Monthly Archive: December 2014

Emergentes valem o risco, defende Rob Arnott

Morningstar Investment Conference

Todo mundo adora uma boa história. Mas quando se investe com base nessas histórias, pode-se perder dinheiro, diz Rob Arnott. O fundador e presidente do conselho de administração da Research Affiliates prefere ater-se aos dados. Os números já levaram Arnott, 60 anos, a seguir algumas estratégias pouco convencionais de investimento. A invenção mais famosa de Arnott são os fundos “smart beta”, que usam índices não tradicionais para investir com base em indicadores de fundamentos, como vendas, dividendos ou fluxo de caixa, em vez de valor de mercado.

Atualmente, há cerca de US$ 177 bilhões sob administração de fundos e estratégias desenvolvidas pela Research Affiliates. Fundada em 2002, a firma de Arnott é consultora de mais de US$ 61 bilhões da Pacific Investment Management Co. (Pimco), sendo metade disso no Pimco All Asset Fund. Nos últimos dez anos, esse fundo apresentou alta de 5,5% ao ano em média. Neste mês, no entanto, está em queda de cerca de 4%, uma vez que tem cerca de 8% do fundo investido em moedas de países emergentes.

Arnott faz apostas de longo prazo nos países emergentes porque seus cálculos o deixam pessimista quanto às ações nos Estados Unidos e ao crescimento de longo prazo da economia do país. Como ele disse à “Bloomberg.com”, o resto do mundo está repleto de oportunidades para os investidores ousados e pacientes. A seguir, trechos de sua entrevista.

Qual a maior fonte de risco para os investidores hoje?

Rob Arnott: Os mercados estão caros. Os mais populares, em particular as ações de crescimento nos EUA, estão em níveis de preços que embutem uma expectativa de que as coisas vão sair bem, muito bem. Isso deixa pouco espaço para decepções.

Que ativos ou investimentos estão por demasiado badalados?

Arnott: As ações nos EUA estão entre os mercados mais caros no mundo. Não descreveria como uma bolha, mas descreveria como muito caro. A bolsa americana está sendo negociada a um múltiplo P/L de Shiller (relação entre o preço e os lucros de dez anos) de 27 vezes. O indicador só esteve acima disso duas vezes na história, durante a bolha tecnológica e em 1929.

Então, qualquer um que estiver comprando ações dos EUA está fazendo duas suposições. [A primeira é que] as ações dos EUA ainda estão, hoje, com preços que vão trazer retornos sólidos de longo prazo em relação a todo o espectro de alternativas disponíveis. Não acredito nisso.

Ou eles acreditam que vão ouvir alertas quando o carrossel parar. E que vão ouvi-los antes dos outros. É uma suposição bastante ousada.

Ou [podem] reconhecer que talvez este seja um jogo que eles preferem não jogar. Eu recaio inteiramente neste último.

Então, quais jogos você joga?

Arnott: Há [uma ampla gama] de mercados disponíveis para nós e alguns estão bem baratos. As ações dos países emergentes estão cotadas a 15 vezes seus lucros de dez anos. Se você usa um índice de fundamentos, elas estão sendo negociadas a 11 vezes seus lucros de dez anos. Onze vezes. Isso é barato.

Eu preferiria muito mais colocar meu dinheiro lá e esperar pacientemente do que tentar jogar um jogo de adivinhar até quando este mercado em alta pode continuar subindo. Quem tem a ilusão de que pode adivinhar o pico está se enganando.

A Rússia está barata, presumindo que seus ativos não sejam expropriados – isso não está incluído no modelo. Se você não se importa em apoiar uma “gângstercracia”, então é um investimento interessante. Mas, certamente, eu não gostaria de ter grande parte de meu dinheiro lá.

Você escreveu que uma das grandes diferença entre mercados desenvolvidos e emergentes é sua demografia. Por que isso é tão importante?

Arnott: O coração e a alma do crescimento macroeconômico são os adultos jovens. A produtividade aumenta rapidamente entre aqueles que são jovens e têm uma capacitação que também aumenta rapidamente. Quando você está no pico da produtividade [na faixa dos 40, 50 e início dos 60], sua contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) é fabulosa. Porém, sua contribuição para o crescimento do PIB é insignificante.

Portanto, nas economias de baixo crescimento, uma força de trabalho mais velha vai ser próspera, mas de baixo crescimento. Enquanto isso, as economias emergentes do mundo estão justamente no melhor momento para o crescimento do PIB. A idade média nos mercados emergentes é de 30 anos. No mundo desenvolvido [é de] 43.

Portanto, as economias desenvolvidas como a dos EUA estão destinadas a ter baixo crescimento?

Arnott: Se a idade média é de 43, você já passou a fase de alto crescimento. Estivemos nela aproximadamente dos anos 50 até o início dos 2000. O que achamos como crescimento normal – 2% a 3% ao ano – é um crescimento anormal com vento demográfico favorável. Nos próximos 10, 20 anos, 1% de crescimento real será uma vitória. E isso é bom. Ainda é crescimento.

Isso sugere que as oportunidades de investimento nos mercados desenvolvidos vão ser menores do que nos mercados emergentes por um bom tempo, certo?.

Arnott: Certo. Também significa que o rendimento natural real dos títulos [vai ser menor]. Vimos os rendimentos reais despencarem para perto da faixa de zero. As pessoas acham isso muito estranho e que os rendimentos deveriam voltar a decolar. O novo normal para o crescimento é baixo crescimento. E se o crescimento real é insignificante, taxas de juros reais zeradas – se não houver risco de calote – fazem muito sentido.

Parece que não vai ser nada fácil ganhar dinheiro nos mercados. Como você vê o cenário para os investimentos se comportando nos próximos dez anos?

Arnott: Gostaria de ver os consumidores finais ficando mais interessados em investir e se tornando, até certo ponto, estudantes dos mercados. Quando as pessoas investem, elas frequentemente o fazem de forma muito casual sem pensar muito a respeito. Elas muitas vezes o fazem de forma instintiva, seguindo as tendências.

Ao escolher seus próprios investimentos, as pessoas frequentemente analisam uma lista de fundos. Elas dizem: “Hum, este aqui foi realmente muito bem nos últimos um, três e cinco anos. Gostei dele. É o que quero.”

Agora, como profissionais do investimento, sabemos que eles se sairiam melhor se analisassem uma série de opções e encontrassem uma estratégia, um fundo ou uma classe de ativos e dissessem: “Oh, este aqui foi muito mal durante um, três e cinco anos e sua taxa de administração é baixa e o gestor ou a estratégia é fiel ao seu mandato. Provavelmente está pronto para uma virada. Vou colocar meu dinheiro lá.” Quantas pessoas em mil pensam dessa forma?

Nenhuma

Arnott: Ainda assim, instintivamente, como investidores, sabemos que são as pessoas que pensam dessa forma as que têm os melhores resultados.

