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O Credit Suisse rebaixou a recomendação para as ações brasileiras de “neutra” para “underweight” (abaixo do mercado), em meio ao que vê como um cenário macroeconômico “desafiador para o ano que vem”.

O banco divulgou, no último dia 10, seu relatório de estratégia para ações da América Latina em 2015. Nele, Andrew Campbell, estrategista de renda variável para América Latina, observa que as projeções para Brasil contemplam um crescimento de apenas 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano, com um cenário de maior depreciação do real, efeitos negativos da alta dos juros e um quadro difícil para criação de valor de empresas com uma inflação resistente.

Além disso, disse o estrategista ao Valor, a conjuntura externa traz perspectivas de desaceleração de economias importantes para o Brasil, como a China, e os preços das commodities devem se manter depreciados. Veja os principais trechos da entrevista.

Valor: O mercado brasileiro passa por uma correção em dezembro e o Ibovespa cai 12,3% no mês. Que fatores influenciam essa piora?

Andrew Campbell: Essa correção não é isolada. Nos últimos 30 dias [até quarta], o Brasil cai cerca de 6%, México recua 7%, a Colômbia 12% e o Peru, 3%. Claramente tem algum impacto que é mais geral sobre ações e está ligado ao ambiente para commodities. O minério de ferro cai 9% no mês e o petróleo recua cerca de 20%. Além disso, tem a questão das moedas, que estão passando por correção. O real cai cerca de 3% na comparação com o dólar, o peso mexicano cai 6% e o peso chileno, 5%. Estamos falando de uma tendência que é mais geral e não tão específica sobre o Brasil.

Valor: O Credit Suisse acaba de rebaixar a recomendação para as ações do Brasil de “neutra” para “underweight”. Qual o motivo?

Campbell: Há quem enxergue um certo valor no Ibovespa, após a queda de 55 mil pontos para [abaixo de] 50 mil pontos, e pergunta se é o momento para comprar. Mas, em nossa opinião, ainda não é o momento. Primeiro, temos um cenário macroeconômico desafiador para o ano que vem. Pelos números de nosso economista [Nilson Teixeira], a inflação deve chegar a 7% no primeiro semestre, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 0,5% em 2015 e a Selic deve atingir 13%. Com esse quadro interno e os desafios externos, porque alguém compraria bolsa nesse cenário? Seria por uma questão de preço. Mas a bolsa precisa estar barata para ficar interessante. E não está. Olhamos o múltiplo preço/lucro [relação entre preço da ação e lucro da empresa]. Para o próximo ano, o P/L projetado está em 11 vezes. É mais ou menos a média dos últimos cinco anos. Não abriu ainda o valor, teria que cair mais.

Valor: Que eventos podem melhorar a perspectiva paras a ações brasileiras em 2015?

Campbell: Primeiro, seria bom se chovesse. Depois, há alguns eventos que poderiam acontecer no exterior, mas não são tão prováveis, não estão no nosso caso base. Mas, por exemplo, estamos trabalhando com uma desaceleração na economia da China para 6,8% de crescimento do PIB em 2015. Se a economia chinesa não desacelerar, seria positivo, ajudaria nos preços das commodities. No cenário base assumimos que os juros vão subir nos Estados Unidos a partir de junho de 2015. Isso pode atrasar. Se atrasar, será bom para todos os emergentes. Em terceiro lugar, há o preço do petróleo que não para de cair. Se a Opep decidir mudar a política e cortar sua produção, seria positivo para as commodities em geral e também para o Brasil. São fatores que não fazem parte do cenário mais provável, mas que seriam bem positivos. Outro fator positivo seriam reformas mais estruturais no Brasil, mas que não estão em nosso cenário base. Não enxergamos o apetite político para enfrentar algumas dessas reformas no momento. O Congresso é muito fragmentado e o ambiente político desafiador para fazer esse tipo de reforma avançar. Gostaria de ver algumas surpresas nesse sentido.

Valor: Quais são os setores preferidos para 2015?

Campbell: Colocamos primeiro o setor financeiro. É um dos que tiveram as melhores performances de 2014, mas acho que, como o ambiente vai continuar com uma dinâmica parecida com a dos últimos meses, acho que isso pode continuar no ano que vem. Não apenas bancos, mas também empresas como BB Seguridade e Cielo. Quando falamos do setor financeiro, também estamos falando de bancos, com o aumento de juros vindo a ajudar nos spreads. Além disso, vemos controle de custos principalmente nos bancos privados. A desaceleração no mercado de trabalho será gradual e os bancos não terão nenhum grande problema na área de provisões. Outro setor que é “overweight” [acima da média do mercado] é o de consumo discricionário [sensível a ciclos econômicos]. É um setor que pode ir mal em uma economia mais fraca, mas tem dentro educação, um segmento no qual estamos bem positivos. Nosso analista enxerga crescimento muito forte e ele tem potencial de alta para basicamente todos os papéis, especialmente para Estácio e Kroton, com mais de 30%. Também dentro do consumo discricionário existem as empresas de programas de fidelidade, como a Smiles, que cresce fortemente. E também a construtora MRV, que tem exposição no projeto Minha Casa, Minha Vida, que deve continuar.

Valor: E quais setores se mostram mais desfavoráveis?

