Monthly Archive: November 2014

Dilma inicia guinada na política econômica

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Em uma guinada da política econômica, a presidente Dilma Rousseff começará seu segundo mandato com metas fiscais definidas até 2017 e passará a utilizar a dívida bruta, que inclui as transferências do Tesouro Nacional para os bancos públicos, como principal indicador dos resultados das contas públicas. O objetivo, anunciado ontem pela nova equipe econômica do governo, é “estabilização e declínio da relação dívida bruta do governo geral como percentual do PIB” e fazer com que a inflação volte ao centro da meta, que é de 4,5% ao ano, em 2016.

Para isso, o ministro nomeado da Fazenda, Joaquim Levy, se comprometeu com um superávit primário de 1,2% do PIB para o setor público consolidado no ano que vem. Em 2016 e 2017, o resultado “não será menor do que 2% do PIB”. As novas metas pressupõem que não haverá aumento no estoque de recursos que o Tesouro Nacional já injetou nos bancos públicos e que totalizam hoje R$ 507 bilhões.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, que continuará no cargo, deu o recado sobre a inflação ao dizer que o BC não será “complacente” e que pretende garantir “um cenário de convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% ao ano, no horizonte relevante para a política monetária”, que é 2016. Segundo ele, a política fiscal mais apertada deve ajudar o trabalho do BC.

As medidas necessárias para alcançar o primário de 2015 não foram detalhadas, assim como não foram anunciados nomes para as equipes da Fazenda, Planejamento ou BC. Mas os ministros falaram em cortes de gastos, não descartaram aumentos de impostos e sinalizaram, inclusive, que as despesas sociais estão na mira dos cortes.

“A estabilidade econômica não é contraditória (com os gastos sociais). Não implicam renunciar à conquistas recentes, apenas adequar a velocidade (dos ganhos) ao cenário macroeconômico dos próximos anos”, disse o ministro indicado do Planejamento, Nelson Barbosa.

Levy fez questão de enfatizar que toda política fiscal depende de escolhas e que sem crescimento econômico não há como financiar as políticas sociais. Ambos disseram mais de uma vez que não haverá anúncio de pacotes ou surpresas pelo governo nas próximas semanas.

Com a meta de não menos que 2% do PIB, o que se espera é que a dívida bruta caia para um patamar inferior a 50% do PIB e, com isso, ao fim do processo de ajuste fiscal, o país consiga não só manter o grau de investimento atual, mas melhorar o nível do rating soberano. O objetivo de Levy é focar na dívida bruta, atualmente próxima a 70% do PIB – superior à média dos países emergentes.

A cerimônia de anúncio dos novos ministros não teve a participação da presidente Dilma Rousseff. Houve gestos ao atual ministro, Guido Mantega – em São Paulo, longe do Planalto durante o anúncio – que foi agradecido na nota oficial do Palácio do Planalto, além do protocolar comentário de Joaquim Levy sobre o “privilégio” de suceder o ministro mais longevo do período democrático. A nova equipe, no entanto, não se viu livre de responder sobre o grau de autonomia que terão para fazer o ajuste fiscal anunciado.

Em sua primeira resposta, Levy foi diplomático e tentou sair pela tangente. Num segundo questionamento, o futuro ministro da Fazenda foi educado, mas enfático. “[A autonomia] está dada. Evidentemente que quando uma equipe é escolhida é porque há confiança nela e eu não tenho indicação nenhuma em sentido contrário”, afirmou Joaquim Levy, acrescentando que a questão será respondida “no dia a dia”.

No balanço de forças da nova equipe econômica, Nelson Barbosa ganhou espaço. O Ministério do Planejamento passará a comandar todos os programas de investimentos do governo federal, incluindo as concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Esse papel era oficialmente descentralizado, mas vinha sendo oficiosamente exercido pelo atual secretário do Tesouro Arno Augustin, responsável, por exemplo, pela defesa inicialmente feita pelo governo de controlar as taxas de retorno dos investidores privados.