Estamos no único grande negócio da macroeconomia mundial em que quanto maior o preço do ativo, mais popular ele é. Em que as pechinchas são esnobadas. Em que o preço cai 20% e o cliente diz: “Não quero nem ver isso!”. Em que o preço sobre 50% e o cliente diz: “Posso levar mais um, por favor?”.

A natureza humana nos condiciona a buscar aquilo que teve o melhor desempenho. O que teve melhor desempenho traz uma sensação boa. E, no entanto, qualquer estudante de mercado sabe que essa é uma forma tola de se investir.

Fonte: Valor Econômico
Foto: Tim Boyle/Bloomberg
Postado por: Raul Motta Junior

Cenário econômico dificulta captações externas em 2015

Reais

Em 2015, não há Copa nem eleições, mas a atividade do mercado de dívida internacional deve encontrar outros obstáculos e provavelmente não irá superar os números de 2014, na avaliação de executivos que atuam na área.

O ajuste macroeconômico previsto para a economia brasileira, a queda nos preços das commodities, a normalização da política monetária americana e a situação confortável de liquidez das grandes empresas do país são alguns dos empecilhos citados por executivos a uma guinada nas captações externas em 2015.

“A tendência é termos um volume de emissões menor em 2015, embora isso possa mudar ao longo do ano”, afirma André Silva, diretor de mercado de capitais do Deutsche Bank. Ele lembra que, no segundo semestre de 2014, houve apenas seis operações e muitas companhias cancelaram ofertas. “As execuções foram bem mais difíceis”, diz. “Claramente o poder de barganha saiu do lado dos emissores e está do lado dos investidores agora.”

Apesar de a segunda metade do ano ter sido fraca, emissores brasileiros captaram um total de US$ 47,9 bilhões no mercado de dívida internacional em 2014, mais que os US$ 39,2 bilhões registrados em todo 2013, de acordo com levantamento do Valor Data. “Mas não há nada que diga ‘puxa, o mercado está fantástico, provavelmente ano que vem a gente vai bater outro recorde'”, diz Silva.

O primeiro, e provavelmente o maior, entrave ao fortalecimento das emissões de bônus é o cenário macroeconômico. A expectativa é que seja feito um ajuste fiscal e monetário, que terá consequências para a atividade econômica. O crescimento baixo deve manter as empresas pouco ativas no mercado de dívida, ao menos no primeiro semestre.

Alexei Remizov, diretor de mercado de capitais do HSBC, explica que o mercado está “na fase de avaliar as perspectivas de crédito do Brasil”. Por isso, ele também projeta um enfraquecimento na atividade desse mercado. “Com certeza vamos ver um volume de emissões mais fraco”, diz.

Outra dificuldade é a queda nos preços das commodities, em especial o petróleo, que tem forte impacto para economias exportadoras desses produtos, como é o caso do Brasil. Muitos países emergentes viram seus prêmios de risco subirem em decorrência desse movimento, tornando as captações mais caras.

No caso do Brasil, a piora no risco também se deve às investigações de corrupção envolvendo a Petrobras e ao momento de transição na política econômica, que gera incertezas.

“O que vai ser importante para o mercado é se vai mudar a perspectiva de crescimento [do Brasil]”, afirma Remizov. “Isso é o que pode gerar mais investimentos e mais captações”, diz.

Eduardo Freitas, corresponsável pela área de emissão de dívida do Citi no Brasil, também chama atenção para esse fator. Ele aponta que será preciso verificar se o governo irá implementar as medidas de ajuste e como o mercado irá reagir a essa política. “Tem fatores de risco que são diferentes do ano passado”, diz.

Freitas também levanta outras questões que irão pautar o mercado de dívida no ano que vem, como a normalização da política monetária dos Estados Unidos, a recuperação ainda lenta da zona do euro a despeito dos juros baixíssimos e a recessão do Japão. “O mercado do próximo ano não tem Copa nem eleição, mas tem, na outra ponta, fatores globais importantes”, diz o executivo.

Todas essas questões devem manter a palavra “seletividade” como regra no mercado. “O investidor está muito mais focado em estudar o crédito”, afirma Adrian Guzzoni, que coordena, ao lado de Freitas, a área de emissão de dívida do Citi no Brasil.

O ambiente, portanto, não deverá ser muito favorável aos novos emissores. “Não vejo, por enquanto, muita capacidade de acesso para empresas de padrão menor”, diz Remizov, do HSBC. “O mercado vai ficar mais confortável com nomes já estabelecidos”, afirma.

Para as grandes empresas, o mercado estará aberto, mas a um custo mais alto. “O mercado todo está requerendo um prêmio maior para novas emissões na América Latina toda”, diz Guzzoni, do Citi.

Como as grandes companhias brasileiras estão, em geral, bem capitalizadas e não têm volumes expressivos de dívidas vencendo no próximo ano, isso não deve ser um grande problema.

“As empresas de primeira linha estão todas muito bem equacionadas”, afirma Silva, do Deutsche Bank. “Fizeram um trabalho muito bom de gestão de passivos e de antecipação de suas necessidades de financiamento.” Além disso, ele afirma que a maioria das grandes empresas ainda consegue fazer operações no mercado bancário. “Então, não há nenhum tipo de pressão.”

As operações de gestão de passivos, que foram recorrentes neste ano, devem continuar fortes em 2015. “Muitas companhias já fizeram, mas não todas elas”, afirma Freitas, do Citi. “Elas podem aproveitar enquanto os juros lá fora continuam baixos.”

Outra tendência para 2015, apontam alguns executivos, são os “project bonds”, bônus atrelados a um projeto. Remizov, do HSBC, avalia que a nova equipe econômica irá estimular o mercado externo a conceder funding de longo prazo às empresas e, nesse contexto, esse instrumento pode ganhar relevância. “Algumas empresas de infraestrutura vão pensar em captar para projetos específicos”, diz.

Freitas, do Citi, lembra que o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sinalizou que o BNDES passará a ser menos ativo no mercado como um todo. “Então acho que o setor de infraestrutura irá se financiar mais em mercado de capitais”, afirma. “O mercado internacional certamente tem espaço para captações de infraestrutura.”

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Cenário internacional para o ano que vem

Possíveis consequências da baixa do preço do petróleo, efeitos da forte desvalorização da moeda da Rússia e impactos causados pela perspectiva do aumento dos juros pelo Fed, o banco central americano. Esses são os pilares na construção dos diferentes cenários para os investimentos em 2015.

Tendo em vista o atual volume de incertezas, em algumas situações pode ser fundamental partir da análise global das principais tendências socioeconômicas para definir as melhores aplicações. Por exemplo, no seminário promovido pela Morningstar, uma provedora de serviços de análises de investimentos, a apresentação começou pela discussão de temas mais amplos.

Segundo os especialistas da empresa, a queda do ritmo de crescimento da população nos países desenvolvidos, a tendência de aumento do número de pessoas trabalhando em casa, o crescimento do comércio eletrônico e a desaceleração econômica da China são assuntos para ficar no radar.