Campbell: Temos recomendação “underweight” [abaixo do mercado] em óleo e gás e materias básicos, que leva dentro minério de ferro e aço. É um reflexo do ambiente para commodities no geral. O petróleo está em queda e a perspectiva é que não haja mais aumentos de preços. Em relação ao minério de ferro, os preços caíram muito, e há analistas que ainda precisam revisar números para baixo para refletir essa nova realidade, o que pode criar outra pressão para o setor. Na parte de aço, o mercado doméstico mais fraco também não ajuda. Pode-se pensar que, enquanto o real se deprecia, abre-se espaço para aumentar os preços no Brasil, mas é difícil isso acontecer quando existe um ambiente de demanda muito fraco.

 

Fonte: Valor Econômico
Foto: Business Week
Postado por: Raul Motta Júnior

Títulos públicos terão novos nomes a partir de fevereiro para facilitar entendimento

A partir de fevereiro de 2015, os títulos públicos terão um novo nome no Tesouro Direto, programa de venda desses papéis voltado a pessoas físicas pela internet em parceria com a BM&FBovespa.

Conforme ofício divulgado pela bolsa, dentre os papéis prefixados, a atual Letra do Tesouro Nacional (LTN) vai ser chamada de “Tesouro Prefixado 20XX (LTN)”, com “XX” equivalente ao ano de vencimento do título. A Nota do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) passa a ter o nome de “Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2025 (NTN-F)”.

No grupo dos pós-fixados, a Letra Financeira do Tesouro (LFT) será intitulada “Tesouro Selic 2017 (LFT)”. Já a Nota do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) terá o nome “Tesouro IPCA + com Juros Semestrais 20XX (NTN-B)” e a NTN-B Principal, “Tesouro IPCA + 20XX”.

Por meio de um “amplo estudo”, a Secretaria do Tesouro Nacional detectou a necessidade de facilitar o entendimento do investidor em relação ao tipo de aplicação que cada título representa em termos de taxas prefixadas e pós-fixadas, pagamento de juros semestrais e data de vencimento.

Conforme mostrou o Valor em reportagem publicada em agosto, o Tesouro fez, no ano passado, uma pesquisa com investidores e formadores de opinião, e uma das reclamações constantes era em relação à dificuldade de associar o nome às características do papel. Na ocasião, além de mencionar mudanças de nomenclatura, o Tesouro revelou que estudava aumentar os incentivos oferecidos às instituições financeiras, com o objetivo de aumentar a base de investidores do programa – que era de 441.022 pessoas físicas ao fim de outubro.

O desafio hoje é fazer com que bancos e corretoras promovam o investimento em papéis do governo e aumentem as informações disponíveis sobre os títulos.

Na época, o gerente de relacionamento com o investidor do Tesouro, Andre Proite, afirmou que o governo quer que, cada vez mais, o Tesouro Direto passe a ser um investimento que conste na carteira dos bancos, o que demanda que o produto seja mais vantajoso para a instituição. “Hoje, os gerentes oferecem produtos mais rentáveis [para o banco], mas estrategicamente eles não deixam o Tesouro Direto de fora porque o cliente chega pedindo e ele não quer expulsá-lo para uma corretora”, disse, em agosto.

Conforme os dados mais recentes do Tesouro Direto, o volume vendido no programa em outubro correspondeu a R$ 383 milhões, uma alta de 62,4% em relação ao mesmo período de 2013. O estoque de títulos comercializados alcançou R$ 14,55 bilhões, total 35,7% superior ao de outubro do ano passado. Os papéis remunerados por índices de preços respondiam pelo maior volume no estoque, de 64%, seguidos pelos prefixados, com participação de 24,1%, e pelos títulos indexados à taxa Selic, com fatia de 11,9%.

O Tesouro Direto também passará a contar com uma nova logomarca a partir de fevereiro.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Um ano de recomposição

O segmento de previdência privada caminha para fechar 2014 com aumento no ritmo de captação de recursos em relação ao observado em 2013, quando o saldo de aplicações diminuiu. No acumulado do ano até novembro, segundo pesquisa realizada pelas consultorias NetQuant e Towers Watson com 924 fundos de previdência, os investimentos nos planos PGBL e VGBL superaram os resgates em R$ 23,9 bilhões, um crescimento de 12,6% na comparação com o mesmo período de 2013. Só em novembro, os fundos de previdência atraíram R$ 3,46 bilhões, alta de aproximadamente de 13%.

A melhora do apetite pela previdência neste ano deve-se à recuperação dos retornos pelos fundos, especialmente de renda fixa, afirma Edson Franco, diretor-superintendente da Zurich Santander Brasil. No acumulado do ano até novembro, essas carteiras renderam, em média, 8,76%, enquanto o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), principal referência para aplicações conservadoras, teve variação de 9,76% no período. Já os multimercados renderam 9,14%.

O ano de 2013 foi de muita volatilidade, lembra Franco, o que reduziu o ritmo de captação, motivado pelas próprias casas. No pano de fundo, estava uma resolução do governo obrigando os gestores a iniciar ainda no primeiro semestre o alongamento do prazo médio de suas carteiras, com exposição maior em títulos prefixados e mais longos. O problema é que a indústria foi pega no contrapé pela volta do ciclo de alta de juro na ocasião, o que gerou prejuízos para algumas carteiras com a marcação a mercado dos títulos e levou à fuga de investidores – em julho de 2013, pela primeira vez em cinco anos, os saques superaram as aplicações, movimento que se repetiu no início deste ano.

Na avaliação do superintendente de investimentos da Brasilprev, Altair César de Jesus, neste ano os títulos mais longos passaram por um movimento de recomposição da perda de 2013. “A volatilidade do ano passado abriu uma janela para a volta da rentabilidade em 2014″, pondera. Segundo o executivo, embora o atual ciclo da Selic seja de alta, a atratividade da renda fixa pode voltar a ganhar reforço no fim de 2015, se houver uma janela de fechamento de taxas após o encerramento do aperto monetário atual. Conforme Jesus, o mercado ainda espera mais duas altas da taxa básica no ano que vem.