Os discursos dos três novos ministros foram curtos, lidos e previamente vetados pelo Palácio do Planalto. Nos textos de duas páginas, os sinais não se limitaram apenas ao desempenho fiscal. Ficou claro o esforço de marcar diferenças em relação à atual equipe econômica e de adotar uma linguagem muito mais aceitável ao mercado financeiro e investidores privados.

Joaquim Levy falou de transparência, fortalecimento da comunicação e divulgação de dados “que possam ser avaliados por toda a sociedade, incluindo os agentes econômicos”. Uma mensagem clara de oposição à contabilidade criativa praticada no primeiro mandato da presidente adotada a partir de 2012.

O futuro ministro também citou a necessidade de aumentar a taxa de poupança da economia brasileira e a intenção de fortalecer o mercado de capitais como financiador da infraestrutura “de acordo com sua própria avaliação de riscos e retorno de cada oportunidade de investimento”.

Nelson Barbosa, que é visto como a ala menos ortodoxa da nova equipe, além de não descartar cortes nos gastos sociais, falou sobre eficiência do gasto público, desburocratização, desenvolvimento e ampliação das parcerias público-privadas e aumento da produtividade.

A presidente Dilma não participou da cerimônia. Esperava-se que ela detalhasse os objetivos da política econômica do segundo mandato. Mas a Secretaria de Comunicação Social da Presidência informou que a presidente da República empossa os novos ministros, mas não participa de anúncios, ainda mais de uma equipe de transição. O ministro Mantega mudou sua agenda e viajou para São Paulo no início da tarde, depois que soube que a presidente não participaria da cerimônia de confirmação dos novos ministros.

Ainda não há data definida para a posse da equipe econômica nomeada ontem. A expectativa é que isso ocorra uma vez aprovada a lei que permite ao governo abrir mão da meta fiscal desse ano, que deve ser votada pelo Congresso na semana que vem. Até lá, Levy e Barbosa trabalharão numa sala no Palácio do Planalto e terão reuniões com a atual equipe para detalhar as medidas de ajuste que serão necessárias para cumprir a promessa de austeridade no segundo mandato.

 

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

BCE prepara compra de ativos para 1º tri de 2015

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À medida em que a reunião do Banco Central Europeu (BCE) se aproxima, em 4 de dezembro, o debate sobre a adoção de um afrouxamento quantitativo (“QE”) amplo, que envolva compra de títulos públicos na região do euro, esquenta. A defesa do programa feita pelo vice-presidente da instituição, Vitor Constancio, ontem, praticamente selou que no primeiro trimestre de 2015 o plano será colocado em prática.

Não é apenas um debate de mercado, sobre prós e contras, mas dentro do conselho do BCE, com uma divisão ferrenha entre membros mais alinhados com a postura do presidente Mario Draghi, claramente aberto à possibilidade de compras de títulos soberanos, e os críticos, como o presidente do Bundesbank, Jens Weidmann.

Constancio, amplificou a defesa de um “QE” em discurso em um evento em Londres, calcado, principalmente, no cenário de inflação muito baixa na região. Ele rebateu a maioria dos argumentos que Weidmann vem usando para alertar sobre riscos e impossibilidades jurídicas que, eventualmente, o BCE enfrentaria se partisse para um programa de compras de ativos mais próximo do feito nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Por pontos relevantes, Constancio disse que as medidas já adotadas vão conduzir o balanço do BCE, dentro da duração do programa, de “volta ao tamanho que tinha no início de 2012″, o que significa um aumento de ¤ 1 trilhão, considerando que Draghi esclareceu que o “início” daquele ano era especificamente o mês de março.

Mais contundente, disse que “durante o primeiro trimestre do próximo ano seremos capazes de avaliar melhor” se o crescimento do balanço está em linha com o esperado, ou seja, se os impactos esperados das medidas já tomadas estão se realizando.

Essa declaração foi interpretada como uma senha para que uma medida nesse sentido venha nos primeiros meses de 2015, embora se espere uma sinalização já no encontro da semana que vem.