A premissa é que o aumento da população ativa é um fator fundamental para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Quando a quantidade de trabalhadores cresce menos, é preciso aumentar drasticamente a produtividade para manter o ritmo de incremento do PIB.

Pelo raciocínio, empresas mais eficientes e com atuação nos setores com maiores chances de desenvolver e incorporar os ganhos de produtividade tendem a ser mais rentáveis no longo prazo.

A tendência de aumento do trabalho em casa e a expansão do comércio eletrônico, por sua vez, podem ocasionar a diminuição da necessidade do espaço físico de escritórios, lojas e agências bancárias. Isso tende a gerar impactos no mercado imobiliário.

E a desaceleração do ritmo de crescimento da China pode significar a redução da demanda por commodities. A eventual queda nas cotações dos produtos básicos traria consequências diferentes para os países produtores e consumidores.

Nesse último caso, a gestora de recursos T. Rowe Price estima que Coréia, México e a própria China, por serem economias com características de prestação de serviço para os países desenvolvidos, tendem a ser favorecidos por um eventual ciclo de baixa das commodities. Isso porque o custo das importações ficaria mais baixo.

Em contrapartida, prossegue a avaliação, Brasil, Indonésia e Rússia poderiam enfrentar dificuldades, já que a pauta de exportação é fundamentada em matérias primas.

Um tema comum que acompanha as diversas análises dos especialistas é a constatação de que, nos últimos anos, o desempenho do mercado de ações dos EUA tem sido muito superior ao dos demais países do mundo. Para a T. Rowe Price, a justificativa para a diferença de índices tais como o S&P 500 em relação aos similares em outros países é a melhor performance das empresas americanas.

O argumento é que as companhias nos EUA tiveram aumento de lucros nos anos recentes, o que explica os preços mais elevados com os quais investidores passaram a avaliar os papéis. A comparação entre o S&P 500 com o índice ACWI ex-US, que acompanha cerca de 6.000 ações negociadas em 22 países desenvolvidos (com a exceção dos Estados Unidos) e em 23 mercados emergentes, dá uma dimensão do domínio do mercado americano. Desde 2010, a rentabilidade acumulada do S&P 500 foi de 15,7% ao ano, em comparação ao aumento de 4,9% ao ano do ACWI ex-US.

No entanto, a Bianco Research, casa independente de análise estratégica, aponta para fato curioso. Na média, o crescimento econômico mundial foi superior ao dos Estados Unidos no período. O que indicaria, na verdade, que o excelente desempenho do mercado americano teria sido a política monetária expansionista do Fed.

Portanto, com a esperada elevação dos juros nos Estados Unidos, é muito provável que ocorram ajustes nos preços dos ativos. Na renda fixa, o J.P. Morgan Asset Management estima impactos diferentes, conforme o prazo médio dos títulos em carteira, o risco de crédito e o setor de atuação da companhia emissora.

Para os especialistas da gestora, o mais importante é os investidores evitarem operações “PIPO”. O acrônimo em inglês significa “pânico na entrada (“in”) e pânico na saída (“out”)”. Manter uma estratégia de longo prazo é fundamental para evitar armadilhas comportamentais.

Um aspecto relevante, especialmente para o investidor brasileiro, é a observação da T. Rowe Price sobre os momentos diferentes que vivem os bancos centrais dos diversos países. Ao que tudo indica, o Fed está próximo de iniciar um ciclo de alta que pode derrubar o valor dos títulos com determinados prazos de vencimento, mas em outros países, como o Brasil, a situação pode ser oposta. É importante observar que alguns BCs estão em ciclos diferentes de ajuste da política monetária, com consequências distintas para os preços dos ativos.

Manter uma perspectiva internacional pode proporcionar aos investidores melhor alocação de recursos, mesmo considerando apenas as alternativas disponíveis no mercado brasileiro.

Marcelo d’Agosto é economista especializado em administração de investimentos com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Exterior mais popular

Gestores de recursos preparam-se para construir novas pontes entre investidores brasileiros e ativos globais. A Instrução nº 555 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que passa a regular fundos a partir de julho de 2015, dá vazão à demanda por aplicar recursos fora, que ganhou força de dois anos para cá devido a uma combinação de recuperação da economia americana e retornos mais tímidos no Brasil. Os gestores discutem novos tíquetes de entrada – estudam valores a partir de R$ 100 mil – para os fundos que destinam 100% dos recursos ao exterior, com o fim da regra de aplicação mínima de R$ 1 milhão.

Também para atender o público qualificado – até então com mais de R$ 300 mil em patrimônio investido e, pela nova regra, com R$ 1 milhão – os gestores preparam-se para chegar a 40% aplicados fora, acima dos atuais 20% para multimercados e 10% para carteiras de ações. Os fundos de BDRs (recibos de ações estrangeiras negociados no Brasil), por sua vez, vão se tornar as carteiras de investimento global mais acessíveis. Hoje restritas aos qualificados, a partir de julho elas vão poder ser oferecidos a qualquer investidor.

As mudanças na instrução de fundos atendem a um pleito do mercado. O número de fundos globais, que investem 100% dos recursos em ativos no exterior, avançou com velocidade recentemente. Somente em 2013 e 2014 foram criados 309 fundos, abertos e exclusivos, que têm investimento no exterior no nome, ou a sigla IE, segundo um levantamento feito pela provedora de dados Morningstar a pedido do Valor. Entre 1997 e 2012 tinham sido criados 513. Ou seja, o estudo mostra um crescimento de 60% no número de carteiras somente nos últimos dois anos. Os fundos criados depois de 2013 somam R$ 24,88 bilhões, totalizando R$ 122,79 bilhões.

Para captar mais, essas carteiras esbarram até o momento na exigência de aplicação mínima de R$ 1 milhão. Esse é um entrave mesmo para patrimônios elevados, já que o investimento no exterior corresponde a somente uma fatia da alocação. A partir de julho, quem somar R$ 1 milhão em investimentos financeiros vai poder acessar esse tipo de fundo.

“Com certeza cresce o número de investidores elegíveis e a diversificação é saudável”, diz André Leite, responsável pela seleção de fundos na gestora de fortunas Tag Investimentos. “Esse tipo de fundo passa a fazer sentido para diversos clientes menores, com R$ 1 milhão ou R$ 2 milhões.” A própria Tag tem uma carteira em que seleciona gestores internacionais para os clientes e estuda reduzir a aplicação mínima do atual R$ 1 milhão obrigatório para R$ 100 mil.

O primeiro fundo global da gestora de recursos JGP para investidores brasileiros será lançado neste mês com aplicação mínima de R$ 1 milhão, mas já com planos de redução do tíquete de entrada para algo entre R$ 100 mil e R$ 200 mil em julho. A tradicional gestora de multimercados e ações preparava-se há dois anos e meio para oferecer o produto. “Começamos a ver que a estagnação do Brasil ia levar a um universo mais difícil para encontrar boas oportunidades aqui”, diz Ruy Alves, gestor do novo fundo, que juntou-se à equipe da JGP em 2012, depois de 15 anos na gestora Aviva Investors, em Londres.