Apesar da retomada do crescimento, o setor ainda está longe de recuperar o ritmo da última década, na casa de 20% em termos de captação. A estagnação da economia, destaca Franco, da Zurich Santander, também provocou reflexos na previdência. “As pessoas ficam mais receosas na hora de decidir onde investir”, afirma.

Sérgio Prates, superintendente de produtos de previdência da Icatu Seguros, conta que na sua base de clientes aumentaram os resgates para fazer frente a dificuldades financeiras – foram 70% os pedidos de saques nesse contexto. A seguradora registrava, contudo, captação líquida de R$ 567 milhões até novembro.

O executivo afirma, ainda, que o ritmo de crescimento da previdência só não foi mais pujante, entre outros fatores, porque o investidor ainda está machucado com o desempenho negativo de fundos de renda fixa em 2013. “O cliente não suporta cota negativa em renda fixa, e quando ele olha um histórico maior de prazo, de 12, 24 meses, o desempenho ainda está prejudicado”, ressalta.

Com R$ 16 bilhões em captação líquida no ano até novembro, a Brasilprev não só lidera o ranking entre as seguradoras, como também responde por 66,7% da arrecadação líquida da previdência privada aberta em 2014. De acordo com Guilherme Rossi, superintendente comercial da companhia, o trabalho de captação de clientes junto à base do Banco do Brasil ajudou a impulsionar os resultados. “A gente conta com uma rede de distribuição muito ampla e capilarizada que é a rede do BB e, sem dúvida, o trabalho dessa distribuição e captação é bastante responsável [pelo resultado]”, afirma.

Rossi cita também o esforço de venda consultiva para esclarecer os investidores sobre as características dos produtos e a importância da visão de longo prazo. “Essa consultoria ajuda os aplicadores a não cair na armadilha da volatilidade de curto prazo.”

Apesar do conceito de longo prazo, o investidor de previdência, afirma Prates, da Icatu, é conservador, ou seja, pensa no curto prazo e olha só o CDI. E esse comportamento, na visão do executivo, fica mais evidente em períodos de incerteza como o atual. “O investidor tem privilegiado a preservação de capital”, afirma, referindo-se tanto à preferência por previdência atrelada ao CDI quanto por títulos incentivados, como letras de crédito imobiliário e do agronegócio, que foram os grandes concorrentes do setor de fundos ao longo do ano.

Prates conta que, nos canais de distribuição dos bancos de varejo em que está presente, a Icatu não consegue vender fundos de inflação, por exemplo. Falta esclarecimentos e disposição para esperar pelos retornos, que vêm no longo prazo, pondera.

Não à toa, os fundos de renda fixa tradicionalmente concentram a captação. Em novembro, essas carteiras atraíram R$ 3,668 bilhões e, no acumulado do ano, R$ 26,490 bilhões. Já os multimercados, que têm mais liberdade para investir, podendo ficar expostos a taxas prefixadas e atreladas à inflação, receberam pouco mais de R$ 16 milhões no mês e R$ 1,157 bilhão no ano. Em termos de patrimônio, a renda fixa concentra 90,5% dos R$ 368,4 bilhões de ativos totais

Também os fundos com exposição em renda variável vêm amargando resgates desde 2011, por conta do desempenho ruim da bolsa. Neste ano, as carteiras com parcela de até 15% em ações tiveram saques de R$ 70,8 milhões em novembro e R$ 1,151 bilhão no acumulado; os fundos com até 30% em renda variável perderam R$ 75,8 milhões no mês e R$ 1,371 bilhão no ano; e os com até 49% registraram resgates de R$ 77,7 milhões em novembro e R$ 1,274 bilhão no ano.

Em termos de desempenho, no acumulado do ano, o retorno foi de 7,41% no caso das carteiras com até 15% em ações; de 7,07% para as carteiras com até 30% e de 6,36% nos fundos com até 49% em bolsa – o Ibovespa, principal índice da bolsa, variou 6,13% e o CDI, 9,76%, no ano até novembro.

Apesar dos resultados negativos das carteiras com parcela de renda variável, Altair de Jesus, da Brasilprev, vê possibilidade de uma recuperação desses portfólios em meados do próximo ano, com uma melhora da atividade associada a uma eventual antecipação de queda de juros. “Embora deva ser um período de ajustes [na economia], 2015 terá um crescimento do PIB maior que este ano”, pondera.

O gestor também considera no cenário do ano que vem a possibilidade de o Banco Central iniciar um movimento de ajuste da Selic para baixo ou de a curva de juros futuros antecipar esse movimento já no fim de 2015, o que poderia ajudar o mercado acionário. “Se a gente olhar agora, o mercado futuro não está precificando uma mudança de ciclo monetário, mas em meados de 2015 vai haver uma parada dos juros e [o mercado vai] começar a olhar pra baixo, por exemplo, um eventual afrouxamento em 2016″, considera.

O superintendente da Brasilprev explica que, embora o movimento de juros seja difícil de antever, ele confia em um patamar mais baixo da Selic no longo prazo. “Tudo vai depender do cenário econômico internacional e doméstico. Mas quando a gente olha para o longo prazo, com certeza a taxa de juros será de um dígito”, diz. Um movimento de curva para baixo, lembra o gestor, traz uma “volatilidade positiva” para a renda fixa mais longa, com valorização desses títulos. “Em 2015 e 2016 talvez seja hora de [o investidor] fazer ajustes para outras estratégias com uma renda fixa mais longa ou mesclar renda variável simultaneamente”, afirma o gestor.