Outro ponto importante foi a citação do vice-presidente de que comprar ativos “seria uma decisão de política monetária pura”, que ocorreria de acordo com a contribuição ponderada (pelo PIB) de capital de cada membro da zona do euro ao BCE e “dentro do nosso mandato e nossa competência legal”.

Segundo dados oficiais, a Alemanha tem a maior participação no capital do BCE (25,7%), seguida por França (20,3%), Itália (17,6%) e Espanha (12,6%).

Juntos, esses países detêm 76,2% do capital do BCE. Não surpreende, portanto, a resistência do Bundesbank em embarcar em um programa dessa natureza.

Para Ken Wattret, economista do BNP Paribas “as referências repetidas ao mandato, à inflação e agora ‘à política monetária pura’ são uma tentativa de diferenciar um programa de QE do OMT [Outright Monetary Transactions] e SMP [Securities Markets Programme] e lidar com quaisquer futuros desafios legais”, diz em nota a clientes. Ambos são programas de compras de títulos no mercado secundário já adotados pelo BCE.

Também rebatendo Weidmann, Constancio disse que não procede o argumento de que “a política não seria eficaz levando-se em conta que os rendimentos dos títulos soberanos já estão baixos”.

Isso porque os canais de transmissão do QE soberano incluem “sinalizar e influenciar as expectativas de inflação” e, uma forma de isso ocorrer é por meio da postura dos investidores, que usariam o “dinheiro recebido [pelos títulos vendidos ao BCE] para comprar outros ativos, incluindo ativos estrangeiros com influência sobre a taxa de câmbio”.

Finalmente, em relação ao muito lembrado “risco moral” envolvido nesse programa, qual seja, o argumento de que os governos seriam levados a não realizar as reformas necessárias, Constancio disse que “não é a tarefa de um banco central exercer mais ou menos pressão sobre os governos a adotar políticas pelas quais são responsáveis”.

Wattret, do BNP, diz que “é cada vez mais evidente, a partir da comunicação dos dois membros mais importantes do BCE [Draghi e Constancio], que o QE soberano está a caminho; é apenas uma questão de quanto tempo”.

Fonte: Valor Econômico
Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters/VEJA
Postado por: Raul Motta Junior

Dólar e juros caem no aguardo de nova equipe

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Os mercado de câmbio e juros tiveram dia positivo ontem diante da perspectiva de que a presidente Dilma Rousseff anuncie a nova equipe econômica na quinta-feira e sinalize ajustes na política fiscal.

O dólar comercial caiu 0,41%, encerrando a R$ 2,537, devolvendo parte do ganho de 1% registrado no pregão anterior, descolando do movimento de alta da moeda americana no exterior após a divulgação do crescimento acima do esperado do PIB do país no terceiro trimestre.

Investidores reagiram ontem a notícias de que a presidente Dilma Rousseff deve confirmar na quinta-feira a nomeação de Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro Nacional e atualmente diretor-superintendente da Bradesco Asset Management (Bram), para o Ministério da Fazenda e de Nelson Barbosa, ex-secretário executivo da pasta, para o Planejamento.

Para o economista para a América Latina do Standard Chartered Bank, Italo Lombardi, a nomeação de Levy, se confirmada, é uma notícia positiva, mas a retomada da confiança dos investidores ainda depende de outros elementos. “Precisamos ver se ele terá autonomia para fazer os ajustes e se haverá condições para essas mudanças serem implementadas.”

Outra questão que preocupa os investidores estrangeiros é a incerteza quanto à continuidade do programa de intervenção no câmbio, previsto para acabar em 31 de dezembro. “Acho que tem espaço para o Banco Central parar com as vendas de swaps nos leilões da ‘ração diária’ e fazer as rolagens dos contratos dependendo das condições de mercado”, diz Lombardi.