Na seleção de cerca de 20 ações para o portfólio, Alves busca o que chama de “compounders”, com base na teoria que desenvolveu em seu mestrado na London Business School. A ideia é escolher companhias com alto retorno sobre capital e que reinvestem um percentual elevado dele, criando uma progressividade de ganhos semelhante à dos juros compostos. O fundo dá acesso a investidores brasileiros a empresas como a Carter’s, de artigos infantis, e a VF Corporation, dona de marcas como Timberland e The North Face.

A carteira nasce com 70% do patrimônio alocado nos Estados Unidos e o restante na Europa, que deve crescer gradualmente no portfólio. “A Europa é uma região com potencial de recuperação de lucros muito forte”, afirma Alves. A relação entre preço e lucro das ações, aponta, está abaixo da metade do topo do ciclo anterior. Para Estados Unidos, o gestor da JGP defende que a alta do S&P, de mais de 40% de 2013 para cá, foi completamente justificada pelo crescimento de lucros das empresas. “O movimento não é baseado em irracionalidade”, diz.

A elevação de juro pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) não deve resultar em um fluxo para renda fixa, tirando força do mercado de ações americano, na opinião de Alves. Ele lembra que, ainda que a taxa chegue a 2%, o país terá juro real nulo.

Ainda que momentos de alta de juros tragam ansiedade, o ajuste não faz a bolsa americana ficar cara também na opinião de Artur Wichmann, gestor de fundos internacionais da Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG). Ele espera um 2015 semelhante a 2014, não tão forte quanto 2013, mas com o desempenho do S&P acompanhando de perto o crescimento no lucro operacional das empresas. “A forma mais razoável de pensar é que as empresas vão entregar crescimento de lucro e o mercado vai pagar por ele”, diz.

O Prisma, carteira global mais conhecida da CSHG, rendeu 21% em 2013 e acumula 9% até novembro deste ano. O patrimônio está concentrado na América do Norte, com 63% do total. As carteiras da casa também devem se tornar mais acessíveis em julho. A nova aplicação mínima está em estudo, mas diminuir faz todo o sentido, afirma Wichmann.

No BTG Pactual, está em estudo reduzir a aplicação mínima do Top Strategy, carteira criada neste ano que reúne quatro estratégias da gestora. Como investe apenas 40% do patrimônio no fundo Global, que aplica no exterior, essa carteira pode, dentro da 555, ser destinada a qualificados, abandonando a aplicação mínima de R$ 1 milhão. O novo tíquete de entrada ainda está em debate dentro da casa.

João Scandiuzzi, estrategista-chefe da gestora do BTG, também vê o mercado americano ainda com fôlego, mas com alguma moderação. Nos portfólios da casa, tanto na renda fixa quanto na renda variável, há uma redução da parcela investida em ativos americanos e uma migração para europeus. No mercado de crédito, por exemplo, ele percebe uma redução dos “spreads” em papéis americanos e, em contrapartida, diferenciais mais estáveis em países periféricos da Europa.

Na renda variável, o estrategista do BTG acrescenta que o dólar mais forte tem um efeito moderador sobre o crescimento do lucro, já que 40% da demanda pelos produtos das empresas listadas na bolsa americana vem de fora.

A BB DTVM também vai ampliar para 40% o percentual investido no exterior em três fundos oferecidos ao cliente do private banking que hoje aplicam 20% em uma seleção de carteiras globais, com aplicação mínima de R$ 25 mil. O mais recente, criado em julho, é dedicado a ativos europeus, hoje com predominância nos setores financeiro, de consumo e saúde, que inclui empresas como Novartis e Roche.

Carlos Massaru Takahashi, presidente da BB DTVM, conta que também há a intenção de estender à pessoa física o acesso às carteiras globais criadas em outubro do ano passado para os fundos de pensão brasileiros acessarem carteiras geridas por BlackRock, J.P. Morgan, Franklin Templeton e Schroders.

A gestora M Square vai discutir até julho se reduz ou não a aplicação mínima de seu fundo criado em agosto do ano passado para investir em quatro fundos de casas globais. “Essa é a classe de ativos mais importante hoje para ter aumento do poder de compra do patrimônio ao longo do tempo”, diz Arthur Mizne, responsável pela área de investimentos globais da M Square.

Para Mizne, que monta carteiras globais para investidores de alto patrimônio há 17 anos, o investidor brasileiro tende a se sentir mais confortável em acessar ativos globais por meio do gestor local.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

A pizza dividida em três fatias

alocacaodeativos

O investidor precisa dividir seus recursos entre algumas categorias de ativos financeiros. Essa decisão é chamada de alocação de ativos e alguns alegam que ela é mais importante do que a seleção de ativos específicos. Em outras palavras, muitos acreditam, por exemplo, que é mais importante decidir a proporção a investir em ações em geral do que a escolha das empresas em cujas ações investir.

A sugestão de repartir os recursos em partes iguais vem dos escritos de um rabino do século IV. A sugestão Talmúdica foi de um terço em terras, um terço em mercadorias e um terço em ativos líquidos. A divisão em partes iguais ainda é muito usada. É frequente que investidores dividam seus recursos em partes iguais quando não têm preferências claras que justifiquem proporções diferentes a serem investidas em cada ativo. Embora nem todas as categorias talmúdicas de ativos sejam apropriadas para uma alocação no mercado de ativos financeiros do presente, o princípio permanece o mesmo. Além disso, a categoria de ativos muitos líquidos, que traga segurança e conveniência para o investidor, continua muito importante.

Pode-se facilmente pensar em três grandes classes de ativos financeiros no Brasil. A primeira é justamente “dinheiro”, ativos que facilmente se transformariam no próprio e que não apresentam muito risco. Ela poderia ser representada, por exemplo, por um investimento em um fundo referenciado ao DI com taxa de administração baixa ou até pela caderneta de poupança. Os fundos DI são muito líquidos e o investidor geralmente obtém seus recursos em um dia. A segunda classe poderia ser de ativos indexados à inflação, com prazo mais longo, liquidez um pouco menor e risco maior. Essa categoria, que chamarei de “inflação”, protegeria parcialmente o poder de compra do investidor e é interessante no médio e longo prazo. O investidor poderia implementá-la facilmente por meio de um fundo de renda fixa com títulos indexados à inflação ou, talvez melhor, comprando diretamente títulos públicos federais indexados à inflação, como a NTN-B, no Tesouro Direto, cuja liquidez é semanal.

A terceira e última categoria seriam as ações. Essa deve ser a categoria de longo prazo por ser a de maior risco e representa a participação do investidor na atividade econômica brasileira, refletida no valor das empresas. Em vez de decidir que ações comprar, o investidor poderia simplesmente investir em um fundo indexado ao Ibovespa ou a outro índice de ações – há vários deles – ou comprar na bolsa ações de um fundo indexado de ações, conhecido como Exchange Traded Funds (ETF). Também já existem vários. O investidor teria um terço de seus recursos investidos em cada um desses fundos ou títulos sugeridos, que representam as categorias: “dinheiro”, “inflação” e “ações”.