Para 2015, a previsibilidade da nova política econômica do governo vai incentivar o crescimento da previdência aberta no próximo ano, segundo Osvaldo Nascimento, presidente da Federação Nacional de Previdência e Seguros de Vida (Fenaprevi). “Apesar da previsão de crescimento baixo do PIB para o ano que vem, o setor de previdência tende a crescer mais do que este ano, pois a escolha da nova política econômica traz mais transparência para o jogo”, disse Nascimento em encontro com jornalistas. “Previsibilidade no longo prazo é importante para a previdência.”

De janeiro a outubro deste ano, a arrecadação (bruta) dos planos de previdência aberta cresceu 10,2%, totalizando R$ 61,7 bilhões, segundo dados da Susep compilados pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg). Para 2015, a projeção é de crescimento de 10,5%. (Colaborou Thais Folego)

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

O risco da abundância para a economia e os investimentos financeiros

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É a estação da abundância, mas às vezes a abundância é a última coisa que os mercados financeiros precisam. As ações caíram no início da semana passada, depois que duas notícias deixaram os investidores americanos preocupados: a queda contínua dos preços do petróleo e as vendas desapontadoras do comércio na Black Friday.

Ambas, à sua maneira, são histórias sobre os riscos representados pela abundância. O preço do petróleo do tipo Brent caiu ao menor nível em cinco anos, acumulando uma desvalorização surpreendente de 34% desde junho. Embora a causa imediata da queda espetacular da semana retrasada tenha sido a incapacidade das nações produtoras de petróleo de chegar a um acordo sobre cortes na produção, a história fundamental é que a oferta está grande, especialmente a decorrente das operações de “fracking” [também conhecido como fraturamento hidráulico, um processo para aumentar a produtividade em poços] nos Estados Unidos. Aparentemente, há muito petróleo.

De modo parecido, a notícia de que os consumidores gastaram 11,3% menos este ano no fim de semana do feriado de Ação de Graças nos EUA provocou arrepios nos investidores, contribuindo talvez para uma rápida queda no valor das ações da Apple. A “Cyber Monday”, dia em que muitos comerciantes tentam esquentar as vendas pela internet, também foi um pouco desapontadora, segundo projeções do setor.

Nos corredores dos shopping centers e na internet, o problema talvez não tenha sido falta de dinheiro – pense em tudo que os consumidores estão economizando com a gasolina barata -, mas talvez uma abundância de escolhas e oportunidades. Quando fazer compras é sempre possível e sempre fácil, um evento como a Black Friday não é tão interessante quanto os comerciantes gostariam que fosse.

As histórias envolvendo a energia e as compras enfatizam os potenciais riscos à economia e também são possivelmente consistentes com a queda da demanda, mas elas também demonstram os riscos mais complexos que os investidores modernos enfrentam.

Há um velho provérbio de investimento: nunca aposte contra a criatividade humana. Não assuma riscos com base na ideia de que uma determinada commodity continuará escassa, ou um determinado modelo de negócios poderá estar sempre seguro em relação à competição.

A ascensão do fracking, a inovação tecnológica que permite a extração de combustíveis antes inalcançáveis, é um caso em questão. Aqueles que achavam que a geologia significava que poderíamos contar apenas com uma quantidade limitada de novos fornecimentos de petróleo ou gás estão vendo o valor de seus investimentos ser ameaçado. Na verdade, o estrategista de investimentos Dylan Grice, hoje na Aeris Capital, fez a mesma observação em um texto premonitório escrito em 2010, quando ele argumentou contra a moda da alocação para o longo prazo em commodities enquanto classe de ativos.

Agora, para ser claro, todos esses excessos são coisas muito boas se você quiser aquecer sua casa ou comprar azeite de oliva pela internet. Mas eles não são muito úteis para aqueles que já fizeram investimentos na maneira como o petróleo e o azeite extra-virgem são tradicionalmente obtidos ou distribuídos.

O varejo vem passando por sua própria revolução, que está longe de acabar, à medida que as lojas físicas cedem espaço para as lojas virtuais. Embora isso tenha desencadeado todo tipo de estratégia entre os comerciantes, o denominador comum é que essa revolução vem tornando os tempos cada vez mais difíceis, com margens apertadas e competidores onipresentes, além de uma transparência nos preços bem melhor.

Pode-se dizer que a Amazon e outras companhias estão vencendo essa batalha, mas isso ao custo de investimentos enormes. Esses investimentos são apoiados pelos lucros, mas eles continuam comendo os lucros, impedindo que eles sejam distribuídos aos acionistas.

Os investidores estão reagindo a esse novo cenário assumindo que ele está apenas substituindo o velho. As vendas fracas na Black Friday são um lembrete de que isso pode ser um erro.

Pegue a Amazon, o Facebook ou uma companhia de videogames como a King Digital. Todas elas enfrentam uma concorrência muito mais dura do que uma empresa similar enfrentaria antes do advento da internet. Embora haja um entusiasmo justificável com as companhias iniciantes (start-ups) e com a facilidade de se colocar em prática ideias transformadoras, tudo isso existe e compete em um mundo em que isso vale para todos que tenham boas ideias.

Temos hoje uma abundância enorme não só de coisas, que podemos conseguir facilmente pela internet, mas também de oportunidades. Qualquer garoto com uma nova ideia tem muito mais chances de implementá-la. Alguns poderão concorrer diretamente com o Facebook ou a Amazon, mas alguns farão isso indiretamente, despertando atenções.

