

Loyola: Eu acho que não. Apesar dos riscos que existem num processo desse, é preciso que o ajuste seja feito. O BC tem que usar seus outros instrumentos de política monetária para evitar que essa alta do dólar acabe se transformando numa pressão inflacionária mais complicada. Essa reação do BC tem que se dar no domínio da política monetária, não cambial. O BC não deve tolerar nenhuma aceleração inflacionária. A inflação já está alta, já tem o componente de ajuste de preços relativos. Se o BC deixar isso meio solto, a própria inércia inflacionária leva a inflação para um patamar muito acima do teto superior da meta. E aí os custos mais à frente vão ser muito piores, inclusive o custo do ajuste.

Valor: Então, o senhor acha que, com a recente desvalorização cambial, o Banco Central terá de reforçar o aperto monetário?

Loyola: Sem dúvida. Não é uma escolha fácil para o Banco Central, porque a atividade econômica está anêmica. Mas, neste momento, o BC tem que escolher um caminho que seja o mais sustentável a médio prazo e que leve a uma chance de retomada do crescimento em 2016. E a retomada passa por uma queda da inflação. Com inflação nesse patamar, não há recuperação da atividade possível.

Fonte: Valor Econômico
Foto: André Conti/VEJA
Postado por: Raul Motta Junior

Retrato da economia deve melhorar após revisão do PIB

pib-197961

A ampla revisão da série histórica do Produto Interno Bruto (PIB) deve ser divulgada em fatias ao longo deste ano, com grandes chances de melhorar o retrato da economia – ao menos em retrospecto. Justamente por conta dessa revisão, o IBGE vai atrasar em um mês os dados do PIB relativo ao quarto trimestre e ao ano fechado de 2014 – que saem apenas em 27 de março quando usualmente são divulgados no fim de fevereiro.

Novos dados vão ser incorporados a partir de 2010, com a

possibilidade de reestimativa da série inteira até 1995. O Valor apurou que a revisão do PIB de 2010 e 2011 será divulgada em 11 de março, enquanto os novos dados relativos a 2012 e 2013 estão previstos para 17 novembro.

Na última segunda-feira, economistas estiveram em seminário no Rio sobre o tema e falaram ao Valor na condição de anonimato. A percepção geral é que a inclusão de novos dados às contas nacionais deve trazer resultados positivos ao PIB do período, embora a conta seja difícil de fazer em razão da dimensão da mudança estrutural.

Uma das poucas consultorias a colocar os números na ponta do lápis, a LCA Consultores avalia que as mudanças podem fazer com que o crescimento médio do PIB entre 2011 e 2014 seja revisto de 1,6% ao ano para perto de 2,5% ao ano – com destaque ao desempenho da economia sobretudo na primeiro metade do período. Para os anos anteriores, a consultoria não se arriscou a fazer previsões.

Como se está acrescentando “novas informações” ao PIB, isso certamente vai ter efeito positivo, diz um economista que não quis ser identificado. Na opinião de outro, após os dados trimestrais quem saem em março, talvez seja possível ter uma visão mais clara sobre o tamanho do impacto das mudanças sobre o PIB que, em sua avaliação, também será benigno.

A ampla revisão ajusta as contas nacionais aos padrões internacionais, incorporando metodologia estabelecida em 2008 pela ONU, dentre outros órgãos. Com ela, serão também divulgados os resultados dos PIBs definitivos de 2010 a 2013, ainda não conhecidos. Embora pouca gente se dê conta, os números do PIB que todo mundo olha a cada trimestre são parciais e revistos mais duas vezes em uma janela de dois anos – período ao fim do qual se conhece o chamado PIB definitivo. Justamente em razão dessa revisão mais ampla, a divulgação dos PIBs de 2010, 2011 e 2012 foi adiada. Já o de 2013 seria mesmo conhecido neste ano.

Uma das mudanças conceituais mais importantes a ser incorporada nas contas nacionais será a inclusão dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) na conta da formação bruta de capital fixo (FBCF), ao lado de máquinas e equipamentos e da construção civil. Até 2009, o segmento de pesquisa e desenvolvimento, que corresponde a pouco mais de 1% do PIB, era incorporado aos gastos e não ao investimento do governo e de empresas privadas.

Outra mudança importante na mesma rubrica inclui a exploração de petróleo e gás natural. A partir de agora, custos com licenças ou perfurações serão contabilizados como investimentos. Ou seja, poços de petróleo perfurados, ainda que não produtivos, também entram nos dados de formação bruta – o que não ocorria. A ideia subjacente é que o processo também gera conhecimento.

Na atividade de energia elétrica, as termelétricas passarão a ter tratamento diferenciado, tornando os custos elevados em comparação às hidrelétricas mais claros. O setor de saúde também será melhor detalhado. Nele, o tipo de serviço prestado (consulta, internação, ou diagnóstico, por exemplo), a qualidade e o valor desses serviços também serão melhor delineados.

A revisão deve trazer ainda a substituição de pesquisas importantes mais antigas por versões mais recentes, como o Censo Agropecuário de 2006, a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2008/2009 e o Censo Demográfico de 2000 a ser substituído pelo de 2010. Deve incorporar também a PNAD Contínua, pesquisa conjuntural que já vem sendo divulgada e deve substituir a Pesquisa Mensal de Emprego (PME). O IBGE promete ainda uma atualização do programa (software) de ajuste sazonal das séries históricas.

A partir de 2010 serão incorporadas também informações estruturais fundamentais, como as Pesquisas Anuais do Comércio, Indústria, Construção e Serviços. Para a equipe da LCA Consultores, são essas as pesquisas com maior potencial para melhorar o PIB do período mais recente. Com relação à nova metodologia, a consultoria avalia ser bem mais complicado antecipar os impactos sobre as séries históricas das contas nacionais.

Segundo a LCA, boa parte dos países que incorporou os dados de P&D ao investimento viu seu PIB nominal ser revisto para cima entre 2% e 4%, com parte relevante desse acréscimo sendo explicado pela incorporação. Já o impacto sobre a taxa “real”, diz a consultoria, não seria tão evidente.

A metodologia atual usada pelo IBGE com referência 2000 foi introduzida em março de 2007 e revisou todo o histórico desde 1995. Com essa última mudança, diz a LCA, o crescimento médio da economia de 1996 a 2005 foi revisto de uma alta de 2,2% ao ano para 2,4% ao ano. A nova ampla revisão deve aproximar as contas nacionais às séries históricas de outros países, que já adotam o manual internacional de 2008, como EUA, Canadá, México, Austrália e Peru.

Fonte: Valor Econômico
Foto:
Postado por: Raul Motta Junior