O Standard Chartered prevê um câmbio a R$ 2,60 por dólar no fim de 2014 e em R$ 2,70 ao fim do primeiro trimestre de 2015. “Achamos que o câmbio irá se desvalorizar, não só em função dos fundamentos domésticos, mas também por causa do movimento do dólar lá fora, que deve começar a subir com a aproximação da normalização da taxa básica de juros pelo Federal Reserve no ano que vem.”

Comenta-se no mercado algumas possibilidades de indicação também para o Tesouro Nacional em substituição ao atual secretário Arno Augustin. Entre os cotados para o cargo estariam Carlos Hamilton, atual diretor de Política Econômica do Banco Central; Tarcísio Godoy, que foi secretário adjunto do Tesouro Nacional na gestão de Levy e atualmente é diretor da Bradesco Seguros e Previdência; e Eduarda La Rocque, que trabalhou com Levy na secretaria da Fazenda da prefeitura do Rio.

Todos os nomes são bem vistos pelo mercado, uma vez que possuem um perfil mais ortodoxo que o atual secretário do Tesouro, cuja gestão ficou conhecida pela expansão dos gastos públicos e uso de artifícios contábeis para cumprir a meta de superávit primário.

A expectativa pelo anúncio da equipe econômica também move os juros futuros para baixo. Mas é praticamente consenso que, além da confirmação dos nomes já indicados, são aguardadas medidas efetivas que confirmem um ajuste na política macroeconômica e reforcem o apetite do investidor por ativos prefixados. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2017 fechou a 12,17%, ante 12,30% na véspera. Já a taxa do DI para janeiro de 2021 encerrou a 11,80% ante 12,22% no pregão anterior.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

“Próximo ciclo da economia brasileira será vigoroso”, diz Holland

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O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland de Brito, disse nesta segunda-feira que está otimista com a economia brasileira e que acredita que o próximo ciclo deve ser vigoroso. “Acho que o próximo ciclo da economia brasileira volta a ser muito vigoroso”, disse, lembrando que o Brasil tem mostrado capacidade de resistência à situações adversas. “A gente enfrentou um ciclo em que tivemos uma das mais graves crises do capitalismo contemporâneo”, afirmou após palestra no seminário “O papel dos bancos públicos no desenvolvimento econômico”, em São Paulo.

Ele destacou a baixa taxa de desemprego no país e a elevação do investimento estrangeiro direto (IED) e disse que o Brasil continua a se preparar para eventuais períodos de instabilidade econômica.

Questionado por jornalistas sobre a nova equipe econômica do governo, Holland não quis se pronunciar a respeito.

 

Fonte: Valor Econômico
Foto: Zé Carlos Barretta/Folhapress/VEJA
Postado por: Raul Motta Junior

China deve cortar juros de novo para ativar economia

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O governo e o banco central da China estão prontos para fazer novo corte nas taxas de juros e também para afrouxar as restrições a empréstimos, de acordo com fontes envolvidas nas formulações de políticas.

A surpreendente redução nos juros anunciada na sexta-feira, a primeira em mais de dois anos, reflete uma mudança de curso de Pequim e do BC, que vinham insistindo com modestas medidas de estímulo antes de decidirem no fim da semana passada que uma arrojada ação na política monetária era necessária para estabilizar a segunda maior economia do mundo.

O crescimento econômico desacelerou para 7,3% no terceiro trimestre e as autoridades ficaram apreensivas com a possibilidade de o Produto Interno Bruto (PIB) estar prestes a cair para menos de 7% – uma baixa expansão não vista desde a crise financeira global de 2008. Os preços aos produtores vêm caindo há quase três anos, colocando pressão sobre as fábricas, e a inflação ao consumidor também é fraca.

“O alto comando mudou suas posições”, disse um importante economista de um centro de estudos governamental que participa das discussões internas sobre políticas governamentais.

O economista, que não quis ter seu nome revelado, disse que o Banco do Povo da China (o BC do país) moveu o seu foco na direção de estímulos amplos e que estava aberto também a mais corte nas taxas, bem como a um alívio no nível de depósitos compulsórios para a indústria bancária, que na prática restringem o volume de capital disponível para empréstimos.