Enquanto investidores, temos uma tendência psicológica histórica de esperar que as vantagens sejam persistentes. Olhamos hoje para o Facebook um pouco como olhávamos para a Barnes & Noble ou a Sears há cerca de 30 anos.

Olhamos para as empresas e ficamos entusiasmados com suas taxas de crescimento e suas receitas, sem compreender verdadeiramente o quanto o mundo mudou. A abundância é merecidamente comemorada, mas pode ser um perigo para a sua saúde. (Tradução de Mario Zamarian)

James Saft é colunista da Reuters. Este artigo expressa as visões da autora e não as opiniões do jornal Valor Econômico.

Fonte: Valor Econômico
Foto: Bárbara Lopes/Agência O Globo
Postado por: Raul Motta Junior

Garantir crédito a fornecedor é estratégico

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Para uma grande empresa, ver um pequeno fornecedor em apuros financeiros nem sempre é algo fácil de ignorar. Em especial quando aquele fornecedor, por operar em um lugar muito remoto ou com um insumo muito específico, é daqueles que põem em risco a cadeia produtiva inteira.

É para tentar mitigar esse risco que a produtora de celulose Fibria facilita o acesso a crédito bancário para os fornecedores que considera estratégicos. “A gente opera em lugares muito pequenos, onde temos fornecedores muito específicos, únicos, às vezes”, diz Marcelo Habibe, tesoureiro da Fibria. Essa saúde do fornecedor é resultado da redução de taxas de juros e na garantia de acesso a crédito.

Proteger a cadeia produtiva não é a única vantagem desse tipo de programa para grandes corporações. As empresas costumam conseguir alongar prazos de pagamento com fornecedores usando os programas como contrapartida. Para o fornecedor, o custo de antecipar um pagamento que será feito em um prazo maior é, em tese, compensado pelo acesso a taxas de juros melhores do que aquelas que teria sozinho. (ver quadro).

A diferença de juros que um fornecedor pode conseguir dentro ou fora de programas do gênero é significativa. Se as taxas de empréstimos para pequenas e médias empresas variam de 3% ao mês sem garantia para até 1,9% com o colateral, os juros em programas de financiamento a fornecedor costumam ficar em 1,2% ao mês, conforme o risco da grande empresa.

Adoniro Cestari, vice-presidente de produtos corporativos do Citi, diz que as companhias costumavam buscar só ganho financeiro ao montar os programas, mas que outros fatores passaram a pesar na decisão nos últimos anos. “Agora, você vê realmente uma preocupação muito grande da grande empresa em garantir que aqueles fornecedores estratégicos tenham acesso à liquidez.” Nos últimos quatro anos, o volume de operações nos programas do banco cresceu, em média, 50% por ano.

“Com esse tipo de ferramenta, a empresa consegue estender um pouco do seu crédito para o fornecedor de menor porte”, diz Frederico Franco, superintendente de produtos do Citi. Em alguns casos, diz ele, a taxa que o fornecedor consegue dentro do programa pode ser de até um terço do custo de um empréstimo sem garantia.

Do lado dos bancos, o programa é interessante porque traz novas empresas para a carteira da instituição. “É uma linha que me possibilita operar com um cliente que eu normalmente não operaria e que pode ter alguma restrição de crédito”, afirma José Ramos Rocha Neto, diretor de empréstimos e financiamentos do Bradesco. A expectativa da instituição é de um crescimento na casa de 20% para a linha em 2014.

Além disso, tais programas representam uma forma de aumentar a capilaridade da instituição. “É um multiplicador da escala do banco e uma oportunidade de eventualmente oferecer outros produtos do portfólio do banco”, diz Rocha. O Bradesco tem feito um esforço para expandir o número de empresas-âncora e agora está em busca de empresas médias de elevada qualidade de crédito.

“São programas que temos há bastante tempo, mas que cresceram mais nos últimos dois anos”, afirma Fernando Freiberger, chefe da área de banco comercial do HSBC. Pelas suas contas, de outubro de 2012 a outubro de 2014 o volume de crédito concedido na modalidade triplicou no banco. O executivo não abre valores. “O objetivo é crescer entre 30% a 40% nessa linha em 2015″, diz. “É uma forma de aprofundar o relacionamento com a empresa-âncora.”

Não custa lembrar que esse tipo de operação “consome” o limite de crédito que a empresa-âncora tem no banco em que o fornecedor antecipou um pagamento. Mas como boa parte dessas companhias conta com linhas externas e trabalha com vários bancos, elas conseguem contornar sem dificuldades a redução do limite.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Selo ‘verde’ pode reduzir custo de captação

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Em abril deste ano, a companhia espanhola de energia Iberdrola captou ¤ 750 milhões em uma emissão de bônus com prazo de oito anos. A demanda superou em quatro vezes esse valor e os papéis foram lançados com cupom de 2,5% ao ano, o mais baixo já pago por uma empresa do país.

Um “selo verde” atestando que os recursos captados seriam usados em projetos de energias renováveis foi fundamental para que a empresa conseguisse captar a um custo tão baixo, afirma o chefe de mercado de capitais e gestão de riscos da Iberdrola, Ignácio Real de Asúa.

Os bônus “verdes” são uma modalidade ainda pequena, porém crescente, de títulos de dívida. Em termos de formato, regras e negociação, são idênticos a títulos de dívida convencionais. No entanto, precisam ser certificados por uma entidade independente que ateste a destinação dos recursos a projetos sustentáveis do ponto de vista ambiental.