O valor de cada uma das três fatias dessa pizza varia diariamente e um pedaço pode ficar bem maior do que os outros algum tempo depois da alocação inicial. É aí que entra outro elemento importante dessa estratégia. O rebalanceamento periódico consiste em voltar o peso das três categorias para um terço e é feito poucas vezes no ano (de duas a quatro vezes, por exemplo, já estaria bom). Sendo assim, digamos que as ações subiram de preço seis meses depois do investimento inicial e que passaram a representar 40% da carteira do investidor, ficando as outras duas categorias, dinheiro e inflação, com 30% cada. Neste caso, na época do rebalanceamento, o investidor resgatará uma parte do fundo de ações, vendendo parcialmente a porção de sua carteira que subiu de preço e investindo o produto dessa venda parcial nas outras duas categorias para voltar o peso de cada uma delas para um terço. Por outro lado, se as ações tiverem caído, o investidor fará um resgate parcial do fundo DI e/ou do fundo indexado à inflação para comprar as ações a preços mais baixos, ajustando as proporções das três classes de ativos de volta a um terço.

O investidor deve executar o rebalanceamento mecanicamente, isto é, chegado o dia do rebalanceamento, o investidor reequilibra os pesos das três categorias de volta para um terço sem tentar adivinhar se deve esperar mais um pouco ou se deve manter a carteira desbalanceada. A maioria dos investidores não tem informação adequada para tomar esse tipo de decisão de “timing” e mesmo os investidores profissionais bem informados erram muito quando tentam fazer “timing”. Estratégias de alocação como essa, muitas vezes chamadas de ingênuas, executadas de forma mecânica, podem superar fundos de gestão ativa liderados por profissionais em períodos de cinco anos ou mais.

É claro que não afirmo que essa é uma estratégia que será sempre melhor do que a gestão profissional dos recursos, mas ela é bastante simples e não força o investidor que não tem informações a tentar adivinhar qual será o melhor gestor de fundos ativos ou as melhores ações a comprar, pois os fundos escolhidos são indexados (passivos). O investidor implementa a estratégia por meio de fundos indexados ao DI e a um índice de ações, sempre buscando fundos de gestão passiva com a mais baixa taxa de administração que encontrar.

É importante que o investidor tenha R$ 50 mil ou mais, digamos, para investir de forma a ter acesso a boas taxas de administração. Um investidor com menos dinheiro poderia dividir seus recursos igualmente em apenas duas categorias. Uma delas deve ser o fundo DI, para ter liquidez e correr menos risco. A outra depende do apetite ao risco do investidor, podendo ser “inflação” ou “ações”. Um investidor que não tolere a volatilidade das ações também poderia dividir seu dinheiro em duas partes iguais: fundo DI e “inflação”. Finalmente, é preciso destacar que o investidor deve ser disciplinado e seguir a estratégia por vários anos. Caso seu horizonte seja de prazo mais curto, o melhor mesmo é investir tudo na categoria “dinheiro” e jamais contar com os resultados de ações ou, até mesmo, de títulos indexados à inflação.

Ricardo P. C. Leal é professor titular de finanças do Instituto Coppead de Administração da UFRJ.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Aumento de juros pode ajudar pequena e média empresa, revela pesquisa

Embora a teoria diga o contrário, a primeira impressão do pequeno empresário, hoje, é que novos aumentos nos juros devem ser bons para os seus negócios e ajudar a impulsionar as vendas. Na percepção desses empresários, os prejuízos com a inflação, que aparecem em aumento de custos e perda de vendas, ultrapassaram o ponto em que é melhor conviver com ela do que arcar com as consequências de combatê-la.

Esse é um dos dados revelados pelo Índice de Confiança do Empresário de Pequenos e Médios Negócios no Brasil (IC-PMN), feito trimestralmente pelo Centro de Pesquisas em Estratégia do Insper em parceria com o banco Santander. A pesquisa, que verifica o otimismo do empresário em relação à economia e aos negócios para os próximos três meses, perguntou também sobre a expectativa com relação às medidas tomadas de combate à inflação, como o aumento da taxa de juros, e os efeitos sobre o próprio negócio.

Para surpresa dos pesquisadores, 47% dos entrevistados disseram que os negócios aumentariam (37%) ou aumentariam muito (10%). Entre os demais, 30% alegaram que os negócios “permaneceriam inalterados” ante juros mais altos e outras medidas de combate à inflação; 18% disseram que diminuiriam e apenas 5% responderam que as vendas diminuiriam muito.

“Foi um resultado que nos chamou a atenção, já que a princípio é contraintuitivo”, disse o economista e professor do Insper Gino Olivares. “O que o empresário está dizendo é que a inflação já está atrapalhando. Ela acaba fazendo um estrago pior do que os efeitos que um eventual combate a ela podem ter sobre a sociedade.”

Para o professor, a situação chegou a um ponto em que os juros mais altos podem até acabar resultando em mais investimentos, e não o contrário. “O que o empresário que planeja investir quer é ver a economia crescendo. Se, como aparece na pesquisa, ele está incomodado com a inflação a ponto de achar que isso prejudica o desempenho, então o combate a ela via aumento de juros pode ter efeito positivo no longo prazo. O empresário vê que a inflação melhorou, a atividade é retomada e ele pode investir.”

O índice de confiança do Insper atingiu nesta edição o menor patamar na série histórica, iniciada em 2008: somou 58,9 pontos, queda de 7,2% em comparação aos 63,4 pontos do levantamento anterior. A pontuação diz respeito às expectativas do empresário para o primeiro trimestre de 2015 – a pontuação é dada em escala de zero a 100, em que, quanto mais próximo do 100, maior é o otimismo.

O pior desempenho foi no quesito que verifica as expectativas em relação à economia brasileira no próximo trimestre: houve queda de 10,2%, para 51,6 pontos. A perspectiva quanto ao faturamento da empresa recuou 8,8%, para 54,7%, e a intenção de fazer investimentos no período teve pontuação 4,8% menor, caindo a 57,5 pontos.

O levantamento foi feito entre 10 e 12 de dezembro com 1,3 mil empresários em todo o país, que representam empresas que faturam até R$ 80 milhões ao ano.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Desempenho vencedor

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Baixo crescimento econômico, elevada inflação, expectativas sobre a alta dos juros americanos e reviravoltas no quadro eleitoral. Navegando em meio a esse cenário de mercados turbulentos, os gestores de recursos mais uma vez tiveram que usar todas as suas habilidades para fazer o dinheiro dos cotistas render. O resultado pode ser conferido no Star Ranking, elaborado com exclusividade pela Standard & Poor’s para o Valor.

Os conhecimentos dos especialistas também devem ser bastante requisitados em 2015. Os gestores esperam trabalhar num ambiente parecido, apesar de estarem timidamente otimistas com a almejada mudança nos rumos da política econômica.