A expectativa de novas reduções nos juros faz parte dos cenários previstos por economistas dos bancos J. P. Morgan Chase, Barclays e UBS. O anúncio de sexta-feira sinaliza “uma mudança de política rumo a um afrouxamento monetário mais agressivo”, disse Haibin Zhu, economista-chefe para a China do J. P. Morgan Chase. “Isso reflete a preocupação do governo em relação ao crescimento de curto prazo e os esforços desesperados para rebaixar o custo de financiamento para o setor corporativo.”

A China neste ano cortou a taxa de depósitos compulsórios para alguns bancos, mas não anuncia uma redução para todas as instituições desde maio de 2012. “Nova diminuição nas taxas de juros deve estar a caminho, já que entramos num ciclo de cortes nas taxas, e também são prováveis cortes nos níveis de depósitos compulsórios”, disse o economista do centro de estudos governamental.

Segundo fontes da agência Reuters, a medida de sexta-feira, que cortou a taxa referencial para empréstimos de um ano em 40 pontos-base, para 5,6%, também foi motivada pelos temores de que os governos locais estão enfrentando dificuldades para administrar grandes dívidas em meio às reformas que alteram suas condições de financiamento.

“A crescente liquidez promovida pelo banco central fracassou em reduzir os custos de empréstimos para a economia real”, disse um ex-pesquisador do BC que hoje trabalha para o governo.

 

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Mudanças do BC abrem folga de R$ 12,7 bi de capital para bancos

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Insuficiente para reanimar o crédito, uma série de medidas macroeconômicas tomadas pelo Banco Central (BC) desde julho serviu para trazer um maior conforto de capital para os cinco maiores bancos do país.

Levantamento feito pelo Valor mostra que, juntos, Banco do Brasil (BB), Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Santander ganharam uma folga de R$ 12,7 bilhões de junho para setembro deste ano. Quase 80% disso beneficiou os bancos públicos. As medidas reduziram o chamado patrimônio de referência, o volume mínimo de capital que o BC exige que cada banco tenha para suportar as operações de crédito.

O efeito prático disso é que todos os bancos encerraram setembro com um índice de Basileia mais robusto do que aquele exibido em junho. Em um trimestre, as instituições ganharam de 0,5 ponto percentual – caso do Bradesco – a 2,05 pontos percentuais – situação da Caixa.

A recalibragem promovida pelo BC não foi o único fator que levou ao incremento da folga de capital, mas os bancos afirmam em relatórios que essa alteração teve um papel fundamental.

Em julho, e depois novamente em agosto, o BC reduziu a exigência de capital para operações de crédito consignado e pessoal, financiamento de veículos e empréstimos a empresas de pequeno porte. O maior corte se deu no empréstimo com desconto direto na folha de pagamento. Antes, a autoridade considerava que cada R$ 100 desembolsados de crédito consignado representavam um risco para o banco de R$ 75 a até R$ 150. Agora, depois da revisão feita pelo BC que considerou o débito direto no salário uma forte garantia, esse crédito é contabilizado a R$ 50 para efeito do cálculo do capital exigido.

Donos das maiores carteiras de crédito consignado do país, BB e Caixa acabaram sendo os maiores beneficiados pelas mudanças. O índice de Basileia do Banco do Brasil encerrou setembro em 16,04%, maior indicador pelo menos desde 2010. Em junho, o índice era quase dois pontos percentuais menor. A maior contribuição para esse incremento veio das medidas do BC. Isoladamente, elas tiveram um impacto para o indicador de 1,06 ponto percentual. O maior banco público do país teve uma folga de R$ 6,6 bilhões no patrimônio mínimo exigido.

Na Caixa, o índice de Basileia em setembro foi de 15,3%, superior em dois pontos percentuais ante junho. Segundo o superintendente nacional de administração de risco corporativo da Caixa, Dermeval Bicalho Carvalho, o principal efeito dessa expansão veio das mudanças dos fatores de ponderação de risco, que contribuíram com 1,02 ponto percentual.