A soma das emissões de bônus desse tipo chega a US$ 40 bilhões neste ano, bem acima dos US$ 11 bilhões registrados em 2013, segundo Sean Kidney, fundador da Climate Bonds Initiative, organização não governamental que promove investimentos em projetos e ativos sustentáveis. O órgão reúne bancos como HSBC, Nomura e UniCredit.

O volume ainda é pequeno, levando-se em conta que o mercado de dívida movimenta trilhões de dólares por ano. Para se ter uma ideia, o montante de bônus “verdes” emitidos no mundo todo é inferior aos US$ 48 bilhões captados por emissores brasileiros no exterior de janeiro a novembro.

No entanto, o potencial é muito maior, diz Kidney. Segundo ele, o mercado estimado de bônus relacionados a projetos ambientais é de US$ 502 bilhões.

“O que precisa acontecer para fazer o mercado dar certo é confiança. Precisamos de um padrão e de certificação para garantir que um projeto é verde”, disse Kidney, que esteve no Brasil na semana passada para participar de evento sobre o tema promovido pelo Santander e pela organização sem fins lucrativos Sitawi Finanças do Bem.

Hoje, não há um órgão único ditando os padrões a serem seguidos e a certificação pode ser feita por diversos agentes. “Os benefícios [de uma emissão certificada] são mais credibilidade, redução de riscos de reputação e dar mais confiança aos investidores, o que ajuda a reduzir custos de captação”, afirma Ricardo Zibas, diretor de sustentabilidade da KPMG, consultoria que tem atuado na certificação dos papéis.

No Brasil, onde ainda não foi feita nenhuma emissão do tipo, o governo estuda como aplicar o conceito, diz Matheus Cavallari, secretário-adjunto de políticas microeconômicas do Ministério da Fazenda. Segundo ele, algumas das emissões de debêntures incentivadas feitas no país se referem a projetos sustentáveis e poderiam receber uma etiqueta “verde” para ser negociadas como tal.

É preciso, segundo Cavallari, definir quem poderá conceder essa certificação: o governo ou agentes privados. “O desafio é dar um selo verde a uma debênture de infraestrutura que já é verde”, afirma. Ele também participou do evento.

As emissões de títulos verdes não precisam se restringir a bônus ou debêntures, afirma Kidney. “Não é uma questão de ativo, mas de uso dos recursos.”

Em princípio, poderia haver emissões de letras financeiras e até letras de crédito imobiliário classificadas como verdes, diz Cristina Schulman, chefe da área de mercado de capitais do Santander. A ressalva é que teria de ser comprovado o uso do dinheiro em projetos ligados ao ambiente, como a construção de um edifício verde, por exemplo.

Segundo Cristina, os custos para obter o selo verde são pequenos dentro do custo total de uma emissão. A documentação e os procedimentos são os mesmos. “A oportunidade é justamente o contrário, a possibilidade de reduzir o custo da operação”, diz a executiva, acrescentando que esse benefício ficará mais evidente à medida que houver maior liquidez para os papéis.

Para Kidney, mais que a redução nos custos, as principais vantagens são o engajamento e a diversificação da base de investidores.

No caso da Iberdrola, 57% dos títulos foram alocados para gestores de fundos que direcionam recursos para projetos sustentáveis. Satisfeito com a experiência, Real de Asúa diz que a companhia vai avaliar, sempre que possível, a emissão de bônus nessa modalidade. “Vai depender das condições de mercado e do tempo de execução”, afirma.

Para se preparar e obter a certificação “verde”, a Iberdrola levou duas semanas. Num cenário mais volátil, a tendência é fazer uma operação convencional, que muitas vezes pode ser lançada e concluída em um único dia.

Fonte: Valor Econômico
Foto: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Junior

Juros futuros caem no pós-Copom

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À luz do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgado na quarta-feira à noite, os investidores trataram de derrubar as taxas futuras ontem na BM&F, reduzindo as apostas em relação ao ritmo e à extensão do atual ciclo de aperto monetário. Embora tenha acelerado o passo e elevado a Selic em 0,5 ponto, para 11,75%, o Copom salpicou o comunicado com expressões que deixam dúvidas sobre seus próximos passos.

O colegiado do Banco Central (BC) não apenas utilizou a locução adverbial “neste momento” para qualificar sua decisão como alertou que “o esforço adicional da política monetária tende a ser implementado com parcimônia”, levando em consideração “os efeitos cumulativos e defasados” das altas anteriores.

Dúbio, confuso, ambíguo foram algumas das expressões utilizadas por analistas para se referir à combinação do aumento do ritmo de aperto monetário com a ressalva de que as próximas ações serão dadas com parcimônia. Parte dos analistas viu o comunicado como um sinal de que o Copom não pretende estender muito o ciclo de aperto e pode até reduzir o ritmo para 0,25 ponto em janeiro.

Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otavio de Souza Leal, o Copom deixou a porta aberta para repetição da dose de 0,5 ponto ou redução do ritmo para 0,25 ponto. “Diante de tantas incertezas, o Copom preferiu não se comprometer”, diz Leal, citando as dúvidas quanto às medidas de ajuste das contas públicas e ao rumo da política monetária americana. “A única certeza parece ser que o Copom quis tirar do radar a ideia de que poderia haver uma alta de 0,75 ponto em janeiro”.

Na BM&F, as taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DI) mais curtos murcharam. Não por acaso, o DI com vencimento em abril de 2015 – que abriga as apostas para a decisão do BC em janeiro e março – foi o mais líquido do pregão, com 328 mil contratos negociados. A taxa do derivativo caiu de 12,10% para 11,95%. Já o DI para janeiro de 2016 – que reflete as expectativas para o rumo da Selic ao longo do ano que vem – caiu de 12,60% para 12,40%.