Em renda fixa, a solução que os gestores de fundos estrelados encontraram para lidar com a elevada volatilidade dos juros foi adotar a gestão tática, aproveitando as oportunidades de compra surgidas com a distorção de preços dos ativos, mas sem esperar muito tempo pela valorização e respeitando limites de risco considerados saudáveis. Outra saída vencedora, quando bem executada, foi a compra de títulos privados para engordar a rentabilidade e reduzir a oscilação das cotas dos fundos.

Na renda variável, o cenário também foi bastante adverso por conta da desaceleração econômica e da alta de juros, e ocorreu uma fuga para a qualidade. “Não foi um ano fácil para as empresas, que encontraram dificuldades para crescer”, afirma Walter Maciel, sócio da Quest Investimentos. A despeito dos percalços, os fundos de ações com cinco estrelas foram mais representativos nessa categoria: no presente ranking, 10,2% ficaram com a nota máxima. No levantamento do ano passado, 7,6% tinham obtido cinco estrelas.

A principal estratégia vencedora foi a busca de companhias resistentes, cuja demanda por bens ou serviços não depende tanto do aquecimento da economia. Outra estratégia comum foi o investimento em ações de empresas exportadoras, que se beneficiam com a alta do dólar. Os fundos multimercados long and short estrelados usaram a mesma lógica. Mas os multimercados, em geral, sofreram um pouco com a volatilidade.

A nomeação de Joaquim Levy como ministro da Fazenda e a sinalização de que a política econômica poderá mudar em 2015 trouxeram um sopro de esperança aos gestores. Mas, calejados por uma sucessão de anos ruins, eles preferem ver para crer e ainda estão privilegiando a gestão tática, oportunista, em detrimento dos investimentos de prazo mais longo.

As carteiras de renda fixa da SulAmérica Investimentos, por exemplo, estão no momento muito leves, sem apostas direcionais em taxas de juros, apenas com uma posição residual em títulos prefixados e a maior parte em pós-fixados: “É necessário entender como vai ser o trabalho das políticas monetária e fiscal. Estamos esperando o melhor momento para montar posições estruturais”, afirma Marcelo Mello, vice-presidente da casa.

A cautela também prevalece nas carteiras de ações, ainda defensivas. O cenário traçado para 2015 é basicamente o mesmo de 2014, com atividade fraca e dólar forte. A Quest Investimentos, por exemplo, projeta o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 0,5% no ano que vem, com menor contribuição do consumo e maior do investimento, já que a expectativa da casa é que a inflação permaneça perto do teto da meta (IPCA entre 6% e 6,5%). Vale lembrar que, ao projetar esse PIB, os gestores não levaram em conta a possibilidade de ocorrer racionamento de energia. A meta da Selic, consideram a Quest, deve terminar 2015 entre 12% e 12,5%, mas a magnitude dependerá do esperado ajuste fiscal.

“Ainda há uma série de incertezas sobre a política econômica, mas o mais importante é a direção”, afirma Alexandre Silvério, também sócio da empresa. Se a nova equipe conseguir recuperar credibilidade, o gestor considera que as ações podem voltar a ser uma classe de ativos atraente. Hoje, afirma, as companhias são negociadas na bolsa a valores muito descontados, mas podem voltar a crescer com mais força.

O anúncio da nova equipe já foi suficiente para que a Quest fizesse pequenos ajustes na carteira, mas sem incorporar grandes riscos e sem a perspectiva de manter os papéis por muito tempo. “Ainda não é possível ser otimista sem ter todos os dados na mesa”, diz Silvério. Ele considera que, se as expectativas melhorarem, a análise “top-down” (que parte do olhar macroeconômico) passará a ter menos peso do que a análise dos fundamentos das empresas.

Para Milton Cabral, gestor da Bradesco Asset Management (Bram), as ações podem se beneficiar da melhora das expectativas. “O cenário ainda é negativo, mas, se as medidas forem boas, o aumento da confiança se refletirá na taxa de desconto utilizada para calcular o preço justo das ações.” A maior austeridade fiscal teria por efeito a redução dos juros de longo prazo, elevando as estimativas de preço justo das ações. Mas ainda é cedo para saber. Por isso, os gestores ainda estão aplicando nas empresas com mais qualidade, com perspectivas de aumento de lucro, mesmo que o preço de suas ações esteja mais alto.

Bernardo Gomes, gestor da BBM Investimentos, também espera mais do mesmo em 2015, mas a casa de gestão ainda está aperfeiçoando os estudos de cenário. Até agora, prevalece um certo otimismo com a mudança da equipe econômica: “Pode haver mudança da dinâmica da inflação e retomada da credibilidade”, afirma. Ele considera que os ativos brasileiros estão com descontos “razoáveis” e que há prêmios de risco interessantes, mas não pretende montar posições estruturais, de longo prazo, porque ainda não há cenários claros. Como ponto positivo, está a liquidez na economia mundial, que continua abundante, favorecendo a aplicação em países emergentes com reformas estruturais em andamento. A pergunta de muitos milhões é se o Brasil será um desses países.

Outra pergunta de muitos milhões é se – e até quando – essa abundância de recursos jogará a nosso favor: “O aumento dos juros americanos vai mudar a percepção de risco de outras economias. O desafio dos gestores é saber a magnitude e a persistência desse movimento de alta das taxas”, afirma Carlos Eduardo Eichhorn, superintendente da Mapfre Investimentos. A expectativa da casa de gestão é que os juros sejam elevados por volta de julho do ano que vem. Outros gestores esperam o aumento para o terceiro trimestre. Portanto, o primeiro semestre deverá ser definitivo para que a nova equipe econômica consiga mudar as expectativas, fortalecendo o país para lidar com o cenário de menor liquidez mundial.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Júnior

Bancos chineses oferecem até Mercedes para atrair depósitos

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Desesperados para atrair clientes em busca de alternativas para suas economias, os bancos chineses estão recorrendo a brindes. Uma agência em Pequim oferece um iPhone 6 Plus ou uma Mercedes-Benz. Descontos, viagens para fora do país, taxas de juros com o maior ágio já registrado sobre a taxa básica oficial e até mesmo hortaliças de graça estão entre as coisas que os bancos estão oferecendo aos chineses para que eles depositem seus yuans em poupanças. A concorrência está saindo cara.

“Os bancos chineses estão vendo uma sangria de seus depósitos”, diz Rainy Yuan, analista da corretora Masterlink Securities Corp. em Xangai. “Não há uma solução para isso. Todos os esforços que eles fazem para conquistar clientes servirão apenas para aumentar os custos, de modo que esta é uma batalha perdida.”

Os retornos maiores dos fundos da internet e produtos como as sociedades de investimento, combinados com a promessa de alta acentuada do mercado de ações, estão exaurindo os bancos da China. Eles perderam 950 bilhões de yuans (US$ 154 bilhões) em depósitos nos três meses até setembro, a primeira queda trimestral desde 1999. Nos primeiros 11 meses do ano, os novos depósitos foram 23% menores que os do mesmo período do ano passado, segundo dados do Banco do Povo da China, o banco central chinês.