“O impacto está ligado ao perfil da carteira de cada banco. Não é pelo fato de ser banco público ou privado. O grande beneficiário [da medida] é o consignado”, diz Carvalho. O conforto recebido pela Caixa depois das medidas foi de R$ 3,4 bilhões.

No período, tanto Caixa quanto BB também transformaram alguns títulos de dívida em papéis com peso de capital principal de acordo com as regras de Basileia 3, ação que contribuiu para a subida do índice.

Entre os bancos privados, a instituição que mais se beneficiou das mudanças feitas pelo BC foi o Santander, que ganhou um espaço de R $ 1,9 bilhão. O banco credita esse impacto ao alívio dado pelo BC às operações de financiamento de veículos, crédito consignado, crédito pessoal e fianças prestadas. Algumas mudanças na exposição de risco de mercado também reduziram a demanda de recursos.

O Bradesco apresentou no balanço do terceiro trimestre uma folga de R$ 847 milhões. O índice de Basileia da instituição teve um incremento de 0,5 ponto percentual no trimestre e passou de 15,8% em junho para 16,3%.

O único banco que não ganhou com a recalibragem foi o Itaú Unibanco, cujo patrimônio de referência mínimo exigido cresceu em R$ 224 milhões. O aumento de 0,6 ponto percentual no índice de Basileia, para 16,6%, se deveu principalmente à incorporação de lucros. O maior banco privado do país diz, porém, que a quase estabilidade dos ativos ponderados pelo risco também contribuiu.

Em pouco mais de um ano, o Banco Central já fez três alterações no cálculo dos ativos ponderados pelo risco. Essas mudanças colaboram para aumentar o capital dos bancos, fazendo com que as instituições cumpram mais facilmente as regras de Basileia 3. Iniciada em outubro do ano passado, a implementação das novas regras será gradual até 2019.

A primeira rodada de recalibragem feita pelo BC veio em março de 2013, ainda antes da implementação de Basileia 3. Em outubro do ano passado, quando as regras mais rígidas de exigência de capital entraram em vigor, os bancos já ingressaram nas novas normas com um alívio extra. Além de buscar o estímulo ao crédito, as medidas do BC tiveram como objetivo aproximar mais a exigência de capital no Brasil ao padrão internacional, uma antiga demanda dos bancos brasileiros. Segundo o Valor apurou, o BC não pretende voltar a apertar a exigência de capital. “Enquanto esse crescimento adequado do crédito permanecer, não imaginamos a volta do fator de ponderação mais alto”, diz uma fonte ligada ao governo.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Integração das clearings da bolsa só em 2016

A conclusão do projeto de integração das quatro câmaras de compensação (clearings) da BM&FBovespa ficará apenas para 2016. A clearing é a responsável por garantir a liquidação de todos os negócios que passam pela bolsa caso uma das partes não honre o compromisso.

Fonte: Valor Econômico S.A.
Postado por: Raul Motta Junior

Wall Street critica planos da SEC

Corretoras de Wall Street estão se rebelando contra um plano que visa fomentar os negócios com as menores ações dos Estados Unidos, alegando que tal esforço foi apropriado pelas bolsas de valores em busca de obter vantagens sobre os concorrentes.

Fonte: Valor Econômico S.A.
Postado por: Raul Motta Junior

Acerto de contas

Há quatro anos, o gerente de contas de uma loja de softwares Danilo Siqueira de Oliveira passou por maus bocados. Com dificuldades financeiras, assumiu uma dívida de R$ 11 mil no cartão de crédito. Ao pagar o valor mínimo da fatura, Danilo achou que se livraria de um problema maior, mas, com os altos juros cobrados na modalidade – em alguns casos, podem chegar a 700% ao ano -, a conta mais do que duplicou, chegando a R$ 26 mil. Danilo não está sozinho.

Fonte: Valor Econômico S.A.