Cálculos da gestora de recursos Quantitas mostram que, antes do encontro do Copom, as taxas futuras refletiam expectativa de alta da Selic em 0,65 ponto em janeiro, ou seja, boa parte dos investidores apostava em elevação de 0,75 ponto. Com o tombo dos DI ontem, a curva de juros passou a mostrar expectativa de alta de 0,44 ponto no mês que vem. E a elevação completa projetada para 2015 caiu de 1,18 ponto para 0,91 ponto.

O sócio-gestor do Modal Asset, Luiz Eduardo Portella, lembra que, na quarta-feira, o mercado de juros começou a cogitar a possibilidade de o Copom elevar a Selic em 0,75 ponto já neste encontro de dezembro. Se o comitê apenas afirmasse que a decisão de acelerar o passo foi tomada “neste momento”, a aposta em 0,75 em janeiro poderia ganhar força.

“No mês que vem, a inflação é mais alta sazonalmente e o mercado poderia começar a considerar que o ritmo de aperto seria mais forte”, diz Portella, ressaltando que, ao usar a expressão parcimônia, o BC estaria apenas reforçando a ideia de que vai manter o ritmo.

 

Fonte: Valor Econômico
Foto: Marcelo Carnaval / O Globo
Postado por: Raul Motta Júnior

Delfim: Nova equipe fará mudança de 180 graus na política econômica

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O ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto acredita que o superávit primário de 1,2% do setor público consolidado prometido pelo futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para 2015 é factível. O ajuste, entretanto, será desafiador, especialmente na falta da ajuda vinda do cenário externo que o ex-presidente Lula recebeu em seu primeiro ano de mandato. Em evento promovido pelo Conselho Regional de Economia de São Paulo (Corecon-SP), Delfim elogiou a nova equipe e afirmou que ela promoverá uma “mudança de 180 graus” na política econômica, capaz de colocar o país de volta à trajetória de crescimento.

O ex-ministro sugeriu que sejam incluídas entre as prioridades da nova gestão a conclusão da reforma do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) – segundo ele, a má alocação de recursos decorrente das distorções do tributo retira 0,5 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB) todos os anos -, e a proposta da Central Única dos Trabalhadores (CUT) para que a negociação salarial feita entre empresas e funcionários prevaleça sobre a legislação trabalhista.

Delfim ressaltou ainda a necessidade de revisão de gastos que “saíram do controle” do governo, entre eles o seguro-desemprego e a pensão por morte. “Tenho 86 anos. Vocês não sabem como sou perseguido pelas mulheres mais novas. Se uma casa comigo, vai ter 80 anos de pensão!”, brincou com a plateia de economistas.

A “ajuda externa” que o presidente Lula recebeu no primeiro ano de mandato, quando a economia mundial crescia e os termos de troca eram bastante favoráveis ao país, não devem se repetir no segundo mandato de Dilma Rousseff – um desafio extra para a equipe que comandará o ajuste a partir do próximo ano, pontuou.

O economista ressaltou ainda que a política monetária não conseguirá trazer sozinha a inflação para o centro da meta, de 4,5%. “Ela deve ser coordenada com a política fiscal e depende da evolução dos salários”, afirmou.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Júnior

Nova equipe econômica anima a Apimec

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O presidente reeleito da Associação dos Analistas e Profissionais do Mercado de Capitais (Apimec), Reginaldo Alexandre, disse ontem que, embora “genéricas”, as recentes manifestações do ministro nomeado da Fazenda, Joaquim Levy, indicam a intenção do governo de fazer os “ajustes necessários” na economia no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Para ele, a retomada da confiança dos investidores e o aperfeiçoamento dos mecanismos de governança nas empresas públicas e privadas são indispensáveis para revigorar o mercado de capitais brasileiro após o fraco desempenho de 2014.

“Em 2014 tivemos um ano difícil, com crise de confiança, e a janela de oportunidade não se abriu”, disse o executivo, referindo-se à paralisação das ofertas públicas de ações no país no período. Já em 2015, se a futura equipe econômica demonstrar que tem “autonomia e liberdade de ação” e houver a percepção de que “haverá condições” de se fazer as correções de rumo na política econômica, o mercado tende a ser mais ativo, afirmou. Ele participou do 23º congresso da entidade, em Porto Alegre.

Para Alexandre, também foram importantes a afirmação do futuro ministro da Fazenda de que o mercado de capitais terá um papel “cada vez mais importante” para complementar o financiamento da economia brasileira, inclusive para a infraestrutura, e a intenção do governo de estimular as grandes companhias a utilizarem esta opção, segundo o Valor noticiou ontem. “Existe muita liquidez no mundo buscando alternativas de investimento que pode encontrar um bom porto por aqui”, disse o presidente da Apimec, para quem os estímulos devem se estender às empresas de médio porte.

Otimista com os primeiros sinais de que a futura equipe econômica vai buscar, “sem mágica”, o aumento do superávit primário e a redução da dívida pública, Alexandre reconhece que 2015 será um ano para o mercado superar traumas como a quebra do grupo X, do empresário Eike Batista, e do escândalo de corrupção na Petrobras. Para ele, os episódios deixam um “aprendizado” para os investidores e para as empresas, que precisam reforçar seus órgãos de controle como comitês e conselhos e envolvê-los mais a fundo na aplicação de medidas de governança.