A promoção do iPhone, feita pelo Ping An Bank de Shenzhen em uma agência de Pequim em outubro, ofereceu um iPhone 6 Plus de 128 gigabytes em vez de pagamentos de juros pelo depósito de 38 mil yuans por cinco anos. Para depositar 903 mil yuans pelo mesmo período, os poupadores podiam escolher um de quatro modelos de carro Mercedes-Benz. Um Mercedes A180, que custa 252 mil yuans, daria aos investidores o equivalente a um retorno anualizado de quase 7%, em comparação à taxa referencial de 4% sobre depósitos por cinco anos.

A Comissão Reguladora Bancária da China proibiu em setembro o que classificou de práticas de captação de depósitos “ilícitas”, que incluíam presentes e descontos em depósitos. A autoridade reguladora prometeu punir os bancos que burlassem sua decisão, sem esclarecer se a distribuição de produtos no lugar de pagamentos de juros se constituía como presente.

Um porta-voz do Ping An Bank não quis falar sobre os brindes.

Os investidores chineses estão aplicando dinheiro em fundos de “money market” [fundos mútuos abertos que investem em títulos de dívida de curto prazo] da internet, oferecidos por empresas como Alibaba Group Holdings e Baidu. O Yu’E Bao, lançado no ano passado pela Alipay, uma subsidiária da Alibaba, atraiu 535 bilhões de yuans em seus primeiros 15 meses de existência, de um total de 149 milhões de clientes – mais que as populações da França e Reino Unido juntos. Os usuários simplesmente apertaram alguns botões de seus celulares para garantir uma taxa anual que chegava a 6,8%.

Enquanto isso, famílias alocaram 12,9 trilhões de yuans para produtos de alto rendimento de sociedades de investimento até 30 de setembro, fazendo delas o segmento de maior crescimento do que a China define como “shadow banking” – atividade financeira fora do sistema bancário oficial. As sociedades de investimento (“trusts”), que permitem aos indivíduos investir em imóveis e outros projetos para obter retornos de mais de 10%, viram seus ativos administrados crescer mais de dez vezes desde o começo de 2009.

A valorização de 43% do Índice Composto da Bolsa de Xangai nos últimos seis meses também atraiu os poupadores para as ações. Na primeira semana de dezembro, os investidores chineses abriram quase 600 mil contas de negociação de ações, um aumento de 62% sobre a semana anterior, segundo a China Securities Depository and Clearing Co.

Para estimular a economia, o banco central chinês anunciou em 21 de novembro um corte na taxa básica de juros, pela primeira vez em mais de dois anos, de 3% para 2,75%, sobre depósitos de um ano. Ao mesmo tempo, a taxa de juros máxima que os bancos podem pagar aos clientes foi elevada de 10% para 20% sobre o referencial, dando aos bancos a maior liberdade para estabelecer suas próprias taxas da história moderna da China.

Ping An Bank, China Citic Bank Corp. e Bank of Ningbo Co. imediatamente alertaram os clientes, via mensagens de texto, que vão oferecer as maiores taxas de juros permitidas, ou 3,3%.

O Industrial & Commercial Bank of China (ICBC) e seus quatro pares mais próximos controlados pelo Estado, decidiram inicialmente pagar 3%, mas o plano durou apenas duas semanas. Algumas agências em grandes cidades aumentaram então as taxas de depósito por um ano para o teto de 3,3%.

Zhou Xiaochuan, o presidente do banco central do país, prometeu desregulamentar totalmente as taxas de juros em um ou dois anos. As iniciativas para isso estão corroendo a base de depósitos barata que há décadas vem ajudando a elevar os lucros dos bancos chineses. As taxas fixadas pelo governo criaram um spread de cerca de 3 pontos percentuais entre as taxas de poupança e empréstimos.

Os bancos de médio porte e regionais serão os mais afetados, porque, ao contrário dos bancos estatais, eles não possuem grandes redes de agências para atrair clientes de varejo e dependem de financiamentos mais caros e voláteis de produtos de gerenciamento de fortunas, depósitos corporativos e empréstimos interbancários, diz Liao Qiang, diretor da Standard & Poor’s (S&P) em Pequim. “A batalha pelos depósitos só vai piorar na medida em que a China prosseguir com a liberalização dos juros, que vai aumentar os custos de financiamento dos bancos e afetar seus lucros”, acrescenta Liao.

Na província de Shanxi, no norte do país, o Industrial Bank Co. ofereceu um pingente de ouro por depósitos de 10 mil yuans por um ano. Também em Shanxi, o Citic Bank oferece um suprimento diário de ovos e hortaliças para clientes idosos por um prazo de três semanas, para depósitos de 10 mil yuans, segundo informou o jornal “Shanxi Daily”.
Fonte: Valor Econômico
Foto: China Daily
Postado por: Raul Motta Junior

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O Credit Suisse rebaixou a recomendação para as ações brasileiras de “neutra” para “underweight” (abaixo do mercado), em meio ao que vê como um cenário macroeconômico “desafiador para o ano que vem”.

O banco divulgou, no último dia 10, seu relatório de estratégia para ações da América Latina em 2015. Nele, Andrew Campbell, estrategista de renda variável para América Latina, observa que as projeções para Brasil contemplam um crescimento de apenas 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, com um cenário de maior depreciação do real, efeitos negativos da alta dos juros e um quadro difícil para criação de valor de empresas com uma inflação resistente.

Além disso, disse o estrategista ao Valor, a conjuntura externa traz perspectivas de desaceleração de economias importantes para o Brasil, como a China, e os preços das commodities devem se manter depreciados. Veja os principais trechos da entrevista.

Valor: O mercado brasileiro passa por uma correção em dezembro e o Ibovespa cai 12,3% no mês. Que fatores influenciam essa piora?

Andrew Campbell: Essa correção não é isolada. Nos últimos 30 dias [até quarta], o Brasil cai cerca de 6%, México recua 7%, a Colômbia 12% e o Peru, 3%. Claramente tem algum impacto que é mais geral sobre ações e está ligado ao ambiente para commodities. O minério de ferro cai 9% no mês e o petróleo recua cerca de 20%. Além disso, tem a questão das moedas, que estão passando por correção. O real cai cerca de 3% na comparação com o dólar, o peso mexicano cai 6% e o peso chileno, 5%. Estamos falando de uma tendência que é mais geral e não tão específica sobre o Brasil.

Valor: O Credit Suisse acaba de rebaixar a recomendação para as ações do Brasil de “neutra” para “underweight”. Qual o motivo?