O tema é um dos pontos centrais do congresso da Apimec. A carta final do evento, assinado pelas regionais da entidade, fará “defesa incondicional do aumento efetivo dos instrumentos e governança e controladoria dentro de todos os entes públicos, incluindo empresas estatais de capital aberto, com regras claras para a escolha de conselheiros e diretores, privilegiando capacidade técnica e gestão em detrimento de quesitos eminentemente políticos”.

Na mesma linha, o primeiro painel do congresso trouxe à tona o fato de que a Petrobras, mesmo com todos os níveis de controle interno de que dispõe, foi vítima do bilionário esquema de corrupção investigado pela Operação Lava-Jato. Para João Verner Juenemann, do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e conselheiro de Forjas Taurus, os integrantes de comitês e conselhos precisam de “dedicação brutal de tempo” e de condições de se abastecer de informações técnicas. “Precisa ceticismo permanente para aprofundar, insistir, reclamar e criar problema, no bom sentido.”

Segundo o presidente da Apimec, outros fatores que comprometeram a economia e o mercado de capitais no país em 2014 foram a desvalorização global das commodities, a alta da inflação, a desaceleração da economia, a “opacidade” das contas públicas e a “frustração” com a geração de superávit pelo governo federal. Agora, a reversão do cenário requer confiança nos ajustes macroeconômicos e ainda medidas “criveis” no campo da microeconomia, como simplificação tributária e desenvolvimento de uma política industrial.

Conforme a carta do congresso, o governo também precisa aumentar a “eficiência do gasto público” para aumentar a capacidade de investimento do Estado com redução da carga tributária e “queda sustentável” das taxas de juros no país. O documento defende ainda mais qualidade nas despesas com educação, incluindo capacitação dos professores e avaliação de desempenho voltado à “meritocracia” para ampliar “produtividade da sociedade brasileira”.

Durante o congresso da Apimec, que termina hoje, o Valor recebeu pela 14ª vez o prêmio como melhor veículo de comunicação na cobertura do mercado de capitais.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Júnior

Oferta de ações volta ao radar de empresas

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Menos de uma semana após a definição da nova equipe econômica, a empresa de moda Restoque e a companhia aérea Azul anunciaram ontem planos de captar recursos na bolsa. Juntas, as operações podem movimentar mais de R$ 700 milhões.

A nomeação de Joaquim Levy para a Fazenda foi bem recebida pelo mercado e tirou do horizonte um fator de incerteza. Com isso, ofertas que estavam engavetadas podem começar a sair do papel, segundo fontes de bancos que estruturam essas operações.

No entanto, é cedo para falar em retomada das ofertas de ações após um ano fraco. O mercado ainda está volátil, o que dificulta a execução das operações. Em paralelo, os juros altos fazem a renda fixa competir pelo dinheiro dos investidores. Por fim, o baixo crescimento econômico reduz a necessidade de captação de recursos. “O risco é alto”, diz um banqueiro.

A Sanepar, estatal de saneamento do Paraná, cancelou ontem o pedido de registro de oferta de ações que havia apresentado no começo deste ano. Como justificativa, mencionou as “atuais condições adversas de mercado”.

Se bem-sucedida, a Restoque será a terceira empresa a fazer uma oferta na bolsa brasileira em 2014. Antes dela, apenas a Oi e a companhia de saúde animal Ourofino acessaram o mercado. Esta captou R$ 418 milhões em outubro, no único IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) do ano.

Dona de marcas como Le Lis Blanc e Rosa Chá, a Restoque pode ir ao mercado ainda em dezembro porque fará uma oferta de ações com esforços restritos. Será a primeira operação nessa modalidade no mercado brasileiro. O procedimento dispensa o registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), desde que a distribuição seja limitada a 50 investidores.

As ofertas com esforços restritos, já adotadas nas emissões de debêntures, passaram a valer para a renda variável no fim de setembro. A oferta da Restoque deve movimentar ao menos R$ 459 milhões, com base na cotação das ações da companhia na BM&FBovespa na sexta-feira.

A operação poderá contar ainda com a venda de participações dos atuais acionistas, incluindo as gestoras de private equity Warburg Pincus e Advent, que ingressaram na Restoque após a união com a Dudalina. Com isso, a operação pode atingir R$ 528,4 milhões.

A definição do preço das ações na oferta está prevista para 11 de dezembro, após o período de preferência aos demais acionistas da Restoque. Caso os prazos sejam cumpridos, a emissão de ações será viabilizada em apenas dez dias, bem abaixo do prazo das ofertas que precisam passar pelo registro na CVM, que levam de 35 a 40 dias.

No pregão de ontem, as ações da Restoque fecharam em queda de 6,2%, cotadas a R$ 8,62, em um dia em que o Ibovespa recuou 4,47%.

A Azul, por sua vez, escolheu o formato tradicional para fazer sua oferta inicial de ações. A listagem será feita no Brasil e em Nova York. A empresa pretende captar US$ 100 milhões para expandir sua frota e pagar dívidas.

Se tivesse optado pela oferta de ações com esforços restritos, a Azul não poderia listar seus papéis no nível 2 de governança corporativa da BM&FBovespa, como pretende. Em operações sem registro na CVM, as aberturas de capital terão de ser feitas no segmento de acesso Bovespa Mais.

Além da Azul, a locadora de veículos Ouro Verde, a empresa de torres de celular T4U, a Par Corretora de Seguros e a JBS Foods também estão com pedidos de IPO protocolados na CVM. Porém, essas operações só devem sair em 2015.

Fonte: Valor Econômico
Postado por: Raul Motta Júnior