Campbell: Há quem enxergue um certo valor no Ibovespa, após a queda de 55 mil pontos para [abaixo de] 50 mil pontos, e pergunta se é o momento para comprar. Mas, em nossa opinião, ainda não é o momento. Primeiro, temos um cenário macroeconômico desafiador para o ano que vem. Pelos números de nosso economista [Nilson Teixeira], a inflação deve chegar a 7% no primeiro semestre, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 0,5% em 2015 e a Selic deve atingir 13%. Com esse quadro interno e os desafios externos, porque alguém compraria bolsa nesse cenário? Seria por uma questão de preço. Mas a bolsa precisa estar barata para ficar interessante. E não está. Olhamos o múltiplo preço/lucro [relação entre preço da ação e lucro da empresa]. Para o próximo ano, o P/L projetado está em 11 vezes. É mais ou menos a média dos últimos cinco anos. Não abriu ainda o valor, teria que cair mais.

Valor: Que eventos podem melhorar a perspectiva paras a ações brasileiras em 2015?

Campbell: Primeiro, seria bom se chovesse. Depois, há alguns eventos que poderiam acontecer no exterior, mas não são tão prováveis, não estão no nosso caso base. Mas, por exemplo, estamos trabalhando com uma desaceleração na economia da China para 6,8% de crescimento do PIB em 2015. Se a economia chinesa não desacelerar, seria positivo, ajudaria nos preços das commodities. No cenário base assumimos que os juros vão subir nos Estados Unidos a partir de junho de 2015. Isso pode atrasar. Se atrasar, será bom para todos os emergentes. Em terceiro lugar, há o preço do petróleo que não para de cair. Se a Opep decidir mudar a política e cortar sua produção, seria positivo para as commodities em geral e também para o Brasil. São fatores que não fazem parte do cenário mais provável, mas que seriam bem positivos. Outro fator positivo seriam reformas mais estruturais no Brasil, mas que não estão em nosso cenário base. Não enxergamos o apetite político para enfrentar algumas dessas reformas no momento. O Congresso é muito fragmentado e o ambiente político desafiador para fazer esse tipo de reforma avançar. Gostaria de ver algumas surpresas nesse sentido.

Valor: Quais são os setores preferidos para 2015?

Campbell: Colocamos primeiro o setor financeiro. É um dos que tiveram as melhores performances de 2014, mas acho que, como o ambiente vai continuar com uma dinâmica parecida com a dos últimos meses, acho que isso pode continuar no ano que vem. Não apenas bancos, mas também empresas como BB Seguridade e Cielo. Quando falamos do setor financeiro, também estamos falando de bancos, com o aumento de juros vindo a ajudar nos spreads. Além disso, vemos controle de custos principalmente nos bancos privados. A desaceleração no mercado de trabalho será gradual e os bancos não terão nenhum grande problema na área de provisões. Outro setor que é “overweight” [acima da média do mercado] é o de consumo discricionário [sensível a ciclos econômicos]. É um setor que pode ir mal em uma economia mais fraca, mas tem dentro educação, um segmento no qual estamos bem positivos. Nosso analista enxerga crescimento muito forte e ele tem potencial de alta para basicamente todos os papéis, especialmente para Estácio e Kroton, com mais de 30%. Também dentro do consumo discricionário existem as empresas de programas de fidelidade, como a Smiles, que cresce fortemente. E também a construtora MRV, que tem exposição no projeto Minha Casa, Minha Vida, que deve continuar.

Valor: E quais setores se mostram mais desfavoráveis?

Campbell: Temos recomendação “underweight” [abaixo do mercado] em óleo e gás e materias básicos, que leva dentro minério de ferro e aço. É um reflexo do ambiente para commodities no geral. O petróleo está em queda e a perspectiva é que não haja mais aumentos de preços. Em relação ao minério de ferro, os preços caíram muito, e há analistas que ainda precisam revisar números para baixo para refletir essa nova realidade, o que pode criar outra pressão para o setor. Na parte de aço, o mercado doméstico mais fraco também não ajuda. Pode-se pensar que, enquanto o real se deprecia, abre-se espaço para aumentar os preços no Brasil, mas é difícil isso acontecer quando existe um ambiente de demanda muito fraco.

 

Fonte: Valor Econômico
Foto: Business Week
Postado por: Raul Motta Júnior

Títulos públicos terão novos nomes a partir de fevereiro para facilitar entendimento

A partir de fevereiro de 2015, os títulos públicos terão um novo nome no Tesouro Direto, programa de venda desses papéis voltado a pessoas físicas pela internet em parceria com a BM&FBovespa.

Conforme ofício divulgado pela bolsa, dentre os papéis prefixados, a atual Letra do Tesouro Nacional (LTN) vai ser chamada de “Tesouro Prefixado 20XX (LTN)”, com “XX” equivalente ao ano de vencimento do título. A Nota do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) passa a ter o nome de “Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2025 (NTN-F)”.

No grupo dos pós-fixados, a Letra Financeira do Tesouro (LFT) será intitulada “Tesouro Selic 2017 (LFT)”. Já a Nota do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) terá o nome “Tesouro IPCA + com Juros Semestrais 20XX (NTN-B)” e a NTN-B Principal, “Tesouro IPCA + 20XX”.

Por meio de um “amplo estudo”, a Secretaria do Tesouro Nacional detectou a necessidade de facilitar o entendimento do investidor em relação ao tipo de aplicação que cada título representa em termos de taxas prefixadas e pós-fixadas, pagamento de juros semestrais e data de vencimento.

Conforme mostrou o Valor em reportagem publicada em agosto, o Tesouro fez, no ano passado, uma pesquisa com investidores e formadores de opinião, e uma das reclamações constantes era em relação à dificuldade de associar o nome às características do papel. Na ocasião, além de mencionar mudanças de nomenclatura, o Tesouro revelou que estudava aumentar os incentivos oferecidos às instituições financeiras, com o objetivo de aumentar a base de investidores do programa – que era de 441.022 pessoas físicas ao fim de outubro.

O desafio hoje é fazer com que bancos e corretoras promovam o investimento em papéis do governo e aumentem as informações disponíveis sobre os títulos.

Na época, o gerente de relacionamento com o investidor do Tesouro, Andre Proite, afirmou que o governo quer que, cada vez mais, o Tesouro Direto passe a ser um investimento que conste na carteira dos bancos, o que demanda que o produto seja mais vantajoso para a instituição. “Hoje, os gerentes oferecem produtos mais rentáveis [para o banco], mas estrategicamente eles não deixam o Tesouro Direto de fora porque o cliente chega pedindo e ele não quer expulsá-lo para uma corretora”, disse, em agosto.

Conforme os dados mais recentes do Tesouro Direto, o volume vendido no programa em outubro correspondeu a R$ 383 milhões, uma alta de 62,4% em relação ao mesmo período de 2013. O estoque de títulos comercializados alcançou R$ 14,55 bilhões, total 35,7% superior ao de outubro do ano passado. Os papéis remunerados por índices de preços respondiam pelo maior volume no estoque, de 64%, seguidos pelos prefixados, com participação de 24,1%, e pelos títulos indexados à taxa Selic, com fatia de 11,9%.

O Tesouro Direto também passará a contar com uma nova logomarca a partir de fevereiro.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior